Prof. Dílson Catarino - Pronome

 Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui, retoma ou acompanha o nome, indicando-o como pessoa do discurso ou situando-o no espaço, no tempo ou no próprio texto.


 


Pronome substantivo: é o pronome que substitui um substantivo. Sintaticamente, exerce as funções próprias do substantivo.

Pronome adjetivo: é o pronome que acompanha um substantivo. Sintaticamente, funciona como adjunto adnominal.


 


– Aqueles garotos estudam bastante; eles serão aprovados com louvor.


Aqueles é pronome adjetivo, pois acompanha o substantivo “garotos” e eles, pronome substantivo, pois substitui o mesmo substantivo.


Os pronomes pessoais são aqueles que indicam uma das três pessoas do discurso: a que fala (falante), a com quem se fala (interlocutor) e a de quem se fala (referente). 


1) Pronomes pessoais do caso reto


Pronomes pessoais do caso reto são os que desempenham a função sintática de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo da oração, esse último com tu e vós. São os pronomes eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. 


2) Pronomes pessoais do caso oblíquo


São os que desempenham a função sintática de complemento verbal (objeto direto ou indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial, adjunto adnominal ou sujeito acusativo (sujeito de oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo ou de gerúndio, com verbo causativo ou sensitivo). 


Os pronomes pessoais do caso oblíquo se subdividem em dois tipos: os átonos, que não são  antecedidos por preposição, e os tônicos, precedidos por preposição.


A) Pronomes oblíquos átonos:


Os pronomes oblíquos átonos são os seguintes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes.


B) Pronomes oblíquos tônicos:


Os pronomes oblíquos tônicos são os seguintes: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas.


Usos dos pronomes pessoais:


1) Eu, tu / Mim, ti


Os pronomes eu e tu exercem a função sintática de sujeito; mim e ti, a de complemento verbal ou nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial e sempre são precedidos de preposição. Por Exemplo:


– Trouxeram aquela encomenda para mim.


O pronome mim exerce a função de complemento verbal – objeto indireto do verbo trazer


– Era para eu conversar com o diretor, mas não houve condições.


O pronome eu exerce a função de sujeito do verbo conversar. 



Agora, observe a oração seguinte:


– Não será fácil para mim conseguir o empréstimo.


O pronome mim NÃO é sujeito do verbo conseguir, como à primeira vista possa parecer.



Analisando-se a oração mais detalhadamente:


O sujeito do verbo ser é a oração conseguir o empréstimo.


 


Vejamos:


Que não será fácil? (Pergunta feita para se descobrir o sujeito de um verbo)


Resposta: conseguir o empréstimo.


Há, portanto, uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que é a oração que funciona como sujeito, com o verbo no infinitivo.


O verbo ser é verbo de ligação, portanto fácil é predicativo do sujeito.


O adjetivo fácil exige um complemento, pois conseguir o empréstimo não será fácil para quem?


Resposta: para mim, termo que funciona como complemento nominal.


Ademais a ordem direta da oração é esta:


– Conseguir o empréstimo não será fácil para mim.


O adequado, portanto, é realmente dizer Não será fácil para mim conseguir o empréstimo 



2) Si, consigo


Si e consigo são pronomes reflexivos ou recíprocos, portanto só poderão ser usados na voz reflexiva ou na voz recíproca. Por Exemplo:


– Quem só pensa em si, acaba ficando sozinho.


– Gilberto trouxe consigo os três irmãos. 



3) Com nós, com vós / Conosco, convosco


Usa-se com nós ou com vós, no lugar de conosco e convosco, quando, à frente, surgir qualquer palavra que indique quem somos nós ou quem sois vós, como mesmos, próprios, todos, outros, ambos, algum numeral, aposto explicativo ou oração subordinada adjetiva.


– Ele conversou com nós todos a respeito de seus problemas.


– Ele disse que sairia com nós dois. 


Os pronomes ele, ela, eles e elas se contraem com a preposição de, obtendo as formas dele, dela, deles, delas, nele, nela, neles, nelas.



4) Dele, do + subst. / De ele, de o + subst.


Quando os pronomes pessoais ele(s), ela(s), ou qualquer substantivo, funcionarem como sujeito, não devem ser aglutinados com a preposição de.


– É chegada a hora de ele assumir a responsabilidade.


– No momento de o orador discursar, faltou-lhe a palavra.


Pronomes oblíquos átonos


Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os as, lhes. Eles podem exercer diversas funções sintáticas nas orações. São elas



1) Objeto Direto:


 


Objeto direto é o complemento do verbo transitivo direto, verbo que exige complemento e que não tem preposição ligando-os, exceto em casos especiais, como o objeto direto preposicionado. Pode-se usar como paradigma o verbo comprar: quem compra, compra algo. Os pronomes que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.


