Introdução à morfologia - Classes gramaticais
Variáveis Invariáveis
Substantivo(nome)
Adjetivo
Artigo
Numeral
Pronome
Verbo
Advérbio
Preposição
Conjunção
Interjeição
Substantivo: tudo o que há no mundo é um ser. Ao nome dado a cada ser - pessoas, coisas, empresas, lugares, animais, plantas, sentimentos, ações, qualidades - chamamos de substantivo.
Adjetivo: é qualidade, estado, modo de ser, defeito (característica do substantivo).
Artigo: palavra que se antepõe ao substantivo, evidenciando o gênero e número do substantivo a que se refere, e substantiva qualquer palavra.
Numeral: palavra que indica quantidade, ordem, multiplicação ou divisão e fica no lugar do substantivo (numeral substantivo), ou a ele se refere (numeral adjetivo).
Pronome: palavra que substitui ou retoma o substantivo (pronome substantivo) ou a ele se refere (pronome adjetivo), considerando-o como pessoa do discurso ou situando-o no espaço, no tempo ou no texto.
Verbo: palavra que indica um processo: ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza, situando num determinado tempo.
Obs.: O adjetivo, o artigo, o numeral e o pronome concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem.
Advérbio: palavra que modifica o verbo, o adjetivo, o advérbio e uma frase inteira, indicando circunstâncias.
Preposição: palavra que liga palavras estabelecendo relações entre elas.
Conjunção: palavra que liga orações ou termos de mesma função sintática, estabelecendo relações entre elas.
Interjeição: palavra que expressa emoção, estado de espírito.
Obs.: Advérbio, conjunção, preposição e interjeição não apresentam mudança na forma.
Palavras Determinantes
Qualquer classe gramatical pode ser empregada como substantivo desde que precedida de artigo, pronome possessivo, pronome demonstrativo ou pronome indefinido (classes determinantes).
o amanhã ( o – artigo , amanhã – substantivo)
o morrer (o – artigo , morrer – substantivo)
meu sim (meu – pronome possessivo , sim – substantivo)
todo nascer (todo – pronome indefinido , nascer – substantivo)
aquele não (aquele – pronome demonstrativo , não – substantivo)
SUBSTANTIVO
Os substantivos podem ser classificados em: próprios, comuns, concretos, abstratos, simples, compostos, primitivos, derivados e coletivos.
I-Classificação do Substantivo
Substantivo comum: é aquele que nomeia o grupo de seres de uma mesma espécie. Ex: menino, cidade. Escreve-se com letra minúscula, exceto em início de frase.
Substantivo próprio: é aquele que nomeia um ser entre outros da mesma espécie. Ex.: Paulo, Brasil. Escreve-se com letra maiúscula.
Substantivo concreto: é aquele que designa o ser propriamente dito, com existência própria e que não depende de outro ser para existir. Esses seres podem ter existência no mundo real ou imaginário. Ex.: ovo, vizinho, Deus, bruxa.
Substantivo abstrato: é aquele que designa ação, sensação, estado ou qualidade dos seres. Os seres designados pelos substantivos abstratos dependem de outro ser para existir. Ex.: beleza, justiça, verdade.
II- Formação do Substantivo
Substantivo simples: é aquele formado por apenas um radical. Ex.: flor, moleque, amor, pedra, tempo, sol.
Substantivo composto: é aquele formado por dois ou mais radicais. Ex.: couve-flor, pé de moleque, amor-perfeito, passatempo, girassol, pedra-sabão.
Substantivo primitivo: é aquele que não deriva de outra palavra dentro da própria língua. Ex.: escada, ferro, piano, noite.
Substantivo derivado: é aquele que tem origem em outra palavra. Ex.: escadaria, ferreiro, pianista, noitada.
Substantivo coletivo: é o substantivo comum que, embora no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie. Ex.: fauna, flora, quadrilha, frota, rebanho.
III- Flexão do Substantivo
Os substantivos podem variar em gênero, número e grau.
