Prof. Dílson Catarino - Verbo (2)
Verbos defectivos
I- abolir, aturdir, brandir, banir, carpir, delir, demolir, exaurir, excelir, explodir, fremir, haurir, extorquir, puir, ruir, retorquir, latir, urgir, tinir, pascer.
A esses verbos faltam a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e as formas derivadas dela, ou seja, todo o presente do subjuntivo e o imperativo negativo e você, nós e vocês do imperativo afirmativo. Todos os outros tempos têm conjugação regular.
Não existem as formas 'eu abulo / abolo', 'eu aturdo', 'eu brando', 'eu bano', 'eu carpo', 'eu dilo', 'eu demulo / demolo', 'eu exauro', 'eu excilo', 'eu expludo / explodo', 'eu frimo', 'eu hauro', 'eu exturco / extorco', 'eu puo', 'eu ruo', 'eu retorco / returco', 'eu lato', 'eu urjo', 'eu tino', 'eu pasço'. Use sinônimos.
O dicionário Houaiss já considera o verbo explodir como regular, aceitando formas como 'eu explodo' e 'que eu exploda'.
Vocabulário:
aturdir = atordoar
brandir = acenar
delir = apagar, deletar
exaurir = esgotar, ressecar
excelir = destacar-se
fremir = gemer
haurir = beber, sorver
puir = desgastar
ruir = desmoronar, desaparecer
retorquir = replicar, contrapor
urgir = ser urgente (conjugado apenas nas terceiras pessoas e sem imperativo: urge, urgia, urgiu, urgira, urgirá, urgiria, urgisse)
tinir = soar
pascer = pastar
Como exemplo, conjuguemos o verbo colorir. Todos os outros têm a mesma conjugação.
Presente do indicativo ///, colores, colore, colorimos, coloris, colorem
Presente do subjuntivo não há
Imperativo afirmativo colore tu, colori vós
Imperativo negativo não há
Pretérito perfeito do ind. colori, coloriste, coloriu, colorimos, coloristes, coloriram
Pretérito mais-que-perfeito do ind. colorira, coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram
Futuro do subj. colorir, colorires, colorir, colorirmos, colorirdes, colorirem
Pretérito imperfeito do subj. colorisse, colorisses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, colorissem
Futuro do presente colorirei, colorirás, colorirá, coloriremos, colorireis, colorirão
Futuro do pretérito coloriria, coloririas, coloriria, coloriríamos, coloriríeis, coloririam
Infinitivo flexionado colorir, colorires, colorir, colorirmos, colorirdes, colorirem
Pretérito imperfeito do ind. coloria, colorias, coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam
Formas nominais colorir, colorindo, colorido
II- adequar, aguerrir, computar, combalir, embair, empedernir, esbaforir-se, espavorir, foragir-se, remir, renhir, transir, ressarcir, reaver, precaver(-se)
A esses verbos faltam as formas rizotônicas do presente do indicativo e as formas delas derivadas, ou seja, todo o presente do subjuntivo e o imperativo negativo e você, nós e vocês do imperativo afirmativo. Todos os outros tempos têm conjugação regular.
Não existem as formas 'eu aguirro', 'eu combalo', 'eu embao', 'eu empedirno', 'eu rimo / eu remo' (que podem ser confundidas com os verbos remar e rimar), 'eu rinho', 'eu transo' (que pode ser confundida com o verbo transar), 'eu me esbafuro', 'eu espavuro', 'eu me forajo', 'eu reavejo / eu reavenho', 'eu me precavejo / me precavenho'. Use sinônimos. Muitos dicionários consideram válidas as formas 'eu ressarço', 'eu computo' e 'eu me adéquo'.
As formas inexistentes do verbo remir são substituídas pelas do sinônimo redimir: redimo, redimes, redime, remimos, remis, redimem, redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam.
Vocabulário:
aguerrir = tornar valoroso
combalir = tornar debilitado
esbaforir-se - ficar ofegante
espavorir - amedrontar
embair – enganar
empedernir = petrificar, endurecer
remir = adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar
renhir = disputar
transir = trespassar, penetrar
como exemplo, conjuguemos o verbo falir:
Presente do indicativo ///, ///, ///, falimos, falis, ///
Presente do subjuntivo não há
Imperativo afirmativo fali vós
Imperativo negativo não há
Pretérito perfeito do ind. fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Pretérito mais-que-perfeito do ind. falira, faliras, falira, falíramos, falíreis, faliram
Futuro do subj. falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Pretérito imperfeito do subj. falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Infinitivo flexionado falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Pretérito imperfeito do ind. falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
Formas nominais falir, falindo, falido
Verbo anômalo, pois possui mais de um radical. Como ele se conjugam os verbos propor, antepor, dispor, pospor e todos os outros terminados em -or.
