Prof. Dílson Catarino - Verbo

 Verbo é a palavra que indica ação (praticada ou sofrida pelo sujeito), fato (de que o sujeito participa ativamente), estado ou qualidade do sujeito e fenômeno da natureza. Por exemplo


 


– Os empresários reuniram-se com o Governador. (Ação praticada pelo sujeito)


– Os negócios foram cancelados pelas empresas. (Ação sofrida pelo sujeito)


– Os servidores públicos precisam de reajustes em seus proventos. (Fato)


– As negociações estão avançadas. (Estado)


– Os aposentados estão indignados com a proposta do Governo. (Qualidade)


– Chove muito nesta região. (Fenômeno da natureza)


 



Conjugação verbal:


Há três conjugações para os verbos da língua portuguesa: 1ª conjugação: verbos terminados em -ar. 2ª conjugação: verbos terminados em -er. 3ª conjugação: verbos terminados em -ir.


Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à 2ª conjugação, por se originarem do antigo verbo poer.




Pessoas verbais:


1ª pes. do sing.: eu 


1ª pes. do pl.: nós 


2ª pes. do sing.: tu


2ª pes. do pl.: vós 


3ª pes. do sing.: ele(a) 


3ª pes. do pl.: eles(as)




Modos verbais:


São três os modos verbais na língua portuguesa: 


 


Indicativo, que expressa atitudes objetivas do falante em relação ao processo verbal, apontando o fato como certo, verdadeiro, real;


 


– Eles eram muito amigos.


 


Subjuntivo, que expressa atitudes subjetivas do falante em relação ao processo verbal, permitindo a expressão de estados emocionais;


 


– Se eles fossem mais amigos…


 


Imperativo, que expressa atitudes de interferência do falante sobre o interlocutor. Por exemplo:


 


– Venha até aqui!


Os verbos classificam-se em:


 



Verbos Regulares:


Verbos regulares são aqueles que se flexionam de acordo com o modelo de conjugação, conservam seu radical em todas as formas:


– cantar, vender, partir…


 



Verbos Irregulares:


Verbos irregulares são aqueles que, em algum tempo ou pessoa, sofrem alterações no radical, na desinência ou em ambos, afastando-se do modelo de conjugação:


– fazer = faço, fazes; fiz, fizeste.


Há alguns que sofrem pequenas alterações para manter a pronúncia, mas não deixam de ser regulares, e verbos irregulares que apresentam formas regulares, mas não deixam de ser irregulares.


 



Verbos Anômalos:


Verbos anômalos são aqueles que sofrem profundas alterações no radical:


– ser = sou, é, fui, era, serei.


– ir = vou, irei, iria, fui.

O verbo ser é a união de dois verbos latinos: esse (ser) e sedere (ficar, permanecer, estar).

O verbo ir é a união de três verbos latinos: ire (ir), vadere (caminhar, andar), fugere (retirar-se, fugir).

 



Verbos Defectivos:


Verbos defectivos são aqueles que apresentam conjugação incompleta:


– falir, reaver, precaver = não possuem as 1ª, 2ª e 3ª pes. do presente do indicativo e o presente do subjuntivo inteiro, 'tu, você, nós e vocês' do imperativo afirmativo e o imperativo negativo. Todos os outros tempos têm conjugação regular.


 



Verbos Abundantes:


Verbos abundantes são aqueles que apresentam duas ou mais formas de idêntico valor. Geralmente ocorrem no particípio: particípio regular, terminado em -ado ou -ido, usado na voz ativa, com o auxiliar ter ou haver; particípio irregular, com outra terminação diferente, usado na voz passiva, com o auxiliar ser, estar ou ficar.


 


Exemplos de verbos abundantes:


aceitar: aceitado e aceito

acender: acendido e aceso

contundir: contundido e contuso

eleger: elegido e eleito

entregar: entregado e entregue

enxugar: enxugado e enxuto

expulsar: expulsado e expulso

imprimir: imprimido e impresso

limpar: limpado e limpo

murchar: murchado e murcho

suspender: suspendido e suspenso

tingir: tingido e tinto


 


Obs.: Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, pôr, ver e vir e seus derivados só possuem o particípio irregular: aberto, coberto, dito, escrito, feito, posto, visto e vindo.


Tempos verbais do Indicativo


 



Presente:


Indica fato que ocorre no dia a dia, corriqueiramente, dá atualidade a fatos ocorridos no passado, atenua o tom do imperativo, indica verdade universal ou fato futuro próximo. Caracteriza-se este tempo pela frase Todos os dias…


 


– Todos os dias, caminho no Zerão.


– Estudo no Maxi.


– Confio em meus amigos.  


 



 


Pretérito:


 


Indica fatos que já ocorreram.


 


Pretérito perfeito:


Indica fato que ocorreu no passado em determinado momento, observado depois de concluído.


 


– Ontem caminhei no Zerão.

– Estudei no Maxi no ano passado.

– Confiei em pseudoamigos.


 


Pretérito imperfeito:


Indica fato que ocorria com frequência no passado, ou fato que não havia chegado ao final no momento em que estava sendo observado, fato passado na incerteza da localização do tempo e substitui o futuro do pretérito com valor enfático.


 


– Naquela época, todos os dias, eu caminhava no Zerão.

– Eu estudava no Maxi, quando conheci Magali.

– Eu confiava naqueles amigos.


 


Pretérito mais-que-perfeito:


Indica fato ocorrido antes de outro no Pretérito Perfeito do Indicativo.


