Prof. Thiago Lira - gramática

 prof. Thiago Lira

Você já deve ter percebido que damos nomes a tudo que existe a nossa volta.
E o substantivo é justamente a palavra que nomeia os seres em geral, ou seja,
pessoas, animais, coisas e lugares. É importante lembrar que os substantivos
também podem nomear as ações. Por exemplo, a palavra fuga é um
substantivo que nomeia a ação de fugir. Além das ações, os substantivos
também dão nome às qualidades, aos estados, aos sentimentos, como
acontece com os substantivos honestidade (nome da qualidade de honesto),
fome (nome do estado de quem tem fome) e amor (nome de um sentimento).
Outra característica dos substantivos é que podem sofrer alteração na sua
forma de acordo com o emprego na frase. Por exemplo, o substantivo juiz
pode variar em gênero (feminino/masculino) e número (singular/plural).
Assim, pode assumir as formas juíza/juízes. Os substantivos são, pois,
classes variáveis. Observe os exemplos:
O juiz agiu com rigor.
A juíza agiu com rigor.
Os juízes agiram com rigor.
As juízas agiram com rigor.
Além de nomearem os seres e serem variáveis, os substantivos funcionam
também como suporte, ao qual se ligam palavras modificadoras. É o que
acontece com o substantivo livros nas frases abaixo. A ele estão ligadas as
palavras: os, dois, meus e excelentes, que modicam seu sentido.
Fica claro, assim, que os substantivos, do ponto de vista semântico, nomeiam
todo tipo de ser; do ponto de vista morfológico, variam em gênero e número e, do
ponto de vista sintático, funcionam como suporte, ao qual se ligam palavras
modificadoras.

Você, certamente, usa muitos verbos quando fala ou escreve. Isso ocorre
porque os verbos são o coração da oração. Eles podem indicar ação (dançar,
brincar), estado (ser, ficar) ou fenômeno da natureza (chover, nevar,
trovejar), sempre em relação a um determinado tempo.
Os verbos também são palavras variáveis, isto é, sua forma varia em tempo
(passado, presente e futuro), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo),
número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). As frases abaixo ilustram
essa possibilidade de variação:
Ele viajou no ano passado.
(viajou = pretérito perfeito / indicativo / singular / 3ª pessoa)
Talvez nós viajemos hoje.
(viajemos = presente / subjuntivo / plural / 1ª pessoa)
Percebemos ainda que os verbos são indispensáveis para formar uma oração.
É, a partir deles, que é possível identificar as relações entre as partes de uma
oração.
Pelo que você pôde perceber, os verbos, do ponto de vista semântico,
designam um processo ou estado; do ponto de vista morfológico, apresentam
variação de tempo, modo, número e pessoa e, sintaticamente, estabelecem
relações sintáticas nas orações.

É isso mesmo, os adjetivos são o tempero dos substantivos. Isso acontece
porque os adjetivos expressam estados, qualidades ou características dos
substantivos. Assim, relacionam-se sempre aos substantivos (ou a qualquer
palavra que substitua um substantivo), modificando seu sentido.
Repare na frase seguinte:
Comprei um excelente livro de português.
O adjetivo excelente indica uma qualidade do substantivo livro, modificando
o seu sentido, ou seja, eu não comprei qualquer livro, mas um excelente livro
de português.
A classe dos adjetivos varia em gênero e número. E, exatamente por se
referirem aos substantivos, por dependerem deles, os adjetivos concordam
com eles em gênero e número, ou seja, se o substantivo for feminino, o
adjetivo assume a forma feminina; se o substantivo estiver no plural, o
adjetivo também irá para o plural. Observe a frase abaixo que mostra como
essa concordância acontece:
(O adjetivo exóticas está no feminino plural porque se refere ao
substantivo roupas, que é feminino e está no plural.)
Podemos, assim, chegar às seguintes conclusões sobre os adjetivos: do ponto
de vista semântico, qualificam os substantivos; do ponto de vista morfológico,
assumem as flexões de gênero e número e assumem também a categoria de
grau e, do ponto de vista sintático, relacionam-se aos substantivos ou palavras
com valor de substantivo.

É bem fácil reconhecer os artigos. São eles: o, a, um e uma. Os artigos são
palavras que precedem os substantivos. Essa classe de palavras modifica o
sentido dos substantivos, definindo-os ou indefinindo-os. A relação entre
essas duas classes de palavras é tão forte que os artigos são capazes de
transformar em substantivos palavras de outras classes. É o que podemos
observar na frase Um não pode magoar, em que a palavra não se tornou um
substantivo por causa do artigo um. É por isso que alguns gramáticos
chamam essa classe de marco de classe.
Os artigos servem principalmente para generalizar ou particularizar o
sentido dos substantivos. Para entender melhor o emprego dos artigos,
imagine a seguinte situação: um aluno se dirige ao professor dizendo
“Professor, encontrei um livro embaixo da mesa”. Nesse caso, o uso do
artigo um antes do substantivo livro indica que o aluno encontrou um livro
qualquer entre vários, um livro que ambos desconhecem. A palavra um,
nessa frase, é um artigo indefinido.
Mas, se o aluno disser “Professor, encontrei o livro embaixo da mesa”, a
presença do artigo o antes do substantivo livro nos leva a supor que o
professor saiba de que livro o aluno está falando. O artigo definido o refere-
se, assim, a uma informação já conhecida.
Mais uma coisa: os artigos também apresentam variação de gênero e número
de acordo com os substantivos a que estão ligados. Assim, o artigo definido o
pode variar para a, os e as e o artigo indefinido um apresenta as formas uma,
uns e umas.

Assim, de acordo com critério semântico, os artigos determinam ou
indeterminam os substantivos; de acordo com o critério morfológico, variam em
gênero e número e, segundo o critério sintático, associam-se sempre ao
substantivo, antepondo-se a ele.

Casos especiais:
a) Não se une o artigo à preposição em nomes de obras
b) O artigo é obrigatório nos nomes dos dias da semana, nas estações do ano e
nas horas (com valor adverbial)
c) O artigo é usado com valor distributivo com as unidades de medida
d) A palavra palácio, no sentido de lugar de trabalho de chefe de governo,
repele o artigo, exceto se determinada com um adjetivo ou locução adjetiva
e) Usa-se o artigo com valor de superlativo
f) Os nomes da maioria das cidades não aceitam artigo. A maioria dos nomes de
países aceitam, mas há alguns que rejeitam: Israel, Portugal, Moçambique,
Cuba, Angola.
g) É obrigatório o uso do artigo depois do numeral ambos seguido de substantivo.
h) É obrigatório o uso do artigo depois da palavra todos, exceto se houver alguma
palavra que o exclua ou um numeral seguido de substantivo.
i) Omite-se o artigo antes de palavras que designam matérias de estudo, com os
verbos aprender, estudar, ensinar e cursar.
j) Os adjetivos São, Santo e Santa repelem o artigo quando seguidos de nome próprio.
Tampouco se diz o Nosso Senhor nem a Nossa Senhora.

Você já deve ter percebido que também é fácil reconhecer os numerais. Eles
formam uma classe especial de palavras que serve para indicar quantidade
exata de pessoas, coisas ou para mostrar a ordem que determinado elemento
ocupa numa sequência ou ainda a proporção dos seres.

Havia nove vagas para vinte candidatos.
José é o primeiro aluno da turma.

Os numerais nove e vinte indicam a quantidade exata de vagas e candidatos,
são os numerais cardinais. Já o numeral primeiro indica a ordem numa
sequência, por isso é chamado de numeral ordinal. Repare que os numerais
se referem a substantivos. No caso das frases acima, o numeral nove está
ligado ao substantivo vagas, já o numeral vinte se refere a candidatos e o
numeral primeiro ao substantivo aluno.
Existem também os numerais multiplicativos e os fracionários, que indicam
proporção. Os multiplicativos representam quantas vezes uma quantidade é
multiplicada (dobro, triplo, etc.). Os fracionários, por sua vez, indicam em
quantas partes uma quantidade é dividida (metade, um terço, um quarto
etc.).
Quanto à forma, observamos que os numerais também podem variar
(primeiro/primeira/primeiros, dois/duas). Com exceção do numeral um, os
cardinais são todos plurais.
Os numerais são, assim, do ponto de vista semântico, as palavras que
quantificam os seres em geral ou indicam também ordem ou proporção. Do
ponto de vista sintático, acompanham ou substituem o substantivo. Já
morfologicamente, são variáveis.
Apesar de apresentarem a mesma forma, o artigo indefinido um
e o numeral um apresentam sentidos diferentes. Para não
confundi-los, siga a dica: se for artigo indefinido, você poderá
colocar a palavra qualquer depois do substantivo que ele
acompanha. Observe o exemplo:
Recebi um embrulho pelo correio.
(Recebi um embrulho qualquer pelo correio.)
Se for numeral, é possível colocar a palavra só antes de um,
sem alterar o sentido da frase.
Um mês foi suficiente para fazer a obra.
(Só um mês foi suficiente para fazer a obra.)

Dos cardinais: um, dois e as centenas de duzentos a novecentos variam em
gênero. Milhão, bilhão e trilhão variam em número. Os demais são invariáveis.
Os ordinais variam em gênero e número.
Os multiplicativos são invariáveis quando são usados com valor substantivo.
Com valor adjetivo, variam em gênero e número.
Os fracionários concordam em gênero e número com o cardinal que o antecede.

Ambos e ambas são numerais, significam os dois.
Zero é numeral cardinal.
Dos multiplicativos, apenas dobro, duplo e triplo são bastante usados
no dia a dia. Os demais são substituídos pelo cardinal seguido da palavra
vezes.
Os fracionários propriamente ditos são meio, metade e terço. Os demais são
expressos pelo ordinal correspondente ou pelo cardinal seguido da palavra
avos.

Existe ainda um tipo especial: os numerais coletivos. Eles designam um
conjunto de seres, com número específico: década, dúzia, novena, centena,
século, milênio, novena, milhar, trezena, quarentena, tríduo, bimestre,
trimestre, quadrimestre, semestre, biênio, triênio, par, trio, quina,
centenário.

Eles também designam unidades de medida (tonelada, arroba, alqueire) e
versos (monóstico, dístico, terceto, quarteto, quintilha, sextilha, septilha,
oitava, nona, décima).

Para o conjunto de três seres ou coisas, além de trio temos outros: trinca,
trilogia, trindade, tríade.

A palavra quarentena costuma ser usada para designar o isolamento de pessoas ou
animais por um determinado intervalo de tempo, não necessariamente de quarenta dias.

A forma fracionária duodécimo é de uso frequente na linguagem administrativa,
nas áreas em que a distribuição orçamentária se processa por parcelas mensais.

É comum na linguagem cotidiana a flexão de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de sentido:
Meu time foi para a segundona. (série B)
Essa revista é de primeiríssima qualidade.
Pedro sempre foi o primeirão da classe.
Antônio já é um quarentão.

A forma cento é usada hoje em dia:
a) na designação dos números entre cem e duzentos
b) precedido do artigo, com valor de substantivo
c) na expressão cem por cento

A forma primo é usada hoje em dia:
a) como substantivo, designando grau de parentesco
b) em adjetivo, em expressões como obra-prima, matéria-prima e número primo

A forma ás é usada hoje em dia para designar os campeões das competições
esportivas.

A expressão meia dúzia é reduzida a meia, para substituir o cardinal seis
nos números de telefones, documentos e placas de carro.

A palavra primeiramente não existe porque primeiro é um numeral, e não forma
advérbio de modo. Se existisse, também existiria segundamente,
terceiramente e etcmente.

Os pronomes funcionam, muitas vezes, como reservas dos substantivos, pois
podem substituí-los nas frases. Na frase Meu carro está com problemas,
talvez eu o leve à oficina amanhã, o pronome o substitui o substantivo
carro, evitando assim a repetição dessa palavra. Mas existem também os
pronomes que só acompanham os substantivos, acrescentando diferentes
sentidos aos substantivos. É o caso do pronome meu na frase acima, que dá
ideia de posse.
Para compreender melhor a classe dos pronomes, é importante você saber o
que são as pessoas do discurso. Quando dizemos pessoas do discurso,
estamos nos referindo a uma das três pessoas envolvidas na comunicação:
a primeira pessoa aquela que fala (eu, me, mim, nós, nosso)
a segunda pessoa aquela com quem se fala (tu, você, vós, te, teu)
a terceira pessoa aquela de quem se fala (ele, ela, alguém, aquilo, se, si,
seu)
Todos os pronomes, tanto os que substituem quanto os que acompanham os
substantivos, indicam uma das três pessoas do discurso. O pronome meu, por
exemplo, é um pronome de 1ª pessoa, pois indica que o carro é da pessoa que
fala.
E mais: os pronomes são variáveis em gênero (meu/minha), número
(meu/meus) e pessoa (meu/teu/seu). Existem vários tipos de pronomes.

Os pronomes que acompanham o substantivo são chamados de pronomes adjetivos.
Os que substituem são chamados de pronomes substantivos.

Os pronomes pessoais e os relativos (com exceção de cujo) são sempre substantivos.
Os demais podem ser substantivos ou adjetivos.

Pelo que você pôde perceber, os pronomes são assim definidos de acordo
com os diferentes critérios: semanticamente, indicam as pessoas do discurso;
do ponto de vista sintático, acompanham, retomam ou substituem os substantivos
e, do ponto de vista morfológico, variam em gênero, número e pessoa.

Bem, os advérbios, basicamente, indicam as circunstâncias em que ocorre a
ação verbal. Modo, tempo, lugar, intensidade são apenas algumas das
circunstâncias que os advérbios expressam. Na frase Ontem o ônibus parou
longe, os advérbios ontem e longe deixam claro quando e onde o ônibus
parou. São, por isso, classificados de advérbios de tempo e lugar,
respectivamente.
Mas, não pense que os advérbios se ligam apenas aos verbos, os advérbios de
intensidade e os de modo também podem se ligar aos adjetivos e a outros
advérbios. É o que nós percebemos nas frases abaixo:
Os advérbios mais e muito, nos exemplos acima, estão ligados ao adjetivo
bonita e ao advérbio bem, intensificando, reforçando a ideia que essas
palavras transmitem. Já o advérbio de modo visivelmente modifica o adjetivo
contrariado.
Outra característica dos advérbios é que são palavras invariáveis, ou seja, sua
forma não se altera. Veja o que acontece quando passamos a frase abaixo
para o plural:
Este livro é muito útil. / Estes livros são muito úteis.
Note que o advérbio muito, que intensifica o adjetivo útil, permanece
invariável mesmo quando o adjetivo ao qual ele se refere assume a forma do
plural.
Desse modo, os advérbios, do ponto de vista, semântico, indicam
circunstâncias; na perspectiva sintática, ligam-se a verbos, adjetivos ou outros
advérbios e, do ponto de vista morfológico, são invariáveis.
Advérbios: uma classe nada convencional
Você já deve ter notado que os advérbios formam uma classe
bem heterogênea. Existem aqueles advérbios que são formados a
partir de adjetivos com o simples acréscimo da terminação -
mente. É o que ocorre com o advérbio felizmente (feliz +
mente). São os chamados advérbios de base nominal.
Mas há também os advérbios de base pronominal, como acolá, aí, ali, aqui,
cá e lá. Esses advérbios indicam circunstâncias, mas eles têm algo em
comum com pronomes, pois substituem a circunstância de lugar que
representam e indicam, de certo modo, relação com as pessoas do discurso. É
o que se vê na frase Viajarão para São Paulo e ficarão lá até o fim da
semana, em que o advérbio lá substitui o termo São Paulo e mostra que a
pessoa que fala está longe de São Paulo.
O grau dos advérbios
Apesar de ser considerado invariável, o advérbio pode apresentar variação de
grau. O grau serve para fazermos comparações entre advérbios ou
destacarmos ao máximo uma circunstância

Grau comparativo
de igualdade O filho é tão simpático quanto o pai.
de superioridade O filho é mais simpático (do) que o pai.
de inferioridade O filho é menos simpático (do) que o pai.
Grau superlativo absoluto
sintético (é expresso por terminações especiais)
Ele trabalha pertíssimo de casa.
analítico (é expresso por um advérbio de
intensidade)
Ele trabalha muito perto de casa.

Na linguagem informal e literária, é comum o uso do diminutivo
com valor de superlativo.
Exemplo: Ele saiu cedinho de casa.

As circunstâncias também podem ser representadas por
expressões formadas por duas ou mais palavras. Nesse caso,
dizemos que essas expressões apresentam natureza adverbial,
pois se comportam exatamente como os advérbios. São as
chamadas locuções adverbiais. Um exemplo de locução
adverbial é a expressão com cuidado (formada pela preposição
de + o substantivo cuidado) na frase Abriu o embrulho com
cuidado. Repare que as locuções adverbiais têm comportamento
idêntico ao dos advérbios. Nesse caso, a locução com cuidado
está ligada ao verbo (abriu), indicando circunstância de modo.
Tempo, lugar, modo: circunstâncias para dar e vender
Como você já sabe, os advérbios e as locuções adverbiais indicam
circunstâncias de diferentes tipos.
Causa Ainda se morre de fome.
Companhia Saiu com os amigos.
Concessão Dormiram, apesar do barulho.
Conformidade Fizeram o trabalho conforme as orientações.
Dúvida Talvez ela chegue hoje.
Finalidade Estudou para a prova.
Instrumento Escrevia com lápis.
Intensidade O dia estava muito frio.
Lugar Moro aqui.
Modo Ele canta bem.
Tempo Sempre sorria.
Afirmação Realmente voltarão.

Obs.: A maioria dos advérbios terminados em mente é de modo, 
mas também podem ser de outras circunstâncias: tempo (diariamente), 
afirmação (evidentemente), dúvida (provavelmente), 
intensidade (extremamente).

Resumindo: os advérbios, do ponto de vista semântico, indicam
circunstâncias. Do ponto de vista sintático, ligam-se a verbos, adjetivos ou
outros advérbios e, do ponto de vista morfológico, são invariáveis.
Em algumas situações, o advérbio assume um papel diferente:
em vez de indicar circunstâncias, serve para mostrar a atitude do
falante ou do escritor em relação àquilo que é dito. É o que se vê
nos exemplos abaixo:
Felizmente, o calor diminuiu.
Dificilmente, vai chover hoje.

Repare que, no primeiro exemplo, o advérbio felizmente indica o
contentamento do falante em relação ao fato de o calor ter diminuído. Já na
segunda frase, o advérbio dificilmente deixa claro que o falante não crê que
vá chover. Nas duas construções, os advérbios expressam o ponto de vista do
enunciador. Repare que, nesse caso, o advérbio refere-se à oração inteira e
não apenas a um termo da oração.
Esses advérbios são chamados de advérbios modalizadores. A modalização diz
respeito à expressão das intenções e pontos de vista do enunciador. É
por meio dessa estratégia que o emissor marca no enunciado seus julgamentos e
opiniões sobre o conteúdo do que diz ou escreve.
Adjetivo ou advérbio?
Adjetivo ou advérbio? Se você, às vezes, tem dificuldade em diferenciar o
adjetivo do advérbio, apenas observe a que termo a palavra está ligada.
Por exemplo, na frase O menino chegou cansado, a palavra cansado está se
referindo a menino, que é um substantivo, por isso cansado é um adjetivo e
não um advérbio. Como você já viu, o adjetivo modifica um substantivo e
pode variar, ou seja, ir para o plural ou para o feminino. No exemplo,
cansado variará de acordo com o substantivo menino. Repare que, se o
substantivo meninos for para o plural, o adjetivo cansado vai acompanhar:
Os meninos chegaram cansados.
Já na frase O menino chegou cedo, o termo cedo está ligado ao verbo e não
apresenta possibilidade de variação; mesmo que o verbo vá para o plural, a
palavra cedo fica invariável: os meninos chegaram cedo. Cedo é, assim, um
advérbio. Por isso, na dúvida entre adjetivo e advérbio, coloque a frase no
plural: se o termo for para o plural, é um adjetivo; se não variar, é um
advérbio.

O papel principal das conjunções e preposições é ligar, isto é, relacionar dois
elementos, indicando diferentes relações de sentido. Repare nas frases
abaixo:
Sua vida é modesta, mas nada lhe falta.
Viajará com a família amanhã.
Na primeira frase, a palavra mas é uma conjunção que liga a oração Sua vida
é modesta à oração nada lhe falta, indicando a ideia de oposição, de
contraste. Já na segunda oração, a preposição com liga o verbo viajar ao
termo família, dando a ideia de companhia.
Tanto as conjunções como as preposições são invariáveis, isto é, não variam
em gênero (feminino ou masculino) e número (singular e plural).
As preposições da língua portuguesa são:
a — ante — após — até — com — contra — de — desde — em —
entre — para — perante — por — sem — sob — sobre — trás.
Às vezes, conjuntos de palavras podem funcionar como preposições. Esses
conjuntos, que sempre terminam por preposições, são chamados de locuções
prepositivas. Na frase: O livro está em cima da mesa, a expressão em cima
de funciona como preposição, pois equivale à preposição sobre, logo, essa
expressão é uma locução prepositiva.
Outras palavras podem funcionar, às vezes, como preposições. É o que
acontece com as palavras durante, exceto, fora, salvo, tirante, visto,
consoante, segundo, conforme, mediante, não obstante entre outras, que são
chamadas de preposições acidentais, quando ligam dois elementos em uma
oração. Elas resultam de uma derivação imprópria.
As conjunções são em maior número que as preposições e você vai conhecê-
las no Capítulo 12, em que trataremos dos períodos compostos por
coordenação e subordinação. Até lá!
Você deve ter percebido que as conjunções e as preposições têm muito em
comum. Ambas, do ponto de vista semântico, podem indicar relações de
vários sentidos; do ponto de vista morfológico, são invariáveis e, do ponto de
vista sintático, servem para ligar. De modo geral, as preposições ligam
palavras entre si e as conjunções ligam orações.
Junto e misturado
As preposições a, de, em, e por podem se unir a outras palavras, formando
um só vocábulo. Se nessa união, não há perda de nenhum elemento, dizemos
que ocorreu combinação. É o que acontece com a preposição a ao se unir, por
exemplo, ao artigo o. O resultado é ao.
Mas pode acontecer de haver perda de algum elemento quando as
preposições se juntam a outras palavras. Nesse caso, a união recebe o nome
de contração. É o que se vê quando unimos essas preposições com artigos e
pronomes. Veja alguns exemplos: a + a = à; de + o = do; em + esse = nesse;
por + o = pelo.

Com as interjeições, chega ao fim a lista de classes de palavras. E, como você
pode ver pelo título acima, as interjeições são as palavras que expressam
emoções, sensações e estados de espírito.
As interjeições são invariáveis e podem ser formadas por uma só palavra
(Opa! Viva! Oh!) ou por grupos de duas ou mais palavras, chamados de
locuções interjetivas (Quem me dera! Cruz-credo!). O valor de uma interjeição,
ou seja, a ideia que ela transmite (alegria, admiração, medo etc.) depende
diretamente do contexto e da entonação.

É isso mesmo que você acabou ler: existem algumas palavras e até
expressões que são verdadeiros patinhos feios da classificação gramatical,
pois elas não se enquadram entre as dez classes de palavras tradicionalmente
conhecidas. Essas palavras recebem o nome de palavras denotativas e podem
expressar as seguintes ideias:
designação eis Eis os autores premiados.
inclusão também, até, inclusive Eu quero ir também.
exclusão exceto, salvo, menos, apenas, só, senão, sequer
Todos desistiram, menos ela.
realce é que, só, ainda, apenas, mas José é que recebeu o
prêmio.
explicação aliás, ou melhor, ou seja, isto é, digo Ele,
aliás, eles chegaram atrasados.
situação então, afinal, agora, mas Mas, o que realmente
aconteceu?
explicação por exemplo, a saber Os alunos, por exemplo,
saíram-se muito bem.
adição ainda, além disso Emprestei-lhe o livro e ainda ajudei
na tarefa.
afastamento embora Eles já foram embora?
aproximação quase, lá por, uns, bem, cerca de, por volta de
Cheguei por volta de cinco horas.
Repare que alguns dos vocábulos listados acima como agora e
menos, por exemplo, costumam se enquadrar na classe dos
advérbios, contudo serão classificados como palavras denotativas
se seu comportamento não se assemelhar ao comportamento dos advérbios.

As classes básicas são as classes fundamentais para que nós possamos nos
comunicar. São elas: o substantivo e o verbo. O substantivo nomeia tudo o
que existe a nossa volta, a comunicação seria impossível se antes não
déssemos nomes às coisas ao nosso redor. Já os verbos indicam as ações, os
estados e os fenômenos da natureza. Você vai notar que essas classes também
são chamadas de básicas, porque outras classes dependem delas.
Por sua vez, as classes dependentes são as que dependem do substantivo e do
verbo, isto é, estão sempre ligadas ao substantivo ou ao verbo. As classes que
dependem do substantivo são artigo, adjetivo, numeral e pronome. Como as
classes que dependem do substantivo são variáveis, elas acompanharão o
substantivo em gênero e número. Já a classe dependente do verbo é o
advérbio, que, ao contrário dos dependentes dos substantivos, é invariável.
Assim, para identificar a classe de uma palavra basta ver a que outra palavra
ela está ligada. Se a palavra for dependente do substantivo, só poderá ser um
artigo, um adjetivo, um numeral ou um pronome. Se estiver ligada ao verbo,
será um advérbio.
As classes de ligação, como o nome já diz, são aquelas que servem de ponte,
de conexão entre palavras. É o caso das conjunções e das preposições.
As interjeições não se enquadram em nenhum desses grupos. Formam uma
classe independente.

