Gramática e Cognição

 

 O Sujeito é um dos termos essenciais da oração, é aquele que realiza uma ação ou experimenta uma sensação. Chamado, em Linguística, de Argumento Externo, todos os processos expostos no Predicado se referem a ele.


Em português, o sujeito é marcado no verbo por meio de desinências número-pessoais e pronomes pessoais do caso reto. Como o verbo se refere aos processos do argumento externo, há concordância de número e pessoa.


Para os verbos que denotam ação, frequentemente o sujeito da voz ativa é o Agente, ser que pratica a ação, o da voz passiva é o Paciente, aquele que sofre as consequências de uma ação. Exemplos de sujeitos:


(01) João comprou uma casa. (Agente – o sujeito efetuou uma ação de compra)


(02) A água molhou a todos. (Fonte – semelhante ao agente; a água efetuou uma ação, mas não há controle da ação; a Fonte não tem o domínio da ação como o Agente o tem)


(03) Maria caiu da escada. (Tema – sempre que houver mudança de lugar, de posse, de estado, em frases que descrevem situações dinâmicas)


(04) Crianças gostam de sorvete. (Experienciador – não há nenhuma ação sendo executada, mas ainda assim continua sendo o ente que experimenta uma sensação de ordem psicológica ou sensorial)


 


Tipos de Sujeito

Pode-se identificar o Sujeito como Simples, Composto, Indeterminado, Elíptico (oculto) e Inexistente (oração sem sujeito).


Simples – Possui apenas um núcleo substantivo (que pode ser um substantivo, pronome, numeral ou palavra substantivada).  A quantidade de características a ele atribuídas não o torna composto. Exemplos de sujeito simples:


(05) Margarida comprou um vestido e uma saia.


(06) A pequena casa ficava ao sul.


Composto – É aquele que apresenta mais de um núcleo, dois ou mais substantivos, pronomes, numerais ou palavras substantivadas.


(07) Ana e Rute venderam tudo no sábado.


(08) Pedro, Tiago e João estavam num barquinho.


Indeterminado – É quando não se identifica o agente, quando o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se desconhecer quem executa a ação ou por não haver interesse no seu conhecimento.


Obs.: quatro dicas para identificar um sujeito indeterminado:


Verbo na 3ª pessoa do plural:


(09) Falaram de você. [quem falou?]


Verbo Transitivo Indireto:


(10) Precisa-se de funcionários. [quem precisa?]


Verbo Intransitivo:


(11) Come-se muito bem naquele restaurante. [quem come?]


Verbo de ligação:


(12) Nem sempre se é feliz nessa vida. [quem é feliz?]


Desinencial, implícito, subentendido ou elíptico – Na situação em que o sujeito não vem expresso na oração, mas pode ser facilmente identificado pela desinência do verbo.


(13) Fechei a gaveta. [Quem fechou? – Eu.]


(14) Come toda a comida! [Quem deve comer? – Tu.]


Dizer que a realização é desinencial, elíptico, subentendido ou implícito não equivale a classificar o Sujeito, mas somente determinar a forma como o sujeito simples se apresenta dentro da estrutura sintática. O termo Sujeito Oculto caiu em desuso, porque oculto significa que está escondido. No caso, o sujeito não está escondido, já que se pode determiná-lo através das desinências número-pessoais, e assim indicar o sujeito.

O dicionário Caldas Aulete registra 4 significados para a palavra oculto:
1 - escondido, encoberto; 2 - secreto; 3 - misterioso, sobrenatural; 4 - desconhecido


Inexistente – Há verbos que não admitem sujeitos. Essas orações são caracterizadas pelo verbo estar na terceira pessoa do singular, sobretudo nos seguintes casos:


Todos os fenômenos meteorológicos (trovejar, nevar, escurecer, chover, relampejar, ventar, gear, anoitecer, amanhecer);


Verbo com sentido de existir, acontecer, ocorrer, realizar-se (ter e haver); Verbos que indicam tempo (ser, fazer, haver, estar, ir e passar – indicando tempo).


(15) Choveu muito ontem.


(16) Neva no sul do país.


(17) Anoitece tarde no verão.


(18) Ventou bastante ontem à noite.


(19) Ainda há amigos.


(20) Não haverá aulas amanhã.

Predicado é tudo o que se diz sobre o Sujeito, é tudo que não faz parte do sujeito e o vocativo, quando houver. Sendo assim, a ação desempenhada ou sofrida, ou a experiência do sujeito é o Predicado. Para que haja completude de significado, é necessária a presença de verbos, adjuntos e complementos.


Tipos de Predicado

O predicado pode ter três naturezas:


Verbal, Nominal e  Verbo-nominal.


Verbal:

Para que se possa classificar corretamente como tal, devemos atentar para as seguintes características:


I – Ter um verbo como núcleo;


II – Não possuir predicativo do sujeito;


III – Indicar ação.


Exemplos:


(04) A menina bateu a porta.


(05) Joana comeu todo o macarrão.


(06) Os homens trabalham durante o dia e dormem à noite.


Nominal:

É caracterizado por:


I – Ter um Nome (substantivo, adjetivo, pronome, numeral ou termo substantivado) como núcleo;


II – Verbo de ligação mais predicativo do sujeito;


III – Indicar estado ou qualidade atribuído a um sujeito.


Exemplos:


(07) Pedrinho é muito arteiro.


(08) Estas moças são muito bonitas.


(09) Eles são ricos.


Para não esquecer!!!!!


O Predicativo do Sujeito é aquele que CARACTERIZA o Sujeito quando há verbo de ligação entre eles, por exemplo:


A – Adjetivo ou locução adjetiva:


(10) Jeanne é jovem. (jovem= adjetivo)


(11) Este arroz está sem sabor. (sem sabor = locução adjetiva)


B – Substantivo ou palavra substantivada:


(12) Este quadro parece um cachimbo. (cachimbo = substantivo)


(13) Crescer é um eterno recomeçar. (recomeçar = verbo substantivado)


C – Pronome Substantivo:


(14) Meu boletim é esse. (esse = pronome substantivo)


D – Numeral:


(15) Eles são seis ao todo. (seis = numeral)


Verbo-nominal:


Pode ser caracterizado por:


I – Possui dois núcleos: um verbo e um nome;


II – Possui predicativo do sujeito ou do objeto;


III – Indica ação ou atividade do sujeito e uma qualidade;


IV – Na fusão dos dois predicados, o verbo de ligação fica subentendido.


Exemplo:


(16) Os meninos saíram de casa satisfeitos.


Estrutura do Predicado Verbo-Nominal


O predicado verbo-nominal pode ser formado por:


Verbo Intransitivo + Predicativo do Sujeito


(17) Laura saiu contente.


Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Objeto


(18) A despedida deixou a mãe aflita.


Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Sujeito


(19) Os candidatos cantaram emocionados aquela canção.

Quando o verbo é intransitivo ou de ligação, o predicativo é sempre do sujeito. Quando o verbo é transitivo, pode haver predicativo do sujeito ou do objeto.

Se não houver verbo de ligação, o predicado é sempre verbal. Se houver predicativo do sujeito, o predicado pode ser nominal ou verbo-nominal. Se houver predicativo do objeto, o predicado é sempre verbo-nominal.

Dica de memorização:

Há verbo de ligação?

Predicado verbal - não

Predicado nominal - sim

Predicado verbo-nominal - não explícito

Há predicativo?

Predicado verbal - não

Predicado nominal - sim

Predicado verbo-nominal - sim

Há verbo de ação?

Predicado verbal - sim

Predicado nominal - não

Predicado verbo-nominal - sim



 Complemento Verbal é o nome dado ao termo que completa o sentido do verbo. Geralmente ficam à direita do verbo, no final da frase. Por ser um complemento, sua ausência na frase prejudica o entendimento do enunciado. Somente em casos muito específicos, pode-se omitir essa informação.


Complemento Verbal: principais características

Há dois tipos básicos de Complementos Verbais: Objeto Direto e Objeto Indireto.


Objeto Direto: Elemento, definido ou não, que é selecionado pelo predicador verbal, geralmente, sem preposição. Normalmente é a resposta para “O que X Y?”, considerando X o sujeito e Y o verbo. Vejam as frases abaixo:

Eu joguei a bola para as crianças. (O que eu joguei? A bola.)


Entreguei o livro ao professor. (O que eu entreguei? O livro.)


Os voluntários serviam sopas nas noites frias. (O que os voluntários serviam? Sopas.)


Objeto Indireto: Elemento que necessita de preposição e é exigido pelo verbo. Assim como o Complemento Nominal, o Objeto Indireto sempre é preposicionado, mas este completa o sentido do Verbo.

 Eu joguei a bola para as crianças.

Entreguei o livro ao professor.

Fizeram-lhe uma festa surpresa.

A preposição mais comum é a (em alguns casos, para). Deve denotar um ser animado ou concebido como tal. Expressa o sentido de “beneficiário”, “destinatário”. Pode ser substituído pelo pronome pessoal objetivo lhe/lhes.


Eu joguei a bola para as crianças. // Eu lhes joguei a bola.

Entreguei o livro ao professor. // Entreguei-lhe o livro.

Fizeram uma festa surpresa para ela. // Fizeram-lhe uma festa surpresa.

Pode ser introduzido por outras preposições: de, em, para, por, contra, etc.

CUIDADO!!

O gramático Rocha Lima chama a atenção para um equívoco de se chamar qualquer elemento preposicionado de Objeto Indireto. Quando não podemos substituir o termo preposicionado por lhe/lhes, este será chamado de Complemento Relativo, outros autores chamam de Objeto Indireto mesmo. Vejamos os exemplos abaixo:


Gosto de você.


Ele assistiu ao jogo.


Preciso de ajuda.


 Se, numa prova, não houver a opção Complemento Relativo, os termos destacados acima devem ser considerados como Objetos Indiretos.

Complemento Verbal especial: Objeto Direto preposicionado

Há casos em que o complemento verbal é um elemento preposicionado com função de objeto direto. O exemplo mais característico é:


Amar a Deus sobre todas as coisas.


A preposição “a” geralmente explicita o contraste entre o Sujeito e o Complemento Verbal. Encontramos o Objeto Direto preposicionado principalmente:


a) quando se trata de pronome oblíquo tônico (uso obrigatório):


“Nem ele entende a nós, nem nós a ele”.


b) quando, principalmente nos verbos que exprimem sentimentos ou manifestações de sentimento,  se deseja aumentar a estima por alguém ou ser personificado:


Amar ao próximo como a si mesmo.


Consolou aos amigos.


c) quando se deseja evitar ambiguidade, principalmente nos casos de:


1) inversão (o objeto direto vem antes do sujeito):


A Abel matou Caim.


2) comparação:


“Isto causou estranheza e cuidados ao amorável Sarmento, que prezava Calisto como a filho“.


Obs.: Sem preposição poder-se-ia interpretar filho como sujeito: como filho preza; todavia, o uso da preposição neste caso não é gramaticalmente obrigatório.


d) na expressão de reciprocidade – um ao outro, uns aos outros:


Conhecem-se uns aos outros.


e) com o pronome relativo quem:


Conheci a pessoa a quem admiras.


f) nas construções paralelas com pronomes oblíquos (átonos ou tônicos) do tipo:


“Mas engana-se contando com os falsos que nos cercam. Conheço-os, e aos leais”.


g) nas construções de objeto direto pleonástico, sem que constitua norma obrigatória, com valor partitivo e com o nome próprio Deus:


“Ao ingrato, ou não o sirvo, porque (para que) me não magoe”.


Comi do bolo. (parte) / Comi o bolo. (tudo)


Adorar somente a Deus.

O Complemento Nominal é termo preposicionado que especifica um Nome, ou Sintagma Nominal. Vamos considerar um Nome os substantivos, os adjetivos e os advérbios. Complementos nominais são SEMPRE preposicionados. Na maioria das vezes, tem um substantivo de mesmo radical ou sentido.


A resolução do diretor. (o diretor resolve)


A prisão do criminoso pela polícia. (prender o criminoso)


A remessa dos livros. (remeter os livros)


A resposta ao crítico. (responder ao crítico)


A ida a Petrópolis. (ir a Petrópolis)


O assalto pelo batalhão. (assaltar o batalhão)


Complemento Nominal: principais características

Podemos listar três características mais evidentes:


a) Posição à direita do núcleo;


b) Inexistência de pausa;


c) Introdução por preposição.


Não se pode inverter a posição do núcleo do sujeito, deixando o complemento anteposto ao núcleo. Ainda utilizando os exemplos acima, vejam como ficam muito estranhas.


A resolução do diretor foi importante. // Do diretor a resolução foi importante.


A prisão do criminoso pela polícia pareceu correta. // Do criminoso a prisão pela polícia pareceu correta.


A remessa dos livros chegou atrasada. // Dos livros a remessa chegou atrasada.


A resposta ao crítico não soou como esperado. // Ao crítico a resposta não soou como esperado.


A ida a Petrópolis encantou a todos. // A Petrópolis a ida encantou a todos.


O assalto pelo batalhão dizimou a todos. // Pelo batalhão o assalto  dizimou a todos.


Fica parecendo o tipo de frase que o Mestre Yoda (Star Wars) diria, mas nada comum no Português, muito menos no Brasil.


Note-se que não há marcação de pausa, nem na escrita nem na pronúncia.  Já que é um completam o sentido do núcleo do sintagma, não pode haver vírgulas, travessões, nem qualquer outra interrupção.


A resolução, do diretor, foi importante. (errado) // A resolução, do diretor foi importante. (mais errado ainda)


A prisão, do criminoso, pela polícia pareceu correta. (errado) // A prisão, do criminoso pela polícia pareceu correta. (mais errado ainda)


A remessa, dos livros, chegou atrasada. (errado) // A remessa, dos livros chegou atrasada. (mais errado ainda)


A resposta, ao crítico, não soou como esperado. (errado) // A resposta, ao crítico não soou como esperado. (mais errado ainda)


A ida, a Petrópolis, encantou a todos. (errado) // A ida, a Petrópolis encantou a todos. (mais errado ainda)


O assalto, pelo batalhão, dizimou a todos. (errado) // O assalto, pelo batalhão dizimou a todos. (mais errado ainda)


Nenhum complemento nominal vem desacompanhado de uma preposição… Ponto!


DICA!

Não se deve pensar em agramaticalidade na falta do termo para diferenciar Complemento Nominal de Adjunto Adnominal. Há frases muito difíceis de compreender na falta de certos Adjuntos, por exemplo:


Noites claras prenunciam bom tempo. // *Noites prenunciam bom tempo.


Esta manhã prometia chuva. // *Manhã prometia chuva.


Complemento e Adjunto podem ser realizados sob forma oracional, por exemplo:


Adjunto:


A casa comprada está perto da cidade.


A casa que comprei está perto da cidade.


Complemento:


O desejo de tua vitória é constante.


O desejo de que venças é constante.

Antes de falar propriamente do Agente da Passiva, vamos rever alguns pontos importantes sobre a estrutura de uma frase. Em língua portuguesa, a ordem natural dos elementos frasais é


Sujeito + Verbo + Objeto Direto + Objeto Indireto + Adjuntos


Essa ordem não é fixa, por isso usamos vírgulas para marcar deslocamentos, por exemplo. A Voz Ativa é a que segue esse padrão, “alguém faz alguma coisa a outra pessoa num determinado momento/de uma certa maneira/etc…”


Agente da Passiva: conceitos gerais

Lembrando do que foi dito sobre Sujeito, agora temos que ter em mente a diferença entre Agente e Paciente. Agente é aquele que pratica voluntariamente uma determinada ação, e o Paciente é o que sofre os efeitos da mesma.


Vejam os exemplos abaixo:


(01) João matou Pedro.


(02) Maria e Gabriela compram duas fatias de torta.


(03) A casa é vendida.


(04) As casas são vendidas.


Em (01) e (02), temos um Sujeito – agente – e um Complemento Verbal – paciente. No primeiro caso, se alterarmos a posição linear do Sujeito com o Objeto Direto, teremos a alteração total do significado, ao passo que a segunda oração é logicamente impossível.


(05) Pedro matou João.