1.Gênero
Formação do Feminino
1. Substantivos biformes
a. Regra geral : Troca-se a terminação o por a . Ex.: aluno – aluna
b. Substantivos terminados em ês : Acrescenta-se a ao masculino.Ex.: freguês – freguesa, inglês – inglesa .
c. Substantivos terminados em ão :
ão → oa (patrão – patroa )
ão → ã (campeão – campeã )
ão → ona (solteirão – solteirona )
Exceções:
barão – baronesa
ladrão – ladra
sultão – sultana
d. Substantivos terminados em or :
Acrescenta-se a ao masculino: Ex.: leitor – leitora
or → eira ( cantador – cantadeira )
or → triz ( ator – atriz )
Obs.: O substantivo embaixador tem dois femininos: embaixatriz (esposa do embaixador) e embaixadora (representante diplomática).
e. Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa :
abade – abadessa
barão – baronesa
conde – condessa
poeta – poetisa
sacerdote – sacerdotisa
cônsul – consulesa
f. Substantivos que formam o feminino trocando o e por a:
elefante – elefanta
mestre – mestra
parente – parenta
g. Substantivos com feminino de radical diferente - heterônimos:
bode – cabra
carneiro – ovelha
pai – mãe
zangão – abelha
boi / touro – vaca
cão – cadela
cavalheiro – dama
genro – nora
pai — mãe
padrinho — madrinha
cavaleiro — amazona
h. Substantivos que formam o feminino de maneira especial:
czar – czarina
maestro – maestrina
frade – freira
herói – heroína
réu – ré
rei — rainha
2. Substantivos uniformes
Podem ser:
a. comuns de dois gêneros: apresentam uma só forma para o masculino ou o feminino, mas permitem a variação de gênero através do artigo ou outro determinante.
o pianista – a pianista
o colega – a colega
o imigrante – a imigrante
o jovem – a jovem
o indígena – a indígena
o herege – a herege
b. sobrecomuns: apresentam um só gênero para designar o masculino e o feminino.
o algoz
o cônjuge
o indivíduo
a criança
a criatura
a pessoa
a vítima
c. epicenos: são nomes de animais que apresentam uma só forma para designar os dois sexos. Quando há necessidade de especificar o sexo, anexam-se as palavras macho ou fêmea.
a cobra
a borboleta
a mosca
a onça
a minhoca
a águia
o jacaré
o tatu
a barata
3. Substantivos que apresentam dificuldades quanto ao gênero
a. Podem ser masculinos ou femininos os seguintes substantivos:
o diabetes ou a diabetes
o usucapião ou a usucapião
o personagem ou a personagem
b. São masculinos:
o telefonema
o champanha
o dó
o eclipse
o lança-perfume
o guaraná
o matiz
o pernoite
o êxtase
c. São femininos:
a omoplata
a cal
a elipse
a faringe
a dinamite
a matinê
a ênfase
a alcunha
a libido
a entorse
Obs.: Também são femininos os nomes terminados em -gem, excetuando-se personagem, que pode ser masculino ou feminino.
4. Oposição de gênero/sentido
Há substantivos cujo sentido varia de acordo com o gênero:
Ex.: O feiticeiro sacudiu a cabeça. ( E. Veríssimo) – ( a cabeça – parte do corpo)
O cabeça da quadrilha foi preso.( o cabeça – chefe)
Outros substantivos:
o cura (padre) a cura(ato de curar)
o rádio (aparelho) a rádio(emissora)
o cisma(separação) a cisma(desconfiança)
o crisma(óleo) a crisma(sacramento)
o grama(unidade de massa) a grama(relva)
o moral(estado de espírito) a moral(ética)
o polícia(policial) a polícia(corporação)
2. Número
Quanto à flexão de número, os substantivos podem estar no singular ou no plural.
Estão no singular os substantivos que indicam um só ser ou um conjunto de seres. Ex.: vento, biblioteca.
Estão no plural os substantivos que indicam mais de um ser ou mais de um conjunto de seres. Ex.: figuras, quadrilhas.