 


– Quando encontrar seu material, traga-o até mim.  (Quem traz, traz algo)

– Respeite-me, garoto. (Quem respeita, respeita alguém)

– Levar-te-ei a São Paulo amanhã. (Quem leva, leva alguém)



Notas:


 


01) Se o verbo for terminado em M, ÃO ou ÕE, os pronomes o, a, os, as se transformarão em no, na, nos, nas.


 


– Quando encontrarem o material, tragam-no até mim.

– Os sapatos, põe-nos fora, para aliviar a dor.


 


02) Se o verbo terminar em R, S ou Z, essas terminações serão retiradas, e os pronomes o, a, os, as se transformarão em lo, la, los, las.


 


– Quando encontrarem as apostilas, deverão trazê-las até mim.

– As apostilas, tu perde-las toda semana. (Pronuncia-se pérde-las)

– As garotas ingênuas, o conquistador sedu-las com facilidade.


 


03) Independentemente da predicação verbal, se o verbo terminar em mos, seguido de nos, retira-se a terminação -s.


 


– Encontramo-nos ontem à noite.

– Recolhemo-nos cedo todos os dias.


 


04) Se o verbo for transitivo indireto terminado em s, seguido de lhe, lhes, não se retira a terminação s.


 


– Obedecemos-lhe cegamente.

– Tu obedeces-lhe?



Objeto Indireto:


 


Objeto indireto é o complemento do verbo transitivo indireto, verbo que exige complemento e que tem preposição ligando-os. Pode-se usar como paradigma o verbo obedecer: quem obedece, obedece a algo. Os pronomes que funcionam como objeto indireto de verbos que exigem a preposição a são me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.


 


– Traga-me as apostilas, quando as encontrar.  (Quem traz, traz algo a alguém)

– Obedecemos-lhe cegamente. (Quem obedece, obedece a algo)



Adjunto adnominal:


 


Os pronomes que funcionam como adjunto adnominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes quando indicarem posse (algo de alguém).


 


– Quando Clodoaldo morreu, Soraia recebeu-lhe a herança. (a herança dele)

– Roubaram-me os documentos. (os documentos de alguém – meus)



Complemento nominal:


 


Os pronomes que funcionam como complemento nominal são me, te, lhe, nos, vos, lhes quando complementarem o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos. (algo a alguém, não provindo a preposição a de um verbo).


 


– Tenha-me estima. (estima a alguém)

– Agimos-lhe favoravelmente. (favoravelmente a alguém)



Sujeito acusativo:


 


Os pronomes que funcionam como sujeito acusativo são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as quando estiverem em um período composto formado principalmente pelos verbos deixar, mandar e fazer (auxiliares causativos), ver, ouvir e sentir (auxiliares sensitivos), e um verbo no infinitivo ou no gerúndio.


 


– Deixei-a entrar atrasada.

– Mandaram-me conversar com o diretor.



Parte Integrante do Verbo:


 


Os pronomes parte integrante do verbo são me, te, se, nos, vos. São parte integrante de verbo pronominal, aquele que não se conjuga sem o pronome, frequentemente expressa sentimento, mudança de estado ou atitude própria do sujeito.


 


– Queixei-me de Pedro por ter atrapalhado o nosso trabalho.

– Arrependam-se, pecadores!



Partícula Expletiva


 


Os pronomes que são partículas expletivas ou de realce são me, te, se, nos, vos. Ocorre a partícula de realce com verbo intransitivo, com sujeito claro. Esse pronome pode ser retirado da frase, sem prejuízo de significado, pois não exerce função sintática, seu uso é apenas estilístico (ênfase, expressividade).


 


– João foi-se embora. (João foi embora)

– Maria morria-se de ciúmes da cunhada. (Maria morria de ciúmes)


Os pronomes relativos são aqueles que estabelecem uma relação de subordinação entre duas orações, iniciando uma oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa). Servem para evitar a repetição de um substantivo no período e a formação de frases muito curtas.

Formas simples: que, quem, onde, quanto (e flexões), cujo (e flexões), como, quando

Forma composta: o qual (e flexões)


Podem ou não ser relativos - que, quem, como, onde, quando e quanto

São sempre relativos - o qual e cujo


 


Os pronomes relativos que, quem, qual, onde e quanto são pronomes relativos substantivos, ou seja, substituem um substantivo, evitando sua repetição no período.


 


Os pronomes relativos onde e quem podem ser indefinidos, sem elemento antecedente.


 


O pronome relativo cujo é pronome relativo adjetivo, ou seja, acompanha um substantivo. Serve para indicar posse.


Este pronome deve ser utilizado com o intuito de substituir um substantivo (pessoa ou coisa), evitando sua repetição.


 


Na montagem do período, deve-se colocá-lo imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente.