(06) Duas fatias de torta compraram Maria e Gabriela.*


Em (01) João é o matador, mas foi morto em (05), em (06) a menos que você esteja em uma peça de teatro, não existe a possibilidade de duas fatias de torta adquirir vida e comprarem seres humanos. Como disse, não há esquemas fixos na língua e o falante pode mudar (de forma já prevista na língua) a ordem desde que o significado se mantenha.


(07) Pedro foi morto por João.


(08) Duas fatias de torta foram compradas por Maria e Gabriela.


Agente da Passiva e Voz Passiva

Agora temos em (07) e (08) a mesma informação base de (01) e (02), porém o destaque está na pessoa morta e na coisa comprada. Desde o Latim, o que vem primeiro é o mais importante para o discurso. Em (01) o matador é o foco, mas em (07) o morto passa a ser o centro das atenções. O Agente de (01) passa a Agente da Passiva em (07) e o Paciente de (06) passa a Sujeito em (07).


O processo de transformação da Voz Ativa para a Voz Passiva é:


Voz Ativa: Sujeito + Verbo + Objeto direto


Voz Passiva: Sujeito (antigo OD) + ser/estar (verbo auxiliar conjugado no tempo que o verbo central estava na V.A.) + Verbo Principal no Particípio + preposição “por” + Agente da Passiva (antigo Sujeito)


Ex.:


Voz Ativa:


(01) João matou Pedro.


(02) Maria e Gabriela compram duas fatias de torta.


Voz Passiva:


(07) Pedro foi morto por João.


(08) Duas fatias de torta foram compradas por Maria e Gabriela.


Até aqui tá tudo bem… mas e o caso de (03) e (04)?


Repararam que temos um sujeito + verbo “ser” + particípio? Pois é, isso é o que chamamos de Voz Passiva Analítica, como em (07) e (08), mas esse caso é particular por não ter um agente da passiva. Quando não se sabe o sujeito da oração na voz ativa, não há agente da passiva.


(09) Vende casa. (alguém, não sei quem, vende casa)


(10) Vendem casas. (pessoas, não sei quais, vendem casas)


Em (09) e (10) o fato de não se saber quem faz a ação leva a produzir (03) e (04), esse tipo de oração pode ser reescrita sob a síntese:


(11) Vende-se casa.


(12) Vendem-se casas.


CUIDADO!!!

A forma sintética é muito utilizada e por vezes confundida com Sujeito Indeterminado. Justamente pelo fato de “casas serem vendidas” é que “vendem-se casas”. Se na forma analítica o sujeito paciente e o verbo principal estão no plural, na forma sintética não pode ser diferente. Por isso que a frase abaixo é agramatical, por haver incoerência no processo de formação da frase. Quando há voz passiva sintética, o verbo é transitivo direto, o verbo concorda com o sujeito, a frase admite a conversão para a voz passiva analítica. Quando o sujeito é indeterminado, o verbo fica no singular, a frase não admite conversão, porque já está na voz ativa. Normalmente, há uma preposição, advérbio ou adjetivo após o verbo.


(13) Vende-se casas* = Casas é vendida*



 No latim, ad quer dizer junto, então o Adjunto Adnominal seria o “junto junto junto do nome”, ou seja, é uma palavra ou expressão que fica perto do Nome (substantivos, adjetivos, etc.). Diferente do Complemento Nominal, ele não complementa nada, ele DETERMINA a palavra ou expressão. São adjuntos os Adjetivos, Locuções Adjetivas, Artigos, Pronomes Adjetivos e Numerais Adjetivos.


 Adjunto Adnominal: usos e características

 O jovem valoroso é um bravo guerreiro.


A linda mulher ruiva passou apressadamente.


Três ovos caíram no chão.


A menina que vem e que passa.


 Os determinantes estão, em geral, representados pelas seguintes classes de palavras: adjetivo, artigo e pronome demonstrativo ou equivalentes de adjetivos (estes veremos adiante):


Noites claras prenunciam bom tempo.

O livro está esgotado.

Esta manhã prometia chuva.


Na sequência de determinantes, aparecem como pré-determinantes, à esquerda do determinante, as palavras que podem receber globalmente o nome de Quantificador (algum, certo, vários, todo, todos, qualquer, alguns (de), vários (de), etc.):


Alguns bons momentos são inesquecíveis.

Todos os alunos saíram.

Alguns de nós não foram à festa.


Aparecem como pós-determinantes, isto é, as palavras que ocorrem à direita do determinante, e do pré-determinante, o pronome possessivo e o numeral:


Os seus livros não estavam na estante.

Aqueles dois erros eram graves.

Vários de meus sobrinhos são engenheiros.

Aqueles dois seus vizinhos trabalham no comércio.


DICA!

Repara, o sujeito é tudo (“o jovem valoroso”, “a linda mulher ruiva”, “três ovos”), mas os elementos periféricos ao núcleo não complementam, eles determinam, delimitam, especificam a informação sobre o núcleo do sujeito. Há situações em que o Adjunto Adnominal aparece com preposição, muito parecido com Complemento Nominal. Dica que pode ajudar: substitua o conjunto “preposição + substantivo” por um único adjetivo. Se conseguir, é Adjunto Adnominal; caso contrário, é Complemento Nominal.


Exemplo:


Homem de coragem (corajoso)


Pão com manteiga (amanteigado)


Jovem de valor (valoroso)


Maria tem medo de aranha. (?)


Ferdinando estava ciente do ocorrido. (?)


A banca decidiu favoravelmente aos candidatos. (?)


Pode haver vários adjuntos adnominais:

Foi socorrido pelos dois médicos do hospital. - no agente da passiva

núcleo - médicos

os - artigo

dois - numeral adjetivo

do hospital - locução adjetiva

As nossas primeiras experiências científicas falharam. - no sujeito

núcleo - experiências

as - artigo

nossas - pronome possessivo adjetivo

primeiras - numeral adjetivo

científicas - adjetivo

No latim, ad quer dizer junto, então o Adjunto Adverbial seria o “junto junto junto do verbo”, ou seja, é uma palavra ou expressão que fica perto do Verbo, mas é totalmente diferente de Complemento Verbal. Usado para indicar uma circunstância dando ideia de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, etc.


Adjunto Adverbial: tipos e características

Sabendo que a classificação do adjunto adverbial se relaciona com a circunstância por ele expressa, podem ser classificados como:


Acréscimo

Além da fadiga no corpo inteiro, sentia dor no braço.


Afirmação

Sim, realmente vou amanhã.


Eu irei com certeza.


Assunto

Falávamos sobre política. (de política, ou a respeito de política).


Causa

Com o calor, o poço secou.


Não comentamos nada por discrição.


O menor trabalha por necessidade.


Companhia

Fomos ao parque com sua irmã.


Com quem você saiu ontem?


Sempre estarei contigo.


Concessão

Apesar do estado precário do gramado, o jogo foi ótimo.


Condição

Sem minha autorização, você não passará pela portaria.


“Sem erros, não há acertos.”


Sem dor, não há ganhos.


Conformidade

Fiz tudo conforme diz a Lei.


Dúvida

Talvez seja melhor não sairmos tarde.


Porventura, encontraram uma saída?


Quiçá acertemos da próxima vez.


Finalidade

Ela vive para o amor.


Estudou para a prova.


Trabalho para seu sustento.


Viajarei a negócios.


Frequência

Sempre aparecia de mãos vazias.


Marcavam reuniões todos os dias.


Instrumento

O corte deve ser feito com um estilete.


O guerreiro apontava com a espada.


Intensidade

A atleta corria bastante.


O aparelho custa muito caro.


Limite

A menina andava correndo do quarto à sala.


Lugar

Nasci em Portugal.


Estou em casa.


Vivo nos Alpes.


Viajaram para o interior.


Matéria

Compunha-se de substâncias estranhas.


Parecia feito de aço.


Meio

Fomos de avião.


O pacote chegou de trem.


Enriqueceram mediante fraude.


Modo

Foi escolhido a dedo.


Fiquei à vontade.


Esperava tranquilamente a morte chegar.


Negação

Não há muitos erros nesse trabalho.


Não assinarei o contrato de maneira nenhuma.


“Se você demorar, eu não vou te procurar.”


Preço

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. (Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)


As casas nesta região custam muito caro.


Substituição ou troca

Troquei o pão pelo bolo.


Tempo

O restaurante fecha às 18:30.


Faço aniversário em Janeiro.


Ontem à tarde encontrei uma velha na estrada.


O show começará a qualquer momento.


De vez em quando, vou à academia.


Ninguém confia nos políticos hoje em dia, no Brasil.


 


CUIDADO!!!!

Não se deve confundir Adjunto Adverbial com Complemento Circunstancial!


Se o verbo for intransitivo, mas há necessidade de um termo preposicionado que complemente seu significado, este será conhecido como Complemento Circunstancial (Rocha Lima, 1957). Diferente do Adjunto Adverbial, o Complemento Circunstancial é exigido pelo verbo sob risco de a ausência desse elemento prejudicar a compreensão da frase. Normalmente, as gramáticas tradicionais consideram tudo como Adjunto Adverbial.


Exemplo:


Chegaram à cidade sãos e salvos.

Ficamos ao lado da igreja.

Voltou à terra natal.

O avião procede de Manaus.


Se não houver a opção Complemento Circunstancial no concurso, os termos devem ser classificados como Adjuntos Adverbiais.


Também temos que distinguir o Advérbio do Adjunto Adverbial. Advérbio é a classe gramatical de uma série de palavras, Adjunto é uma função sintática.

Aposto, lê-se [apôsto] para diferenciar de [apósto], do verbo apostar, de apóstrofo (sinal gráfico), apóstrofe (figura de linguagem) e apóstolo (cada um dos doze discípulos de Jesus), no plural fica [apóstos], é um termo acessório, pois MODIFICA substantivos ou pronomes. Serve para explicá-los com informações sintaticamente desnecessárias, mas semanticamente são importantes para a compreensão da frase.


A seguir, temos alguns exemplos de apostos.


“O rio Amazonas deságua no Atlântico”.


Marisa, pessoa boníssima, é muito bonita e fala bem.


Comprei de tudo: bolsas, sapatos, colares e muito mais.


“As estrelas, como grandes olhos curiosos, espreitavam através da folhagem”.


A classificação de Aposto, dada por Bechara (2009), é que esse pode ser especificativo ou explicativo. Se for especificativo, terá “aparência” de adjetivo, normalmente é um nome próprio de pessoa ou lugar e não se separa do termo modificado; caso funcione como explicador do termo que se refere, há separação por vírgula, dois-pontos, parênteses ou travessão.


1 - Faço aniversário no mês de junho. (aposto, porque há uma relação de igualdade: junho = mês)

2 - As festas de junho são muito populares na região Nordeste. (adjunto adnominal, porque tem função adjetiva: festas de junho = juninas)


Dentro do tipo explicativo temos três subcategorias


1 – Aposto enumerativo

Para ser considerado ser vivo deve-se atender a quatro características: Nascer, crescer, reproduzir-se e morrer.


Tudo – alegrias, tristezas, preocupações – ficava estampado logo no seu rosto.


Duas coisas o encorajavam, a fé na religião e a confiança em si.


“Duas cousas se não perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia”


2 – Aposto distributivo

Pelé e Maradona, um pelos brasileiros e o outro pelos argentinos, são considerados os melhores jogadores de futebol.


Machado de Assis e Gonçalves Dias são os meus escritores preferidos, aquele na prosa e este na poesia.


Um no automobilismo, outro no futebol, Senna e Pelé marcaram um período de ouro no esporte brasileiro.


3 – Aposto circunstancial (do tipo comparação, tempo, causa, etc.):

D. Pedro II, quando imperador do Brasil, agiu com grande esperteza.


O Papa, na qualidade de chefe de Estado, recebeu honrarias militares.


Mal. Deodoro, como general, era implacável.


O aposto pode ser transformado em Oração Subordinada Substantiva Apositiva como em:


Só digo uma coisa: que hoje você não dorme aqui.

Vocativo é um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração, não é nem sujeito nem predicado nem nada. É um termo independente da oração. Só serve para atrair a atenção do interlocutor, invocando-o, pondo-o em evidência.


Não grite, Carlos.


Senhoras e senhores, por favor deem uma salva de palmas para o nosso anfitrião.


“Pai, afasta de mim esse cálice” (Cálice – Chico Buarque)


Nessas orações, os termos destacados indicam e nomeiam o interlocutor a quem se dirige a palavra e só. Pode ser antecedido por interjeições de apelo, por exemplo: ó, olá, eh!, etc.


“Fulguras, ó Brasil, florão da América” (Hino Nacional Brasileiro)


Olá gente bonita, tudo bem?


Eh! Gente, temos que estudar mais.


Vocativo vem do latim vocare, que significa chamar.



 Neste artigo, vamos começar uma série sobre Morfologia e o primeiro assunto é Substantivo, uma classe de palavras bastante produtiva na língua portuguesa. Vamos ver os seus principais conceitos; como classificar os substantivos em Concretos e Abstratos; como diferenciar aqueles que são Comuns, Próprios e os coletivos; os meios de expressão do gênero; como o número, plural e singular, ocorre nesse tipo de classe e a graduação dos substantivos, Diminutivo, Aumentativo e Superlativo.


SUBSTANTIVO: CONCEITOS GERAIS

Substantivo é, por definição, a palavra que nomeia os seres em geral. Tudo aquilo que tiver substância (essência) pode ser considerado um substantivo. Todos os seres animados e inanimados são substantivos. Pessoas, animais, utensílios, sentimentos, todos esses são considerados Substantivos.


SUBSTANTIVO: CONCRETOS E ABSTRATOS

São chamados Substantivos Concretos aqueles que designam seres cuja existência é independente, ou assim considerados. Não importa se estes são observáveis no mundo real ou não, materiais ou espirituais.


São chamados Substantivos Abstratos aqueles que designam nomes de qualidades, ações ou estados. Não confundir com Adjetivos!


Pertencem ao conjunto dos Concretos os nomes que indicam:


Pessoas: Marcelo, Valentina, Evangelina, Ângela, professora, médico.

Animais: cavalo, águia, tigre, cão, boi, mosquito.

Vegetais: árvore, planta, vitória-régia, rosa.

Objetos: livro, mesa, faca, lápis.

Lugares: Brasil, Paris, Ipanema, Terra, Lua.

Entidades: diabo, alma, fada, lobisomem, saci.

Minerais: água, ouro, cobre, mercúrio, chumbo.

Fenômenos: chuva, nevoeiro, vento.

Instituições: parlamento, dinheiro, tribunal.

Concepções: círculo, algarismo, símbolo.

Pertencem ao grupo dos Abstratos os nomes que indicam:


Qualidades: formosura, tristeza, bondade, palidez, desdém, ira, coragem, ódio, inteligência, pessimismo, frio, calor.

Ações: adoração, agradecimento, resolução, vingança, casamento, encontro, zombaria, caça.

Estados: morte, vida, sonho, cegueira.

Tudo que for ação, qualidade ou sentimento será abstrato, o que sobrar disso será concreto. Vejamos um exemplo com a palavra internet:

Você já deu uma internetada em alguém?

Você já sentiu uma internet por alguém?

Você já disse: você está internet hoje?

Não, porque internet não é ação, qualidade nem sentimento. Então, não pode ser abstrato. Só pode ser concreto.

SUBSTANTIVO: COMUNS, PRÓPRIOS E COLETIVOS

Os Substantivos, ou Nomes, Comuns descrevem o ser de modo bem genérico, por exemplo: flor, homem, mulher, casa, bairro, novela, filme, programa de TV, remédio, etc. Os Nomes Próprios descrevem apenas um único ser. Esse indivíduo recebe uma única palavra para descrevê-lo, por exemplo: Pedro, Viaduto Engenheiro Oscar Brito, Parque do Ibirapuera, Vale a Pena Ver de Novo, Laços de Família, Como se Fosse a Primeira Vez, Tylenol. Os Nomes Comuns podem descrever um grupo, dada sua generalização, mas os Coletivos descrevem sempre um conjunto homogêneo de indivíduos. Os Coletivos sempre representam a massa, sendo esta indeterminada ou determinada.


