Prof. Dílson Catarino - Conjunção

 As conjunções são elementos que reúnem orações num mesmo período.


Há dois tipos de conjunção: coordenativas e subordinativas


 


As coordenadas reúnem orações coordenadas, as de função equivalente numa sequência, que são independentes umas das outras. Podem, por isso, aparecerem em períodos diferentes.


 


– Pedro tem 4 anos.


– O avô de Pedro tem 61 anos.


 


– Pedro tem 4 anos, e seu avô, 61.


 


As conjunções coordenativas ligam também palavras, frases e períodos.


 


– Pedro e o avô passeiam todos os dias.


– Calmo, mas preocupado, recolheu-se.


 


A presença de uma conjunção coordenativa se denomina síndeto, por isso a oração iniciada por conjunção coordenativa é sindética e na ausência dela, assindética.


 


As subordinativas participam de frases complexas, ou seja, não há a reunião de orações independentes, e sim a indicação de que houve a passagem de uma categoria a outra. Por exemplo:


 


– A quarentena terá longa duração.


– Sinto isso.


 


– Sinto que a quarentena terá longa duração.


 


A oração “A quarentena terá longa duração”, que poderia se unir a outra de função equivalente, uniu-se a um verbo – sentir – e estabeleceu uma relação em que ela passou a ser inferior, por isso subordinada. Ela passou a ser complemento não preposicionado do verbo “sentir”.


 


As conjunções subordinativas iniciam orações subordinadas com funções próprias de substantivos e de advérbios. Por exemplo:


 


– A venda da casa é necessária.


– É necessário que vendamos a casa.


 


Observe que o substantivo “venda”, que é o sujeito do verbo “ser”, transformou-se em oração iniciada pela conjunção “que” – que vendamos a casa.


 


– Fiz isso por amor a você.


– Fiz isso porque amo você.


 


Observe que o adjunto adverbial de causa “amor a você” se transformou em oração iniciada pela conjunção “porque” – porque amo você.


 


Locução conjuntiva


 


As locuções conjuntivas são duas ou mais palavras que funcionam como as conjunções. Por exemplo:


 


– Aceitou a decisão da família, embora não tivesse a mesma opinião.


– Aceitou a decisão da família, posto que não tivesse a mesma opinião.


– Aceitou a decisão da família, ainda que não tivesse a mesma opinião.


A conjunção subordinativa “embora” e as locuções conjuntivas “posto que” e “ainda que” iniciam oração que exerce a função de adjunto adverbial de concessão.


Conjunções e locuções conjuntivas coordenativas:


 


1) Aditivas: Dão ideia de adição.


e, nem (= e não), mas também, mas ainda, como também, senão também (depois de não só), tampouco, além disso, ademais, outrossim, mais (na matemática ou em linguagem regional), que (= e)


 


– Estuda e trabalha.


– Não estuda nem trabalha.


– Não só estuda, mas também trabalha.


 


– Dize-me com quem andas que (= e) te direi quem és.


– Estuda que estuda, mas não aprende.


A conjunção “que”, normalmente explicativa, é aditiva quando aparece entre dois verbos iguais.


 


Observações:


Só se deve usar “e nem” na necessidade de ênfase. Do contrário, usa-se apenas nem.


 


– Não estuda nem trabalha.


– Não estuda e nem trabalha.


A diferença entre os períodos é a ênfase que se dá na leitura das frases. No segundo período, há uma pausa antes de “e” e uma ascensão no tom de voz em “nem”.


 


– E caminhou, e correu, e exercitou-se para melhorar a saúde.


– Os homens saíam para caçar, e as mulheres cuidavam da plantação.


Quando houver polissíndeto, ou seja, a repetição da conjunção aditiva, e quando houver sujeitos diferentes nas orações, pode-se usar vírgula.


 


 


2) Adversativas: Dão ideia de oposição, contraste, compensação.


mas, e (= mas), porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, senão (= mas sim), não obstante.


 


– Estudou muito, mas não conseguiu a aprovação.


– Estuda que estuda, e (= mas) não aprende.


