Introdução à morfologia - Classes gramaticais

 Variáveis Invariáveis

Substantivo(nome)

Adjetivo


Artigo


Numeral


Pronome


Verbo


Advérbio

Preposição


Conjunção


Interjeição


 

Substantivo: tudo o que há no mundo é um ser. Ao nome dado a cada ser - pessoas, coisas, empresas, lugares, animais, plantas, sentimentos, ações, qualidades - chamamos de substantivo. 


Adjetivo: é qualidade, estado, modo de ser, defeito (característica do substantivo). 

Artigo: palavra que se antepõe ao substantivo, evidenciando o gênero e número do substantivo a que se refere, e substantiva qualquer palavra.


Numeral: palavra que indica quantidade, ordem, multiplicação ou divisão e fica no lugar do substantivo (numeral substantivo), ou a ele se refere (numeral adjetivo). 

Pronome: palavra que substitui ou retoma o substantivo (pronome substantivo) ou a ele se refere (pronome adjetivo), considerando-o como pessoa do discurso ou situando-o no espaço, no tempo ou no texto. 

Verbo: palavra que indica um processo: ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza, situando num determinado tempo.


Obs.: O adjetivo, o artigo, o numeral e o pronome concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. 


Advérbio: palavra que modifica o verbo, o adjetivo, o advérbio e uma frase inteira, indicando circunstâncias. 

Preposição: palavra que liga palavras estabelecendo relações entre elas. 


Conjunção: palavra que liga orações ou termos de mesma função sintática, estabelecendo relações entre elas.


Interjeição: palavra que expressa emoção, estado de espírito. 


Obs.: Advérbio, conjunção, preposição e interjeição não apresentam mudança na forma. 


Palavras Determinantes 


       Qualquer classe gramatical pode ser empregada como substantivo desde que precedida de artigo, pronome possessivo, pronome demonstrativo ou pronome indefinido (classes determinantes). 

o amanhã  ( o –  artigo , amanhã – substantivo)


o morrer (o  – artigo , morrer – substantivo)


meu sim (meu  – pronome possessivo , sim – substantivo)


todo nascer (todo  – pronome indefinido , nascer – substantivo)


aquele não (aquele  – pronome demonstrativo , não – substantivo) 

SUBSTANTIVO 

       Os substantivos podem ser classificados em: próprios, comuns, concretos, abstratos, simples, compostos, primitivos, derivados e coletivos. 

I-Classificação do Substantivo 

Substantivo comum: é aquele que nomeia o grupo de seres de uma mesma espécie. Ex: menino, cidade. Escreve-se com letra minúscula, exceto em início de frase.


Substantivo próprio: é aquele que nomeia um ser entre outros da mesma espécie. Ex.: Paulo, Brasil. Escreve-se com letra maiúscula.


Substantivo concreto: é aquele que designa o ser propriamente dito, com existência própria e que não depende de outro ser para existir. Esses seres podem ter existência no mundo real ou imaginário. Ex.: ovo, vizinho, Deus, bruxa.


Substantivo abstrato: é aquele que designa ação, sensação, estado ou qualidade dos seres. Os seres designados pelos substantivos abstratos dependem de outro ser para existir. Ex.: beleza, justiça, verdade. 


II- Formação do Substantivo 

Substantivo simples: é aquele formado por apenas um radical. Ex.: flor, moleque, amor, pedra, tempo, sol.


Substantivo composto: é aquele formado por dois ou mais radicais. Ex.: couve-flor, pé de moleque, amor-perfeito, passatempo, girassol, pedra-sabão.


Substantivo primitivo: é aquele que não deriva de outra palavra dentro da própria língua. Ex.: escada, ferro, piano, noite.


Substantivo derivado: é aquele que tem origem em outra palavra. Ex.: escadaria, ferreiro, pianista, noitada.


Substantivo coletivo: é o substantivo comum que, embora no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie. Ex.: fauna, flora, quadrilha, frota, rebanho. 

III- Flexão do Substantivo 

       Os substantivos podem variar em gênero, número e grau. 