Os Coletivos Indeterminados Gerais não aludem à quantidade dos seres da coleção. Eles se parecem com os  Comuns, mas expressam um todo. Exemplo: exército, a totalidade dos militares integrantes dessa Força Armada. Os Coletivos Indeterminados Partitivos expressam uma parte de um todo. Exemplo: batalhão, parte do exército.

Os Coletivos Determinados, por sua vez, referem-se à quantidade ou à qualidade dos integrantes da coleção. Se à primeira, chamam-se Numéricos, exemplo: par, casal, terno, dúzia, dezena, grosa, centena, milheiro. Se à segunda, especiais. Quando se diz, por exemplo, cardume, não há como pensar de imediato que está sendo feita menção a abelhas, cardume é um agrupamento de peixes.


O Coletivos Determinados Especiais mais comuns:

acervo — de obras de arte

alavão — de ovelhas leiteiras

alcateia — de lobos

armento — de gado grande (búfalos, elefantes, etc.)

arquipélago — de ilhas

assembleia — de parlamentares, de membros de associações,companhias, etc.

batalhão — de soldados, de pessoas em geral

baixela — de objetos de servir à mesa

banca — de examinadores, de advogados

banda — de músicos

bandeira — de garimpeiros, exploradores de minérios

bando — de aves, de ciganos, de salteadores

boana — de peixes miúdos

cabido — de cônegos (como conselheiros de bispo)

cacho — de uvas, de bananas

cáfila — de camelos

cambada — de caranguejos, de malvados, de chaves, etc.

cancioneiro — de poesias, de canções

caravana — de viajantes

cardume — de peixes

choldra — de assassinos, de malfeitores

chusma — de pessoas da plebe, de criados

clientela — de clientes

clero — de sacerdotes

cinemateca — de filmes

confederação — de estados

conselho — de vereadores, de diretores, de juizes militares

conciliábulo — de feiticeiros, de conspiradores

concílio — de bispos convocados pelo Papa

conclave — de cardeais (para o fim exclusivo de eleger o Papa)

congregação — de professores, de religiosos

congresso — de senadores e deputados, de cientistas, de especialistas

consistório — de cardeais (sob a presidência do Papa, para tratar de interesses da Igreja)

constelação — de estrelas

corja — de vadios

elenco — de atores

enxoval — de roupas e complementos

esquadra — de navios de guerra

esquadrilha — de aviões

fato — de cabras

fauna — conjunto dos animais de uma região

flora — conjunto dos vegetais de uma região

feixe — de capim, de lenha

frota — de navios mercantes, de ônibus, de táxis

girândola — de fogos de artifício

hemeroteca — de jornais e revistas

hinário — de hinos

junta — de bois, de médicos, de credores, de examinadores

legião — de soldados, de anjos, de demônios

malta — de desordeiros

manada — de bois, de elefantes

matilha — de cães de caça

matula — de desordeiros, de vagabundos

mobília — de móveis

ministério — de ministros

ninhada — de pintos

nuvem — de gafanhotos, de pó

penca — de bananas, de chaves

quadrilha — de bandidos, de ladrões

rebanho — de ovelhas, de gado em geral

récua — de cavalgaduras

réstia — de alhos, de cebolas

repertório — de peças teatrais

resma — de papel

revoada — de pássaros

súcia — de pessoas desonestas

sínodo — de religiosos reunidos

senzala — de escravos

sistema — de órgãos

talha — de lenha

universidade — de faculdades

vara — de porcos

vocabulário — de palavras

Existem coletivos que se referem a:

unidades de tempo: tríduo (3 dias), semana (7 dias), novena (9 dias), trezena (13 dias), quinzena (15 dias), mês (28, 29, 30 ou 31 dias), quarentena (40 dias), bimestre (2 meses), trimestre (3 dias), semestre (6 meses), ano (12 meses), biênio (2 anos), triênio (3 anos), quadriênio (4 anos), lustro (5 anos), década (10 anos), século / centenário (100 anos), milênio (mil anos), sesquicentenário (150 anos)

quantidades: par (2), trinca (3), quina (5), dezena (10), dúzia (12), centena (100), milhar (mil), decálogo (10 - leis ou mandamentos), resma (500 - folhas de papel)

versos: monóstico (1), dístico (2), terceto (3), quarteto (4), quintilha (5), sextilha (6), septilha (7), oitava (8), nona (9), décima (10)

Para o conjunto de três seres ou coisas, também podem ser usadas - tríade, terno, trilogia, trio, trindade.

A palavra quarentena costuma ser usada para o isolamento de pessoas ou animais por um determinado intervalo de tempo, não necessariamente de quarenta dias.

Atenção para “junta”, “manada” e “bando”, pois devem ser seguidos da especificação do coletivo em questão. Exemplo: junta de médicos, junta de bois, junta de examinadores; manada de elefantes, manada de búfalos;  bando de aves, bando de ciganos, bando de ladrões, etc.


SUBSTANTIVO: GÊNERO

A Língua Portuguesa possui apenas dois gêneros gramaticais, ou a palavra é masculina ou ela é feminina. Não quero entrar no assunto de representatividade de gênero social, a questão aqui não é o sexo do ser, mas como a língua o classifica. Nomes masculinos geralmente são terminados em “o” (ex.: carro), os femininos em “a” (ex.: casa), mas há palavras masculinas e femininas que terminam com “e” (ex.: ponte e pote). O uso do “x”, “@”, ou outra marcação genérica, não faz parte da norma-padrão da língua.


Note-se que Gênero gramatical não tem nenhuma relação direta com o sexo do ser, já que “criança”, “vítima”, “pessoa”, “criatura” são sempre femininos, independentemente de serem do sexo masculino.


Pode-se dizer que nomes terminados em “o” átono são masculinos; e os que terminam em a átono são femininos. Entretanto, há um grupo de substantivos terminados em “a” que são masculinos, por exemplo: clima, cometa, mapa, além. Também são masculinos os nomes de origem grega terminados em “ema” ou “oma”:


anátema

aroma

axioma

carcinoma

cinema

coma

diadema

dilema

diploma

emblema

estratagema

fibroma

fonema

idioma

morfema

poema

problema

sistema

telefonema

tema

teorema

trema

Alguns substantivos terminam em E átono, como pente, pote, leque, estandarte e debate, e outros terminam em E tônico, como café, chaminé, fé, ré e sé.

São femininos os seguintes terminados em R - como beira-mar, colher, cor, dor e flor.

Alguns que derivam de adjetivos são femininos: a (igreja) catedral, a (carta) circular, a (caneta) esferográfica, a (casa) lotérica, a (agência) funerária, a (escova) progressiva, a estação (de trem), a parada (de ônibus). Outros são masculinos: o (telefone) celular, o (filme) documentário, o (documento) abaixo-assinado, o (membro) representante, o (medicamento) genérico, o controle (remoto), o décimo terceiro (salário).

Substantivo: Apenas um Gênero

Há três tipos de Substantivos com apenas um só gênero gramatical:


1° Tipo: Para designar pessoas de ambos os sexos. Também chamados sobrecomuns:


o algoz

a criança

o apóstolo

a criatura

o cônjuge

a pessoa

o indivíduo

a testemunha

o verdugo

a vítima

2° Tipo: Para designar animais de ambos os sexos. Também chamados epicenos:


o albatroz

a águia

o badejo

a baleia

o besouro

a borboleta

o condor

a cobra

o gavião

a codorniz

o jaguar

a formiga

o rinoceronte

a mosca

o rouxinol

a onça

o tatu

a pulga

o tigre

a tartaruga

3º Tipo: Para designar coisas (vegetais, minerais, objetos, entidades, instituições, qualidades, etc.), estes não possuem ambos os gêneros, são exclusivamente masculinos ou exclusivamente femininos:


o diamante

a alma

o livro

a beleza

o navio

a estrela

o vento

a faca

o tribunal

a rosa

Substantivo: Mais de um Gênero, sem flexão

Neste grupo, há apenas uma só forma para os dois gêneros, mas os elementos adjacentes (artigos e adjetivos) os apontarão como masculinos, ou femininos. Também chamados comuns de dois gêneros:


o aborígine // a aborígine

o agente // a agente

o artista // a artista

o atendente // a atendente

o camarada // a camarada

o colega // a colega

o colegial // a colegial

o cliente // a cliente

o dentista // a dentista

o estudante // a estudante

o gerente // a gerente

o herege // a herege

o imigrante // a imigrante

o indígena // a indígena

o intérprete // a intérprete

o jornalista // a jornalista

o mártir // a mártir

o pianista // a pianista

o protestante // a protestante

o selvagem // a selvagem

o servente // a servente

o silvícola // a silvícola

um artista // uma artista

artista talentoso // artista talentosa

Também pode-se obter o feminino de determinados substantivos por meio da Flexão de Gênero, mas esse assunto será tratado em outro artigo.


SUBSTANTIVO: NÚMERO

O número indica a quantidade de seres nomeados, se é um ou mais de um. Há apenas Singular, referente a um ser ou grupo de seres, – a criança, o peixe, o rebanho –, e Plural, referente a mais de um ente ou grupo de entes – as crianças, os peixes, os rebanhos. O singular pode exprimir um ser individual (o homem que esteve ontem aqui, o relógio que comprei, um boi), ou uma espécie (o homem é mortal, o relógio serve para marcar as horas, o boi é ruminante).


Substantivo: Formação do Plural

O morfema de plural é o s (com uma variante es), que se opõe a um morfema zero, sinal particularizante do singular. Apenas fogem à singeleza desse mecanismo morfológico os nomes paroxítonos já terminados em s (ou em x), nos quais a identificação do número se faz pela concordância com um determinante:


alferes, atlas, lápis, oásis, ourives, pires, fênix, ônix, tórax.


alferes correto (singular) — alferes corretos (plural)


lápis vermelho (singular) — lápis vermelhos (plural)


um tórax aberto (singular) — dois tórax abertos (plural)


Substantivos terminados em vogal, ou ditongo

Recebem s:


monte — montes


café — cafés


sapoti — sapotis


bambu — bambus


divã — divãs


órfã — órfãs


pai — pais


mãe — mães


NOTA: Nomes finalizados em “em”, “im”, “om” e “um”, troca-se o “m” pelo “n” antes de receber o s:


vintém — vinténs


jardim — jardins


bombom — bombons


jejum — jejuns


Substantivos terminados em consoante

a) Terminados em “r”, “z”, “n” ou “s” (este em sílaba tônica) junta-se “es”:


mulher — mulheres


cruz — cruzes


abdômen — abdômenes (mas também: abdomens)


gás — gases


português — portugueses


b) Terminados em “l” em sílabas “al”, “el”, “ol” e “ul” têm o “l” substituído por is, mas mantendo a vogal anterior:


jornal — jornais


papel — papéis


mel — méis (ou meles)


farol — faróis


álcool — álcoois


paul — pauis


NOTA: Caso a palavra termine com “il” tônico, traca-se para “is”; caso “il” seja átono, passa a “eis”:


fuzil — fuzis


covil — covis


réptil — répteis


OBSERVAÇÃO:


Há Nomes que não possuem singular:

anais, antolhos, arredores, arras, calendas, cãs, condolências, (jogo de) damas, endoenças, esponsais, esposórios, exéquias, fastos, férias, finanças, fezes, manes, matinas, núpcias, óculos, olheiras, parabéns, primícias, pêsames, reticências, trevas, víveres, e os naipes: copas, ouros, espadas e paus.


SUBSTANTIVO: GRAU

O Substantivo pode ser expresso por dois graus: Diminutivo e Aumentativo. Essas formas são obtidas por meio e sufixos através da Composição e/ou Derivação. Demonstração de afetividade, caráter conotativo, indicação de tamanho, entre outras finalidades estão presentes na escolha do aumentativo e do diminutivo. Os principais sufixos que dão conta do grau são:


DIMINUTIVO:


-ito, -zito


copito, amorzito, passeandito


-ico


namorico, veranico


-isco


chuvisco, petisco


-eta, -ete, -eto


saleta, diabrete, livreto, lembrete, bilhete, claquete


-eco


livreco, padreco


-ota, -ote, -oto


ilhota, caixote, perdigoto


-ejo


lugarejo, animalejo


-acho


riacho, fogacho


-el, -ela, -elo (ora com e aberto ora fechado)

cabedelo, magricela, donzela, donzel, costela, escorregadela, amassadela (não confundir com clientela, em que tem sentido coletivo)


–iola


arteríola


-ola


bandeirola, aldeola, camisola (também tem sentido aumentativo quando designa a camisa longa de dormir); rapazola (cf. -iola)


-ucho


gorducho, pepelucho


-ebre


casebre


-ula, -ulo, -cula, -culo (típicos da terminologia científica)


nótula, glóbulo, célula, óvulo, partícula, módulo, fórmula


-alho, -elho, -ilho, -olho, -ulha


ramalho, rapazelho, pesadilho, ferrolho, bagulho


-aça, -aço, -iça, -iço


fumaça, caniço, nabiça


-el


cordel


AUMENTATIVO


-ão, -zão


cadeirão, homenzão


-anço


falhanço, copianço


-arro, -arrão, -zarrão, arraz (arro + az)


naviarra, beatorra, santarrão, coparrão, homenzarrão, pratarraz


-eirão


vozeirão


-aço, -aça


ricaço, barcaça, copaço


-astro


poetastro, medicastro, politicastro, padrasto, madrasta (nos dois últimos houve dissimilação)


-alho, -alha, -alhão


politicalho, muralha, grandalhão


-ama


ourama, poeirama, dinheirama


-anzil


corpanzil


-ázio


copázio


-uça


dentuça


-eima


guloseima


-anca


bicanca


-asco


penhasco


-az


fatacaz, famanaz, famaraz


-ola


beiçola


-orra


cabeçorra


-eirão


chapeirão, toleirão, vozeirão


-ento


farturento


Registram-se aumentativos e diminutivos formados por prefixação: supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário...



 O Adjetivo pertence a um inventário aberto, essa classe sempre pode ser aumentada. A estrutura interna do adjetivo consiste na combinação de uma base, um radical, mais algumas desinências. Geralmente concorda com o núcleo do sintagma em gênero e número, mas não existe nenhuma obrigação de concordar com o grau.


CONCEITO DE ADJETIVO

Adjetivo é uma palavra utilizada para restringir os significados do Substantivo. Essa restrição é benéfica, pois a informação deixa de ser vaga e ampla, caracterizando aquele indivíduo entre todos os seus semelhantes.


homem magro

gramática histórica

criança talentosa

GÊNERO DOS ADJETIVOS

Há dois tipos de adjetivos em língua portuguesa, os adjetivos uniformes e os adjetivos biformes.


ADJETIVOS UNIFORMES

São aqueles que têm apenas uma única forma. Acompanham os substantivos de ambos os gêneros gramaticais (masculino e feminino). Via de regra, terminam em: “a” , “e”, “o”, “l”, “r”, “z”, “m” ou “s”:


carioca

paulista

breve

forte



azul

geral

regular

esmoler

feliz

feroz

comum

ruim

simples

As exceções são:


espanhol, espanhola; andaluz, andaluza; bom, boa; dois, duas; algum, alguma; nenhum, nenhuma; e as centenas de duzentos a novecentos.

ADJETIVOS BIFORMES

Possuem duas formas que concordam com o gênero gramatical do substantivo que modifica. Assim, há uma forma para os substantivos masculinos, e outra para os femininos. Há cinco possibilidades de terminação dessas palavras.


Nos terminados em “o” átono, troca-se o “o” por “a” também átono :


gordo — gorda

belo — bela

CUIDADO!


A palavra “trabalhador” pode ser substantivo ou adjetivo. Quando é substantivo, tem por feminino “trabalhadora”; quando é adjetivo, tem por feminino “trabalhadeira”. Coloquialmente, principalmente no Rio de Janeiro, não percebo esta última forma sendo empregada amplamente, mas minha percepção é que “trabalhadeira” estaria ligado ao dialeto do Nordeste do Brasil, não tenho nenhum dado científico que comprove tal percepção.


As trabalhadoras já vão para as fábricas (isto é, as operárias).

As mulheres trabalhadeiras sabem quanto lhes custa cuidar bem de uma casa grande.

