Elias Santana - Gran Cursos (1)
MORFOLOGIA
(AS 10 CLASSES GRAMATICAIS)
1. Substantivo
Substantivos são as palavras que representam os seres em geral, quer sejam concretos (livro), quer sejam abstratos (liberdade), quer sejam comuns (rio, cidade, homem) quer sejam próprios (Jacuí, Porto Alegre, José), quer sejam termos primitivos (sapato), quer sejam derivados (sapataria), quer sejam termos simples (flor, sol), quer sejam compostos (beija-flor, girassol), quer sejam coletivos (bando, enxame).
Mas qualquer palavra pode ser substantivada, desde que exerça função de substantivo na frase. Por exemplo, "sábio" é adjetivo, porque podemos dizer "homem sábio", mas, em "O sábio estuda", passa a ser substantivo, porque exerce função (sujeito) típica de substantivo. Nessa condição, aceita até ser adjetivado: "O sábio responsável estuda". Em "Viver alegre contrapõe-se a morrer triste", "viver" e "morrer" são verbos substantivados, porque exercem, respectivamente, as funções de núcleo do sujeito e núcleo do objeto indireto.
2. Adjetivo
É a palavra que expressa uma qualidade e "encaixa diretamente" ao lado de um substantivo, quer seja primitivo (feliz), quer seja derivado (apaixonado), quer seja simples (bonito), quer seja composto (verde-escuro), quer seja pátrio (paulista), quer seja explicativo (fogo quente), quer seja restritivo (cantora baiana).
Tomemos a palavra "bondoso" para exemplo. É, com efeito, um adjetivo, porque, além de expressar uma qualidade, pode ser “encaixada diretamente” ao lado de um substantivo:
homem bondoso, moça bondosa, pessoa bondosa
Já com a palavra "bondade", embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade.
"Bondade", portanto, não é adjetivo, mas substantivo, porque admite o artigo: "a bondade". O substantivo encaixa ao lado de outro substantivo, mas não diretamente e, sim, através de uma preposição: homem de bondade, moça de bondade, pessoa de bondade.
3. Pronomes
PESSOAIS
Os pronomes pessoais, que tomam o lugar da pessoa que fala (1ª pessoa - falante), da pessoa com quem falamos (2ª pessoa - interlocutor) ou da pessoa de quem falamos (3ª pessoa - referente), podem ser:
RETOS E OBLÍQUOS
São retos os que exercem a função de sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, esse último com tu e vós.
São oblíquos os que exercem as demais funções sintáticas.
Quando átonos, exercem as funções de objeto direto, objeto indireto, adjunto adnominal, complemento nominal ou sujeito de infinitivo, com verbo causativo ou sensitivo.
Quando tônicos, exercem as funções de objeto indireto, objeto direto preposicionado, complemento nominal, agente da passiva ou adjunto adverbial.
PRONOMES PESSOAIS
Pessoa
Retos
Oblíquos
Gramatical
Átonos
Tônicos
1ª
singular
eu
me
mim, comigo
1ª
plural
nós
nos
conosco
2ª
singular
tu
te
ti, contigo
2ª
plural
vós
vos
convosco
3ª
singular
ele, ela
se, o, a, lhe
si, consigo
3ª
plural
eles, elas
se, os, as, lhes
si, consigo
EMPREGO (CERTO X ERRADO)
a) Eu e tu x mim e ti - Se houver preposição antes, devemos usar mim e/ou ti, e não eu e/ou tu:
Entre mim e ti não há desavenças.
Sobre Joana e ti nada se pode dizer
Devo a ti esta conquista.
Constrói esta casa para mim.
Se, todavia, acrescentarmos um verbo no infinitivo, devemos usar eu e/ou tu:
Constrói esta casa para eu morar.
Ele disse que é para eu e tu partirmos.
b) Si e consigo - Estes pronomes somente podem ser empregados, se se referirem ao sujeito da oração:
Joana só pensa em si. ("Si" refere-se a "Joana": sujeito)
O poeta gosta de ficar consigo mesmo. ("Consigo" refere-se a "poeta": sujeito.)
Estão erradas, portanto, frases como estas:
Creio muito em si, meu amigo.
Quero falar consigo.
"Si" e "consigo" estão referindo-se à pessoa com quem falamos, o não ao sujeito de "creio" e "quero", que é "eu", subentendido. Para corrigi-las, basta substituir "si" e "consigo" por "você", "senhor", "V.Sa." etc., conforme exigir a situação:
Creio muito em você, meu amigo.
Quero falar com o senhor.
c) Conosco e convosco - Se vierem seguidos de uma expressão complementar como mesmos, próprios, todos, outros, ambos, um numeral ou uma frase inteira, desdobram-se em "com nós" e "com vós":
Esta missão é com nós mesmos.
Com vós, jovens, sempre estou bem.
d) Ele(s), ela(s) x o(s), a(s) - Não raras vezes ouvimos: "Vi ela no teatro", "Não queremos eles aqui", frases em que o pronome reto, erradamente, está exercendo a função de objeto direto. O certo é: "Vi-a no teatro", "Não os queremos aqui".
b) DE TRATAMENTO
São pronomes de tratamento você, senhor, senhora, senhorita, dom, dona, madame e as expressões usadas para se referir às pessoas de modo cerimonioso e oficial, que integram o quadro seguinte:
PRONOME
ABREVIATURA SINGULAR
ABREVIATURA PLURAL
USADO PARA SE DIRIGIR A:
Vossa(s)
Excelência(s)
V. Ex.ª
V. Ex.as
1
Vossa(s) Magnificência(s)
V. Mag.ª
V. Mag.as
2
Vossa(s)
Senhoria(s)
V. S.ª
V. S.as
3
Vossa(s)
Santidade(s)
V. S.
Não existe
4
Vossa(s)
Eminência(s)
V. Em.ª
V. Em.as
5
Vossa(s)
Excelência(s)
Reverendíssima(s)
V. Ex.ª Rev.ma
V. Ex.as Rev. mas
6
Vossa(s)
Reverendíssima(s)
V. Rev.ma
V. Rev. mas
7
Vossa(s)
Reverência(s)
V. Rev.ª
V. Rev.as
8
Vossa(s)
Majestade(s)
V. M.
VV. MM.
9
Vossa(s)
Alteza(s)
V. A.
VV. AA.
10
Autoridade superior: presidente (sem abreviatura), ministro, embaixador, governador, secretário de Estado, prefeito, senador, deputado federal, estadual e distrital (no caso do Distrito Federal), desembargador, juiz, general, almirante, brigadeiro, presidente da Câmara dos Vereadores, presidente de instituição cultural e científica, estabelecimento bancário e financeiro;
Reitor de universidade e qualquer outra instituição de ensino superior para o qual também se pode usar V. Ex.ª;
Chefe de seção, comerciante em geral, funcionário graduado, vereador, linguagem comercial;
4) Papa e Dalai Lama;
5) Cardeal;
6) Arcebispo e bispo;
7) Religioso em geral, sacerdote, bispo, padre, pastor;
8) Religioso sem graduação;
9) Rei e imperador;
10) Príncipe, arquiduque e duque.
Observações:
Todas essas expressões se apresentam também com SUA para cujas abreviaturas basta substituir o "V" por "S".
As formas de tratamento cerimonioso são mais usadas em Portugal que no Brasil.
Vossa Excelência só se usa para o Presidente da República, ministros, governadores dos Estados e do Distrito Federal, senadores, deputados federais, estaduais e distritais, juízes, desembargadores e as mais altas patentes militares, tanto na linguagem falada quanto na escrita.
Vossa Senhoria é tratamento raro na língua falada. Na língua escrita, ainda se usa em cartas comerciais, requerimentos, ofícios etc., quando não é próprio o tratamento de Vossa Excelência.
As outras formas são protocolares e se usam especificamente para os cargos já indicados. No tratamento direto, pode-se substituí-las por outras formas também respeitosas, mas menos solenes. Por exemplo, a um sacerdote é comum tratá-lo por Senhor, em vez de Vossa Reverendíssima.
Em regra, doutor não é forma de tratamento, mas título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Seu uso se limita àqueles que concluíram o curso universitário de doutorado. Por questão histórica, é comum chamar de doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito, em Medicina e em Odontologia, embora não tenham doutorado. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade à comunicação.
