Pedro Cordeiro - pronomes
1 ) São palavras indicadoras da terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou quantidade indeterminada: Alguém quebrou o copo. "ALGUÉM (3ª pessoa) é um ser humano cuja identidade se desconhece ou não se deseja revelar. Ele trouxe muitos abacaxis. “MUITOS” indica uma quantidade não determinada. MUITOS são chamados, mas são POUCOS os escolhidos.
2) Indefinidos: A) Substantivos: Substituem os seres ou dão a quantidade aproximada deles na frase: ALGO me atormenta. ALGUÉM gritou. FULANO (sicrano ou beltrano) quer é uma propina! NINGUÉM assumiu o crime. Não queiras para OUTREM o que não queres para ti. QUEM quer TUDO pode ficar sem NADA. B) Adjetivos: Acompanham um ser indicando quantidade indefinida: CADA um sabe o que passa. CERTO homem caiu na rua. Certas pessoas só dizem leviandades. Cada sociedade tem suas necessidades. Certas pessoas são insensíveis.
O certo é sicrano, e não ciclano, que é da Química e corresponde a um hidrocarboneto saturado cíclico.
3) Indefinidos que podem ser substantivos ou adjetivos: ALGUM (a,s) aceitou (m) a proposta. ALGUM aluno fez isso. Bastante (s; = muito, muitos). Ele trouxe BASTANTE leite. BASTANTES pessoas participaram da festa. As DEMAIS pessoas fugiram. Ele foi embora; os DEMAIS ficaram. MENOS de 20 pessoas é POUCO, porém MAIS de 30 é MUITO! Beba MENOS cachaça e tome MAIS água. Traga MUITO leite e MUITOS pães. MUITOS saíram, POUCOS ficaram. NENHUM quis dizer a verdade. NENHUM menino deixou de brincar. OUTROS virão, mas NENHUNS serão iguais aos que se foram. OUTRAS crianças morrerão, mas NENHUMAS por negligência médica. “QUALQUER pessoa” não é o mesmo que “pessoa QUALQUER”. QUAL é seu nome? QUANTA maldade! TAL o pai tal o filho. UNS querem TODAS. OUTROS querem VÁRIAS. POUCOS se contentam com uma só.
4) Os indefinidos podem ser invariáveis (EX.: CADA, QUEM, ALGO, OUTREM,NADA, MENOS, ALGUÉM, NINGUÉM, TUDO, MAIS, CADA QUAL, QUEM QUER QUE ) e variáveis (ALGUM, POUCO. MUITO, BASTANTE, UM, QUALQUER, VÁRIO, FULANO, SEJA QUAL FOR, TODO AQUELE QUE, TAL QUAL, TAL E QUAL, TAL OU QUAL, UM OU OUTRO, etc.).
6) Indefinidos Sistemáticos: São o que têm sentidos contrários
A) Afirmativos ( Algum, alguém, algo) ou totalidade afirmativa (todo, tudo);
B) Negativos (nenhum, ninguém, nada) totalidade negativa (nada). Alguém e ninguém indicam pessoas; algo e nada, coisas. "Certo" particulariza; qualquer, generaliza. Essas oposições têm muito valor na construção frasal e na coerência. A solidez dos argumentos ou a beleza do estilo podem depender delas.
7) Uso de alguns pronomes indefinidos:
1) ALGUM. Anteposto ao substantivo é afirmativo: Algum homem pode levantar tal peso. Posposto, é negativo: Homem algum pode levantar tal peso. Também pode significar dinheiro. Você tem ALGUM aí?;
2) O indefinido DEMAIS (ele chega com os DEMAIS) não deve ser confundido com o advérbio DEMAIS (ele come DEMAIS) nem com a locução adverbial DE MAIS (ele trouxe a quantidade certa de bandeiras; não trouxe DE MAIS nem DE MENOS. Ele não fez nada DE MAIS além do dever);
3) O indefinido TODO (tomei todo o leite) pode ser também advérbio (completamente), caso em que este pode flexionar: A bala feriu-lhe o nariz; o corpo ficou TODO ensanguentado; a roupa, TODA suja).
4) CADA é distributivo (qualquer dentre alguns: Todo: todo aquele que tem fé é feliz): CADA pessoa tem o que merece. Só pode anteceder substantivo no singular, exceto se entre ele e o nome houver um numeral (CADA três dias ela vem aqui). E pode ter valor enfático: Ela arruma CADA confusão!
8) Como os artigos, os pronomes indefinidos são determinantes, isto é, apresentam um nome, mesmo que indeterminadamente. Assim, eles afugentam os artigos, e, portanto, a crase. É inadequado dizer: Um ALGUÉM deseja. A mãe sumiu; por isso, ele foi À TODA rede hospitalar.
Não pode ser usado, salvo raríssimas exceções, um pronome indefinido e um artigo antes do substantivo. Dar algo À OUTRA é exceção.
9) Os indefinidos e a colocação pronominal. Usado como sujeito, este é partícula atrativa de oblíquos. Portanto, desde que a oração esteja na ordem direta, o uso da próclise é o recomendado: Tudo me convidava a ficar. Quem me deu a caneta? Alguém me substituiu no evento.
10) Observações:
A) CERTO posposto ao substantivo é adjetivo ( e não P. Indef.): Para cada atividade, devemos procurar as pessoas CERTAS. Certa pessoa pode não ser a pessoa CERTA;
B) ALGUM (a) e NENHUM (a), antepostos ao substantivo, variam em gênero e número. Pospostos, podem variar em gênero, mas não variam em número: Quem diz: “Não sei coisas algumas de Matemática”, podem ter certeza, acertou na matemática, mas errou no português!
C) OUTRO pode significar diferente: Campina Grande está tão OUTRA!
D) TUDO O QUE significa o mesmo que TUDO QUE;
E) O indefinido VÁRIOS admite o singular VÁRIO (a): A multidão era de origem vária. Vária pode ser um substantivo, nesse caso significa breve comentário ou notícia;
G) TUDO se refere a coisas, mas podem indicar também pessoas: No que concerne à política, tudo é igual: Eleitos e eleitores;
F) TODO e TODA, seguidos de artigo, significa inteiro (todo a classe sabe do assunto); não seguido de artigo, significa qualquer (toda pessoa pode ser feliz); sempre que estiverem no plural, são seguidos de artigos e indicam a totalidade: A vaca comeu TODAS AS FOLHAS;
QUALQUER pode ter sentido pejorativo: Ele é UM QUALQUER (o artigo indefinido UM realça o sentido pejorativo)
H) QUALQUER é um indefinido composto: QUAL+ QUER (do verbo querer). Daí o plural QUAIS + QUER= QUAISQUER (a única palavra portuguesa que tem o plural no meio, e não no fim). Usa-se em orações declarativas afirmativas: Ele NÃO tinha NENHUMA (o NÃO anterior impede que se use QUALQUER) possibilidade de passar. QUALQUER um dos times vai vencer.
I) As palavras MAIS, MENOS, (OS) DEMAIS e UM são indefinidos oriundos de outras classes gramaticais. UM (assinala a indefinição do nome) aparece correlato a OUTRO: UNS gostam de café; OUTROS, de chá;
J) CERTO e QUALQUER tem significação oposta: O primeiro expressa particularização; o segundo, não: CERTOS elementos aqui são desonestos (não todos e quaisquer; só alguns); QUAISQUER elementos aqui são desonestos (no grupo de pessoas considerado, a qualquer um que for se referir, isto é, todos, sem exceção, é desonesto) ;
K) CADA é pronome adjetivo; não aparece só: O certo é: A banana custa R$ 0,20 CADA UMA (e não: custa R$ 0,20 CADA);
L) Não existe a expressão TODO MUNDO; e, sim, TODO O MUNDO; N) NENHUM tem o plural NENHUNS: Nenhuns de lá podem voltar). Anteposto ao substantivo, varia em gênero e número. Posposto, pode variar em gênero, mas não varia em número;
M) OUTRO DIA= O OUTRO DIA= um dia passado mas próximo: OUTRO DIA (O OUTRO DIA) dia visitei tal amigo e almoçamos juntos. AO OUTRO DIA= NO OUTRO DIA: No dia seguinte: NO OUTRO DIA (AO OUTRO DIA) ele foi quem veio almoçar em minha casa;
N) As locuções indicadoras de reciprocidade são usadas normalmente no masculino, ainda que referidas a pessoas de gêneros diferentes: Ele e ela olharam intensamente UM AO OUTRO (UM AO OUTRO, UM PARA O OUTRO);
O) “NADA” pode ter valor de advérbio: Foi sorte! comprei um carro NADA caro.
