Prof. Dílson Catarino - Adjetivo
Adjetivo é a classe gramatical que modifica um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou modo de ser.
Adjetivo explicativo:
É o adjetivo que denota qualidade essencial ao ser, qualidade inerente, ou seja, qualidade que não pode ser retirada do substantivo. Por exemplo, todo homem é mortal, todo fogo é quente, todo leite é branco, então mortal, quente e branco são adjetivos explicativos concernentes a homem, fogo e leite.
Adjetivo restritivo:
É o adjetivo que denota qualidade adicionada ao ser, ou seja, qualidade que pode ser retirada do substantivo. Por exemplo, nem todo homem é inteligente, nem todo fogo é alto, nem todo leite é enriquecido, então inteligente, alto e enriquecido são adjetivos restritivos concernentemente a homem, fogo e leite.
Adjetivo imediatamente após o substantivo qualificado por ele:
Adjetivo explicativo: Se ele for adjetivo explicativo, deverá estar entre vírgulas.
– O homem, mortal, age como um ser imortal.
Nessa frase, mortal é adjetivo explicativo, pois indica uma qualidade essencial ao substantivo. Por isso está entre vírgulas.
Adjetivo restritivo: Se for adjetivo restritivo, duas situações poderão ocorrer:
1- Adjetivo restritivo não isolado por vírgula(s):
– O homem inteligente lê mais.
Nessa frase, inteligente é adjetivo restritivo, pois indica uma qualidade adicionada ao substantivo. Por isso não está entre vírgulas.
Observe que inteligente, apesar de não ser essencial a todos os homens, é especificamente ao universo de homens dos quais estamos falando.
2- Adjetivo restritivo isolado por vírgula(s):
– O diretor, preocupado, atendeu ao telefone.
Observe que preocupado não é uma qualidade essencial a todos os homens nem o é ao diretor a quem se refere; o diretor possui a qualidade de preocupado apenas em determinado momento.
É o adjetivo que Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe alguns deles:
Estados e cidades brasileiros:
Alagoas = alagoano
Amapá = amapaense
Aracaju = aracajuano, aracajuense
Amazonas = amazonense
Belém (PA) = belenense
Belo Horizonte = belo-horizontino
Boa Vista = boa-vistense
Brasília = brasiliense
Cabo Frio = cabo-friense
Campinas = campineiro
Campinas do Sul (RS); Campina Grande (PB); Campinas do Piauí (PI): campinense
Curitiba = curitibano
Espírito Santo = espírito-santense ou capixaba
Fernando de Noronha = noronhense
Florianópolis = florianopolitano
Fortaleza = fortalezense
Goiânia = goianiense
João Pessoa = pessoense
Macapá = macapaense
Maceió = maceioense
Manaus = manauense, manauara
Maranhão = maranhense
Marajó = marajoara
Mato Grosso = mato-grossense
Mato Grosso do Sul = mato-grossense-do-sul
Natal = natalense ou papa-jerimum
Pará = paraense
Paraíba = paraibano
Paraná = paranaense
Pernambuco = pernambucano
Piauí = piauiense
Porto Alegre = porto-alegrense
Porto Velho = porto-velhense
Ribeirão Preto = ribeirão-pretano
Rio de Janeiro (estado) = fluminense
Rio de Janeiro (cidade) = carioca
Rio Branco = rio-branquense
Rio Grande do Norte = rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense, potiguar
Rio Grande do Sul = rio-grandense-do-sul, gaúcho, rio-grandense
Rondônia = rondoniano, rondoniense
Roraima = roraimense
Salvador (BA) = salvadorense ou soteropolitano
São Luís = ludovicense ou são-luisense
Santa Catarina = catarinense, barriga-verde
Santarém = santareno
São Paulo (estado) = paulista
São Paulo (cidade) = paulistano
Sergipe = sergipano
Teresina = teresinense
Tocantins = tocantinense
Vitória = vitoriense
Países:
Croácia = croata
Costa Rica = costa-riquense, costa-riquenho, costa-ricense
Curdistão = curdo
Estados Unidos = estadunidense, estado-unidense, norte-americano, americano-do-norte.