O mesmo vale para o título de Professor. No Brasil é usado para docentes de qualquer grau de ensino, enquanto em Portugal seu uso se limita aos docentes de ensino primário e de ensino superior.
Na correspondência oficial, o vocativo deve vir com a palavra Senhor: Senhor Ministro, Senhor Senador, Senhor Juiz, Senhor Deputado, Senhor Governador, Senhor Prefeito, etc. O uso da vírgula é obrigatório.
EMPREGO
a) Vossa Excelência etc. x Sua Excelência etc. - Os pronomes de tratamento com "Vossa(s)" empregam-se em relação à pessoa com quem falamos:
Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.
Com "Sua(s)" são empregados, quando falamos a respeito da pessoa:
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.
b) 3ª pessoa - Os pronomes de tratamento são da 3ª pessoa; portanto, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa;
Basta que V. Ex.as cumpram a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhes fiquem reconhecidos.
c) Uniformidade de Tratamento - Quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de "você", não poderemos usar "te" ou "teu", o os verbos, evidentemente, vão para a 3ª pessoa. Eis um texto errado, do tipo, aliás, muito freqüente em nossa música popular:
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.
Ou corrigimo-lo assim:
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. Não mais permitirei que se afaste de mim.
Ou assim:
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.
Sai que é sua, Taffarel. (errado)
Saia que é sua, Taffarel. (correto)
Sai que é tua, Taffarel. (correto)
Saia da Sibéria e vem pra Net já. (errado)
Saia da Sibéria e venha pra Net já. (correto)
Sai da Sibéria e vem pra Net já. (correto)
Se você gosta de cerveja, experimenta esta. (errado)
Se você gosta de cerveja, experimente esta. (correto)
Se tu gostas de cerveja, experimenta esta. (correto)
Você quer um desconto? Faz um 21. (errado)
Você quer um desconto? Faça um 21. (correto)
Tu queres um desconto? Faz um 21. (correto)
POSSESSIVOS
Com eles indicamos a coisa possuída e a pessoa gramatical possuidora. No quadro abaixo, vemo-los relacionados aos respectivos pronomes pessoais:
PESSOAIS
POSSESSIVOS
Eu
meu, minha, meus, minhas
Tu
teu, tua, teus, tuas
Ele, você, V. Ex.ª etc.
seu, sua, seus, suas
Nós
nosso, nossa, nossos, nossas
Vós
vosso, vossa, vossos, vossas
Eles
seu, sua, seus, suas
Nossa pode ser usado como interjeição, por derivação imprópria.
Vossa e sua podem fazer parte de pronomes de tratamento.
EMPREGO
a) Ambigüidade - "Seu", "sua", "seus" e "suas" têm dado origem a frases como estas:
O policial prendeu o ladrão em sua casa.
O jovem foi com a namorada para o seu colégio.
A casa é a do policial ou a do ladrão? É o colégio é o do jovem ou o da namorada?
Corrigem-se, substituindo o pronome por outro ou aproximando a coisa possuída do possuidor:
O policial prendeu o ladrão na casa deste.
O jovem foi para o seu colégio com a namorada.
b) "Machuquei a minha mão" - Não se usam os possessivos em relação às partes do corpo, peças de vestuário ou qualidades do espírito, quando se referem ao próprio sujeito. Nesse caso, o uso do artigo já denota posse. Também a palavra casa, quando significa lar próprio, dispensa o possessivo, exceto quando se deseja dar ênfase à expressão. Devemos, pois, dizer:
Machuquei a mão. (E não "a minha mão")
Ele sujou a camisa. (E não "a sua camisa")
Perdeste a razão? (E não "a tua razão")
Estou em (minha) casa.
c) Nem sempre os pronomes possessivos indicam posse. Podem ter outros usos, como:
Meu caro amigo, sinto muitas saudades de você! (afetividade)
Minha senhora, a recepção é aqui ao lado. (respeito)
Ele deve ter seus quarenta anos. (cálculo aproximado)
Seu ingrato, não reconhece meu valor? (ofensa)
d) Os possessivos geralmente vêm antes do substantivo. Quando vêm depois dele, podem mudar o sentido.
Estou com sua foto. (a foto lhe pertence)
Tenho uma foto sua. (você está na foto)
e) Muitas vezes, a ideia de posse é representada pelos pronomes oblíquos me, te, nos, vos, lhe, lhes.
Renovaram-lhe as esperanças. (= as esperanças dele/dela)
f) A palavra seu, que antecede nomes de pessoa ou de profissão, não é pronome possessivo, mas uma alteração fonética de senhor.
Seu Pedro já vendeu sua casa.
RELATIVOS
São as palavras que, quem, qual, cujo, onde, como, quando, quanto, desde que:
a) tenham como precedente um substantivo e como conseqüente um verbo;
b) possam ser substituídos, sem quebra de sentido, por uma expressão onde aparece qual ou quais. O uso desse artifício é impossível com o pronome cujo e suas flexões, que, sem dúvida, são sempre pronomes relativos:
Os livros que li ajudaram-me.
(Os livros os quais li ajudaram-me.)
A casa onde moro tem goteiras.
(A casa na qual moro tem goteiras.)
O qual e cujo são sempre relativos.
Que, quem, onde, quanto, como e quando podem ou não ser relativos.
DEMONSTRATIVOS
São os que localizam ou identificam o substantivo.
MASCULINO
FEMININO
NEUTRO
este(s)
esta(s)
isto
esse(s)
essa(s)
isso
aquele(s)
aquela(s)
aquilo
Ainda são demonstrativos:
O, A. OS, AS, quando antecedem o QUE e podem ser substituídos por AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO:
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Esta rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que te indiquei.)
SEMELHANTE, como demonstrativo de identidade:
Você foi corajoso em proferir semelhante palavra.
TAL, quando sinônimo de esse:
Tal atitude foi inesperada. (essa)
MESMO e PRÓPRIO, quando sinônimos de idêntico ou em pessoa:
Nesse mesmo lugar nos encontramos pela primeira vez. (idêntico)
A própria professora deu a notícia. (em pessoa)
EMPREGO
Este(s), esta(s), isto indicam que o ser está próximo da pessoa que fala:
Este livro que tenho aqui em minha mão esclarece o assunto.
Esse(s), essa(s), isso indicam o ser que está próximo da pessoa com quem falamos:
Essa caneta com que escreves pertence a mim.
Aquele(s), aquela(s), aquilo indicam o ser que estiver longe de ambas as pessoas:
Aquele quadro que vemos na parede é antigo.
Agora, prestemos atenção a estes exemplos:
1) "A mim só interessa isto: realizar os meu ideais." "Realizar os meus ideais: isso é o que me interessa."
Isto (ou este, ou esta) indica uma idéia que ainda não foi expressa. Isso (ou esse, ou essa) indica uma idéia que já foi expressa.
2) "As palavras afetuosas e os ditos irônicos são como as flores e os espinhos: aquelas perfumam; estes ferem.(ou estes ferem; aquelas perfumam.)"
Ao nos referirmos a duas idéias anteriormente expostas, este(s), esta(s), isto indicam a idéia mais próxima, isto é, a última; aquele(s), aquela(s), aquilo indicam a idéia mais afastada, isto é, a primeira. Se houver mais de duas idéias a serem retomadas, em vez de demonstrativos, usam-se os numerais ordinais: o primeiro, o segundo, o terceiro etc.
3) "Esta seção precisa de papel."
"Esperamos que essa seção atenda ao nosso pedido."
Este(s), esta(s), isto indicam o local (cidade, rua, repartição, estado etc.) de onde escrevemos. Esse(s), essa(s), isso indicam o local em que se encontra o nosso correspondente.
4) "Neste século XX, vimos coisas de espantar." "Naquele (ou Nesse) tempo, disse Jesus a seus discípulos..."
Em relação a tempo, este(s), esta(s) indicam o presente; esse(s), essa(s) indicam o passado ou futuro próximo; aquele(s), aquela(s) indicam o passado ou futuro muito distante.
Observação:
Os pronomes demonstrativos podem combinar-se com preposições: nesse, desse, naquele, nessa, dessa, naquela, nisso, disso, naquilo, àquele, àquela, àquilo), o que em nada modifica os empregos referidos.
INDEFINIDOS
São os que determinam o substantivo de modo vago, de maneira imprecisa.