Soma-se “a” final das palavras terminadas em “u”, “or”, “ês”:


cru — crua

nu — nua

impostor — impostora

português — portuguesa

Exceções:


incolor, multicor, anterior, inferior, interior, superior, exterior, etc.

cortês, pedrês, montês, descortês — que são uniformes.

Aqueles terminados em “eu”, muda-se para “eia”:


europeu — europeia

plebeu — plebeia

ateu — ateia

hebreu — hebreia

pigmeu — pigmeia

Geralmente, o “e” no masculino é fechado, no feminino é aberto, mas não acentuado.


Exceções: judeu, judia; sandeu, sandia; meu, minha; teu, tua; seu, sua.


Os terminados em “ão” podem mudar para “oa”, “ã” ou “ona”:


beirão — beiroa

cristão — cristã

chorão — chorona

ADJETIVOS COMPOSTOS

Há casos em que dois adjetivos se juntam para formar um só, são chamados Adjetivos compostos. Somente o segundo elemento pode assumir a forma feminina:


a guerra russo-americana

a literatura luso-brasileira

uma operação médico-cirúrgica

A única exceção é surdo-mudo, que tem por feminino surda-muda:


Um menino surdo-mudo — uma menina surda-muda.

NÚMERO DOS ADJETIVOS

As regras que regulam a formação do plural dos adjetivos são, em linhas gerais, as mesmas que regem a formação do plural dos substantivos.


Assim que:


ADJETIVOS TERMINADOS EM VOGAL ORAL, OU DITONGO

Recebem a desinência s:


rica — ricas

forte — fortes

mau — maus

Observação


Terminado o adjetivo em vogal ou ditongo nasais (im, om, um, em), é trocado, na escrita, o m por n, antes do acréscimo do s:


ruim — ruins

bom — bons

comum — comuns

virgem — virgens

ADJETIVOS TERMINADOS EM CONSOANTE

Recebem, de regra, es:


regular — regulares

capaz — capazes

cortês — corteses

Exceção:


“simples”, geralmente, é invariável.


ADJETIVOS TERMINADOS EM “L”

Grupam-se de acordo com a vogal que precede o “L”


a) al, ol, ul. Têm mudadas estas terminações para ais, óis e uis, respectivamente:


fatal — fatais

espanhol — espanhóis

taful — tafuis

b) el. Têm trocada esta terminação por éis (ou eis, se for átono):


cruel — cruéis

amável — amáveis

c) il. Quando tônico, o il se muda em is-, quando átono, em eis:


gentil — gentis

sutil — sutis

fácil — fáceis

útil — úteis

ADJETIVOS TERMINADOS EM “ÃO” ACENTUADO

A norma é apresentarem o plural em ões:


poltrão — poltrões

valentão — valentões

Exceto:


1) Os que formam o plural em ães:


alemão — alemães

catalão — catalães

charlatão — charlatães

sacristão — sacristães

2) Os que formam o plural em ãos:


cristão — cristãos

chão — chãos

comarcão — comarcãos

loução — louçãos

pagão — pagãos

temporão — temporãos

são — sãos

vão — vãos

ADJETIVOS COMPOSTOS


 

Tem havido muita indecisão por parte dos escritores. Com segurança, poder-se-ão apontar, talvez, apenas as seguintes normas:


a) Recebem a desinência de plural somente no último elemento os compostos formados por adjetivo + adjetivo ou prefixo + adjetivo:


Exemplos:


sobre-humano — sobre-humanos

anti-higiênico — anti-higiênicos

luso-brasileiro — luso-brasileiros

técnico-profissional — técnico-profissionais

Excetuam-se:


azul-marinho — (invariável)

claro-escuro — claros-escuros

surdo-mudo — surdos-mudos

b) São invariáveis os compostos de adjetivo de cor + substantivo.


Exemplos:


verde-mar

verde-garrafa

verde-malva

azul-pavão

azul-ferrete

vermelho-sangue

amarelo-ouro

Também o são:


furta-cor (brilhante)

zero-quilômetro

ultravioleta

Não confundir com infravermelho, que é variável.

c) Flexionam-se apenas no último dos termos os compostos de adjetivo + adjetivo, quando ambos designam nomes de cor:


flâmulas rubro-negras

paredes azul-claras

Menos comum é a invariabilidade (paredes azul-claro), ou a flexão de ambos os adjetivos (cabelos castanhos-escuros).


d) Cabe referir, finalmente, os substantivos de cor que funcionam como adjetivos. Assim, são invariáveis:


luvas cinza

sapatos gelo.

GRAUS DE SIGNIFICAÇÃO DO ADJETIVO

A significação de um adjetivo pode receber intensidade maior, ou menor. Daí a existência de dois graus: o comparativo e o superlativo.


COMPARATIVO

Quando fazemos uma comparação, chegamos infalivelmente a um destes resultados: a qualidade que se compara é superior, ou inferior, ou igual à que serve de termo de comparação. Seja o adjetivo antiga:


Esta cidade é mais ANTIGA do que a nossa.

Esta cidade é menos ANTIGA do que a nossa.

Esta cidade é tão ANTIGA como a nossa.

Há, portanto, três espécies de comparativo, que assim se expressam em português:


De superioridade (mais… que, ou do que)

De inferioridade (menos… que, ou do que)

De igualdade (tão… como, ou quanto)

SUPERLATIVO

Com o superlativo exprime-se uma qualidade no mais alto grau de intensidade:


Esta cidade é a mais ANTIGA da Europa.


Esta cidade é muito ANTIGA, ou antiquíssima.


No primeiro dos exemplos, o superlativo diz-se — relativo, pois a qualidade considerada mais intensa somente o é em relação às demais cidades da Europa; no segundo caso, o superlativo chama-se — absoluto, porquanto aquela qualidade não se compara à de nenhuma outra cidade. Este último tipo de superlativo, o absoluto, apresenta-se com dois aspectos:


a) Sintético, quando expresso por uma só palavra (adjetivo + um sufixo peculiar: íssimo, rimo, etc.):


elegant(e) + íssimo = elegantíssimo


b) Analítico, se formado com a ajuda de um advérbio de intensidade {muito, excessivamente, extraordinariamente, extremamente, excepcionalmente, demasiadamente, etc.):


muito elegante


extraordinariamente elegante


Tipos de Superlativos:

Relativo de superioridade (o mais… de, ou dentre);

Relativo de inferioridade (o menos… de, ou dentre);

Absoluto sintético (adjetivo + íssimo, érrimo, ílimo, etc.);

Absoluto analítico (advérbio de intensidade + adjetivo).

Exemplos:


Paloma é a mais ALEGRE de minhas netas.

Casimiro de Abreu é o mais TERNO dentre os nossos poetas.

Este rapaz se revelou o menos ESTUDIOSO de sua classe.

Temos de resolver um problema DIFICÍLIMO.

Palmeiras muito ALTAS se distinguiam ao longe.

FORMAS ESPECIAIS DE COMPARATIVO E SUPERLATIVO

1) Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno têm formas especiais de comparativo e superlativo:


Adjetivos

bom, mau, grande, pequeno


Comparativo de Superioridade

melhor, pior, maior, menor


Superlativo Absoluto Sintético

ótimo, péssimo, máximo, mínimo


Superlativo Relativo de Superioridade

o melhor, o pior, o maior, o menor


A língua portuguesa não admite as construções “mais bom”, “mais grande”, exceto no caso de “mais mau”, “mais pequeno”. Caso haja a intenção de usar a palavra “mais” antes de “bom” e “grande” para comparar duas qualidades de um mesmo ser, o uso é permitido. Exemplos:


Ele é mais bom do que inteligente.

Mais grande que pequeno.

2) Alguns comparativos e superlativos não possuem a forma normal correspondente.


— superior — supremo e sumo


— inferior — ínfimo


— posterior — póstumo


— ulterior — último


— exterior — extremo


— interior — íntimo


Interior se usa como substantivo em oposição a capital, a litoral ou a exterior.



 

3) Algumas formas literárias de superlativo absoluto sintético:


acre — acérrimo

agudo — acutíssimo

amargo — amaríssimo

amigo — amicíssimo

antigo — antiquíssimo

áspero — aspérrimo

benéfico — beneficentíssimo

benévolo — benevolentíssimo

célebre — celebérrimo

comum — comuníssimo

cristão — cristianíssimo

crível — credibilíssimo

cruel — crudelíssimo

difícil — dificílimo

doce — dulcíssimo

dócil — docílimo

fácil — facílimo

fiel — fidelíssimo

frio — frigidíssimo

geral — generalíssimo

humilde — humílimo

incrível — incredibilíssimo

inimigo — inimicíssimo

íntegro — integérrimo

livre — libérrimo

magnífico — magnificentíssimo

magro — macérrimo

malédico — maledicentíssimo

maléfico — maleficentíssimo

malévolo — malevolentíssimo

mísero — misérrimo

miúdo — minutíssimo

módico — modicíssimo

negro — nigérrimo

nobre — nobilíssimo

parco — parcíssimo

pessoal — personalíssimo

pio — piíssimo e pientíssimo

pobre — paupérrimo

pródigo — prodigalíssimo

próspero — prospérrimo

provável — probabilíssimo

pudico — pudicíssimo

público — publicíssimo

pulcro — pulquérrimo

sábio — sapientíssimo

sagrado — sacratíssimo

salubre — salubérrimo

são — saníssimo

semelhante — simílimo

simples — simplicíssimo

soberbo — superbíssimo

tétrico — tetérrimo

úbere — ubérrimo

A terminação geral do superlativo absoluto sintético é “íssimo”, a qual se junta ao radical dos adjetivos, na forma em que estamos acostumados a vê-los:


fri(o) -I- íssimo… friíssimo

doc(e) + íssimo… docíssimo

nobr(e) + íssimo… nobríssimo

Às vezes, porém, o radical do adjetivo adquire, ao se lhe formar o superlativo, uma aparência diversa da que tem habitualmente:


FRIO: frigid + íssimo: frigidíssimo

DOCE: dulc + íssimo: dulcíssimo

NOBRE: nobil -I- íssimo: nobilíssimo

A razão é que estes últimos superlativos são tirados dos radicais latinos dos adjetivos, ao passo que os primeiros são formados com os radicais destes mesmos adjetivos em sua forma portuguesa.



 O artigo é uma palavra que precede o Substantivo, evidenciando se este é determinado ou não. Faz parte do conjunto de palavras morfemáticas, ou seja, possui significado puramente instrumental, ao lado das preposições e conjunções. Os artigos, definidos e indefinidos, são sempre átonos, com ou sem preposição. Toda e qualquer palavra, expressão, ou frase, passa a ser substantivada quando for precedida de artigo. Diferente de outras línguas, como o inglês, mesmo que não haja marcação de gênero gramatical na palavra, dentista, colega, espadachim, estudante, jovem, entre outros, o gênero será expresso por esse adjunto.


TIPOS DE ARTIGO

Há dois tipos de artigo:


Artigo Definido: o (a, os, as)


Exemplos:


o carro

a asa

os macacos

as borboletas

Artigo Indefinido: um (uma, uns, umas)


um galho

uma cobra

uns meninos

umas certezas

O artigo definido se junta ao elemento a ser determinado para indicar que se trata de um ser claramente específico entre outros participantes da cena enunciada, assim, o ouvinte ou o leitor já sabem quem é, pelas circunstâncias que cercam a enunciação da frase:


O presidente discursou ontem.


O artigo indefinido seve para mencionar um ser qualquer entre tantos outros, citação genérica, nem o ouvinte ou o leitor saberão dizer quem é o ser mencionado:


Um governador foi muito aplaudido durante a convenção.


O artigo indefinido tem sua origem no numeral, mas o numeral indica a quantidade de seres presentes na cena.


ARTIGO: PRINCIPAIS USOS

Serve para assinalar o gênero e o número dos substantivos:


o colega — a colega

um dentista — uma dentista

o oásis — os oásis

o lápis — os lápis

Também se usa com referência à espécie inteira.


Exemplo:


O limão é fruta ácida. (Isto é: todo limão.)


Sempre que uma palavra, não importa sua classe original, for precedida de artigo, esta passa a ser tratada como substantivo. Também pode indicar a mudança de significado, como quando há alteração de gênero marcada pelo determinante. Isso se chama de derivação imprópria.


O quê da questão.

O que importa é o agora, e o depois fica pra depois.

Deixe de lado os entretantos e parta para os finalmentes.

A rosa fica bem em você.

O rosa fica bem em você.

a cabeça (parte do corpo) e o cabeça (líder), a capital (cidade) e o capital (dinheiro), a rádio (emissora) e o rádio (aparelho), a moral (ética) e o moral (estado de espírito), a grama (relva) e o grama (medida de massa), a crisma (sacramento) e o crisma (óleo), a cura (ato de curar) e o cura (padre), a polícia (corporação) e o polícia (policial), a tormenta (temporal) e o tormento (tortura)

Mesmo que o etnônimo (o nome que se aplica à denominação de povos, tribos, castas ou agrupamentos outros em que prevalece o conceito de etnia) não esteja no plural, o artigo deve indicar essa pluralidade.


Com o determinado no plural:


os brasileiros, os portugueses, os espanhóis, os botocudos, os tupis, os tamoios, etc.


Com o determinado no singular:


os tupi, os nambiquara, os caiuá, os tapirapé, os bântu, os somáli, etc.


Nota: Por convenção internacional de etnólogos, em trabalhos científicos, fica acordado que os etnônimos que não sejam de origem vernácula ou nos quais não haja elementos vernáculos não são alterados na forma plural, sendo a flexão indicada pelo artigo plural.


O artigo indefinido também assume função classificadora, pode adquirir significação enfática:

O instrumento é de uma precisão admirável.

Ele é um herói! (compare com: Ele é herói!)

Falou de uma maneira, que pôs medo nos corações.

Antes de numeral, o indefinido denota aproximação:


Esperou uma meia hora (aproximadamente).


Terá uns vinte anos de idade.


CUIDADO!

Não se deve confundir os artigos definidos (o, a, os, as) com os pronomes (o, a, os, as). Os primeiros determinam os núcleos dos seus respectivos sintagmas nominais, ao passo que os pronomes possuem características anafóricas e equivalem aos também pronomes isto, isso e aquilo.


Não se usa antes dos nomes que contêm ordinais pospostos: Pedro I, Henrique VIII, João VI, etc.; mas ocorrem nos seguintes casos: Isabel, a Redentora; D. Manuel, o Venturoso, etc.

Ele também substitui o possessivo em nomes de partes do corpo, peças de vestuário e qualidades do espírito.

 Continuando a série de classes de palavras, o Numeral é a classe nível Teletubbies, isto é, que apresenta menos “problemas”. Acho que o maior “problema” que envolve esse grupo é decorar essas palavras ou entender a lógica por trás de cada numeral. Sua aplicabilidade é bem vasta e faz parte do conjunto de Adjuntos Adnominais, mas nada impede que assumam características substantivas.


NUMERAL: CARDINAIS E ORDINAIS

Números    Cardinais    Ordinais

1    um    primeiro

2    dois    segundo

3    três    terceiro

4    quatro    quarto

5    cinco    quinto

6    seis    sexto

7    sete    sétimo

8    oito    oitavo

9    nove    nono

10    dez    décimo

11    onze    undécimo ou décimo primeiro

12    doze    duodécimo ou décimo segundo

13    treze    décimo terceiro

14    quatorze ou catorze    décimo quarto

15    quinze    décimo quinto

20    vinte    vigésimo

21    vinte e um    vigésimo primeiro

30    trinta    trigésimo

40    quarenta    quadragésimo

50    cinquenta    quinquagésimo

60    sessenta    sexagésimo

70    setenta    septuagésimo ou setuagésimo

80    oitenta    octogésimo

90    noventa    nonagésimo

100    cem    centésimo

200    duzentos    ducentésimo

300    trezentos    trecentésimo ou tricentésimo

400    quatrocentos    quadringentésimo

500    quinhentos    quingentésimo

600    seiscentos    sexcentésimo ou seiscentésimo

700    setecentos    septingentésimo ou setingentésimo

800    oitocentos    octingentésimo

900    novecentos    nongentésimo ou noningentésimo

1.000    mil    milésimo

A lógica por trás da formação do numeral é: [unidade]; [dezena] e [unidade]; [centena] e [dezena] e [unidade]; [milhar] [centena] e [dezena] e [unidade]…


NOTA:


Nem todos os vocábulos ordinais possuem numerais cardinais, são eles: último, penúltimo, antepenúltimo, anterior, posterior, derradeiro, extremo, final, simples, múltiplo, etc.


