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Prof. Dílson Catarino - uso dos verbos faltar, bastar e restar

Apesar de o Word querer corrigir a frase acima para “Custou para eu acreditar nela”, o uso de mim está adequado ao padrão culto da língua. O corretor do Word está equivocado. Aliás, não confie nas correções do Word, principalmente as que sublinham as palavras em verde. As que sublinham em vermelho geralmente não apresentam problema, pois são correções ortográficas. Quem tem o programa antigo, porém, terá a correção anterior à Reforma Ortográfica, ou seja, terá uma correção equivocada, de acordo com a ortografia anterior à Reforma. Por que Basta para mim ter Teté ao meu lado parece criação de deputado mas está certo? Vejamos a explicação: O pronome pessoal do caso reto eu sempre exerce a função sintática de sujeito. Para se descobrir qual o sujeito de um verbo, basta ao aluno perguntar a ele: Que(m) é que .......? Por exemplo: - Eu fiz o trabalho ontem. Pergunta: Quem é que fez o trabalho ontem? Resposta: eu = sujeito do verbo fazer. Façamos o mesmo com a frase apresentada: - Basta para...

Prof. Dílson Catarino - uso do imperativo

“Oh! Jardineira, por que estás tão triste? / Mas o que foi que te aconteceu? / Foi a camélia que caiu do galho, / Deu dois suspiros e depois morreu. / Vem, jardineira! Vem, meu amor! / Não fiques triste que este mundo é todo teu. / Tu és muito mais bonita / Que a camélia que morreu.” Quero ocupar-me, concernentemente a essa letra, do modo verbal a que chamamos de imperativo, que é o uso do verbo para ordem, pedido, conselho, súplica, convite, proibição ou recomendação. Há regras específicas para o uso desse modo verbal, que dependem de como o interlocutor seja tratado. Vejamo-las: Se a ordem, pedido, conselho, súplica, convite, proibição ou recomendação for emitida a um interlocutor apenas, é preciso analisar se este é tratado por “tu” ou por “você”. Caso seja tratado por “tu”, forma-se o imperativo a partir da frase “Todos os dias, tu...”, retirando-se a letra “s” da estrutura verbal; caso seja tratado por “você”, a partir da frase “Espero que você...”. Peguemos como exemplo, o verbo ...

Prof. Dílson Catarino - entre e de

“A Honda está chamando donos de Civic fabricados entre 2008 a 2011 para fazer a substituição dos parafusos da polia da bomba d’água do motor”. Essa era a notícia veiculada em um canal da internet sobre o recall que seria realizado pela Honda envolvendo mais de cem mil veículos no Brasil. O que me chamou a atenção nessa notícia foi o uso da preposição “a” entre os números que representam os anos em que os veículos foram fabricados, porque ela está inadequada. Explico-lhe: Ao usar a preposição entre com o significado de a meio de dois espaços, dois tempos, duas situações, usa-se, entre os elementos indicadores dos espaços, tempos ou situações, a conjunção e, e não a preposição a. Esta deverá ser usada só quando anteriormente ao primeiro elemento for usada a também preposição de: - A Honda está chamando donos de Civic fabricados entre 2008 e 2011... - A Honda está chamando donos de Civic fabricados de 2008 a 2011... Outra inadequação na frase apresentada é a falta de hífen no substantivo ...