LISTA DOS INDEFINIDOS
VARIÁVEIS
MASCULINO
FEMININO
INVARIÁVEIS
SINGULAR
PLURAL
SINGULAR
PLURAL
algum
alguns
alguma
algumas
alguém
certo
certos
certa
certas
algo
muito
muitos
muita
muitas
nada
nenhum
nenhuns
nenhuma
nenhumas
ninguém
outro
outros
outra
outras
outrem
qualquer
quaisquer
qualquer
quaisquer
cada
quanto
quantos
quanta
quantas
tanto
tantos
tanta
tantas
todo
todos
toda
todas
tudo
vário
vários
vária
várias
pouco
poucos
pouca
poucas
Fulano, sicrano e beltrano são substantivos, e não pronomes.
Algures, alhures e nenhures são advérbios de lugar, e não pronomes.
INTERROGATIVOS
Chamam-se interrogativos os pronomes indefinidos que, quem, qual e quanto, empregados para formular uma pergunta direta ou indireta:
Que trabalho estão fazendo?
Diga-me que trabalho estão fazendo.
Quem disse tal coisa?
Ignoramos quem disse tal coisa.
Qual dos livros preferes?
Não sei qual dos livros preferes.
Quantos passageiros desembarcaram?
Pergunte quantos passageiros desembarcaram.
DIFERENÇA ENTRE OS PRONOMES SUBSTANTIVOS E OS PRONOMES ADJETIVOS
Pronomes adjetivos são aqueles que simplesmente acompanham os substantivos:
Este moço é meu irmão.
Estes dois simpáticos e elegantes moços são meus irmãos.
Pronomes substantivos são aqueles que substituem ou representam tão bem o substantivo, que é como se ele estivesse presente:
Nem tudo está perdido.
(Nem todos os bens estão perdidos.)
Os pronomes "fanáticos" são os pessoais, os de tratamento e os relativos. Eles são sempre substantivos; por isso, dispensam essa classificação. Basta chamá-los simplesmente pronomes pessoais, pronomes de tratamento e pronomes relativos.
Os outros ora são pronomes substantivos, ora são pronomes adjetivos.
Sendo assim, nos exemplos seguintes, eles se comportam como:
A caneta é minha.
minha – pron. subst. possessivo.
Minha sogra é um anjo.
minha – pron. adj. possessivo.
Aquilo que fizeste não se faz.
aquilo – pron. subst. demonstrativo.
Aquela criança veio ao mundo por acidente.
aquela – pron. adj. demonstrativo.
Ninguém entra em fria por querer.
ninguém – pron. subst. indefinido.
Nenhum homem conseguirá convencê-la.
nenhum – pron. adj. indefinido.
Que queres comigo?
que – pron. subst. interrogativo.
Quantas moedas vais oferecer?
quantas – pron. adj. interrogativo.
4. Artigo
É artigo a palavra que, vindo (diretamente ou não) antes de um substantivo, indica se o mesmo está sendo empregado de maneira definida ou indefinida. É por isso que os artigos se subdividem em:
a) Artigos definidos - o, a, os, as - porque deixam definido, determinado o substantivo a que se referem.
Ao dizermos: "Mário, joga fora o cigarro!" estamos nos referindo a um cigarro determinado: aquele que Mário provavelmente estaria fumando.
b) Artigos indefinidos - um, uma, uns, umas - porque deixam indefinido, indeterminado, vago o substantivo a que se referem.
Quando dizemos: "Mário, dá-me um cigarro!" estamo-nos referindo a um cigarro indeterminado. Mário nos daria qualquer um dos que ele tivesse no maço. Mas eu e Mário teríamos o mau hábito (definido) de fumar
5. Numeral
É a palavra que indica uma quantidade exata ou um lugar numa série.
Os numerais podem ser:
a) Cardinais - quando indicam a quantidade exata dos seres: um, dois, três, cem mil... São invariáveis, exceto um, dois, ambos e as centenas de duzentos a novecentos, que variam em gênero, milhão, bilhão e trilhão, que variam em número.
b) Ordinais - quando indicam a ordem (posição) que o ser ocupa numa série: primeiro, segundo, terceiro, centésimo, milésimo... Variam em gênero e número.
Segue uma lista dos ordinais que mais se erram:
40º - quadragésimo 300º - trecentésimo ou tricentésimo
50º - qüinquagésimo 400º - quadringentésimo
60º - sexagésimo 500º - qüingentésimo
70º - septuagésimo ou setuagésimo 600º - seiscentésimo ou sexcentésimo
80º - octogésimo 700º - septingentésimo ou setingentésimo
90º - nonagésimo 800º - octingentésimo
100º - centésimo 900º - nongentésimo ou noningentésimo
200º - ducentésimo 1.000º - milésimo
c) Multiplicativos - quando indicam multiplicação, ou seja, quantas vezes a quantidade foi aumentada: dobro, triplo, quádruplo... São invariáveis em função substantiva, e variáveis em gênero e número em função adjetiva.
d) Fracionários - quando indicam divisão, ou seja, em quantas partes a quantidade foi dividida: meio, metade, terço, quarto... São variáveis em gênero e número, conforme o cardinal que o antecede.
6. Advérbio
É a palavra invariável que se relaciona ao verbo para atribuir-lhe uma circunstância. Segundo a nova nomenclatura gramatical brasileira, os advérbios podem ser:
a) de afirmação - sim, realmente, deveras, certamente, efetivamente, incontestavelmente etc.;
b) de dúvida - talvez, quiçá, porventura, acaso, provavelmente, possivelmente, eventualmente etc.;
c) de intensidade - muito, pouco, assaz, demais, bastante, mais, menos, tão, tanto, quão, meio etc.:
Nota: É de observar que as palavras "muito", "pouco" o "tanto" também podem ser pronomes indefinidos. A diferenciação é fácil: podendo variar em gênero ou número, serão pronomes indefinidos; quando forem invariáveis, serão advérbios.
Maurício estuda pouco.
Ele dispõe de pouco tempo.
No primeiro exemplo, qualquer que seja a modificação de gênero ou número introduzida na frase, "pouco" permanecerá invariável.
No segundo exemplo, basta substituir "tempo" por "horas", para que tenhamos:
Ele dispõe de poucas horas.
Portanto, o primeiro é advérbio e o segundo é pronome indefinido.
d) de interrogação - onde, como, quando e por que nas interrogações diretas ou indiretas:
Onde vais?
Como vais?
Quando vais?
Por que voltaste?
Quero saber onde vais.
Mandaram perguntar como vais.
Nota: Não se deve confundir advérbio interrogativo com pronome interrogativo. Alguns gramáticos propõem advérbios interrogativos de finalidade (para que), de preço e intensidade (quanto)
e) de lugar - aqui, ali, aí, lá, cá, acolá, além, aquém, acima, abaixo, atrás, dentro, junto, defronte, perto, longe etc.
f) de modo - assim, bem, mal, depressa, devagar, melhor, pior e a maior parte dos advérbios terminados em mente.
g) de negação - não, tampouco, absolutamente, nem.
h) de tempo - agora, amanhã, já, depois, anteontem, ontem, hoje, jamais, sempre, nunca, enfim, outrora, breve, antigamente, novamente, brevemente, raramente, atualmente etc.
Nunca e jamais, embora sejam palavras negativas, são advérbios de tempo.
Observação 1:
Foi dito que o advérbio se refere ao verbo; acrescente-se, agora, que ele também pode referir-se a um adjetivo ou a outro advérbio.
Ele trabalha muito. muito Þ trabalha
Ele é muito trabalhador. muito Þ trabalhador
Ele poderia trabalhar muito mais. muito Þ mais
Observação 2:
Também existem as chamadas locuções adverbiais que vêm quase sempre introduzidas por uma preposição: sem dúvida, quem sabe, em excesso, de jeito nenhum, à tarde, à vontade, à direita.
7. Preposição
É a palavra invariável que serve de ligação entre dois termos de uma oração ou, às vezes, entre duas orações:
Ele comprou um livro de poesia.
Ele tinha medo de ficar solitário.
Como se vê, a preposição "de", no primeiro exemplo, liga termos de uma mesma oração; no segundo, liga orações.
Preposições Essenciais - Eis a lista: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, durante, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás. São as que atuam sempre como preposição.