Variam em:
1 - gênero, número e grau - substantivos e adjetivos
2 - gênero e número - artigos e numerais
3 - gênero, número e pessoa - pronomes
4 - número, pessoa, tempo, modo, voz e aspecto - verbos

Para identificar se determinada palavra é dependente do
substantivo ou do verbo, coloque o substantivo e/ou verbo no
plural. Se a palavra variar, é dependente do substantivo. E, vale
repetir, só poderá ser classificada como artigo, adjetivo, numeral
ou pronome. Se a palavra, ao contrário, permanecer invariável,
será um advérbio. Veja:
O menino chegou atrasado. / Os meninos chegaram atrasados.
O menino chegou cedo. / Os meninos chegaram cedo.
A palavra atrasado é um adjetivo, pois depende do substantivo. Uma prova
disso é que também passou para o plural quando o substantivo variou. Já a
palavra cedo é um advérbio, pois depende do verbo. Repare que, além de
acrescentar uma ideia de tempo ao verbo, ela não sofreu alteração na sua
forma, ou seja, permaneceu invariável, mesmo quando o verbo foi para o
plural.
Note como fica fácil reconhecer as classes gramaticais na frase Comprei esta
excelente gramática portuguesa, quando se tem em mente o esquema das
classes básicas e dependentes. A palavra gramática é um substantivo, pois
nomeia um objeto. Ligadas a esse substantivo, estão as palavras aquela,
excelente, portuguesa. Você pode estar se perguntando como vai descobrir
que uma palavra é dependente do substantivo.
Primeiro, dá para perceber que as classes dependentes acrescentam um novo
sentido ao substantivo. Na frase acima, não se fala de qualquer gramática, é
esta gramática; além disso, ela é excelente e portuguesa. Em segundo, os
dependentes do substantivo variam com ele em gênero (feminino e
masculino) e número (singular e plural). Olhe só: se colocarmos o
substantivo gramática no plural, os dependentes desse substantivo também
vão para o plural (Comprei estas excelentes gramáticas portuguesas).
Repare agora na frase: Choveu muito ontem. As palavras muito e ontem
são advérbios, pois indicam circunstâncias (intensidade e tempo) em relação
ao verbo chover. O advérbio é a classe dependente do verbo. Ao contrário
das classes dependentes do substantivo, os advérbios são invariáveis, isto é,
não variam nem em gênero e número como os nomes nem em modo, tempo, pessoa,
voz e aspecto como os verbos.

Para classificar uma palavra, é importante que você observe
simultaneamente o sentido, a forma (se ela é variável ou não) e a
função que ela desempenha (a que outra palavra ela está ligada).
A tentativa de classificar as palavras com base em apenas um
desses critérios pode causar problemas.
Por exemplo, a palavra muito, sob o ponto de vista semântico, carrega a ideia
de intensidade, quantidade, dando a falsa impressão de ser sempre um
advérbio. Mas preste atenção, pois nem todo muito é advérbio.
É o que se vê na frase Ouvi muito barulho ontem. Nessa oração, a palavra
muito pode até parecer um advérbio, mas, na verdade, é um pronome, pois
depende do substantivo barulho e também pode variar em número. Uma
prova disso é que, se colocarmos a palavra barulho no plural, a palavra
muito também vai o plural. Veja: Ouvi muitos barulhos ontem. Assim, essa
palavra não pode ser considerada um advérbio.
Nesse caso, a classificação correta da palavra só foi possível porque
observamos também a sua função (a palavra a que o muito está ligada) e a
sua forma (variável).
As palavras mais, menos, pouco e bastante também podem ser pronomes ou
advérbios, por isso fique atento ao comportamento de cada uma delas nas
frases.

Neste capítulo, você conhecerá os verbos, que são as palavras que indicam
ações (falar, estudar), estados (ser, estar) e fenômenos da natureza
(chover, nevar), ou seja, exprimem o que se passa em um determinado
tempo.
Podemos dizer também que, de todas as classes de palavras, é o verbo que
apresenta maior variabilidade de forma: os verbos variam em modo
(indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (presente, pretérito e futuro),
número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). Essas são as chamadas
flexões do verbo.

Você já deve ter ouvido falar nos modos do verbo: indicativo, subjuntivo e
imperativo. Mas qual a utilidade deles? Na verdade, os modos servem para
indicar a nossa atitude em relação aos fatos que estamos apresentando. As
atitudes podem ser de certeza, dúvida ou de ordem.

Indicativo - com certeza
Subjuntivo - dúvida cruel
Imperativo - é ele que manda

Por exemplo, se você diz: “Eu leio todos os dias”, o ato de ler, com certeza,
ocorre. Esse é o modo indicativo, que expressa algo que seguramente
acontece, aconteceu ou ainda vai acontecer, é o modo da certeza.
Já ao dizer: “Talvez eu leia este livro”, você não está tão seguro de que fará
a leitura. Nesse caso, o modo do verbo é o subjuntivo, que indica incerteza
quanto à ação de ler o livro; há uma possibilidade de se ler o livro, não é um
fato certo.
Por fim, se você ouve a frase: “Leia todos os dias”, não tem como fugir,
você recebeu uma ordem e deve cumpri-la. É o modo imperativo. O
imperativo é, assim, o modo empregado para exprimir ordem, pedido, súplica,
conselho ou convite.

Os tempos verbais servem para indicar o momento em que a ação acontece.
Os três tempos básicos dos verbos são o presente, o pretérito e o futuro.
O presente mostra que uma ação está ocorrendo no exato momento em que se
fala ou escreve. O pretérito indica que a ação já ocorreu. O futuro,
por sua vez, mostra que ação vai ocorrer após o momento em que se fala ou
escreve.
Mas, às vezes, só esses tempos não são suficientes para expressar exatamente
aquilo que queremos dizer. Por exemplo, se eu quero dizer que eu pratiquei
uma ação ontem e essa ação se encerrou ontem mesmo, eu emprego o verbo
no passado: Eu andei de bicicleta. Mas, se eu quero dizer que eu fazia isso
constantemente no passado, vou usar outro tempo, o chamado pretérito
imperfeito: Eu andava de bicicleta quando criança.
Para dar conta de todas essas possibilidades de sentido, os tempos do pretérito
e do futuro se dividem tanto no modo indicativo quanto no subjuntivo.

O futuro pode ser do presente ou do pretérito.
O pretérito pode ser imperfeito, perfeito ou mais-que-perfeito.

Você deve estar se perguntando que pessoas são essas. Na verdade, as três
pessoas do verbo são aquelas envolvidas no momento da comunicação: a 1ª
pessoa é aquela que fala (eu); a 2ª pessoa representa com quem nós falamos
(tu) e a 3ª pessoa é aquela de quem falamos (ele). Essas pessoas podem estar
no singular ou no plural. Assim, no plural, a 1ª pessoa é representada pelo
pronome nós; a 2ª, pelo pronome vós e a 3ª, pela forma eles.

Você acabou de conhecer as variações que os verbos apresentam, as
chamadas flexões verbais. Agora você vai ser apresentado às conjugações dos
verbos.
Mas o que quer dizer conjugação? A palavra conjugação vem do verbo
conjugar e conjugar um verbo significa flexioná-lo em modo, tempo, pessoa
e número. O conjunto de todas essas flexões é chamado conjugação.
Os verbos da língua portuguesa pertencem a três conjugações. E é a
terminação dos verbos que nos permite reconhecê-las. Os verbos terminados
em -ar pertencem à 1ª conjugação, os verbos terminados em -er são da 2ª
conjugação e aqueles que terminam em -ir compõem a 3ª conjugação.
Assim, o verbo cantar pertence à 1ª conjugação, a forma verbal vender é da
2ª conjugação e partir é um verbo da 3ª conjugação.
O verbo pôr pertence à 2ª conjugação, pois, na sua evolução
histórica, perdeu a vogal e, que caracteriza a 2ª conjugação. A
forma antiga do verbo era poer. Mas, observe que interessante:
essa vogal aparece em algumas formas atuais como se pode notar
em puseste (pus-E-ste), pusera (pus-E-ra), pusesse (pus-E-
sse) etc. Os verbos derivados de pôr, como supor, compor, repor,
expor, impor entre outros, também pertencem à 2ª conjugação.

É isso mesmo, os verbos carregam marcas que nos ajudam a identificar o
tempo e o modo em que estão. Essas marcas aparecem, normalmente, na
terminação dos verbos. Tais terminações recebem o nome de desinências
modo-temporais e funcionam como uma pista para você identificar tanto o
modo quanto o tempo em que está a forma verbal. Conhecer as terminações
que caracterizam cada tempo verbal vai ajudar você a conjugar corretamente
os verbos.

O pretérito mais-que-perfeito e o futuro do presente apresentam
como marcas características as mesmas terminações -ra/-re. A
única diferença é que essa terminação é pronunciada de forma
átona no pretérito mais-que-perfeito e de forma tônica no futuro
do presente. Repare que, na forma cantara do pretérito mais-
que-perfeito, a sílaba tônica é -ta- e a sílaba -ra, que é a marca
desse tempo verbal, é átona. Já na forma do futuro de presente
cantará, a sílaba -ra, que é a marca do futuro, é tônica.

Existem algumas palavrinhas que podem ajudar você a conjugar
os tempos do modo subjuntivo. São elas: que, para o presente
(que eu cante, que tu cantes...); se, para o imperfeito (se eu
cantasse, se tu cantasses...) e quando para o futuro (quando eu
cantar, quando tu cantares...).
Existe o imperativo afirmativo e o negativo. Usar o imperativo
é fácil, pois ele se forma a partir de tempos já conhecidos.
O imperativo afirmativo é formado da seguinte maneira:
A 2ª pessoa do singular (tu) e a 2ª pessoa do plural (vós) são retiradas
do presente do indicativo, mas sem o -s final.
Por exemplo, a 2ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo
cantar é cantas e a 2ª pessoa do plural é cantais, logo o imperativo da 2ª
pessoa do singular (tu) é canta (cantas - s = canta) e da 2ª pessoa do plural
(vós) é cantai (cantais - s = cantai).
Já a 3ª pessoa do singular (você), a 1ª pessoa do plural (nós) e 3ª pessoa
do plural (vocês) são iguais às mesmas pessoas do presente do
subjuntivo: cante (você), cantemos (nós), cantem (vocês).
O imperativo negativo, por sua vez:
Segue, em todas as pessoas, o presente do subjuntivo sem nenhuma
alteração: não cantes, não cante, não cantemos, não canteis, não
cantem.
Não existe 1ª pessoa do singular no imperativo, porque você não
pode dar uma ordem a si mesmo.

Essa regra tem alguma exceção? Tem sim, mas são apenas duas:
O verbo ser - ele faz sê tu e sede vós
Os verbos dizer, fazer e trazer - 
eles aceitam duas formas na 2ª pessoa do singular: 
dize ou diz tu, faze ou faz tu, traze ou traz tu

Por ser uma forma muito direta de dar ordens, muitas vezes pode parecer
grosseiro. Por isso, é suavizado com expressões como por favor e por gentileza.

Os verbos carregam também marcas que nos mostram o número (singular ou
plural) e a pessoa (1ª, 2ª e 3ª) em que está o verbo. Essas marcas, chamadas
de desinências número-pessoais, também aparecem na terminação dos
verbos.

Das três conjugações, a primeira é chamada de conjugação viva, porque é a que
permite a criação de novos verbos: remasterizar, escanear, plugar, dedurar,
formatar, relativizar, flexibilizar, etc.

Se é verbo, como pode apresentar forma de nome? Provavelmente, é isso que
você está se perguntando. Na verdade, as formas nominais dos verbos são
aquelas em que os verbos ficam parecidos com os nomes, isto é, eles se
comportam como nomes. Além disso, não apresentam certas características
dos verbos como a variação de tempo e modo.
As formas nominais são o infinitivo, o particípio e o gerúndio e têm as
seguintes terminações: -r para o infinitivo; -do para o particípio e -ndo para o
gerúndio.
O infinitivo (ler, por exemplo) é a forma utilizada para dar nome aos verbos,
por isso se parece com o substantivo. O infinitivo indica a ação em si mesma,
sem nenhuma marca de tempo ou de modo. É o que se vê no exemplo Ler é
muito útil em que ler está no infinitivo e indica a ação de ler.
O particípio (lido/lida) fica parecido com o adjetivo, pois, em muitos casos,
concorda em gênero e número com o substantivo ao qual está ligado. O
particípio pode se referir a um fato passado, presente ou futuro.
Veja as frases:
Lido o livro, fez a prova
Lido o livro, fará a prova.
Repare que a forma do particípio lido concorda com o substantivo livro. Na
primeira frase, está em referência ao passado; na segunda, ao futuro.
Já o gerúndio (lendo) indica, geralmente, um processo prolongado ou
incompleto. Transmite a ideia de que a ação está acontecendo, uma ideia de
duração. Aproxima-se, assim, do advérbio.
É o que se vê no exemplo Fazia as refeições lendo o livro. A forma lendo
está no gerúndio, indicando que a ação de ler está acontecendo ao mesmo
tempo em que a ação de fazer as refeições se desenrola.
O infinitivo pode ser impessoal ou pessoal. Como o nome já diz,
o infinitivo impessoal não se refere a nenhuma pessoa, ou seja,
não está relacionado a um ser em especial. Por exemplo, na frase
Ler é um excelente hábito, o verbo ler não faz referência a uma
pessoa determinada. Já o infinitivo pessoal se liga a uma pessoa
em especial. Você pode perceber isso na frase O professor
trouxe estes livros para nós lermos. Lermos, nesse exemplo,
está se referindo à 1ª pessoa do plural nós, por isso é chamado de
infinitivo pessoal.

Gerúndio sim! Gerundismo não!
— Comprei uma nova gramática da língua inglesa! Em breve
vou estar dominando o inglês com fluência. Também vou estar
abrindo novas oportunidades de trabalho.
— Bem que você poderia ter comprado uma gramática da
língua portuguesa para estar aprendendo a empregar o
gerúndio.
Sem dúvida nenhuma, o personagem do diálogo acima precisa
aprender mais sobre gerúndio. Frases como as que foram ditas por
ele (“Em breve vou estar dominando o inglês com fluência”,
“Também vou estar abrindo novas oportunidades de trabalho”)
exemplificam bem o gerundismo, que é o uso inadequado do
gerúndio.
O gerúndio, como se sabe, transmite a ideia de uma ação em curso,
ou seja, de uma ação que está ocorrendo no momento em que você
fala, é o caso do exemplo: Ele está almoçando.
O gerúndio também é usado para representar uma ação que estava
acontecendo ao mesmo tempo que outra, como se vê na frase:
Sorrindo, recebeu o prêmio, ou seja, as ações de sorrir e receber o
prêmio ocorreram ao mesmo tempo.
Mas, nas frases do diálogo, a ideia não é a de uma ação que está
— Comprei uma nova gramática da língua inglesa! Em breve
vou estar dominando o inglês com fluência. Também vou estar
abrindo novas oportunidades de trabalho.
— Bem que você poderia ter comprado uma gramática da
língua portuguesa para estar aprendendo a empregar o
gerúndio.
Sem dúvida nenhuma, o personagem do diálogo acima precisa
aprender mais sobre gerúndio. Frases como as que foram ditas por
ele (“Em breve vou estar dominando o inglês com fluência”,
“Também vou estar abrindo novas oportunidades de trabalho”)
exemplificam bem o gerundismo, que é o uso inadequado do
gerúndio.
O gerúndio, como se sabe, transmite a ideia de uma ação em curso,
ou seja, de uma ação que está ocorrendo no momento em que você
fala, é o caso do exemplo: Ele está almoçando.
O gerúndio também é usado para representar uma ação que estava
acontecendo ao mesmo tempo que outra, como se vê na frase:
Sorrindo, recebeu o prêmio, ou seja, as ações de sorrir e receber o
prêmio ocorreram ao mesmo tempo.
Mas, nas frases do diálogo, a ideia não é a de uma ação que está
acontecendo no momento em que o personagem fala e sim de
futuro, pois ele ainda vai dominar o inglês e abrir novas
oportunidades de trabalho. Nesses casos, o gerúndio não deve ser
usado. A melhor maneira de construir aquelas frases é: Em breve
vou dominar o inglês com fluência e Também vou abrir novas
oportunidades de trabalho.
Isso não significa que o gerúndio não possa ser usado com ideia de
futuro, mas isso só deve acontecer quando se quer dizer que uma
ação vai ocorrer no momento de outra também no futuro. É o que se
percebe nas frases: Quando você estiver chegando de viagem, eu
estarei embarcando para Roma ou também: Não me ligue nesse
horário, pois vou estar almoçando.

Basta lembrar do telemarketing:

❌ Vou estar verificando, senhor.
✅ Vou verificar, senhor.

❌ Vou estar encaminhando o seu pedido, senhora.
✅ Vou encaminhar seu pedido, senhora.

❌ Vou estar transferindo sua ligação.
✅ Vou transferir sua ligação.

❌ Vou estar cancelando seu cartão, senhor.
✅ Vou cancelar, senhor.

Na linguagem da informática, o gerúndio indica processos em curso:
atualizando, iniciando, configurando, instalando

Você já reparou que os verbos são formados por partes menores? Esses
pedacinhos compõem a estrutura dos verbos. Cada uma dessas partes carrega
um tipo de informação sobre o verbo, ou seja, cada uma delas é responsável
por um detalhe que seja da significação da forma verbal. Essas unidades
mínimas de significado são chamadas de morfemas. Conheça agora alguns
desses morfemas: o radical, a vogal temática e as desinências.
O radical é a base do verbo, pois indica o significado. Para identificar o
radical, é só você retirar as terminações -ar, -er, -ir do infinitivo dos verbos.
Por exemplo, no verbo cantar, o radical é cant-, que aparece em outras
palavras também como cantor, cantoria etc.
Além do radical, existe também a vogal temática, que liga o radical às
desinências. No caso dos verbos, a vogal temática indica a conjugação do
verbo (1ª, 2ª ou 3ª). No caso do verbo cantar, a vogal temática é o a (cantar).
Há ainda as desinências, que servem para indicar o tempo, o modo, o número
e a pessoa do verbo. A forma verbal cantásseis, por exemplo, tem como
desinências: -sse e -is. A desinência -sse indica o tempo (imperfeito)
e o modo (subjuntivo), por isso é chamada de desinência modo-
temporal. Outra desinência que aparece nessa forma verbal é a desinência -
is, que mostra que a forma verbal está na 2ª pessoa do plural, por esse
motivo essa desinência recebe o nome de desinência número pessoal.

Agora que você já conhece as flexões, as conjugações e a estrutura dos
verbos, veja outras características que ajudarão você a empregá-los com mais
facilidade.
Verbos regulares e irregulares
Existem verbos regulares e irregulares, ou seja, há verbos que seguem um
padrão e verbos que fogem a esse padrão. E, é claro, você já deve ter notado
que aqueles que seguem um padrão são mais fáceis de conjugar.
O verbo cantar, por exemplo, é um verbo regular, pois sua base (ou radical)
cant-não se modifica quando o verbo é conjugado (eu cant-o, tu cant-as, ele
cant-a, nós cant-amos, vós cant-ais, eles cant-am) e também suas
terminações seguem o modelo da sua conjugação, ou seja, a 1ª conjugação.

Já o verbo ouvir é um verbo irregular, pois seu radical ouv- se altera logo na
primeira pessoa do singular do presente do indicativo para ouç- (eu ouço). O
verbo estar também é irregular, mas a irregularidade está na terminação.
Você pode perceber essa irregularidade logo na primeira pessoa do singular
do presente do indicativo. Nos verbos da 1ª conjugação (amar, brincar,
estudar, etc.), a terminação da 1ª pessoa do presente do indicativo
normalmente é -o (am-o, brinc-o, estud-o), mas o verbo estar apresenta a
terminação -ou para a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (est-
ou).
Há também verbos que apresentam alterações ainda mais profundas que os
verbos irregulares. É, é isso mesmo que você está pensando: há verbos piores
ainda de se conjugar que os irregulares. Mas fique tranquilo, eles são poucos.
São os chamados verbos anômalos, que, ao serem conjugados, apresentam
mais de um radical, ou seja, mais de uma base. É o caso dos verbos ir e ser.
Note como o radical desses verbos se altera de um tempo para outro.

Ser - vem dos verbos latinos sedere e esse
Ir - vem dos verbos latinos ire, vadere e fugere

Verbo ir
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Pretérito imperfeito do indicativo ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Verbo ser
Presente do indicativo sou, és, é, somos, sois, são
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Pretérito imperfeito do indicativo era, eras, era, éramos, éreis, eram

Também são anômalos os verbos ter, estar, haver, vir e pôr.

Para você saber se um verbo é regular ou irregular, conjugue-o
no presente do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo. Se
ele for regular nesses tempos, ou seja, não apresentar alterações,
será regular nos demais; caso contrário, será irregular.
Verbos auxiliares e principais
O verbo auxiliar é aquele que se junta a outro verbo, chamado principal, para
formar uma locução verbal. Na locução verbal, é o verbo auxiliar que é
conjugado, ou seja, é ele que varia em modo, tempo, número e pessoa. Mas,
em compensação, é o verbo principal que carrega o sentido da locução, por
isso mesmo ele é chamado de principal. O verbo principal aparece no
infinitivo, no particípio ou no gerúndio, ou seja, em uma das formas
nominais, que você já conheceu.

Você deve estar se perguntando para que servem então os auxiliares, além de
indicar o tempo, o modo, o número e a pessoa. Na verdade, muitos deles
servem para indicar certas noções que o verbo principal, por si só, não
consegue expressar.

Há dois tipos de verbo auxiliar:
modais - indicam desejo, intenção, possibilidade, necessidade, vontade,
intenção, finalização e dúvida. São eles: dever, precisar, poder,
querer, desejar, odiar, detestar, tentar, pretender, ousar, pôr-se a,
atrever-se a, conseguir, chegar a, vir a.
aspectuais - indicam início, repetição, continuidade ou fim da ação.
São eles: estar, andar, continuar, começar, pôr, ficar, deixar, acabar.

Verbos defectivos e abundantes
Mais uma classificação? Sim, mais uma, mas calma, não é nenhum bicho de
sete cabeças: são os verbos defectivos e abundantes.
Os defectivos são aqueles verbos que têm defeito. Ou seja, ao serem conjugados,
não apresentam todas as formas. Normalmente, isso ocorre, porque a forma soa mal.
É o caso do verbo abolir, que não é conjugado na 1ª pessoa do singular. O verbo
falir também não é usado em algumas pessoas, mas por outro motivo: algumas de
suas formas se confundem com o verbo falar. Assim, para evitar confusão, as
formas do verbo falir que são iguais às do verbo falar não são usadas.
Os verbos defectivos têm provocado muitas discordâncias entre
muitos gramáticos. Afinal, dizer o que soa bem ou mal é sempre
difícil, pois envolve gosto pessoal. O resultado dessa polêmica é
que o dicionário Aurélio considera os verbos adequar, explodir,
ressarcir e computar como verbos defectivos, não devendo ser conjugados
em algumas pessoas, como a 1ª pessoa do singular do presente
do indicativo. Já o dicionário Houaiss aceita essas formas naturalmente:
eu ressarço, me adéquo, computo e explodo.

Outros defectivos são extorquir, colorir, abolir, reaver, precaver e
demolir.

Método prático para saber se um verbo é defectivo:
Conjugue-o na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Se a pronúncia
se confundir com a de outro verbo ou se ficar estranha, o verbo é defectivo.
falir - eu falo (confunde-se com o verbo falar)
remir - eu remo (confunde-se com o verbo remar) e eu rimo (confunde-se com o verbo rimar)
soer - eu soo (confunde-se com o verbo soar)
doer - eu doo (confunde-se com o verbo doar)

Vamos a alguns verbos que merecem atenção:
Os tempos que não estão citados na lista são regulares.
As irregularidades no pretérito perfeito se estendem ao mais-que-perfeito, imperfeito do subjuntivo e futuro do subjuntivo.
Não incluímos o imperativo, porque ele é obtido de acordo com o esquema já conhecido.

1 - Dar:
Presente do indicativo - dou, dás, dá, damos, dais, dão
Presente do subjuntivo - dê, dês, dê, demos, deis, deem
Pretérito perfeito - dei, deste, deu, demos, destes, deram

O derivado circundar é regular.

2 - Caber:
Presente do indicativo - caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
Presente do subjuntivo - caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam
Pretérito perfeito - coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam

3 - Saber:
Presente do indicativo - sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Presente do subjuntivo - saiba, saibas, saiba, saibamos, saibais, saibam
Pretérito perfeito - soube, soubestes, soube, soubemos, soubestes, souberam

4 - Crer:
Presente do indicativo - creio, crês, crê, cremos, credes, creem
Presente do subjuntivo - creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
Pretérito perfeito - cri, creste, creu, cremos, crestes, creram

Por ele se conjugam o derivado descrer e os verbos ler e reler.

5 - Dizer:
Presente do indicativo - digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Presente do subjuntivo - diga, digas, diga, digamos, digais, digam
Pretérito perfeito - disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
Futuro do presente - direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Futuro do pretérito - diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam

Por ele se conjugam bendizer, desdizer, maldizer, contradizer e redizer.

6 - Fazer:
Presente do indicativo - faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
Presente do subjuntivo - faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Pretérito perfeito - fiz, fizeste, fez, fizemos, fizestes, fizeram
Futuro do presente - farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
Futuro do pretérito - faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam

Por ele se conjugam desfazer, refazer, perfazer, satisfazer, liquefazer e rarefazer.

7 - Trazer:
Presente do indicativo - trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
Presente do subjuntivo - traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam
Pretérito perfeito - trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Futuro do presente - trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Futuro do pretérito - traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam

8 - Poder:
Presente do indicativo - posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
Presente do subjuntivo - possa, possas, possa, possamos, possais, possam
Pretérito perfeito - pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam

9 - Perder:
Presente do indicativo - perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
Presente do subjuntivo - perca, percas, perca, percamos, percais, percam

10 - Valer:
Presente do indicativo - valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
Presente do subjuntivo - valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham

Por ele se conjuga equivaler.

11 - Medir:
Presente do indicativo - meço, medes, mede, medimos, medis, medem
Presente do subjuntivo - meça, meças, meça, meçamos, meçais, meçam

Por ele se conjuga desmedir.