1) CONCEITO . Os pronomes interrogativos são um tipo de pronome indefinido. Eles são: QUE, QUEM, QUAL e QUANTO, com os quais fazemos interrogações:
a) Diretas. Um falante faz uma pergunta diretamente a seu interlocutor. Ela é marcada pelo ponto-de-interrogação (?): Quanto pagaste por esse computador? Quem te vendeu? Qual é o ano dele? Que interesse tens nele?
b) Indiretas. Aqui não há o sinal de interrogação (?), mas sim o do ponto final (.): Não sei QUE é aquilo. Não sei quem é aquele. Dizes quais são tuas intenções. Falas quanto custou tua viagem.
Nota: Por se tratar de pronomes indefinidos, a significação dos pronomes interrogativos é indeterminada, mas a resposta esclarece a pergunta.
2) FLEXÃO DOS PRONOMES INTERROGATIVOS. QUE e QUEM são invariáveis. QUAL (quais) se flexiona em número, e QUANTO, em gênero e número (quanto, quantos; quanta, quantas).
3) VALORES E EMPREGO DOS PRONOMES INTERROGATIVOS: A) QUE pode ser: Pronome substantivo, quando significa QUE COISA: Que vais comer? Ou Pronome adjetivo, quando significa QUE ESPÉCIE DE: Que peixe você prefere? Notar: QUE pr. adj.: É sempre seguido substantivo. QUE pr. subs.: É sempre seguido de verbo. QUE deu origem a QUE É FEITO DE (onde está), expressão que “degenerou” para “cadê” ou “que dê”, que devem ser evitados na linguagem padrão. Há quem queira reforçar esse interrogativo com certos “enfeites”: “O QUE”, “QUE QUE”, “O QUE É QUE”. B) QUEM. Esse pronome substantivo só se usa para pessoas ou algo personificado: Quem bateu no cachorro? Quem disse? QUEM, em orações com o verbo ser, pode ser usado como predicativo de um sujeito no plural: QUEM são eles, colegas? C) QUAL. Para pessoas ou coisas, é seletivo e o substantivo que o acompanha pode não estar junto: Quais os que foram atingidos? Não sei qual foi o resultado do jogo (FOI depois de QUAL: é comum se pospor o verbo SER ao interrogativo QUAL). E) QUANTO é um quantitativo (substantivo ou adjetivo) que se flexiona (em gênero e número) e pode se referir a pessoas ou coisas: Quanto vale? Não sei quanto custa. Quantas crianças vão?
Em vez de cadê, em linguagem formal recomenda-se usar onde está.
Em 'O que são gametas?', O QUE é uma forma enfática de QUE.
4) EMPREGO EXCLAMATIVO DOS PRONOMES INTERROGATIVOS. Podem, estes, assumir uma variegada gama de tonalidades afetivas: Que vergonha! Queeeeee! Que ingenuidade! Que modos! Que figura!
QUANDO, COMO, ONDE e POR QUE não são pronomes, mas sim advérbios interrogativos.
1) PRONOME RELATIVO. CONCEITO. Observemos estas duas orações: O sistema educacional do Brasil é um engodo. O engodo empobrece a nação. Essas duas orações podem ser unidas num período mais breve: O sistema educacional do Brasil é um engodo, QUE empobrece a nação. A palavra que uniu as duas orações foi o pronome relativo QUE, uma anáfora, A QUAL retoma um elemento anterior sem repetir o nome do elemento ( a palavra “engodo”, retomada com o conectivo QUE).
Então, PRONOME RELATIVO é aquele que liga duas orações, substituindo na segunda o termo já citado na primeira. O pronome relativo introduz a segunda oração, sem repetir o nome do antecedente. A oração iniciada com o pronome QUE é uma oração subordinada adjetiva, no caso, explicativa. (Explicativa porque considera os estudantes na sua totalidade, sem restrição alguma . Claro, isso é uma afirmação exagerada, pois “apenas” 38% dos universitários do Brasil são analfabetos, literalmente!).
Vejamos agora este exemplo: Os “estudantes” do nosso país não estudam. O nosso país é muito prejudicado: Nosso país CUJOS “estudantes” não estudam é muito prejudicado. O conectivo “cujos” ligou um antecedente (nosso país, um possuidor) a um conseqüente (os “estudantes”: a coisa possuída). Então, ele serviu para antecipar um termo (o consequente, a coisa possuída: os estudantes), mantendo a mesma relação de posse, num período menor. Assim, CUJO, no discurso, no texto, cumpre função catafórica.
1) CLASSIFICAÇÃO DO PRONOME RELATIVO QUANTO À NATUREZA DO ANTECEDENTE: A) Substantivo: UM PROMOTO PÚBLICO, em início de carreira, que ganha R$19 000,00 e acha pouco, ameaça entrar em greve para reajustar esse “salário de fome”. Já OS TRABALHADORES que ganham um salário mínimo estão em júbilo por não fazerem parte da grande massa de desempregados do Brasil; B) Pronome: TU, que eras a alegria da casa, viraste a tristeza; C) Um adjetivo: Velhice, que amarga a vida, alguns experimentam ainda em tenra idade. começam D) Um advérbio: AQUI, ONDE todos gostam de festa, temos também nossos dias de velório; E) Uma oração: Para si próprios, os políticos brasileiros só levam em conta uma lei, a de Gerson, O que não pasma mais ninguém (notar: o demonstrativo “O” resume toda a oração anterior);
2) FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES RELATIVOS: A) Sujeito: Estou levando o livro QUE comprei; B) Objeto Direto: Li o livro QUE você indicou; C) Objeto Indireto: A invasão A QUE você se referiu não ocorreu; D) Predicativo: Fui QUEM sou. E) Adjunto Adnominal: Um castelo CUJO aspecto funesto assusta; F) Complemento Nominal: Vou enviar os mantimentos de que eles têm necessidade; G) Sou favorável DE QUE você fique; H) Agente da Passiva: Amo POR QUEM sou amado;
3) PRONOMES RELATIVOS SEM ANTECEDENTE (RELATIVOS INDEFINIDOS): A) QUEM, ONDE: “QUEM tem amor, e tem calma, tem calma....Não tem amor... (A. Tavares: citado por Celso Cunha); moro ONDE mora a solidão (ONDE pode ser interpretado por AQUELE QUE; ONDE, por NO LUGAR DE); B) QUANTO (S): Imagino QUANTO exijo sem direitos;
4)“QUE” É O RELATIVO BÁSICO. Seu antecedente pode ser pessoa ou coisa, no singular ou plural. Exatamente por ter como antecedente quaisquer seres (pessoas ou não), no plural ou no singular, “QUE” é considerado pronome relativo universal (lembrando apenas que, quando posposto a preposições de mais de uma sílaba, ele deve ser substituído por O QUAL ou derivados deste). Pode iniciar orações adjetivas restritivas (as que não ficam isoladas por vírgulas) ou explicativas. O leite, que é branco, é um alimento completo. O leite que não for branco não presta (deve estar estragado!). Nas orações sub. adj. Explicativas, o QUE pode ser trocado por QUAL (S) ou O (A,S) QUAL
(Ex.: Peço amor, o qual só encontro em ti), substituição esta que pode ser pedida pela eufonia ou pelo ritmo, mas, às vezes, pode ser exigência do idioma)
O "QUE" pode se referir a uma oração completa. Ex.: Ela se tornou médica, que era seu sonho.
5) QUE é aconselhável: a) Quando vier depois de preposições monossilábicas (A, COM, DE, EM, POR): O bar A QUE me refiro é este. A facão COM QUE cortei o coco é aquele. O mau DE QUE padeço não foi diagnosticado. Há momentos EM QUE nos zangamos. A razão POR QUE ele ria tanto ninguém sabia.