Preposições Acidentais - afora, como, conforme, segundo, consoante, durante, mediante, exceto, fora, menos, salvo, tirante, senão, visto, que. São palavras de outras classes gramaticais que podem funcionar como preposição.
Locuções Prepositivas
Além das preposições essenciais e acidentais, existem também as chamadas locuções prepositivas, que terminam sempre por uma preposição essencial: abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, ao lado de, a par de, apesar de, a respeito de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de, depois de, diante de, embaixo de, em cima de, em frente de(a), em lugar de, em redor de, em torno de, em vez de, graças a, junto a (de), para baixo de, para cima de, para com, perto de, por baixo de, por causa de, por cima de, por detrás de, por diante de, por entre, por trás de, não obstante.
8. Interjeições
São palavras, sem valor sintático, que exprimem estados de espírito, sensações e emoções:
"ai!", "oh!", "socorro!"
9. Conjunções
Palavras ou locuções invariáveis que ligam orações e termos de mesma função sintática estabelecendo relações entre elas.
Dividem-se em dois grupos: coordenativas e subordinativas.
COORDENATIVAS
Aditivas
Tipo: e
Relação: e, nem (= e não), também, que, mas também, mas ainda, como também (depois de não só), mais (na matemática ou em linguagem regional) etc.
Observação:
Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica.
Assim é que, para classificar uma função ou locação conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pelo tipo. Por exemplo, o "que", normalmente explicativa, somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pelo tipo "e":
"Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és".
Alternativas
Relação: ou (repetida ou não), ora, já, quer, seja (repetidas)
Adversativas
Tipo: mas
Relação: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, senão, não obstante.
Observação:
As adversativas, exceto "mas", podem aparecer deslocadas. Nesse caso, a substituição pelo tipo só é possível, se devolvidas ao início da oração:
Esforçou-se muito; não logrou, contudo, êxito.
Esforçou-se muito, contudo (=mas) não logrou êxito.
Conclusivas
Tipo: portanto
Relação: portanto, logo, por isso, por conseguinte, então, pois.
Explicativas
Tipo: porque
Relação: porque, pois, que, porquanto, visto que, já que, uma vez que, como, na medida em que.
SUBORDINATIVAS
Causais
Idem às explicativas. A diferença é a seguinte: será causal se fizer referência a um fato, e explicativa se fizer referência a uma sugestão, ordem ou suposição.
Condicionais
Tipo: se
Relação: se, caso, contanto que, desde que, uma vez que, e, a não ser que, a menos que, salvo se, exceto se, sem que.
Concessivas
Tipo: embora
Relação: embora, conquanto, ainda que, posto que, mesmo que. em que, se bem que, por mais que, por menos que, por muito que, por melhor que, por pior que, nem que.
Conformativas
Tipo: conforme
Relação: conforme, consoante, segundo, como.
Consecutivas
Tipo: que
Relação: que (precedido de "tão", "tal", "tamanho" ou "tanto”), de maneira que, de modo que, de forma que, de sorte que.
Comparativas
Tipo: como
Relação: que, do que (precedidos de "mais", "menos", "maior", “menor", "melhor" ou "pior"), como (precedido ou não de "tão", "tal" ou "tanto”), qual (precedido de "tal"), quanto (precedido de "tanto"), quão (precedido de "tão").
Finais
Tipo: para que
Relação: a fim de que, para que, porque (= para que), que.
Integrantes
Sem valor semântico específico, apenas ligam as orações
Relação: que, se
Observação:
O "que" a o "se" serão conjunções subordinativas integrantes, se a oração por eles iniciada responder à pergunta "Qual é a coisa que ... ?”, formulada com o verbo da oração anterior.
Não sei se se morre de amor.
- Qual é a coisa que não sei?
- Se se morre de amor.
Proporcionais
Tipo: à medida que
Relação: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais... mais, quanto menos... menos.
Temporais
Tipo: quando
Relação: quando, logo que, assim que, depois que, sempre que, antes que, até que, desde que, enquanto, ao tempo que, apenas, mal.
Valor das conjunções
Para lá de importante é ter domínio sobre o valor semântico (o sentido) das conjunções, ou seja, é preciso saber que circunstâncias nos trazem as orações iniciadas por elas, relativamente à idéia expressa na oração à qual estão ligadas. Tais circunstâncias inferem-se, em geral, do próprio nome das conjunções. Por exemplo, na frase: "Estamos bem preparados, portanto teremos um bom desempenho", a conjunção (portanto) é conclusiva, e a oração iniciada por ela (negrito) expressa uma conclusão, decorrente do que se diz na oração anterior, isto é, do fato de estarmos bem preparados.
Assim, as conjunções, além de ligar orações, indicam as seguintes circunstâncias:
Aditiva - adição, soma, acréscimo:
As flores embelezam e perfumam o ambiente.
Alternativa - alternância, escolha, exclusão:
"Ou troteia, ou sai da estrada."
Adversativa - adversidade, oposição, contraste, ressalva, mudança na direção argumentativa:
O Brasil é um país rico, mas os brasileiros são pobres.
Conclusiva - conclusão, conseqüência lógica:
"Penso, logo existo."
Explicativa - explicação, justificativa:
Trabalhemos, porque o trabalho dignifica.
Causal - causa, razão, motivo:
"Estou triste, porque não tenho você perto de mim."
Condicional - condição, hipótese, pré-requisito:
Se a chuva parar, iremos ao jogo.
Concessiva - concessão, quebra de expectativa.
Embora tenhamos pouco tempo, concluiremos o trabalho.
Conformativa - conformidade, concordância, adequação:
Devemos proceder conforme estabelece o regulamento.
Consecutiva - conseqüência, efeito, resultado, produto:
Tem contado tantas mentiras, que ninguém acredita nele.
Comparativa - comparação:
O perfume de jasmim é tão saliente quanto o da rosa é discreto.
Final - finalidade, objetivo, intuito, intenção:
Estudarei esse assunto, a fim de que possa compreendê-lo.
Proporcional - proporção direta ou inversa, simultaneidade, medida:
À proporção que estudava, compreendia melhor o assunto.
Temporal - tempo, momento:
Quando voltares, visita-me.
Integrante - a conjunto integrante inicia uma oração que integra o sentido (além de exercer uma função sintática) de um termo da oração anterior:
Espera-se que venças. (sujeito de "esperar")
A verdade é que vencerás. (predicativo)
Sei que vencerás. (objeto direto de "saber")
Tudo depende de que estudes. (objeto indireto de "depender”)
Tenho medo de que fracasses. (complemento nominal de "medo")
10. Verbo
É a palavra com que se expressa uma ação (cantar, vender) ou um estado (ser, estar).
Nota: Quanto à conjugação e emprego dos tempos, ver "Flexão Verbal".
FLEXÃO NOMINAL
FORMAÇÃO DO PLURAL
1. REGRA GERAL
Em palavra terminada por vogal acrescenta-se "s":
Livro - livros, série - séries, pó - pós, café - cafés.
2. REGRAS ESPECIAIS
a) Regra do "LEÃO e do CIDADÃO ALEMÃO".
No plural, teremos: "Os leões e os CIDADÃOS ALEMÃES. Assim, as palavras terminadas em ÃO:
- trocam ÃO por ÕES (plural mais freqüente: balões, botões, canções, corações... e os aumentativos: casarões, livrões);
- acrescentam "s": cidadãos, cortesãos, cristãos, desvãos, irmãos, pagãos e as paroxítonas terminadas em "ão"(sótãos, órgãos);
- trocam ÃO por ÃES: bastiães, cães, capelães, capitães, catalães, charlatães, escrivães, guardiães, pães, sacristães, tabeliães.
Observação:
Apresentam múltiplos plurais:
alão - alões, alãos, alães;
alazão - alazões, alazães;
aldeão - aldeões, aldeãos, aldeães;
vilão - vilões, vilãos, vilães;
ancião - anciões, anciãos, anciães;
verão - verões, verãos;
castelão - castelões, castelãos;
rufião - rufiões, rufiães;
ermitão - ermitões, ermitãos, ermitães;
sultão - sultões, sultãos, sultães.
b) Regra dos AMORES às GRISES LUZES.
Às terminações R, S ou Z acrescenta-se ES.