 


– Roubaram a peça.


– A peça era rara no Brasil. 


 


Nessas frases, há o substantivo peça repetido. Pode-se usar o pronome relativo que e, assim, evitar a repetição de peça. O pronome será colocado após o substantivo. Então haverá 


 


– Roubaram a peça que…


 


Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração:


 


– …era rara no Brasil, ficando assim:


 


– Roubaram a peça que era rara no Brasil.


 


Pode-se, também, iniciar o período pela outra oração, colocando o pronome após o substantivo. Então, haverá 


 


– A peça que… 


 


Este que está no lugar da palavra peça da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração:


 


– …roubaram, ficando 


 


– A peça que roubaram…


 


Finalmente, conclui-se a oração que se havia iniciado: 


 


– …era rara no Brasil, ficando assim:


 


– A peça que roubaram era rara no Brasil.



Outros exemplos:


 


– Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.


 


Substantivo repetido = garoto 


Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que …


Restante da outra oração = … você estava procurando.


Junção de tudo = Encontrei o garoto que você estava procurando.


 


Começando pela outra oração:


 


Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto que …


Restante da outra oração = … encontrei


Junção de tudo = Você estava procurando o garoto que encontrei.


 



Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo


 


Substantivo repetido = rapaz


Colocação do pronome após o substantivo = Eu vi o rapaz que…


Restante da outra oração = … era seu amigo.


Junção de tudo = Eu vi o rapaz que era seu amigo.


 


Começando pela outra oração:


 


Colocação do pronome após o substantivo = O rapaz que …


Restante da outra oração = … eu vi …


Finalização da oração que se havia iniciado = … era seu amigo


Junção de tudo = O rapaz que eu vi era seu amigo.


 



Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o filme.


 


Substantivo repetido = filme.


Colocação do pronome após o substantivo = Nós assistimos ao filme que…


Restante da outra oração = … vocês perderam.


Junção de tudo = Nós assistimos ao filme que vocês perderam


 


Começando pela outra oração:


 


Colocação do pronome após o substantivo = Vocês perderam o filme que …


Restante da outra oração = … nós assistimos


Junção de tudo = Vocês perderam o filme que nós assistimos.


 


Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a primeira oração é a seguinte: Nós assistimos ao filme, porém, na junção, a prep. a desapareceu. O período está, portanto, inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo do restante da outra oração exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então haverá o seguinte:


 


– Vocês perderam o filme a que nós assistimos.



O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos.


 


Substantivo repetido = documentos


Colocação do pronome após o substantivo = O gerente precisa dos documentos que …


Restante da outra oração = … o assessor encontrou


Junção de tudo = O gerente precisa dos documentos que o assessor encontrou.


 


Começando pela outra oração:


 


Colocação do pronome após o substantivo = O assessor encontrou os documentos que …


Restante da outra oração = … o gerente precisa.


O verbo precisar está usado com a prep. de, portanto ela será colocada antes do pronome relativo.


Junção de tudo = O assessor encontrou os documentos de que o gerente precisa.


 



Obs:   O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais e as quais sempre. O gênero e o número são de acordo com o substantivo substituído.


 


Os exemplos apresentados ficarão, então, assim, com o que substituído por qual:


 


– Encontrei o livro o qual você estava procurando.


– Você estava procurando o livro o qual encontrei.


– Eu vi o rapaz o qual é seu amigo.


– O rapaz o qual vi é seu amigo.


– Nós assistimos ao filme o qual vocês perderam.


– Vocês perderam o filme ao qual nós assistimos.


– O gerente precisa dos documentos os quais o assessor encontrou.


– O assessor encontrou os documentos dos quais o gerente precisa.


O pronome relativo quem substitui um substantivo que representa uma pessoa ou um ser personificado, evitando sua repetição. Somente deve ser utilizado antecedido de preposição, inclusive quando funcionar como objeto direto. Nesse caso, haverá a anteposição obrigatória da prep. a, e o pronome passará a exercer a função sintática de objeto direto preposicionado. De qualquer forma, virá sempre preposicionado. Por exemplo, observe a seguinte oração:


 


– A garota que conheci está em minha sala.


 


O pronome que funciona como objeto direto, pois “quem conhece, conhece alguém” – conheci a garota. Substituindo-o pelo pronome quem, será estruturada o seguinte período:


 


– A garota a quem conheci ontem está em minha sala.


 


Há apenas uma possibilidade de o pronome quem não ser antecedido de preposição: quando funcionar como sujeito. Isso só ocorrerá quando possuir o mesmo valor de o que, a que, os que, as que, aquele que, aquela que, aqueles que, aquelas que, ou seja, quando puder ser substituído por pronome demonstrativo (o, a, os, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas) mais o pronome relativo que. Por exemplo:


 


– Foi ele quem me disse a verdade = Foi ele o que me disse a verdade.