Quando houver o advérbio de negação “não” na oração anterior à da conjunção adversativa, pode-se usar “senão”


– O corrupto não mata com armas, mas com os desvios milionários.


– O corrupto não mata com armas, senão com os desvios milionários.


 


Com exceção de “mas” e de “e”, as conjunções e locuções conjuntivas adversativas têm também emprego adverbial, no interior de oração:


 


– Sabíamos que ele receberia o dinheiro da família e que, no entanto, não o dividiria com ninguém.


 


Com exceção de “mas” e de “e”, as conjunções e locuções adversativas podem vir no início, no meio ou no fim da oração. Se estiverem no meio ou no fim, devem ser isoladas por vírgula(s). Se estiverem no início, haverá vírgula se houver a necessidade de ênfase.


 


– A minha vida segue uma rotina rígida, mas meu consciente quer mais.


– A minha vida segue uma rotina rígida, porém meu consciente quer mais.


– A minha vida segue uma rotina rígida, no entanto meu consciente quer mais.


 


– A minha vida segue uma rotina rígida. Porém meu consciente quer mais.


– A minha vida segue uma rotina rígida. No entanto meu consciente quer mais.


 


– A minha vida segue uma rotina rígida. Meu consciente, porém, quer mais e.


– A minha vida segue uma rotina rígida. Meu consciente, no entanto, quer mais.


 


3) Alternativas: Dão ideia de opção, alternância.


ou (repetida ou não), ora, nem, quer, já, seja, talvez (repetidas).


 


Faça chuva ou faça sol…


Fale agora, ou cale-se para sempre.


A vírgula antes de “ou” é usada quando houver necessidade de ênfase.


 


Ou desiste do negócio, ou aceita a proposta.


Quer queira, quer não queira, faremos a negociação.


Quando houver conjunções alternativas repetidas, usa-se a vírgula.

 

No último exemplo, o par quer... quer está coordenando orações que, semanticamente, expressam concessão em relação à segunda. É como se disséssemos 'Embora ele não queira, faremos a negociação'.


 


4) Explicativas: Dão ideia de esclarecimento, explicação.


que, pois (anteposto ao verbo), porque, porquanto


 


– Cante, que os males espanta.


– Não corra, pois o piso está escorregadio.


 


5) Conclusivas: Dão ideia de conclusão


logo, portanto, então, por isso, por conseguinte, pois (posposto ao verbo e entre vírgulas), destarte, dessarte.


 


As conjunções e locuções conclusivas podem vir no início, no meio ou no fim da oração. A conjunção “pois” não aparece no início da oração.


Se estiverem no meio ou no fim, devem ser isoladas por vírgula(s). Se estiverem no início, haverá vírgula se houver a necessidade de ênfase.


 


– Raquel esforçou-se como ninguém, portanto conseguiu a aprovação.


– Raquel esforçou-se como ninguém. Conseguiu, pois, a aprovação.


– Raquel esforçou-se como ninguém. Conseguiu a aprovação, pois.


 


– Raquel esforçou-se como ninguém. Portanto conseguiu a aprovação.


– Raquel esforçou-se como ninguém. Conseguiu, portanto, a aprovação.


– Raquel esforçou-se como ninguém. Conseguiu a aprovação, portanto.


 


“Por isso” é considerada locução conjuntiva conclusiva.


1) Integrantes: Introduzem as orações subordinadas substantivas, que exercem a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal e aposto de outra oração.


Que e se


 


– É importante que aceite a proposta.


A oração “que aceite a proposta” exerce a função de sujeito do verbo “ser”.


– O mais importante é que aceite a proposta. (predicativo do sujeito)


– Sabemos que ele se esforçou deveras. (objeto direto)


– Precisa-se de que as leis sejam respeitadas. (objeto indireto)


– Tenho certeza de que tudo dará certo. (complemento nominal)

– Só uma coisa é indubitável: que todos morreremos. (aposto da oração anterior)


 


– Não sabia que estava ferido.


– Não sabia se estava ferido.


A diferença entre as duas frases é que, na primeira, há a certeza de que estava ferido, e, na segunda, há dúvida.