Observação:
Paroxítonas e proparoxítonas terminadas em S são invariáveis: os pires, os atlas, os lápis, os ônibus.
c) Regra do - AL, - EL, - OL -UL.
As palavras com essas terminações formam o plural trocando o L por IS: bananais, papéis, faróis, pauis, azuis.
d) Regra do ARDIL do RÉPTIL
As palavras terminadas por IL: oxítonas trocam o L por S (funis, barris); paroxítonas trocam IL por EIS (fáceis, hábeis) .
e) Regra do FOGO nos CORPOS (metafonia)
Na passagem do singular para o plural, há palavras que trocam o timbre fechado da vogal tônica em aberto, como em:
FOGO (ô) - FOGOS (ó) e CORPO (ô) - CORPOS (ó).
É o que acontece com: abrolho, aposto, contorno, caroço, corcovo, corvo, coro, despojo, destroço, escolho, esforço, estorvo, forno, foro, fosso, imposto. jogo, miolo, olho, osso, ovo, poço, porco, posto, povo, reforço, socorro, tijolo, toco, torto, troco, troço.
f) Palavras terminadas em X são invariáveis: os tórax.
3. PLURAL DOS DIMINUTIVOS
Para formar o plural dos diminutivos terminados em ZINHO e ZITO, proceda da seguinte forma:
1º) forme o plural da palavra primitiva;
2º) retire o "s";
3º) acrescente "zinho" ou "zito";
4º) recoloque o "s":
marzinho ......... marezinhos
cãozito .........cãezitos
Assim formamos pãezinhos, florezinhas, anãezinhos, fogõezinhos, anzoizinhos etc.
4. PLURAL DOS COMPOSTOS
Quanto ao plural dos compostos, podemos formular uma regra que é de enorme valor prático. Ei-la:
Em princípio, variam as palavras do composto que forem variáveis isoladamente. São variáveis substantivos, adjetivos e numerais, e são invariáveis verbos, advérbios e prefixos.
Em regra, o verbo é uma classe gramatical variável, mas nos substantivos compostos, não varia. Diferente dos substantivos, adjetivos, artigos, numerais e pronomes, não usa a desinência S para o plural. Para eles, a forma de plural é indicada pela desinência M: compra / compram (apesar de falarmos 'aprendemos').
cartas-bilhetes, amores-perfeitos,
cabras-cegas, segundas-feiras,
guarda-chuvas, sempre-vivas,
grão-duques, bate-bocas,
os ganha-pouco, os pisa-mansinho,
os leva-e-traz, os vai-volta.
Em "guarda-civil", "guarda-noturno" etc., "guarda" é substantivo; portanto, é palavra variável, motivo pelo qual temos "guardas-civis", "guardas-noturnos" etc.
Guarde bem essa regra, mas não se esqueça destas exceções importantes e fáceis de fixar:
Quando o composto contiver preposição, varia apenas o primeiro elemento:
Com a preposição na porta, o "s" não passa.
chapéus-de-sol, pães-de-ló,
pores-de-sol, mulas-sem-cabeça,
cavalos-vapor (a vapor, de vapor), joões-de-barro.
b) Quando o segundo elemento exprime idéia de fim ou semelhança, varia igualmente o primeiro:
navios-escola, salários-família,
peixes-boi, bananas-maçã.
Observação:
Em geral, esses compostos aceitam que se pluralizem ambos os elementos:
navios-escolas, bananas-maçãs, salários-famílias, peixes-bois. (fonte: Houaiss)
c) Pluralizam apenas o último elemento os compostos de dois ou mais adjetivos e os que denotam som de coisas:
médico-cirúrgicos, político-econômicos, luso-brasileiros, reco-recos, tique-taques.
Exceção: surdos-mudos.
Observação:
Os adjetivos compostos variam somente no último elemento também quanto ao feminino:
obras poIítico-econômicas, salas médico-cirúrgicas.
FORMAÇÃO DO FEMININO
Os gêneros das palavras da Língua Portuguesa são o masculino e o feminino, conforme admitam o artigo "o" ou o artigo "a".
Masculino
Há palavras que só têm o masculino: o mar, o livro, o telefone, o papel.
Atenção para estes masculinos: o caudal, o champanha, o dó, o eclipse, o formicida, o grama (unidade de peso), o lança-perfume, o milhar, o pijama, o proclama, o saca-rolhas, o telefonema, o aneurisma, o matiz.
Feminino
Há palavras que só têm o feminino: a mesa, a flor, a luz, a parede.
Atenção para estes femininos: a aguardente, a cal, a dinamite, a faringe, a omoplata, a libido, a entorse, a ênfase e os nomes terminados em "gem" (a ferrugem, a lavagem), exceto personagem, diabetes e usucapião, que podem ser usados no masculino ou no feminino.
Comum de dois gêneros
Há palavras que, sem mudar a forma, tanto servem para indicar o sexo masculino como o sexo feminino, bastando mudar o artigo ou outro determinante; por isso, chamam-se COMUNS DE DOIS:
o artista - a artista, o dentista - a dentista, o jovem - a jovem, o estudante - a estudante, o doente - a doente, o camarada - a camarada, o mártir - a mártir, o selvagem - a selvagem.
Sobrecomum
As palavras que só têm uma forma e um único gênero, mas designam tanto o homem quanto a mulher, são chamadas SOBRECOMUNS:
o cônjuge, a pessoa, o algoz, a testemunha, a vítima, a criança.
Epiceno
Há palavras que, como as sobrecomuns, só têm uma forma o um único gênero, mas servem para designar animais dos dois sexos. São os EPICENOS:
o tigre, o jacaré, a cobra, a pulga.
A distinção, na prática, se necessária, far-se-á da seguinte forma:
o tigre macho, o tigre fêmeo; a cobra macha, a cobra fêmea; ou o macho do tigre, a fêmea da cobra.
Biformes
As palavras que têm uma forma para o masculino e outra para o feminino são BIFORMES. Estas, para a formação do feminino, obedecem a critérios diversos:
1) Terminação "o" - Trocam o "o" por "a":
menino - menina, moço - moça, aluno - aluna, belo - bela.
2) Terminação "ão" - Trocam "ão" por:
"ã": cidadão - cidadã, alemão - alemã, anão - anã, irmão - irmã;
"oa": leão - leoa, leitão - leitoa, patrão - patroa, hortelão - horteloa, tabelião - tabelioa;
"ona": chorão - chorona, pedinchão - pedinchona, valentão - valentona.
3) Terminação "e" - Trocam "e" por "a":
chefe - chefa, gigante - giganta, monge - monja, parente - parenta;
Mas há muitas que são comuns de dois:
o amante - a amante, o cliente - a cliente, o doente - a doente, o habitante - a habitante, o ouvinte - a ouvinte, o servente - a servente, o assistente - a assistente, o superintendente - a superintendente, o viajante - a viajante.
4) Terminação "or", "ês", "l", "z" - Acrescentam "a":
doutor - doutora, professor - professora, freguês - freguesa, inglês - inglesa, zagal - zagala, oficial - oficiala, juiz - juíza
Oficial, como adjetivo, é invariável
5) Não se enquadram nos casos anteriores:
abade – abadessa ateu – atéia
avô – avó barão – baronesa
bispo – episcopisa ('bispa' é forma popular) imperador – imperatriz
jogral – jogralesa judeu – judia
ladrão – ladra maestro – maestrina
conde – condessa cônsul – consulesa
czar – czarina diácono – diaconisa
dom – dona duque – duquesa
embaixador – embaixatriz europeu – européia
felá – felaína frade – freira
galo – galinha grou – grua
guri – guria herói – heroína
ilhéu – ilhoa papa – papisa
pitón – pitonisa poeta – poetisa
príncipe – princesa profeta – profetisa
rajá – rani rapaz – rapariga
rei – rainha réu – ré
sacerdote – sacerdotisa sandeu – sandia
sultão – sultana tabaréu – tabaroa
varão – virago visconde - viscondessa
6) Casos em que o feminino é todo diferente do masculino (heterônimo):
bode – cabra boi – vaca
cão – cadela carneiro – ovelha
cavaleiro – amazona cavalheiro – dama
cavalo – égua compadre – comadre
frei – sóror genro – nora
homem – mulher javali – giranda
marido – mulher padrasto – madrasta
padre – madre pai – mãe
patriarca – matriarca veado – cerva
zangão - abelha
7) Mudam o sentido ao mudar o gênero:
o cabeça (líder) a cabeça (parte do corpo)
o capital (dinheiro) a capital (cidade)
o cisma (separação religiosa) a cisma (suspeita)
o crisma (óleo) a crisma (sacramento)
o cura (padre) a cura (ato de curar)
o lotação (ônibus) a lotação (capacidade)
o moral (ânimo) a moral (decência, ética)
o rádio (aparelho) a rádio (emissora)
o polícia (policial) a polícia (corporação)
o tormento (tortura) a tormenta (temporal)
Nota: O complemento da flexão nominal é a concordância nominal. Queira ver.