Formação do Plural
1. Substantivos simples
a. Regra geral : Acrescenta-se s ao singular. Ex.: pássaro – pássaros
b. Substantivos terminados em -ão
ão → ões (ação – ações )
ão → ães (pão – pães )
ão → ãos (mão – mãos )
Alguns substantivos terminados em -ão admitem mais de um plural, apesar de haver uma preferência pela terminação -ões na linguagem corrente: Ex.:
aldeão (aldeãos, aldeões, aldeães)
anão (anões, anãos)
ancião (anciãos, anciões, anciães)
vilão (vilãos, vilões, vilães)
charlatão (charlatães, charlatões)
verão (verões, verãos)
vulcão (vulcões, vulcãos)
cirurgião (cirurgiões, cirurgiães)
guardião (guardiões, guardiães)
peão (peões, peães)
corrimão (corrimões, corrimãos)
c. Substantivos terminados em r, z, n
Acrescenta-se es ao singular:
açúcar – açúcares
vez – vezes
abdômen – abdômenes ( Obs.: O plural de abdômen também pode ser abdomens.)
d. Substantivos terminados em s
Acrescenta-se es quando oxítonos: Ex.: francês – franceses
São invariáveis quando paroxítonos ou proparoxítonos: Ex.: o pires – os pires / o ônibus – os ônibus
e. Substantivos terminados em x
São invariáveis. Ex.: o tórax – os tórax
f. Substantivos terminados em al, el, ol, ul
Substitui-se o l por is:
canal – canais
pastel – pastéis
anzol – anzóis
g. Substantivos terminados em il
Substitui-se o l por s, quando oxítonos: Ex.: refil - refis
Substitui-se o l por eis, quando paroxítonos Ex.: fóssil – fósseis
h. Plural metafônico
Alguns substantivos trocam, no plural, o o tônico fechado pelo o tônico aberto. Essa mudança de som é chamada metafonia:
Singular (ô) Plural (ó)
caroço
corpo
despojo
destroço
fogo
caroços
corpos
despojos
destroços
fogos
i. Substantivos que se empregam apenas no plural
Ex.: fezes , cãs, pêsames, condolências, núpcias, víveres, óculos, cócegas, férias, parabéns, pêsames, belas-artes, hemorroidas, trevas, finanças, reticências, afazeres, copas, ouros, espadas e paus (naipes do baralho).
j. Oposição de número/ sentido
Alguns substantivos mudam de sentido quando usados no plural. Exemplos:
costa (litoral) – costas (parte do corpo)
letra (sinal gráfico) – letras (literatura)
bem (virtude) – bens (propriedade)
vencimento (fim) – vencimentos (salário)
féria (salário) – férias (descanso)
reticência (indecisão) - reticências (sinal de pontuação)
2. Substantivos compostos
Nos compostos, os elementos podem vir separados por hífen ou não.
Quando os elementos componentes do substantivo não são separados por hífen, este forma o plural como se fosse um substantivo simples. Exemplos:
passatempo – passatempos
pontapé – pontapés
vaivém – vaivéns
Quando os elementos componentes do substantivo são ligados por hífen, a formação do plural segue, geralmente, as seguintes regras.
a. Regra geral
Vão para o plural os elementos variáveis (substantivos, adjetivos, numerais, pronomes), quando não houver preposição entre eles. Exemplos:
carta - bilhete → cartas - bilhetes (carta e bilhete são substantivos)
gentil - homem → gentis - homens (gentil – adjetivo e homem – substantivo )
amor - perfeito → amores - perfeitos (amor – substantivo e perfeito – adjetivo)
meio - termo → meios - termos (meio – numeral e termo – substantivo)
padre - nosso → padres - nossos (padre – substantivo e nosso – pronome)
Portanto, ficam no singular os verbos, advérbios, prefixos e substantivos formados de verbos opostos: Exemplos:
guarda - chuva → guarda - chuvas (guarda – verbo e chuva – substantivo )
abaixo - assinado → abaixo – assinados (abaixo – advérbio e assinado – adjetivo )
vice - campeão → vice – campeões ( vice – prefixo e campeão – substantivo)
o leva - e - traz → os leva - e - traz ( leva – verbo e traz – verbo )
b. Regras especiais
1.Só o primeiro elemento vai para o plural, quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico, indicando forma, espécie ou finalidade do primeiro. Exemplos:
banana-prata → bananas-prata
caneta-tinteiro → canetas-tinteiro
cavalo-vapor → cavalos-vapor
escola-modelo → escolas-modelo
livro-caixa → livros-caixa
manga-espada → mangas-espada
pombo-correio → pombos-correio
salário-família → salários-família
Já é correto o plural de ambos os elementos: salários-famílias, canetas-tinteiros, pombos-correios.