Ver também:


MILHÃO, BILHÃO, TRILHÃO, QUATRILHÃO…


NUMERAL: FRACIONÁRIOS E MULTIPLICATIVOS

Os numerais fracionários exprimem a divisão da quantidade:


meio ou a metade

um terço

um quarto

um quinto

um sexto

um sétimo

um oitavo

um nono

um décimo

um centésimo

um milésimo

Em contrapartida, os numerais multiplicativos denotam multiplicação:


duplo, dobro ou dúplice

triplo ou tríplice

quádruplo

quíntuplo

sêxtuplo

sétuplo

óctuplo

nônuplo

décuplo

undécuplo

duodécuplo

cêntuplo

NOTA:


A divisão dos demais números é expressa pelos próprios cardinais seguidos da palavra “avos”: um onze avos, um dezessete avos, etc.


A palavra “ambos” é reconhecida pela Gramática Tradicional como “numeral dual”, como uma subcategoria de número (singular/plural), pois sempre alude a dois seres concretos já mencionados no discurso.


Dos multiplicativos, apenas dobro, duplo e triplo são de uso corrente. Os demais pertencem à linguagem erudita. Em seu lugar, é comum o uso do cardinal seguido da palavra vezes.


Os fracionários propriamente ditos são meio, metade e terço. Os demais são expressos pelo numeral ordinal correspondente ou pelo cardinal acrescido da palavra avos.



Essa classe de palavras é muito versátil. Said Ali disse: “Pronome é a palavra que denota o ente ou a ele se refere, considerando-o apenas como pessoa do discurso.” Os pronomes geralmente se referem às Pessoas do Discurso, o indivíduo que fala, o indivíduo com quem se fala e o indivíduo ou a coisa de que se fala. Os pronomes não possuem conteúdo semântico propriamente dito, têm significação essencialmente ocasional. É o conjunto da situação que confere significação à essas palavras.


 

 

PRONOMES: CONCEITOS GERAIS

Pronomes são palavras, geralmente invariáveis, que remetem a um ser, abstrato ou concreto. Exercem função sintática nas frases as quais se referem. Por exemplo:


Eu – Refere-se à pessoa que fala;

Meu – Refere-se àquilo que pertence à pessoa que fala;

Este – Refere-se à proximidade em relação à pessoa que fala, etc.

Os pronomes podem ser classificados em seis grandes grupos: pessoais, demonstrativos, relativos, possessivos, indefinidos, interrogativos.


A seguir, veremos alguns conceitos sobre cada um desses grandes grupos.


PRONOMES PESSOAIS

Pronomes pessoais, também chamados Pessoas Gramaticais, são palavras que representam as três pessoas do discurso, indicando-as simplesmente, sem nomeá-las. A primeira pessoa, aquela que fala, chama-se Eu, a segunda, Tu, a terceira é a pessoa ou coisa de que se fala, é Ele ou Ela, com os respectivos plurais, Eles ou Elas. A gramática tradicional considera Nós e Vós como plurais de Eu e Tu, mas são, na verdade, Pessoas Estendidas.


Nós não é plural de Eu, mas a concepção de Eu+Tu+Ele/Ela; semelhante ao que acontece com Vós, que é a concepção de Tu+Ele/Ela; diferente do que ocorre com Eles/Elas em relação a Ele/Ela, pois temos uma clara flexão de número.


Pronome Reto e Pronome Oblíquo

Pronomes Retos são aqueles que desempenham função sintática de Sujeito, Predicativo do Sujeito, Aposto ou Vocativo, esse último com tu e vós.

Não vem acompanhados de preposição, exceto Ele, Ela, Nós, Vós, Eles e Elas.

Eu e Tu são sempre pronomes retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.


1ª Pessoa Gramatical:


Eu

2ª Pessoa Gramatical:


Tu

3ª Pessoa Gramatical:


Ele/Ela

4ª Pessoa Gramatical:


Nós

5ª Pessoa Gramatical:


Vós

6ª Pessoa Gramatical:


Eles/Elas

Exemplos:


Eu falei com ele.

Nós saímos com ela.

Ela reclamou dele.

Pronomes Oblíquos são aqueles que desempenham função sintática de Objeto Direto, Objeto Indireto, Complemento Nominal, Adjunto Adverbial, Agente da Passiva, Adjunto Adnominal (indicando posse) ou Sujeito de Infinitivo (com verbo causativo ou sensitivo). Possuem formas átonas e tônicas. As formas átonas são palavras sem tonicidade colocadas antes ou depois do verbo, com ou sem hífen, como se fossem uma sílaba a mais desse verbo; as formas tônicas são sempre regidas de preposição. São os seguintes esses pronomes:


1ª Pessoa:


singular: me (forma átona); mim (forma tônica)

plural: nos (forma átona); nós (forma tônica)

2ª Pessoa:


singular: te (forma átona); ti (forma tônica)

plural: vos (forma átona); vós (forma tônica)

3ª Pessoa:


singular: o, a , lhe, se (formas átonas); ele, ela, si (formas tônicas)

plural: os, as, lhes, se (formas átonas); eles, elas, si (formas tônicas)

As formas o, a, os, as empregam-se em substituição a um substantivo que, sem vir precedido de preposição, completa o sentido de um verbo. Exemplo: Vi o menino = Vi-o; Não escrevi as cartas = Não as escrevi.


As formas lhe, lhes representam substantivos regidos das preposições a ou para. Estes são os reais Objetos Indiretos, diferente dos Complementos Relativos.


Dei o livro ao menino = Dei-lhe o livro;

Os reis magos levaram ouro, incenso e mirra para Jesus = Os reis magos levaram-lhe ouro, incenso e mirra.

As formas se e si são reflexivas porque só se podem usar em relação ao próprio sujeito do verbo.


O capitalista matou-se.

Os empregados se despediram.

Ela é muito egoísta: só pensa em si.

Tratem de si e não dos outros.

Há, ainda, cinco formas que, combinadas com a preposição com, se apresentam cada uma num vocábulo único. São:


“com+me” = comigo

“com+te” = contigo

“com+si” = consigo

“com+nos” = conosco

“com+vos” = convosco

Conosco e convosco, quando acompanhados de mesmos, próprios, todos, algum numeral ou oração adjetiva iniciada pelo pronome relativo QUE, são substituídos pelas formas com nós e com vós.

Note-se que, como o si, o pronome consigo é exclusivamente reflexivo:


Levou consigo quanto era seu.

O advogado nada trouxe consigo.

Os pronomes de tratamento também fazem parte dessa categoria:


você, vocês (tratamento familiar)

o Senhor, a Senhora (tratamento cerimonioso)

Senhorita (tratamento cerimonioso - para moças solteiras)

Vossa Senhoria (para funcionários públicos graduados e na linguagem comercial)

Vossa Excelência (para altas autoridades e oficiais-generais)

Vossa Alteza (para príncipes e duques)

Vossa Majestade (para reis e imperadores)

Vossa Santidade (para o Papa)

Vossa Eminência (para cardeais)

Vossa Reverendíssima (para sacerdotes e religiosos em geral)

Vossa Magnificência (para reitores de universidades)

Vossa Excelência Reverendíssima (para bispos e arcebispos)

Vossa Paternidade (para superiores de ordens religiosas)

1) O uso corrente do pronome “tu” ficou restrito ao extremo Sul do Brasil e a alguns pontos da região Nordeste e Norte. Em quase todo o território brasileiro, utiliza-se o pronome de tratamento “você” no lugar do pronome pessoal “tu”. Observação: A flexão verbal, quando o pronome “você” é sujeito, segue a 3ª pessoa gramatical. Já o pronome 'vós' ficou restrito à linguagem litúrgica, ultraformal, literária ou científica, por isso deve ser evitado em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.

Os cristãos, sobretudo os católicos, ainda usam o pronome vós.

É comum o uso do tu nas seguintes regiões: no estado de Minas Gerais, nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, no sul do estado do Paraná, em toda a região Norte, na região metropolitana de Santos no estado de São Paulo, no Distrito Federal e em toda a região Nordeste exceto o estado da Bahia. Nesses lugares se usa a conjugação errada, de 3ª pessoa do singular.

Somente no litoral de Santa Catarina, na região metropolitana de Belém do Pará e em alguns lugarejos do Rio Grande do Sul é que se conjuga o verbo corretamente, na 2ª pessoa do singular.

Os lugares onde esse pronome não se usa são a região Centro-Oeste em sua totalidade, o estado da Bahia e a maior parte dos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo.


2) O emprego das formas “você” e “senhor(a)” estende-se, dia a dia, não só às funções de sujeito, predicativo, agente da passiva e adjunto adverbial, mas também às de objeto (direto ou indireto) e complemento nominal, substituindo com frequência as correspondentes átonas: o, a e lhe.


Não vi você ontem. [= Não o vi ontem.]

Queria servir o senhor muito bem. [= Queria servi-lo muito bem.]

Comprei uma bolsa para a senhora. [= Comprei-lhe uma bolsa.]

3) Vossa Excelência (V.Ex.a) só se emprega para o Presidente da República, ministros, governadores dos Estados e do Distrito Federal, senadores, deputados federais, estaduais e distritais, juízes e as mais altas patentes militares. E assim mesmo quase que exclusivamente na língua escrita e protocolar. Em requerimentos, petições, etc. o seu uso costuma estender-se a presidentes de instituições, diretores de serviços e altas autoridades em geral.


4) Vossa Senhoria (V.S.a) é tratamento muito raro na língua falada. Na língua escrita, emprega-se ainda em cartas comerciais, em requerimentos, em ofícios, etc.


5) As outras formas são protocolares e se aplicam especificamente aos ocupantes dos cargos já especificados. Por vezes, no tratamento direto, é possível substituí-las por formas também respeitosas, mas menos solenes. A um sacerdote, por exemplo, é comum tratar-se, em lugar de Vossa Reverendíssima, por o senhor.


Títulos profissionais e honoríficos:

a) a patente dos militares:


O General Osório

O Brigadeiro Eduardo Gomes

b) os altos cargos e títulos nobiliárquicos:


O Presidente Bernardes

A Condessa Pereira Carneiro

c) o título Dom (escrito abreviadamente D.), para os membros da família imperial, para os nobres, para os monges beneditinos e para os dignitários da Igreja a partir dos bispos:


D. Pedro

D. Hélder

O título Dom tem emprego restrito em português, mas seu feminino, Dona (também abreviado em D.), se aplica, de modo bem informal (mas ainda respeitoso), a senhoras de qualquer classe social no Brasil.


O uso generalizado do título de Doutor recebe bastantes críticas, a classe acadêmica reconhece apenas aqueles que concluíram o grau acadêmico de doutorado. De modo geral, são chamados de doutores os bacharéis, especialmente em direito, medicina e odontologia.

Também generalizado é o título de Professor. Enquanto no Brasil se aplica aos docentes de qualquer grau de ensino, em Portugal se restringe aos docentes de ensino primário e superior.

PRONOMES POSSESSIVOS

Pronomes possessivos fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Tais palavras mantêm alguma relação com os Pessoais porque sua significação está relacionada às pessoas do discurso. São eles:


1ª Pessoa:


singular: meu, minha, meus, minhas

plural: nosso, nossa, nossos, nossas

2ª Pessoa:


singular: teu, tua, teus, tuas

plural: vosso, vossa, vossos, vossas

3ª Pessoa:


singular e plural: seu, sua, seus, suas

Informalmente, os pronomes possessivos de 3ª pessoa são utilizados no lugar dos pronomes de 2ª pessoa, isso ocorre principalmente no Brasil.

Para indicar que algo está em posse da terceira pessoa, pode usar-se a preposição de posse (de) mais o pronome reto (ele, ela, eles, elas), que resulta em uma contração: dele, dela, deles, delas. Caso o sujeito seja um substantivo, usa-se a preposição de posse (de) mais o nome do sujeito.

Todos são sempre pronomes possessivos, com exceção de nossa, que pode ser usado como interjeição. Vossa e sua podem fazer parte de pronomes de tratamento.


PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Estas são palavras que assinalam a posição dos objetos designados, no espaço, no tempo ou no próprio texto, tomando como ponto de referência a posição dos participantes da interação discursiva.


Função espacial:

Perto de quem fala: Este, Esta, Isto.

Perto de quem ouve: Esse, Essa, Isso.

Longe de ambos: Aquele, Aquela, Aquilo

Função temporal:

Presente: Este, Esta, Isto.

Passado ou futuro próximo: Esse, Essa, Isso.

Passado muito distante: Aquele, Aquela, Aquilo.

Função referencial:

Para retomar o que já foi citado: Esse, Essa, Isso.

Para apresentar o que ainda será citado: Este, Esta, Isto.

Função distributiva:

Para retomar o último termo citado: Este, Esta, Isto.

Para retomar o primeiro termo citado: Aquele, Aquela, Aquilo.

Na fala coloquial, esse tipo de referencial não necessariamente obedece a critérios posicionais rígidos.


Outros tipos de Demonstrativos:


mesmo, mesma, mesmos, mesmas - idêntico ou em pessoa

próprio, própria, próprios, próprias - em pessoa

tal, tais - aquele(s), aquela(s)

semelhante, semelhantes - tal, tais

o, a, os, as

Observação: o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a este, esse, aquele, isto, aquilo, etc.


Não compreendo o (= isso) que disseste.

Os (= aqueles) que mais protestam, são os (= aqueles) que menos razão têm.

PRONOMES INDEFINIDOS

Estes se aplicam à 3ª pessoa gramatical quando esta tem sentido vago, ou exprimem quantidade indeterminada. Alguns podem ocorrer desacompanhados de substantivo; outros vêm ao lado de um substantivo, concordando em gênero e número.


Porem ser:


1. Referentes a pessoas:


quem, alguém, ninguém, outrem, fulano, sicrano, beltrano

2. Referentes a coisas:


que, algo, tudo, nada

3. Referentes a lugares:


onde, algures, alhures, nenhures

Também são Pronomes Indefinidos:


todo, toda, todos, todas

algum, alguma, alguns, algumas

vários, várias

nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas

certo, certa, certos, certas

outro, outra, outros, outras

muito, muita, muitos, muitas

pouco, pouca, poucos, poucas

quanto, quanta, quantos, quantas

que, qual, quais

um, uma, uns, umas

bastante, bastantes (invariável em gênero)

qualquer, quaisquer (invariável em gênero)

cada (invariável em gênero e número)

Há locuções pronominais indefinidas:


quem quer que, qualquer um, cada qual, todo aquele que, todo mundo, seja qual for, seja quem for, etc.


PRONOMES RELATIVOS

Os pronomes relativos são palavras que reproduzem, numa oração, o sentido de um termo ou da totalidade de uma oração anterior. Eles não têm significação própria; em cada caso representam o seu antecedente. Eis o quadro dos pronomes relativos:


que, quem, onde, como, quando;

quanto, quanta, quantos, quantas;

cujo, cuja, cujos, cujas;

o qual, a qual, os quais, as quais.


Como relativo, quanto refere-se a tudo, tanto ou todo:


“Ouvia-a! A sua voz me despertava

Tudo quanto de bom conservo n’alma.” (GONÇALVES DlAS)

Podem ou não ser relativos - que, quem, onde, como, quando e quanto

São sempre relativos - o qual e cujo


PRONOMES RELATIVOS INDEFINIDOS

Assim se chamam os pronomes relativos empregados sem antecedente expresso, em frases como as seguintes:


Quem espera sempre alcança.

Traiu a quem lhe fora tão fiel.

Não teve que objetar.

Fez quanto pôde.

Quem procura acha aqui.

Estes relativos, também chamados “condensados”, trazem o antecedente incorporado em si.


Quem (aquele que) espera sempre alcança.