6) COM AS DEMAIS PREPOSIÇÕES (ESSENCIAIS OU ACIDENTAIS, E AS LOCUÇÕES PREPOSITIVAS), PREFERE-SE “O QUAL” (A,S): O motivo PELO QUAL saí, não expliquei.... O colchão SOBRE O QUAL me deitei não era muito confortável. Falava com um autoritarismo PERANTE O QUAL todos se curvavam de medo. Em síntese, para preposições com mais de uma sílaba, é melhor usar O QUAL: Aqueles homens truculentos PERANTE OS QUAIS todos tremiam, hoje “vivem” em contubérnio com as bactérias sob à terra.
Também se usa com as preposições SEM e SOB.
7) O QUAL TAMBÉM É USADO COMO PARTITIVO ( posposto a INDEFINIDOS, NUMERAIS e SUPERLATIVOS): Os estudantes, ALGUNS dos quais estudam, devem ser vigiados. Pagou MIL REAIS, dos quais 50,00 é meu. Ia com TRINTA amigos, dos quais dez estavam desanimados. Tem cinco filhas, A MAIS VELHA das quais, já era moça.
8) QUAL, SIMETRICAMENTE REPETIDO, SIGNIFICA “UM...OUTRO” E É UM INDEFINIDO: O jardim com suas flores e plantas , qual mais tenra, qual mais cheirosa, a todos agradavam;
9) “QUEM”, COMO PRONOME RELATIVO, COM ANTECEDENTE EXPRESSO, SÓ SE USA PARA ‘PESSOAS’ OU ‘ALGO PERSONIFICADO’, e é antecedido da preposição A (se o verbo for TD) ou da preposição que o verbo exigir (se não for TD), Sandro A QUEM mais falei, saiu logo. A moça A QUEM me dirigi é a diretora. Aquele COM QUEM mais me dei dói Léu. Significa “O QUAL” e, quando vem repetido em fórmulas alternadas (simétricas), equivale a UM...OUTRO (um indefinido): Quem ria de alegria, quem chorava de tristeza, eis o que ocorreu depois do jogo. “QUEM” usado sem antecedente, é um pronome relativo indefinido: Quem saiu, morreu. De qualquer forma, vem sempre preposicionado.
10) CUJO é relativo (retoma um elemento anterior: Função ANAFÓRICA) e um POSSESSIVO (antecipa algo: Função CATAFÓRICA), significa DO, DE ( QUAL, QUEM, QUE), concordando em gênero/número com a coisa possuída: A mulher, cujo saia se esvoaçou, não ficou rubra nem sentiu pejo. O clube cujo dono conheço não é bom. PROIBIDO: Usar artigo depois de CUJO: Errado: O navio cujo O dono morreu foi irresponsável. CUJO pode sinteticamente substituir um pronome ou substantivo precedido de preposição: “Podaram” as vacas. O chifres delas estavam grandes: As vacas cujos chifres estavam grandes foram “podadas”. Por vezes, “o cujo” parece vir antecedido de preposição. Engano: Ele apenas “se mete” entre uma palavra e a preposição que a rege: Propuseram provas DE CUJA autenticidade se duvida: A autenticidade DAS provas se duvida. DE se liga a AUTENTICIDADE.
11) QUANTO, quando relativo, tem TODO ou TODOS(A) como antecedentes, indefinidos que podem ser omitidos: Em tudo QUANTO era lugar imperava a desolação depois da renhida batalha. Entre (todos) QUANTOS vês, enxergas bondade? Nem todos QUANTOS te pedem, precisam.
12) ONDE. Por desempenhar função adverbial (lugar), é considerado advérbio relativo com valor pronominal: ONDE ela estiver, eu fico.
13) ONDE: O LUGAR EM QUE. A ONDE: O LUGAR A QUE: O apartamento onde moro é confortável. O apartamento aonde vou morar é bom.
14) ARTIFÍCIO PARA ANALISAR O PRONOME RELATIVO: É SÓ TROCAR O RELATIVO PELO ANTECEDENTE. A FUNÇÃO QUE ESSE CUMPRIR NA ORAÇÃO, É A FUNÇÃO DO PRONOME RELATIVO. ARTIFÍCIO PARA ANALISAR O PRONOME RELATIVO: É SÓ TROCAR O RELATIVO PELO ANTECEDENTE. A FUNÇÃO QUE ESSE CUMPRIR NA ORAÇÃO, É A FUNÇÃO DO PRONOME RELATIVO. Para facilitar, desmembra-se o período com o relativo num período maior sem ele. Em havendo preposição antes dele, verifica-se a palavra que, na oração subordinada, exigiu-o. Então, fica clara a função sintática do pronome relativo. Isso significa você trocar o relativo pelo antecedente. A função que este cumprir, é a função do pronome relativo: A) Os homens QUE roubaram foram presos: Os HOMENS roubaram. Os homens foram presos: Os homens: Sujeito. QUE: Sujeito. B) Os alunos de quem Everaldo gosta passaram: Os alunos passaram. Everaldo gosta dos alunos. DE QUEM: Objeto indireto (do verbo gostar). C) Os músicos que cantarão amanhã já chegaram: Os músicos cantarão. QUE: SUJEITO. D) Veio a caneta que ele quer (veio a caneta. Ele quer a caneta: QUE: Objeto direto); E) Veio a caneta de que ele necessita: Veio a caneta. Ele necessita da caneta: (Da) caneta: Objeto indireto. DE QUE: Objeto indireto. E) Vou enviar os mantimentos de que eles têm necessidade: Vou enviar os mantimentos. Eles têm necessidade dos mantimentos. DE QUE: Complemento nominal ( note: DE é exigido por um nome: necessidade). F) És o bom maestro que todos desejariam ser: És um bom maestro. Todos desejariam SER o bom maestro. QUE: Predicativo. G) O cão por que fui agredido está solto: O cão. Fui agredido pelo cão. Por que: Agente da passiva. H) A festa aconteceu na casa em que ele morou: A festa aconteceu na casa. Ele morou na casa. Na casa Adjunto adverbial de lugar. I) O carro cuja porta quebrou foi consertado. A porta do carro quebrou. Do carro Adjunto adnominal.
Se o relativo vier anteposto de preposição, procuremos saber se ela se liga a um nome, a um verbo, ou a um advérbio (ou locução), que está na oração introduzida pelo relativo. Pela preposição, de imediato, já se sabe se o relativo é complemento nominal, objeto indireto, agente da passiva (se a preposição for POR e se ligar a um particípio da oração subordinada). Caso não haja preposição antes do relativo, este pode ser sujeito, objeto direto e outros. Não esquecer de que o pronome relativo deve estar sempre antecedido da preposição que eventualmente uma palavra da oração subordinada necessitar.
COMO e QUANDO também são pronomes relativos, no primeiro caso quando houver as palavras modo, maneira, forma e jeito, no segundo caso quando houver alguma palavra que indique tempo.
Uma ótima dica para lembrar dos pronomes relativos é o poema Quadrilha, de Drummond.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
QUE, QUEM, ONDE, COMO, QUANDO e QUANTO podem ou não ser relativos.
CUJO e O QUAL são sempre relativos.
1) Conceito de Pronome Demonstrativo. Pronomes demonstrativos são os que localizam os seres em relação às três pessoas do discurso (no tempo, no espaço, ou no próprio texto).
Imaginemos esta situação: Três pessoas conversam : João diz a Felipe: "ESTA (minha) bola é melhor do que ESSA (tua). Porém, AQUELA (a de Zico) é a melhor de todas”. João é a primeira pessoa do discurso; Felipe é a segunda; Zico é a terceira. Usou-se ESTA para a bola que está na mão de João, ESSA para a que está na mão de Felipe e AQUELA para a que está na mão de Zico. É nessa situação (localização) dos objetos que estão pertos da pessoa que fala (João), da pessoa com quem se fala (Felipe) e da pessoa de quem se (Zico) onde está a essência do que se deve entender sobre os PRONOMES DEMONSTRATIVOS. As demais informações derivam dessa idéia básica.