2.Quando os elementos se ligam por preposição, só o primeiro é flexionado. Exemplos:
pé de moleque → pés de moleque
estrela-do-mar → estrelas-do-mar
pão de ló → pães de ló
mula sem cabeça → mulas sem cabeça
3. Só o último elemento vai para o plural, se o substantivo é formado por palavras repetidas ou onomatopaicas. Exemplos:
reco-reco → reco-recos
tico-tico → tico-ticos
bem-te-vi → bem-te-vis
tique-taque → tique-taques
pisca-pisca → pisca-piscas
Exceção: Se os dois elementos são formados por verbos, ambos podem ir para o plural. Ex.:
pisca-pisca → piscas-piscas
corre-corre → corres-corres
quero-quero → queros-queros
3. Grau
Além do grau normal, os substantivos admitem os graus aumentativo e diminutivo. Exemplos:
grau normal → gato
grau aumentativo → gatão
grau diminutivo → gatinho
Formação do grau
O grau, nos substantivos, pode ser expresso de duas formas:
1. Forma analítica: utilizando adjetivos que indicam aumento ou diminuição.
aumentativo analítico diminutivo analítico
nariz grande nariz pequeno
nariz imenso nariz minúsculo
2. Forma sintética: utilizando sufixos
aumentativo sintético diminutivo sintético
narigão narizinho
Particularidades
a. Muitas formas, que eram diminutivas ou aumentativas, passaram a ter significados especiais com o transcorrer do tempo. Exemplos:
cartão – portão – ferrão – papelão – calção - caldeirão - fogão - palavrão - orelhão
cartilha – corpete – folhinha (calendário) – lingueta - pastilha - coxinha - quentinha - caixinha (gorjeta) - cursinho - patricinha - santinho
Não se pode dizer, portanto, que tais formas estejam no grau aumentativo ou diminutivo.Ex.:
O rei da sinuca era um salão de jogo. ( L. Vilela)
Alguns são formados por prefixação:
supermercado – hipermercado – megaevento – minidicionário – microempresário
b. Muitas vezes, empregamos os graus aumentativo ou diminutivo para indicar desprezo, ironia. Nesse caso, os substantivos passam a ter um sentido pejorativo. Exemplos:
gentalha – livreco – padreco – gentinha – papelucho
mulheraça – porcalhão – beiçorra – pratarraz
Os restantes são gentinha, com exceção de Joãozinho Paz, que faleceu no hospital. (E. Veríssimo).
c. Alguns diminutivos podem exprimir carinho, ternura, prazer. Nesse caso, são considerados diminutivos afetivos. Exemplos:
paizinho – mãezinha – Joãozinho
Vovozinha, não vai lhe fazer mal? (C. Lispector)
d. Para formar o plural dos substantivos em grau diminutivo que receberam os sufixos -zinho ou -zito, deve-se flexionar primeiro o substantivo no seu grau normal. Exemplos:
pãozinho → pãe(s) + zinhos = pãezinhos
animalzinho → animai(s) + zinhos = animaizinhos
balãozinho → balõe(s) + zinhos = balõezinhos
cãozito → cãe(s) + zitos = cãezitos
ADJETIVO
Danival tornou-se mecânico de automóveis de uma oficina na via Dutra, perto de Nova Iguaçu.
E foi principalmente então que o incerto, incapaz e fugidio Danival, esse inconstante, inquieto, incontrolável, bêbado, imprevisível, faroleiro, irrecuperável, livre, curioso, malandro, esperto, perigoso, manso, irritável, desaforado e conformado crioulo mudou sua curta, solta, inútil e preguiçosa vida. (Ivan Ângelo)
I-Conceito
Observe estas palavras extraídas do texto: incapaz, livre, curioso, solta, preguiçosa. Todas elas são adjetivos.
Adjetivo é a palavra variável que expressa característica, qualidade, defeito, aparência, estado dos seres. Portanto, o adjetivo modifica sempre o substantivo.
II-Grau
A qualidade de um ser pode variar em intensidade. Ao expressar essa variação, o falante pode colocar o adjetivo no grau comparativo ou no grau superlativo, dependendo da circunstância.
1. Grau comparativo
Resulta da comparação:
a. de duas qualidades do mesmo ser. Exemplos:
João é simpático. João é esperto.
Da comparação dessas duas características pode resultar:
João é mais esperto que simpático. → Comparativo de superioridade
João é tão esperto quanto simpático. → Comparativo de igualdade
João é menos esperto que simpático. → Comparativo de inferioridade
b. da mesma característica em dois ou mais seres. Exemplos:
Aquele fato é estranho.