Traiu a quem (àquele que) lhe fora tão fiel.

Não teve que (o que) objetar.

Fez quanto (tudo que) pôde.

Quem (aquele que) procura acha aqui.

PRONOMES INTERROGATIVOS

Na verdade, não existem pronomes exclusivamente interrogativos. Os pronomes indefinidos “que, quem, qual, quanto” serão interrogativos quando aparecerem em uma pergunta. Quando, como, onde e por que são advérbios interrogativos.


“Quem eram? De que terra? Que buscavam?” (CAMÕES)

Paralelamente a que (= que coisa?), pode-se usar da forma enfática “o que”:


Que procuras aqui?

O que procuras aqui?

Uma interrogação pode ser feita direta ou indiretamente. Na interrogação direta, a frase terminará por ponto de interrogação; Na interrogação indireta, tem-se um verbo próprio para interrogar, como: perguntar, verificar, ignorar, saber, indagar, etc. Exemplos de interrogação indireta:


Indagaram que motivos há para desistir.

Perguntaram quem os acompanharia.

Quero saber quantos ficarão.

O COMPORTAMENTO DO PRONOME NA ORAÇÃO

Os pronomes podem assumir dois tipos de comportamento, semelhante aos numerais:


Substantivos: Comportando-se como verdadeiros substantivos, exercem as funções próprias do substantivo.



 

Adjetivos: Vindo sempre referidos a um substantivo (explícito ou oculto), ao qual funcionam como um adjunto adnominal.


1) Os pronomes pessoais, de tratamento e relativos (exceto cujo) e suas flexões são sempre substantivos.

2) Os demais podem ser pronomes substantivos ou adjetivos.



 Existe Oração sem Sujeito, Oração sem Objeto Direto, mas não existe Oração sem Verbo. Essa é a classe de palavras mais importante, na minha opinião. Verbos não são essenciais para a comunicação. Pode-se expressar uma ideia sem a necessidade de um verbo. O verbo sempre indica uma ação.


Esse tipo de expressão torna a frase muito mais rica, permitindo acesso a uma série de informações relevantes. Em toda língua natural, verbos são as palavras mais complicadas e mais complexas de uma língua. Não importa se a língua é morta ou falada por apenas um grupo pequeno de falantes, verbos sempre são mais complexos. Dada a amplitude deste assunto, o mesmo não será esgotado neste artigo, mas serão necessários outros para complementar as informações aqui prestadas.


 

 

CONCEITO DE VERBO

Já sabendo que verbos caracterizam ação, essa já é uma informação relevante para distinguir verbo das demais classes de palavras. Além disso, a composição morfológica do verbo não se dá apenas por prefixos e sufixos, como aqueles formadores de substantivos adjetivos e advérbios, por exemplo.


Verbos precisam transmitir 5 ideias ao mesmo tempo, estas informações são expressas por meio de desinências que informam Modo, Tempo, Número, Pessoa e Voz. Cada língua tem uma maneira particular de expressar essas características. No português, tempo e modo são apresentados em uma desinência só; número e pessoa, em outra desinência. já a voz é caracterizada principalmente pela organização sintática dos verbos e seus auxiliares.

Só se fala em flexão de gênero dos verbos quando se considera o particípio da voz passiva.

Do ponto de vista semântico, as palavras corrida, chuva e tristeza expressam ação, fenômeno da natureza e estado. Todavia, essas palavras não são verbos.


O MODO DO VERBO

O Modo é a maneira como o falante entende uma determinada ação, seja ela a explicação ou apresentação de um fato real, ou uma possibilidade que se confirme ou não. O modo Imperativo é aquele ao qual falante se utiliza para impor sua vontade ao seu interlocutor. Podemos dizer que as formas nominais do verbo também indicam modo na forma de substantivo, de adjetivo ou de advérbio.


Os Modos Finitos (ou desenvolvidos):

Indicativo: Atitude objetiva do falante em relação ao processo verbal, considerando o fato como certo, real.

Subjuntivo: Atitude subjetiva do falante em relação ao processo verbal (dúvida, desejo, temor).

Imperativo: Atitude de interferência do falante sobre o interlocutor (ordem, proibição, pedido, súplica, conselho, convite, recomendação)

Os Modos Infinitos (ou reduzidos):

Infinitivo: Forma nominal, características semelhantes às do Substantivo. Indica a ação verbal em si.

Particípio: Forma nominal, características semelhantes às do Adjetivo. Indica uma ação já concluída.

Gerúndio: Forma nominal, características semelhantes às do Advérbio. Indica uma ação em andamento.

Na linguagem da informática, usa-se o gerúndio para indicar processos em curso.

O TEMPO DO VERBO

A questão do tempo precisa ser muito bem definida. Precisamos saber se o que está sendo comunicado é um texto Narrativo, um texto Descritivo ou um texto Argumentativo. Basicamente, o que todas as línguas têm em comum é a noção de Passado, Presente e Futuro. Cada língua trata morfologicamente desses tempos de forma muito particular. A língua portuguesa possui desinências específicas para determinado tempo a depender do modo empregado. Somente os modos indicativo e subjuntivo possuem essa divisão temporal, o imperativo e as formas nominais do verbo não têm informações de Pretérito, Presente e Futuro.

No modo Indicativo, a definição dos tempos pode ser facilmente notada. No Subjuntivo, há uma situação intermediária, mas ainda com tempos verbais expressos. No Imperativo, a noção de tempo verbal é suprimida, havendo as formas afirmativa e negativa.


Modo Indicativo

Presente: Ação que acontece no momento em que se fala. Tempo característico da Argumentação, do Discurso.

Pretérito Imperfeito: Ação passada habitual. Tempo característico da Narração e da Descrição.

Pretérito Perfeito: Ação passada completa. Tempo característico da Argumentação, do Discurso.

Pretérito Mais-que-perfeito: Ação passada concluída anterior a outra ação também concluída. Tempo característico da Narração e da Descrição.

Futuro do Presente: Ação que vai acontecer no momento futuro. Em alguns casos é utilizado como Imperativo ou para expressar incerteza. Tempo característico da Narração e da Descrição.

Futuro do Pretérito (antigo Condicional): Ação que poderia acontecer, caso determinado evento tivesse ocorrido. Tempo característico da Narração e da Descrição.

Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo)

Presente: Ação atual expressando uma possibilidade. Geralmente precedido da conjunção integrante “Que”.

Imperfeito: Ação passada dependente de outra. Geralmente precedido da conjunção adverbial condicional “Se”.

Futuro: Ação futura relacionada a outra.  Geralmente precedido da conjunção adverbial condicional “Quando”, da conjunção adverbial conformativa “Conforme” ou dos pronomes “Que” e “Quem”.

CUIDADO!


1 — A diferença entre os futuros, o do presente do indicativo e o do subjuntivo, está na convicção do falante de que aquilo irá acontecer ou não. Havendo certeza, emprega-se o futuro do presente do indicativo; em caso de incerteza, emprega-se o futuro do subjuntivo.


2 — Admite-se que o Imperativo tem uma forma afirmativa e uma negativa, mas só tem um tempo — o presente —, que também se aplica às ordens que se dão para o futuro e o passado.


Faça o que eu lhe digo.

Faça o que eu lhe disser.

Faça o que eu lhe disse.

O NÚMERO E A PESSOA DO VERBO

Número e Pessoa são dois conceitos gramaticais difíceis de dissociar quando falamos de verbos em português. Número se refere a Singular ou Plural; Pessoa se refere as seis possibilidades de sujeito em português. Cada desinência remete somente a um tipo de pronome pessoal reto.

A VOZ DO VERBO

Entenda por Voz o processo que expressa a relação entre a ação verbal e o grau de independência do sujeito. São três tipos de organização sintática que caracterizam a voz do verbo: Voz Ativa, Voz Passiva e Voz Reflexiva.


VOZ ATIVA: O Sujeito é o agente da ação indicada pelo verbo:


O marido deu flores à mulher errada.

Um incêndio destruiu o Museu de História Natural do Rio de Janeiro.

VOZ PASSIVA: O sujeito é sofre o processo verbal, não há qualquer participação voluntária dele na ação em questão:


Vendeu-se o velho casarão.

Esta voz também pode ser representada por uma locução de “ser + particípio passado” do verbo principal:


Foi vendido o velho casarão.

Quando há o verbo auxiliar, a voz passiva se chama analítica. Quando há o pronome apassivador, a passiva se chama sintética.

VOZ REFLEXIVA: É um processo que apresenta a vontade do sujeito, mas essa mesma ação recai sobre ele. O sujeito é, ao mesmo tempo, o agente e o paciente da ação:


Getúlio Vargas matou-se com um tiro no peito.

NOTA:


Rocha Lima chama a atenção para a Voz Dinâmica, na qual se exprime a mudança de estado do sujeito sem vontade dele:


Fernanda feriu-se num espinho da rosa.

“Fernanda ficou ferida num espinho da rosa”, mas não de forma intencional. Essa modalidade pode traduzir, segundo o autor, “uma atividade interna que se passa com o sujeito, sem que, igualmente, tenha ele contribuído para tal”, por exemplo:


Os cristãos arrependem-se de seus pecados.

O gelo derreteu-se.

A epidemia alastrou-se.



 Advérbios são palavras modificadoras. A maioria dos advérbios modificam o Verbo, mas não apenas. Expressam diversas circunstâncias adicionando significação à ação principal. Há advérbios que expressam a intensidade com a qual foi feita determinada ação, outros descrevem o modo como ocorreu um certo acontecimento etc. Veremos a seguir como são e quais são os principais advérbios em português.


OS ADVÉRBIOS E SEUS PRINCIPAIS USOS

A origem do nome vem de “ad (junto) + verbo”. Sua função básica é modificar o verbo ao qual se liga. Há casos que pode também prender-se a adjetivos, ou a outros advérbios, para indicar-lhes o grau: muito belo (= belíssimo), vender muito barato (= baratíssimo). Há, aqueles que não acompanham verbos, mas somente a adjetivos e advérbios — tais como “tão”, “quão” e “que” em frases do tipo:


Nunca vi olhos tão lindos!

Quão bela estás!

Que brilhante exame fez você!

Porque chegaste tão cedo?

Quão nobremente procedeste!

Muito cuidado com o Advérbio de Intensidade QUE. Sua forma é igual à dos pronome relativo e da conjunção integrante. Não é raro o advérbio QUE aparecer sozinho. Com entonação especial, pode-se dispensar a presença de qualquer adjetivo. O QUE basta para a ideia global qualificativa e intensificadora:


“Que coisa linda que é o meu amor”

“Que tiro foi esse que tá um  arraso?!”

Que lua maravilhosa!

Que lua, meu Deus!

Que coração puro tem aquele sacerdote!

Que coração o daquele sacerdote!

CLASSIFICAÇÃO DOS ADVÉRBIOS

Distribuem-se os advérbios pelas seguintes espécies:


1. DE DÚVIDA

talvez, quiçá, acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, eventualmente, etc.


“Talvez o mundo não seja apenas um arco-íris”

“Quiçá eu hei de ouvir um dia a voz,/ que não se cansa em me chamar.”

“Acaso lembra-se dela?”

“Retire as escamas que porventura permanecerem nos filés e coloque cada um com a pele para baixo”

“Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.” – José Saramago

“a oposição, afirma, verá se consegue organizar mais protestos em massa, eventualmente uma greve geral.”

2. DE INTENSIDADE

muito, pouco, assaz, bastante, demais, excessivamente, demasiadamente, etc.


Muita gente precisa de ajuda.

Pouco carboidrato ajuda a emagrecer.

“O procedimento é assaz simples.”

Temos bastantes problemas.

Ele é chato demais.

Gasta-se excessivamente com produtos de uso imediato.

Falar demasiadamente pode causar má impressão.

3. DE LUGAR

abaixo, acima, além, aí, ali, aqui, cá, dentro, lá, avante, atrás, fora, longe, perto, etc.


O resultado ficou abaixo do esperado.

Minha nota ficou acima da média.

“Além do horizonte existe um lugar / Bonito e tranquilo pra gente se amar”

Vou ali e já volto.

As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.

Dentro da minha barriga tem um buraco negro.

Devemos fazer de tudo para levar avante estes projetos.

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu.

“A verdade está lá fora.”

“É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.” – Madre Teresa de Calcutá

“O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe.” – Érico Veríssimo

4. DE MODO

bem, mal, assim, adrede, depressa, devagar, melhor, pior e a maioria dos advérbios terminados em mente


Ela canta bem.

Se sente mal?

“Ela fugia com os olhos, ou falava áspero” (= asperamente)

Faça o serviço assim.

João, adrede viajou para América. (= intencionalmente)

Note-se que muitos adjetivos são usados no lugar de advérbios sem a necessidade do sufixo “mente”.


* Mau ≠ Mal: Mau é o adjetivo, contrário de “bom”; Mal é o advérbio, contrário de “bem”.


5. DE TEMPO

ainda, agora, amanhã, ontem, logo, já, tarde, cedo, outrora, então, antes, depois, enfim, imediatamente, anteriormente, diariamente, etc.


Ainda não saímos de casa.

Agora não é hora para isso.

Amanhã jantaremos frango.

Ontem fez bastante sol.

Logo estaremos em casa.

Já é tarde da noite.

Mais cedo falei com ela.

Os tempos de outrora eram melhores do que os de hoje.

Jejuaram por toda a noite, então, pela manhã, comeram ovos cozidos.

Tome este remédio antes das refeições e esse outro depois das 15:00.

Saia daqui imediatamente.

Isso já foi dito anteriormente.

Escovo os dentes diariamente.

Enfim, sós!

LOCUÇÃO ADVERBIAL

Duas ou mais palavras que funcionem como um advérbio constituem uma locução adverbial:


às vezes, às cegas, às claras, às escondidas, às pressas, às tontas,

de propósito, de frente, de repente, em mão, por atacado, por milagre, etc.


Tento não me atrasar, às vezes consigo.

Fiquei às cegas sem o resumo do livro

Vamos deixar tudo às claras com esta conversa.

Não suporto quem faz tudo às escondidas.

Resolveram tudo às pressas.

Ele caminhava às tontas pela rua.

Marquei o comentário de propósito.

O carro deu de frente com a blitz.

O vilão saiu do arbusto de repente.

Entregue o pacote em mão.

Fiz a obra do banheiro, por atacado, cozinha e sala também.

Ela foi salva por milagre.

ADVÉRBIOS RELATIVOS

onde, quando, como

(empregados com antecedente, em orações adjetivas, embora sejam advérbios, têm valor pronominal)


Fica ali a encruzilhada/ onde ergueram uma cruz de pedra.

Era no tempo/quando os bichos falavam…

Merece elogios o modo/como tratas os mais velhos.

ADVÉRBIOS INTERROGATIVOS

São as palavras “onde”, “quando”, “como” e “por que” nas perguntas diretas e nas indiretas.


LUGAR


Onde você mora?

Não sei onde ela guardou os livros.

TEMPO


Quando cai o pagamento?

Ele perguntou quando haverá mais trabalho para ser feito.

MODO


Como devo proceder agora?

Quero saber como vamos sair daqui.

CAUSA


Por que ele foi promovido?

Deveríamos saber por que ele se foi.

GRAUS DOS ADVÉRBIOS

Os Advérbios de Modo, Tempo, Lugar e Intensidade, principalmente, são bastante suscetíveis a gradação. Podem ser utilizados: no comparativo (de superioridade, de inferioridade, de igualdade) e no superlativo (relativo, ou absoluto). A explicação dada pela tradição é que o Advérbio de Modo (ou de qualidade) se relaciona com o verbo assim como o adjetivo o faz com o substantivo.


Proceder mais nobremente do que um rei.

Esgotaram-se os recursos menos rapidamente do que esperávamos.

Falar tão eloquentemente como Cícero.

Cumprir muito fielmente (ou fidelissimamente) os compromissos.

Para a expressão do superlativo relativo usa-se a fórmula: o mais (ou o menos)… possível:


Cumprir o mais fielmente possível os compromissos.

Também a forma do diminutivo pode aplicar-se, com o valor de superlativo absoluto, a certos advérbios de lugar e de tempo:


Morava pertinho de nós.