Digamos que nessa mesma confabulação, cada pessoa tivesse mais de uma bola. Os pronomes demonstrativos então seriam: ESTAS, ESSAS, AQUELAS. Se, em vez de bola, fossem cadernos, os demonstrativos seriam: ESTE, ESSE, AQUELE. No plural: ESTES, ESSES, AQUELES. Todos esses demonstrativos são chamados pronomes demonstrativos adjetivos pois eles acompanham os objetos (os substantivos) a que se referem. Caso o falante quisesse ser mais sucinto, poderia dizer apenas assim: ISTO, ISSO, AQUILO, que são pronomes demonstrativos substantivos, pois estariam substituindo os nomes dos objetos a que se referem.
2) QUADRO GERAL DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS:
A) Pronome demonstrativo invariável da 1ª Pessoa: ISTO
B) Pronome demonstrativo invariável da 2ª Pessoa: ISSO
C) Pronome demonstrativo invariável da 3ª Pessoa: AQUILO
D) Pronome demonstrativo variável da 1ª Pessoa: ESTE (S), ESTA(S)
E) Pronome demonstrativo variável da 2ª Pessoa: ESSE (S), ESSA(S)
F) Pronome demonstrativo variável da 3ª Pessoa: AQUELE(S), AQUELA(S)
G) O, OS, A, AS quando equivalem a ISTO, a ISSO, a AQUILO, a AQUELE (S), a AQUELA (S): O que mais padece com o aborto voluntário é precisamente quem culpa alguma tem no caso: O embrião ou o feto.
H) O Demonstrativos MESMO e PRÓPRIO como reforçador do Pronome Pessoal, ou referindo-se a algo expresso antes: Ela MESMA pintou sua casa. Ela foi embora; o MESMO fez ele.
I) TAL, significando ESSE, ESSA, AQUELA, e SEMELHANTE como demonstrativo de identidade. SEMELHANTE atitude só o desabona. TAL ação é digna de virar manchete jornalística, tal (= tamanha: tal é adjetivo) a grandeza do gesto. Em TAIS circunstâncias, é comum o “salve-se quem puder”.
3) EMPREGO DOS DEMONSTRATIVOS. Claro está que a função básica desses pronomes é indicar no espaço a posição de qualquer ser, em relação às três pessoas do discurso. ESTE (e variantes) indica que algo está próximo da primeira pessoa (a que fala); ESSE (e variantes), próximo da segunda pessoa; AQUELE (e variantes), perto da terceira pessoa, ou seja, longe da pessoa que fala e da com quem se fala. Mas, os demonstrativos têm outras funções:
a) Demonstrativo no Interior do Discurso (no texto). Refere-se a : A) Algo que já foi dito: ESSE (A,S): Vivemos numa sociedade injusta. ESSA sociedade é a maior culpada pela pobreza e pela violência que grassam o país. Sábado e domingo, ESSES são meus dias preferidos. O filho bateu no pai; ISSO não se faz! As moças viajaram. ESSAS meninas foram representar o Brasil num jogo importante de futebol. O garoto comeu tudo. ESSE menino é guloso; B) Algo que ainda vai ser dito ESTE(a,s) : Só sei ISTO: Nada sei. Fiz ESTA afirmação: O Brasil jamais deixará a condição de país primário, enquanto o conluio entre os Poderes contra o povo permanecer. Faço agora ESTAS: Nossa cultura eleitoralmente mercenária é culpada. O analfabetismo, particularmente o político, é culpado. Os empresários da política (e não os empresários na política) são culpados. Enfim, nosso abjeto sistema político-eleitoral é culpado. ESTE comentário de Lula, quando era Presidente, foi infeliz: “Deixei de ser bravateiro”; C) Finalmente faço ESTES comentários: I) O Acordo LU-LU, em São Paulo, só mostra ISTO: Na prática, nossos políticos só usam a ideologia para chegar ao Poder. Os Partidos Políticos são apenas ISTO: Sopinha de letras, rótulos sem conteúdo; II) A colcha de retalhos do Brasil significa ISTO: Não há planos nem projetos de Brasil "in totum", nem de médio nem de longo prazos. Cada político só ver seu reduto eleitoral, para onde destina verbas, onde faz uma ou outra obrinha "superfaturadona", de onde sai o numerário que custeará sua campanha à reeleição; III) O resultado é ESTE: O Brasil é um barco à deriva, onde furos pipocam por todo o casco, enquanto as varbas somem como que num encanto. ESSA realidade impede ISTO: Que o Brasil se desenvolva. Um dia ele pode deixar de existir! ESSA é uma consequência possível, lamentavelmente!
b) ESTE e AQUELE, num texto (num discurso, num frase ou num período), pode retomar elementos já citados: ESTE para o elemento mais próximo; AQUELE, para o mais distante: Investir em educação é excelente e aplicar em infraestrutura, também. Porém, nem ESTE nem AQUELE é proveitoso se não for de forma equilibrada, planejada. Formados e técnicos sem indústrias ou serviços é inútil; ESTES sem AQUELES ou AQUELES sem ESTES e nada é a mesma coisa. Isto é: Mister se faz, então, ter recursos humanos e materiais. ESTES são necessários para que AQUELES tenham o que fazer. Do contrário, o Brasil forma cérebros para desenvolver outros países, ou seja, AQUELE arca com o ônus (da formação de profissionais) e ESTES se servem dos bônus da profissionalização. Desgraçadamente, nem temos bons profissionais (por isso muitas indústrias não conseguem pessoas preparadas) nem grande desenvolvimento industrial: ESSA é a pura realidade. Mas, ISTO vem aí: A Copa e as Olimpíadas: Mais um investimento grande no Sudeste do País, em detrimento das outras regiões.
c) MESMO e PRÓPRIO como pronomes demonstrativos: Os privilegiados sociais do Brasil não mudam: São sempre os MESMOS. Estes são OS que detêm cargos públicos, em quaisquer Poderes. Ou os grandes bancos, que lucram barbaridades com os juros que o Executivo Federal lhes paga diariamente em juros. ESTES são as riquezas DAQUELES. Nós PRÓPRIOS é quem paga a conta. Cerca de 40% dos custos das mercadorias que consumimos são impostos, de onde o Governo Federal tira o suficiente para o pagamento dos altíssimos juros bancários, que custeia a máquina pública. Portanto, o PRÓPRIO governo é o grande responsável pela desigualdade social: Transfere dinheiro do suado imposto pago pelo povão para os bancos, que obtém gordos e fáceis lucros sem nada fazer ou produzir. O PRÓPRIO povo não sabe disso. Os PRÓPRIOS bancos sabem. Nós MESMOS é quem sofremos sem saúde, sem educação, sem segurança, sem infra-estrutura, sem as MESMAS coisas de sempre (nota: percebi agora que já discutira sobre mesmo e próprio, aqui MESMO, nESTE PRÓPRIO texto. Deixo assim mesmo. Serve de reforço!).
d) Em Relação ao Tempo: A) ESTE (A,S), ISTO se refere ao tempo em a pessoa fala: ESTE ano não vou viajar. ESTA semana choveu muito. NESTE momento, estou bem; B) ESSE (A,S), ISSO se refere a um futuro ou passado relativamente ao falante: ESSA semana passada foi muito chuvosa. ESTA semana está ensolarada. ESSA semana que vem não sei como estará; C) AQUELE (A,S), AQUILO pode se referia a um tempo remoto e/ou vago: NAQUELES tempos gregos, tudo era explicado fantasticamente pela mitologia. Depois, vieram os filósofos. AQUILO era um tempo bom: Brincar, brincar, brincar! D) FUTURO INCERTO: Amanhã, à tarde, ele chegará ao sopé da montanha. AQUELE momento será crucial: Ele a escalará o não o paredão?
e) NISTO (AÍ) em vez de ENTÃO. Na linguagem coloquial: NISTO (então, aí), acabou o filme .
f) ISSO significando desprezo: ISSO já deu o que tinha de dar. Nada mais vale
g) ESSE e ESTE, para colocar em relevo um substantivo anteposto: Antônio, ESSE sabia das coisas!
