Prof. Dílson Catarino - Artigo

 É a palavra variável em gênero e número que precede um substantivo para determiná-lo de modo preciso (artigo definido) ou vago (artigo indefinido).


 


Os artigos classificam-se em:


 


Artigos Definidos: o, a, os, as.


Os artigos definidos determinam o substantivo de modo particular, indicando ser o substantivo já conhecido do leitor ou do ouvinte. A sua ausência generaliza o substantivo.


– O técnico elogiou jogadores de vários times.


A anteposição do artigo o ao substantivo técnico particulariza-o; já é do conhecimento do leitor o técnico de que o texto trata. Já a ausência do artigo os diante do substantivo jogadores generaliza o substantivo, indeterminando-o.


 


Artigos Indefinidos: um, uma, uns, umas.


Os artigos indefinidos não determinam o substantivo de modo particular, e sim de forma genérica.


– O garoto pediu dinheiro. (Antecipadamente, sabe-se quem é o garoto.)

– Um garoto pediu dinheiro. (Refere-se a um garoto qualquer, de forma genérica.)


 O artigo definido o tem origem no pronome demonstrativo latino ille.


O artigo indefinido um tem origem no numeral latino unus.


Emprego dos artigos:


 


1) Substantivação pelo artigo: Qualquer unidade linguística pode transformar-se em substantivo quando determinada pelo artigo o. Trata-se de um caso de derivação imprópria:


– O bom é que ele não percebeu o equívoco. (O adjetivo bom substantivou-se)

– Os dizeres do provérbio são enigmáticos. (O verbo dizer substantivou-se, por isso pluralizou-se)


 


Os vocábulos que e porque, quando substantivados, são acentuados.


 


O pronome que, também usado como interjeição, preposição, conjunção, advérbio ou partícula expletiva, será substantivado quando precedido do artigo indefinido um. Seu significado será algo, alguma coisa:


– Ela tem um quê de mistério. (tem algo de mistério)


 


A conjunção porque será substantivada quando precedido do artigo definido o. Seu significado será motivo, razão, causa.


– Ninguém entendeu o porquê de tanta confusão. (ninguém entendeu a razão)


 


Observação: Os vocábulos o, a, os, as não serão artigos, mas sim pronomes demonstrativos quando antecederem que ou de,  com o mesmo valor de este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo e quando retomarem um adjetivo ou uma oração, com o valor de isso.


– Não entendi o que disse. (não entendi aquilo que disse)


– Não pedi que me trouxesse essa camisa, mas a que está sobre a cama. (aquela que está sobre a cama)


– Omisso? Já lhe disse que não o sou. (não sou isso)


– Os que desobedeceram às ordens do supervisor só o fizeram porque estavam confiantes na não punição. (só fizeram isso)


 


2) Ambos: Usa-se o artigo entre o numeral ambos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso.


– Ambos os atletas foram declarados vencedores. (Atletas é substantivo que exige artigo.)

– Ambas as leis estão obsoletas. (Leis é substantivo que exige artigo.)

– Ambos vocês estão suspensos. (Vocês é pronome de tratamento, que não admite artigo.)


 


Observação: Segundo o dicionário Houaiss, podem-se usar as locuções ambos os dois, ambos de dois ou ambos e dois em construção pleonástica.


 


 


3) Todos: Usa-se o artigo entre o pronome indefinido todos e o elemento posterior, caso este exija o seu uso.


– Todos os atletas foram declarados vencedores. (Atletas é substantivo que exige artigo.)

– Todas as leis devem ser cumpridas. (Leis é substantivo que exige artigo.)

– Todos vocês estão suspensos. (Vocês é pronome de tratamento, que não admite artigo.)


 


Se o elemento posterior for um numeral, haverá o artigo somente se o numeral for acompanhado de substantivo.


– Todos os dez alunos foram suspensos.


– Todos dez foram suspensos.


 Não se usa todos os dois. O pronome todos só se usa de três em diante.


 


4) Todo: Diante do pronome indefinido todo, usa-se o artigo ao indicar totalidade, caso o termo posterior o exija. Não se usa o artigo ao indicar generalização.


Se o termo posterior não exigir artigo, este não será utilizado, mesmo que haja indicação de totalidade.


– Todo o país participou da greve. (O país todo, inteiro.)

– Todo país sofre por algum motivo. (Qualquer país, todos os países.)