Viajaremos cedinho.


Incluímos as palavras que indicam afirmação e negação (sim, deveras, certamente, realmente, efetivamente, não, absolutamente, tampouco) dentro dos advérbios, por questão didática.

Na verdade, algumas delas se chamam palavras denotativas. Elas indicam:

adição - ainda, além disso

afastamento - embora

afetividade - ainda bem, felizmente, infelizmente

aproximação - quase, lá por, uns, bem, cerca de, por volta de

designação - eis

exclusão - só, salvo, menos, exceto, apenas, fora

explicação - isto é, por exemplo, ou seja

inclusão - também, até, mesmo, inclusive

limitação - apenas, só, somente

realce - cá, lá, só, é que, mas

retificação - aliás, ou melhor, digo

situação - mas, então, agora, afinal



 Certas palavras não têm significação independente, há palavras que têm a função de relacionar um termo a outro. Neste artigo, o conjunto de palavas analisado é o da Preposição. Muita gente fica desconfortável com esse tema, pois, dominar o uso das preposições é essencial para encadear as ideias e poder expor argumentos de forma clara e objetiva.


PREPOSIÇÃO: CONCEITOS GERAIS

Diferente dos substantivos, verbos e adjetivos, a preposição não tem sentido por si só; não pode aparecer numa frase sem estar relacionada a outro termo; sempre estará integrando o termo que está posposto a ela com o que está antes da mesma. Não desempenha nenhuma função sintática ou papel temático.


PRINCIPAIS PREPOSIÇÕES

As preposições mais comuns são:


a (“Falei a ela sobre o caso ocorrido.”)

ante (“Intimidou-se ante o olhar sério do pai.”)

até (“Foi até o rio e voltou.”)

após (“O carnavalesco dispôs a bateria após a terceira ala.”)

com (“Ela tenta escapar do ex com as provas falsas.”)

contra (“nadar contra a corrente.”)

de (“Vou de avião.”)

desde (“Estão trabalhando desde ontem.”)

em (“Ela o beijou em público e propôs namoro.”)

entre (“Isso fica entre mim e você.”)

para (“Trabalhou para receber dinheiro.”)

por (“É melhor irmos por aqui.”)

perante (“Perante a lei, todos os homens são iguais.”)

sem (“Não vou sem você.”)

sob (“Estava sob a mira do revólver.”)

sobre (“Estava sobre a mesa.”)

Essas que sempre atuam como preposição são chamadas Essenciais.

Não parece, mas funcionam como preposição:

Há palavras de outras classes gramaticais que podem ser consideradas como preposições, são chamadas Acidentais. São resultantes de uma derivação imprópria:


exceto (“Faremos tudo, exceto isso.”)

durante (“Só sai de casa durante a noite.”)

consoante (“Agia consoante a sua vontade.”)

mediante (“Só resolvo mediante pagamento.”)

fora (“Sustenta dois filhos, fora o marido.”)

afora (“A menina, afora ser a primeira da turma, é campeã de natação.”)

segundo (“Segundo a receita, são duas colheres de açúcar apenas.”)

tirante (“De resto, ela mesma era boa companheira; e tirante algum fogacho de gênio por amor dos filhos… até no comedouro era moderada, e no bebedouro. ( Trind. Coelho , Meus Amores , p. 219, ed. 1901)”)

senão (“Dali nada viam, senão o telhado das casas”)

visto (“Visto que você não vai comer, vou retirar a mesa.”)

Durante, mediante, consoante, tirante e não obstante são formas de particípio presente.

Visto, salvo, exceto e feito são formas de particípio passado - hoje chamado apenas de particípio.

Inclusive, fora, menos e afora são formas de advérbio.

Segundo é forma de numeral ordinal.

Como é forma de conjunção.

Conforme é forma de adjetivo.

Senão é a conjunção condicional ou integrante se com o advérbio de negação não.

LOCUÇÃO PREPOSITIVA

Locuções prepositivas são duas ou mais palavras que desempenham o papel de uma preposição. Nessas locuções, a última palavra é sempre preposição, exceto 'não obstante'. Exemplos:


ao lado de (“A árvore está ao lado da casa.”)

através de (“A flecha passou através de seu corpo.”)

antes de (“Minha rua fica antes da sua.”)

de acordo com (“De acordo com jornal, jogador pode retornar ao seu antigo time.”)

além de (“Quem estiver interessado neste mercado precisa, além de força de vontade, ser criativo”)

com respeito a (“A Igreja sempre mudou quando percebeu que a sociedade mudava. Foi assim com respeito à escravidão.“)

adiante de (“Eu irei adiante de ti.”)

por causa de (“Homem mata vizinho após briga por causa de dívidas.”)

a despeito de (“Acho-a uma boa amiga, a despeito do que dizem dela.”)

quanto a (“Quanto a meu projeto, vai indo muito bem.”)

acima de (“Puseram o aviso acima da porta.”)

em relação a (“Por que não poderia reconsiderar sua posição em relação ao aborto?“)

abaixo de (“Ninguém teve nota abaixo de 6.”)

junto a (“Quero estar junto a ti.”)

depois de (“Depois de ficar quase 2 horas esperando, fui para casa.”)

em atenção a (“Em atenção a você, vou aceitar o convite.”)

em torno de (“todos estavam em torno da fogueira.”)

graças a (“Graças a todo esse esforço conseguimos vencer.”)

a par de (“A par do previsto, o resultado não foi bom”)

apesar de (“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.”)

As preposições a e de se juntam ao artigo definido e a alguns pronomes, constituindo-se os seguintes tipos:


a + o = ao (“O homem veio ao meu encontro.”)

a + os = aos (“Prestaram homenagens aos padres.”)

a + a = à (“Eles são candidatos à Presidência da República.”)

a + as = às (“Entregamos as flores às professoras presentes.”)

a + aquele = àquele (Com respeito àquele assunto, não digo mais nada.”)

a + aquela = àquela (“Vamos àquela cidade ainda hoje.”)

a + aqueles = àqueles (“Fizeram mal àqueles pobres coitados.”)

a + aquelas = àquelas (“Daremos apoio àquelas que solicitarem ajuda.”)

a + aquilo = àquilo (“Está referindo-se àquilo?”)

de + o = do (“O crime do Padre Amaro”)

de + a = da (“Casa de bamba”)

de + os = dos (“O pote dos biscoitos salgados”)

de + as = das (“Prateleira das carnes.”)

de + este = deste (“Ela veio deste rio.”)

de + esse = desse (“Elas passaram desse lado para aquele.”)

de + aquele = daquele (“Daquele ponto em diante, ninguém passava.”)

de + isto = disto (“Vou sentir saudade disso.”)

Outras: de + isso = disso, de + aquilo = daquilo, de + ele = dele, de + aqui = daqui, de + aí = daí, de + ali = dali, em + este = neste, em + esse = nesse, em + aquele = naquele, em + isto = nisto, em + isso = nisso, em + aquilo = naquilo, em + ele = nele.

Nota!

As preposições “em” e “por” também podem ser unidas aos artigos, mas resultam formas diferentes da simples junção das palavras:


em + o/a/os/as = no, na, nos, nas;

por + o/a/os/as = pelo, pela, pelos, pelas.

A explicação diacrônica para tal é:


Combinação da antiga preposição “en” com a antiga forma do artigo definido “lo”, por assimilação do “l” ao “n” e queda do “e” inicial: en + lo — enlo — enno — (e)no — no.


Combinação da antiga preposição “per” com a antiga forma do artigo definido “lo”, por assimilação do “r” ao “l”: per + lo — perlo — pello — pelo.

Per é a forma antiga da preposição por.


O artigo indefinido um (uma, uns, umas) pode, também, ser combinado com as preposições “de” e “em”:


de + um = dum (duma, duns, dumas)

em + um = num (numa, nuns, numas).

Mesmo que “de um” = “dum” e “em um” = “num”, tome muito cuidado ao utilizar essas uniões em redações, podem parecer traços de oralidade em certos contextos, o que é condenado em muitos concursos.

As preposições de e em podem se contrair com os pronomes ele e ela (dele, dela, deles, delas, nele, nela, neles, nelas). Essas contrações não ocorrem quando o pronome é sujeito de um verbo no infinitivo.

Em linguagem informal, num é usado como sinônimo de não, funcionando como um advérbio.



 Vamos tratar de outro grupo de palavras que não exerce nenhum tipo de função sintática na frase, porém tem muita importância: as Conjunções. Conjunção é uma palavra que une basicamente dois elementos que possuem as mesmas características, sejam elas sintáticas ou morfológicas. Caso haja duas orações contendo características diferentes, a que começa com a conjunção exerce alguma função em relação a algum termo da outra oração, como ocorre nas orações subordinadas.


TIPOS DE CONJUNÇÃO

Podemos separar as conjunções em dois grandes grupos: as Coordenativas e as Subordinativas. As conjunções coordenativas são cinco: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas e Explicativas. As conjunções subordinativas são dez: Causais, Consecutivas, Concessivas, Finais, Condicionais, Proporcionais, Conformativas, Temporais, Comparativas e Integrantes.


Conjunção Coordenativa

Para que dois termos possam ser coordenados, deve-se ter em mente que ambos compartilham as mesmas características sintáticas. Assim, não há relação de dependência sintática nos exemplos deste grupo.


1. Aditivas

Relacionam ideias semelhantes. São duas: “e” e “nem”. A primeira une duas afirmações; a segunda (equivalente a “e não”), duas negações. Existem outras, como 'mas também', 'mas ainda' e 'como também' (estas, sempre depois de 'não só'), chamadas de séries aditivas enfáticas, usadas quando se pretende enfatizar o conteúdo da segunda oração.

A conjunção mais é aditiva, na matemática ou em linguagem regional.


O médico veio e telefonou mais tarde.

O médico não veio, nem telefonou.

O médico não só veio hoje, mas também telefonou.

2 . Adversativas

Relacionam argumentos contrários. Além do “mas”, também são adversativas: “porém”, “todavia”, “contudo”, “entretanto”, “no entanto”, estas todas são sinônimas. Também são adversativas 'senão' (sinônima de mas sim) e 'não obstante' (muito comum no contexto jurídico, bíblico e científico)


Gosto de navio, mas prefiro avião.

Gosto de navio, porém prefiro avião.

Gosto de navio, todavia, prefiro avião.

Ele falou bem; mas, não foi como eu esperava.

Ele falou bem; porém, não foi como eu esperava.

Ele falou bem; todavia, não foi como eu esperava.

Ele falou bem; entretanto, não foi como eu esperava.

Ao contrário de “mas”, que se usa unicamente em começo de oração, as demais conjunções adversativas podem figurar ou no rosto da oração, ou depois de um dos termos dela:


Gosto de navio, porém prefiro avião.

Gosto de navio; prefiro, porém, avião.

3 . Alternativas

Utilizadas quando as opções são excludentes. O tipo mais comum é “ou”, repetido ou não. Outras que indicam alternação são: “ora… ora…”, “quer… quer…”, “seja… seja…”, sempre repetidos.


Ora ele admite, ora ele nega.

Quer diga sim quer não.

Ou diz sim, Ou diz não.

Seja neste mês, seja no próximo, iremos pagar todas as dívidas.

4 . Conclusivas

Indica que o segundo elemento é a conclusão do enunciado no primeiro. São: “logo”, “pois”, “portanto”, “por isso”, “por conseguinte”, etc. Outras são destarte e dessarte, típicas da linguagem jurídica, bíblica e científica.


Teu carro já está velho; logo, não pode subir serra.

Foste injusto com teu amigo; deves, pois, desculpar-te.

A conjunção “pois”, conclusiva, não se emprega em começo de oração, mas depois de um dos seus termos.


5. Explicativas

Relacionam pensamentos em sequência justificativa, de tal forma que a segunda frase explica a razão de ser da sugestão, ordem ou suposição da primeira. São: “que”, “pois”, “porque”, “porquanto” - típica da linguagem jurídica, bíblica e científica.


Entre logo, que está começando a chover.

Jesus chorou, pois Lázaro era seu amigo.

Espere um pouco, porque ele não demora.

Conjunção Subordinativa

Neste grupo não há paridade entre as orações, deve-se ter em mente que as orações não compartilham as mesmas características sintáticas. Assim, há relação de dependência sintática nos exemplos deste grupo.


1. Causais

São as que iniciam oração subordinada que exprime a causa, o motivo, a razão do enunciado na oração principal. Estão nesse grupo: “que”, “porque”, “porquanto”, “como”, “já que”, “desde que”, “na medida em que”, “uma vez que”, etc.


Ele foi-se embora, porque não podia continuar chorando.

Como ficaste rico de repente, estás a gastar sem medida!

Porque ouviste o sinal, deves parar.

2 . Concessivas

Iniciam a oração subordinada que deixa claro que nenhum obstáculo – real ou suposto – impedirá ou modificará a declaração da oração principal. Fazem parte desse grupo: “embora”, “conquanto”, “ainda que”, “posto que”, “se bem que”, “mesmo que”, “nem que”, etc.


Comprarei o livro, embora o ache caríssimo.

Posto que estivéssemos cansados, prosseguimos a viagem.

Fomos viajar, ainda que não todos.

3 . Condicionais

Marcam que a principal só é possível mediante à existência da subordinada. Por exemplo: “se”, “caso”, “contanto que”, “sem que”, “uma vez que”, “dado que”, “desde que”, “a menos que”, “a não ser que”, “desde que”, “salvo se”, “exceto se”, etc.


Irei a casa, se puder.

Posso contar o que aconteceu, contanto que você guarde segredo.

Dado que a chuva não caiu, vamos à praia.

4. Conformativas

Existem aquelas que iniciam uma oração subordinada que exprime um fato em conformidade com outro expresso na oração principal. As principais são: “como”, “conforme”, “consoante”, “segundo”, etc.


Como disse Rui Barbosa, “A pátria não é ninguém: são todos.”

Resolvi o problema conforme o professor me ensinou.

Tudo ficou resolvido consoante as novas regas.

5. Comparativas

Comparam uma e outra oração. Por exemplo: “que”, “do que” (relacionados a mais, menos, maior, menor, melhor, pior), “qual” (relacionado a tal), “como” (relacionado a tal, tão, tanto); “como se” (comparativa hipotética), etc. Essas são as mesmas que formam o comparativo dos adjetivos e dos advérbios.


Este dicionário é mais completo que o meu. (superioridade)

Nada incomoda tanto aos homens maus como a luz, a consciência e a razão. (igualdade)

A prata vale menos do que o ouro. (inferioridade)

Agiu como se tudo estivesse resolvido.

6. Consecutivas

Ocorrem quando a oração que exprime o efeito ou consequência do fato expresso na oração principal. A unidade consecutiva é “que”, que se prende a uma expressão intensiva como “tal”, “tanto”, “tão”, “tamanho”, na oração principal. Por exemplo: “que” (relacionado com tal, tão, tanto, tamanho), “de modo que”, “de maneira que”, “de sorte que”, “de forma que”.


Tio Cosme era tão gordo, que a besta quase não o aguentava.

Quase ninguém frequenta teatro; de sorte que os artistas estão em crise.

Os vícios são tão feios que, ainda enfeitados, não podem inteiramente dissimilar a sua fealdade.

7. Finais

Utilizadas quando uma oração que exprime a intenção, o objetivo, a finalidade da declaração expressa na oração principal. As mais comuns são: “para que”, “a fim de que”, “porque”, “que”, etc.


Ele mentiu para que o deixassem sair.

Insisto porque me devolvas os documentos.

8. Proporcionais

Iniciam oração que exprime um fato que ocorre, aumentando ou diminuindo na mesma proporção daquilo que se declara na oração principal. As principais são: “à medida que”, “ao passo que”, “à proporção que”, “quanto mais”, “quanto menos”, etc.


A medida que remávamos, eu lhe ia contando a história da minha vida.

O anão quanto mais alto sobe, mais pequeno se afigura.

Progredia à medida que se dedicava aos estudos sérios.

O ruído aumentava à proporção que penetrávamos na selva.