FLEXÃO VERBAL
CONJUGAÇÃO
1) Conjugações
Em Português, há três conjugações:
1ª conjugação: Ar
2ª conjugação: Er, Or (poEr)
3ª conjugação: Ir
2) Modos
Há três modos: INDICATIVO, SUBJUNTIVO, IMPERATIVO.
3) Formas Nominais
Há três formas nominais: INFINITIVO, GERÚNDIO, PARTICÍPIO.
4) Tempos
Há, basicamente, três tempos: PRESENTE, PRETÉRITO, FUTURO.
QUADRO GERAL DOS MODOS E TEMPOS
5) Conjugação
a) Formação do Presente do Subjuntivo
BASE: 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.
1ª conjugação
2ª conjugação
3ª conjugação
falf + E
falE
vendf + A
vendA
partf + A
partA
falEs
vendAS
partAS
falE
vendA
partA
falEmos
vendAmos
partAmos
falEis
vendAis
partAis
falEm
vendAm
partAm
Em alguns verbos, o presente do subjuntivo não usa o radical do presente do indicativo. Isso ocorre com os verbos dar, saber, haver, estar, ir, vir e querer (dou / dê, sei / saiba, hei / haja, estou / esteja, vou / vá, sou / seja, quero / queira). Verbos defectivos não possuem conjugação no presente do subjuntivo, pois não possuem a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.
Formação do imperativo.
Presente Indicativo
Imperativo Afirmativo
Presente Subjuntivo
Imperativo
Negativo
amo
—
ame
—
amas
®
ama
ames ®
não ames
ama
ame ¬
ame ®
não ame
amamos
amemos ¬
amemos ®
não amemos
amais
®
amai
ameis ®
não ameis
amam
amem ¬
amem ®
não amem
Exceção: Verbo SER na 2ª pessoa (singular e plural) do imperativo afirmativo, que são, respectivamente, SÊ (tu) e SEDE (vós).
Formação do Pretérito Imperfeito do Indicativo
1ª conjugação
2ª e 3ª conjugações
RADICAL + AVA
cantAVA
RADICAL + IA
corrIA
cantAVAs
corrIAs
cantAVA
corrIA
cantÁVAmos
corrÍAmos
cantÁVEis
corrÍEis
cantAVAm
corrIAm
Conjugação do Pretérito Perfeito do Indicativo
1ª conjugação
2ª conjugação
3ª conjugação
pensEI
comI
partI
pensaSTE
comeSTE
partiSTE
pensOU
comeU
partiU
pensaMOS
comeMOS
partiMOS
pensaSTES
comeSTES
partiSTES
pensaRAM
comeRAM
partiRAM
e) Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo
Três tempos derivam do pretérito perfeito do indicativo: o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, o futuro do subjuntivo e o pretérito imperfeito do subjuntivo. A base para a formação desses tempos é a 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito.
Pret. mais-que-perfeito
Futuro do
subjuntivo
Pret. imperf. do subj.
FIZERAM
fizera
FIZERAM
fizer
FIZERAM
fizeSSE
fizeras
fizerES
fizeSSEs
fizera
fizer
fizeSSE
fizéramos
fizerMOS
fizéSSEmos
fizéreis
fizerDES
fizéSSEis
fizeram
fizerEM
fizeSSEm
f) Derivados do Infinitivo Impessoal
Derivam do infinitivo impessoal o futuro do presente, o futuro do pretérito e o infinitivo pessoal.
Futuro do
presente
Futuro do
pretérito
Infinitivo Pessoal
darEI
darIA
dar
darÁS
darIAs
darES
darÁ
darIA
dar
darEMOS
darÍAmos
darMOS
darEIS
darÍEis
darDES
darÃO
darIAm
darEM
6) Classificação Quanto à Tonicidade
a) Formas rizotônicas: quando a vogal tônica está no radical.
b) Formas arrizotônicas: quando a vogal tônica está na desinência.
7) Classificação Quanto à Flexão
a) Regulares: Quando o radical não sofre variações e as desinências seguem o paradigma.
b) Irregulares: Quando sofrem variações no radical ou quando não seguem as desinências do paradigma (perder, ferir, dar etc.) ou apresentam variações nos dois elementos (trazer).
Observação:
Não são irregulares verbos que trocam letras por exigências ortográficas, como "agir" e "ficar". Alguns verbos irregulares podem apresentar formas regulares, mas não deixam de ser irregulares.
c) Anômalos: São os verbos "ser" e "ir", porque, na conjugação, trocam de radical.
d) Defectivos: Quando não têm certas formas (abolir, falir, reaver, precaver, adequar).
e) Abundantes: Quando possuem duas ou mais formas equivalentes (suspender, entregar, matar).
Observação:
Com os auxiliares TER e HAVER, usa-se o particípio regular. (O diretor tem suspendido muitos alunos.)
Com os auxiliares SER, ESTAR e FICAR, usa-se o particípio irregular. (Os alunos foram suspensos.)
8) Verbo precaver-se
É defectivo; possui apenas as formas arrizotônicas, nas quais é regular e segue a conjugação de vender (precavemos, precaveis). Não deriva de ver, nem de haver, nem de vir. Nas formas inexistentes, é suprido pelo sinônimo prevenir.
9) Verbo requerer
A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo é "requeiro" e, por conseqüência, o presente do subjuntivo fica: requeira, requeiras etc. E assim, os outros tempos derivados.
Conjuga-se como querer no presente do indicativo, no pretérito imperfeito, no futuro do presente, no futuro do pretérito, no presente do subjuntivo e nos dois imperativos.
No pretérito perfeito, no pretérito mais-que-perfeito, no imperfeito do subjuntivo, no futuro do subjuntivo e nas formas nominais, segue a conjugação de vender.
10) Verbo reaver
Conjuga-se como HAVER, mas só nas formas em que há "v" (reavemos, reaveis). Nas formas inexistentes, é suprido pelos sinônimos recuperar e resgatar.
11) Verbos terminados em EAR
Recebem um "i" eufônico nas formas rizotônicas (passeio, passeias, passeia, passeamos, passeais, passeiam).
12) Verbos terminados em IAR (Regra do "Mário")
Os verbos terminados em “iar” são regulares (adio, adias, adia, adiamos, adiais, adiam), exceto MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INTERMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR (Mário), que se conjugam como os verbos terminados em "ear" nas formas rizotônicas (odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam).
13) As Vozes do Verbo
São:
a) ATIVA: Um verbo está na voz ativa, quando o sujeito da oração pratica a ação expressa pelo verbo.
O João comprou um abacaxi.
Nós plantaremos a árvore.
b) PASSIVA: Um verbo está na voz passiva, quando o sujeito da oração sofre a ação expressa pelo verbo. Ocorre apenas com VTDs e VTDIs
A árvore foi plantada por nós.
Um abacaxi foi comprado pelo João.
A voz passiva pode ser:
ANALÍTICA: formada por um dos verbos "ser", "estar", "ficar" seguido de particípio:
A casa foi alugada.
SINTÉTICA ou PRONOMINAL: formada com verbo acompanhado do pronome oblíquo "se", que se chama, no caso, pronome apassivador:
Aluga-se a casa.
Vendem-se flores.
Não se vê um amigo nestas paragens.
REFLEXIVA: Temos a voz reflexiva, quando o sujeito pratica e ao mesmo tempo sofre a ação expressa pelo verbo da oração. Esta voz se forma com o verbo e um dos pronomes: me, te, se, nos, vos:
Eu me feri. Nós nos ferimos.
Tu te feriste. Vós vos feristes.
Ele se feriu. Eles se feriram.