h) ESTE, ESSE, AQUELE com valor indefinido. Era muita gente para almoçar: ESTE sentava no chão, ESSE na rede, AQUELE à mesa;
i) REFORÇO: E ESSE troço aí, garoto! ESTE aqui já pagou, AQUELE de lá, não.
j) AGLUTINADO com OUTRO: ESTOUTRO, ESSOUTRO, AQUELOUTRO. Embora corretas, essas combinações são mais usadas em Portugal que no Brasil.
k) ESPANTO, SURPRESA: ESSA NÃO!
l) ADMIRAÇÃO: AQUILO é pés de valsa!
m) INDIGNAÇÃO: A mãe esbravejava com a filha: ESTA BURRA! “ISTO não vai ficar assim!” disse o garoto esbofeteado. O brutamontes pergunta: “E por que não?”. O Menino: “É porque ISTO vai inchar muito ainda...”
n) COMISERAÇÃO: “AQUELA mulher, flor da poesia, era agora AQUILO” (A. M. Machado).
o) MALÍCIA: “Tenho AQUILO roxo!” (Collor).
p) IRONIA, DESPREZO, INDIGNAÇÃO: “ISSO é uma vergonha!”
q) FORMAS FIXAS (elípticas: em relação a): ISTO de política! Ora ESSA! ESSA é boa! ESSA não!
r) AO QUE ESTÁ EM NÓS: ESTE bigode, hoje branco, já foi um encanto. ESTE coração.... ESTA cabeleira, hoje escassa e grisalha, é ainda um chamariz de primeira.
s) ESTE AQUI, ESTA AQUI, ESSA AÍ, AQUELA LÁ e não: ESTE DAQUI, ESSE DAÍ, ESTA DAQUI, AQUELA DELÁ.
4) PALAVRAS COMPLICADAS E “DIFÍCEIS” PARA COISAS FÁCEIS E SIMPLES: FUNÇÃO EXOFÓRICA (DÊITICA) E ENDOFÓRICA (CATAFÓRICA E ANAFÓRICA), que tratam de recursos textuais. Essas palavras estranhas, que parecem criação de deputado, saíram da lavra dos linguistas para assustar os estudantes menos sofisticados. O pior é que elas costumam aparecer em concursos públicos, vestibulares, Enem e exame da OAB e Detran. Muitas dessas funções são realizadas pelos pronomes demonstrativos, sem que haja necessidades dos gramáticos a elas se referirem. As palavras endofórica e exofórica são gêneros, das quais derivam as específicas. Aquela se relaciona com termos do próprio texto e se classifica em anafórica ou catafórica. Esta tem a função de antecipar algo que ainda será citado: ISTO, ESTE (a,s) cumprem uma função catafórica (como as palavras “seguintes”, “ a saber”, etc.), pois contém uma ideia antecipadora de algo ainda a ser citado no texto, sem repetição da palavra. Comprei ESTES objetos: Cadernos, livros, lápis, compassos, borrachas. Pronto, função catafórica é isso! Um aposto, em que se usa um pronome demonstrativo de primeira pessoa (Ex: este, isto) com dois pontos para enumerar os seres cuja citação já era esperada, apenas não sabendo quais. Faz o mesmo papel do anjo Gabriel: anuncia. Claro está que não é apenas o pronome demonstrativo que realiza função catafórica, mas ele pode realizar, e o aposto, idem. Essa é uma das funções do aposto, a de antecipar algo a ser citado dentro do texto e logo a seguir. Uma palavra anafórica retoma algo já mencionado no texto, para evitar repetições das palavras já citadas. Os pronomes demonstrativos ESSE, ESTE e AQUELE (num discurso) são especialistas nessas funções: Comprei melancia e cebola. Esta foi cara; aquela, muito barata. Um casal namorava na praça: Ele, um trintão; ela, uma adolescente de quinze anos (nesse caso são pronomes pessoais cumprindo função anafórica). “ESTA” e “AQUELE”, ELE, ELA retomaram dois termos já citados sem necessitar repetir os nomes deles. Essa é a famosa anáfora, que também é uma figura de linguagem que consiste na repetição da mesma palavra no início de versos ou frases. Posso ainda dizer assim: Lavei o tapete, a toalha e o lençol. Este deu pouco trabalho; esse, um tanto, mas aquele, deu muito. Esse uso , com três demonstrativos anafóricos simultâneos, talvez não traga muita beleza ao texto; daí, ser raro o uso, mas não é errado. O pronome relativo QUE também exerce função anafórica, porquanto tem um antecedente, que foi retomado sem a repetição viciosa da palavra a que ele se refere. O ladrão, que foi preso no ato do furto, já está solto. O “QUE” evitou a repetição do nome ladrão. Ele, assim, cumpriu uma função anafórica. CUJO, por sua vez, exerce função oposta a do pronome relativo QUE. Aquele( o ”cujo”) exerce uma função catafórica. Já este (o “que”) é uma anáfora. A função dêitica (ou exofórica) é aquela da ilustração do início do texto: A de mostrar a localização dos seres (se perto da 1ª, da 2ª ou 3ª P) sem nomeá-las.
Em resumo, a função endofórica se refere a algo dentro do texto: São palavras que retomam ou antecipam outra ou outras. Quando ela é anafórica, retoma elementos do texto sem necessitar repetir seus nomes. QUE (pr. relativo), ESSE, ESTE e AQUELE (demonstrativos) podem cumprir tais funções. Já a função catafórica antecipa elementos sem nomeá-los, funções que podem ser cumpridas pelo p. relativo CUJO e pelo demonstrativo ISTO, ESTE(a,s). A função dêitica (exofórica) dos demonstrativos é localizar um ser considerando as três pessoas do discurso (1ª,2ª,3ªp).
O ESTE faz o papel do anjo Gabriel - anuncia.
Essas funções não são exclusivas dos pronomes demonstrativos, nem estes têm apenas essas funções.
Pronome é uma palavra que substitui ou retoma o nome (por isso, ele é chamado de "pronome substantivo": Onde ele estiver, o substantivo estará ausente) ou o acompanha (por isso se chama "pronome adjetivo": Onde ele estiver, lá estará também o substantivo) indicando a pessoa gramatical (1ª, 2ª e 3ª pessoas). Caso de pronomes pessoais que substituem um nome: Roberto caiu. ELE caiu. A cadeira é de madeira. ELA é de madeira. Casos de pronomes acompanhando o nome: MEU casaco se rasgou. MINHA camisa, não. Há vários tipos de pronomes. Hoje estudaremos o pronome pessoal, um dos que substitui o nome:
1) Pronomes Pessoais. Designam as três pessoas do discurso. Eu ,tu, ele . Podem estar no caso reto (EU fui ao teatro) ou no caso oblíquo (Eu O mandei sair). Os oblíquos subdividem-se em: A) Átonos: Me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes (não são acompanhados de preposição): Trouxe-LHE o brinquedo; B) Tônicos: Pronome: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, si, eles, elas, que são antepostos de preposição: Nada deram A ELES. Mandaram essa encomenda PARA TI;
Eu e tu são sempre pronomes retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.
1ª pessoa: quem fala - locutor
2ª pessoa: com quem se fala - locutário
3ª pessoa: de quem se fala - assunto
2) Número dos pronomes pessoais: A) Primeira pessoa do singular: Eu, me, mim, comigo; B) Segunda pessoa do singular: Tu, te, ti, contigo;
C) Terceira do singular: Ele (ela), se, si, consigo, o, a, lhe; D) Plural da primeira pessoa: Nós, nos, conosco; E) Plural de segunda pessoa: Vós, vos, convosco; F) Plural da terceira pessoal: Eles (elas), se, si, consigo, os, as, lhes;
3) Pronomes de tratamento: São usados cerimoniosamente quando nos dirigimos a um interlocutor ou falamos sobre ele. Então, eles se referem à segunda pessoa, mas o verbo e os pronomes concordam na terceira. Se falamos com a autoridade, usamos VOSSA. VOSSA excelência sabe disso. Se falamos dela: SUA . SUA Excelência, o juiz, de nada SABE. Os pronomes de tratamento são usados com o verbo na terceira pessoa, assim como os verbos. Você, (vossa Excelência, vossa Majestade, Alteza) chegou atrasada.