 


Nesses casos o pronome quem será denominado de Pronome Relativo Indefinido.



 Na montagem do período, deve-se colocar o pronome relativo quem imediatamente após o substantivo repetido, que passará a ser chamado de elemento antecedente. Por exemplo:


 


– Este é o artista.


– Eu me referi ao artista ontem. 


 


Nessas frases, há o substantivo artista repetido. Pode-se usar o pronome relativo quem e, assim, evitar a repetição de artista. O pronome será colocado após o substantivo: 


 


– Este é o artista quem…


 


Este quem está no lugar da palavra artista da outra oração. Deve-se, agora, terminar a outra oração: 


 


– …eu me referi ontem, ficando 


 


– Este é o artista quem me referi ontem.


 


Como o verbo referir-se exige a preposição a, ela será colocada antes do pronome relativo. Então:


 


– Este é o artista a quem me referi ontem.


 

 


Outros exemplos:


 


– Encontrei o garoto. Você estava procurando o garoto.


 


Substantivo repetido = garoto


Colocação do pronome após o substantivo = Encontrei o garoto que …


Restante da outra oração = … você estava procurando.


Junção de tudo = Encontrei o garoto quem você estava procurando.


Como procurar é verbo transitivo direto, o pronome quem funciona como objeto direto. Então, deve-se antepor a prep. A ao pronome relativo, funcionando como objeto direto preposicionado.


 


– Encontrei o garoto a quem você estava procurando.


 


Começando pela outra oração:


 


Colocação do pronome após o substantivo = Você estava procurando o garoto quem …


Restante da outra oração = … encontrei


Junção de tudo = Você estava procurando o garoto quem encontrei.


 


Novamente objeto direto preposicionado:


 


– Você estava procurando o garoto a quem encontrei.



Aquele é o homem. Eu lhe falei do homem.


 


Substantivo repetido = homem


Colocação do pronome após o substantivo = Aquele é o homem quem …


Restante da outra oração = … lhe falei.


Junção de tudo = Aquele é o homem quem lhe falei. Como falar está usado com a prep. de, deve-se antepô-la ao pronome relativo, ficando assim:


 


– Aquele é o homem de quem lhe falei.


 


Não se esqueça disto:


O pronome relativo quem somente deve ser utilizado antecedido de preposição. Quando for objeto direto, será antecedido da prep. a, transformando-se em objeto direto preposicionado. Não sendo transitivo direto, o pronome será regido pela preposição exigida pelo verbo ou nome, mas sempre virá preposicionado. Somente funciona como sujeito, quando puder ser substituído por o que, os que, a que, as que, aquele que, aqueles que, aquela que, aquelas que.


 O Pronome Relativo Qual


 


Este pronome tem o mesmo valor de que e de quem. É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais.


 


Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas, ou se for uma locução prepositiva ou a preposição sem ou sob, só poderemos usar o pronome qual, e não que nem quem. Então só se pode dizer o seguinte: 


 


– O juiz perante o qual testemunhei.


– Os assuntos sobre os quais conversamos.


E não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos.



Outro exemplo:


 


– Meu irmão comprou o restaurante.


-Eu falei a você sobre o restaurante.


 


Substantivo repetido = restaurante


Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que …


Restante da outra oração = … eu falei a você.


Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você.


 


Observe que o verbo falar, na oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: 


 


– Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você.


 


Como a preposição sobre possui duas sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então, assim:


 


– Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você.



O Pronome Relativo Onde


 


Este pronome tem o mesmo valor de em que. Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como adjunto adverbial de lugar. Em suma, deve ser usado apenas para lugar físico, ainda que virtual ou figurado. Se o antecedente for uma situação, usa-se em que ou no qual (e suas flexões). Se a preposição em for substituída pela prep. a ou pela prep. de, substitui-se onde por aonde e donde, respectivamente. Por exemplo:


 


– O sítio aonde fui é aprazível.


– A cidade donde vim é belíssima.


 


Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo:


 


– Eu nasci onde você nasceu.


– Eu nasci no lugar em que você nasceu.



Outro exemplo:


 


– Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.


 


Substantivo repetido = cidade


Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que…


Restante da outra oração = … sua sobrinha mora.


Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora.


O verbo morar exige a prep. em, pois quem mora, mora em algum lugar. Então:


 


– Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.


– Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.


– Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.



O Pronome Relativo Quanto:


 


Este pronome é sempre antecedido de tudo, tantos, tantas, todos, todas, concordando com esses elementos (tudo quanto, tantos quantos, tantas quantas, todos quantos, todas quantas). A forma 'quanta' não é usada como pronome relativo, apenas como pronome indefinido ou interrogativo.


 


– Fale tudo quanto quiser falar.