12 - Pedir:
Presente do indicativo - peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Presente do subjuntivo - peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam

Por ele se conjugam - embora não sejam derivados deste - despedir, expedir, impedir, desimpedir e reexpedir.

13 - Ouvir:
Presente do indicativo - ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Presente do subjuntivo - ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam

14 - Rir:
Presente do indicativo - rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Presente do subjuntivo - ria, rias, ria, riamos, riais, riam

Por ele se conjuga sorrir.

15 - Servir:
Presente do indicativo - sirvo, serves, serve, servimos, servis, servem
Presente do subjuntivo - sirva, sirvas, sirva, sirvamos, sirvais, sirvam

Por ele se conjugam ferir, aferir, interferir, diferir, preferir, proferir, transferir, aderir, competir, gerir, digerir, inserir, preterir, discernir, deferir, despir, divergir, desferir, advertir, impelir, expelir, repelir, sugerir, investir, conseguir, seguir, perseguir, vestir, referir, repetir e refletir.

16 - Prevenir:
Presente do indicativo - previno, prevines, previne, prevenimos, prevenis, previnem
Presente do subjuntivo - previna, previnas, previna, previnamos, previnais, previnam

Por ele se conjugam agredir, denegrir, progredir, regredir, transgredir e cerzir.

17 - Dormir:
Presente do indicativo - durmo, dormes, dorme, dormimos, dormis, dormem
Presente do subjuntivo - durma, durmas, durma, durmamos, durmais, durmam

Por ele se conjugam tossir, engolir, cobrir, descobrir, encobrir e recobrir.

18 - Fugir:
Presente do indicativo - fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Presente do subjuntivo - fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam

Por ele se conjugam acudir, bulir, consumir, cuspir, entupir, desentupir, escapulir, sacudir, subir e sumir.
Assumir, presumir, resumir, iludir e aludir são regulares. Conjugam-se como partir.

19 - Optar, raptar, adaptar, captar
Nas formas rizotônicas, a vogal que precede o grupo pt é tônica:
eu opto (pronúncia: ópto)
eles raptam (pronúncia: ráptam)

20 - Pugnar, estagnar, resignar, impugnar, consignar, repugnar, dignar-se, indignar-se, impregnar
Nas formas rizotônicas, a vogal que precede o grupo gn é tônica:
ele estagna (pronúncia: estágna)
tu pugnas (pronúncia: púgnas)

21 - Ritmar, obstar
O i de ritmar e o o de obstar são tônicos nas formas rizotônicas:
eu ritmo (pronúncia: rítmo)
tu obstas (pronúncia: óbstas)

22 - Arguir
Presente do indicativo: arguo (gú), arguis (gú), argui (gú), arguimos, arguis, arguem (gú)
Presente do subjuntivo: argua, arguas, argua, arguamos, arguais, arguam
Por ele se conjuga redarguir.

23 - Apaziguar:
Presente do indicativo: apazíguo, apazíguas, apazígua, apaziguamos, apaziguais, apazíguam
Presente do subjuntivo: apazígue, apazígues, apazígue, apaziguemos, apazigueis, apazíguem
Por ele se conjugam averiguar e obliquar.

24 - Polir:
Presente do indicativo: pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Presente do subjuntivo: pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Por ele se conjuga sortir.

25 - Parir:
Presente do indicativo: pairo, pares, pare, parimos, paris, parem
Presente do subjuntivo: paira, pairas, paira, pairamos, pairais, pairam

26 - Abaular:
Presente do indicativo: abaúlo, abaúlas, abaúla, abaulamos, abaulais, abaúlam
Presente do subjuntivo: abaúle, abaúles, abaúle, abaulemos, abauleis, abaúlem
Por ele se conjugam saudar, enviuvar, ajuizar, arruinar e esmiuçar.

27 - Frigir:
Presente do indicativo: frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem
Presente do subjuntivo: frija, frijas, frija, frijamos, frijais, frijam
Aparece na expressão no frigir dos ovos - no fim de tudo. Na maioria dos casos, usa-se o sinônimo fritar.

28 - Resfolegar:
Presente do indicativo: resfólego, resfólegas, resfólega, resfolegamos, resfolegais, resfólegam
Presente do subjuntivo: resfólegue, resfólegues, resfólegue, resfoleguemos, resfolegueis, resfóleguem

29 - Produzir:
Presente do indicativo: produzo, produzes, produz, produzimos, produzis, produzem
Presente do subjuntivo: produza, produzas, produza, produzamos, produzais, produzam
Por ele se conjugam reduzir, seduzir, traduzir, induzir, deduzir, reproduzir e introduzir.

30 - Influir:
Presente do indicativo: influo, influis, influi, influímos, influís, influem
Presente do subjuntivo: influa, influas, influa, influamos, influais, influam
Por ele se conjugam todos os verbos terminados em UIR: poluir, atribuir, possuir, incluir, concluir, contribuir, constituir, diminuir, distribuir, substituir, restituir, retribuir, evoluir, desobstruir, instruir, instituir, diluir, usufruir, obstruir, excluir, estatuir, intuir, prostituir, restituir, destituir etc.

31 - Destruir:
Presente do indicativo: destruo, destróis, destrói, destruímos, destruís, destroem
Presente do subjuntivo: destrua, destruas, destrua, destruamos, destruais, destruam
Por ele se conjugam construir e reconstruir.

32 - Cair:
Presente do indicativo: caio, cais, cai, caímos, caís, caem
Presente do subjuntivo: caia, caias, caia, caiamos, caiais, caiam
Por ele se conjugam abstrair, atrair, contrair, decair, distrair, esvair, extrair, recair, retrair, sair, sobressair, subtrair e trair.

33 - Remir:
Presente do indicativo: redimo, redimes, redime, remimos, remis, redimem
Presente do subjuntivo: redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
As formas inexistentes são supridas pelas do sinônimo redimir.

Até o momento tratamos dos tempos verbais simples, isto é, aqueles
formados por uma só forma verbal. Agora, você vai conhecer os tempos
compostos. Os tempos compostos são locuções verbais formadas pelos verbos
auxiliares ter e haver mais o particípio do verbo principal. Na frase abaixo, a
locução verbal tinha saído é um tempo composto.
Eu já tinha saído de casa quando começou a chover
Existem os tempos compostos do modo indicativo e do modo subjuntivo,
assim como é apresentado nas Tabelas 3-6 e 3-7.

Modo indicativo
Pretérito perfeito composto tenho/hei cantado
Pretérito mais-que-perfeito composto tinha/havia cantado
Futuro do presente composto terei/haverei cantado
Futuro do pretérito composto teria/haveria cantado

Modo subjuntivo
Pretérito perfeito composto tenha/haja cantado
Pretérito mais-que-perfeito composto tivesse/houvesse cantado
Futuro composto tiver/houver cantado
Repare que o pretérito perfeito composto do indicativo (tenho
cantado) é formado pelo presente do indicativo do verbo ter ou
haver + o particípio do verbo principal.
Você deve estar se perguntando — e com toda a razão — por que o nome do
tempo verbal é pretérito perfeito composto se o auxiliar está no presente. Na
verdade, isso acontece porque, apesar de a ação se prolongar até o presente,
ela começou, de fato, no passado, ou seja, existe a ideia de passado.
Pode também causar espanto o pretérito mais-que-perfeito ser formado pelo
auxiliar ter ou haver no pretérito imperfeito (tinha cantado). A explicação
para isso também é simples: a ideia que o pretérito mais-que-perfeito
composto do indicativo transmite é de uma ação que aconteceu antes de outra
no passado, isto é, uma ação mais antiga que outra já ocorrida no passado.
Por exemplo, na frase Eu já tinha cantado quando meus pais chegaram,
há duas ações que aconteceram no passado: cantar e chegar, mas a ação de
cantar aconteceu antes.
Na verdade, o pretérito mais-que-perfeito composto tinha cantado
corresponde à forma simples cantara. A forma composta, contudo, é muito
mais usada no português falado e escrito do Brasil.

Certamente, você já ficou na dúvida na hora de formar uma frase
com o particípio, não é? Essa dúvida não é só sua.
Isso acontece porque o verbo aceitar apresenta duas formas para o
particípio: a forma regular aceitado (com a terminação -do) e a forma
irregular aceito/aceita. Verbos como pagar são chamados de verbos
abundantes.
Ao contrário dos defectivos, os abundantes apresentam mais de uma
forma com o mesmo valor. Na maioria dos casos, essa abundância
de formas acontece no particípio. Por exemplo, os verbos aceitar,
entregar, pagar, imprimir, eleger, expulsar, soltar, salvar, prender,
suspender etc., apresentam duas formas para o particípio: a forma regular,
terminada em -do (aceitado, entregado, elegido, imprimido, expulsado,
salvado, soltado, prendido, suspendido)  e a forma irregular (aceito,
entregue, eleito, impresso, expulso, salvo, solto, preso, suspenso)
Você deve estar se perguntando quando usar cada uma dessas
formas, já que as duas são possíveis. Na verdade, é fácil, basta olhar
para o verbo que acompanha o particípio, ou seja, o verbo auxiliar
da locução verbal. Com os verbos auxiliares ter ou haver, use a
forma regular, ou seja, aquela terminada em -do. Já com outros
auxiliares, como ser e estar, empregue a forma irregular. Veja:
Ele tinha aceitado o contrato.
O contrato foi aceito.

Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, ver e vir só têm a
forma irregular: aberto, coberto, dito, escrito, feito, visto e
vindo  (que também é gerúndio).
Os verbos trazer, chegar e empregar não são abundantes. Têm apenas a
forma regular: trazido, chegado e empregado. As formas chego e trago
só existem no presente do indicativo. A forma empregue só existe no
presente do subjuntivo e no imperativo. Empregado também pode ser um
substantivo.
O verbo encarregar não é abundante. Tem apenas a forma regular:
encarregado. A forma encarregue só existe no presente do subjuntivo e
no imperativo. Encarregado também pode ser um substantivo.
Hoje em dia, os verbos pagar, pegar, ganhar e gastar têm apenas a
forma irregular (ganho, gasto, pago e pego), que se usam também com os
auxiliares ter e haver. As formas regulares ganhado, gastado, pagado e pegado
desapareceram.

Agora que você já sabe reconhecer cada um dos tempos verbais pelas suas
marcas, é hora de aprender a empregá-los. Isso, aliás, é muito importante,
pois, para formar frases claras, é preciso saber escolher o tempo e o modo
verbais adequados para cada situação.
Um exemplo de como isso é importante pode ser notado na frase: Talvez
choveu amanhã. Você, com certeza, notou algo de errado nela, não é? Na
verdade, o problema da frase está justamente na escolha do tempo e do modo
do verbo chover. Repare que o advérbio talvez indica dúvida quanto ao fato
de chover, ou seja, quem disse essa frase não sabe ao certo se vai chover ou
não. Por isso, o modo ideal para a frase é o subjuntivo e não o indicativo.
Além disso, o advérbio amanhã indica futuro e o verbo chover está no
pretérito perfeito do indicativo, ou seja, no passado. Resultado, confusão
total! A frase ideal seria: Talvez chova amanhã.
Assim, para usar adequadamente os tempos simples do modo indicativo e do
subjuntivo, siga as recomendações abaixo:
Usando os tempos simples do indicativo
Use o presente para:
indicar um fato que acontece no momento em que você está falando —
Os alunos estão em sala.
Neste caso, chama-se presente 'momentâneo'.
representar uma ação que você faz todos os dias — Eu escovo os dentes
todos os dias.
Neste caso, chama-se presente 'habitual'.
registrar uma “verdade absoluta” — A Terra gira em torno do sol.
Neste caso, chama-se presente 'durativo'.
representar uma ação que vai ocorrer num futuro próximo — Viajo
amanhã.
narrar um fato ocorrido no passado, mas que você quer realçar — Em
22 de abril de 1500, Cabral descobre o Brasil.
Neste caso, chama-se presente 'histórico'.
substituir o imperativo — Você me serve um cafezinho?
Use o pretérito perfeito para:
representar um fato passado, já totalmente concluído — Assisti ao
filme ontem.
Use o pretérito imperfeito para:
representar um fato que acontecia sempre no passado, ou seja, era um
acontecimento frequente, habitual — Eu andava de bicicleta quando
criança.
indicar que um fato estava acontecendo quando outro ocorreu — Eu
lia quando você chegou.
demonstrar cortesia, ou seja, é uma forma mais delicada de dar uma
ordem ou fazer um pedido — Queria um favor.
substituir o futuro do pretérito tanto na linguagem informal quanto na
formal — Se eu pudesse, viajava mais.
representar um fato passado incerto no tempo — Era uma vez...
Use o pretérito mais-que-perfeito para:
representar uma ação que aconteceu no passado antes de outra ocorrida
também no passado, ou seja, é o passado do passado — Eu já jantara
quando ele chegou.
Repare que as ações de jantar e chegar aconteceram no
passado, mas a ação de jantar ocorreu primeiro. A forma
simples do pretérito mais-que-perfeito — aquela terminada em
RA (jantara) — não é comum na linguagem do dia a dia. Pense
em quantas vezes na sua vida você usou o pretérito mais-que-
perfeito simples, poucas, não é? Normalmente, usamos a forma
composta para representar a ação que aconteceu primeiro:
Eu já tinha jantado quando ele chegou.
Use o futuro do presente para:
indicar um fato que ainda vai se realizar — Amanhã começarei uma
dieta.
substituir o imperativo — Não furtarás!
Você já deve ter notado que o futuro do presente também é pouco usado na
linguagem coloquial. No lugar dele, é normal o uso de locuções verbais com
o verbo auxiliar ir + o infinitivo do verbo principal. É muito mais comum
você dizer: Amanhã vou começar uma dieta do que Amanhã começarei
uma dieta. O futuro do presente acaba sendo empregado em situações mais
formais.
Use o futuro do pretérito para:
indicar um fato futuro em relação a outro fato passado — Eu iria à
praia se não tivesse chovido.
mostrar incerteza sobre um fato passado — Seriam onze horas
quando eles chegaram à festa.
demonstrar polidez, cortesia — Poderia fechar a porta?
demonstrar surpresa, indignação — Quem diria! / Ela não faria uma
coisa dessa!
Usando os tempos simples do subjuntivo
Use o presente para:
indicar um fato duvidoso, ou seja, um fato com o qual você não quer se
comprometer — Talvez ele volte ao trabalho ainda este mês.
demonstrar um desejo — Espero que este livro seja útil.
Use o imperfeito para:
indicar uma condição — Se chovesse, deixaria de viajar.
representar um fato posterior a um fato no passado — Pedi que
fizessem o trabalho até sábado.
representar um fato simultâneo a um fato no passado — Achávamos
que eles dirigissem bem.
Use o futuro para:
indicar uma condição em relação a um fato no futuro — Se
estudarmos, aprenderemos rapidamente.

Um uso do subjuntivo independente é nas orações optativas.
Exemplo: Deus nos proteja daquele maluco.

Usando os tempos compostos do indicativo
Use o pretérito perfeito composto para:
representar uma ação que começou no passado e se prolonga até o
presente — Tenho viajado muito nos últimos anos.
indicar uma ação que se repete — Temos andado de bicicleta todos os
dias.
Use o pretérito mais-que-perfeito composto para:
representar uma ação que aconteceu no passado antes de outra ocorrida
também no passado, ou seja, é o passado do passado — Ele já tinha
acordado quando eu liguei.
O pretérito mais-que-perfeito composto tem o mesmo emprego
do pretérito mais-que-perfeito simples.
Use o futuro do presente composto para:
mostrar que uma ação futura acontecerá antes de outra — Quando
você chegar, já terei lido todo o livro.
Use o futuro do pretérito composto para:
indicar que um fato teria acontecido no passado com certa condição —
Nós teríamos chegado antes se o trânsito estivesse livre.
Usando os tempos compostos do subjuntivo
Use o pretérito perfeito composto para:
mostrar um fato supostamente concluído — Imagino que ela tenha 
viajado ontem.
Use o pretérito mais-que-perfeito composto para:
indicar um fato irreal no passado — Esperei até que ela 
tivesse terminado a leitura.
representar um fato hipotético — Se tivesse saído cedo, chegaria a
tempo.
Use o futuro composto para:
indicar uma ação futura que já estará terminada antes de outra ação
também futura — Quando tivermos terminado a obra, faremos uma
festa de inauguração.
Verbos Terminados em -Ear e -Iar
De modo geral, os verbos terminados em -ear são conjugados como o verbo
passear. Assim, verbos como cear, pentear, recear, falsear, frear, semear,
nomear, estrear, bloquear etc. vão seguir o modelo do verbo passear.
Por exemplo, Eu passeei ontem, Eu ceei, Eu freei bruscamente.
Já verbos terminados em -iar seguem o modelo do verbo confiar. Assim, a
maioria dos verbos com essa terminação, como abreviar, acariciar, adiar,
afiar, alumiar, apreciar, anunciar, criar, saciar, guiar, espiar, enviar,
associar, etc.
É bem provável que você já tenha ficado em dúvida ao conjugar
determinados verbos da língua portuguesa. Não pense que isso só acontece
com você. Certos verbos são mesmo verdadeiras armadilhas. Um exemplo
disso são alguns verbos terminados em -iar, que, às vezes, conjugam-se
como os verbos terminados em -ear.
É o que acontece com os verbos mediar, ansiar, remediar, intermediar,
incendiar, odiar. Esses verbos, pela sua terminação em -iar, deveriam
seguir o modelo do verbo confiar, mas não é isso o que acontece.
Você não diz eu “odio” e sim odeio.
Você já deve estar se perguntando que Mario é esse. Bem, o nome MARIO
é só um recurso para você se lembrar desses verbos que fogem ao padrão,
pois esse nome é formado com as iniciais dos verbos Mediar, Ansiar,
Remediar, Intermediar, Incendiar, Odiar.

Há dois verbos que não são derivados:
1 - Requerer: não é derivado do verbo querer, apesar da semelhança.
Querer é desejar, requerer é solicitar.
No presente do indicativo é requeiro, no presente do subjuntivo é requeira.
Nos outros tempos, segue a conjugação de vender.
2 - Prover: não é derivado do verbo ver, apesar da semelhança. Prover é abastecer, suprir.
Segue a conjugação de ver apenas no presente do indicativo, pretérito
imperfeito, futuro do presente, futuro do pretérito, no presente do
subjuntivo e nos dois imperativos. No pretérito perfeito e seus derivados
e no particípio, segue a conjugação de vender.

Além disso, há a santíssima trindade:
1 - Ter: conjugam-se como ele seus derivados - abster-se, conter, manter,
deter, reter, entreter e obter
2 - Ver: conjugam-se como ele seus derivados - prever, antever,
rever, entrever e telever
3 - Vir: conjugam-se como ele seus derivados - intervir, provir, convir,
advir, sobrevir e desavir-se

Os substantivos, que são as palavras que usamos para nomear os seres a
nossa volta, formam uma classe bem extensa e variada, por isso podem ser
classificados em diferentes tipos. O seu nome, por exemplo, caro leitor, é um
substantivo da mesma forma que são substantivos os nomes das coisas que
existem ao nosso redor: carro, amor, luz, povo etc.
Os substantivos podem ser classificados de acordo com o significado que eles
transmitem e também de acordo com a sua forma. Quanto ao significado,
podem ser concretos ou abstratos, próprios ou comuns e também coletivos.
Já quanto à forma, dividem-se em simples ou compostos e primitivos ou
derivados.
Substantivos concretos são aqueles que você pode pegar? Será que é isso
mesmo? Com certeza, você já ouviu essa definição por aí, mas ela não é a
mais adequada, pois muitos substantivos concretos não podem ser tocados.
Na verdade, substantivos concretos são aqueles que nomeiam seres animados
ou inanimados, reais ou criados pela nossa imaginação, mas que estão no
mundo como seres independentes. As palavras mesa, cachorro, Brasil,
vento, alma, estrela são exemplos de substantivos concretos.
Já os substantivos abstratos são aqueles que nomeiam ações, estados,
qualidades e sentimentos. Por exemplo, o nome da ação fugir é fuga, logo a
palavra fuga é um substantivo abstrato. Alegria (nome da qualidade alegre),
atenção (nome do estado atento) e amor (nome do sentimento) também são
substantivos abstratos.
Próprios e comuns são outras classificações dos substantivos. O seu nome de
batismo, por exemplo, é um substantivo próprio, pois ele nomeia um
indivíduo em particular, você. Também são substantivos próprios os nomes
de países, estados, cidades, planetas, pois se referem a um ser em particular.
Os substantivos comuns, por outro lado, são aqueles que se referem a
qualquer ser de uma espécie, sem particularizá-lo, sem individualizá-lo.
Livro, rio, montanha, animal, criança são exemplos de substantivos
comuns.
Os substantivos coletivos, por sua vez, nomeiam conjuntos de seres de uma
mesma espécie. É o caso, por exemplo, dos substantivos batalhão, que
representa um conjunto de soldados; multidão, conjunto de pessoas; cáfila,
conjunto de camelos; flora, conjunto de vegetais de uma região, entre muitos
outros.

Existem ainda os coletivos não específicos: congresso - de deputados, de
senadores, de especialistas ou de cientistas / colônia - de pescadores ou de
imigrantes

Já quanto à forma, você, com certeza, já percebeu que existem substantivos
formados por apenas um elemento (ou radical) são os substantivos simples e
substantivos formados por mais de um elemento, os substantivos compostos.
O substantivo chuva é simples, está formado por apenas um elemento; o
substantivo guarda-chuva, por outro lado, formado por dois elementos,
guarda e chuva, é um substantivo composto.
Mas preste atenção: nem sempre os substantivos compostos apresentam seus
elementos ligados por hífen. Os substantivos pontapé (ponta + pé), girassol
(gira + sol), passatempo (passa + tempo), apesar de não apresentarem hífen,
são compostos, pois têm dois elementos em sua estrutura.
Ainda em relação à forma, também fica fácil notar que certos substantivos
são formados a partir de outras palavras que já existem na língua. Por
exemplo, o substantivo folhagem deriva do substantivo folha, por isso é
chamado de substantivo derivado. Os substantivos que não se originam de
nenhuma outra palavra da língua são os primitivos, ou seja, no caso acima,
folha é um substantivo primitivo.
Bem, agora que você já sabe como os substantivos podem ser classificados,
vai ver também que essa classe de palavras é uma classe variável.

Só para lembrar: o gênero é a marca gramatical que distribui os nomes em
dois grandes grupos: nomes masculinos (caderno, sol, dia, lápis, coelho,
brilho) e nomes femininos (casa, lua, vaca, bermuda, fumaça, claridade).
São masculinos os substantivos aos quais podemos antepor o artigo o; são
femininos os substantivos aos quais podemos o artigo a.
Todos os substantivos pertencem a um gênero. Para conhecer o gênero de um
substantivo, basta consultar o dicionário.
Não confunda gênero com sexo. O gênero dos substantivos é um
princípio puramente linguístico, uma característica convencional
dos substantivos fixada pelo uso. O gênero, na verdade, diz
respeito a todos os substantivos, tanto àqueles que se referem a
seres providos de sexo, quanto àqueles que indicam apenas
“coisas”. A palavra livro, por exemplo, é uma palavra do gênero
masculino, mas não existe relação com o sexo masculino.

Os nomes dos dias da semana são femininos, com exceção de sábado e domingo.
Os nomes das estações do ano são masculinos, com exceção de primavera.

Em linguagem medieval, muitos sobrenomes terminados em ES indicavam filiação.
Tais sobrenomes são chamados de patronímicos. Exemplo - Antunes (filho de
Antônio).

Passando para o feminino
Você já ter percebido que a regra para formar o feminino dos substantivos
terminados em -o é a seguinte: basta você trocar o -o por -a. É o caso de
substantivos como gato, aluno e menino que, no feminino, ficam gata,
aluna e menina. Muito fácil, não é?
Já nos substantivos terminados em -or, basta acrescentar o -a ao masculino.
Assim, professor vira professora. Nos substantivos terminados em -e, troca-
se o -e por -a, logo o feminino de monge é monja. Mas, se o substantivo
termina em -ês, -l ou -z, é só você acrescentar o a ao masculino, como
acontece em freguês/freguesa, bacharel/bacharela e juiz/juíza, por
exemplo.
Os substantivos terminados em -ão podem formar o feminino de três
maneiras: mudando -ão para -oa (patrão/patroa); mudando -ão para ã
(campeão/campeã) ou trocando -ão por -ona (comilão/comilona).
Muitos femininos são marcados pelas terminações -isa, -esa ou -essa: poeta/
poetisa; cônsul/consulesa; conde/condessa.
Nem sempre a formação do feminino segue à risca as regras
acima. Por exemplo, os substantivos ator e imperador terminam
em -or, mas o feminino se faz com a terminação -triz (atriz e
imperatriz). Também há muitos substantivos que formam o
feminino através de terminações bem variadas: maestro/
maestrina; judeu/judia; herói/heroína; réu/ré; galo/galinha;
avô/avó.
Substantivos que não mudam de forma
Você já deve ter notado que alguns substantivos não têm nenhuma marca
para diferenciar o masculino do feminino, ou seja, a mesma forma do
substantivo é usada tanto para o masculino quanto para o feminino. É o que
acontece com os substantivos: gerente, taxista, especialista etc. Nesses
casos, para fazer a diferença entre o masculino e o feminino, você deve
observar o artigo ou outro determinante: o gerente/a gerente. Esses 
substantivos são chamados de comuns de dois gêneros.

