Prof. Dílson Catarino - Colocação pronominal
Este é o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes junto ao verbo. Eles podem ser colocados de três maneiras diferentes: antes do verbo (Próclise), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (Ênclise).
Próclise
É a colocação dos pronomes oblíquos átonos antes do verbo. Usa-se a próclise, obrigatoriamente, quando houver palavras atrativas. São elas:
1) Palavras ou expressões negativas:
– Ela não se incomodou com meus problemas.
2) Advérbios ou locuções adverbiais:
– Aqui se tem sossego para trabalhar.
3) Pronomes indefinidos substantivos:
– Alguém me telefonou?
4) Pronomes ou advérbios interrogativos:
– Que me acontecerá agora?
5) Pronomes relativos:
– A pessoa que me telefonou não se identificou.
6) Pronomes demonstrativos:
– Isso me comoveu deveras.
7) Conjunções subordinativas integrantes ou adverbiais:
– Escrevia os nomes conforme me lembrava deles.
Obs.: Não ocorre próclise em início de oração, exceto sob licença poética ou quando se pretende reproduzir a fala coloquial. Somente os pronomes pessoais retos podem iniciar uma frase. O certo é Traga-me essa caneta que aí está e não Me traga essa caneta. O único caso em que a palavra se pode aparecer no início da frase é quando ela funciona como conjunção.
Outros usos da próclise:
1) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo):
– Raios te partam!
– Deus te abençoe!
2) Em frases com a preposição em + verbo no gerúndio:
– Em se tratando de gastronomia, a Itália é ótima.
– Em se estudando Literatura, não se esqueça de Carlos Drummond de Andrade.
3) Em frases com preposição + infinitivo flexionado:
– Ao nos posicionarmos a favor dela, ganhamos alguns inimigos.
– Ao se referirem a mim, façam-no com respeito.
4) Havendo duas palavras atrativas, o pronome tanto poderá ficar após as duas palavras, quanto entre elas.
– Se me não ama mais, diga-me.
– Se não me ama mais, diga-me.
Obs: No Brasil, se o verbo não estiver no início da frase, principalmente com pronomes indefinidos e demonstrativos adjetivos, pronomes pessoais retos, possessivos e de tratamento, substantivos, numerais e conjunções coordenativas, pode ocorrer próclise ou ênclise, mesmo não havendo palavra atrativa.
Com verbos monossilábicos ou proparoxítonos, a eufonia ordena que se use a próclise: Eu o vi. / Nós a encontráramos antes de ele chegar.
– Ele se arrependeu do que fizera. / Os três se conheceram. / Vossa Senhoria nos ajudará?
– Ele arrependeu-se do que fizera. / Os três conheceram-se. / Vossa Senhoria ajudar-nos-á?
Também denominada de tmese, é a colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as) no meio do verbo. Ocorre quando houver verbo no Futuro do Presente ou no Futuro do Pretérito, sem que haja palavra atrativa alguma, apesar de, mesmo sem palavra atrativa, a próclise, no Brasil, ser aceitável. No futuro do subjuntivo, usa-se a próclise, por haver a conjunção subordinativa ou o pronome quem.
O pronome oblíquo átono será colocado entre o infinitivo e as terminações ei, ás, á, emos, eis, ão, para o futuro do presente, e as terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam, para o futuro do pretérito. Por exemplo, o verbo queixar-se ficará conjugado da seguinte maneira:
– Queixar-me-ei,
– Queixar-te-ás,
– Queixar-se-á,
– Queixar-nos-emos,
– Queixar-vos-eis,
– Queixar-se-ão.
– Queixar-me-ia,
– Queixar-te-ias,
– Queixar-se-ia,
– Queixar-nos-íamos,
– Queixar-vos-íeis,
– Queixar-se-iam.
Para se conjugar qualquer outro verbo pronominal, basta-lhe trocar o infinitivo. Por exemplo, retira-se queixar e coloca-se zangar, arrepender, suicidar, apaixonar, vangloriar, apropriar, compadecer, dignar, indignar, abster, mantendo os mesmos pronomes e desinências:
– Zangar-me-ei,
– Zangar-te-ás,
– Zangar-se-á,
– Zangar-nos-emos,
– Zangar-vos-eis,
– Zangar-se-ão.
– Zangar-me-ia,
– Zangar-te-ias,
– Zangar-se-ia,
– Zangar-nos-íamos,
– Zangar-vos-íeis,
– Zangar-se-iam.
Lembre-se de que, quando o verbo for transitivo direto (VTD) terminado em R, S ou Z e à frente surgir os pronomes O, A, OS, AS, as terminações desaparecerão.
– Vou cantar a música = Vou cantá-la. (Com acento por ser oxítona terminada em A)
– Tu esperas a grande chance = Tu espera-la. (Sem acento por ser paroxítona terminada em A, somente as oxítonas terminadas em A são acentuadas)
– Aquele rapaz seduz as mais belas garotas = Aquele rapaz sedu-las. (Sem acento por ser oxítona terminada em U, somente as paroxítonas terminadas em US são acentuadas)
O mesmo ocorrerá, na formação mesoclítica:
– Cantarei a música = Cantá-la-ei.