Este fato é estranho.
Da comparação da mesma característica pode resultar:
Aquele fato é mais estranho que este. → Comparativo de superioridade
Aquele fato é tão estranho quanto este. → Comparativo de igualdade
Aquele fato é menos estranho que este. → Comparativo de inferioridade
Como se pode ver, para o grau comparativo o falante geralmente não flexiona o adjetivo, mas utiliza as seguintes formas:
a. Comparativo de superioridade
mais ... que → Ele é mais feliz que ela.
mais ... do que → Ele é mais feliz do que ela.
b. Comparativo de igualdade
tão ... quanto → Ele é tão feliz quanto ela.
tão ... como → Ele é tão feliz como ela.
... como → Ele é feliz como ela.
Na língua coloquial ocorre ainda a forma:
que nem → Ele é feliz que nem ela.
c. Comparativo de inferioridade
menos ... que → Ele é menos feliz que ela.
menos ... do que → Ele é menos feliz do que ela.
2. Grau superlativo
É o grau mais intenso da qualidade expressa por um adjetivo. O superlativo resulta das seguintes conclusões do falante:
a. A qualidade apresenta-se no seu mais intenso grau, sem relação com outros seres.
O adjetivo ficará no grau superlativo absoluto, que pode ser expresso basicamente de duas formas:
O fato era estranhíssimo. → Superlativo absoluto sintético
O fato era muito estranho. → Superlativo absoluto analítico
No primeiro caso, o adjetivo foi flexionado. O falante utilizou o sufixo -íssimo para expressar a variação de grau.
No segundo caso, o adjetivo não foi flexionado. O falante utilizou palavras que intensificam a característica expressa pelo adjetivo: muito, bastante, extremamente, demasiadamente, excessivamente, excepcionalmente etc.
b. A qualidade apresenta-se no grau mais intenso (superior ou inferior) em relação outros seres.
O adjetivo ficará no grau superlativo relativo, que poderá ser:
Foi o fato mais estranho que já vi. → Superlativo relativo de superioridade
Foi o fato menos estranho que já vi. → Superlativo relativo de inferioridade
Observe que o superlativo relativo resulta de uma espécie de comparação:
Maria, João, Pedro, Lucas, Aparecida, Paulo .........
Conjunto que constitui a classe
Comparando uma característica comum a todos (esperteza, por exemplo), teremos:
João é o mais esperto da classe. → Superlativo relativo de superioridade
Lucas é o menos esperto da classe → Superlativo relativo de inferioridade
Existem alguns adjetivos que apresentam formas especiais para o comparativo e o superlativo. São eles:
bom mau grande pequeno
comparativo de superioridade melhor pior maior menor
superlativo absoluto sintético ótimo péssimo máximo mínimo
superlativo relativo de superioridade o melhor o pior o maior o menor
O adjetivo pequeno admite, ao lado dessa forma irregular, a forma mais pequeno. Ex.:
Ele é menor que o irmão.
Ele é mais pequeno que o irmão.
Para esses adjetivos, pode se utilizada a formação regular no caso de se compararem duas características do mesmo ser: Ex.:
João é mais grande que pequeno.
Seu comportamento foi mais mau que bom.
ARTIGO
Artigo é a palavra que se antepõe ao substantivo para defini-lo ou indefini-lo. São artigos: o,a,o,as,um,uma,uns,umas.
I-Propriedades do Artigo
1. A anteposição do artigo pode substantivar qualquer palavra.
Exemplo: Sempre há um porém ( porém – conjunção, transformada em substantivo )
2. O artigo evidencia o gênero e o número do substantivo.
Exemplos: o dó (masculino singular)
a colega (feminino singular)
as cataplasmas (feminino plural)
o colega (masculino singular)
3. O artigo indefinido anteposto a um numeral revela quantidade aproximada.
Ex.: Faltaram uns dez alunos.
Repeti a explicação umas três vezes.
4. O artigo pode aparecer combinado com preposição.
O artigo definido pode combinar-se com as preposições a, de, em,por:
Preposições Artigo Definido/Combinações
o a os as
a ao à aos às
de do da dos das
em no na nos nas
por pelo pela pelos pelas
Exemplos:
Ele estava no (em + o) estádio.