– Todo Portugal aprecia vinho. (O substantivo Portugal só admite artigo quando especificado)


 


 


5) Cujo: O pronome relativo cujo indica que o substantivo anterior a ele possui o substantivo posterior a ele. Este exige artigo. Ocorre, porém, contração entre o pronome cujo e o artigo, sendo esse um uso errado e redundante:


cujo + o = cujo;

cujo + a = cuja;

cujo + os = cujos;

cujo + as = cujas.


Por exemplo:


– As bolsas das mulheres desapareceram.


Nessa frase há a indicação de posse (as mulheres possuem as bolsas). Pode-se, então, usar o pronome cujo, que ficará entre o possuidor – mulheres – e o possuído – bolsas: As mulheres cujas bolsas. Ocorre a contração do pronome cujo com o artigo as.


– As mulheres cujas bolsas desapareceram ficaram revoltadas. (e não cujo as bolsas.)


 


 


6) Pronomes Possessivos: Diante de pronomes possessivos, o artigo é facultativo. Se houver elipse do substantivo, o artigo será obrigatório.


 


Pronome adjetivo é o que acompanha substantivo. Ex.:


– Encontrei seu irmão hoje.

– Encontrei o seu irmão hoje.


Observe que o pronome seu acompanha o substantivo irmão, então classifica-se como pronome adjetivo.


 


Pronome substantivo é o que substitui substantivo.


– Não falei do irmão dele, e sim do seu.


Observe que o pronome possessivo seu está substituindo um substantivo, então se classifica como pronome substantivo. 


 


Não há artigo, porém, nas expressões de meu e de seu natural, cujos significados são, respectivamente, os meus bens e qualidades naturais.


– Nada tenho de meu que me seja indispensável.


– As mulheres e o que há de seu natural me fascinam.


 


 


7) Nomes de pessoas: Diante de nome de pessoas, usa-se artigo para indicar afetividade ou intimidade. No entanto, pode ser omitido.


– O Juvenal mandou uma carta a Bolsonaro.


 


Se o nome estiver no plural, o artigo será obrigatório:


– Os Cavalcantis formam a família mais numerosa do Brasil; mais do que os Silvas e os Souzas.


– A saga dos Maias, família portuguesa, está contada na obra Os Maias, de Eça de Queirós.


 


 


8) Títulos e formas de tratamento: Não se usa artigo antes de pronomes de tratamento e das formas reduzidas dom, frei (redução de freire) e são (redução de santo).


Exceções: dona, senhora, senhorita, madame, senhor, os quais são determinados pelo artigo.


– Vossa Excelência pode receber agora D. Joaquim?


– Lembrei-me de Sua Excelência, o prefeito.


– O senhor pode receber agora a dona Joaquina?


 


 


9) A palavra casa: Só se usa artigo diante da palavra casa (moradia), se a palavra estiver especificada.


– Saí de casa há pouco.

– Saí da casa do Gilberto há pouco.


 


Se, porém, significar prédio, estabelecimento, haverá o artigo.


– Depois do falecimento do pai, a casa passou a ser administrada pelo primogênito.


 


 


10) A palavra terra: Se a palavra terra significar chão firme, só haverá artigo, quando estiver especificada.


Se significar planeta, usa-se com artigo.


– Os marinheiros voltaram de terra, pois irão à terra do comandante.

– Os astronautas voltaram da Terra.


 


 


11) Topônimos (Nomes de lugar):


 


A) Nomes de cidades: a maioria não têm artigo, porém “o Rio de Janeiro, o Recife, a Lapa, o Cairo, o Porto” têm. Se o nome de cidade estiver especificado, usa-se o artigo.


– Estive em São Paulo, ou melhor, estive na São Paulo de Mário de Andrade.


Obs.: Modernamente alguns autores estão admitindo a ausência de artigo diante do nome da cidade Recife.


B) Nomes de estados brasileiros:


Com artigo: o Rio Grande do Sul, o Paraná, o Rio de Janeiro, o Espírito Santo, o Ceará, o Rio Grande do Norte, o Piauí, o Pará, o Maranhão, o Amazonas, o Acre, o Amapá, a Bahia, a Paraíba.


 


Sem artigo: Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Sergipe, Pernambuco, Rondônia, Roraima.



Facultativo: Alagoas e Minas Gerais.