Observação:
É preciso observar bem se o sujeito apenas pratica, apenas sofre ou se pratica e ao mesmo tempo sofre a ação. Comparem-se as seguintes orações:
Paulo nos vendeu a casa.
Paulo foi ferido.
Paulo feriu-se.
No primeiro exemplo, Paulo praticou — e apenas praticou — a ação de vender. No segundo, Paulo sofreu — e apenas sofreu — a ação de ser ferido. No terceiro, Paulo não apenas praticou a ação, como também a sofreu.
14) Mudança de Voz
a) Ativa para passiva analítica
É possível passar a voz ativa de um verbo para a passiva, desde que tenha objeto direto. Bastará, então, transformar o objeto direto em sujeito da oração:
Os cientistas conduzem o desenvolvimento.
(sujeito) (objeto direto)
O desenvolvimento é conduzido pelos cientistas.
(sujeito) (agente da passiva)
Mude a voz, mas não mude o tempo: cuidado importante que se deve dispensar verbo, no sentido de manter o tempo e o modo.
b) Passiva analítica para ativa
Evidentemente, trata-se apenas de inverter o processo anterior.
O atleta foi aplaudido pelo público.
(sujeito) (agente da passiva)
O público aplaudiu o atleta.
(sujeito) (objeto direto)
c) Passiva analítica para passiva sintética ou vice-versa:
Flores são vendidas. (passiva analítica)
Vendem-se flores. (passiva sintética)
Ouviam-se os sinos. (passiva sintética)
Os sinos eram ouvidos. (passiva analítica)
Observe-se que o sujeito não muda.
Com verbos transitivos indiretos, essa transformação é impossível, porque seu complemento tem preposição, exceto com os verbos obedecer e desobedecer, porque antigamente eram transitivos diretos.
Com verbos intransitivos, de ligação e impessoais, a voz é neutra. Primeiro, porque VIs não possuem complemento. Segundo, porque verbos impessoais não possuem sujeito. Terceiro, porque VLs são verbos de estado, não de ação.
15) Emprego do Imperativo
O imperativo serve para ordenar, estimular, suplicar, pedir favores, aconselhar, convidar, recomendar, proibir:
Menino, traga-me aqueles livros.
Vai em frente, jovem, o vencerás.
Ajudai-me, por favor!
Empreste-me uma folha.
Não te esqueças dos livros.
Nota:
Quando empregamos o imperativo, devemos atentar bem para a unidade de tratamento, isto é, o imperativo deverá corresponder à pessoa do tratamento usado e presente nos demais elementos (verbos ou pronomes) relacionados ao ser com quem falamos:
João, faz(e) o favor de baixar tua voz .
Não temais, quando procedeis com honestidade.
Fazei o que vos digo, se quiserdes acertar sempre.
Tu és um crápula. Sai daqui.
Estuda, esforça-te, luta, sê vencedor.
16) Emprego do Futuro do Subjuntivo e Infinitivo Pessoal (diferença)
Muitas ouvimos pessoas dizerem, por exemplo, "Se tu a veres, foge dela", colocando o infinito pessoal onde deveriam colocar o futuro do subjuntivo.
A correção, entretanto, é fácil de fazer.
O futuro do subjuntivo é usado em orações desenvolvidas, normalmente iniciadas por conjunção ou pronome. A conjunção será "se", "quando", "conforme" ou um sinônimo (caso, logo que, assim que, como etc.), e o pronome será "que" ou "quem".
Se tu a vires, foge dela.
Quando puderes, visita-me.
A pessoa que dispuser do tempo pode falar.
Farei conforme quiseres.
O infinito pessoal emprega-se em orações reduzidas, isto é, sem aquelas conjunções ou pronomes:
Ao veres a tentação, foge dela.
Para ser vencedor, você deve evitar as tentações.
SINTAXE
(FUNÇÕES SINTÁTICAS)
Funções do substantivo e do pronome
O substantivo e o pronome (bem como a locução substantiva e a locução pronominal) podem exercer dez funções sintáticas: seis relacionadas ao verbo (sujeito, predicativo, objeto direto, objeto indireto, agente da passiva e adjunto adverbial); quatro não-relacionadas ao verbo (adjunto adnominal, complemento nominal, vocativo e aposto). Em suma, exerce todas as funções sintáticas, exceto a de núcleo do predicado verbal, que só pode ser exercida pelo verbo.
I - DE COMO SE RECONHECE O SUJEITO
Queira ver no capítulo da "Concordância Verbal".
II - DE COMO SE RECONHECE O PREDICATIVO
1º) É necessário que o verbo da oração seja um dos seguintes:
ser, estar, permanecer, ficar, continuar, andar, parecer, virar, viver, tornar-se.
2º) É necessário que haja um elemento não-preposicionado que expresse um estado do sujeito. Tal elemento expressa um estado, quando se pode dizer que ele é igual ao sujeito.
Minha prima continua uma bela moça.
(sujeito) (predicativo)
(Minha prima = uma bela moça)
Minha prima continua o enxoval
(sujeito) (objeto direto)
(Minha prima ¹ o enxoval)
Observação:
O predicativo poderá, eventualmente, estar preposicionado. Isso ocorrerá, quando o elemento preposicionado for substituível, sem quebra de sentido, por um adjetivo.
Ele está com saúde.
(=saudável)
Sua atitude era de respeito.
(=respeitosa)
Nota:
Predicativo não é a mesma coisa que predicativo do sujeito e predicativo do objeto. Essas funções veremos mais adiante.
III - DE COMO SE RECONHECE O OBJETO
Elimine-se, antes de qualquer coisa, a hipótese de haver predicativo, porque, havendo predicativo, não haverá objeto.
Eliminada essa hipótese, será objeto o elemento (preposicionado ou não) que completar o sentido de um verbo de idéia incompleta.
Observem-se os seguintes exemplos:
1º) Para alguns, democracia é sinônimo de desordem.
Não há objeto, porque há predicativo (sinônimo).
2º) O seu amor, um cachorrinho, morreu naquela tarde chuvosa e fria.
Não há objeto, porque o verbo tem sentido completo:
O seu amor morreu.
3º) O hábito não faz o monge.
Paulo gosta da sogra.
Nesses casos "o monge" e "da sogra" são objetos, porque completam o sentido dos verbos "fazer" e "gostar".
O hábito não faz.......
Paulo gosta.......
OBJETO DIRETO: quando não vem precedido de preposição: o monge:
OBJETO INDIRETO: quando vem precedido de preposição: da sobra.
OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO: quando vem precedido de uma preposição dispensável, seja por razões estilísticas ou por exigência do verbo:
O leão matou ao caçador.
(O leão matou o caçador.)
OBJETO PLEONÁSTICO: quando aparece repetido por motivos de ênfase, reforçando a idéia:
Minhas ideias, defendo-as eu.
(Eu defendo minhas ideias)
minhas ideias – objeto direto
as – objeto direto pleonástico
Aos meus comandados, sempre lhes direi a verdade.
(Sempre direi a verdade aos meus comandados.)
aos meus comandados – objeto indireto
lhes – objeto indireto pleonástico
IV - DE COMO SE RECONHECE O AGENTE DA PASSIVA
Será agente da passiva o elemento introduzido pela preposição POR (pelo, pela, pelos, pelas) ou DE (do, da, dos, das) que pratica a ação expressa por um particípio:
Simone foi beijada pelo namorado.
Ele era um palhaço querido das crianças.
Não havendo particípio, é inútil procurar agente da passiva.
V - DE COMO SE RECONHECE O ADJUNTO ADVERBIAL
Recolhidos o sujeito, o predicativo, os objetos e o agente da passiva, na medida em que existam, classificar-se-ão como adjuntos adverbiais todos os substantivos (ou pronomes substantivos) que ainda se referirem ao verbo:
Às duas horas da tarde, comprei um livro de poesias na Livraria dos Jesuítas.
Sujeito: "eu" (subentendido);
Objeto direto: "um livro de poesias";
Adjuntos adverbiais: "às duas horas da tarde" e “na Livraria dos Jesuítas”.
VI - DE COMO SE RECONHECEM O ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLEMENTO NOMINAL
Havendo, na oração, um substantivo (ou um pronome substantivo) antecedido de preposição e não-relacionado ao verbo, ele ou será adjunto adnominal, ou será complemento nominal.