1.Gênero 

Formação do Feminino 

1. Substantivos biformes


a. Regra geral : Troca-se a  terminação o por a . Ex.: aluno – aluna  


b. Substantivos terminados em ês : Acrescenta-se a ao masculino.Ex.: freguês – freguesa, inglês – inglesa . 


c. Substantivos terminados em ão :


ão → oa (patrão – patroa )

ão → ã (campeão – campeã )

ão → ona (solteirão – solteirona )

 

Exceções: 


                       barão – baronesa


                       ladrão – ladra


                       sultão – sultana  


d. Substantivos terminados em or :


Acrescenta-se a ao masculino: Ex.: leitor – leitora

or →  eira  ( cantador – cantadeira )

or →  triz  ( ator – atriz )

 

Obs.: O substantivo embaixador tem dois femininos: embaixatriz (esposa do embaixador) e embaixadora (representante diplomática).


e. Substantivos com feminino em  -esa, -essa, -isa :


abade – abadessa


barão – baronesa 


conde – condessa


poeta – poetisa


sacerdote – sacerdotisa


cônsul – consulesa  


f. Substantivos que formam o feminino trocando o e por a:


elefante – elefanta


mestre – mestra


parente – parenta  


g. Substantivos com feminino de radical diferente - heterônimos:


bode – cabra


carneiro – ovelha


pai – mãe


zangão – abelha  


boi / touro – vaca


cão – cadela


cavalheiro – dama


genro – nora

 

pai — mãe

 

padrinho — madrinha

 

cavaleiro — amazona 

h. Substantivos que formam o feminino de maneira especial:


czar – czarina


maestro – maestrina


frade – freira


herói – heroína


réu – ré  

 

rei — rainha

2. Substantivos uniformes


Podem ser:


a. comuns de dois gêneros: apresentam uma só forma para o masculino ou o feminino, mas permitem a variação de gênero através do artigo ou outro determinante.


o pianista – a pianista


o colega – a colega


o imigrante – a imigrante


o jovem – a jovem


o indígena – a indígena


o herege – a herege 


b. sobrecomuns: apresentam um só gênero para designar o masculino e o feminino.


o algoz


o cônjuge


o indivíduo


a criança


a criatura


a pessoa


a vítima 

c. epicenos: são nomes de animais que apresentam uma só forma para designar os dois sexos. Quando há necessidade de especificar o sexo, anexam-se as palavras macho ou fêmea.


a cobra


a borboleta


a mosca


a onça


a minhoca


a águia


o jacaré


o tatu


a barata 

3. Substantivos que apresentam dificuldades quanto ao gênero


a. Podem ser masculinos ou femininos os seguintes substantivos:


o diabetes ou a diabetes


o usucapião ou a usucapião


o personagem ou a personagem 


b. São masculinos:


o telefonema


o champanha


o dó


o eclipse


o lança-perfume


o guaraná


o matiz


o pernoite


o êxtase


c. São femininos:


a omoplata


a cal


a elipse


a faringe


a dinamite 

 

a matinê


a ênfase


a alcunha


a libido


a entorse

Obs.: Também são femininos os nomes terminados em -gem, excetuando-se personagem, que pode ser masculino ou feminino. 

4. Oposição de gênero/sentido


     Há substantivos cujo sentido varia de acordo com o gênero:


Ex.: O feiticeiro sacudiu a cabeça. ( E. Veríssimo)  – ( a cabeça – parte do corpo) 


       O cabeça da quadrilha foi preso.( o cabeça – chefe) 

Outros substantivos:


o cura (padre)                   a cura(ato de curar)


o rádio (aparelho)                         a rádio(emissora)


o cisma(separação)                   a cisma(desconfiança)


o crisma(óleo)                 a crisma(sacramento)


o grama(unidade de massa)     a grama(relva)


o moral(estado de espírito)      a moral(ética) 

 

o polícia(policial)      a polícia(corporação)

2. Número


     Quanto à flexão de número, os substantivos podem estar no singular ou no plural.


     Estão no singular os substantivos que indicam um só ser ou um conjunto de seres. Ex.: vento, biblioteca.


     Estão no plural os substantivos que indicam mais de um ser ou mais de um conjunto de seres. Ex.: figuras, quadrilhas. 


Formação do Plural 


1. Substantivos simples


a. Regra geral : Acrescenta-se s ao singular. Ex.: pássaro – pássaros  

b. Substantivos terminados em -ão


ão → ões (ação – ações )

ão → ães (pão – pães )

ão → ãos (mão – mãos )

 

       Alguns substantivos terminados em -ão admitem mais de um plural, apesar de haver uma preferência pela terminação -ões na linguagem corrente: Ex.:


aldeão (aldeãos, aldeões, aldeães)

anão (anões, anãos)

ancião (anciãos, anciões, anciães)

vilão (vilãos, vilões, vilães)

charlatão (charlatães, charlatões)

verão (verões, verãos)

vulcão (vulcões, vulcãos)

cirurgião (cirurgiões, cirurgiães)

guardião (guardiões, guardiães)

peão (peões, peães)

corrimão (corrimões, corrimãos)