Presente do indicativo
ponho, pões, põe, pomos, pondes, põem
Presente do subjuntivo
ponha, ponhas, ponha, ponhamos, ponhais, ponham
Imperativo afirmativo
põe tu, ponha você, ponhamos nós, ponde vós, ponham vocês
Imperativo negativo
não ponhas tu, não ponha você, não ponhamos nós, não ponhais vós, não ponham vocês
Pretérito perfeito do ind.
pus, puseste, pôs, pusemos, pusestes, puseram
Pretérito mais-que-perfeito do ind.
pusera, puseras, pusera, puséramos, puséreis, puseram
Futuro do subj.
puser, puseres, puser, pusermos, puserdes, puserem
Pretérito imperfeito do subj.
pusesse, pusesses, pusesse, puséssemos, pusésseis, pusessem
Futuro do presente
porei, porás, porá, poremos, poreis, porão
Futuro do pretérito
poria, porias, poria, poríamos, poríeis, poriam
Infinitivo flexionado
pôr, pores, pôr, pormos, pordes, porem
Pretérito imperfeito do ind.
punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham
Formas nominais
pôr, pondo, posto
Veja a conjugação do verbo propor
Presente do indicativo
proponho, propões, propõe, propomos, propondes, propõem
Presente do subjuntivo
proponha, proponhas, proponha, proponhamos, proponhais, proponham
Imperativo afirmativo
propõe tu, proponha você, proponhamos nós, proponde vós, proponham vocês
Imperativo negativo
não proponhas tu, não proponha você, não proponhamos nós, não proponhais vós, não proponham vocês
Pretérito perfeito do ind.
propus, propuseste, propôs, propusemos, propusestes, propuseram
Pretérito mais-que-perfeito do ind.
propusera, propuseras, propusera, propuséramos, propuséreis, propuseram
Futuro do subj.
propuser, propuseres, propuser, propusermos, propuserdes, propuserem
Pretérito imperfeito do subj.
propusesse, propusesses, propusesse, propuséssemos, propusésseis, propusessem
Futuro do presente
proporei, proporás, proporá, proporemos, proporeis, proporão
Futuro do pretérito
proporia, proporias, proporia, proporíamos, proporíeis, proporiam
Infinitivo flexionado
propor, propores, propor, propormos, propordes, proporem
Pretérito imperfeito do ind.
propunha, propunhas, propunha, propúnhamos, propúnheis, propunham
Formas nominais
propor, propondo, proposto
O verbo pôr recebe um acento circunflexo para diferenciar da preposição por. Todavia, nenhum derivado de pôr é acentuado.
O verbo haver é conjugado em todos os tempos e modos como qualquer outro verbo. É, porém, eventualmente utilizado em todos os tempos e modos. Isso acontece porque, no Brasil, não o usamos habitualmente em todos os seus significados. Por exemplo, haver, quando for pronominal (haver-se), significará, dentre outros, proceder socialmente, conduzir-se, comportar-se. No entanto são megarraras as pessoas que dizem frases como a seguinte:
Os jovens de hoje não se hão como os de antigamente, querendo dizer que os jovens não se comportam como os de antigamente. Caiu em desuso tal verbo. Veja outros significados de haver:
– Julgar: Ele houve que fora traído pelo amigo.
– Conseguir, obter: Os alunos houveram do professor o adiamento da prova.
– Sentir: Houvemos uma alegria imensa naquele dia.
No português antigo, era usado como sinônimo de ter, possuir. O inglês ainda mantém esse uso (to have), que também subsiste na frase latina 'habemus papam'. Todavia, em reaver conserva esse sentido, porque reaver é haver de novo, possuir outra vez.
O verbo haver é, porém, mais utilizado hoje em duas ocorrências: como auxiliar de locução verbal e como verbo impessoal:
1) Como auxiliar de locução verbal:
a) Junto a particípio (verbo terminado em –ado ou em –ido) de outro verbo forma o que chamamos de tempo verbal composto, construção tipicamente lusitana e, no Brasil, construção eminentemente formal. Neste caso tem o mesmo valor do verbo ter, que é, inclusive, mais usado na fala espontânea de nós, brasileiros.