E ainda há outro caso interessante: são os substantivos que apresentam um só
gênero, mas podem se referir a pessoas do sexo masculino ou feminino. A
palavra vítima, por exemplo, é feminina, pois nós dizemos a vítima, mas
essa palavra pode se referir a uma pessoa do sexo masculino ou feminino. O
mesmo acontece com as palavras testemunha, pessoa, criança, criatura,
cônjuge, entre outras. Esses substantivos recebem o nome de sobrecomuns.
Alguns substantivos que nomeiam animais também apresentam apenas uma
forma, ou seja, apenas um gênero. É o caso do substantivo onça, que é uma
palavra do gênero feminino (a onça). Nesses casos, para indicar o sexo do
animal, usamos as palavras macho e fêmea. Assim, temos onça macho e
onça fêmea. Esses substantivos que nomeiam animais e possuem um só
gênero são chamados epicenos.
Substantivos que mudam totalmente de forma
Alguns substantivos apresentam duas formas totalmente diferentes para o
masculino e para o feminino. É o caso dos substantivos genro/nora;
homem/mulher; pai/mãe; padrinho/madrinha; boi/vaca, entre outros.
Esses substantivos são chamados de heterônimos.

Há alguns que costumam causar dúvidas quanto ao gênero:
são masculinos - o guaraná, o herpes, o cônjuge, o champanhe, o aneurisma
são femininos - a alface, a patinete, a libido, a derme, a cal,
a grafite
aceitam os dois gêneros - o/a personagem, o/a diabetes, o/a usucapião, o/a
sósia

Na origem, diabetes era masculino. Só passou a ser feminino por
influência da palavra doença.

Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam também
de sentido. Isso acontece com os substantivos cabeça e capital.
Se você usa o substantivo cabeça no masculino, o cabeça, a
palavra passa a significar líder e não mais uma parte do
corpo. É o que acontece na frase: Ele é o cabeça do grupo. A
mudança de sentido também ocorre com o substantivo capital,
que, no masculino, significa dinheiro e, no feminino, indica a
cidade principal de um país.

Rádio, no masculino, indica o aparelho e, no feminino, a emissora.
Cura, no masculino, é um padre e no feminino, o ato de curar.
Crisma, no masculino, é o óleo e no feminino, é o sacramento.
Moral, no masculino, significa estado de espírito e no feminino, ética.

Singular ou plural? O número dos substantivos
O número é essa marca que divide os nomes em singular (livro) e plural
(livros). Quando o substantivo está no singular, ele se refere a um único ser
(peixe) ou a um único conjunto de seres (cardume). Já no plural, os
substantivos se referem a mais de um ser (peixes) ou a mais de um desses
conjuntos (cardumes).
Você, com certeza, já percebeu que para formar o plural em português, basta
acrescentar o -s no final da palavra. Logo, o plural de casa é casas. Podemos
dizer que essa é a regra geral da flexão de número.
Fácil, não é? Mas, infelizmente, nem tudo que diz respeito ao plural é tão
simples assim. Às vezes, não basta simplesmente acrescentar o -s. Em alguns
casos, o acréscimo do -s provoca alterações para atender às características do
português.
Por exemplo, o plural do substantivo lar, segundo a regra geral apresentada
acima, seria “lars”, mas esse encontro rs é impossível no final das palavras
em português. Por esse motivo, acrescentamos a vogal e antes da marca de
plural. Assim, o plural de lar é lares.

vogal ou ditongo - acrescenta-se S
AL, EL, OL e UL - troca-se o L por IS (exceções: mal - males e cônsul - cônsules)
IL (oxítonas) - troca-se o L por IS
IL (paroxítonas) - troca-se o L por EIS
R e Z - acrescenta-se ES
S (oxítonas ou monossílabos) - acrescenta-se ES
S (paroxítonas ou proparoxítonas) - invariáveis
M - troca-se o M por NS
N - acrescenta-se S
X - invariável

Mel e gel têm dois plurais: méis e géis / meles e geles.
Pela regra, o plural de gol seria gois ou goles, mas o uso consagrou a forma gols.

Há alguns plurais com deslocamento da sílaba tônica:
caráter - caracteres
júnior - juniores
sênior - seniores

Avô tem dois plurais - avós e avôs.

Há alguns que mudam o sentido no singular e no plural. Exemplo clássico é
costa (litoral) e costas (parte do corpo).

Quando substantivados, os numerais vão para o plural, exceto os que terminam
em S ou Z:
No meu CPF, há dois noves e dois três.
Os nomes de letras fazem plural normalmente: os eles, os emes, os enes.
Também os estrangeirismos fazem plural: os shoppings, os abajures.

Nomes próprios têm plural: as Marias, os Josés, os Joões, os Antônios.
A regra é a mesma para sobrenomes. É o que ocorre, por exemplo, com a
Rua dos Andradas, topônimo que ocorre em Porto Alegre (RS), referindo-se à
santíssima trindade José Bonifácio (conhecido como Patriarca da Independência),
e seus irmãos Martim Francisco e Antônio Carlos.

Você, com certeza, já deve ter ficado em dúvida sobre o plural de um
substantivo terminado em -ão. Será que o plural de corrimão é corrimões ou
corrimãos? No caso do substantivo corrimão, as duas formas são possíveis,
mas o plural dos nomes terminados em -ão é um assunto delicado mesmo,
pois esses substantivos podem se flexionar de três maneiras: -ões, -ães, -ãos.
Além disso, existe muita decoreba nessa história. A seguir, estão algumas
dicas que podem ajudar você.
A maioria dos substantivos terminados em -ão faz o plural com a
terminação -ões. É o caso dos substantivos limão/limões,
folião/foliões, leão/leões etc.
Os substantivos aumentativos também fazem o plural em -ões. Por
exemplo, o plural de casarão é casarões.
Poucos fazem o plural em -ães. Por exemplo: pão/pães, cão/cães,
capitão/capitães.
Já os substantivos terminados em -ão que forem paroxítonos (aqueles
que têm a penúltima sílaba tônica) fazem o plural em -ãos, ou seja,
basta acrescentar o s à palavra. É o que acontece com os substantivos
órfão, órgão e bênção, que têm as seguintes formas no plural: órfãos,
órgãos e bênçãos.

Isso acontece também com alguns oxítonos: cristão/cristãos, irmão/irmãos,
pagão/pagãos, artesão/artesãos.

Há alguns que aceitam mais de um plural, é o caso de cirurgião, que
tem dois plurais: cirurgiões e cirurgiães, e aldeão, que tem três plurais:
aldeões, aldeãos e aldeães.

O plural dos substantivos compostos
Você se lembra dos substantivos compostos, aqueles formados por mais de
um elemento (radical)? Bem, eles merecem de você uma atenção especial ao
serem colocados no plural. A primeira coisa que se deve observar é se os
elementos que formam o substantivo composto são ligados ou não por hífen,
aquele famoso tracinho de união.
Se o substantivo composto não for ligado por hífen, o plural segue as mesmas
regras do plural dos substantivos simples, que você acabou de conhecer. É o
que acontece com o plural dos seguintes substantivos compostos:
pontapé/pontapés; girassol/girassóis.
Mas, se os elementos que formam o substantivo composto são ligados por
hífen, a história é outra. Tudo vai depender dos elementos que formam o
composto.

elementos ligados por preposição - somente o primeiro elemento varia
primeiro elemento é verbo, advérbio ou prefixo - somente o segundo varia
primeiro elemento é substantivo, adjetivo ou numeral - ambos variam
palavras repetidas ou onomatopaicas - somente o segundo varia
grão, grã e bel - somente o segundo varia

Obs.: Os gramáticos antigos diziam que, quando o segundo elemento limita o
sentido do primeiro, o segundo deveria permanecer no singular. Assim, o 
plural de cidade-satélite seria cidades-satélite. Por essa regra, o plural de
samba-enredo seria sambas-enredo. Entretanto, devido à dificuldade de, na
prática, saber se o segundo elemento está limitando o primeiro, essa regra tem
caído em desuso. Hoje em dia dizemos cidades-satélites e sambas-enredos.

Plural com mudança de som
É isso mesmo, alguns substantivos, no singular, têm o tônico fechado (ô),
mas, quando passam para o plural, trocam esse o fechado pelo o tônico aberto
(ó). É o que acontece com substantivos como osso, olho, ovo (que são
pronunciados como ôsso, ôlho, ôvo), mas, no plural, são lidos com o o aberto
(óssos, ólhos, óvos). Esses plurais são chamados plurais com metafonia.
Infelizmente, não existe uma regra que ajude você a saber quando mudar ou
não o som.
Você, provavelmente, não está lembrando o que é o grau dos substantivos ou
dos adjetivos, mas, com certeza, ao se referir, a um cachorro bem pequeno,
você já usou a forma cachorrinho. É exatamente essa mudança do
substantivo cachorro/cachorrinho que se chama variação de grau.
Nos substantivos, de modo geral, o grau serve para indicar aumento ou
diminuição do tamanho, mas o grau pode apresentar também valor afetivo,
como no diminutivo mãezinha ou ainda transmitir ideia de desprezo como
ocorre no diminutivo gentinha.
Os graus do substantivo são o aumentativo e o diminutivo e eles podem ser
formados de duas maneiras: a analítica e a sintética. Calma, os nomes podem
parecer estranhos, mas pode ter certeza de que você usa bastante essas
formas. Dê só uma olhada:
O aumentativo e o diminutivo analíticos são formados com as palavras
grande e pequeno ou qualquer outra de significado parecido. Assim, o
aumentativo analítico do substantivo casa é casa grande e o
diminutivo é casa pequena.
Já a forma sintética é aquela em que o substantivo recebe uma
terminação especial, que pode ser -ão, -orra, -zarrão (entre outras)
para o aumentativo, como acontece nos substantivos casarão,
cabeçorra e homenzarrão ou -inho(a), -zinho(a), -ito(a) para o
diminutivo como em casinha, paizinho, papelito.
Os diminutivos formados pelas terminações -zinho, -zinha
fazem o plural de maneira diferente. Não basta simplesmente
acrescentar um -s depois da palavra, como acontece com o plural
de outros diminutivos como casinha, que é simplesmente
casinhas. Repare como se faz o plural do diminutivo papelzinho.
Primeiro, você deve colocar a palavra primitiva no plural. A palavra
primitiva de papelzinho é papel. No plural, papel vira papéis.
Depois, você tira o -s. Papéis sem o -s fica papei.
Por fim, é só acrescentar a terminação adequada: zinhos se a palavra
for masculina ou zinhas se a palavra for feminina. Já que papel é uma
palavra masculina, o diminutivo plural é papeizinhos.
Assim, o plural dos diminutivos florzinha, balãozinho, barzinho é
florezinhas, balõezinhos e barezinhos. Na fala do dia a dia e até na escrita
informal, é bem comum ouvirmos as formas florzinhas, barzinhos,
colherzinhas, entre outras, que são rejeitadas pela norma culta.

Em alguns casos, o diminutivo e aumentativo têm:
a) sentido afetivo - filhinho, paizinho
b) sentido pejorativo - livreco, valentão

Na terminologia científica, usam-se os sufixos ulo e ula: célula, glóbulo,
nódulo, óvulo, versículo, película, partícula, ossículo.

Há alguns substantivos que perderam a noção de aumento ou diminuição: cartão,
fogão, portão, orelhão, palavrão, cartilha, folhinha (calendário), coxinha,
caixinha (gorjeta), santinho, patricinha, cursinho.

Há aumentativos e diminutivos formados com o uso de prefixo. É o caso de
palavras como supermercado, hipermercado, megaevento, microempresário e
minidicionário.

Como vimos, os adjetivos são dependentes do substantivo, são palavras que
modificam os substantivos, dando a eles certas características, ou seja,
os adjetivos dão acabamento aos substantivos. Eles formam um par perfeito.
Na verdade, os adjetivos fazem com que o sentido dos substantivos fique mais
exato, detalhado, bem-acabado (quantos adjetivos, hein?!). Além disso, os
adjetivos têm um comportamento parecido com o dos substantivos. Isso quer
dizer que eles também variam em gênero e número.

Você vai notar que os adjetivos têm um comportamento bem parecido com o
dos substantivos. E isso facilita e muito a compreensão dessa classe de
palavras.
Para começar, os adjetivos, quanto a sua forma têm as mesmas classificações
dos substantivos, ou seja, podem ser classificados em primitivos ou derivados
e simples ou compostos. O adjetivo azul é primitivo, já o adjetivo azulado é
derivado, pois é formado a partir da palavra azul. Os adjetivos também
podem ser formados por dois ou mais elementos, ligados ou não pelo hífen. É
o caso dos adjetivos azul-marinho e socioeconômico.
Além desses tipos, existe um tipo de adjetivo que se refere aos países,
estados, cidades, regiões, localidades, são os chamados adjetivos pátrios. Por
exemplo, você sabe o que significa soteropolitano? Soteropolitano é
justamente um adjetivo pátrio. Portanto, se seu vizinho disser: Sou
soteropolitano, não estranhe, ele só está querendo dizer que nasceu na cidade
de Salvador. Florianopolitano, manauense, belenense também são
adjetivos pátrios que se referem a Florianópolis, Manaus e Belém
respectivamente.

Existem mais dois tipos de adjetivo, o restritivo e o explicativo. O primeiro
indica uma qualidade acidental e o segundo, uma qualidade essencial, própria
de um ser. Por exemplo: homem inteligente / fogo quente

Há um tipo especial de adjetivo: os adjetivos relacionais. 
Eles se opõem aos qualificativos porque:
a) têm valor semântico objetivo, ou seja, não expressam
subjetividade ou ponto de vista;
b) são derivados por sufixação de um substantivo;
c) vêm colocados após o substantivo;
d) não variam em grau superlativo, ou seja, não pode ser intensificados.

Por exemplo: abraço fraterno (deriva de irmão / não pode vir antes do
substantivo, não se diz 'fraterno abraço' / não aceita flexão de grau,
não se diz 'abraço muito fraterno')

Mais um nome para decorar! Provavelmente é isso que você está pensando.
Mas não se preocupe, é bem fácil entender e identificar as locuções adjetivas.
Aliás, você já foi apresentado às locuções na seção sobre as preposições.
Locução é o conjunto de duas ou mais palavras que funcionam como uma só.
Assim, quando duas ou mais palavras funcionam como um adjetivo, dizemos
que elas formam uma locução adjetiva. Mas, o que significa funcionar como
um adjetivo? Funcionar como adjetivo significa se comportar como um
adjetivo. E como o adjetivo se comporta? Ele se liga a um substantivo,
qualificando-o.
Por exemplo, na frase Os artistas de circo chegaram à cidade, a expressão
de circo, formada por duas palavras (preposição de + substantivo circo), está
ligada ao substantivo artistas, caracterizando-o e limitando seu sentido. Não
foram quaisquer artistas que chegaram, mas sim artistas de circo. De circo é,
assim, uma locução adjetiva.
Normalmente, as locuções adjetivas são formadas por preposição (aquela
classe de palavras que você conheceu no Capítulo 1) + substantivo, é o caso
da locução de circo (preposição + substantivo) do exemplo acima. Nesse
caso, podemos até usar o adjetivo circense para substituir a locução adjetiva.
As locuções adjetivas também podem ser formadas por preposição +
advérbio (se você já esqueceu o que é um advérbio, dê uma olhada no
Capítulo 1). É o que vemos na frase: O jornal de ontem não foi entregue.
Aqui a expressão de ontem é uma locução adjetiva formada pela preposição
de e pelo advérbio ontem.
É bom lembrar que nem sempre existe correspondência entre o
substantivo que forma a locução adjetiva e o adjetivo
equivalente, como acontece nas locuções de pai e da boca e os
adjetivos paterno e bucal. Por exemplo, na expressão carioca
da gema não existe um adjetivo equivalente à locução adjetiva
da gema.

Eventualmente, o adjetivo que corresponde à locução tem um sentido
diferente. Por exemplo, um contrato leonino não é um contrato de
leão, mas um contrato abusivo em relação a uma das partes.

Os adjetivos, da mesma forma que os substantivos, são uma classe variável
em gênero (feminino/masculino) e número (singular e plural). E é exatamente
isso que vai ser apresentado agora: como indicar o gênero e o número dos
adjetivos.
Variando em gênero
Você, certamente, já notou que o adjetivo acompanha o gênero do
substantivo ao qual está ligado, ou seja, é o substantivo que manda:
substantivo no feminino, adjetivo no feminino; substantivo no masculino,
adjetivo no masculino. Simples, não é?
É o que você pode perceber na frase: O jogador brasileiro foi aplaudido
quando saiu do campo em que o adjetivo brasileiro está no masculino para
concordar com o substantivo masculino jogador. Se o substantivo jogador
estivesse no feminino, o adjetivo também estaria no feminino (jogadora
brasileira). Esses adjetivos que apresentam duas formas: uma para o
feminino e outra para o masculino são chamados biformes.  
Uma boa notícia: as regras para a formação do feminino dos adjetivos são as
mesmas dos substantivos, ou seja, basta você voltar algumas páginas e reler a
parte Passando para o feminino. Não há regras novas!
Existem também adjetivos que apresentam uma única forma, que serve tanto
para o feminino quanto para masculino. É o que acontece com o adjetivo
amável, que apresenta a mesma forma, tanto para se referir ao masculino
(homem amável) quanto ao feminino (mulher amável). Adjetivos desse tipo
são, por esse motivo, chamados de adjetivos uniformes.
Variando em número
Os adjetivos variam também em número (singular e plural) de acordo com o
substantivo a que estão ligados. Mais uma vez, é o substantivo que manda.
Assim,
na frase: Comprei livros interessantes, o adjetivo interessantes está no
plural para concordar com o substantivo livros.
O plural dos adjetivos segue as mesmas regras dos substantivos. Você deve
apenas ficar atento ao plural dos adjetivos compostos, aqueles que são
formados por mais de um elemento como azul-escuro.
Plural dos adjetivos compostos
A regra do plural dos adjetivos compostos diz o seguinte: só o último
elemento varia. Assim, azul-escuro no plural fica azul-escuros, latino-
americano fica latino-americanos.
Mas lembre-se que, se o adjetivo composto indicar cor e o último elemento
for um substantivo, o adjetivo composto fica invariável. Por exemplo, o
adjetivo composto amarelo-ouro indica uma cor e o último elemento (ouro)
é um substantivo. Assim, você deve dizer “Comprei dois vestidos amarelo-
ouro”.
Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste (blusas
azul-marinho/blusas azul-celeste) não variam nunca, mesmo
que os substantivos a que esses adjetivos se ligam estejam no
plural. Já no adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos
variam (crianças surdas-mudas).
Variando em grau
Você viu que o grau dos substantivos indica, de modo geral, aumento ou
diminuição de tamanho. Já nos adjetivos, a variação de grau tem outra
utilidade: serve para fazer comparações ou para intensificar determinada
característica; portanto, existe o grau comparativo e o superlativo.
Como o nome já diz, no grau comparativo, dois seres são comparados por
meio de um adjetivo. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade
ou de inferioridade. Note como é bem fácil formar o comparativo:
igualdade tão + adjetivo + quanto ou como
Ele é tão inteligente quanto o irmão.
superioridade mais + adjetivo + do que ou que
Ele é mais inteligente do que o irmão.
inferioridade menos + adjetivo + do que ou que
Ele é menos inteligente do que o irmão.
O superlativo, por outro lado, serve para destacar uma qualidade no grau
mais alto de intensidade. É o grau dos exagerados. Você, com certeza, depois
de um longo dia de trabalho, já disse: Estou cansadíssimo (a). O superlativo
serve, assim, para intensificar uma qualidade. Observe nas frases abaixo
como isso pode acontecer:
João é o mais inteligente da turma.
João é muito inteligente ou inteligentíssimo.
Na primeira frase, o adjetivo inteligente está sendo intensificado em relação
a um grupo, no caso, a turma, ou seja, João é o mais inteligente somente em
relação às pessoas da turma. Esse é chamado de superlativo relativo, porque
estabelece uma relação com o grupo. O superlativo relativo pode indicar
superioridade (Ele é o mais estudioso da turma) ou inferioridade (Ele é o
menos estudioso da turma).
Já na segunda frase, a qualidade inteligente não se compara à de nenhuma
outra pessoa, ou seja, a qualidade inteligente é destacada, sem estabelecer
relação com outros elementos. Esse é o superlativo absoluto. O superlativo
absoluto pode ser formado de duas maneiras: a analítica e a sintética. Na
forma analítica, usamos o advérbio muito, ou qualquer outro de sentido
parecido como bastante, extremamente, para reforçar a ideia do adjetivo. É
o que acontece na frase: O filme é muito divertido. Na forma sintética, basta
acrescentar uma terminação especial ao adjetivo. Nesse caso, diríamos O
filme é divertidíssimo.
Repare que, na forma analítica, a marca do grau está fora do adjetivo, o grau
é indicado por outra palavra, no exemplo acima essa indicação foi feita pelo
advérbio muito. Já na forma sintética, a marca do grau está no próprio
adjetivo, por meio de uma terminação (-íssimo).
Assim, não dizemos “mais bom”, “mais mau”, “mais grande” nem “mais
pequeno”. Usamos as formas: melhor, pior, maior e menor. É o que
acontece na frase: Minha letra é melhor/pior/maior ou menor que a sua.
Existe uma situação em que o padrão culto admite as expressões
mais bom, mais mau, mais grande. Isso ocorre quando se
comparam duas características de um mesmo ser. É o que
acontece na frase: Ele é mais grande do que gordo.

Os adjetivos bom, mau, grande e pequeno têm formas especiais para o:
ótimo, péssimo, máximo e mínimo - superlativo absoluto sintético
o melhor, o pior, o maior e o menor - superlativo relativo de superioridade

Também são comparativos irregulares:
alto - superior
baixo - inferior
jovem - júnior
velho - sênior
externo - exterior
interno - interior

Há outras formas de superlativo:
com o uso de prefixos - super, extra, hiper, mega, ultra
com a repetição do adjetivo
com o diminutivo
com o uso de expressões fixas e comparações
na linguagem da internet, pela repetição de um fonema ou
caixa alta

Você pode até não saber classificar os pronomes, mas, com certeza, usa
muito essa classe ao falar e escrever. Isso acontece porque os pronomes têm
um papel importante na comunicação, pois eles apontam as pessoas do
discurso. Lembra das pessoas do discurso? Como você já viu no Capítulo 1,
elas indicam a pessoa que fala (1ª pessoa), a pessoa com quem se fala (2ª
pessoa) e a pessoa de quem se fala (3ª pessoa).
Outro ponto importante sobre os pronomes é que eles podem acompanhar ou
substituir os substantivos. Por exemplo, na frase: Meu relógio sumiu, já o
procurei por toda parte, o pronome meu acompanha o substantivo relógio,
indicando que o relógio pertence à pessoa que está falando. Esse pronome
que acompanha o substantivo é chamado de pronome adjetivo, porque, do
mesmo modo que o adjetivo, ele sempre acompanha o substantivo. Já o
pronome o substitui o substantivo relógio, evitando que o texto fique
repetitivo. Esse pronome que ocupa o lugar do substantivo recebe o nome de
pronome substantivo.
Há seis tipos de pronomes: os pessoais, os possessivos, os demonstrativos, os
indefinidos, os interrogativos e os relativos, que você vai conhecer melhor a
partir de agora.

O nome já dá uma bela pista da utilidade desses pronomes. Os pronomes
pessoais são aqueles pronomes que indicam diretamente as tais pessoas do
discurso. Ao falar ou escrever, você usa os pronomes eu ou nós para se
referir a si mesmo. Se você quer se dirigir à pessoa com quem está falando,
vai usar os pronomes tu, vós, você, vocês. E, para se referir às pessoas ou às
coisas das quais está falando, lança mão dos pronomes ele, ela, eles, elas.
Uma característica curiosa desses pronomes, que costuma confundir muita
gente na hora de empregá-los, é que eles mudam de forma de acordo com a
função que desempenham na frase. Eles podem ser retos ou oblíquos.
Você, provavelmente, já ficou em dúvida na hora de escolher entre o
pronome reto ele e o pronome oblíquo o, não é? Eu o encontrei na praça ou
Eu encontrei ele na praça, qual a forma adequada de acordo com a
variedade padrão do português?
Mas não se preocupe, essa é uma dúvida comum. O importante é lembrar que
a escolha entre o pronome reto e o pronome oblíquo está diretamente ligada à
função sintática do pronome na oração: os pronomes retos funcionam como
sujeito e predicativo do sujeito e os oblíquos geralmente como objeto direto,
objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial ou agente da passiva.

Tu e vós também podem ser vocativo.
Me, te, nos, vos, lhe e lhes podem ser também adjunto adnominal, indicando posse.

Calma, não se desespere se você se esqueceu o que é sujeito ou objeto. Existe
um jeito bem fácil de identificar essas funções, fazendo umas perguntinhas
para o verbo.
Para saber qual o sujeito, coloque quem ou o que na frente do verbo (quem ou
o que + verbo?). A resposta é o sujeito!
Observe a frase:
O menino comprou uma bola.
Para identificar o sujeito, pergunte: Quem comprou? A resposta é o menino,
logo o menino é o sujeito. Dê uma olhada no esquema:
QUEM ou O QUE + VERBO (comprou)? = SUJEITO (o menino)
Já para localizar o objeto, a pergunta é outra: primeiro coloque o verbo e,
depois dele, o quê (verbo + o quê?). Vamos testar? Pergunte desta maneira:
comprou o quê? A resposta é uma bola, logo uma bola é objeto.
VERBO (comprou) + O QUÊ? = OBJETO
Assim, se você quiser usar pronomes no lugar dos substantivos na frase: O
menino comprou uma bola, basta substituir o sujeito o menino pelo
pronome pessoal reto ele e objeto pelo pronome pessoal oblíquo a (Ele a
comprou). Fácil, não é?
É muito comum na língua oral cotidiana o emprego dos
pronomes pessoais retos como complementos. É comum
ouvirmos frases como “Vi ele no aeroporto” ou “Encontrei ela
no mercado”. Lembre-se, no entanto, que a norma-padrão
recomenda o emprego das formas oblíquas nesses casos: Vi-o no
aeroporto e Encontrei-a no mercado.
Detalhes nem tão pequenos
Alguns pronomes pessoais têm algumas características especiais ao serem
empregados nas frases. Você deve prestar atenção a esses detalhes para fazer
bom uso desses pronomes.
Os pronomes oblíquos tônicos (mim, ti, ele/ela, nós, vós, eles/elas), por
exemplo, são sempre antecedidos de preposição. É o que se vê nas frases que
se seguem. Repare que a preposição pode variar e o pronome também, mas
ela sempre aparece antes dos oblíquos tônicos.
Entregou a ele o presente.
Não se esqueça de nós.
Para mim, a melhor diversão é viajar.
Já os pronomes átonos o, a, os, as podem assumir as formas lo, la, los, las ou
no, na, nos, nas. Isso acontece quando o verbo que está antes do pronome
terminar em r, s ou z. Nesses casos, a consoante final cai e o pronome ganha
as formas lo, la, los, las (Vou fazer + o = Vou fazê-lo). Se o verbo termina
em -am, -em,-ão ou -õe, o pronome assumirá as formas no, na, nos, nas
(Encontraram + a = Encontraram-na).
Mim não faz nada
Na língua oral do dia a dia, é comum o uso dos pronomes oblíquos em frases
como: Este livro é para mim ler. Lembre-se, contudo, que a norma-padrão
não recomenda esse emprego, pois mim é um pronome pessoal oblíquo e,
exatamente por isso, não deve ser usado como sujeito. Assim, a frase
adequada é Este livro é para eu ler, pois o pronome eu funciona como
sujeito do verbo ler (Quem lê? Resposta: eu = sujeito).