 

c. Substantivos terminados em r, z, n


Acrescenta-se es ao singular:


açúcar – açúcares


vez – vezes


abdômen – abdômenes  ( Obs.: O plural de abdômen também pode ser abdomens.) 

d. Substantivos terminados em s


Acrescenta-se es quando oxítonos:  Ex.: francês – franceses

São invariáveis quando paroxítonos ou proparoxítonos: Ex.: o pires – os pires  /  o ônibus – os ônibus

 

e. Substantivos terminados em x


São invariáveis. Ex.: o tórax – os tórax 


f. Substantivos terminados em al, el, ol, ul


Substitui-se o l por is:


canal – canais


pastel – pastéis


anzol – anzóis  

g. Substantivos terminados em il


Substitui-se o l por s, quando oxítonos: Ex.: refil - refis

Substitui-se o l por eis, quando paroxítonos Ex.: fóssil – fósseis

 

h. Plural metafônico


Alguns substantivos trocam, no plural, o o tônico fechado pelo o tônico aberto. Essa mudança de som é chamada metafonia:


Singular (ô) Plural (ó)

caroço

corpo


despojo


destroço


fogo


caroços

corpos


despojos


destroços


fogos


 

i. Substantivos que se empregam apenas no plural


      Ex.: fezes , cãs, pêsames, condolências, núpcias, víveres, óculos, cócegas, férias, parabéns, pêsames, belas-artes, hemorroidas, trevas, finanças, reticências, afazeres, copas, ouros, espadas e paus (naipes do baralho). 


j. Oposição de número/ sentido


Alguns substantivos mudam de sentido quando usados no plural. Exemplos:


costa (litoral) – costas (parte do corpo)


letra (sinal gráfico) – letras (literatura)


bem (virtude) – bens (propriedade)


vencimento (fim) – vencimentos (salário)


féria (salário) – férias (descanso) 

 

reticência (indecisão) - reticências (sinal de pontuação)


2. Substantivos compostos


Nos compostos, os elementos podem vir separados por hífen ou não.


Quando os elementos componentes do substantivo não são separados por hífen, este forma o plural como se fosse um substantivo simples. Exemplos:


passatempo – passatempos


pontapé  – pontapés


vaivém – vaivéns


Quando os elementos componentes do substantivo são ligados por hífen, a formação do plural segue, geralmente, as seguintes regras. 


a. Regra geral


Vão para o plural os elementos variáveis (substantivos, adjetivos, numerais, pronomes), quando não houver preposição entre eles. Exemplos:


carta - bilhete → cartas - bilhetes  (carta e bilhete são substantivos)


gentil - homem → gentis - homens (gentil – adjetivo e homem – substantivo )


amor - perfeito → amores - perfeitos (amor  – substantivo e perfeito – adjetivo)


meio - termo → meios - termos (meio  –  numeral e  termo  – substantivo)


padre - nosso → padres - nossos (padre –  substantivo e nosso – pronome) 

Portanto, ficam no singular os verbos, advérbios, prefixos e substantivos formados de verbos opostos: Exemplos:


guarda - chuva → guarda - chuvas (guarda – verbo e  chuva – substantivo )


abaixo - assinado → abaixo – assinados (abaixo – advérbio e assinado – adjetivo )


vice - campeão → vice – campeões ( vice – prefixo e  campeão – substantivo)


o leva - e - traz  → os leva - e - traz  ( leva – verbo e  traz – verbo ) 


b. Regras especiais


1.Só o primeiro elemento vai para o plural, quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico, indicando forma, espécie ou finalidade do primeiro. Exemplos:


banana-prata → bananas-prata


caneta-tinteiro → canetas-tinteiro


cavalo-vapor → cavalos-vapor


escola-modelo → escolas-modelo


livro-caixa → livros-caixa


manga-espada → mangas-espada


pombo-correio → pombos-correio


salário-família → salários-família 

Já é correto o plural de ambos os elementos: salários-famílias, canetas-tinteiros, pombos-correios.