Ele precisava do (de+o) apoio dos amidos.
Deixou o livro numa (em + uma) mala.
Não pôde comparecer à (a + a) festa.
O artigo indefinido pode combinar-se com as preposições em e de:
Preposições Artigo Indefinido/Combinações
um uma uns umas
em num numa nuns numas
de dum duma duns dumas
II-Emprego dos Artigos
É obrigatório o emprego do artigo definido entre o numeral ambos e o substantivo a que se refere.
Ex.: O juiz solicitou a presença de ambos os cônjuges.
Nunca deve ser usado artigo depois do pronome relativo cujo (e flexões).
Exemplos: Este é o homem cujo amigo desapareceu.
Este é o autor cuja obra conheço.
Não se deve usar artigo antes das palavras casa (no sentido de moradia) e terra (no sentido de chão firme), a menos que venham especificadas.
Exemplos: Eles estavam em casa. Eles estavam na casa dos amigos.
Os marinheiros permaneceram em terra. Os marinheiros permaneceram na terra dos anões.
Não se emprega artigo diante da maioria dos nomes de lugar.
Exemplos: Passaram o carnaval em Salvador.
Florianópolis é a capital de Santa Catarina.
Nevou muito em Roma.
Observações:
Se o nome de lugar vier qualificado, o uso do artigo será obrigatório.
Exemplos: A bela Florianópolis é a capital de Santa Catarina.
Não conheciam a velha Salvador.
Estavam na Roma antiga.
A moderna Brasília é considerada um monumento arquitetônico.
Alguns nomes de lugar vêm antecipados de artigo (em especial, os nomes de continentes e os derivados de nome comum).
Exemplos: o Rio de Janeiro
os Açores
a Bahia
as Américas
Os nomes da maioria das cidades não admitem artigo.
Quanto aos estados brasileiros:
são usados sem artigo - Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe
os demais exigem o artigo
artigo facultativo - Alagoas e Minas Gerais
A maioria dos nomes de países admitem o artigo
mas há alguns que rejeitam - Israel, Portugal, Cuba, Angola, Moçambique
É facultativo o emprego do artigo definido diante dos pronomes possessivos.
Exemplos: Deixaram meu livro na sala. ou Deixaram o meu livro na sala.
Não conheço sua namorada. ou Não conheço a sua namorada.
Quando há elipse do substantivo, é obrigatório: Seu presente está chegando, não o meu.
Com nomes de pessoas, geralmente não se usa artigo.
Exemplos: Lígia não compareceu à cerimônia.
Capitu é personagem de Machado de Assis.
Observação:
Na linguagem popular é frequente à anteposição de artigo a nomes de pessoas, a fim de indicar afetividade ou familiaridade. A literatura já registra esse uso.
Exemplos: O Mauro é meu irmão mais novo.
A Sandra não quis sair comigo hoje.
Não se emprega artigo antes dos pronomes de tratamento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona.
Exemplos: Vossa Excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.
Conheci Vossa Alteza no ano passado.
O que o senhor deseja?
A senhorita não vai à festa?
Não vi a senhora ontem.
Emprega-se o artigo definido com o superlativo.
Exemplos: Não consegui resolver as questões mais difíceis. ou Resolvi as mais
difíceis questões.
Considera-se errada, neste caso, a repetição do artigo.
Ex.: Não consegui resolver as questões as mais difíceis. (errado)
Depois do pronome indefinido todo emprega-se artigo quando se quer dar ideia de inteiro. Quando se quer dar a ideia de qualquer, omite-se o artigo.
Exemplos: Ele leu todo o livro. ( o livro inteiro)
Todo homem é mortal. (qualquer homem)
Todo o país comemorou a conquista. ( o país inteiro)
Todo país tem seu governo. (qualquer país, cada país)
Observações:
No plural, todos, todas sempre virão seguidos de artigo, exceto se houver palavra que o exclua, ou numeral não seguido de substantivo.
Exemplos: Todos os alunos compareceram.
Todos estes alunos compareceram.
Todos cinco compareceram.
Todos os cinco alunos compareceram.
Não se combina com preposição o artigo que faz parte do nome de revistas, jornais, obras literárias.
Exemplos: Li essa frase em Os Sertões.
A notícia foi publicada em O Globo.
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