– Traga todos quantos quiser trazer.


– Beba todas quantas quiser beber.


Este pronome indica posse (algo de alguém). Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo).


Por exemplo nas orações seguintes:



– Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz.


 


O substantivo repetido rapaz possui namorada. Deve-se, então, usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: 


 algo de alguém


=


 alguém cujo algo


 a namorada do rapaz


=


o rapaz cujo a namorada


 


Não é adequado, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando assim: 


cujo + o = cujo;


cujo + a = cuja;


cujo + os = cujos;


cujo + as = cujas.


 


Então 


 algo de alguém


=


 alguém cujo algo


 a namorada do rapaz


=


o rapaz cuja namorada


 


 


– Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece.



Outros exemplos:


 


– A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.


 


Substantivo repetido = árvore – o substantivo repetido possui algo. 


algo de alguém


=


alguém cujo algo


os frutos da árvore


=


a árvore cujos frutos


 


Somando as duas orações:


 


– A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.



– O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.


 


Substantivo repetido = artista – o substantivo repetido possui algo. 


algo de alguém


=


alguém cujo algo


a obra do artista


=


o artista cuja obra


 


Somando as duas orações:


 


– O artista cuja obra eu falara morreu ontem.


 


Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é


 


Eu falara da obra do artista,


 


porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, haverá o seguinte:


 


– O artista de cuja obra eu falara morreu ontem.



– As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.


 


Substantivo repetido = pessoas – o substantivo repetido possui algo. 


algo de alguém


=


alguém cujo algo


as palavras das pessoas


=


as pessoas cujas palavras


 


Somando as duas orações:


 


– As pessoas cujas palavras acreditei estão presas.


 


O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo:


 


– As pessoas em cujas palavras acreditei estão presas.


Depois do pronome cujo só pode aparecer substantivo. Pode aparecer uma preposição antes do pronome, se o verbo ou nome a exigir.



Obs: Todos os pronomes relativos iniciam oração subordinada adjetiva, desde que não seja reduzida, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva desenvolvida.


São pronomes empregados no trato com as pessoas, de modo familiar, cerimonioso ou oficial. Embora o pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira pessoa.


 


Usa-se Vossa… quando nos dirigimos à pessoa e Sua… quando nos referimos a ela. Na abreviatura, o V é substituído por S.


 


– Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as de Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente.


 


Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento:

 Você (Vocês)
Emprego: para pessoas íntimas. Geralmente grafada com inicial minúscula.
Senhor (Senhora, Senhores, Senhoras)
Abreviatura: Sr. (Sra., Srs., Sras.)
Emprego: para pessoas pelas quais temos certo respeito (idade, profissão etc.).
Vossa Alteza (Vossas Altezas)
Abreviatura: V. A. (VV. AA.)
Emprego: para príncipes, duques e arquiduques.
Vossa Majestade (Vossas Majestades)
Abreviatura: V. M. (VV. MM.)
Emprego: para reis e imperadores.
Vossa Senhoria (Vossas Senhorias)
Abreviatura: V. Sa. (V. Sas.)
Emprego:
a) oficiais até coronel;
b) funcionários públicos graduados;
c) comerciantes;
d) pessoas com cargos importantes, para as quais não haja tratamento específico, bastante frequente em correspondências comerciais, requerimentos e ofícios;
e) pessoas a quem se quer atribuir uma certa importância.
Vossa Excelência (Vossas Excelências)
Abreviatura: V. Exa. (V. Exas.)
Emprego:
a) oficiais de patente superior à de coronel: marechais, generais, almirantes e brigadeiros.
b) autoridades do governo, entre as quais:
– chefes do Executivo: presidentes, governadores, prefeitos, incluídos os vices;
– ministros de Estado e de Tribunais;
– senador, deputado federal, deputado estadual, deputado distrital, vereador;
– secretário de Estado;
– embaixador;
– juiz de direito, federal, eleitoral, do trabalho;
– desembargador;
– chefe do Gabinete Civil da Presidência da República;
– chefe do Gabinete Militar da Presidência da República;
– advogado-geral da União;
– procurador-geral da República;
– presidentes de estabelecimentos bancários ou financeiros nacionais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Central, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico etc.);
– presidentes de instituições culturais e científicas nacionais (Academia Brasileira de Letras, Academia Nacional de Medicina, Conselho Federal de Educação, Academia Brasileira de Ciências etc.).
Vossa Santidade
Abreviatura: V. S.
Emprego: papas.
Vossa Excelência Reverendíssima (Vossas Excelências Reverendíssimas)
Abreviatura: V. Exa. Revma. (V. Exas. Revmas.)
Emprego: bispos e arcebispos.
Vossa Eminência (Vossas Eminências)
Abreviatura: V. Ema. (V. Emas.)
Emprego: cardeais.
Vossa Paternidade (Vossas Paternidades)
Abreviatura: V. P (VV. PP.)
Emprego: superiores de ordens religiosas (abade, prior, superior).
Vossa Reverendíssima (Vossas Reverendíssimas)
Abreviatura: V. Revma. (V. Revmas.)
Emprego: sacerdotes em geral (padre, cônego, frade, monsenhor, reitor de seminário etc.).
Vossa Magnificência (Vossas Magnificências)
Abreviatura: V. Maga. (V. Magas.)
Emprego: reitores de universidades.