Prof. Dílson Catarino - substantivos terminados em ão

Uma das teorias que mais traz dificuldades aos iniciantes, concurseiros e vestibulandos é a dos substantivos terminados em –ão. O plural pode ser estruturado em –ões, em –ães e em –ãos. O feminino pode ser estruturado em –ã, em –oa e até em –ona. Vejamos alguns exemplos: Existem alguns substantivos terminados em –ão que se pluralizam em –ãos, como cidadão, cristão, pagão e artesão. O feminino desses apresentados se estrutura em –ã. Cidadão também admite cidadoa, pouquissimamente usado, mas adequado ao padrão culto do nosso idioma. - Os artesãos, sejam cristãos ou pagãos, são cidadãos como quaisquer outros. - A artesã, seja cristã ou pagã, é cidadã (ou cidadoa) como qualquer outra. Além desses, há de se destacarem os terminados em –ão que têm a penúltima sílaba mais forte, como órgão, órfão, bênção, sótão. Todos são acentuados e pluralizados em –ãos: órgãos, órfãos, bênçãos, sótãos. Não existe a palavra bença! O adequado é bênção: a bênção, pai; a bênção, mãe. Alguns se pluralizam em –ã...

Prof. Dílson Catarino - verbos terminados em ear e iar

Infeliz aquele que não procura desenvolver-se culturalmente. A ordem do dia é procurar o crescimento intelectual a fim de que não se fique estagnado no tempo e não seja deixado para trás pelos mais "inteligentes". Aprender a própria língua é uma obrigação de todos. Não se deve desprezar o nosso idioma. Euanseiopor que o dia em que todos valorizem a língua chegue. É isso mesmo:Eu anseio, e não eu ansio. A conjugação dos verbos mediar, intermediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar nas pessoas eu, tu, ele e eles do presente do indicativo e do presente do subjuntivo tem um e antes doi: - Todos os dias eu anseio, tu anseias, ele anseia eles anseiam; - Espero que eu anseie, que tu anseies, que ele anseie, que eles anseiem. Os outros verbos também: eu intermedeio, eu medeio, eu remedeio, eu incendeio, eu odeio... As pessoas nós e vós desses dois tempos e todas as pessoas de todos os outros tempos não têm esse e: - Todos os dias nós ansiamos, vós ansiais; - Ontem eu ansiei, ele an...

Prof. Dílson Catarino - verbo requerer

Alguns verbos trazem muitas dificuldades aos estudantes e estudiosos da Língua Portuguesa. A maioria dos verbos é regular, ou seja, não sofre mudanças em sua conjugação; os irregulares e os anômalos, porém, sofrem-nas; e os defectivos não têm a conjugação completa. Vejamos alguns deles: O verbo requerer, cujo significado é pedir, solicitar, dentre outros, não tem conjugação idêntica à do verbo querer como à primeira vista possa parecer. É assim conjugado: No presente do indicativo, tempo caracterizado pela expressão “Todos os dias...” é conjugado como o verbo querer, com exceção da primeira pessoa, eu, que se conjuga eu requeiro. As demais pessoas: - tu requeres, ele requer, nós requeremos, vós requereis, eles requerem. No presente do subjuntivo, tempo caracterizado pela expressão “Espero que...”, também é conjugado como o verbo “querer”: - Espero que eu requeira, que tu requeiras, que ele requeira, que nós requeiramos, que vós requeirais, que eles requeiram. Em todos os outros tempos,...

Prof. Díslon Catarino - preposição / isar ou izar

Preposição é uma palavra invariável que, conforme definição do dicionário português Priberam, serve para unir duas outras palavras indicando a relação que existe entre elas. As preposições essenciais são as seguintes: por, para, perante, a, ante, até, após, de, desde, em, entre, com, contra, sem, sob, sobre e trás. Por exemplo, a preposição para, que, dentre outras relações, segundo o dicionário Aurélio eletrônico, introduz o complemento terminativo de verbos, substantivos e adjetivos que encerram ideia de direção, destino, fim, objetivo, relação. É o que ocorre com a frase apresentada no título desta coluna. Ocorre, porém, que, ao analisar mais detalhadamente a oração, percebe-se a possibilidade de dupla interpretação em virtude da má localização da preposição. Quais as palavras ligadas pela preposição? paralisa e vinda ou negociações e vinda? Ambas as ligações são possíveis. Vejamos:             A primeira interpretação é a de que a preposição para se lig...