– Ele tinha pedido demissão. = Ele havia pedido demissão.
– Se ele tivesse pedido demissão… = Se ele houvesse pedido demissão….
– Espero que ele tenha trazido os documentos. = Espero que ele haja trazido os documentos.
Observe que, nos dois últimos exemplos, o verbo ter é mais familiar a nós que o verbo haver.
b) Junto a verbo no infinitivo (terminado em –ar, -er, -ir) precedido da preposição de:
– Ele há de aceitar a situação.
– Havemos de conseguir nosso intento.
2) Como verbo impessoal:
O verbo haver será impessoal quando significar existir, realizar ou acontecer ou ainda quando indicar tempo decorrido.
Quando haver for impessoal, deverá ser conjugado na terceira pessoa do singular obrigatoriamente, mesmo que o objeto direto esteja no plural. Isso se explica pelo fato de verbo impessoal não possuir sujeito. Se não há sujeito, não há com quem concordar.
Veja exemplos:
Haver = existir
Haverá deuses enquanto alguém acreditar neles. = Existirão deuses enquanto alguém acreditar neles.
Haver = acontecer
Sempre houve muitas festas em minha casa. = Sempre aconteceram muitas festas em minha casa.
Haver indicando tempo decorrido
Ao indicar tempo decorrido, haver equivale a fazer:
Há mais de trinta anos conheci Teté. = Conheci Teté faz mais de trinta anos.
Sintaticamente, há algumas observações a fazer:
Os verbos substituídos por haver (existir e acontecer) têm sujeito. Haver não o tem, por ser impessoal.
Tais verbos (existir e acontecer) são verbos intransitivos. Haver é transitivo direto.
O elemento que parece ser sujeito de haver é, na realidade, o seu objeto direto.
Analisemos, então, as seguintes frases:
Existirão deuses enquanto alguém acreditar neles.
O princípio é o verbo. Há dois: existir e acreditar. Analisaremos apenas existir.
Pergunta-se a ele quem é o sujeito: Quem é que existirá? Resposta: deuses. O sujeito é determinado, já que está explícito. É simples por ter um núcleo só.
Sujeito simples: deuses.
Analisa-se a predicação verbal: quem existe, existe. Existir, portanto, é verbo intransitivo.
Haverá deuses enquanto alguém acreditar neles.
O princípio é o verbo. Há dois: haver e acreditar. Analisaremos apenas haver.
Pergunta-se a ele quem é o sujeito: Quem é que haverá? Resposta: deuses.
Sabemos, porém, que, quando haver significar existir, será verbo impessoal e que aquilo que parece ser seu sujeito é, na realidade, seu objeto direto, uma vez que haver é verbo transitivo direto. A análise adequada da oração é, portanto, a seguinte:
Haver = verbo impessoal e transitivo direto;
Oração sem sujeito ou sujeito inexistente;
Objeto direto = deuses.
É muito comum, no Brasil, o uso de haver como sinônimo de ter. Isso só é possível, de acordo com a Gramática padrão, se ambos forem auxiliares de locução verbal, como já vimos. Se haver for verbo pleno, ou principal, não pode ser substituído pelo verbo ter, apesar de ser muito comum na linguagem cotidiana.
No dia a dia os brasileiros os usam como sinônimos, mas em notícias, reportagens e redações, ter deve ser evitado como sinônimo de haver se for verbo pessoal. Ter significa possuir, mas não significa existir. O dicionário Aulete registra 30 sentidos para o verbo ter, e classifica o verbo ter nesse sentido como informal, e diz que a literatura já registra esse uso. Veja um exemplo:
Este país tem muitos políticos corruptos.
Neste país, há muitos políticos corruptos.
Na primeira oração o verbo ter indica posse: o país possui muitos corruptos.
Já na segunda oração não há indicação de posse, e sim de existência: no país, existem muitos corruptos. Nela, portanto, segundo a norma padrão, não se pode usar o verbo ter. Basta se lembrar da famosa frase 'Tem coisas que só a Philco faz para você'.