Redação oficial:

O pronome de tratamento no endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência terá a seguinte forma: “A Sua Excelência o Senhor” ou “A Sua Excelência a Senhora”.

Quando o tratamento destinado ao receptor for Vossa Senhoria, o endereçamento a ser empregado é “Ao Senhor” ou “À Senhora”.

O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo e vírgula:

Excelentíssimo Senhor Presidente da República (Executivo),

Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional (Legislativo),

Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal (Judiciário).

As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo respectivo e vírgula:

Senhor Ministro,

Senhor Senador,

Senhor Juiz,

Senhor Deputado,

Senhor Governador,

Senhor Prefeito,

Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo (DD), porque a dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo redundante sua repetição.

Fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.

Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito, em Medicina e em Odontologia. Nos demais casos, o bom e velho tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.

Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição, em comunicações dirigidas a reitores de universidades e outras instituições de ensino superior. Corresponde-lhe o vocativo:

Magnífico Reitor, (seguido de vírgula)

(...)

Hoje é perfeitamente aceita a forma Vossa Excelência para tratar os reitores, devido à primeira forma ser difícil de escrever e pronunciar e estar em desuso por sua abreviatura engraçada. Já não existe mais distanciamento entre a pessoa do reitor e o corpo docente e discente. Neste caso, a invocação pode ser simplesmente Senhor Reitor.

Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesiástica, são:

Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é:

Santíssimo Padre, (seguido de vírgula)

(...)

Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, em comunicações aos cardeais. Corresponde-lhe o vocativo:

Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou

Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal,

(...)

Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas a arcebispos e bispos; Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima para monsenhores, cônegos e superiores religiosos. Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, pastores e demais religiosos.

Existem dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial:

a) para autoridades superiores: Respeitosamente,

b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente,

Não seguem essa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, estas estão especificadas no Manual de Redação Oficial e Diplomática do Ministério das Relações Exteriores.

Também consagrado é o título de Professor. No Brasil seu uso se aplica aos docentes de qualquer grau de ensino, enquanto em Portugal seu uso se limita aos docentes de ensino primário e superior.


 São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s). 



Empregos dos pronomes possessivos:



O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à frase (ambiguidade). Para evitar isso, coloca-se dele, dela, deles, delas, de você, do senhor, da senhora à frente do substantivo, ou troca-se o possessivo por esses elementos.


 


– Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos.


 


De quem eram os documentos, de Joaquim, de Sandra ou da pessoa com quem se fala? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a ambiguidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos:


– Se for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele (de você, do senhor ou da senhora);


– Se for Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela (de você, do senhor ou da senhora).


 


Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela).



É facultativo o uso de artigo diante dos possessivos quando estes acompanharem um substantivo. Se houver elipse do substantivo, o artigo será obrigatório.


 


– Trate bem seus amigos.


– Trate bem os seus amigos.


 


O pronome possessivo acompanha o substantivo amigos.



– Não falei de (ou do) meu irmão e sim do seu.


 


O pronome possessivo meu está acompanhado do substantivo irmão, por isso o artigo é facultativo. Já o pronome seu está substituindo o substantivo. O artigo é, portanto, obrigatório.



Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do corpo, peças de vestuário e qualidades do espírito, quando se referem ao próprio sujeito. Nesses casos, o uso do artigo já denota posse.


 


– Torci o pé. (e não "o meu pé")


– A menina rasgou a saia. (e não "a sua saia")


– Perdi a confiança. (e não "a minha confiança")



Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da pessoa que estiver falando, exceto quando se deseja dar ênfase à expressão.


 


– Acabei de chegar de casa.  (e não "de minha casa")

– Estou em casa, tranquilo. (e não "em minha casa")


 Pronomes demonstrativos são aqueles que situam os seres no tempo, no espaço e no texto, em relação às pessoas do discurso. São os seguintes:


 



Este, esta, isto:


São usados para o que está próximo da pessoa que fala e para o tempo presente.


 


– Este chapéu que estou usando é de couro.  

– Este ano está sendo cheio de surpresas.



Esse, essa, isso:


São usados para o que está próximo da pessoa com quem se fala, para o tempo passado recente e para o futuro.


 


– Esse chapéu que você está usando é de couro?  