2.Quando os elementos se ligam por preposição, só o primeiro é flexionado. Exemplos:


pé de moleque → pés de moleque


estrela-do-mar → estrelas-do-mar


pão de ló  → pães de ló


mula sem cabeça → mulas sem cabeça 


3. Só o último elemento vai para o plural, se o substantivo é formado por palavras repetidas ou onomatopaicas. Exemplos:


reco-reco → reco-recos


tico-tico → tico-ticos


bem-te-vi → bem-te-vis


tique-taque → tique-taques


pisca-pisca → pisca-piscas 


Exceção: Se os dois elementos são formados por verbos, ambos podem ir para o plural. Ex.:


pisca-pisca → piscas-piscas


corre-corre → corres-corres


quero-quero → queros-queros  

 

 


3. Grau


Além do grau normal, os substantivos admitem os graus aumentativo e diminutivo. Exemplos:


grau normal → gato


grau aumentativo → gatão


grau diminutivo → gatinho 


Formação do grau


O grau, nos substantivos, pode ser expresso de duas formas: 


1. Forma analítica: utilizando adjetivos que indicam aumento ou diminuição. 

aumentativo analítico                                         diminutivo analítico


nariz grande                                                           nariz pequeno


nariz imenso                                                           nariz minúsculo 


2. Forma sintética: utilizando sufixos


aumentativo sintético                                         diminutivo sintético


narigão                                                                 narizinho 


Particularidades


a. Muitas formas, que eram diminutivas ou aumentativas, passaram a ter significados especiais com o transcorrer do tempo. Exemplos:


cartão – portão – ferrão – papelão – calção - caldeirão - fogão - palavrão - orelhão


cartilha – corpete – folhinha (calendário) – lingueta - pastilha - coxinha - quentinha - caixinha (gorjeta) - cursinho - patricinha - santinho


Não se pode dizer, portanto, que tais formas estejam no grau aumentativo ou diminutivo.Ex.:


O rei da sinuca era um salão de jogo. ( L. Vilela) 

Alguns são formados por prefixação:

supermercado – hipermercado – megaevento – minidicionário – microempresário


b. Muitas vezes, empregamos os graus aumentativo ou diminutivo para indicar desprezo, ironia. Nesse caso, os substantivos passam a ter um sentido pejorativo. Exemplos:


gentalha – livreco – padreco – gentinha – papelucho


mulheraça – porcalhão – beiçorra – pratarraz


Os restantes são gentinha, com exceção de Joãozinho Paz, que faleceu no hospital. (E. Veríssimo). 


c. Alguns diminutivos podem exprimir carinho, ternura, prazer. Nesse caso, são considerados diminutivos afetivos. Exemplos:


paizinho – mãezinha – Joãozinho


Vovozinha, não vai lhe fazer mal? (C. Lispector) 


d. Para formar o plural dos substantivos em grau diminutivo que receberam os sufixos -zinho  ou  -zito, deve-se flexionar primeiro o substantivo no seu grau normal. Exemplos:


pãozinho → pãe(s) + zinhos = pãezinhos


animalzinho → animai(s) + zinhos = animaizinhos


balãozinho → balõe(s) + zinhos = balõezinhos


cãozito → cãe(s) + zitos = cãezitos 


ADJETIVO 

       Danival tornou-se mecânico de automóveis de uma oficina na via Dutra, perto de Nova Iguaçu. 


       E foi principalmente então que o incerto, incapaz e fugidio Danival, esse inconstante, inquieto, incontrolável, bêbado, imprevisível, faroleiro, irrecuperável, livre, curioso, malandro, esperto, perigoso, manso, irritável, desaforado e conformado crioulo mudou sua curta, solta, inútil e preguiçosa vida.  (Ivan Ângelo) 

I-Conceito


       Observe estas palavras extraídas do texto: incapaz, livre, curioso, solta, preguiçosa. Todas elas são adjetivos. 


Adjetivo é a palavra variável que expressa característica, qualidade, defeito, aparência, estado dos seres. Portanto, o adjetivo modifica sempre o substantivo. 


II-Grau


       A qualidade de um ser pode variar em intensidade. Ao expressar essa variação, o falante pode colocar o adjetivo no grau comparativo ou no grau superlativo, dependendo da circunstância. 


1. Grau comparativo


Resulta da comparação:


a. de duas qualidades do mesmo ser. Exemplos: 


João é simpático.           João é esperto.


Da comparação dessas duas características pode resultar:


João é mais esperto que simpático. → Comparativo de superioridade

João é tão esperto quanto simpático. → Comparativo de igualdade

João é menos esperto que simpático. → Comparativo de inferioridade

 

b. da mesma característica em dois ou mais seres. Exemplos:


Aquele fato é estranho.


Este fato é estranho.