Em 'É difícil para mim lidar com mentiras', a frase está correta. O mim não
é sujeito do verbo lidar, é complemento do adjetivo difícil. Colocando na
ordem direta: Lidar com mentiras é difícil para mim.

Em Portugal, os pronomes me, te, nos, vos, lhe e lhes se juntam aos
pronomes o, a, os e as: mo, to, lho, no-lo, vo-lo, ma, ta, lha, no-la,
vo-la, mos, tos, lhos, no-los, vo-los, mas, tas, lhas, no-las, vo-las.
Essas contrações não se usam no Brasil.

Quando há a 1ª pessoa do singular em sujeito composto, recomenda-se
que ela seja colocada por último: Paulo, Marcos e eu comemoramos
aniversário no mesmo dia.
Porém, se o que se diz é desagradável ou implica responsabilidade,
ela é a primeira: Eu, Paulo e Marcos fomos os culpados do acidente.

Há um tipo especial de pronomes oblíquos: os reflexivos e os recíprocos.
O primeiro indica que a ação reflete no próprio sujeito, e o segundo
indica que a ação é mútua entre os sujeitos.
Olhei-me no espelho quando acordei.
Nós nos cumprimentamos.

Quando o pronome nós é usado no lugar do pronome eu, chama-se plural de
modéstia. Serve para evitar o tom arrogante da linguagem. Por exemplo:
Estamos certo de que vamos cumprir nossas promessas de campanha. -
disse o político.

Se o pronome oblíquo for precedido da preposição com, usa-se
comigo, contigo, consigo, e não com mim, com ti e com si.
Normalmente se usam conosco e convosco. Porém, quando esses pronomes
vêm precedidos de mesmos, próprios, todos, algum numeral ou do pronome
relativo que, são substituídos pelas formas com nós e com vós.

Usam-se as formas retas eu e tu depois das preposições acidentais
salvo, tirante, exceto, fora e menos.

Segundo, conforme, consoante, mediante e não obstante não aceitam
os pronomes de primeira e segunda pessoa. Assim, recomenda-se
mudar a estrutura da frase:
Segundo a minha opinião.
Conforme o teu ponto de vista.
Mediante a minha ajuda.
Consoante o teu pensamento.
Não obstante a minha conclusão.

Com a preposição até usam-se as formas oblíquas mim e ti. Contudo, se até
for palavra denotativa de inclusão, usam-se as formas retas eu e tu.

Ele, ela, eles e elas podem ser pronomes retos ou oblíquos:
Nós pensamos em nós. / Ele deu o troco a ele.

É isso mesmo. Os pronomes de tratamento, como você, Vossa Excelência,
Vossa Senhoria etc. também são pronomes pessoais. Você já deve ter
percebido que os pronomes de tratamento são os pronomes que usamos para
nos dirigirmos às pessoas, tanto de maneira informal, mais íntima, quanto de
maneira mais respeitosa, cerimoniosa. Por exemplo, ao falarmos com um
amigo, é provável que nós utilizemos o pronome você, mas, ao nos
dirigirmos a uma pessoa a quem queremos demonstrar respeito, certamente
usaremos o pronome de tratamento senhor ou senhora.
Os pronomes iniciados por Vossa são tratamentos específicos para algumas
autoridades.

É importante lembrar que os pronomes de tratamento se referem às pessoas
com quem falamos, ou seja, à 2ª pessoa, mas o verbo fica na 3ª pessoa. Por
exemplo, na frase O senhor precisa de ajuda?, o verbo precisar aparece na
3ª pessoa (precisa) e não na 2ª (precisas).
Assim, sempre que usarmos qualquer pronome de tratamento, o verbo ficará
sempre na 3ª pessoa do singular ou do plural.

Os principais pronomes de tratamento são:
Vossa Senhoria (V. Sa.) - linguagem comercial
Vossa Excelência (V. Exa.) - altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Excelência Reverendíssima (V. Exa. Revma.) - bispos e arcebispos
Vossa Eminência (V. Ema.) - cardeais
Vossa Alteza (V. A.) - príncipes e duques
Vossa Santidade (V. S.) - papa
Vossa Reverendíssima (V. Revma.) - sacerdotes em geral e pastores
Vossa Paternidade (V. P.) - superiores de ordens religiosas
Vossa Magnificência (V. Maga.) - reitores de universidades
Vossa Majestade (V. M.) - reis e imperadores

Usamos a forma Vossa + pronome de tratamento quando estamos falando
diretamente com a pessoa. Quando estamos falando sobre a pessoa,
usamos a forma Sua + pronome de tratamento.
Na abreviatura, basta substituir o V por S.
Observe as frases abaixo:
Vossa Santidade gostou do Rio de Janeiro?
Sua Santidade chegou ao Rio de Janeiro.
Na primeira frase, o pronome de tratamento indica que estamos falando
diretamente com o Papa. Já na segunda, estamos falando sobre o Papa.

Só se usam no Brasil antes dos nomes próprios: a patente dos militares e o
título Dom (abreviado D.), para os membros da família imperial, os nobres e
dignitários da Igreja a partir dos bispos. Seu feminino Dona (também abreviado
como D.) se usa para as senhoras de qualquer classe social.

De uso generalizado é o título de Doutor, recebido não só por aqueles que
concluíram o grau acadêmico de doutorado, mas também os médicos, advogados,
dentistas, nutricionistas e veterinários.

Também generalizado é o título de Professor.

Os pronomes possessivos, como o nome já diz, dão uma ideia de posse. Na
frase Meu carro está sem gasolina, o pronome possessivo meu indica que o
carro pertence à pessoa que está falando. Repare que o possessivo concorda
com o substantivo ao qual está ligado: carro é um substantivo masculino e
está no singular, logo o possessivo meu também está no masculino singular.

Os possessivos são pronomes bem fáceis de reconhecer e
empregar, mas, às vezes, podem causar problemas. Sabe por
quê? Às vezes, dão duplo sentido à frase. Você usa o pronome
pensando em dizer uma coisa e a pessoa entende outra. Por
exemplo, na frase Maria disse a João que passaria por sua
casa antes do cinema, o pronome sua não deixa claro se a casa
é da Maria ou do João. Será que a Maria passaria pela própria
casa antes do cinema ou pela casa do João? Nesse caso, a
solução é substituir pelo pronome dele ou dela: Maria disse a
João que passaria pela casa dele (ou dela) antes do cinema.

Não se devem usar os possessivos antes de nomes de partes do corpo,
peças de vestuário, qualidades do espírito, graus de parentesco e
objetos pessoais. Neste caso, o artigo já indica posse.
Sujei a camisa. (e não a minha camisa)
José perdeu a razão. (e não a sua razão)

Também dispensa o possessivo a palavra casa, exceto quando se quer
dar ênfase à expressão.
Estou em casa. (e não na minha casa)
Em minha casa ninguém vai cantar de galo.

Nem sempre os possessivos indicam posse. Podem ter outros usos:
Ele deve ter seus cinquenta anos. (aproximação)
Meu caro amigo, esforce-se mais. (afeto)
Minha senhora, preciso dizer uma coisa importante. (respeito)
Não jogue papel no chão, sua peste! (ofensa)

Quando a palavra seu antecede nomes de pessoa, não é possessivo,
é alteração fonética de senhor.
Seu Antônio está em casa?

Muitas vezes, a ideia de posse é reforçada com o uso do adjetivo próprio:
Eu escrevi minha própria história.

Usado no plural, o possessivo substantivado pode significar parentes,
familiares:
Viajei com os meus nas férias.

Este ou esse? Se você é daqueles que nunca sabe quando usar o pronome este
ou esse na hora de falar ou escrever, fique de olho nesta seção. Os
demonstrativos podem ser bem úteis.
Agora que você já sabe reconhecer os pronomes demonstrativos, é importante
saber para que eles servem. Como o nome já diz, eles mostram a posição dos
seres em relação às famosas pessoas do discurso (a pessoa que fala — eu; a
pessoa com quem se fala — tu e a pessoa de quem se fala — ele). Mas
posição em relação a quê? Pode ser posição no espaço (lugar), posição no
tempo (presente, passado ou futuro) ou ainda posição no texto.
Vamos ver como isso funciona? Siga as observações abaixo:
posição no espaço — Imagine a seguinte situação: duas pessoas
falando sobre uma caneta. Se a pessoa que fala (1ª pessoa) estiver perto
da caneta, ela dirá: Esta caneta está falhando. O demonstrativo esta
indica que a caneta está perto da pessoa que fala. Mas se a caneta
estiver perto da pessoa com quem se fala, usamos o demonstrativo de
2ª pessoa (essa): Essa caneta está falhando. E se caneta estiver longe
das duas pessoas que estão conversando? Aí, é só usar o demonstrativo
aquela, que indica 3ª pessoa: Aquela caneta está falhando.
posição no tempo — Os demonstrativos também podem indicar relação
com o tempo presente, passado ou futuro. Na frase: Hoje é domingo,
quero aproveitar este dia, a palavra hoje dá essa indicação de tempo
presente, por isso o demonstrativo este foi usado. Já na frase: No mês
passado, eu me formei; ainda nesse mês fui contratado por uma
grande empresa, a ideia é de um passado próximo (no mês passado),
logo o demonstrativo escolhido foi esse (nesse mês). Agora, se
estivermos falando de um passado muito distante, é o demonstrativo 
aquele que entra em cena: Em 1945, terminou a II Guerra Mundial, 
aquele ano foi um marco na história mundial.
posição no texto — Os demonstrativos podem ainda indicar o que vai
ser falado e aquilo que já foi citado no texto. Por exemplo, usamos o
demonstrativo este (e suas variações esta, estes, estas) e isto quando
estamos nos referindo a alguma coisa que ainda vai ser mencionada no
texto. É o que acontece na frase: Esta é a minha meta: ser feliz. Note
que o demonstrativo esta está se referindo a alguma coisa que ainda vai
ser dita (ser feliz). Mas, se você vai se referir a alguma coisa que já foi
dita, o pronome adequado é esse (e suas variações): Conhecer o
mundo inteiro. Esse é o meu objetivo! O objetivo (conhecer o
mundo inteiro) já tinha sido apresentado, por isso foi usado o
demonstrativo esse.
E o demonstrativo aquele, vai ser usado em que situação? Bem, o aquele (e
suas variações) vai ser usado com o demonstrativo esse para se referir a
elementos já mencionados. Sempre que você estiver se referindo ao elemento
que estiver mais longe no texto, entra em ação o aquele e suas variações. Por
exemplo, na frase Rubem Braga e Vinícius de Moraes nasceram em 1913:
aquele, no mês de janeiro; esse, no mês de julho. Repare que o nome do
escritor Rubem Braga foi citado primeiro, está mais distante, logo o pronome
aquele foi usado; já para substituir Vinícius de Moraes, nome que está mais
próximo, foi usado o demonstrativo esse (também poderia ser usado, nesse
caso, o demonstrativo este).
Se você quiser retomar três ou mais elementos, como vai fazer? Use numerais.

Demonstrativos menos famosos
Existem pronomes demonstrativos menos conhecidos, mas que
desempenham um papel importante na construção de frases e textos, pois
substituem palavras já citadas ou até frases inteiras. Um deles é o
demonstrativo o (e suas variações a, os, as). Mas não confunda esses
demonstrativos com os artigos definidos ou com os pronomes pessoais
oblíquos átonos.
As palavras o, a, os, as serão demonstrativos sempre que substituírem uma
frase inteira e puderem ser substituídas por isto, isso, aquilo, aquele, aquela,
aqueles, aquelas.
Devemos conhecer melhor a língua portuguesa, é importante que o
façamos logo.
Nesse caso, o demonstrativo o está se referindo à frase inteira que foi citada
anteriormente (conhecer melhor a língua portuguesa). Repare também que
podemos substituir o demonstrativo o por isso (...é importante que façamos
isso logo).
Em outras situações, o demonstrativo o (e suas variações a, os, as) não
substitui uma frase inteira, mas apenas uma palavra. Nesses casos, esse
demonstrativo vem antes das palavras que ou de (e das variações do, da, dos,
das) e também equivale aos demonstrativos isto, isso, aquilo, aquele,
aquela, aqueles, aquelas.
Observe as frases:
Não use esta toalha, pegue a que está no armário.
Nesse exemplo, o demonstrativo a está antes da palavra que. Ele substitui a
palavra toalha e corresponde ao demonstrativo aquela (...pegue aquela que
está no armário).
Não siga por este caminho, prefira o da esquerda.
Na frase acima, o demonstrativo o, que está antes da palavra da (de + a),
substitui a palavra caminho e equivale ao demonstrativo aquele.
Também são pronomes demonstrativos as palavras: tal, semelhante (quando
puder ser substituído por tal), mesmo e próprio (quando têm o sentido de
“idêntico” ou “em pessoa”). Observe esses pronomes nas frases abaixo:
Não se compreendia tal comportamento.
Não diga semelhante coisa! (...tal coisa)
Ele comete sempre os mesmos erros. (...erros idênticos)
Ela própria fez os desenhos. (Ela em pessoa...)

Em algumas expressões, o uso dos demonstrativos é fixo:
além disso, isto é, por isso, nem por isso, essa não.
Nisso também pode ser usado como advérbio, no sentido de então.

Alguém sabe para que servem os pronomes indefinidos? Sabe esse alguém
que aparece aí na pergunta? Ele não se refere a uma pessoa determinada,
identificada de maneira precisa, mas sim a uma pessoa qualquer da qual se
fala. É exatamente para isso que servem os pronomes indefinidos: indicar os
seres de maneira vaga, imprecisa, indeterminada. Esses pronomes são bem
úteis quando não temos informações suficientes sobre algo ou não queremos
identificar alguma coisa diretamente.
Também na frase Muitos se inscreveram no concurso, mas poucos foram
aprovados, muitos e poucos são pronomes indefinidos, pois referem-se de
maneira vaga e genérica aos candidatos que se inscreveram e foram
aprovados, ou seja, não definem com exatidão o número de candidatos.

São variáveis - algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, tanto,
quanto, bastante, qualquer
São invariáveis - alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, cada, algo,
fulano, sicrano, beltrano

São usados somente para coisas - algo, nada e tudo
São usados somente para pessoas - alguém, ninguém, outrem, fulano, beltrano e sicrano

Se você até hoje acha que toda palavra muito é um advérbio, leia com
atenção esta seção. As palavras bastante, muito, pouco, mais, menos podem
ser pronomes indefinidos ou advérbios. Como reconhecer a que classe
pertencem? Basta ver a que outras palavras elas estão ligadas (É só dar uma
olhadinha no Capítulo 2, que fala das classes básicas e das dependentes).
Se essas palavras estiverem ligadas a um verbo, a um adjetivo ou a um
advérbio, serão classificadas como advérbios. Mas, se estiverem ligadas a
substantivos serão pronomes. Observe as frases:
Comi bastante no almoço.
Bastante, nesse caso, é advérbio, pois se liga ao verbo (comi).
Bastantes pessoas chegaram para a apresentação.
A palavra bastantes, na frase anterior, refere-se ao substantivo pessoas, logo,
é um pronome indefinido.
O importante nisso tudo é saber que bastante, muito, pouco, quando forem
pronomes concordam com o substantivo a que estão ligados. Repare que o
pronome indefinido bastantes está até no plural (bastantes) para concordar
com o substantivo pessoas.
O pronome indefinido menos é invariável. Assim, de acordo
com a norma-padrão, deve-se dizer: Comprei menos canetas
que você (e não “Comprei menas canetas que você”).
Curiosidades sobre alguns indefinidos
Alguns pronomes indefinidos têm comportamento especial.
Por exemplo, a palavra certo (e suas variações) só é pronome indefinido se
estiver antes do substantivo:
Certas (= algumas) pessoas não se responsabilizam por seus atos.
Por outro lado, se a palavra certo vier depois do substantivo, será um
adjetivo. É o que acontece na frase abaixo:
Ele escolheu as pessoas certas para a sua equipe.
Nesse caso, certas é um adjetivo, com sentido de adequadas, honestas.
O pronome indefinido algum também tem uma característica peculiar. Sabe
qual é? Se ele vem depois do substantivo, apresenta valor negativo. A frase
abaixo deixa isso claro:
Carta alguma foi entregue aqui
A colocação do pronome alguma depois do substantivo carta indica que
nenhuma carta foi entregue.
Também é bom ficar de olho nos indefinidos todo e toda. Se eles estiverem
acompanhados de artigo (todo o/toda a) significam inteiro. Veja a frase:
Toda a cidade participou da festa.
O uso do toda + a indica que a cidade inteira participou da festa.
Se estiver sem artigo, o pronome todo (e suas variações) significa cada,
qualquer. É o que se observa na frase abaixo:
Toda cidade tem um prefeito (= Cada cidade tem um prefeito).
No plural, o pronome todos (ou todas) é sempre usado com artigo, exceto se houver
palavra que o exclua ou numeral não seguido de substantivo.
Todos os cinco candidatos foram aprovados.
Todos esses seis candidatos foram aprovados.
Todos quatro saíram cedo.
O pronome qualquer tem sentido pejorativo quando depois do substantivo.
Ele é uma pessoa qualquer.
Não se usa esse pronome em frases negativas.
Não vejo nenhum problema. (e não qualquer)
O pronome cada não se usa sozinho.
As blusas custaram 40 reais cada uma.

Quais são os pronomes interrogativos? Você vai logo conhecê-los, mas, com
certeza, já deve ter percebido para que eles servem. É isso mesmo: os
pronomes interrogativos (o quais da pergunta anterior é um deles) servem
para interrogar, para perguntar. São eles: que, quem, qual e quanto. Mas
esses pronomes nem sempre aparecem em frases com ponto de interrogação
no final. Eles podem aparecer em perguntas disfarçadas, são as tais
interrogativas indiretas, aquelas que não têm ponto de interrogação. É o que
acontece na frase abaixo:
Gostaria de saber quanto custa este vestido.
Esse quanto da pergunta é um pronome interrogativo.
Você deve estar se perguntando sobre as palavras quando, como, por que e
onde, que também usamos para fazer perguntas. Não são pronomes
interrogativos? Não, essas palavras são advérbios interrogativos, pois, como
qualquer advérbio, indicam circunstância de tempo (quando), de modo
(como), de causa (por que) e de lugar (onde).

Os interrogativos também podem ser usados em frases exclamativas.

O pronome qual tem valor seletivo:
Qual dos filmes você prefere?
O pronome quanto tem valor quantitativo:
Quantos irmãos você tem?

Enfim, os relativos. Tais pronomes funcionam como uma espécie de ponte
entre a palavra que está antes deles e a informação que vem depois. Observe
a frase:
Comprei o livro que o professor indicou.
A palavra que é um pronome relativo. Repare que esse pronome substitui a
palavra livro, evitando a repetição do termo. Assim, em vez de dizer
Comprei o livro, o professor indicou o livro, só usamos a palavra livro uma
vez. Os relativos, por essa razão, são muito úteis para unir as frases que
formam um texto. Alguns deles podem variar em gênero e número; outros
não mudam a sua forma, são invariáveis.

O pronome que é o mais usado, por isso se chama relativo universal.

Para saber se o pronome é relativo mesmo, tente substituir por o
qual e suas variações, pois esse pronome é sempre relativo e,
além disso, pode se referir a pessoas ou coisas. Se a substituição
for possível, o pronome será relativo. Veja a substituição na
frase abaixo:
Encontrei o livro que procurava = Encontrei o livro o qual
procurava.
Logo esse que é um pronome relativo.

Quem: o relativo para poucos
Além de pronome indefinido e interrogativo, o quem também pode ser
pronome relativo. Mas esse pronome só é usado em referência a pessoas ou
coisas personificadas. Além disso, o pronome relativo quem vem sempre
precedido de preposição, mesmo que o verbo não a exija. Dê uma olhada no
exemplo abaixo:
Maria, a quem admiro muito, é minha amiga de infância.
Repare que o pronome relativo quem faz referência a uma pessoa, no caso
Maria. Note também que o verbo admirar não pede preposição (admirar algo
ou alguém), mas, ainda assim, a preposição está presente.
Quanto: relativo, só às vezes
É, nem sempre o quanto e suas variações (quanta, quantos, quantas) serão
pronomes relativos. Aliás, é bem mais comum usarmos esses pronomes como
interrogativos. Na verdade, eles só serão pronomes relativos quando
estiverem depois dos pronomes indefinidos tudo, tantos, tantas, todos,
todas. É o que você pode ver no exemplo abaixo:
Comprou tudo quanto podia.
Onde, aonde ou donde?
Se você já se perguntou em que situações usar cada uma dessas formas
(onde, aonde, donde), está no ponto certo deste livro. É exatamente isso que
você vai ver agora, mas, antes de fazer a diferença entre as formas onde,
aonde e donde, vale a pena lembrar que a palavra onde pode ser tanto
advérbio interrogativo quanto pronome relativo, mas, independentemente da
classificação, o onde deve ser sempre usado para indicar lugar.
Você já deve ter percebido que, às vezes, esse onde vira aonde ou donde.
Mas quando devemos usar cada uma dessas formas? Essa costuma ser uma
dúvida comum. Veja como é fácil entender a diferença entre essas três
formas. O onde indica o lugar em que estamos ou no qual um fato acontece.
Normalmente, aparece junto a verbos que indicam permanência (estar, ficar,
permanecer, encontrar-se, achar-se, morar etc.). Em termos práticos, o
onde pode ser substituído por em que lugar, no qual, em que. É o que
observamos nas seguintes frases:
Onde (= em que lugar) você está?
A casa onde (= em que) moro é confortável.
Já a forma aonde, que é a junção da preposição a + onde, carrega a ideia de
movimento. Por isso, normalmente, aparece com verbos de movimento (ir,
vir, voltar, regressar, retornar etc). Repare que esses verbos pedem
normalmente a preposição a:
Iria à festa se tivesse companhia.
A forma aonde pode ser substituída por a que lugar, para que lugar, ao
qual, como se pode notar nas seguintes frases:
Aonde (a que lugar) ela vai agora?
O lugar aonde (ao qual) fomos era pouco movimentado.
O donde, por sua vez, é a junção da preposição de + onde. É usado para
indicar a procedência, a origem, o lugar do qual alguém ou alguma coisa
vem. Pode ser substituído por de que lugar, do qual (da qual, dos quais,
das quais), como se nota na frase:
A cidade donde eu venho é bem pequena.
Muita gente esquece que o papel do pronome relativo onde é
indicar lugar físico ou espacial e acaba usando o onde sem essa
ideia, o que contraria a norma-padrão. É o que se pode notar na
frase Comprei um conjunto de lençóis, onde é feito de puro
algodão. No exemplo, a expressão que vem antes do onde
(conjunto de lençóis) não indica lugar, por isso não se deve usar
o pronome relativo onde. Nesse caso, o adequado seria Comprei
um conjunto de lençóis, que é feito de puro algodão.
Já na frase: A cidade onde moro é populosa, o onde está bem empregado,
pois ele está se referindo à expressão a cidade, que representa um lugar.

A situação onde me encontro está difícil - a palavra situação não representa
um lugar. O correto seria A situação na qual me encontro está difícil.

Esse é o dito cujo
O pronome cujo e suas variações (cuja, cujos, cujas) também merecem
atenção especial. Geralmente são esquecidos, aparecem no máximo na língua
escrita, mas raramente na fala do dia a dia. E, exatamente por isso, não são
bem empregados. Você, por exemplo, sabe como usá-los? É pouco provável
que você diga habitualmente frases como: Meu amigo, cujos pais viajaram,
passará alguns dias aqui em casa.
Mas, mesmo que você não use o pronome relativo cujo (cuja, cujos, cujas)
na fala coloquial, é sempre bom saber empregá-lo. Vai que você precisa dele
no seu discurso de formatura ou quando você for promovido.
A primeira coisa importante a saber sobre o pronome cujo é que ele indica
posse. Nas frases, ele fica localizado entre o possuidor e aquilo que é
possuído. Veja o exemplo:
Os livros cujas capas estavam rasgadas foram restaurados.
Repare: as capas são dos livros, existe uma relação de posse (livro =
possuidor / capa = possuído). Assim, para indicar essa relação de posse,
usamos o cujo. Esse pronome relativo varia de acordo com o substantivo que
está depois dele (cujas está no feminino plural para concordar com a palavra
capas).
Agora que você já sabe para que serve o pronome relativo cujo, vamos
aprender a formar frases com ele. Imagine que você esteja escrevendo um
texto com as seguintes frases:
O aluno sairá mais cedo.
A mãe do aluno esteve aqui.
Note que existe a repetição da palavra aluno. Você pode solucionar o
problema da repetição e ainda deixar as frases mais amarradas — mais
integradas — usando o cujo ou uma de suas variações. Existe uma relação de
posse entre mãe e aluno, não é? Então use o relativo de posse. A frase fica
assim:
O aluno cuja mãe esteve aqui sairá mais cedo (e não O aluno que a
mãe esteve aqui sairá mais cedo).
Observe que o relativo cuja está concordando com o substantivo que vem
depois dele: mãe é um substantivo feminino singular, logo o relativo cuja
também fica no feminino singular.
Não se usa artigo (o, a, os, as) depois do cujo. Veja:
O livro cuja capa (e não “cuja a capa”) estava rasgada foi restaurado.