9 . Temporais

São as que iniciam uma oração que exprime o tempo da realização do fato expresso na oração principal. As principais conjunções e “locuções temporais” são: “apenas”, “mal”, “quando”, “até que”, “assim que”, “antes que”, “depois que”, “logo que”, “tanto que”, “assim que”, “sempre que”, “enquanto”, etc.


Apenas a vi, marejaram-me as lágrimas.

Devolver-lhe-ei os livros, sempre que você precisar deles.

Quando disse isso, ninguém acreditou.

Logo que saíram, o ambiente melhorou.

10. Integrantes

As conjunções que caracterizam as Orações Subordinadas Substantivas. São duas: “que” (para a afirmação certa) e “se” (para a incerta). Introduzem orações que funcionam como sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal e aposto.


Percebi que alguém entrou na sala.

Não vi se os alunos já chegaram.

Esperamos que cheguem cedo.

Não sei se vai chover.

A verdade é que todos se saíram bem.

CUIDADO!!!

As palavras que, se, como, entre tantas outras, podem aparecer em mais de um contexto, seja integrante, final, condicional ou quaisquer outros; por isso analise o período inteiro, não se prenda a “fórmulas mágicas”. Entenda as relações entre os dois termos interligados pela conjunção em questão para a correta descrição da mesma.

Mais importante é classificar pelo sentido do que pela memorização de listas.



 A tradição gramatical considera a Interjeição como uma palavra que exprime uma emoção. As interjeições são elementos de caráter mais afetivo da linguagem, valendo por frases inteiras. Algumas vezes têm sentido que pode variar conforme a entoação e os gestos corporais empregados. Quando fiz minha dissertação de mestrado, relacionei o uso de interjeições e locuções interjetivas que expressam desejo, no final deste artigo você pode conferir o resultado da minha pesquisa.


INTERJEIÇÃO E LOCUÇÃO INTERJETIVA

As listas de intenções que podem categorizar as interjeições são muito repetitivas. Como ponto de partida, tomemos a descrição de Camara Jr. (1981) sobre o que é interjeição.


“Palavra que traduz, de um modo vivo, os estados d’alma. É uma verdadeira palavra-frase, pela qual o falante, impregnado de emoção, procura exprimir por uma frase logicamente organizada. As interjeições são palavras especiais e se distinguem das EXCLAMAÇÕES, vocábulos soltos, emitidos no tom de voz exclamativo, ou frases mais ou menos longas que em regra começam pelas partículas que, como quanto, quão, e constituem orações de um tipo especial, ou fragmentos de oração, ou monorrema” (p. 147)


Ainda se pode dizer sobre as interjeições que elas são realizadas por meio de palavras, simples ou compostas, e por meio de locuções. Uma locução é a reunião de dois ou mais vocábulos cujas identidades fonética e mórfica se mantêm, mas um outro significado emerge dessa conjunção constituindo, assim, uma nova unidade significativa.


Interjeições são palavras invariáveis convencionalizadas e de uso corrente que expressam alguma emoção do enunciador, sem a presença de elementos verbais como núcleo oracional. Locuções interjetivas são  expressões cujas características discursivas se assemelham às das interjeições; há casos em que a estrutura oracional é mais estável e admite pouca ou nenhuma variação dos constituintes frasais.


“Frase constituída de um só vocábulo que engloba em si os elementos do sintagma oracional. (…) o vocábulo é inanalisável e funciona em bloco.” (CAMARA Jr., op.cit., p. 170)


Sons vocálicos

ah!, oh!, hui!, hum, eh!, ai!, ui!, ó!


Palavras correntes na língua

olá!, puxa!, homem!, viva!, tomara!, pudera!


Palavras onomatopaicas

clic (clique), tic-tac (tique-taque)


Locuções interjetivas

ai de mim!, valha-me Deus!, quem dera!


Observe que não há unanimidade quanto à colocação das interjeições nos quadros de classes de palavras, e, em alguns casos, há certa confusão e até contradição entre os gramáticos. Não há justificativas plausíveis para que as interjeições sejam excluídas do rol das classes de palavras, pois são morfemas lexicais invariáveis, bem como advérbios, conjunções, palavras denotativas, preposições e alguns pronomes, substantivos e adjetivos.


As classes de palavras são sistematizações dos morfemas observadas sob quatro parâmetros que permitem classificar os morfemas como livres ou presos; de natureza lexical ou gramatical. Complementando essa classificação, Camara Jr. (1999) argumenta sobre a forma dependente, que acumula algumas características das formas livres e algumas características das formas presas.


As interjeições são morfemas livres e deveriam constituir classe de palavras, mas não há consenso quanto a isto. Cunha (1996) explica que as interjeições ficam excluídas do quadro das classes de palavras por serem equivalentes a um vocábulo-frase, caracterizado como uma estrutura à parte dentro do discurso e que não desempenha nenhuma função sintática, mas não apresenta nenhuma justificativa para tal. Dessa mesma forma, muitos gramáticos apenas informam que não consideram interjeição como classe, também sem nenhuma explicação adicional.


Ainda que sejam cabíveis várias ponderações sobre a Nomenclatura Gramatical Brasileira, na parte que trata da morfologia, a interjeição consta como classe de palavras, assim como na maioria das gramáticas. Incluímos nas classes gramaticais por questão didática.


CLASSIFICAÇÃO DAS INTERJEIÇÕES

Eis algumas interjeições, classificadas de acordo com a Gramática Tradicional, segundo o sentimento que exprimem:

oh! ah! oba! viva! eita! iupi! aleluia! gol! - alegria ou satisfação

vamos! força! coragem! adiante! avante! ânimo! eia! toca! vai nessa! - animação ou estímulo

boa! apoiado! ótimo! isso! parabéns! ótimo! - aplauso ou aprovação

tomara! oxalá! quem me dera! - desejo ou intenção

ai! ui! - dor ou tristeza

nossa! caramba! opa! virgem! puxa! quê? barbaridade! meu Deus! - espanto ou admiração

diabo! pô! raios! irra! ora! hum! arre! puxa vida! - impaciência ou contrariedade

psiu! shh! silêncio! basta! chega! stop! pare! não mais! - silêncio ou suspensão

ufa! - alívio

cuidado! atenção! devagar! olha! calma! sentido! fogo! - advertência

claro! tá! hã-hã! ótimo! sim! pois não! certo! perfeito! verdade! - concordância

credo! xi! droga! porcaria! francamente! - repulsa ou desaprovação

hum! qual! epa! - dúvida ou incredulidade

socorro! aqui! piedade! ajuda! - socorro

oi! olá! alô! ei! tchau! adeus! até! inté! salve! saravá! até! viva! táxi! - saudação, chamamento ou invocação

fora! passa! rua! xô! arreda! roda! vaza! cai fora! - afugentamento

obrigado! grato! valeu! - agradecimento

perdão! lamento! foi mal! sinto muito! - desculpa

Extra:

prefixos gregos e latinos


PREFIXOS LATINOS

    ABS, AB (afastamento): abster, abstrair, abdicar, aberrar, abjurar, abuso.
    AD (movimento para, aproximação): adjacente, adjunto, adorar, adventício, advogado. Precedente palavra começada por c, f, g, l, n, p, r, s, t, o d deste prefixo assimila-se a tais consoantes, dando-se posteriormente a simplificação das geminadas, exceto quanto ao r e ao s: acrescentar, afirmar, aparecer; arrendar, arrogar; assimilar, assinar. Este prefixo apresenta a forma vernácula a: abraçar (de braço), amadurecer (de maduro), avivar (de vivo).
    AMBI (duplicidade): ambidestro, ambiente, ambigüidade, ambivalente.
    ANTE (anterioridade, precedência): antebraço, anteceder, antedatar, anteontem, antepor, antessala. Tem a forma ant na palavra antolhos.
    BIS (repetição): bisavô, biscoito, bisneto. Aparece também com a forma bi: biênio, bifronte, bimestre.
    CIRCUM (movimento em torno): circunferência, circunlóquio, circumpolar, circunscrito, circunvagar. Assume a forma circu em circuito.
    CIS (posição aquém): cisatlântico, cisandino, cisplatino.
    CONTRA (oposição): contradizer, contrapeso, contraprova, contraveneno.
    CUM (concomitância, reunião): A forma latina cum figura em raras palavras portuguesas (cúmplice, cumprir), em que, aliás, já se perdeu o sentimento da derivação. A produtiva é a forma vernácula com, que se apresenta como con antes de consoante que não seja b ou p; co antes de vogal; cor antes de r. Seguindo-se-lhe m ou n, dá-se uma assimilação, simplificando-se depois as geminadas. Exemplos: combater, combinar, compor, comprimir, condensar, confundir, conjurar, consoante; correligionário, corroborar; coexistir, coirmão; comover, colaborar, colégio.
    DE (movimento de cima para baixo): decapitar, decrescer, deformar, demolir, depenar, depender, depor, determinar, definir, demitir, derivar.
    DES (separação, privação, ação contrária, negação): desfazer, desfolhar, desleal, desmascarar, desonesto, desprotegido, destravar, desumano. Às vezes serve apenas como intensificador: desinfeliz, desinquieto, desafastar.
    DIS (movimento para diversos lados, ação contrária): discordar, discutir, disseminar, disjungir, distender. Antes de palavra encetada por g, /, m, n , r e v, reduz-se a di: digerir, dilacerar, diminuir, divagar. Antes de f, dá-se a assimilação do s de dis, com posterior simplificação das geminadas: difícil (dis + fácil), outrora grafado diffícil.
    EX (movimento para fora, estado anterior): excêntrico, expatriar, expectorar, expelir, expor, exportação, exprimir, expulsar; ex-diretor. Apresenta as formas vernáculas es e e: esburacar, escorrer, espernear, espraiar, estender; efusão, emigrar, eleger, evadir, erudito. Às vezes substitui-se es por des: esfarelar ou desfarelar, estripar ou destripar, escampado ou descampado.
    EXTRA (posição exterior, excesso): extralinguístico, extramuros, extranumerário, extraordinário, extraviar.
    IN (há dois prefixos in, de origens diversas): Um indica movimento para dentro; é o contrário de ex:
    incrustar, incorrer, induzir, ingerir, importar, imprimir. Com esta significação, assume a forma vernácula en: enraizar, enterrar, entroncar. O outro expressa negação, privação: incapaz, incômodo, indecente, inútil, impuro. Em ambos os casos, escreve-se ir antes de r, e i antes d e l em , em consequência da assimilação do n de in às referidas consoantes, posteriormente simplificadas: irromper, irrigar, iludir, iluminar, imigrar; ilícito, imutável. Assume a forma N em namorar.
    INTER (posição no meio): interamericano, internacional, interplanetário, interromper, intervir, intermediário. A forma vernácula é entre: entreabrir, entreato, entrelaçar, entrelinha, entretela, entrever.
    INTRA (posição dentro de alguma coisa): intramuscular, intraverbal, intravenoso.
    INTRO (movimento para dentro): introduzir, intrometer, introspectivo.
    OB (posição em frente): obstáculo, obstar, obstruir, obter, obviar. Antes de c, f, p e m, toma a forma o, em razão de o b de ob se assimilar às mencionadas consoantes, simplificando-se depois as geminações: ocorrer, ocupar, ofício, ofuscar; opor, oportuno; omissão.
    PER (movimento através): ercorrer, perdurar, perjurar, perplexo, permeável.
    PRE (anterioridade): preceder, precipitar, prefácio, prefixo, preliminar, prepor.
    PRO (movimento para a frente): progresso, promover, prometer, proclamar, prosseguir.
    RE (movimento para trás; repetição): refluir, refrear, regredir; reatar, reaver, reconstruir, redizer, renascer, recomeçar.
    RETRO (movimento mais para trás): retroagir, retrocesso, retrógrado, retrospectiva, retroativo.
    SEMI (metade): semicírculo, semideus, semivogal, semifinal, seminu.
    SUPER (posição em cima): supercílio, supérfluo, super sensível, superpor, superprodução. Tem a forma vernácula sobre: sobrescrito, sobreviver, sobrepor.
    SUPRA (também posição em cima): supracitado, supradito, suprarrenal, suprapartidário.
    SUB (movimento de baixo para cima; posição inferior): subir, subjugar, submeter, subverter; subdiretor, suboficial, sub-raça, subsolo. Apresenta a forma sus, por subs (como ab por abs): suscitar, suspender, sustentar, suster. Assimila-se o b de sub à consoante inicial de palavra começada por c , f, g, t, p, criando-se geminadas que depois se simplificam: suceder, sufocar, sugerir, supor. Reduz-se a su antes de sp: suspeitar, suspirar. Assume as formas vernáculas sob e so: sobestar, sobpor; sobraçar, soerguer, soterrar. Em sorrir deu-se a assimilação do b ao r (sob + rir).
    TRANS (passar além de): transalpino, transbordar, transluzir, transmontar, transpor. Apresenta-se também com as formas tras, tres e tra: trasladar, trasmudar; tresmalhar, tresnoitado; tradição, traduzir. Em certas palavras alternam-se estes prefixos; exemplos: transmudar ou trasmudar; transpassar, traspassar ou trespassar.
    ULTRA (posição além do limite): ultraliberal, ultramarino, ultrapassar, ultrarromantismo, ultraprocessado, ultravioleta, ultrassom.
    VICE (substituição, em lugar de): vice-cônsul, vice-diretor, vice-rei. Altera-se em vis na palavra visconde.

PREFIXOS GREGOS

    A, AN (usa-se an antes de vogal, a antes de consoante; privação, negação): anarquia, anômalo, anônimo. acéfalo, afonia, ateu.
    AMPHÍ (de um e outro lado): anfíbio, anfibologia, anfiteatro, ânfora.
    ANÁ (movimento de baixo para cima, inversão; repetição): anagrama, análise, analogia, anástrofe, anáfora; anabatista.
    ANTI (oposição): antagonista, antídoto, antipatia, antípoda, antítese; antiaéreo, anti-inflamatório.
    APÓ (afastamento): apogeu, apóstata, apóstolo, apoteose.
    ÁRKHI (posição em cima): arcanjo, arcebispo, arquétipo, arquipélago, arquiteto.
    DIÁ (movimento através): diâmetro, diáfano, diafragma, diagnóstico, diagonal.
    DYS (dificuldade): dispneia, dispepsia, disenteria.
    EK, EX (usa-se ec antes de consoante, ex antes de vogal; movimento para fora): eclipse, écloga (ou égloga); exegese, êxodo, exorcismo.
    EN (posição interna, movimento para dentro): encéfalo, energia, entusiasmo, embrião, elipse.
    EPI (posição superior; movimento para): epiderme, epidemia, epitáfio, epíteto; epílogo, epístola.
    EU (bom; tem a forma ev na palavra Evangelho e derivados): eucaristia, eufemismo, eufonia, eugenia, euforia. Figura em muitos nomes de pessoa: Eulália, Eudócia, Eusébio, Eugênio.
    HÊMI (meio): hemiciclo, hemiplegia, hemisfério.
    HYPÉR (sobre, além de): hipérbole, hipertrofia, hipermercado, hiperativo.
    HYPÓ (embaixo de): hipoderme, hipotenusa, hipocrisia, hipogástrico, hipoglosso, hipótese.
    KATÁ (movimento de cima para baixo): cataclismo, catacumba, catadupa, cataplasma, catapulta, catarro, catástrofe.
    METÁ (mudança): metáfora, metamorfose, metonímia, metátese.
    PARÁ (ao lado de): paradigma, paradoxo, paralelo, parasita, paródia, parônimo.
    PERÍ (em torno de): perianto, periferia, perífrase, perímetro, período, peripécia.
    PRÓ (posição em frente; movimento para a frente): problema, próclise, profeta, prognóstico, programa, prólogo.
    SYN (simultaneidade, reunião): sincronismo, sinestesia, sinfonia, sílaba, silepse, simpatia, simetria, sintaxe, síntese, sistema, sinopse, silepse.
    TÉLE (distância): televisão, telefone, telescópio, telegrama, telepatia. Em algumas palavras, tem a ideia de 'televisão': telejornal, telenovela, telespectador, telecurso, telecine, telefilme. Em outras palavras, tem a ideia de 'telefone': telepizza, teletáxi, televendas, telefarmácia.

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