Só mais uma pergunta? Que pronome usar com o verbo haver impessoal? Vejamos isso:
É sabido que haver impessoal não tem sujeito e que o termo que parece ser seu sujeito é de fato seu objeto direto já que ele é verbo transitivo direto. Os pronomes de terceira pessoa que funcionam como objeto direto são o, a, os, as, e não ele, ela, eles, elas, que funcionam como sujeito. Em suma, os pronomes pessoais retos funcionam como sujeito ou predicativo e os oblíquos, como complementos e adjuntos. Observe, então, as seguintes orações:
– Existem políticos honestos? Sim. Eles existem.
Usou-se o pronome eles porque o verbo existir exige sujeito.
– Há políticos honestos? Sim. Há-os.
Usou-se o pronome os porque o verbo haver não tem sujeito, e sim objeto direto.
Verbo defectivo da 2ª conjugação. Tem conjugação semelhante à do verbo haver, conjugando-se apenas nas formas em que este conserva a letra v. As formas inexistentes são supridas pelos sinônimos recuperar, resgatar ou recobrar.
Presente do indicativo
//, //, // reavemos, reaveis, //
Presente do subjuntivo
não há
Imperativo afirmativo
reavei vós
Imperativo negativo
não há
Pretérito perfeito do ind.
reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram
Pretérito mais-que-perfeito do ind.
reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouveram
Futuro do subj.
reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, reouverem
Pretérito imperfeito do subj.
reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reouvessem
Futuro do presente
reaverei, reaverás, reaverá, reaveremos, reavereis, reaverão
Futuro do pretérito
reaveria, reaverias, reaveria, reaveríamos, reaveríeis, reaveriam
Infinitivo flexionado
reaver, reaveres, reaver, reavermos, reaverdes, reaverem
Pretérito imperfeito do ind.
reavia, reavias, reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam
Formas nominais
reaver, reavendo, reavido
A forma verbal reveja existe, mas é do verbo rever.
A forma verbal reaja existe, mas é do verbo reagir.
Verbo defectivo da 2ª conjugação.
Não é conjugado nas pessoas eu, tu, ele, eles do presente do indicativo.
Não é conjugado no presente do subjuntivo.
Faltam-lhe pessoas no imperativo.
Nos demais tempos, segue a conjugação do verbo vender.
As formas inexistentes são supridas pelos sinônimos precatar, acautelar ou prevenir.
Não deriva de ver nem de vir nem de haver.
Presente do indicativo //, //, //, precavemos, precaveis, //
Presente do subjuntivo não há
Imperativo afirmativo precavei vós
Imperativo negativo não há
Pretérito perfeito do ind. precavi, precaveste, precaveu, precavemos, precavestes, precaveram
Pretérito mais-que-perfeito do ind. precavera, precaveras, precavera, precavêramos, precavêreis, precaveram
Futuro do subj. precaver, precaveres, precaver, precavermos, precaverdes, precaverem
Pretérito imperfeito do subj. precavesse, precavesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, precavessem
Futuro do presente precaverei, precaverás, precaverá, precaveremos, precavereis, precaverão
Futuro do pretérito precaveria, precaverias, precaveria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam
Infinitivo flexionado precaver, precaveres, precaver, precavermos, precaverdes, precaverem
Pretérito imperfeito do ind. precavia, precavias, precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam
Formas nominais precaver, precavendo, precavido
O infinitivo é forma nominal do verbo e pode apresentar-se flexionado e não flexionado.
O estudo do infinitivo na Língua Portuguesa é bastante complexo, já que, em alguns casos, ele deve ser flexionado, em outros, ele pode ser flexionado, e em outros ainda ele não se flexiona.
Será denominado flexionado quando possuir desinência verbal, que são as seguintes:
-es, para a segunda pessoa do singular (tu),
-mos, para a primeira pessoa do plural (nós),
-des, para a segunda pessoa do plural (vós)
-em, para a terceira pessoa do plural (eles, elas).
A primeira pessoa do singular (eu) e a terceira pessoa do singular (ele, ela) são representadas pelo infinitivo não flexionado.
Era para eu cantar
Era para tu cantares
Era para ele cantar
Era para nós cantarmos
Era para vós cantardes
Era para eles cantarem
O infinitivo flexionado, nas conjugações dos verbos regulares, é idêntico ao futuro simples do subjuntivo. Este (o futuro do subjuntivo) participa de orações iniciadas comumente pela conjunção se ou pela conjunção quando ou ainda por expressões como assim que…, sempre que…, indicando hipótese condicional ou temporal; aquele (o infinitivo), de orações iniciadas comumente por preposição (a, de, para, por…), indicando significado declarativo. Por exemplo:
Infinitivo:
– Era para eles chegarem mais cedo.