– Feliz ano-novo! Que esse ano seja maravilhoso! 

– Inauguramos a loja no mês passado. Até esse mês, nada sabíamos sobre comércio.



 Aquele, aquela, aquilo:


São usados para o que está distante da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala e para o tempo passado remoto.


 


– Aquele chapéu que ele está usando é de couro?  

– Em 1974, eu tinha 15 anos. Naquela época, Londrina era uma cidade relativamente pequena.



Outros usos dos demonstrativos:


No texto

Em uma citação oral ou escrita, usa-se este, esta, isto para o que ainda vai ser dito ou escrito, e esse, essa, isso para o que já foi dito ou escrito.


 


– Esta é a verdade: existe a violência, porque a sociedade a permitiu. 

– Existe a violência, porque a sociedade a permitiu. A verdade é essa.



Usa-se este, esta, isto em referência a um termo imediatamente anterior.


 


– O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.  

– Quando interpelei Roberval, este assustou-se inexplicavelmente.

 

Para se estabelecer a distinção entre dois elementos anteriormente citados, usa-se este ou esta concernentemente ao que foi mencionado por último e aquele ou aquela ao que foi nomeado em primeiro lugar.


 


– Sabemos que a relação entre os pais e as crianças é de domínio daqueles sobre estas.  

– Os filmes brasileiros não são tão respeitados quanto as novelas, mas eu prefiro aqueles a estas.

Se houver mais de dois termos a serem retomados, usam-se numerais: o primeiro, o segundo, o terceiro etc.



O, a, os, as, tal, tais


 


O, a, os, as, tal, tais são pronomes demonstrativos, quando equivalerem a isto, isso, aquilo ou aquele(s), aquela(s).


 


– Não concordo com o que ele falou. (com aquilo que ele falou) 


– Tudo o que aconteceu foi um equívoco. (tudo aquilo que aconteceu)


– Tal acontecimento abalou-me as estruturas. (esse acontecimento)


 Os pronomes indefinidos referem-se à terceira pessoa do discurso de uma maneira vaga, imprecisa, genérica.


 


São eles: alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem (pronuncia-se ôutrem), mais, menos, demais, algum, alguns, alguma, algumas, nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas, todo, todos, toda, todas, muito, muitos, muita, muitas, bastante, bastantes, pouco, poucos, pouca, poucas, certo, certos, certa, certas, tanto, tantos, tanta, tantas, quanto, quantos, quanta, quantas, um, uns, uma, umas, qualquer, quaisquer além das locuções pronominais indefinidas cada qual, quem quer que, qualquer um, todo aquele que, seja qual for, seja quem for, todo o mundo, cada um, tudo o mais…

Fulano, sicrano e beltrano são substantivos, e não pronomes indefinidos.

Algures, alhures e nenhures são advérbios de lugar, e não pronomes indefinidos.



 Usos de alguns pronomes indefinidos



Todo:


 


O pronome indefinido todo deve ser usado com artigo, se significar inteiro e o substantivo à sua frente o exigir; caso signifique todos, cada ou qualquer não terá artigo, mesmo que o substantivo o exija.


 


– Todo dia telefono a ela. (Todos os dias)


– Fiquei todo o dia em casa. (O dia inteiro)  


– Todo ele ficou machucado. (Ele inteiro, mas a palavra ele não admite artigo)



 Todos, todas:


 


Os pronomes indefinidos todos e todas devem ser usados com artigo se o elemento à sua frente o exigir.


 


– Todos os colegas o desprezam.  

– Todas as meninas foram à festa.  

– Todos vocês merecem respeito. (Vocês é um pronome de tratamento que não admite o uso de artigo.)


 


Obs.: Usa-se o artigo entre todos e um numeral somente se este acompanhar um substantivo. Se não houver o substantivo, não haverá também o artigo.


 


– Todos os três professores foram homenageados pelos alunos.

– Vi-os felizes a todos quatro. (Machado de Assis)



Algum:


 


O pronome indefinido algum tem sentido afirmativo quando usado antes do substantivo; passa a ter sentido negativo quando estiver depois do substantivo. Na linguagem popular, e até por escritores de renome, pode significar dinheiro.


 


– Amigo algum o ajudou. (Ninguém)

– Algum amigo o ajudará. (Alguém)

- Você tem algum aí para emprestar?


Certo:


 


A palavra certo será pronome indefinido quando anteceder substantivo e será adjetivo quando estiver posposto a substantivo.


 


– Certas pessoas não se preocupam com os demais.  

– As pessoas certas sempre nos ajudam.



Qualquer:


 


O pronome indefinido qualquer é pronome de sentido afirmativo, por isso não deve ser usado em frases negativas. Em seu lugar, deve-se usar algum, posteriormente ao substantivo, ou nenhum.