El Salvador = salvadorenho, salvadorense, salvatoriano
Guatemala = guatemalteco
Índia = indiano, índio, índu, hindu (este último, os que professam o hinduísmo)
Irã = iraniano, irânico
Israel = israelense, israeliano (não confunda com israelita, que se refere à religião judaica ou ao povo de Israel no sentido bíblico)
Moçambique = moçambicano
Mongólia = mongol, mongolino, mongólico
Panamá = panamenho
Porto Rico = porto-riquenho, porto-riquense
Somália = somali, somaliano, somaliense
Acre = acriano. Por que i no lugar de e? Veja o que registra o texto do acordo ortográfico:
“Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula -iano e -iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos -ano e -ense com um i de origem analógica (baseado em palavras onde -ano e -ense estão precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duniense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniamo, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)).”
Somente se o substantivo terminar com E tônico se mantêm as terminações -eano e -eense: guineense - Guiné-Bissau / taubateano - Taubaté.
Adjetivos pátrios compostos:
Na formação de adjetivos pátrios compostos, o primeiro elemento aparece na forma reduzida e, comumente, erudita. Escreve-se com hífen quando houver duas ou mais etnias. Observe alguns exemplos:
África = afro- / Cultura afro-americana / Afrodescendentes
Alemanha = germano- ou teuto- / Competições teuto-inglesas
América = américo- / Companhia américo-africana
Ásia = ásio- / Encontros ásio-europeus
Áustria = austro- / Peças austro-búlgaras
Bélgica = belgo- / Acampamentos belgo-franceses
Brasil = brasilo, brasílico – / Comissões brasilo-argentinas.
China = sino, chino- / Acordos sino-japoneses
Espanha = hispano- / Mercado hispano-português
Europa = euro- / Negociações euro-americanas
França = franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
Grécia = greco- / Filmes greco-romanos
Índia = indo- / Guerras indo-paquistanesas
Inglaterra = anglo- / Letras anglo-portuguesas
Itália = ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão = nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal = luso- / Acordos luso-brasileiros
Com a Reforma Ortográfica, os adjetivos pátrios de locuções substantivas próprias – nomes com mais de uma palavra – passaram a ser escritos com hífen: serra-negrense, belo-horizontino, valentim-gentilense, etc.
Os topônimos – nomes de lugares – iniciados por verbo ou por grã e grão e aqueles com artigo entre seus elementos também passaram a ser escritos com hífen: Passa-Quatro, Grã-Bretanha, Trás-os-Montes.
Em muitos casos, prefere-se usar, no lugar de um adjetivo, uma expressão formada por mais de uma palavra para caracterizar o substantivo. Essa expressão, que tem o mesmo valor e o mesmo sentido de um adjetivo, recebe o nome de locução adjetiva. Observe alguns exemplos:
de águia = aquilino
de aluno = discente
de anjo = angelical
de ano = anual
de aranha = aracnídeo
de asno = asinino
de baço = esplênico
de bispo = episcopal
de bode = hircino
de boi = bovino
de bronze = brônzeo ou êneo
de cabelo = capilar
de cabra = caprino
de campo = campestre ou rural
de cão = canino
de carneiro = arietino
de cavalo = cavalar, equino, equídio ou hípico
de chumbo = plúmbeo
de chuva = pluvial
de cinza = cinéreo
de coelho = cunicular
de cobre = cúprico
de couro = coriáceo
de criança = pueril
de dedo = digital
de diamante = diamantino ou adamantino
de elefante = elefantino
de enxofre = sulfúrico
de esmeralda = esmeraldino
de estômago = estomacal ou gástrico
de falcão = falconídeo
de farinha = farináceo
de fera = ferino
de ferro = férreo
de fígado = figadal ou hepático
de fogo = ígneo
de gafanhoto = acrídeo
de ganso = anserino
de garganta = gutural
de gelo = glacial
de gesso = gípseo
de guerra = bélico
de homem = viril ou humano
de ilha = insular
de intestino = celíaco ou entérico
de inverno = hibernal ou invernal
de lago = lacustre
de laringe = laríngeo
de leão = leonino
de lebre = leporino
de lobo = lupino
de lua = lunar ou selênico
de macaco = simiesco, símio ou macacal
de madeira = lígneo
de marfim = ebúrneo ou ebóreo
de mestre = magistral
de monge = monacal
de neve = níveo ou nival
de nuca = occipital
de orelha = auricular
de ouro = áureo
de ovelha = ovino
de paixão = passional
de pâncreas = pancreático
de pato = anserino
de peixe = písceo ou ictíaco
de pombo = columbino
de porco = suíno ou porcino
de prata = argênteo ou argírico
dos quadris = ciático
de raposa = vulpino
de rio = fluvial
de serpente = viperino
de sonho = onírico
de terra = telúrico, terrestre ou terreno
de trigo = tritício
de urso = ursino
de vaca = vacum
de velho = senil
de vento = eólico
de verão = estival
de vidro = vítreo ou hialino
de virilha = inguinal
de visão = óptico ou ótico
Gênero e Número:
O adjetivo concorda com o substantivo a que se refere em gênero e número (masculino e feminino; singular e plural).