– Ao nos aproximarmos da casa, percebemos que havia problemas.
– Eles se preocuparam por não saberem o que estava acontecendo.
Futuro do subjuntivo:
– Se eles chegarem mais cedo, participarão da abertura do evento.
– Quando nos aproximarmos da casa, saiam correndo.
– Sempre que falarem com ele, tomem muito cuidado com o que irão dizer.
Infinitivo Flexionado
Usa-se o infinitivo flexionado nos seguintes casos:
Quando o sujeito for claro, ou seja, quando surgir um pronome ou um substantivo escrito na mesma oração do verbo, funcionando como sujeito dele, o uso do infinitivo flexionado será obrigatório:
– É desnecessário vocês chegarem mais cedo.
O sujeito do verbo chegar está claro: vocês; por isso o verbo fica no plural, concordando com o sujeito.
– Não mediremos esforços para vós serdes bem atendidos.
O sujeito de ser está claro: vós; por isso o verbo fica na segunda pessoa do plural, concordando com o sujeito.
Obs.: Mesmo não sendo claro o sujeito, pode-se flexionar o infinitivo: (Observe que a flexão deixa a frase mais elegante. Em alguns casos, se não houver a flexão, ocorrerá ambiguidade)
– É desnecessário chegarem mais cedo.
O sujeito não está escrito na oração, mas torna-se claro que a ação é direcionada a mais de um elemento: vocês.
– Está na hora de começarmos o trabalho.
Se não houver a flexão ocorrerá ambiguidade:
– Está na hora de começar o trabalho. Quem? eu, você, ele, nós?)
Quando o sujeito do verbo no infinitivo for diferente do sujeito do verbo da outra oração, flexiona-se o infinitivo.
– Meninos, vejo estarem atrasados mais uma vez.
O sujeito do infinitivo estar (vocês), é diferente do sujeito do verbo da outra oração: eu vejo.
– Falei a eles sobre a vontade de deixarmos o time.
O sujeito do infinitivo deixar (nós), é diferente do sujeito do verbo da outra oração: eu falei.
Obs.1: Se o sujeito do verbo no infinitivo for o mesmo do verbo da outra oração, a flexão do infinitivo é correta do ponto de vista gramatical, embora seja desnecessária do ponto de vista estilístico.
– Reunir-nos-emos com eles para apresentar os problemas da empresa.
– Reunir-nos-emos com eles para apresentarmos os problemas da empresa.
O sujeito de ambos os verbos (reunir e apresentar) é o mesmo: nós.
– Os escoteiros chamaram os chefes para apresentar o relatório.
– Os escoteiros chamaram os chefes para apresentarem o relatório.
O sujeito de ambos os verbos (chamar e apresentar) é o mesmo: os escoteiros.
Obs.2: Quando o infinitivo estiver depois da preposição a, não há um consenso entre os gramáticos. O mais recomendável é aceitar ambos os casos, ou seja, quando o infinitivo estiver depois da preposição a, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado, quanto o não flexionado.
– O rapaz ajudava as garotas a superar suas dificuldades em Matemática.
– O rapaz ajudava as garotas a superarem suas dificuldades em Matemática.
A única exceção ocorre quando a oração estiver na voz passiva (com sujeito sofrendo a ação verbal): nesse caso, o infinitivo será flexionado obrigatoriamente:
– Essas são as tarefas a serem feitas.
A oração está na voz passiva, pois o sujeito tarefas sofre a ação de fazer.
Infinitivo não flexionado
Usa-se o infinitivo não flexionado nos seguintes casos:
1) Como verbo principal de locução verbal, usa-se o infinitivo não flexionado, porque o verbo auxiliar concorda com o sujeito:
– Os alunos podem sair mais cedo hoje.
O verbo sair é o principal da locução verbal podem sair.
– Eles não podem fazer isso!
O verbo fazer é o principal da locução verbal podem fazer.
2) Sujeito acusativo:
Quando o verbo da oração principal for causativo (deixar, mandar, fazer…) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir…) e o complemento desse verbo for uma oração cujo verbo esteja no infinitivo ou no gerúndio, chamamos o sujeito do infinitivo ou do gerúndio de sujeito acusativo.