Normalmente a palavra quando é usada como advérbio interrogativo ou como
conjunção temporal. Ela é pronome relativo quando seu antecedente indicar
tempo.
Normalmente a palavra como é usado como conjunção ou advérbio. Ela é pronome
relativo quando houver as palavras modo, maneira, forma e jeito.

Os pronomes relativos quem e onde podem ser usados sem antecedente expresso.

Você agora vai conhecer a estrutura das palavras: as várias partes que as
formam e as maneiras de formar novas palavras em português. Você
pode estar se perguntando qual a utilidade disso. Na verdade, o
conhecimento da estrutura das palavras vai permitir que você aproveite mais
o potencial de cada uma delas.
Além disso, conhecer a estrutura das palavras dá a você a chance de conhecer
o sentido de muitas delas.

Você já deve ter notado que as palavras são formadas por partes menores que
se combinam até formar um todo. Por exemplo, a palavra menina é formada
por seis fonemas (m-e-n-i-n-a) e três sílabas (me-ni-na). Mas também é
possível fazer uma outra divisão: menin-a. Essa última divisão é feita com
base em elementos que veiculam significado. Menin-, por exemplo, significa
criança e a desinência -a indica feminino. Nessa divisão, cada elemento que
forma a palavra é responsável por uma parte do significado da palavra.
Repare que, na divisão em fonemas e sílabas, as unidades isoladamente não
têm significado.
Veja agora como fica a divisão da palavra menininhas levando em conta as
menores unidades de significado: Menin-inh-a-s. O elemento menin-, o
mesmo que aparece na palavra menina, como você já sabe, significa criança.
A terminação -inh- significa tamanho pequeno, o -a indica o feminino e o -s
representa o plural. Cada um desses elementos vai se juntando à palavra,
ampliando a sua significação.
Essas unidades mínimas de significado que formam as palavras são chamadas
de morfemas, ou seja, são as menores unidades de sentido de uma palavra.
Na identificação dos morfemas que compõem a palavra
menininhas, é possível perceber que existem dois tipos de
morfemas: os lexicais e os gramaticais. Os morfemas lexicais
representam seres, ações, espaço, isto é, dados do mundo que nos
cerca, do universo biossocial. Servem de base à estrutura da
palavra. É o caso do morfema menin-, que nomeia um ser do
mundo extralinguístico. Já os morfemas -inh–, -a– e -s remetem
apenas ao mundo gramatical, têm significação interna à estrutura
da língua. Esses últimos são os chamados gramaticais.

Agora você vai conhecer melhor cada uma dessas unidades significativas, os
morfemas, e saber que tipo de significado eles transmitem. É como se você
fosse um médico fazendo um exame detalhado no paciente. Só que, no seu
caso, o paciente é a palavra e os morfemas correspondem aos órgãos do
corpo humano. Os morfemas recebem diferentes nomes: radical, desinência,
afixo, vogal temática e vogal ou consoante de ligação. Não se assuste com
esses nomes, eles apenas nomeiam elementos que estão presentes nas
palavras que você usa todos os dias.
O radical: a base
O primeiro elemento ao qual você vai ser apresentado é o radical. Esse
morfema tem um papel fundamental na estrutura das palavras, pois é o
responsável pela significação principal da palavra, ele é o núcleo da
significação. É o radical que representa os dados do mundo a nossa volta,
reais ou imaginários. É também chamado de morfema lexical. Através dele,
parte do significado de uma palavra pode ser compreendido, mesmo se a
palavra for desconhecida. Na palavra pedra, por exemplo, o radical é pedr-.
Repare que o radical pedr- é que carrega o significado básico da palavra:
matéria dura e sólida. As palavras que apresentam o mesmo radical, como
pedreiro, pedraria, pedrinha, pertencem à mesma família e, por isso, são
chamadas de cognatas.
Você deve estar se perguntando como identificar o radical de uma palavra.
Bem, na maioria das vezes, ele pode ser reconhecido por meio de
comparações entre várias palavras de uma mesma família. Se você comparar
as palavras pedreira, pedregulho, pedraria e pedregoso vai perceber que
são da mesma família e o sentido de cada uma delas se relaciona à palavra
pedra de alguma maneira. Pedreira é a rocha de onde se extrai pedra;
pedregulho é uma pedra grande; pedraria é um conjunto de pedras e
pedregoso é o que tem muitas pedras. Note que o elemento comum a todas
essas palavras é pedr-, a partir daí começa a haver variações, logo pedr- é o
radical.

Evitamos intencionalmente o termo raiz, porque sua identificação depende de
conhecimentos de etimologia.

Existem palavras que podem ser consideradas falsos cognatos, como 
ininterrupto e intermitente. Embora sua forma seja semelhante, 
seu sentido é diferente.

É comum a existência de falsos cognatos entre o português e o espanhol. Exemplo
disso é a palavra embarazada, que significa grávida. Os aprendizes de espanhol
tendem a confundir com envergonhado, que é avergonzado.

Os afixos: prefixos e sufixos
Além do radical, há os afixos, que são aqueles elementos que se juntam ao
radical para formar novas palavras. Um exemplo de afixo é o re-, em
palavras como refazer, rebater, recomeçar, refazer, reaprender, que
significa repetição. Quando o afixo é colocado antes do radical, recebe o
nome de prefixo, como aconteceu nas palavras acima. Quando aparece depois
do radical, é chamado de sufixo. É o que acontece nas palavras italiano,
sergipano, alagoano, baiano, paraibano, goiano em que o afixo -ano vem
depois do radical, indicando proveniência, origem. Repare que os afixos
formam novas palavras com o sentido diferente da palavra base.
As desinências: terminações especiais
Outro elemento que compõe as palavras são as desinências. Mas calma, não
se impressione com mais esse nome, desinências são terminações especiais
que indicam as flexões das palavras. Lembra das flexões? As flexões são as
variações de gênero e número para os nomes; e de tempo, modo, número e
pessoa para os verbos. Por exemplo, no substantivo alunas, há duas
desinências: uma que indica o gênero feminino (-a) e outra que indica o
plural (-s). Essas desinências que aparecem nos nomes são chamadas de
desinências nominais.
Além das desinências nominais, existem também as desinências verbais, das
quais você já ouviu falar no Capítulo 3. As desinências verbais indicam as
variações que os verbos podem assumir: tempo, modo, número e pessoa. Em
português, as desinências verbais pertencem a dois tipos: as desinências
modo-temporais, que, como o nome já diz, indicam o modo e o tempo verbal
e as desinências número-pessoais, que indicam o número e a pessoa do
verbo.

Veja alguns exemplos:
falava - modo: indicativo / tempo: pretérito imperfeito
falara - modo: indicativo / tempo: pretérito mais-que-perfeito
falará - modo: indicativo / tempo: futuro do presente
falaria - modo: indicativo / tempo: futuro do pretérito

Dê uma olhada nessas desinências na forma verbal cantassem:
a terminação -sse mostra que o verbo está no pretérito imperfeito do
subjuntivo, é uma desinência modo-temporal, pois indica tempo e
modo.
a terminação -m indica que essa forma verbal está na 3a pessoa do
plural, é, assim, uma desinência número pessoal.
Não confunda alhos com bugalhos...
Você pode estar se perguntando qual a diferença entre sufixo e desinência já
que ambos são terminações. Na verdade, a desinência não dá origem a uma
nova palavra. O sufixo, ao contrário, é responsável pela criação de uma nova
palavra, com um novo sentido. Observe o exemplo da palavra dentes: a
desinência de número -s indica que há mais de um dente, mas não forma uma
nova palavra. Já na palavra dentista, -ista é um sufixo que indica o
profissional que trata dos dentes. Notou a diferença? O sufixo cria, assim,
uma nova palavra.
Vogal temática: o elo
As vogais são nossas velhas conhecidas, não é? Mas a vogal temática é
aquela vogal que tem um papel especial na estrutura das palavras, pois é ela
que faz a ligação entre o radical e as desinências. Na verdade, ela prepara o
radical para receber as desinências.
Dê uma olhada em como isso funciona no verbo amar:
o radical é am- (esse radical também está presente nas palavras
amável, amoroso, amor);
o -r é a desinência própria do infinitivo.
Mas, como você já sabe, pelas leis da língua portuguesa, a combinação am +
r é impossível. Você, com certeza, nunca viu essa combinação em português.
É aí que entra a vogal temática, ela se junta ao radical e permite que ele
receba as desinências. Veja só como isso acontece:
am (radical) + a (vogal temática) + r (desinência de infinitivo).
Note que a vogal temática (-a) se junta ao radical (am-) para formar uma
base à qual se ligam as desinências. Essa base (ama) recebe o nome de tema.
É bom lembrar que a vogal temática aparece tanto nos verbos quanto nos
nomes.
Nos nomes, também aparece a vogal temática. As vogais que funcionam
como vogais temáticas nos nomes são -a, -e e -o quando forem átonas finais,
como acontece nas palavras mesa, sorte, auxílio. Repare que as vogais
temáticas -a, -e e -o dos exemplos estão na sílaba átona. Essas vogais
preparam também os nomes para receber a desinência como em mesa + s
(desinência de gênero).
Os nomes terminados em vogal tônica (café, cipó, sofá, tatu) e
em consoante (azul, feliz, mar) não apresentam vogal temática,
são, por isso, chamados de atemáticos.
Vogal ou consoante de ligação
Para encerrar a apresentação dos elementos que formam as palavras, vamos
tratar das vogais ou consoantes de ligação. Esses elementos têm como única
utilidade facilitar a pronúncia da palavra. Observe os exemplos de vogais e
consoantes de ligação: cafeIcultura, pauLada. Repare que, sem o I e o L, a
pronúncia dessas palavras não seria tão fácil. Ficaria estranho falar
'pauada' e 'cafecultura'.

Palavra Puxa Palavra: Formando Novas Palavras
Você já parou para pensar no grande número de palavras que existem na
nossa língua? E o sentido de boa parte delas está guardado na nossa memória.
Realmente, é uma tarefa bastante penosa memorizar um número razoável de
palavras de uma língua. Mas, para nossa sorte, muitas palavras são formadas
pela união de elementos já conhecidos. Isso facilita bastante o conhecimento
do sentido de novas palavras.
Por exemplo, não temos dificuldade em reconhecer o sentido da palavra
destampar se conhecemos o sentido do verbo tampar, pois o acréscimo do
prefixo des- antes da palavra indica o contrário.
Também é possível formar novas palavras pela união de outras já existentes.
É o que acontece com a palavra guarda-chuva, que é o resultado da união do
verbo guardar com o substantivo chuva.
Por isso, vale a pena conhecer os processos que nos permitem não apenas
formar novas palavras em português, mas também conhecer o sentido de
muitas delas.
Formando novas palavras
Em português, existem dois processos básicos que nos permitem formar
novas palavras: derivação e composição. É bem provável que você não
lembre o nome desses processos lá das suas aulas de português, mas, sem
dúvida, você os utiliza bastante.
Derivação: o nome já diz tudo
Bem, a derivação ocorre quando acrescentamos prefixos ou sufixos a uma
palavra básica, primitiva. É o que ocorre com a palavra felizmente, que é
formada pela palavra feliz (chamada de palavra primitiva) + o sufixo -mente.
Repare que, como o nome já diz, esse processo forma palavras derivadas.
Observe os tipos de derivação que permitem que novas palavras sejam
criadas em português:
derivação prefixal ou prefixação — ocorre quando acrescentamos um
prefixo à palavra primitiva. É o que ocorre com as palavras INcômodo,
REviver, SOBREpor.
derivação sufixal ou sufixação — ocorre quando acrescentamos um
sufixo à palavra primitiva. As palavras bonDADE, firmEZA, alegrIA
são exemplos de derivação sufixal.
derivação prefixal e sufixal ou prefixação e sufixação — nesse tipo de
derivação, há o acréscimo de um prefixo e um sufixo à palavra
primitiva. É o que se vê nas palavras DESvalorizaÇÃO e
DESigualDADE.
derivação parassintética ou parassíntese — ocorre quando
acrescentamos simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo, o prefixo e
o sufixo à palavra primitiva. É o que se pode observar nas palavras
AnoitECER e ENdireitAR. A parassíntese, normalmente, forma
verbos a partir de substantivos e adjetivos. Por exemplo, do substantivo
farelo, forma-se esfarelar e do adjetivo maduro, forma-se
amadurecer.
Você percebeu que, tanto nas palavras derivadas por sufixação e
prefixação quanto nas palavras derivadas por parassíntese,
existem prefixos e sufixos. Por esse motivo, para não confundir
derivação prefixal e sufixal com parassíntese, use o seguinte
recurso.
retire o prefixo ou o sufixo da palavra derivada. Se a palavra não
perder o sentido, ela é formada por derivação prefixal e sufixal. É o
caso de infelizmente: podemos tirar o prefixo in- e teremos
felizmente, que é uma palavra que existe em português. O mesmo
acontece se tirarmos o sufixo -mente: infeliz também é uma palavra da
nossa língua. Isso é impossível em casos de parassíntese como
enlouquecer: não existe “enlouco” nem “louquecer”.
Isso mostra que, na derivação prefixal e sufixal, os afixos (prefixos e sufixos)
vão sendo acrescentados aos poucos e não ao mesmo tempo, como ocorre na
parassíntese. Assim, quando retirados, não prejudicam a palavra primitiva. É
o que ocorre com a palavra valor, que se transforma em valorizar, que, por
sua vez, passa a desvalorizar e depois vira desvalorização. Assim, se você
tira o prefixo des-, permanece a palavra valorização, que existe no
português. Assim também, existem igualdade e desigual.
derivação regressiva — ocorre quando se retira a parte final de uma
palavra primitiva. Você deve estar achando esse tipo de derivação um
pouco diferente das anteriores, e é mesmo, pois, na derivação
regressiva, não há acréscimos na palavra e sim redução. Normalmente,
esse tipo de derivação forma substantivos abstratos a partir de verbos.
Assim, os substantivos formados pela derivação regressiva indicam o
nome de uma ação.
Para formar esses substantivos, basta substituir a terminação do verbo
(formada pela vogal temática -a, -e, -i + a desinência de infinitivo -r) por
uma das vogais temáticas nominais (-a, -e ou -o). Veja como é fácil:
trabalhar - ar = trabalh + o = trabalho;
ajudar - ar = ajud + a = ajuda;
combate - er = combat + e = combate.

E se o substantivo for concreto? Neste caso, a formação é sufixal. Por exemplo:
telefone é palavra primitiva e telefonar é derivada.

derivação imprópria — nesse tipo de derivação a palavra não sofre
nenhuma alteração de forma, ou seja, nem acréscimo, nem redução, o
que muda mesmo é a classe da palavra. Por exemplo, na frase Ele
jamais aceita um não como resposta, a palavra não, que costuma ser
um advérbio, passou a ser um substantivo.
Composição: juntando palavras
Além da derivação, outro processo que permite que formemos novas palavras
é a composição. Esse processo, na verdade, não é nada mais, nada menos, do
que a união de duas ou mais palavras simples. Por exemplo, as palavras
guarda-chuva (guarda + chuva) e pontapé (ponta + pé) são chamadas de
palavras compostas, porque são o resultado da união de duas outras. Repare
que nem toda palavra composta apresenta hífen. Essa união de palavras pode
ocorrer de duas maneiras: composição por justaposição e composição por
aglutinação.
Na justaposição, os elementos que formam a nova palavra composta são
colocados lado a lado, mas cada um deles conserva a mesma pronúncia e a
mesma forma que tinha antes. É o que acontece com os compostos
passatempo e conta-gotas. Por isso é que se diz que os elementos desses
compostos estão justapostos, ou seja, colocados em posição justa, exata, sem
alterações.
As palavras compostas com elementos de línguas diferentes são classificadas como
hibridismo: agronegócio (grego e latim), sambódromo (africano e grego),
sociologia (latim e grego), burocracia (francês e grego),
televisão (grego e português), reportagem (inglês e latim),
sagarana (alemão e tupi).
Já na composição por aglutinação, ocorre alteração da pronúncia e da forma
de, pelo menos, um dos elementos da palavra composta. Na palavra planalto
(plano + alto), por exemplo, houve alteração na pronúncia da palavra plano.
A mesma coisa acontece com os compostos aguardente (água + ardente) e
vinagre (vinho + acre). Note que nesses compostos também houve mudança
na pronúncia e na forma das palavras originais.

Outros processos:
abreviação vocabular — é a formação de uma palavra pela redução de parte de uma
já existente: foto (fotografia), pneu (pneumático), quilo (quilograma),
moto (motocicleta), cinema (cinematográfico).

Um caso especial de abreviação são as siglas: MEC, OAB, INSS, Sebrae.

onomatopeia — é a imitação de sons e ruídos: tique-taque, blablablá,
pingue-pongue, bangue-bangue.
estrangeirismo — introduz palavras de outros idiomas na língua portuguesa: show,
shopping, impeachment, designer, personal trainer, pen drive.
neologismo — é a criação de uma palavra ou mudança de sentido de uma já existente:
deletar (apagar), juridiquês (a linguagem do direito), gato, laranja, zebra.
intensificação — é o alargamento do sufixo de uma palavra já existente: inicializar
(iniciar), obstaculizar (obstar), culpabilizar (culpar), digitalizar (digitar).
palavra-valise — é a combinação de duas palavras: portunhol (português + espanhol),
showmício (show + comício), aborrecente (aborrecer + adolescente).
decalque — é a tradução de uma palavra ou expressão estrangeira: cartão postal
(de post card), lente de contato (de contact lens), conto de fadas (de fairy tale),
terceiro mundo (de third world), lista negra (de blacklist), palavras cruzadas
(de cross word).

O neologismo pode ser:
lexical — uma palavra nova é criada, com um novo conceito: precificar (atribuir ou
determinar preço), resetar (restaurar), tematizar (usar como tema).
semântico — a palavra já existe, mas ganha um novo sentido: dar zebra (dar errado),
estar a fim de (estar interessado), fazer um bico (trabalho temporário).

O gênero da sigla deve ser o primeiro da expressão que o forma:
o TRT - o Tribunal Regional do Trabalho
a CBF - a Confederação Brasileira de Futebol

Pela lógica, o normal seria esperar algo como DDD e a DDI. Entretanto, o uso 
consagrou essas siglas como masculinas, fazendo a concordância com o nome da 
letra D e não com a palavra discagem.

Há outros casos de abreviação:
1 - quando se usa apenas um prefixo: vice (de vice-prefeito, vice-governador e vice-presidente),
lipo (de lipoaspiração), ex (de ex-esposo, ex-esposa, ex-namorado e ex-namorada),
vídeo (de videocassete), máxi (de maxidesvalorização).
2 - por elipse: lotérica (de casa lotérica), abaixo-assinado (de documento abaixo-assinado),
catedral (de igreja catedral), representante (de membro representante),
documentário (de filme documentário), controle (de controle remoto).

Formações irregulares:
presidenciável - não vem do verbo 'presidenciar', mas de presidência.
prefeiturável - não vem do verbo 'prefeiturar', mas de prefeitura.
vestibulando - vem de vestibular, que não é verbo, mas sim substantivo.

NÃO PARECE, MAS É...
Ao contrário do que diz o dito popular “Parece, mas não é”, algumas
palavras não parecem compostas, mas, na verdade, são. Essas
palavras são bem diferentes dos compostos pernalta, vira-lata e
couve-flor, que são formados por elementos que nós identificamos
de imediato, logo que olhamos para a palavra.
Por exemplo, você diria que as palavras pedagogo, democracia são
compostas? Provavelmente não, pois essas palavras são formadas
por elementos gregos: pedi ou pedo significa criança; agogo indica
aquele que conduz; demo significa povo e cracia quer dizer poder.
Assim pedagogo é aquele que conduz, orienta as crianças, já
democracia significa o poder do povo. Daí a dificuldade de
reconhecer tais palavras como palavras compostas. Esses compostos
que são formados por elementos gregos e latinos são chamados de
compostos eruditos.
E qual a utilidade de conhecer esses elementos? Bem, saber o
significado desses elementos muitas vezes nos ajuda a compreender
os conceitos e os seres que eles denominam. Por exemplo, se você
souber que o radical grego piro- significa fogo, não terá dificuldade
de compreender o sentido das palavras piromania e pirotecnia, que
significam, respectivamente, mania de fogo e técnica de empregar
fogo ou explosivos.

Isso é útil para conhecer o significado de palavras que usamos em
outras disciplinas, como biologia, química, física, matemática e sociologia.

É comum o uso dos advérbios não e quase como prefixos: não violência, não
fumante, não agressão, não verbal, quase irmão, quase morte, quase paróquia.
Assim também ocorre com a preposição sem: sem-vergonha, sem-teto, sem-terra,
sem-cerimônia, sem-fim, sem-número, sem-vergonhice.

Sujeito, predicado, objeto direto, adjunto adnominal, aposto... Lembra
das suas aulas de análise sintática? Se você perde o sono só de ouvir
falar nesses termos, relaxe. Este capítulo vai apresentar a você alguns
conceitos básicos desse tema.
Mas, antes de qualquer coisa, é preciso saber o que é sintaxe. A sintaxe é a
parte da gramática que estuda o modo como as palavras se relacionam umas
com as outras dentro de uma frase, ou seja, a ordem das palavras nas frases, a
relação de dependência entre elas e também a concordância de uma palavra
com a outra são assuntos tratados pela sintaxe. Assim, ela analisa a função, o
papel que as palavras têm em relação às outras nas frases.
E a tão temida análise sintática? O que significa isso? A palavra análise vem
do verbo analisar, que significa dividir um todo em partes menores. Já a
sintaxe, como você viu, trata das relações entre as palavras nas frases. Assim,
analisar sintaticamente uma frase significa dividir uma frase em partes
menores e reconhecer cada uma dessas partes e a relação entre elas.

E para que você precisa saber disso? Bem, pode ser simplesmente para fazer
uma prova de análise sintática no colégio ou para fazer uma prova de
concurso público, mas a sintaxe nos ajuda também a compreender como se
formam as frases no português. Esse conhecimento vai ajudar você a
construir frases bem formadas como Todos os meus alunos são inteligentes
e a reconhecer aquelas que desrespeitam as leis sintáticas do português, como
por exemplo: “Meus os todos inteligentes são alunos”.
Você já deve ter percebido que, para nos comunicarmos com alguém,
oralmente ou por escrito, temos de escolher palavras que nos ajudem a
expressar exatamente aquilo que queremos dizer, mas só isso não basta.
Precisamos também relacionar e combinar as palavras de forma adequada
para que nossa frase tenha sentido. E é justamente com isto que a sintaxe se
preocupa: com a ordenação e organização das palavras e com a construção de
frases. Assim, conhecer um pouco de sintaxe vai ajudar você a formar frases
mais claras e bem organizadas. Agora é com você! Siga a leitura e veja que a
sintaxe não vai mais tirar seu sono.
Desde o início deste capítulo, você tem lido muito a palavra frase, mas
também já deve ter ouvido falar bastante, em suas aulas de sintaxe, nos
termos oração e período. Conhecer a diferença entre esses conceitos é
importante, pois não é possível analisar a função sintática de uma palavra
isolada, fora de uma oração. Então, mãos à obra!
Vamos começar pela frase. Frase é todo enunciado que tem sentido
completo. Para começo de conversa, você deve estar se perguntando o que é
enunciado. Enunciado é tudo que você diz, oralmente ou por escrito. Assim,
qalquer enunciado que transmita uma significação completa é uma frase. As
frases podem até ser formadas por uma única palavra. Por exemplo, quando
ouvimos alguém gritar “Fogo!”, entendemos que alguém está avisando que
alguma coisa está pegando fogo. Logo, Fogo! é uma frase.
Mas, se uma frase pode ser formada por uma única palavra, o que vai
diferenciar uma simples palavra de uma frase? Bem, na fala, o que faz uma
simples palavra se tornar uma frase é a entonação, ou seja, é a forma de
pronunciar que indica se ela é uma afirmação, uma pergunta ou uma
exclamação. Já na escrita, aparecem os sinais de pontuação (ponto final [.],
ponto de interrogação [?] ou ponto de exclamação [!]) para indicar a
entonação.
Já deu para perceber que as frases podem ser bem simples, o importante
mesmo é que elas tenham sentido completo. Mas elas também podem
apresentar mais elementos, como em Aquele carro está pegando fogo.
Repare que as frases podem ou não apresentar verbos. A frase Fogo! não tem
verbo, por isso ela é chamada de frase nominal. Já a frase Aquele carro está
pegando fogo apresenta a locução verbal está pegando, por isso é uma frase
verbal.
Bem, você viu que as frases podem ser classificadas em verbais ou nominais
de acordo com a presença ou não de verbos, mas elas também podem ser
classificadas de acordo com a utilidade que têm na comunicação. Por
exemplo, se você tem uma dúvida, faz uma pergunta; se está alegre, faz uma
exclamação etc. Assim, as frases podem ser:
declarativas — são aquelas que fazem uma declaração, apresentam
uma informação: Hoje é sábado.
exclamativas — são as que expressam um estado afetivo (admiração,
surpresa, alegria, espanto, dor): Que dia lindo!
imperativas — são as que apresentam uma ordem, um pedido ou um
conselho: Aproveite bem o dia!
interrogativas — são aquelas que apresentam uma pergunta: Que dia é
hoje?
optativas — são aquelas que expressam desejo, voto de esperança ou
bênção: Que você tenha sucesso no seu novo emprego!
imprecativas — são as que expressam um desejo ruim: Que o fogo do
inferno te consuma!
Você acabou de ver que um enunciado é chamado de frase quando tem
sentido completo. Mas, e a oração? É todo enunciado que apresenta
verbo. Já o período é o conjunto de uma ou mais orações, delimitado pelos
seguintes sinais de pontuação: ponto final (.), ponto de exclamação (!), ponto
de interrogação (?).
Assim, um enunciado como Gostei deste livro! é:
uma frase, porque tem sentido completo;
uma oração, porque tem verbo;
um período, pois é formado por uma oração e está marcado pelo ponto
de exclamação.
Os períodos podem ser formados por uma ou mais de uma oração. Aqueles
que têm apenas uma oração são chamados de períodos simples. E a oração
que forma o período simples recebe o nome de oração absoluta. É o caso do
exemplo acima.
Já os períodos que apresentam duas ou mais orações são chamados de
compostos. Observe o período a seguir:
É bom que você leia este livro.
Temos aí duas orações, pois há dois verbos (é, leia). É, assim, um período
composto.