Caso haja substantivo adjetivado por derivação imprópria, ou seja, palavra que originalmente seja substantivo, mas que funcione em determinado contexto como adjetivo, ficará invariável tanto em gênero quanto em número. Por exemplo:
A palavra cinza é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando outro substantivo, funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável por ser um substantivo adjetivado: camisas cinza, ternos cinza.
– Carros amarelos e motos vinho.
– Telhados marrons e paredes musgo.
– Espetáculos gigantescos e comícios monstro.
Adjetivo composto:
Com raras exceções, o adjetivo composto tem seus elementos ligados por hífen. Apenas o último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam invariáveis.
Caso haja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável.
– Olhos verde-claros.
– Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
– Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Azul-marinho e azul-celeste são invariáveis.
Os raios infravermelhos vão ao plural, mas os raios ultravioleta não.
Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os dois elementos flexionados.
Graus do Adjetivo:
Comparativo:
Compara uma qualidade entre dois elementos ou duas qualidades de um mesmo elemento.
São três os comparativos:
de superioridade: Para alguns alunos, Português é mais fácil (do) que Química.
de igualdade: Para alguns alunos, Português é tão fácil quanto (ou como) Química.
de inferioridade: Para alguns alunos, Português é menos fácil (do) que Química.
Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre duas qualidades de um mesmo elemento, devem-se usar as formas analíticas mais bom, mais mau, mais grande e mais pequeno. Por exemplo:
– Pedro é maior do que Paulo. Pois há a comparação entre dois elementos.
– Pedro é mais grande que pequeno. Pois há a comparação entre duas qualidades de um mesmo elemento.
– Edmundo foi condenado, mas tenho certeza de que ele é mais bom do que mau.
– Joaquim é mais bom do que esperto.
Superlativo:
Engrandece a qualidade de um elemento. São dois os superlativos de um adjetivo:
Superlativo absoluto: o adjetivo é modificado por um advérbio (muito, bastante, extremamente, demasiadamente, excessivamente, excepcionalmente): Carla é muito inteligente.
Superlativo sintético: quando há o acréscimo de um sufixo (-íssimo, -érrimo, -ílimo): Carla é inteligentíssima.
Superlativos eruditos: Alguns adjetivos no grau superlativo apresentam a primitiva forma latina, daí serem chamados de eruditos. Por exemplo, o adjetivo magro possui dois superlativos: o normal, magríssimo, e o erudito macérrimo. Há ainda a forma magérrimo.
Eis uma pequena lista de superlativos absolutos sintéticos:
benéfico = beneficentíssimo
célebre = celebérrimo
comum = comuníssimo
cruel = crudelíssimo
difícil = dificílimo
doce = dulcíssimo
fácil = facílimo
fiel = fidelíssimo
frágil = fragílimo
frio = friíssimo
frígido = frigidíssimo
humilde = humílimo
jovem = juveníssimo
livre = libérrimo
magnífico = magnificentíssimo
magro = macérrimo, magérrimo ou magríssimo
manso = mansuetíssimo
nobre = nobilíssimo
pequeno = mínimo
pobre = paupérrimo ou pobríssimo
preguiçoso = pigérrimo
próspero = prospérrimo
sábio = sapientíssimo
sagrado = sacratíssimo
Superlativo relativo:
de superioridade: Enaltece a qualidade do substantivo como “o mais” dentre todos os outros: Carla é a mais inteligente.
de inferioridade: Enaltece a qualidade do substantivo como “o menos” dentre todos os outros: Carla é a menos inteligente.
Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno possuem formas especiais:
superlativo absoluto sintético - ótimo, péssimo, máximo, mínimo
superlativo relativo de superioridade - o melhor, o pior, o maior, o menor
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