Da comparação da mesma característica pode resultar:


Aquele fato é mais estranho que este. → Comparativo de superioridade

Aquele fato é tão estranho quanto este. → Comparativo de igualdade

Aquele fato é menos estranho que este. → Comparativo de inferioridade

 

       Como se pode ver, para o grau comparativo o falante geralmente não flexiona o adjetivo, mas  utiliza as seguintes formas: 

a. Comparativo de superioridade


mais ... que  → Ele é mais feliz que ela.


mais  ... do que  → Ele é mais feliz  do que ela. 


b. Comparativo de igualdade


tão ... quanto → Ele é tão feliz quanto ela.


tão ... como → Ele é tão feliz como ela.


      ... como → Ele é feliz como ela. 


       Na língua coloquial ocorre ainda a forma:


 que  nem → Ele é feliz que nem ela. 

c. Comparativo de inferioridade


menos ... que  → Ele é menos feliz que ela.


menos  ... do que  → Ele é menos feliz  do que ela. 


2. Grau superlativo


       É o grau mais intenso da qualidade expressa por um adjetivo. O superlativo resulta das seguintes conclusões do falante:


a. A qualidade apresenta-se no seu mais intenso grau, sem relação com outros seres. 

       O adjetivo ficará no grau superlativo absoluto, que pode ser expresso basicamente de duas formas:


O fato era estranhíssimo. → Superlativo absoluto sintético

O fato era muito estranho. → Superlativo absoluto analítico

 

       No primeiro caso, o adjetivo foi flexionado. O falante utilizou o sufixo -íssimo  para expressar a variação de grau. 

       No segundo caso, o adjetivo não foi flexionado. O falante utilizou palavras que intensificam a característica expressa pelo adjetivo: muito, bastante, extremamente, demasiadamente, excessivamente, excepcionalmente etc.


b. A qualidade apresenta-se no grau mais intenso (superior ou inferior) em relação  outros seres.


      


     O adjetivo ficará no grau superlativo relativo, que poderá ser:


Foi o fato mais estranho que já vi. → Superlativo relativo de superioridade

Foi o fato menos estranho que já vi. → Superlativo relativo de inferioridade

 

Observe que o superlativo relativo resulta de uma espécie de comparação: 

 


Maria, João, Pedro, Lucas, Aparecida, Paulo .........


Conjunto que constitui a classe


 

Comparando uma característica comum a todos (esperteza, por exemplo), teremos:


João é o mais esperto da classe. → Superlativo relativo de superioridade

Lucas é o menos esperto da classe → Superlativo relativo de inferioridade

 

 

 

 

Existem alguns adjetivos que apresentam formas especiais para o comparativo e o superlativo. São eles: 


 

  bom mau grande pequeno

comparativo de superioridade melhor pior maior menor

superlativo absoluto sintético ótimo péssimo máximo mínimo

superlativo relativo de superioridade o melhor o pior o maior o menor

O adjetivo pequeno admite, ao lado dessa forma irregular, a forma mais pequeno. Ex.:


Ele é menor que o irmão.


Ele é mais pequeno que o irmão. 


Para esses adjetivos, pode se utilizada a formação regular no caso de se compararem duas características do mesmo ser: Ex.:


João é  mais grande que pequeno.


Seu comportamento foi mais mau que bom. 

 


ARTIGO 

       Artigo é a palavra que se antepõe ao substantivo para defini-lo ou indefini-lo. São artigos: o,a,o,as,um,uma,uns,umas. 


I-Propriedades do Artigo 


     1. A anteposição do artigo pode substantivar qualquer palavra.


      Exemplo:  Sempre há um porém  ( porém – conjunção, transformada em substantivo ) 


     2. O artigo evidencia o gênero e o número do substantivo.


     Exemplos: o dó (masculino singular)


                      a  colega (feminino singular)


                       as cataplasmas (feminino plural)


                       o colega (masculino singular) 


     3. O artigo indefinido anteposto a um numeral revela quantidade aproximada.


     Ex.: Faltaram uns dez alunos.


             Repeti a explicação umas três vezes. 


     4. O artigo pode aparecer combinado com preposição.


O artigo definido pode combinar-se com as preposições a, de, em,por:

Preposições Artigo Definido/Combinações

  o a os as

a ao à aos às

de do da dos das

em no na nos nas

por pelo pela pelos pelas

 

 

 

 

 

 

 

Exemplos:


Ele estava no (em + o) estádio.


Ele precisava do (de+o) apoio dos amidos.