 


– Ele entrou na festa sem qualquer problema. Essa frase está inadequada gramaticalmente. O adequado seria 

– Ele entrou na festa sem problema algum. ou 

– Ele entrou na festa sem nenhum problema. 

– Qualquer dia desses irei à sua casa.


São os pronomes que, quem, qual e quanto usados em frases interrogativas diretas ou indiretas.


 


– Que farei agora? – Interrogativa direta. 


– Quero saber quanto lhe devo. – Interrogativa indireta. 


– Qual é o seu nome? – Interrogativa direta. 


– Não sei quanto devo cobrar por esse trabalho. – Interrogativa indireta.



Cadê ou Que é de?:


 


Na expressão interrogativa Que é de? subentende-se a palavra feito:


 


– Que é do sorriso? (= Que é feito do sorriso? ),


– Que é dele? (= Que é feito dele?).


 


É inadequado ao padrão culto da língua o uso de quedê ou cadê, pois essas palavras oficialmente não existem, apesar de, no Brasil, o uso de cadê ser cada dia mais constante.


No Brasil, é muito comum ouvirmos frases como a seguinte:


 


– No fim do ano te darei um presente se você for aprovado.


– Eu te amo muito. Não vivo sem você!


 


Qual a inadequação? Vamos à explicação:


 


O problema reside na desuniformidade de tratamento, que consiste em concordar os pronomes e o verbo com o tratamento destinado aos interlocutores. Esclarecendo:


Se, ao conversarmos com uma pessoa, a tratarmos por você, todos os pronomes e o verbo deverão ficar na terceira pessoa do singular, já que você é um pronome de tratamento, de terceira pessoa. Caso haja mais de um interlocutor, a concordância se efetiva na terceira pessoa do plural (vocês).


Se tratarmos a pessoa por tu, todos os pronomes e o verbo deverão ficar na segunda pessoa do singular. Caso haja mais de um interlocutor, a concordância se efetiva na segunda pessoa do plural (vós).


 


Os pronomes referentes à segunda pessoa são os seguintes: tu, te, ti, contigo, teu, tua, teus, tuas; vós, vos, convosco, vosso, vossos, vossa, vossas.


 


Os pronomes referentes à terceira pessoa são os seguintes: você, vocês, o, a, os, as, lhe, lhes, se, si, consigo, seu, sua, seus, suas.


 


 


– No fim do ano te darei um presente se tu fores aprovado.


– No fim do ano lhe darei um presente se você for aprovado.


 


– Eu te amo muito. Não vivo sem ti!


– Eu a amo muito. Não vivo sem você!


 


– O presente que te dei não foi útil para ti.


– O presente que lhe dei não foi útil para você.


 


– Ele te deu o recado que te mandei?


– Ele lhe deu o recado que lhe mandei?


 


– Tu deverias preocupar-te com tua vida!


– Você deveria preocupar-se com sua vida!


 


Outro problema de desuniformidade de tratamento ocorre no uso do verbo, principalmente no imperativo, que é o uso do verbo para pedido, ordem, conselho, súplica, convite, recomendação.


Se o interlocutor for tratado por tu, o verbo no imperativo deve ser conjugado da seguinte maneira (peguemos como exemplo o verbo experimentar):


 


Constrói-se a frase assim: Todos os dias tu experimentas; retira-se a letra s do verbo: Experimenta. Este é o imperativo do verbo experimentar para a segunda pessoa do singular: Experimenta!. O mesmo ocorre com vós: Todos os dias vós experimentais; retira-se o s: Experimentai!


 


Se o interlocutor for tratado por você, o verbo no imperativo será conjugado da mesma maneira que o presente do subjuntivo, que é caracterizado pela frase Espero que…. O verbo experimentar, então, fica assim: Espero que você experimente. O imperativo de experimentar para você é Experimente!. O mesmo ocorre com os pronomes nós e vocês: Espero que nós experimentemos. Espero que vocês experimentem. O imperativo, então, fica Experimentemos! e Experimentem!. Veja estas frases:


 


– Se tu gostas de cerveja, experimenta esta.


– Se você gosta de cerveja, experimente esta.


Outros exemplos:


Vem pra Caixa você também. (errado)

Venha para a Caixa você também. (correto)

Vem para a Caixa tu também. (correto)

Saia da Sibéria e vem pra Net já. (errado)

Sai da Sibéria e vem para a Net já. (correto)

Saia da Sibéria e venha para a Net já. (correto)

Sai que é sua, Taffarel. (errado)

Saia que é sua, Taffarel. (correto)

Sai que é tua, Taffarel. (correto)

Você quer um desconto? Faz um 21. (errado)

Tu queres um desconto? Faz um 21. (correto)

Você quer um desconto? Faça um 21. (correto)

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