Se o sujeito acusativo for um pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, nos, vos, os, as) ou um substantivo singular, usa-se o infinitivo não flexionado:
– Mandei o garoto sair de lá.
– Mandei-o sair de lá.
– Mandei-os sair de lá.
– Mandaram-nos sair de lá.
Obs.: Se o sujeito acusativo for um substantivo plural, pode-se usar tanto o infinitivo flexionado quanto o infinitivo não flexionado:
– Mandei os garotos sair.
– Mandei os garotos saírem.
3) Quando o infinitivo não se referir a sujeito algum, será não flexionado:
– Navegar é preciso, viver não é preciso.
4) Quando, após adjetivo, preceder o infinitivo de preposição, será não flexionado:
– São casos difíceis de solucionar.
Depois do adjetivo difíceis há a preposição de; o verbo solucionar, que está no infinitivo, não pode ser flexionado.
Neste caso, o infinitivo não deve vir acompanhado do pronome se: fácil de fazer, bom de morar, difícil de dirigir. A exceção ocorre quando o verbo é pronominal: Apaixonar-se muito por ela é meu forte.
5) Quando der ao infinitivo valor de imperativo (ordem, pedido, conselho, convite, súplica), ele será não flexionado:
– Soldados, recuar!
Voz verbal é a flexão do verbo que indica se o sujeito pratica, recebe, ou pratica e recebe ao mesmo tempo a ação verbal.
Voz Ativa:
Quando o sujeito é agente, ou seja, pratica a ação verbal ou participa ativamente de um fato.
– As meninas exigiram a presença da diretora.
– A torcida aplaudiu os jogadores.
– O médico cometeu um erro terrível.
Voz Passiva:
Quando o sujeito é paciente, ou seja, sofre a ação verbal.
Voz Passiva Sintética:
A voz passiva sintética é formada por verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto, pronome se (pronome apassivador) e sujeito paciente.
– Entregam-se encomendas.
– Alugam-se casas.
– Compram-se roupas usadas.
Voz Passiva Analítica:
A voz passiva analítica é formada por sujeito paciente, verbo auxiliar ser, estar, andar, ficar, ir ou vir, verbo principal indicador de ação no particípio – ambos formam locução verbal passiva – e agente da passiva.
– As encomendas foram entregues pelo próprio diretor.
– As casas foram alugadas pela imobiliária.
– As roupas foram compradas por uma elegante senhora.
Voz Reflexiva:
Há dois tipos de voz reflexiva:
Reflexiva:
Será chamada simplesmente de reflexiva, quando a ação refletir no próprio sujeito.
– Carla machucou-se.
– Osvaldo cortou-se com a faca.
– Roberto não se respeita.
Reflexiva recíproca:
Será chamada de reflexiva recíproca, ou simplesmente recíproca, quando a ação for mútua entre os sujeitos.
– Paula e Renato amam-se.
– Os jovens agrediram-se durante a festa.
– Os ônibus chocaram-se violentamente.
Passagem da ativa para a passiva e vice-versa
Para efetivar a transformação da ativa para a passiva e vice-versa, procede-se da seguinte maneira:
– O sujeito da voz ativa passará a ser o agente da passiva.
– O objeto direto da voz ativa passará a ser o sujeito da voz passiva.
– Na passiva, o verbo ser ficará no mesmo tempo e modo do verbo transitivo direto da ativa.
– Na voz passiva, o verbo transitivo direto ficará no particípio.
Voz ativa:
A torcida aplaudiu os jogadores.
Sujeito agente = a torcida.
Verbo transitivo direto = aplaudir.
Objeto direto = os jogadores.
Voz passiva:
Os jogadores foram aplaudidos pela torcida.
Sujeito paciente = os jogadores.
Locução verbal passiva = foram aplaudidos.
Agente da passiva = pela torcida.
Observações:
1 - Voz passiva é uma forma verbal, enquanto passividade é ideia. Em 'O funcionário recebeu o salário' há voz ativa, embora o sujeito tenha sofrido a ação.
2 - Aos verbos que não são ativos nem passivos nem reflexivos, são chamados neutros, por exemplo 'A torta está boa' e 'Aqui neva muito'.
3 - Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos.
4 - A palavra passivo tem a mesma raiz latina de paixão, que tem o sentido de sofrimento (Paixão de Cristo). Daí a voz passiva como aquela que expressa a ação sofrida pelo sujeito.
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