Deixou o livro numa (em + uma) mala.


Não pôde comparecer à (a + a) festa. 


O artigo indefinido pode combinar-se com as preposições em e de:

 

     

Preposições Artigo Indefinido/Combinações

  um uma uns umas

em num numa nuns numas

de dum duma duns dumas

 

 

 

 

 

II-Emprego dos Artigos 


É obrigatório o emprego do artigo definido entre o numeral ambos e o substantivo a que se refere.

           Ex.: O juiz solicitou a presença de ambos os cônjuges. 

Nunca deve ser usado artigo depois do pronome relativo cujo (e flexões).

           Exemplos:  Este é o homem cujo amigo desapareceu.


                             Este é o autor cuja obra conheço. 


Não se deve usar artigo antes das palavras casa (no sentido de moradia) e terra (no sentido de chão firme), a menos que venham especificadas.

 

 

         Exemplos: Eles estavam em casa.  Eles estavam na casa dos amigos.


                           Os marinheiros permaneceram em terra. Os marinheiros permaneceram                             na terra dos anões.


Não se emprega artigo diante da maioria dos nomes de lugar.

           Exemplos: Passaram o carnaval em Salvador.


                  Florianópolis é a capital de Santa Catarina.


                  Nevou muito em Roma. 


Observações:


Se o nome de lugar vier qualificado, o uso do artigo será obrigatório.

Exemplos: A bela Florianópolis é a capital de Santa Catarina.


                  Não conheciam a velha Salvador.


                  Estavam na Roma antiga.


                  A moderna Brasília é considerada um monumento arquitetônico.


Alguns nomes de lugar vêm antecipados de artigo (em especial, os nomes de continentes e os derivados de nome comum).

Exemplos: o Rio de Janeiro


                  os Açores


                  a Bahia


                  as Américas

Os nomes da maioria das cidades não admitem artigo.

Quanto aos estados brasileiros:

são usados sem artigo - Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe

os demais exigem o artigo

artigo facultativo - Alagoas e Minas Gerais

A maioria dos nomes de países admitem o artigo

mas há alguns que rejeitam - Israel, Portugal, Cuba, Angola, Moçambique


                  


É facultativo o emprego do artigo definido diante dos pronomes possessivos. 

 

 

           Exemplos: Deixaram meu livro na sala. ou  Deixaram o meu livro na sala.


                             Não conheço sua namorada. ou  Não conheço a sua namorada. 

Quando há elipse do substantivo, é obrigatório: Seu presente está chegando, não o meu.

Com nomes de pessoas, geralmente não se usa artigo.

            Exemplos: Lígia não compareceu à cerimônia.


                              Capitu é personagem de Machado de Assis. 


 Observação:


Na linguagem popular é frequente à anteposição de artigo a nomes de pessoas, a fim de indicar afetividade ou familiaridade. A literatura já registra esse uso.

 Exemplos: O Mauro é meu irmão mais novo.


                   A Sandra não quis sair comigo hoje.


                 


Não se emprega artigo antes dos pronomes de tratamento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona.

           Exemplos: Vossa Excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.


                  Conheci Vossa Alteza no ano passado.


                  O que o senhor deseja?


                   A senhorita não vai à festa?


                   Não vi a senhora ontem. 


Emprega-se o artigo definido com o superlativo.

           Exemplos: Não consegui resolver as questões mais difíceis. ou  Resolvi as mais


                             difíceis questões. 


           Considera-se errada, neste caso, a repetição do artigo.


           Ex.: Não consegui resolver as questões as mais difíceis. (errado) 


Depois do pronome indefinido todo emprega-se artigo quando se quer dar ideia de inteiro. Quando se quer dar a ideia de qualquer, omite-se o artigo.

 

Exemplos: Ele leu todo o livro. ( o livro inteiro)


                  Todo homem é mortal. (qualquer homem)


                  Todo o país comemorou a conquista. ( o país inteiro)


                   Todo país tem seu governo. (qualquer país, cada país) 

Observações:


No plural, todos, todas sempre virão seguidos de artigo, exceto se houver palavra que o exclua, ou numeral não seguido de substantivo.


Exemplos: Todos os alunos compareceram.


                  Todos estes alunos compareceram.


                 Todos cinco compareceram.


                  Todos os cinco alunos compareceram.


                


Não se combina com preposição o artigo que faz parte do nome de revistas, jornais, obras literárias.

           Exemplos: Li essa frase em Os Sertões.


                             A notícia foi publicada em O Globo. 

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