– Tu esperarás a grande chance = Tu esperá-la-ás.
– Aquele rapaz seduzirá as mais belas garotas = Aquele rapaz seduzi-las-á.
Os verbos dizer, trazer e fazer são conjugados no futuro do presente e no futuro do pretérito, perdendo as letras ze, ficando assim:
– direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão.
– diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam.
– farei, farás, fará, faremos, fareis, farão.
– faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam.
– trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão.
– traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam.
– Direi a verdade = Di-la-ei; (Sem acento por ser monossílabo terminado em i, que é regra das paroxítonas)
– Farão o trabalho = Fá-lo-ão; (Com acento por ser monossílabo terminado em A)
– Traríamos as apostilas = Trá-las-íamos. (Com acento por ser monossílabo terminado em A)
Obs.: Se o verbo não estiver no início da frase e estiver conjugado no futuro do presente ou no futuro do pretérito, no Brasil, tanto se pode usar próclise, quanto mesóclise.
– Eu me queixarei de você.
– Eu queixar-me-ei de você.
– Os alunos se esforçarão.
– Os alunos esforçar-se-ão.
Obs.2: A mesóclise é uma colocação exclusiva da linguagem formal, culta, cerimoniosa e literária, não ocorrendo na fala espontânea de nenhum falante do português do Brasil, a menos que seja intencional. Geralmente é substituída por uma locução verbal formada pelo verbo auxiliar ir: Eu vou encontrá-lo amanhã (em vez de Encontrá-lo-ei amanhã). Por isso, deve ser evitada em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.
Este é o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes junto ao verbo. Eles podem ser colocados de três maneiras diferentes: antes do verbo (Próclise), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (Ênclise).
Usa-se a ênclise, principalmente nos seguintes casos:
1) Quando o verbo iniciar o período:
– Trouxe-me as propostas já assinadas.
– Arrependi-me do que fiz a ela.
2) Com o verbo no imperativo afirmativo, porque, no imperativo negativo, usa-se a próclise:
– Traga-me as propostas já assinadas.
– Arrependa-se, pecador!
Obs.: Se o verbo não estiver no início da frase nem conjugado no Futuro do Presente ou no Futuro do Pretérito, no Brasil, pode-se usar opcionalmente próclise ou ênclise. No Brasil, a preferência é a próclise. Em Portugal, a preferência é a ênclise.
– Eu me queixei de você.
– Eu queixei-me de você.
– Os alunos se esforçaram.
– Os alunos esforçaram-se.
As locuções verbais são formadas por verbo auxiliar + infinitivo, gerúndio ou particípio. Nesse último caso, as locuções são chamadas de tempos compostos. Por exemplo:
– Querem cancelar os contratos. (Querem – verbo auxiliar; cancelar – verbo principal no infinitivo)
– Neste momento, estão recolhendo as provas. (Estão – verbo auxiliar; recolhendo – verbo principal no gerúndio)
– Os alunos têm estudado bastante. (Têm – verbo auxiliar; estudado – verbo principal no particípio)
1) Auxiliar + Infinitivo ou Gerúndio:
Quando o verbo principal da locução verbal estiver no infinitivo ou no gerúndio, há, no mínimo, duas colocações pronominais possíveis:
Concernentemente ao verbo auxiliar, seguem-se as mesmas regras de colocação pronominal em tempos simples:
– Próclise, em qualquer circunstância (menos em início de frase),
– Mesóclise, se o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito,
– Ênclise, se não houver palavra atrativa nem verbo no futuro.
Concernentemente ao principal no infinitivo ou no gerúndio, deve-se colocar o pronome depois do verbo (ênclise).
– Eles se devem esforçar mais. (Próclise no auxiliar – No Brasil, só não se admite próclise no início de oração)
– Eles devem se esforçar mais. (Ênclise no auxiliar, por não haver palavra atrativa)
– Eles devem esforçar-se mais. (Ênclise no principal infinitivo)
– Eles não se podem esforçar. (Próclise no auxiliar por haver palavra atrativa – não)
– Eles não podem esforçar-se. (Ênclise no principal infinitivo)
– Eles se poderão esforçar. (Próclise no auxiliar – No Brasil, só não se admite próclise no início de oração)
– Eles poder-se-ão esforçar. (Mesóclise no auxiliar por o verbo estar no futuro do presente)
– Eles poderão esforçar-se. (Ênclise no principal infinitivo)
A colocação com o gerúndio é a mesma.
2) Auxiliar + Particípio:
Quando o verbo principal da locução verbal estiver no particípio, o pronome oblíquo átono só poderá ser colocado junto ao verbo auxiliar, nunca após o verbo principal.
– Eles se têm esforçado. (Próclise no auxiliar – No Brasil, só não se admite próclise no início de oração)
– Eles têm se esforçado. (Ênclise no auxiliar, por não haver palavra atrativa)
– Eles não se têm esforçado. (Próclise no auxiliar por haver palavra atrativa – não)
– Eles se terão esforçado. (Próclise no auxiliar – No Brasil, só não se admite próclise no início do período)
– Eles ter-se-ão esforçado. (Mesóclise no auxiliar por o verbo estar no futuro do presente)
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