 


C) Nomes de países e continentes: alguns têm o uso do artigo facultativo. São eles:


– África ou a África,


– Ásia ou a Ásia,


– Europa ou a Europa,


– Espanha ou a Espanha,


– França ou a França,


– Holanda ou a Holanda,


– Inglaterra ou a Inglaterra.


 


 


12) Nomes de jornais, revistas, obras literárias, trabalhos artísticos: Pode-se, facultativamente, combinar com preposição o artigo que faz parte do nome de jornais, revistas, obras literárias, usando-se o apóstrofo.


– Li a notícia n’O Estado de São Paulo.


– Li a notícia em O Estado de São Paulo.


– A adaptação d’Os Maias na televisão brasileira…


– A adaptação de Os Maias na televisão brasileira…


Errado mesmo é contrair a preposição: 'Eu li essa frase nos Sertões' / 'A notícia foi publicada no Globo'.

Alguns gramáticos aceitam o uso do artigo em maiúscula: 'Li essa frase nOs Lusíadas' / 'A notícia foi publicada nA Gazeta / nA Tribuna'.


 


13) Fortalecimento das características de um substantivo: A utilização do artigo indefinido aclara, enfatiza, melhor as características de um substantivo.


– Ela é de uma delicadeza sem igual.


– Falou de uma maneira que causou apreensão a todos.


– Ah! que olhar! Um olhar de menina num corpo de mulher.


 


14) Aproximação: A utilização do artigo indefinido diante de um numeral denota aproximação.


– Eram umas duas horas quando ele chegou.


– Havia umas duzentas pessoas no protesto.


 


15) Antes de pronome indefinido: Não se deve utilizar o artigo indefinido antes de pronomes com sentido indefinido, a não ser quando se exigir ênfase.


– Depois de certo tempo, tudo esclarece. (e não “Depois de um certo tempo)


– Não foi ela, e sim outra pessoa. (e não “uma outra pessoa)


– Esteve aqui um tal de Juscelino. (o artigo indefinido enfatiza o pronome de sentido indefinido)


 


 


16) Não contração de preposição com artigo: Quando a preposição se relaciona com o verbo, e não com o substantivo, não ocorre a contração entre a preposição e o artigo.


– Esse jeito meigo de a garota falar me fascina.


– Estou surpreso por o supervisor me tratar tão bem.


 


O mesmo ocorre com os pronomes ele, ela, eles, elas:


– Esse jeito meigo de ela falar me fascina.


 


Quando, porém, a preposição se relaciona com o substantivo, há a contração nos seguintes casos:


 


A preposição por se contrai com o, a, os, as: pelo, pela, pelos, pelas


– Irei pelo caminho que ele me indicou.


 


As preposições de e em se contraem com o, a, os, as e com um, uma, uns, umas: do, da, dos, das, no, na, nos, nas, dum, duma, duns, dumas, num, numa, nuns, numas.


– O funcionário duma empresa londrinense disse numa emissora de rádio…


 


A preposição com se contrai com os artigos a e as: coa e coas. Um exemplo famoso é o romance 'O Navio Negreiro', de Castro Alves. Em ambas as palavras, há uma sílaba só, diferentemente do que ocorre com as formas verbais de coar: eu coo, tu coas, ele coa, nas quais há duas sílabas: co-o, co-as, co-a.


– Ele coa o café coa meia. (pronuncia-se “Ele co-a o café kwa meia”)


 


A preposição a se contrai com os artigos a e as formando crase: à, às.


– Obedeça às regras.


– Paguei a dívida à empresa.


 


A preposição desde não se contrai com os artigos: desde o, desde a, desde os, desde as.


– Desde a época do descobrimento.


 


 


17) Em expressões de tempo:


A) Em nomes de meses, só se usa artigo se houver qualificativo:


– Em setembro, irei à Europa.


– Em um setembro vibrante, estive na Europa.


 


B) Antes de datas, em geral não se usa artigo:


– Nasci em 27 de fevereiro de 1959.


 


Em datas célebres ou em atas, porém, pode-se usar o artigo.


– Aos 14 de fevereiro de 2019, os sócios se reuniram para deliberarem…


– O 19 de novembro já não é comemorado.


 


C) Os dias da semana são precedidos de artigo quando enunciados no plural. No singular, tanto o artigo quanto a preposição que o precede são opcionais.


– Aos domingos vou à missa.


– Às segundas-feiras comento sobre gramática na rádio CBN.


– Domingo irei lá.


– No domingo irei lá.


 

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