 


– Ontem, quando você foi ao Zerão, eu já caminhara 6 Km.

– Eu já estudara no Maxi, quando conheci Magali.

– Eu confiara naquele amigo que mentiu a mim.


 



Futuro:


Indica fatos que ocorrem depois do momento da fala.


 


Futuro do presente:


Indica fato que certamente ocorrerá, dúvida ou incerteza sobre um fato atual e substitui o imperativo com valor enfático.


 


– Amanhã caminharei no Zerão pela manhã.

– Estudarei no Maxi, no próximo ano.

– Eu confiarei mais uma vez naquele amigo que mentiu a mim.


 


Futuro do pretérito:


Indica fato futuro não realizado, dependente de outro anterior a ele, dúvida ou incerteza sobre um fato passado, desejo em substituição ao imperativo, surpresa ou indignação em frase interrogativa e exclamativa.


 


– Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.

– Estudaria no Maxi, se morasse em Londrina.

– Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não mais me trair.


Tempos verbais do Subjuntivo:


 



Presente:


Indica desejo atual expressando uma possibilidade, dúvida que ocorre no momento da fala.


– Espero que eu caminhe bastante no ano que vem.

– O meu desejo é que eu estude no Maxi ainda.

– Duvido de que eu confie nele novamente.


 



Pretérito Imperfeito:


Indica condição dependente de outro fato passado, presente ou futuro; é estruturado com a desinência -sse-; em muitas frases forma período composto com o futuro do pretérito do indicativo.


– Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.

– Estudaria no Maxi, se morasse em Londrina.

– Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não mais me trair.


 



Futuro:


Indica uma hipótese futura relacionada a um fato futuro.


– Quando eu caminhar todos os dias, sentir-me-ei melhor.

– Quando eu estudar no Maxi, aprenderei mais coisas.

– Quando ele me prometer que não me trairá mais, voltarei a confiar nele.



O modo Imperativo


 


O modo Imperativo expressa ordem, pedido ou conselho.


– Caminhe todos os dias, para a saúde melhorar.

– Estude no Maxi! Confie em mim!

– Prometa que não me trairá mais!


 


A formação do modo imperativo ocorre da seguinte maneira:



Imperativo afirmativo:


Tu e Vós: conjuga-se o verbo no presente do indicativo, retirando-se a letra s.


 


Todos os dias tu estudas. Retirando-se a letra s: Estuda, menino!.

Todos os dias vós estudais. Retirando-se o s: Estudai, meninos!

Exceção: o verbo ser: Sê tu, sede vós, formas muito usadas na linguagem religiosa.


 


Você, nós e vocês: conjuga-se o verbo no presente do subjuntivo. O imperativo afirmativo é idêntico a ele para essas três pessoas:


 


Espero que você, o senhor, a senhora, a senhorita, Vossa Senhoria, Vossa Excelência estude: Estude, menino!

Espero que nós estudemos: Estudemos, meninos!

Espero que vocês, os senhores, as senhoras, as senhoritas, Vossas Senhorias, Vossas Excelências estudem: Estudem, meninos!


 



Imperativo negativo:


Todas as pessoas coincidem com o presente do subjuntivo, sempre precedido da palavra não.


 


Não estudes tanto, menino!

Não estude tanto, menino!

Não estudemos tanto, meninos!

Não estudeis tanto, meninos!

Não estudem tanto, meninos!


São três as chamadas formas nominais do verbo:


 


Infinitivo:


São as formas terminadas em -ar, -er ou -ir. Nomeia o processo verbal em si mesmo, sem nenhuma indicação de tempo ou modo.


 



Gerúndio:


São as formas terminadas em -ndo. Indica uma ação ocorrendo no exato momento.


 



Particípio:


São as formas terminadas comumente em -ado, -ido. Indica o resultado do processo verbal concluído.


 Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua portuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de dois nomes, em relação aos verbos: Formas rizotônica e arrizotônica.


 



Formas Rizotônicas:


São as estruturas verbais com a sílaba tônica dentro do radical. São elas:


 


– eu, tu, ele e eles do presente do indicativo:


Eu canto


Tu cantas


Ele canta


Eles cantam


 


– eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo:


Que eu cante


Que tu cantes


Que ele cante


Que eles cantem


 


– tu, você e vocês do imperativo afirmativo:


Canta, tu


Cante, você


Cantem, vocês


 


– tu, você e vocês do imperativo negativo:


Não cantes, tu


Não cante, você


Não cantem, vocês



Formas Arrizotônicas:


São as estruturas verbais com a sílaba tônica na desinência. São todas as outras estruturas verbais, com exceção das rizotônicas.


 


– nós e vós do presente do indicativo:


Nós cantamos


Vós cantais


 


– nós e vós do presente do subjuntivo:


Que nós cantemos


Que vós canteis


 


– nós e vós do imperativo afirmativo:


Cantemos, nós


Cantai, vós


 


– nós e vós do imperativo negativo:


Não cantemos, nós


Não canteis, vós


 


Todos os demais tempos, como o pretérito perfeito do indicativo:


Ontem eu cantei


Tu cantaste


Ele cantou


Nós cantamos


Vós cantastes


Eles cantaram


Basta seguir o modelo para os demais tempos verbais: pretérito imperfeito do indicativo, pretérito mais-que-perfeito do indicativo, futuro do presente do indicativo, futuro do pretérito do indicativo, pretérito imperfeito do subjuntivo, futuro do subjuntivo e infinitivo pessoal

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