Os mais comuns são: Vossa Senhoria (pessoas de cerimônia, funcionários graduados, linguagem comercial), Vossa Excelência (altas autoridades e oficiais), Vossa Excelência Reverendíssima (bispos e arcebispos), Vossa Eminência (cardeais), Vossa Alteza (príncipes e duques), Vossa Santidade (papa), Vossa Reverendíssima (sacerdotes e religiosos em geral), Vossa Paternidade (superiores de ordens religiosas), Vossa Magnificência (reitores de universidades), Vossa Majestade (reis e imperadores), senhor (respeito), senhora (respeito), senhorita (moças solteiras), você (intimidade).
4) Usos dos pronomes pessoais: Conosco e convosco. Se vierem seguidos de outros, todos, ambos, mesmos, próprios, numeral ou oração subordinada adjetiva, são substituídos por COM NÓS e COM VÓS: Elas desejam que fiques CONOSCO. Elas desejam que fiques com NÓS mesmos. Elas desejam que fiques com todos.
5) O (e variantes), usados encliticamente com verbos terminados em R, S, e Z, estas consoantes desaparecem e os oblíquos mudam para LO, LA, LOS, LAS: Amá-LO, fizemo-LAS, trá-LOS, pedi-LAS, comê-LAS, pô-LAS. Também usamos LO e variantes com o designativo EIS. Eis a mercadoria: EI-LA. Eis os brinquedos: Ei-LOS. Se a terminação verbal for em som nasal (M, ÃO e ÕE) aqueles oblíquos (o, a, os, as) mudam para NO, NAS, NOS, NAS. Perderam- NA. Em situações cerimoniosas ou quando se pretende evitar o tom arrogante da linguagem, NÓS e VÓS podem substituir EU e TU. Vós SOIS o Senhor.
Nós já escrevemos todo o trabalho (EU): Plural da modéstia.
6) Oblíquos como objetos (complementos de verbos). O, A, OS, AS são sempre objetos diretos. “LHE” é sempre objeto indireto. Dei-lhe o livro. Amo-a de coração. Já os pronomes átonos ME, TE, SE, NOS, VOS, e os tônicos A MIM, A TI, A SI, A NÓS, A VÓS podem funcionar como OD (objeto direto) e OI (objeto indireto). Se puderem ser trocados por um substantivo SEM preposição, são OD; caso precise da preposição, são OI: As palavras dela ME ofenderam. As palavras dela ofenderam A MIM. As palavras dela ofenderam o juiz. No caso, ME é OD; A MIM, Objeto Direto Preposicionado (ODP). (Nota: Para os casos principais do Objeto Direto Preposicionado, há um texto de minha autoria no RL. Sugiro uma leitura). Caso na troca do pronome (tônico ou átono) por um substantivo, este exija preposição, o oblíquo é OI: O trabalho ME convinha. O trabalho convinha A MIM. Caso haja a troca do oblíquo por substantivos, estes pedem uma preposição. Portanto, esses oblíquos, no caso, são objetos indiretos." A MIM” é objeto direto preposicionado (OIP) e ME é Objeto Indireto (OI).
7) Os OD e OI podem combinar-se entre si: Ele NOS deu a chave. NOS + A: Ele NO-LA deu. Ele ME entregou a caneta. ME + A: Ele MA entregou. Eu doei o terreno a João: Eu lho doei. Ela vos entregou a borracha: Ela VO-LA entregou. Ela nos deu os livros: Ela no-los deu. Ela me deu o lápis: Ela mo deu.
Essas combinações são mais usadas em Portugal que no Brasil.
O pronome SE não se combina com os pronomes O, A, OS, AS. 'Não se o quer' é invenção. Para tornar essa frase correta, retira-se o segundo pronome: 'Não se quer'.
8) Objetos pleonásticos ( ODP e OIP): É a repetição do mesmo objeto numa frase por razão estilística (ênfase, expressividade): Aquele jogo, guardei-O indelevelmente na memória. Aos adversários, dou-LHES apenas trabalho. "O" é Objeto Direto. "LHES" é OIP (Objeto Indireto Preposicionado).
9)O pronome pessoal VÓS vem caindo em desuso e tende a desaparecer da comunicação, com exceção dos tratamentos oficiais (Vossa Senhoria, Vossa Excelência). “VOCÊS” já reina absoluto. Porém, para se dirigir a Deus, alguns cristãos (sobretudo os católicos) não usam TU nem VOCÊ. Usam VÓS. E quase todos os cristãos, ao usarem um pronome (reto ou oblíquo) referente a Ele geralmente o faz com letra inicial maiúscula: Ele, dEle, nEle, O, No, Lhe, etc.
10) Depois da preposição, jamais poderemos usar o pronome do caso reto. Sempre usaremos o oblíquo tônico. Por isso, não devemos dizer: Entre EU e TU, mas sim, entre MIM e TI. Além disso, EU e TU só se usa antes de verbo. Porém, há um caso, depois da preposição, que é vedado o uso do oblíquo: Se depois da preposição houver um verbo no infinitivo (e sempre só aparece no infinitivo). É errado eu dizer: Ela trouxe o chocolate para EU (depois de preposição jamais deveremos usar o pronome reto. É certo: Ela trouxe o chocolate para MIM. É errado: Ela trouxe o chocolate para mim comer (“comer” aqui pede um sujeito e, nunca, um oblíquo pode funcionar como tal; ele é sempre objeto). O certo: Ela trouxe o chocolate para EU comer (“EU” aí é sujeito de comer). É errado também: Chegou a hora DELE dormir (dormir requer sujeito, que não pode ser DELE, pois nunca uma preposição pode introduzir uma oração, isto é, servir de sujeito desta). O certo: Chegou a hora de ele dormir ( O sujeito da segunda oração deste período é “ele dormir”. Temos que ter em mente também que DE pertence à primeira oração “chegou a hora de” e não à oração seguinte.). A opinião DELE foi favorável (nesse caso, DELE é pronome possessivo, não é sujeito de nenhum verbo).
11) SI e CONSIGO são sempre reflexivos: Ele só pensa em SI mesmo. Ela levou CONSIGO toda fortuna. Usos errados: Eu confio muito em SI. Fiquei pensando CONSIGO mesmo. O certo: Eu confio muito em MIM. Fiquei pensando COMIGO mesmo.
12)Uniformidade de tratamento. Sempre que numa oração, num período, num texto, numa carta, num discurso começarmos a tratar alguém com um pronome, durante todo o texto teremos que usar o mesmo pronome. Os verbos devem estar em perfeita concordância com o pronome escolhido, do início ao fim. Dizer: Não tragas pedra no peito, para você levar nele o meu amor. Ora, pelo imperativo, o autor da frase tratou o interlocutor por TU (tragas), depois usou VOCÊ. Errado também: Já disse a VOCÊ, meu bem, eu TE amo. Não usar a uniformidade de tratamento é prova de grande incompetência linguística. Imperdoável! O erro também está naquele famoso slogan 'Vem pra Caixa você também'
13) A GENTE, em vez de NÓS e de EU. É correto. É necessário ficar atento a duas coisas: Jamais usar AGENTE e ter cuidado com a concordância verbal. A gente vai. Nunca: A gente vamos. Nós iremos. Nunca: A gente iremos. Esta dói: Agente vamos! Mas, por incrível que pareça há muitos “acadêmicos” por aí cometendo tais barbaridades, mesmo existindo o corretor gramatical no Word e no Google Docs. Quem sabe um artigo no código penal por crimes de lesa-gramática não nos faria ter mais respeito com o idioma!
14) Pronomes reflexivos e recíprocos. O sujeitos reflexivos praticam e recebem a ação. Têm três formas próprias de oblíquos reflexivos: SE, SI, CONSIGO (tanto para o plural quanto para o singular): Elas trouxeram CONSIGO um moderno computador. Consigo ele trouxe uma calculadora. Ele se vestiu rápido, mas elas se vestiram vagarosamente. Quando os núcleos de um sujeito agem uns sobre os outros (ação recíproca) trata-se de um pronome recíproco. A reciprocidade da ação fica clara, isto é, evita ambiguidades (já que a construção parece com a reflexiva), com o uso de advérbios ou de expressões reforçativas: um ao outro (s) , entre si, mutuamente, reciprocamente: Jó e Tó enganaram-se (perceba a ambiguidade); Jó e Tó enganaram-se entre si (ou: um ao outro, mutuamente, reciprocamente, a si mesmos, ele e ela entreolharam-se. Para os reflexivos podem usar: A mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo, retirando-se o pronome: Eles pentearam a si mesmos.
