Prof. Dílson Catarino - Funções da Linguagem
O emissor, ao transmitir uma mensagem, sempre tem um objetivo: informar algo, demonstrar seus sentimentos, convencer alguém a fazer algo, entre outros; consequentemente, a linguagem passa a ter uma função, que são as seguintes:
Função Referencial
Função Conativa
Função Emotiva
Função Metalinguística
Função Fática
Função Poética
Obs.: Em um mesmo contexto, duas ou mais funções podem ocorrer simultaneamente: uma poesia em que o autor discorra sobre o que ele sente ao escrever poesias tem as linguagens poética, emotiva e metalinguística ao mesmo tempo.
Função Referencial
Quando o objetivo do emissor é informar, com referência a acontecimentos e pessoas, contando a realidade dos fatos, com linguagem objetiva, uso da 3ª pessoa e ordem direta, ocorre a função referencial, também chamada de informativa. São exemplos de função referencial as notícias e reportagens dos jornais e telejornais, artigos científicos, livros didáticos, documentos oficiais, correspondências comerciais e redações. Por exemplo:
– Numa cesta de vime há um cacho de uvas, duas laranjas, dois limões, uma maçã verde, uma maçã vermelha e uma pera.
O texto acima tem por objetivo informar o que contém a cesta, portanto sua função é referencial.
Função Conativa
Ocorre a função conativa, também chamada de apelativa ou imperativa, quando o emissor tenta convencer o receptor a praticar determinada ação. É comum o uso da 2ª pessoa, do imperativo e do vocativo. É encontrada em propagandas, sermões religiosos, discursos políticos, textos de horóscopo e autoajuda, preces, orações, manuais de instruções, receitas e tutoriais. Por exemplo:
– Compre aqui e concorra a este lindo carro
É uma tentativa do emissor de convencer o receptor a praticar a ação de comprar ali.
Função Emotiva
Quando o emissor demonstra seus sentimentos ou emite suas opiniões ou sensações a respeito de algum assunto ou pessoa, com o uso da 1ª pessoa, adjetivos valorativos, interjeições, reticências e pontos de exclamação, acontece a função emotiva, também chamada de expressiva. É frequente em poemas, letras de música, cartas pessoais, cordéis, novelas, memórias, biografias, depoimentos e entrevistas. Por exemplo:
– Nós o amamos muito!
Função Metalinguística
É a utilização do código para falar dele mesmo tornando-o exato, a linguagem explicando ela mesma: um filme sobre fazer filme, um desenho que mostra o ato de desenhar, uma poesia ensinando a fazer poesia, um programa de televisão que fala sobre a própria televisão (Vídeo Show, por exemplo). As gramáticas e os dicionários são exemplos de metalinguagem. Por exemplo:
– Escrevo porque gosto de escrever. Ao passar as ideias para o papel, sinto-me realizado…
Função Fática
A função fática ocorre quando há a interação entre falantes, abertura, manutenção e encerramento do canal de comunicação. Encontrada frequentemente em cumprimentos, saudações, despedidas, vinhetas e conversas telefônicas.
Função Poética
Também chamada de estética, é a linguagem das obras literárias, como músicas, poesias, histórias em quadrinhos, piadas e trocadilhos, em que as palavras são escolhidas e dispostas de maneira que se tornem singulares. Usa de recursos criativos da língua, como linguagem conotativa, figuras de linguagem, ambiguidade, intertextualidade e polissemia. Por exemplo:
CLÍMAX
No peito a mata
aperta o pranto
do olhar do louco
pra meia-lua.
O clímax da noite,
escorrendo orvalho como estrelas,
refletindo nas águas
da cachoeira gelada.
Cabeça caída, cabelos escorridos,
pelos eriçados pela emoção nativista.
Segurem as florestas, mãos fortes,
decididas!
Ficar o vazio é não ter a noite
é não ter o clímax.
O clímax da vida!
(Dílson Catarino)
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