Você deve estar se perguntando por que precisa saber o que é uma frase, uma
oração ou um período. Bem, esses conceitos são importantes para o estudo
da sintaxe, pois a análise sintática só é possível em enunciados que tenham
verbos, ou seja, só é possível em orações e períodos. Isso ocorre porque o
verbo é a espinha dorsal de um enunciado, é ele que determina a relação que
um elemento tem com outro no enunciado.
A. Toda frase é uma oração?
B. Toda oração é uma frase?
Resposta A: Não, porque existem frases sem verbo.
Resposta B: Não, porque existem orações sem sentido completo.

Frases sem verbo não podem ser analisadas sintaticamente.

Você já deve ter percebido que fazer a análise sintática de um
enunciado significa dividir uma oração em partes menores e
reconhecer a função de cada uma delas. Essas partes são chamadas de
termos da oração e esses termos são divididos em três grupos: termos
essenciais, termos integrantes e termos acessórios.
E não é à toa que os termos da oração são chamados dessa maneira. Essa
divisão tem a ver com a maior ou menor importância que um termo tem na
oração. Assim, os termos essenciais são os termos básicos, que estão
presentes na maioria das orações. Já a palavra integrante vem do verbo
integrar, que significa completar. E é exatamente isso que os termos
integrantes de uma oração fazem: eles completam o sentido de verbos ou
nomes que não têm sentido completo. Já os termos acessórios, como o
próprio nome diz, são considerados dispensáveis. Podemos até dizer que a
função que eles têm na oração é uma função secundária, pois a falta de um
termo acessório não deixa a estrutura da oração prejudicada. Mas isso não
quer dizer que esses termos sejam desnecessários, pois, em algumas
situações, colaboram muito para o entendimento da frase.

Você já deve ter notado que as orações, de uma maneira geral, apresentam
uma informação sobre alguém ou sobre alguma coisa. Esse elemento sobre o
qual informamos alguma coisa é o sujeito. Por exemplo, na oração Os
brasileiros adoram futebol, o termo os brasileiros é o elemento do qual se
diz alguma coisa, ou seja, os brasileiros é o sujeito da oração.
Repare que o sujeito desta oração é formado por duas palavras, os e
brasileiros, mas uma delas apresenta a ideia mais importante: brasileiros.
Brasileiros é, assim, a principal palavra do sujeito, por isso recebe o nome de
núcleo do sujeito. Assim, o sujeito é formado pelo núcleo e pelas palavras
que estiverem ligadas a esse núcleo.
Mas além de ser o termo do qual se diz alguma coisa, o sujeito apresenta
outras características que vão ajudar você a reconhecê-lo com facilidade.
Preste atenção nelas:
o sujeito manda no verbo, isso significa que o verbo concorda com o
sujeito em número e pessoa, ou seja, sujeito no singular = verbo no
singular; sujeito no plural = verbo no plural; sujeito na 1ª pessoa =
verbo na 1ª pessoa e assim por diante.
Note que, na frase acima, Os brasileiros adoram futebol, o verbo adorar
está na 3ª pessoa do plural (adoram) porque o sujeito da oração (Os
brasileiros) está na 3ª pessoa do plural (eles adoram futebol);
o núcleo do sujeito (a palavra mais importante do sujeito) é sempre um
substantivo, pronome substantivo (pronome que substitui o
substantivo) ou qualquer palavra substantivada. Na frase Os
brasileiros adoram futebol, o substantivo brasileiros é o núcleo do
sujeito.
Um truque simples para descobrir o sujeito de uma oração é
fazer a seguinte pergunta ao verbo:
QUEM (para pessoas) ou O QUÊ (para coisas) + VERBO?
Voltando à frase Os brasileiros adoram futebol, a pergunta fica assim:
Quem adora futebol?
A resposta é os brasileiros, logo os brasileiros é o sujeito da oração.
Já na frase O carro foi comprado naquela concessionária, a pergunta que
você deve fazer é a seguinte:
O quê foi comprado?
A resposta é o carro. O termo o carro é, assim, o sujeito da oração.
Você deve ter notado que o sujeito costuma aparecer no início
das orações, antes do verbo, mas fique atento, pois nem sempre
isso acontece, principalmente com alguns verbos, como ocorrer
e existir. Observe os exemplos:
Já ocorreram outros acidentes naquela rodovia → O que ocorreu?
Outros acidentes = sujeito.
Existem placas de sinalização naquela rodovia → O que existe?
Placas de sinalização = sujeito.
Nesses casos, o sujeito está posposto ao verbo.
Existem sujeitos de todo tipo, não é? Altos, gordos, inteligentes, sensíveis
etc. Com o sujeito da gramática acontece a mesma coisa. Há diferentes tipos
de sujeito: com um único núcleo, com dois e até orações que não apresentam
sujeito.
Mais uma vez, você deve estar se perguntando por que deve saber isso. Bem,
você viu que uma das características do sujeito é que ele é responsável pela
concordância do verbo, por isso é importante saber de que tipo ele é para
fazer a concordância adequada. Veja, agora, que tipos de sujeito são esses:
sujeito simples — apresenta apenas um núcleo. Por exemplo, na frase
Aqueles alunos são muito dedicados, o sujeito aqueles alunos é
simples, pois apresenta um único núcleo (alunos), que é a palavra mais
importante do sujeito.
sujeito composto — apresenta dois ou mais núcleos. É o que se vê na
oração Crianças, jovens e adultos participaram da festa. Nesse
caso, o sujeito crianças, jovens e adultos é composto, pois apresenta
três núcleos.
sujeito oculto — como o nome já diz, é aquele que não aparece na
oração, mas pode ser reconhecido pela terminação do verbo. No
exemplo, Comprei um novo livro de sintaxe, o sujeito não aparece
expresso na oração, mas pode ser reconhecido com facilidade pela
terminação do verbo (eu compreI).

Este tipo de sujeito também é chamado de elíptico, desinencial ou
implícito.

sujeito indeterminado — esse tipo de sujeito ocorre quando não
podemos (ou não queremos) identificar a quem a informação da oração
está se referindo. Existem duas maneiras de indeterminar o sujeito:
a primeira delas com verbos na 3ª pessoa do plural, sem que esse
verbo esteja se referindo a um termo já citado. Por exemplo, na
frase Ligaram para você ontem, o verbo está na 3ª pessoa do
plural, mas não se refere a nenhum elemento da oração.
Provavelmente quem disse isso colocou o verbo no plural, pois não
sabia exatamente quem ligou.
outra possibilidade de indeterminar o sujeito é com a palavra se. É
o que acontece na frase Vive-se bem no interior. Repare que o
verbo viver não se refere a nenhum termo da oração, nem a
nenhuma pessoa em especial, ou seja, o sentido da frase é de que
qualquer pessoa vive bem no interior. Nos casos de sujeito
indeterminado com a palavra se, o verbo fica sempre na 3ª pessoa
do singular e esse se é chamado de índice de indeterminação do
sujeito, pois é justamente o se que dá essa ideia de conjunto, de
generalização.
oração sem sujeito — isso não é exatamente um tipo de sujeito, afinal,
o sujeito, nesses casos, não existe e exatamente por isso não pertence a
nenhum tipo. Mas esse é o lugar certo para falar de algumas orações
em que a informação que aparece no predicado não se liga a nenhum
sujeito. Os casos de oração sem sujeito ocorrem sempre com certos
verbos.
O primeiro caso de oração sem sujeito acontece com verbos que indicam
fenômenos da natureza (chover, nevar, trovejar, amanhecer etc.). Por
exemplo, na frase Nevou muito no sul do país, a oração não tem sujeito,
pois o verbo nevar representa um fenômeno da natureza, que não se refere a
nenhum sujeito.
Outro caso de oração sem sujeito acontece com o verbo haver, quando ele
indicar existência, ou seja, quando ele for sinônimo do verbo existir. É o que
acontece na frase Há (= existem) muitos candidatos para as universidades
públicas.
Também há casos de oração sem sujeito com os verbos estar, fazer, haver e
ser com indicação de tempo ou clima. É o que se vê nos exemplos a seguir:
Está cedo ainda.
Faz nove anos que me mudei.
Há dias não o vejo!
Já é tarde.
Faz frio aqui.
Repare que, nas orações sem sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do
singular. Esses verbos são chamados impessoais, pois estão
sempre na mesma pessoa, a 3ª do singular. A única exceção é o
verbo ser, que varia de acordo com a expressão numérica nas
indicações de tempo. É o que se vê na frase abaixo:
São nove horas.
Nesse exemplo, o verbo ser está no plural (São) para concordar com o
número nove da expressão numérica nove horas.
Agora que você já sabe identificar o sujeito de uma oração, fica fácil
reconhecer o predicado, que é tudo aquilo que se diz do sujeito. Na prática, o
predicado é o que sobra na oração depois que se retira o sujeito. Observe a
oração abaixo para identificar o predicado:
Os livros são bons companheiros.
São bons companheiros é o predicado da oração, isto é, aquilo que se diz do
sujeito os livros.
O predicado não pode faltar nunca, pois é ele que carrega o verbo da oração
e, como você já sabe, sem verbo, não há oração.
Parada para abastecer: a transitividade dos verbos
Antes de você saber mais sobre o predicado, vamos dar uma paradinha para
abastecer seus conhecimentos de sintaxe. Esses conhecimentos vão ajudar
você a reconhecer os tipos de predicado e também a identificar outros termos
da oração.
Você já sabe que os verbos são o coração da oração, ou seja, sem eles as
orações não existem. Mas nem todos os verbos se comportam da mesma
maneira no predicado. Existem alguns verbos que, sozinhos, podem formar o
predicado, pois eles têm sentido completo. É o que acontece com o verbo
viajar na oração Meu irmão viajou.
Já outros verbos precisam de alguns elementos para completar o seu sentido,
como acontece com o verbo comprar na oração Comprei excelentes livros.
O verbo comprar não tem sentido completo, esse verbo precisa de um
complemento. No caso, excelentes livros é o complemento.
E existem ainda aqueles verbos que simplesmente não têm sentido, ou seja,
não trazem nenhuma ideia nova para o sujeito, servem apenas para ligar o
sujeito a uma palavra que caracteriza esse sujeito. É o caso do verbo ser (é)
na oração O filme é excelente.
Assim, de acordo com essas características, os verbos recebem a seguinte
classificação:
verbos intransitivos — os intransitivos são aqueles verbos que têm
sentido completo, ou seja, não precisam de nenhum elemento para
completar seu sentido. O verbo em si já diz tudo. Por exemplo, na frase
Minha caneta sumiu, o verbo sumir, sozinho, já transmite uma ideia
completa. Aliás, é exatamente por isso que esse tipo de verbo é
chamado de intransitivo. A palavra intransitivo vem do verbo
transitar, que significa passar, ou seja, o sentido do verbo sumir não
transita para outra palavra do predicado.

Há verbos intransitivos que precisam de complementos. Neste caso,
chamam-se transitivos circunstanciais:
Moro em João Pessoa. / Vou para Fortaleza.

verbos transitivos — com os verbos transitivos a situação é bem
diferente. Esses verbos têm sentido, mas esse sentido não é completo.
O verbo amar, por exemplo, é transitivo, pois exige complemento para
completar seu sentido. Se você diz a alguém: — Amo!, é natural que a
pessoa queira saber quem ou o que você ama. Os verbos transitivos
podem ser: diretos, indiretos ou diretos e indiretos ao mesmo tempo.
Os transitivos diretos são aqueles que não exigem preposição. É o caso do
verbo amar. Note que, na frase Amei esse livro, não existe nenhuma
preposição entre o verbo amar e o complemento esse livro. A ligação entre o
verbo e o complemento é direta, ou seja, sem preposição. Por isso, o verbo
amar é transitivo direto. Os termos que completam o sentido de um verbo
transitivo direto são chamados de objetos diretos. Assim, esse livro é um
objeto direto.
Já os verbos transitivos indiretos exigem preposição. É o caso do verbo
gostar. Repare que, sempre que você usa o verbo gostar, a preposição de
naturalmente aparece depois dele (Gosto de chocolate). Os termos que
completam o sentido dos verbos transitivos indiretos recebem o nome de
objetos indiretos.
E há também os verbos transitivos diretos e indiretos, que têm um
complemento com e outro sem preposição. O verbo entregar é um deles:
Entreguei o livro ao aluno (o livro = objeto direto; ao aluno = objeto
indireto).

Há verbos que têm três complementos. São chamados de tritransitivos.
Exemplos clássicos são os verbos traduzir e transferir.

Não confunda VI com VTD. Isso ocorre quando a frase está invertida.
Para isso, tente colocar o pronome ele no início da frase ou colocá-la
na voz passiva.
Encontrou outra opção. - Ele encontrou outra opção. /
Outra opção foi encontrada.
Buscava uma alternativa. - Ele buscava outra alternativa. /
Uma alternativa era buscada.
Resta outra opção. - a frase já está na voz ativa
Existia uma alternativa. - a frase já está na voz ativa

verbos de ligação — o nome já diz tudo: esses verbos servem para
ligar duas palavras ou expressões (o sujeito e um termo que caracteriza
esse sujeito). Por exemplo, na frase O mar está calmo, o verbo estar
liga o sujeito O mar ao termo calmo, que caracteriza o sujeito. O
termo calmo, nesse caso, é palavra mais importante do predicado, pois
carrega o sentido do predicado. É o chamado predicativo do sujeito.

Esses verbos podem expressar diferentes aspectos:
1 - Adriana é alegre. (estado permanente)
2 - Adriana está alegre. (estado transitório)
3 - Adriana ficou alegre. (mudança de estado)
4 - Adriana parece alegre. (estado aparente)
5 - Adriana continua alegre. (continuidade de estado)

Predicativo: o atributo
Como você já deve ter notado, o predicativo é aquela função sintática que
indica uma qualidade, um estado ou uma característica do sujeito. Mas é
importante lembrar que o predicativo também pode se ligar ao objeto. É o
que se vê na frase:
Nós encontramos as crianças animadas.
Note que o predicativo animadas está caracterizando o termo crianças, que é
o núcleo do objeto direto.
Você provavelmente está pensando que só os adjetivos podem funcionar
como predicativos, já que são os adjetivos que costumam indicar qualidades.
Mas outras classes de palavras, além dos adjetivos, também podem funcionar
como predicativos. Na verdade, o núcleo do predicativo pode ser
representado também pelas seguintes classes: locuções adjetivas,
substantivos, numerais e pronomes. Dê uma olhada nos predicativos
destacados nas frases abaixo:
A criança estava com sede (com sede = locução adjetiva = predicativo).
José é o gerente (gerente = substantivo = predicativo).
Eles são os primeiros (primeiros = numeral = predicativo).
Isso é meu (meu = pronome = predicativo).
Só existe predicativo do objeto se o verbo da oração for
transitivo, pois apenas os verbos transitivos exigem
complementos, ou seja, objetos. Logo, se o verbo da oração for
de ligação ou intransitivo, o predicativo será sempre do sujeito.

Normalmente, o predicativo do objeto se refere ao objeto direto.
Eventualmente, pode se referir ao objeto indireto, apenas com o verbo
chamar, no sentido de apelidar.

Em linguagem jurídica, os verbos resultar e restar têm sido usados
como verbos de ligação, ou seja, acompanhados de predicativo.
A lei foi revogada. (correto)
A lei restou revogada. (errado)
Os esforços resultaram inúteis. (errado)
Os esforços foram inúteis. (correto)
Os esforços não deram resultado. (correto)

Nos jornais, revistas e telejornais, o verbo seguir tem sido usado
como verbo de ligação, ou seja, acompanhado de predicativo.
O evento segue tranquilo. (errado)
O evento continua tranquilo. (correto)

Verbal, nominal ou verbo-nominal: os tipos de
predicado
É isso mesmo que você está pensando: vem mais classificação por aí. O
predicado, do mesmo modo que o sujeito, apresenta diferentes tipos: o
predicado verbal, o predicado nominal e o predicado verbo-nominal. Mas
entender cada um dos tipos de predicado não é difícil, o nome de cada um
deles já dá uma boa ideia de como eles são.
predicado verbal — repare no nome desse predicado: verbal. Isso
significa que o verbo é palavra mais importante do predicado, o verbo
é o núcleo do predicado. Para um verbo ser a palavra mais importante
do predicado, esse verbo precisa ter sentido, ou seja, o verbo do
predicado verbal é intransitivo ou transitivo. Além disso, tudo o que
aparece no predicado está ligado ao verbo. Repare na oração:
Os clientes reclamaram do produto — o predicado (reclamaram do
produto) é verbal, pois o verbo reclamar é a palavra mais importante
do predicado. O termo do produto só existe para completar o sentido
do verbo.
predicado nominal — já no predicado nominal a palavra mais
importante, ou seja, o núcleo, é um nome. O verbo, nesse tipo de
predicado, não tem sentido, é um simples elemento de ligação entre o
sujeito e um nome, que serve para caracterizar o sujeito. Não é à toa
que esse verbo é chamado de verbo de ligação. Esse termo que
caracteriza o sujeito recebe o nome de predicativo do sujeito. Veja um
exemplo de predicado nominal:
Minhas férias foram ótimas — o predicado (foram ótimas) é
nominal, pois o termo ótimas é a palavra mais importante do predicado
(o núcleo). O verbo (foram) está ali só para ligar o sujeito Minhas
férias a uma característica desse sujeito ótimas, que funciona como
predicativo do sujeito.
predicado verbo-nominal — é uma mistura do predicado verbal e do
nominal, ou seja, apresenta dois núcleos: um verbo com sentido
(intransitivo ou transitivo) e um nome (o predicativo). É o que
acontece na oração:
O menino brincava feliz — o predicado (brincava feliz) é verbo-
nominal, pois apresenta dois núcleos: o verbo intransitivo brincar e o
predicativo feliz. Repare que o predicado verbo-nominal pode ser
desdobrado em duas orações, uma com predicado verbal (O menino
brincava) e outra com predicado nominal (O menino estava feliz).
Você viu que o sujeito e o predicado constituem a estrutura básica da maioria
das orações. A ligação entre esses termos é tanta que não deve ser
interrompida por nenhum sinal de pontuação, mesmo que o sujeito seja muito
longo ou esteja depois do predicado. É o que você pode comprovar nos
exemplos a seguir:
Todas as alternativas de renovação dos métodos de trabalho foram
postas em prática.
Foram entregues todos os documentos necessários para a inscrição.
Note que, no primeiro período, o sujeito Todas as alternativas de
renovação dos métodos de trabalho, mesmo longo, não se separa do
predicado por vírgula. Também não ocorre vírgula no segundo período, em
que o sujeito todos os documentos necessários para a inscrição está depois
do predicado Foram entregues.
Pontuando os núcleos do sujeito composto
Como você já sabe, o sujeito composto apresenta vários núcleos. E esses
núcleos devem ser separados por vírgulas, como se vê no sujeito composto a
seguir:
Alunos, professores, pais e funcionários organizaram a festa de
formatura.
É bom lembrar que, quando o último núcleo é introduzido por conjunção (e,
ou ou nem), não haverá vírgula.
Pontuando termos intercalados
Preste atenção: sempre que houver intercalação de termos entre o sujeito e o
predicado, haverá uma vírgula antes e outra depois do termo intercalado.
Os resultados, caros alunos, foram muito bons.
Note que o termo caros alunos está entre vírgulas, pois está intercalado entre
o sujeito Os resultados e o predicado foram muito bons.
Pontuando o predicativo
O predicativo pode sim ser separado do restante da oração. Veja quando isso
pode acontecer:
Maravilhados, os turistas admiravam os monumentos históricos do
local.
Os turistas, maravilhados, admiravam os monumentos históricos do
local.
Nas orações de predicado verbo-nominal, sempre que o predicativo do
sujeito, estiver invertido ou intercalado, será isolado por vírgulas, como
mostram os exemplos anteriores.
Agora, você vai conhecer melhor os termos integrantes da oração.
Esses termos, como o próprio nome já diz, servem para integrar, ou
seja, para completar o sentido de verbos e nomes que não têm sentido
completo e, exatamente por isso, precisam de uma ajudinha extra para
transmitir de forma completa uma ideia. Por esse motivo, alguns termos
integrantes recebem o nome de complementos: são os complementos verbais
e o complemento nominal. Além desses complementos, o predicativo e o
agente da passiva também são termos integrantes.
Na seção Parada para abastecer, no Capítulo 9, você viu que nem todos os
verbos têm sentido completo. Alguns precisam de outros termos para
completar o seu sentido. Esses verbos recebem o nome de transitivos e os
termos que completam esses verbos são os complementos verbais. Esses
complementos podem se ligar diretamente ao verbo, sem a presença de uma
preposição, ou podem ser iniciados por uma preposição. (Se você já se
esqueceu delas, dê uma olhada no Capítulo 1.)
Se a ligação entre o verbo e o complemento é direta, ou seja, sem preposição,
o complemento do verbo recebe o nome de objeto direto. Observe a frase
abaixo:
Aluguei uma casa de praia.
O verbo alugar não tem sentido completo (quem aluga, aluga alguma coisa).
O termo uma casa de praia é a expressão que vai completar o sentido desse
verbo. Já que esse termo não é iniciado por preposição é chamado de objeto
direto.
Outros verbos, ao contrário, fazem questão da preposição, só aparecem com
elas. É o caso do verbo precisar. Note que, sempre que você constrói uma
frase com esse verbo, lá está ela. É o que se vê no exemplo que segue:
Preciso de sua ajuda.
A preposição de inicia o complemento do verbo, por isso esse complemento
recebe o nome de objeto indireto.
Resumindo, existem dois tipos de complementos do verbo: o objeto direto (é
aquele que se liga ao verbo sem preposição) e o objeto indireto (é aquele que
se liga ao verbo com preposição). Uma característica comum dos objetos
diretos e dos objetos indiretos é que o núcleo dessas funções sintáticas é
sempre um substantivo, um pronome substantivo ou uma palavra
substantivada.
Você pode localizar com facilidade os complementos verbais
fazendo perguntas ao verbo da seguinte maneira:
VERBO + QUEM ou O QUÊ?
Voltando à frase:
Aluguei uma casa de praia.
Basta perguntar: Aluguei o quê? A resposta é uma casa de praia, que é o
complemento do verbo — o objeto direto.
Para localizar o objeto indireto, basta fazer a pergunta com a preposição que
está na frase. Veja como funciona:
Preciso de sua ajuda.
A pergunta fica assim: Preciso de quê? A resposta é de sua ajuda (objeto
indireto).

Às vezes, o objeto indireto não vem preposicionado. Isso ocorre quando ele é
representado pelos pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, lhe e lhes.

Objeto direto com preposição?! Que história é essa?
Às vezes, o objeto direto pode ser iniciado por uma preposição. Você
provavelmente deve estar achando isso difícil de entender, não é? Se existe
preposição, por que o complemento não é classificado como objeto indireto?
Mas o objeto direto preposicionado recebe esse nome porque ele completa
sempre um verbo transitivo direto, ou seja, um verbo que não exige
preposição.
A preposição do objeto direto preposicionado aparece por outras razões, não
por uma exigência do verbo. É o que acontece na frase Sempre amou a
mim. O verbo amar, como você já sabe, não exige preposição, mas, nesse
caso, ela aparece por causa do tipo de pronome que aparece como objeto
direto. Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico e esses pronomes vêm
sempre precedidos de preposição.
Em outros casos, a preposição surge diante do objeto direto para dar mais
destaque a ele, a tal da ênfase, como acontece na frase Cumpri com o meu
dever. O verbo cumprir é transitivo direto, mas, nesse caso, a preposição
com dá destaque ao objeto direto meu dever. Assim, o termo com o meu
dever é um objeto direto preposicionado.

Outras situações de objeto direto preposicionado:
para evitar ambiguidade - Venceram aos argentinos os alemães.
para dar ideia de parte, porção - Comi da pizza.
com o nome próprio Deus - amar a Deus sobre todas as coisas.