SE, SI e CONSIGO são sempre reflexivos.
ME e TE podem ser reflexivos, NOS, VOS e SE podem ser recíprocos.
Todo pronome recíproco é um pronome reflexivo, mas nem todo pronome reflexivo é um pronome recíproco.
15) Emprego dos pronomes retos: A) Sujeito: Eu estudava e brincava quando era criança; B) Predicativo do sujeito: Eu serei TU; eu não sou mais EU. C) TU e VÓS podem ser vocativos: TU, Nina, podes vir comigo. Vós, depravados, podeis sair!
16) Omissão do pronome sujeito. É possível, por questão de economia, porquanto as desinências verbais indicam a pessoa e o número. Por ênfase, é que ele é mantido: Eu, um agonizante, despeço-me de todos. Ou quando a forma verbal para a primeira e terceira pessoas do singular é a mesma: “É preciso que eu REPITA o que ele DISSE? É preciso que ele REPITA o que eu DISSE” (Celso Cunha).
17) Realce do Pronome Sujeito: MESMO, PRÓPRIO, É QUE: Tu mesmo farás tudo. Ele próprio disse. Eu É QUE devo sair.
18) Por civilidade e se o sujeito inclui EU, este pode estar no fim: Neco, Leandro,e EU fomos promovidos. Contudo, tratando-se de algo desagradável ou se o conteúdo da frase implicar responsabilidade, a ordem pode ser invertida: EU, Leandro e Neco somos os culpados. Não se trata de certo e errado, são regras de cortesia.
17) Realce do Pronome Sujeito: MESMO, PRÓPRIO, É QUE: Tu mesmo farás tudo. Ele próprio disse. Eu É QUE devo sair.
18) Exceto em algumas regiões do Brasil, o pronome TU vem aos poucos caindo em desuso. O uso de VOCÊ vem se alastrando, inicialmente por demonstrar mais intimidade entre parentes e amigos próximos, e hoje por se usar até entre pessoas de níveis sociais e profissionais diferentes. Há inclusive uma tendência, salvo principalmente no Congresso Nacional, de essa asneira de pronome de tratamento ir cada vez sendo menos usado. Basta notar que quando falamos com um sacerdote, com um reitor, com um ministro, com altas autoridades do exército, etc. já começa a soar estranho o uso de seus respectivos pronomes de tratamento especiais, a não ser em reuniões por demais cerimoniosas. Outra é que, pelo menos também no Nordeste, o TU ainda é muito usado, substituindo inclusive nos lares a forma tradicional do uso do SENHOR, quando se dirige ao pai, os tios e os avós etc. Não sei se há influência, mas talvez a aumento da consciência cidadã e, portanto, do sentimento de igualdade, na essência, entre todos os membros da sociedade, a antiga diferença que se fazia entre uma profissão e outra já não é tão significativa. O uso do pronome TU é de suma importância para dois fatos: Tonar as orações mais sucintas e mais claras e, além disso, evita muitas ambigüidades. É uma pena que esteja caindo em desuso.
Tu + conjugação correta de segunda pessoa -> Falado no Pará e no litoral de Santa Catarina.
Tu + conjugação errada de terceira pessoa -> Falado no restante de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no sul do Paraná, em Minas Gerais, na região metropolitana de Santos, no estado do Rio de Janeiro, no Distrito Federal, na região Nordeste inteira menos a Bahia e no restante da região Norte inteira.
Você -> Região Centro-Oeste menos Brasília, na Bahia, e na maior parte dos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo.
19) Extensão de Emprego dos Pronomes Retos. A) O plural da majestade. NÓS em vez de EU começou a ser usado por questão de modéstia: O rei era porta-voz da nação e em nome desta falava; o prelado, solidarizando-se com os fiéis, mostrava humildade, usando NÓS. Depois, perdeu-se esse valor i, e o pronome se tornou uma expressão de grandeza do rei ou prelado: O plural da majestade. B) O plural da modéstia: Ocorre quando escritores e oradores usam-na para tirar o tom impositivo e pessoal. “NÓS” passa a impressão de o pensamento deles é perfeitamente compartilhado com seus leitores e ouvintes; C) Fórmula de cortesia: Usa-se a 3ª pela 1ª. Por deferência a quem nos dirigimos, é comum começarmos assim: “José Lula, associado deste clube, requer a V. Sª se digne a...” D) O VÓS de cerimônia: Usado por pastor ou padre, implícito também no verbo “oremos” ao senhor, “podei” sentar, “ficai” de pé.
20) Quando um oblíquo é objeto de vários verbos de igual regência, ele não precisa ser repetido: Ela ME viu e sorriu. Porém: Ele ME ouviu e desobedeceu, tal oração está errada, pois os verbos são de regências diferentes (um pede OD e o outro OI). A oração certa seria: Ele ME ouviu e ME desobedeceu. Outras orações erradas: Entrei e sai de casa e ninguém viu (O certo: Entrei em casa e sai dela e ninguém viu). Fui e vim do bar em 20 minutos (o certo: fui ao bar e voltei dele em 20 minutos). Ainda que os verbos tenham a mesma regência, a colocação do oblíquo tem que ser repetida, caso este seja enclítico ao primeiro verbo: Ele viu-me e sorriu-me.
21) Emprego e valores do SE: A) Objeto Direto: Ele SE viu no espelho. Elas SE abraçaram. B) Objeto Indireto: Ela deu-SE um presente. C) Sujeito de um infinitivo - com verbo causativo ou sensitivo: Ela deixou-SE enganar. D) Pronome apassivador: Vendeu-SE o apartamento. E) Índice de indeterminação do sujeito: Precisa-SE de voluntários. Vive-SE bem no interior. Era-SE mais feliz antigamente. F) Partícula expletiva ou de realce: Vão-SE os anéis, ficam-SE os dedos. G) Parte integrante do verbo: Ajoelhou-SE no chão e rezou. I) Conjunção integrante: Perguntou SE tudo foi resolvido. J) Conjunção adverbial condicional: SE não chover, irei à igreja. L) Substantivo: O SE é uma palavra com várias classificações.
Causativos são os verbos que indicam uma ação que levam a uma consequência - deixar, mandar e fazer.
Sensitivos são os verbos que indicam a existência de um dos sentidos - ver, ouvir e sentir.
22) Colocação pronominal: A) Próclise: Eu a vi; Mesóclise: Vi-la-ei. C) Ênclise: Vi-a.
23) Colocação do pronomes átonos. Para Luiz Antônio Sacconi ( Gramática Essencial Ilustrada), no português do Brasil, a regra de colocação é a próclise. Há só quatro proibições: A) Iniciar período com pronome oblíquo : Me dê o lápis. Se apresse! Se o texto for escrito, devemos preferir a ênclise: Dê-me o lápis. Apresse-se! B) Ênclise ao futuro: Enviá-lo-ei pelo correio. Perdoá-lo-ia pela ofensa que me causou. Nestes casos, usa-se a mesóclise, que pode ser substituída por uma locução verbal formada pelo verbo auxiliar ir: Eu vou enviar pelo correio. Eu ia perdoar pela ofensa. C) Não usar a ênclise de particípio: Estas são obrigatórias, apesar de, no Brasil, sobretudo quando há locuções, as pessoas preferirem o oblíquo solto entre os dois verbos: A polícia tem espancado-o. A ênclise do infinitivo é sempre correta: Luzia vai casar-se com João. D) Em orações reduzidas de gerúndio (ele vive atrapalhando-A) e de infinitivo (ele costuma irritar-se facilmente), devemos usar sempre a ênclise com tais verbos. Mas, com a preposição EM+ gerúndio, pode-se usar o oblíquo assim: Em SE tratando de Brasil, há muito o que ser mudado. Respeitando-se tais exceções, a próclise é soberana. Só para reforçar: Nas locuções verbais e tempos compostos, o oblíquo pode ficar solto entre os verbos, mesmo havendo partículas atrativas antes da locução. Chega a ser um erro a ênclise com o verbo auxiliar, pois o oblíquo se associa ao verbo principal.