 


2) Causais: Iniciam as orações subordinadas adverbiais causais.


porque, porquanto, já que, uma vez que (com o verbo no indicativo), visto que, como (no início da frase), se (= já que, visto que), na medida em que


 


– Como as pernas doíam, não se levantou para cumprimentar-me.


– Não se levantou para me cumprimentar porque as pernas doíam.


– Ele continua arrogante, uma vez que ninguém lhe deu ainda uma lição.


– Se você sabia que eu não conseguiria, por que me deixou sozinho? (Já que você sabia que eu não conseguiria…)

3) Comparativas: Iniciam as orações subordinadas adverbiais comparativas


que, bem como, assim como, mais... (do) que, menos... (do) que, tão... quanto/como, tanto... quanto/como, tal qual.


 


– Os filhos agem tal qual o exemplo dos pais.


– Ela é mais estudiosa (do) que o irmão.


– As empresas brasileiras vendem tanto quanto as argentinas.


– Não aja como um desmiolado!


– “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”


 


Luiz Antônio Sacconi, em sua Nossa Gramática Completa – 30ª edição, de 2010, apresenta a conjunção “se” também como comparativa:

– Se o estilo reflete o homem, o idioma é o espelho da cultura de um povo.


 


3) Concessivas: Iniciam as orações subordinadas adverbiais concessivas, em que se apresenta um fato contrário à ação principal, mas incapaz de impedi-la.


embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, por melhor que, por pior que, apesar de que, nem que.


 


– “Nem que chova canivete, Odete, (…) Eu não deixo Dagmar sambar”


– Alguns homens se sentem superiores, posto que sejamos todos iguais.


– Por mais que queiram, não haverá a liberação dessa droga.


 


Luiz Antônio Sacconi, em sua Nossa Gramática Completa – 30ª edição, de 2010, apresenta a conjunção “se” também como concessiva:


– Se ferido ele queria lutar, imagine, então, são!


 


4) Condicionais: Iniciam as orações subordinadas adverbiais condicionais, em que há uma condição para se realizar o fato principal.


Se, caso, desde que, contanto que, sem que (= se não), dado que, a não ser que, exceto se, salvo se, a menos que, uma vez que (com o verbo no subjuntivo).


 


– Se houver mais pessoas interessadas, abriremos mais vagas.


– Sem que haja disciplina, uma escola não funciona adequadamente.


 


5) Conformativas: Iniciam as orações subordinadas adverbiais conformativas, em que há a conformidade de um enunciado com a oração principal.


conforme, segundo, consoante, como (= conforme), de acordo com

– Como decidimos na última reunião, o desconto não mais será concedido.


 


6) Consecutivas: Iniciam as orações subordinadas adverbiais consecutivas, em que há a consequência do enunciado da oração principal:


que (após tão, tal, tanto, tamanho na oração anterior), de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que


 


– O frio estava tão intenso, que os dedos congelaram.


– Era um indivíduo de tanta sorte, que nada de mal lhe acontecia.


 


7) Temporais: Iniciam as orações subordinadas adverbiais temporais.


quando, enquanto, desde que, depois que, antes que, até que, sempre que, logo que, assim que, toda vez que, apenas, mal.

– Quando a pandemia acabar, tudo voltará ao normal.


– Ele vive se lamentando, desde que a esposa o deixou.


 


O dicionário Houaiss apresenta a conjunção “se” como temporal:


– Se fala, irrita a todos.


 


8) Finais: Iniciam as orações subordinadas adverbiais finais, que indicam a finalidade da oração principal.


para que, a fim de que, que, porque (= para que)


 


– Fiz o possível para que tudo se arranjasse.


– Estudem, porque consigam a aprovação.

9) Proporcionais: Iniciam as orações subordinadas adverbiais proporcionais, em que há um fato a se realizar ao mesmo tempo em que o da oração principal.


à medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais... mais, quanto menos... menos.


 


– À medida que a tempestade se aproximava, as pessoas mais se apavoravam.


– Quanto mais se explica, menos entende.

Observação: O gramático Cegalla considera 'sem que' conjunção subordinativa modal em ''O funcionário saiu sem que o vissem'. Essa classificação existe, embora a NGB não a registre.

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