Examine o amigo os exemplos subseqüentes:
Meu tio comprou uma casa de madeira.
(adjunto adnominal)
O medo da morte às vezes faz a vida breve.
(complemento nominal)
Como se vê, "de madeira" e "da morte", além de estarem antecedidos de preposição, não se referem ao verbo. Referem-se, isto sim, às palavras "casa” e “medo", respectivamente.
Se tivéssemos que "chutar" a classificação agora, "chutaríamos" entre adjunto adnominal e complemento nominal, o que nos daria, em cada caso, 50% de probabilidades de acertar.
Entretanto essas possibilidades atingirão o máximo, se atentarmos para as diferenças que existem entre as duas funções.
Ei-las:
ADJUNTO ADNOMINAL
COMPLEMENTO NOMINAL
Refere-se a uma palavra de ideia completa.
Refere-se a uma palavra de ideia incompleta.
É acessório, dispensável.
É integrante, indispensável.
Geralmente, vem precedido da preposição “de” ou “com”.
Pode vir precedido por qualquer preposição.
Encerra ideia de posse, matéria, finalidade ou propriedade. (Veja observação)
Apenas completa o sentido do substantivo, não encerra essas ideias.
Observação:
Mostramos, a seguir, como se deve proceder para reconhecer a idéia:
a) IDÉIA DE POSSE
de = que pertence a
O marido de Josefa. (O marido que pertence a Josefa.)
b) IDÉIA DE MATÉRIA
de = feito de
Casa de madeira. (Casa feita de madeira.)
c) IDÉIA DE FINALIDADE
de = para
Sala de visitas. (Sala para visitas.)
d) IDÉIA DE PROPRIEDADE
de = próprio para ou próprio de
Livro de filosofia. (Livro próprio para filosofia.)
Memória de prodígio. (Memória própria de prodígio.)
É importante observar, por fim, que o adjunto adnominal e o complemento nominal sempre fazem parte de um conjunto que exerce outra função sintática. Assim, em “Meu tio comprou uma casa de madeira”, “de madeira” é adjunto adnominal pertencente ao objeto direto “uma casa de madeira”; em “O medo da morte às vezes faz a vida breve”, “da morte” integra o sujeito “o medo da morte”.
VII - DE COMO SE RECONHECEM O VOCATIVO E, O APOSTO
O vocativo e o aposto têm duas características comuns:
a) não se referem ao verbo;
b) não são preposicionados:
Sois, amigos, o futuro da Pátria! (vocativo)
Chamaco, o jogador, era um artista. (aposto)
As diferenças entre eles:
VOCATIVO
APOSTO
Apresenta ou admite a interjeição "ó".
Não admite a interjeição.
Estamos falando com o ser. (cara a cara, pessoalmente)
Estamos falando sobre o ser. (repórter)
Observação:
O vocativo pode ser deslocado para o início ou para o fim da frase ("Amigos, sois o futuro da Pátria!”), ao passo que o aposto sempre vem no meio da frase, porque sempre acompanha o elemento a que ele serve de explicação.
VIII - PREDICADO
Predicado é tudo o que se diz do sujeito. Logo, o predicado de uma oração será tudo, descontados o sujeito e o conectivo oracional, quando houver.
a) CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO
O predicado pode ser:
NOMINAL: tratando-se de verbo de ligação (ser, estar, permanecer, ficar, continuar, andar, parecer, tornar-se, virar, viver) e havendo relação de igualdade entre o sujeito e o núcleo seguinte:
Helena era uma excelente moça.
VERBO-NOMINAL: tratando-se de qualquer verbo e havendo a possibilidade de desdobramento, sem quebra de sentido da frase, numa locução formada por ele mesmo e um dos verbos da lista anterior:
O guri saiu satisfeito.
(O guri saiu e estava satisfeito.)
Considero o guri inteligente.
(Considero e ele parece inteligente.)
VERBAL:
Em todos os outro casos.
Gostava muito do namorado.
A moça desapareceu.
b) PREDICATIVO, PREDICATIVO DO SUJEITO E PREDICATIVO DO OBJETO
Quando temos um predicado nominal, o predicativo será chamado simplesmente predicativo, porque ele sempre se refere ao sujeito.
Todavia, se o predicado for verbo-nominal, o predicativo será do sujeito, caso se relacione ao sujeito da oração, e será predicativo do objeto, caso se relacione ao objeto da oração.
Assim, nos exemplos "O guri saiu satisfeito" e "Considero Maria inteligente", "satisfeito" é predicativo do sujeito, porque se relaciona a "guri" que, no caso, é sujeito da oração; e "inteligente" é predicativo do objeto, porque se relaciona a "Maria", que, nosso caso, é objeto direto da oração.
Observação:
Tanto o predicativo do sujeito como o predicativo do objeto podem, excepcionalmente, vir precedidos das preposições "de", "em", "para", ou do conectivo "como"; esses elementos, entretanto, não devem ser considerados no desdobramento:
Chamaram-no de mentiroso.
Elegemos aquele homem para nosso chefe.
Ungiram David em rei.
O vigário escolheu Antoninho como sacristão.
C) NÚCLEO DO PREDICADO
Já vimos que predicado é tudo, menos o sujeito, o vocativo (quando houver) e o conetivo oracional.
E qual é o núcleo do predicado?
1º - No predicado verbal, o núcleo é apenas o verbo.
2º - No predicado nominal, o núcleo é apenas o predicativo.
3º - No predicado verbo-nominal, o núcleo é o verbo + o predicativo (do sujeito ou do objeto).
FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ADJETIVO
Sintaticamente, o adjetivo e a locução adjetiva exercem duas funções:
a) Predicativo (predicativo propriamente dito, predicativo do sujeito ou predicativo do objeto) - nas mesmas condições estabelecidas anteriormente:
A realidade é descomunal. (predicativo)
O menino brinca tranquilo. (predicativo do sujeito)
Encontrei minha irmã pensativa. (predicativo do objeto)
Chamaram-no de medroso. (predicativo do objeto)
b) Adjunto adnominal - em todos os demais casos.
Seus olhos verdes me encantam.
Observação:
Os pronomes adjetivos serão sempre adjuntos adnominais, enquanto os pronomes substantivos exercem as funções próprias do substantivo.
FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ARTIGO
O artigo, em análise sintática, só pode ser adjunto adnominal.
FUNÇÕES SINTÁTICAS DO NUMERAL
Os numerais, sintaticamente, têm um comportamento semelhante aos pronomes:
a) quando acompanham (diretamente ou indiretamente) um substantivo, somente poderão exercer a função de adjunto adnominal;
b) quando não acompanham um substantivo, exercem todas as funções deste, nas mesmas circunstâncias:
Dois foram à broca. (sujeito)
Os últimos serão os primeiros. (predicativo)
Ela teve dois. (objeto direto)
Ela gosta dos dois. (Objeto indireto)
Ela era amada pelos dois. (agente da passiva)
Ela saiu com os dois. (adjunto adverbial)
A cara dos dois era modesta. (adjunto adnominal)
Ela era agradável aos dois. (complemento nominal)
FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ADVÉRBIO
Os advérbios, bem como as locuções adverbiais, funcionam única e exclusivamente como adjuntos adverbiais.
FUNÇÕES SINTÁTICAS DA PREPOSIÇÃO
Sintaticamente, as preposições, bem como as locuções prepositivas (que equivalem a uma preposição apenas), pedem exercer duas funções:
a) conectivo vocabular, quando liga dois vocábulos;
b) conectivo oracional, quando liga duas orações.
FUNÇÕES SINTÁTICAS DAS CONJUNÇÕES
As conjunções e as locuções conjuntivas, tal como as preposições, exercem a função de conectivos que ligam palavras (O fumo e a bebida fazem mal) ou orações (Não fumo nem bebo). Têm valor semântico (sentido), com exceção da conjunção integrante, que não têm valor semântico específico, apenas liga as orações.
FUNÇÕES SINTÁTICAS DAS INTERJEIÇÕES
As interjeições e as locuções interjetivas são palavras-frase, caracterizadas como uma estrutura à parte no discurso, não exercem função sintática. Também não exercem função sintática as palavras e locuções denotativas, o pronome apassivador, o índice de indeterminação do sujeito, a parte integrante do verbo e a partícula expletiva (com função apenas estilística: de ênfase, expressividade).
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