Pronomes retos podem começar frases, pronomes oblíquos só começam sob licença poética ou quando se pretende reproduzir a fala coloquial, as conjunções - coordenativas e subordinativas - também podem começar frases.
24) Pronome oblíquo funcionando como possessivo: A queda rasgou-lhe a calça (a calça dele ou dela). O acidente quebrou-te a perna (tua perna). Esse é um excelente recurso de estilo.
25) MESMO E PRÓPRIO como reforços dos pronomes pessoais: Ele MESMO construiu a casa dele. Ela PRÓPRIA fez todo o trabalho dela. Obs.: "Mesmo" e "próprio" aqui são palavras expletivas, isto é, têm objetivos enfáticos (e não sintáticos). Seu uso é apenas estilístico (ênfase, expressividade), mas não constitui erro.
Nota:
1) Uso adequado como pronomes demonstrativos:
a) Ela mesma, ele mesmo, eles mesmos, elas próprias fez (fizeram) o almoço. Aqui, tais palavras concordam, como visto nos exemplos, com o pronome.
b) O robô nunca inova: Faz sempre os mesmos movimentos.
2) "Mesmo" como advérbio de afirmação: Ele disse que ia fazer e fez 'mesmo'.
3) Uso inadequado: Ele fez uma série de afirmações. As "mesmas" não procedem.
Já dissemos que pronomes são as palavras que substituem o nome (José caiu: ELE caiu) ou o acompanha. O Pronome possessivo é um tipo de pronome que pode ou não acompanhar o substantivo (um nome):
Esse é TEU carro. Este é MEU. TEU: Acompanha o nome: É pronome possessivo adjetivo. MEU não acompanha nome algum (embora, pelo contexto, saibamos que se trate da palavra “carro”): É pronome substantivo.
Os pronomes possessivos dão ideia de posse (há um ser possuidor e outro possuído) e indicam as pessoas do discurso (Eu, nós, tu, vós, ele/eles/elas), com que mantêm íntima relação: MEU (“EU” é possuidor), TEU ( “TU” é o possuidor); DELE (A, S) : “ELE/ELAS/ ELES” é o possuidor; NOSSO: “NÓS” é o possuidor; VOSSO: “VÓS” é o possuidor.
Em pessoa, conforme está claro, o possessivo concorda com o possuidor (meu: eu; teu: tu; ele: seu; eles: seu; ela: seu; elas: seu; vós: vosso). Em número e gênero, com a coisa possuída: MINHA cal: MEU carro; MINHAS cais; MEUS carros).
São sempre pronomes possessivos, com exceção de nossa (que pode ser usado como interjeição por derivação imprópria), vossa e sua (que podem fazer parte de pronomes de tratamento).
1) Possuidor da primeira pessoa do singular (EU) e coisa possuída no masculino singunlar: MEU.
2) Possuidor da primeira pessoa do singular (EU) e coisa possuída no feminino singunlar: MINHA
3) Possuidor da primeira pessoa do singular (EU) e coisa possuída no masculino plural: MEUS.
4) Possuidor da primeira pessoa do singular (EU) e coisa possuída no feminino plural: MINHAS
5)Possuidor da primeira pessoa do singular (EU) e coisa possuída no feminino plural: MINHAS
6) Possuidor da segunda pessoa do singular (TU) e coisa possuída no feminino plural: TUAS
7) Possuidor da segunda pessoa do singular (TU) e coisa possuída no masculino plural: TEUS
8) Possuidor da segunda pessoa do singular (TU) e coisa possuída no masculino singular: TEU
9)Possuidor da segunda pessoa do singular (TU) e coisa possuída no feminino singular: TUA
10)Possuidor da terceira pessoa do singular (ELA, ELE) e coisa possuída no feminino plural: SUAS
11) Possuidor da terceira pessoa do plural (ELAS, ELES) e coisa possuída no feminino plural: SUAS
12) Possuidor da terceira pessoa do singular (ELA, ELE) e coisa possuída no masculino singular: SEU
13) Possuidor da terceira pessoa do singular (ELA, ELE) e coisa possuída no masculino plural: SEUS
14) Quando a coisa possuída é uma parte do corpo, uma peça do vestuário e qualidades do espírito, o artigo já denota posse: Machuquei o braço. Rasguei a saia. Ele perdeu a razão. Nesse caso, o possessivo é desnecessário.
15) É facultativo o uso ou não do artigo antes dos possessivos. Daí ser também facultativo o uso ou não da crase antes deles. Quando há elipse do substantivo, o artigo será obrigatório.
16) Antes da palavra CASA (no sentido de lar e não de edificação) não se usa o possessivo. Usa-se o oblíquo: Ela está em casa. Eu estou em casa. Só em caso de ênfase, cabe o possessivo: Na MINHA casa é que você não vai ficar!
17) O problema da ambiguidade com os possessivos SEU, SUA, SEUS, SUAS: SUA presença lá é indesejável. Presença de quem: Da pessoa com quem se fala ou da pessoa de quem se fala? Essa ambiguidade poderia ser eliminada se fosse usada uma das seguintes alternativas: DE VOCÊ, DELE: A presença de você lá é indesejável. A presença dele lá é indesejável. Outra medida desambiguadora é mudar o pronome pessoal com o qual o falante usa para conversar com o interlocutor: Em vez de usar VOCÊ, usaria TU. A frase ficaria assim: Tua presença lá é indesejável. Seria uma perda muito grande para o idioma se o uso do "TU" fosse extinto, por essa e outras razões, inclusive de natureza eufônica e de construção frasal. Outra possibilidade de ambiguidade com o possessivo "SEU" (e derivados): O médico informou à secretária que SUA proposta não foi aceita. O “SUA” refere-se ao médico ou à secretária? Tal dúvida desapareceria se, em vez de SUA, fosse usada DELA ou DELE.
18) Outros valores dos possessivos: A) Aproximação: Paulo terá seus 40 anos; B) Pronome de tratamento: Vossa Excelência está bem. C) Intimidade: Bom escritor, NOSSO Machado a todos admiravam. Nesses três casos, a ideia de POSSE já foi esquecida. Em 'Passei o Ano Novo com os meus', o possessivo como pronome substantivo significa parentes, familiares;
19) SEU como corruptela de SENHOR: SEU Gabriel chegou. “SEU” aqui não é possessivo, não dá ideia de posse. Ele é uma alteração fonética de SENHOR. Nossa Senhora e minha nossa são locuções interjetivas usadas para expressar surpresa, espanto ou indignação.
20)Quando aludimos ao pronome de tratamento, o verbo fica na terceira pessoa do singular: Vossa Excelência e SUA esposa vão viajar?
21) Concordância. O possessivo concorda com o substantivo mais próximo. Conto com SUA ajuda e apoio. Conto com SEU apoio e ajuda.
22) O possessivo pode vir antes ou depois do ser possuído. Todavia, o mais comum é vir antes do substantivo. Porém, quando o pronome vem depois dele, ocorre uma diferença semântica - interpretativa / de sentido.
”Minhas saudades de Beatriz” e “Beatriz sente saudades minhas?” têm valores semânticos diferentes. O mesmo acontece em ”Estou com tua foto” e “Tenho uma foto tua”.
1 - saudades que eu sinto / saudades que Beatriz sente
2 - a foto te pertence / tu estás na foto
23) O Possessivo Como Ofensa, Cortesia, Afetividade, Ironia e não POSSE: MEU querido professor, por que o Brasil, sendo tão grande, é tão pequeno? MINHA amada, você terá que refazer seu trabalho. Olha, SEU cavalo, para entender, tem que prestar atenção! Não carecia tanto esforço, MINHA senhora!
24) NOSSA como interjeição de susto, admiração por derivação imprópria - também chamada de conversão:
_ olha, aquele avião está caindo!
_ NOSSA!
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