Não são só os verbos que precisam de uma ajudinha extra. Muitos nomes não
têm sentido completo, principalmente aqueles formados a partir de verbos.
Por exemplo, o verbo necessitar não tem sentido completo, esse verbo exige
um complemento com preposição, ou seja, precisa de um objeto indireto
(necessitar de alguma coisa).
A mesma coisa acontece com o substantivo necessidade, que é derivado do
verbo necessitar. Se alguém disser apenas Tenho necessidade, é natural que
perguntem: Necessidade de quê? Isso mostra que não só os verbos, mas
também os nomes podem exigir um complemento. É o que se vê no exemplo
que segue:
Tenho necessidade de ajuda.
O termo de ajuda é o complemento da palavra necessidade, que é um nome.
Por esse motivo, o termo de ajuda é chamado de complemento nominal.
Uma das características dos complementos nominais é que eles vêm sempre
iniciados por preposição. E, além de completarem substantivos abstratos,
como se viu no exemplo anterior (necessidade), podem também completar o
sentido de adjetivos e advérbios.
Veja agora o funcionamento dos complementos nominais:
A compra da casa própria é o sonho dos brasileiros — nesse
exemplo, repare que o sujeito da oração é a compra da casa própria,
que tem como núcleo a palavra compra. Mas, além desse núcleo, o
sujeito apresenta também o termo da casa própria, que completa o
sentido do substantivo compra (Compra de quê?). Logo, o termo da
casa própria é o complemento nominal do substantivo abstrato
compra.
O livro foi útil aos alunos — na frase, o termo aos alunos completa o
sentido do adjetivo útil. Note que, sem o termo aos alunos, o sentido
da frase fica vago (O livro foi útil a quem? Aos alunos? Aos
professores? Aos interessados no assunto?). Assim, fica fácil perceber
que o termo aos alunos é um complemento nominal do adjetivo útil.
Ela trabalha perto do aeroporto — nesse caso, o termo do
aeroporto completa o sentido de um advérbio, no caso perto. Note
que esse advérbio pede uma complementação (Perto de onde?). Logo,
o termo do aeroporto é complemento nominal do advérbio perto.
Alguns pronomes também podem desempenhar a função de complemento
nominal. É o que acontece com o pronome lhe na frase que se segue:
Aquele remédio lhe foi prejudicial.
Nesse caso, a preposição do complemento nominal está implícita no pronome
lhe, que equivale a a ele (Aquele remédio foi prejudicial a ele).
Fique atento para não confundir o complemento nominal com o
objeto indireto. Esses dois termos são iniciados por preposição,
mas o complemento nominal completa o sentido do nome, que
pode ser um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio.
Já o objeto indireto completa o sentido do verbo. A dica, então, é
ver se o termo preposicionado está ligado ao nome ou ao verbo.
Observe as frases a seguir:
Tenho confiança em você.
Confio em você.
Note que, na primeira frase, o termo em você está completando o sentido do
substantivo abstrato confiança e não do verbo ter (Confiança em quem? Em
você.), logo em você nessa frase é complemento nominal.
Já na segunda frase, o termo em você completa o sentido do verbo confiar
(Confio em quem? Em você.), por isso, nesse caso, o termo em você é objeto
indireto.
O agente da passiva, assim como os complementos verbais (objeto direto e
objeto indireto), o complemento nominal e o predicativo, é um termo
integrante da oração. Para você entender exatamente o que é o agente da
passiva, é importante conhecer as vozes verbais: ativa, passiva e reflexiva.
Por isso, é fundamental conhecê-las primeiro.
Você, com certeza, deve estar estranhando a expressão vozes verbais. Na
verdade, as vozes verbais indicam como o verbo se relaciona com o sujeito da
oração. Existem três situações possíveis: o sujeito pratica ação (O menino
quebrou a vidraça); o sujeito sofre a ação (A vidraça foi quebrada pelo
menino); o sujeito pratica e sofre a ação (Ele se feriu com a faca).
No primeiro caso, o sujeito (O menino) praticou a ação de quebrar. No
segundo exemplo, o sujeito (A vidraça) sofreu a ação. Já no terceiro caso, o
sujeito (Ele) praticou e sofreu a ação de ferir, ele feriu a si mesmo.
Assim, temos as três vozes:
voz ativa — o sujeito pratica a ação, ou seja, ele é o agente.
voz passiva — o sujeito sofre a ação, ou seja, o sujeito é paciente.
voz reflexiva — o sujeito pratica e sofre ação, ou seja, o sujeito é, ao
mesmo tempo, agente e paciente.
Dois tipos de passiva...
A voz passiva apresenta duas formas: a analítica e a sintética. Os nomes
podem parecer estranhos, mas você, provavelmente, já usou bastante essas
construções, só não está ligando o nome à pessoa. Observe como cada uma
delas se forma:
passiva analítica — esse tipo de passiva é formado por um verbo
auxiliar, que pode ser o verbo ser ou estar, mais o particípio do verbo
principal (lembra do particípio? Aquela forma nominal do verbo
terminada em -do). Veja como fica uma oração na passiva analítica:
O material foi elaborado pelo próprio professor.
Observe que, nessa frase, temos o verbo auxiliar ser (foi) mais o
particípio do verbo elaborar (elaborado). Você já deve ter percebido
que a passiva analítica é sempre formada por uma locução verbal
(conjunto de verbo auxiliar com um verbo principal).
passiva sintética — esse tipo de passiva é formado pelo pronome
apassivador se. O pronome se na passiva sintética recebe esse nome,
porque é ele que torna a oração passiva. É o que se vê na oração a
seguir:
Aluga-se casa de praia.
É importante lembrar que nem toda oração com o pronome se
está na voz passiva sintética. A construção com se será passiva
sintética se o verbo da oração for transitivo direto ou transitivo
direto e indireto e se não houver nenhum sujeito agente. Vale
lembrar também que o verbo na passiva sintética pode ficar no
singular ou no plural. Tudo vai depender do sujeito. Se o sujeito
estiver no singular, o verbo fica no singular (Aluga-se casa de
praia). Se o sujeito estiver no plural, o verbo também vai para o
plural (Alugam-se casas de praia).
Para reconhecer a voz, você deve primeiro identificar o sujeito e
ver qual a relação dele com o verbo: É agente? É paciente? É
agente e paciente ao mesmo tempo? No caso das construções
com o pronome se, fique de olho também no verbo. Lembre-se
de que só há voz passiva com verbos que pedem objeto direto, ou
seja, verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos.
Em que voz verbal estão as orações abaixo?
A. Ele se viu no espelho
B. Os alunos recuperaram o material perdido.
C. O documento foi entregue em mãos.
D. Consertam-se aparelhos e geladeiras.
Resposta: Na oração A, a voz é reflexiva, pois o sujeito (Ele) pratica a ação
de ver e, ao mesmo tempo, é visto por ele mesmo. Na oração B, a voz é ativa,
já que o sujeito (os alunos) é que praticou a ação de recuperar. Já na oração
C, a voz é passiva analítica, pois o sujeito (O documento) sofreu a ação de
ser entregue. Na oração D, temos um caso de passiva sintética (verbo
transitivo direto + pronome apassivador se). Nesse último caso, o sujeito
paciente é aparelhos e geladeiras.
Voltando ao agente...
Agora que você já sabe o que são as vozes verbais, vai ficar fácil entender o
que é o agente da passiva. Como o nome já diz, agente da passiva é o termo
que age, ou seja, que pratica a ação na voz passiva. Observe a frase:
Dez engenheiros foram contratados pela construtora.
O sujeito da oração é o termo Dez engenheiros. Esse sujeito sofre a ação
representada pelo verbo, ou seja, eles foram contratados, não foram os
engenheiros que contrataram, logo esse sujeito é paciente e a oração está na
voz passiva. Mas na oração há um termo que indica quem agiu, quem
contratou. Esse termo é pela construtora, que, exatamente por isso, é
chamado de agente da passiva.
Outra característica do agente da passiva, que pode ajudar você a reconhecê-
lo, é que ele vem sempre iniciado por preposição. Normalmente a preposição
usada é por (ou ainda pelo, pela, pelos, pelas), mas, às vezes, também pode
aparecer a preposição de. É o que acontece na frase a seguir:
Os tecidos são formados de células.
O termo de células é o agente da passiva, iniciado pela preposição de.
O agente da passiva só aparece na voz passiva analítica e,
mesmo nesse tipo de passiva, nem sempre ele está presente na
oração.
Da ativa para a passiva?
É possível transformar uma oração na voz ativa para a voz passiva? É
possível sim, mas existe uma condição básica: o verbo da oração deve ser
transitivo direto ou transitivo direto e indireto.
Você deve estar se perguntando por que a presença de verbos desse tipo é
obrigatória. Isso acontece porque tanto o verbo transitivo direto quanto o
transitivo direto e indireto pedem um objeto direto. E é justamente o objeto
direto da voz ativa que vira sujeito da passiva. Se você prestar atenção, vai
notar que os objetos diretos sempre sofrem a ação indicada pelo verbo, por
isso eles assumem a função de sujeito da passiva. Observe o exemplo abaixo:
A prefeitura doou os terrenos.
A oração está na voz ativa, pois o sujeito A prefeitura é o agente da ação de
doar, ou seja, é a prefeitura que pratica a ação de doar. Já o termo os
terrenos é o objeto direto. Repare que o objeto direto os terrenos é o
paciente da ação, foi o terreno que sofreu a ação de ser doado. Já que essa
oração apresenta objeto direto, é possível passá-la para a passiva. Observe
como se faz:
Resumindo a passagem da ativa para a passiva:
o sujeito agente da voz ativa (A prefeitura) vira agente da passiva
(pela prefeitura).
o objeto direto da voz ativa (os terrenos) torna-se sujeito paciente da
voz passiva (Os terrenos).
o verbo da voz ativa transforma-se em particípio (doados) e antes dele
é preciso colocar o verbo auxiliar ser no mesmo tempo e modo do
verbo da voz ativa (no exemplo, a forma doou está no pretérito perfeito
do indicativo, logo o verbo ser também ficou nesse tempo (foram).
Reparou como é lógica a transformação? O sujeito da voz ativa pratica a
ação, ou seja, é agente, logo é ele que se transforma no agente da passiva. Já
o objeto direto é quem sofre ação na voz ativa, por isso ele assume a função
de sujeito da passiva.

Não há voz passiva se o verbo for VI, porque ele não tem complemento
e se o verbo for VL, porque ele é verbo de estado, não de ação.

Só há voz ativa se o sujeito praticar a ação?
Não, voz passiva é uma forma verbal, enquanto passividade é ideia.
Em 'O funcionário recebeu o salário' a voz é ativa, embora o sujeito tenha
sofrido a ação.

Há quatro verbos que são considerados passivos: batizar-se, chamar-se,
vacinar-se e operar-se (no sentido cirúrgico).

Como você já viu, os complementos verbais e nominais completam o sentido
de verbos e nomes, formando um todo significativo. E, exatamente por isso,
essa relação não deve ser interrompida por qualquer sinal de pontuação,
mesmo que os complementos estejam fora de sua ordem habitual. As frases a
seguir confirmam isso:
A prefeitura distribuiu folhetos informativos aos moradores da
região.
Aos moradores da região a prefeitura distribuiu folhetos
informativos.
Ele tinha aversão a qualquer trabalho.
A qualquer trabalho ele tinha aversão.
Repare que não há vírgulas ou qualquer outro sinal de pontuação separando o
objeto direto (folhetos informativos) e o objeto indireto (aos moradores da
região) do verbo. Mesmo a mudança de posição do objeto indireto (aos
moradores da região) para o início da oração no segundo exemplo não é
marcada por vírgula.
O complemento nominal (a qualquer trabalho) mantém o mesmo
comportamento: não é separado por vírgula, ainda que esteja antecipado ao
nome que complementa.
Vale lembrar que o agente da passiva também não se separa por vírgula da
locução verbal a que se liga.
Pontuando complementos com mais de um núcleo
Os complementos verbais e nominais, do mesmo modo que o sujeito
composto, podem apresentar mais de um núcleo. Nesse caso, a pontuação é
mesma do sujeito composto: usa-se a vírgula para separar os núcleos e,
quando o último desses núcleos é iniciado pelas conjunções e, ou ou nem,
não há vírgula.
Comprou lápis, borracha, caneta e cadernos para os alunos novos.
Observe que os núcleos do objeto direto estão separados por vírgula.
Pontuando termos intercalados
As intercalações são sempre marcadas por vírgulas e com os termos
integrantes não é diferente. Isso significa que os termos intercalados entre um
verbo ou um nome e seus complementos vêm sempre isolados por vírgulas:
Observe, caro leitor, o emprego das vírgulas.
Note que a expressão caro leitor está intercalada entre o verbo e seu
complemento. Assim, é indispensável que se coloque uma vírgula antes e
outra depois do termo intercalado.
Pontuando objetos pleonásticos
Você já sabe que, por uma questão de ênfase, tanto o objeto direto quanto o
objeto indireto podem ser postos em destaque no início da oração e, depois,
repetidos por um pronome pessoal na posição habitual dos complementos
verbais. Esses são os objetos pleonásticos, que devem ser sempre separados
por vírgula. Veja os exemplos a seguir:
Os amigos, ele os ajuda sempre que pode.
Aos aniversariantes, desejo-lhes felicidades e realizações.
Note que o objeto direto pleonástico (os amigos) e o objeto indireto
pleonástico (aos aniversariantes) vêm marcados por vírgulas.
Você, com certeza, já deve ter comprado algum item (uma bijuteria,
uma bolsa, um chapéu, um colar, um relógio etc.) para dar um tchan
no visual, deixando-o mais caprichado. No mundo da moda, esses itens 
recebem o nome de acessórios e servem para enfeitar as roupas. Eles 
não são indispensáveis, mas dão um charme ao visual.
Os termos acessórios da sintaxe não são muito diferentes: eles são aqueles
termos que se juntam a um verbo ou a um nome para deixar o sentido mais
detalhado, mais preciso. Da mesma maneira que os acessórios da moda, os
termos acessórios da oração não são fundamentais, obrigatórios ao
entendimento do enunciado (não é à toa que recebem esse nome), mas
ajudam a deixar a informação mais clara e precisa.
Na gramática do português, os termos acessórios são o adjunto adnominal, o
adjunto adverbial e o aposto. Você vai conhecê-los melhor a partir de agora.
O nome dessa função sintática (adjunto adnominal) já diz tudo: o prefixo ad-
quer dizer junto, a palavra junto significa junto, é óbvio. E ainda existe mais
um ad-, que também significa junto, na palavra adnominal. Mas junto de
quê? Do nome, é claro (a palavra nominal mostra isso). Isso quer dizer que a
brincadeira do título (junto, junto, junto do nome) tem um fundo de verdade.
O adjunto adnominal está sempre ligado ao substantivo e serve para
caracterizar ou determinar esse substantivo. Observe o exemplo abaixo e
aprenda a identificar os adjuntos adnominais:
Aquele excelente livro de português está esgotado.
Nessa oração, o termo Aquele excelente livro de português é o sujeito. O
núcleo desse sujeito, ou seja, a palavra mais importante do sujeito, é o
substantivo livro. Mas, além do núcleo, existem outras palavras nesse sujeito,
que servem para caracterizar o substantivo livro. São elas: Aquele, excelente
e de português, ou seja, essa frase não fala de qualquer livro, mas sim de um
livro de português, que é excelente. Logo, os termos Aquele, excelente e de
português são adjuntos adnominais.
Mas não é só o núcleo do sujeito que pode vir acompanhado de adjuntos
adnominais. Em qualquer ponto da oração em que apareça um substantivo,
podem aparecer adjuntos adnominais. É o que se vê na frase a seguir:
Comprei duas sandálias novas.
Os adjuntos adnominais duas e novas acompanham o substantivo sandálias,
que é o núcleo do objeto direto.
Talvez você esteja se perguntando por que o termo esgotado, na frase Aquele
excelente livro de português está esgotado, não é também um adjunto
adnominal, já que está se referindo ao substantivo livro. A resposta é
simples: o termo esgotado não é adjunto adnominal simplesmente porque
não está junto do substantivo livro. Repare que o termo esgotado está
separado do substantivo livro pelo verbo (está). Assim, o termo esgotado
não é adjunto adnominal e sim predicativo.
Existem algumas dicas para reconhecer os adjuntos adnominais.
São as seguintes:
Os adjuntos adnominais nunca se separam por vírgula do seu núcleo.
Lembre-se que o adjunto adnominal está sempre junto, junto, junto do
nome, sem qualquer separação por sinal de pontuação.
Se você substituir o substantivo por um pronome, os adjuntos
adnominais que se ligam a ele desaparecem, é como mágica. Veja só o
que acontece com os adjuntos adnominais das frases acima quando os
substantivos são substituídos por pronomes: Aquele excelente livro de
português está esgotado / Ele está esgotado; Comprei duas
sandálias novas / Comprei-as. Note que os adjuntos adnominais
Aquele, excelente e de português desapareceram quando o pronome
ele substituiu o núcleo do sujeito livro. O mesmo aconteceu com os
adjuntos adnominais duas e novas quando o pronome as substituiu o
núcleo do objeto direto sandálias.

O homem indecente foi julgado. - Ele foi julgado.
O juiz condenou o homem indecente. - O juiz condenou-o.
O juiz considerou o homem indecente. - O juiz considerou-o indecente.

Perceba que na última frase, o adjetivo não desapareceu, porque é
predicativo do objeto.

As classes de palavras e os adjuntos adnominais
Só algumas classes de palavras podem funcionar como adjuntos adnominais.
São justamente aquelas classes que se ligam ao substantivo.
Se você não se lembra delas, dê uma olhadinha no Capítulo 2, em que você
foi apresentado às classes dependentes do substantivo. Vamos lá, sem
preguiça, basta voltar alguns capítulos. Lembre-se que recordar, no nosso
caso, é aprender!
Você já deve ter percebido, então, que as classes de palavras que podem
funcionar como adjunto adnominal são:
artigo — O resultado foi excelente. Aliás os artigos são sempre
adjuntos adnominais.
adjetivo — Políticos corruptos merecem cadeia.
numeral — Dois alunos chegaram cedo.
pronome adjetivo — Meu carro enguiçou.
locução adjetiva — Cidades do interior são tranquilas.
O adjunto adverbial é outro termo acessório da oração. Como o nome já diz,
o adjunto adverbial está ligado ao verbo, mas também pode modificar o
adjetivo ou o advérbio. E para que servem os adjuntos adverbiais?
Bem, o papel principal dos adjuntos adverbiais é indicar as circunstâncias
(tempo, modo, lugar, causa, companhia, instrumento etc.) dos verbos ou
intensificar um verbo, um adjetivo ou ainda um advérbio. Calma, o número
de circunstâncias é grande, mas identificar cada uma delas não é nenhum
bicho de sete cabeças.

Ele pode se referir a qualquer tipo de verbo, inclusive o de ligação.

Os exemplos abaixo mostram algumas circunstâncias que o adjunto adverbial
pode indicar:
Hoje recebi uma ótima notícia — o termo Hoje indica o tempo em
que ocorre a ação de receber. Logo, é um adjunto adverbial de tempo.
Leu atentamente o documento — o termo atentamente mostra o
modo como o documento foi lido. É, por isso, um adjunto adverbial de
modo.
No sul, faz muito frio — observe que, nesse exemplo, o adjunto
adverbial vem representado pela locução No sul, que indica lugar.
Lembra das locuções? São duas ou mais palavras que funcionam como
uma unidade. Nesse caso, o termo No sul é adjunto adverbial de lugar.
Com o forte calor, as ruas ficaram desertas — nesse exemplo, temos
outra locução (Com o forte calor) funcionando como adjunto
adverbial, no caso, de causa, ou seja, o que fez as ruas ficarem desertas
foi o forte calor.
Ela ficou extremamente feliz com o resultado — nessa frase,
extremamente serve para intensificar o adjetivo feliz. Assim, é
classificado como adjunto adverbial de intensidade.
Ele só falava de política — a locução de política no exemplo indica o
assunto do qual se falava, é adjunto adverbial de assunto.
Viajei com toda a família — a locução com toda a família é adjunto
adverbial de companhia.
Ela estudou muito para as provas — na frase, a locução para as
provas indica finalidade. Temos, assim, um adjunto adverbial de fim
ou finalidade.
Ainda, existem também os adjuntos adverbiais de afirmação, negação e
dúvida, como você pode notar nas frases a seguir:
O filme é realmente bom — realmente é adjunto adverbial de
afirmação.
Talvez ele venha ao nosso encontro — nesse caso, não há certeza de
que ele virá, por isso talvez é um adjunto adverbial de dúvida.
Não demore muito — o não, nesse caso, é um adjunto adverbial de
negação.
O adjunto adverbial é uma função sintática desempenhada
sempre por um advérbio ou locução adverbial, ou seja, a função
sintática de um advérbio ou de uma locução adverbial é sempre
adjunto adverbial.
Você já deve ter ouvido falar do aposto. Se não ouviu, com certeza já usou
um para explicar melhor outro termo. Quando falamos ou escrevemos,
sentimos necessidade, muitas vezes, de dar maiores explicações sobre certos
termos. E o aposto serve justamente para isso: explicar, enumerar, resumir
ou especificar a ideia contida em outro termo da oração.
Normalmente, o aposto vem separado por vírgula do termo que ele está
explicando, mas também pode vir separado por dois-pontos ou travessões.
Outra característica do aposto é que o seu núcleo, ou seja, a palavra mais
importante do aposto é sempre um substantivo, um pronome substantivo ou
uma palavra substantivada e ele também se refere a um substantivo,
pronome substantivo ou palavra substantivada. Observe nas frases abaixo
para que servem os apostos:
Itu, cidade paulista, é famosa pelos exageros — nessa frase, o aposto
é cidade paulista, expressão que serve para explicar onde fica a cidade
Itu.
Na última viagem, ela conheceu vários países: Espanha, França,
Itália, Portugal — já nesse caso, o aposto Espanha, França, Itália,
Portugal serve para fazer uma enumeração dos países que foram
conhecidos.
Joias, dinheiro, imóveis, nada lhe interessava — aqui o aposto nada
faz uma espécie de resumo do que foi apresentado anteriormente.
Assim, de acordo com a utilidade que tem na frase, o aposto recebe diferentes
classificações: explicativo, enumerador e resumidor.
dependendo do papel que tiver na frase. Nos exemplos acima, podemos
classificar os apostos da seguinte maneira: cidade paulista (aposto
explicativo), Espanha, França, Itália, Portugal (aposto enumerador) e
nada (aposto resumidor).
Além desses apostos que você acabou de conhecer, há também o aposto
especificador, que, ao contrário dos outros, não vem marcado por nenhum
sinal de pontuação. Esse tipo de aposto serve para individualizar, nomear o
substantivo ao qual o aposto se refere. É o que se vê na frase a seguir:
O mês de maio é dedicado às mães.
O termo de maio serve para especificar o sentido do substantivo mês, por
isso esse termo é chamado de aposto especificador.

O aposto pode explicar, enumerar, resumir ou especificar a ideia
contida em qualquer termo da oração, isso quer dizer que
podemos ter aposto do sujeito, do objeto direto, do objeto
indireto, enfim, de qualquer outra função sintática que tenha
como núcleo um substantivo, até mesmo de outro aposto. Veja
só o aposto de outro aposto na frase abaixo:
Encontrei ontem Maria, filha de Augusta, uma grande amiga de
infância.
Repare que nesta oração existem dois apostos (filha de Augusta e uma
grande amiga de infância). O primeiro deles (filha de Augusta) explica o
termo Maria, que é o objeto direto. Já o segundo aposto (uma grande amiga
de infância) explica o termo Augusta, que é parte do aposto anterior. Isso
mesmo: é o aposto do aposto.
Agora que você já foi apresentado aos termos acessórios da oração, vai saber
como eles se comportam em relação à pontuação.
Os adjuntos adnominais não devem nunca ser separados dos substantivos a
que se referem, pois, juntos, eles formam um único bloco sintático. Na
verdade, o adjunto adnominal é sempre parte de um outro termo sintático que
tem como núcleo um substantivo e, exatamente, por isso não deve ser
separado dele por nenhum sinal de pontuação. Veja o exemplo:
Aquele belo quadro de Portinari foi leiloado ontem.
Os adjuntos adnominais Aquele, belo e de Portinari formam com o
substantivo a que se ligam (quadro) um único bloco sintático, que
desempenha a função de sujeito.
Os adjuntos adverbiais, por sua vez, quando antepostos ou intercalados,
devem ser separados por vírgulas. É o que se vê nos exemplos a seguir, em
que o adjunto adverbial com a chegada do verão vem marcado por vírgulas:
Com a chegada do verão, a venda de condicionadores de ar aumenta
significativamente.
A venda de condicionadores de ar, com a chegada do verão, aumenta
significativamente.
Vale lembrar que os adjuntos adverbiais de pequena extensão, como hoje,
ontem, entre outros, dispensam a vírgula.
Os adjuntos adverbiais, quando estão na posição mais habitual,
ou seja, depois dos verbos e seus complementos não se separam
por vírgulas, contudo, as vírgulas são admitidas. Assim, as duas
construções abaixo são possíveis:
A venda de condicionadores de ar aumenta significativamente com a
chegada do verão.
A venda de condicionadores de ar aumenta, significativamente, com
a chegada do verão.
Já os apostos são sempre separados dos termos a que se referem por vírgulas
ou dois-pontos. A única exceção são os especificadores.
Miguel, aluno do primeiro ano, fez uma excelente apresentação.
Nasceram os gêmeos: Antônio e Henrique.
No primeiro exemplo, o aposto explicativo aluno do primeiro ano está
separado por vírgulas do termo a que se refere (Miguel). Já no segundo
exemplo, o aposto enumerador Antônio e Henrique está separado por dois-
pontos do termo gêmeos.
Querendo chamar ou atrair a atenção de alguém? Simples, use um vocativo.
O vocativo é um termo independente, que não faz parte nem do sujeito nem
do predicado e serve justamente para isso chamar a atenção do seu
interlocutor. A palavra vem do latim vocare, que significa chamar.
Para sua sorte, caro leitor (olha o vocativo aí), é fácil reconhecer o vocativo.
Ele tem sempre como núcleo um substantivo, pronome ou numeral
substantivo ou qualquer palavra substantivada.
Além disso, o vocativo vem sempre isolado por algum sinal de pontuação,
normalmente a vírgula.
As vírgulas que acompanham o vocativo fazem toda a diferença
para o sentido da frase. Observe a frase a seguir:
Maria, assistiu ao filme ontem?
A presença da vírgula indica que o termo Maria é o vocativo, deixando claro
que Maria é a pessoa com quem se fala. Já sem a vírgula (Maria assistiu ao
filme ontem), Maria não é mais a pessoa com quem se fala e sim de quem se
fala. Nesse último caso, Maria é o sujeito da oração.

No Capítulo 8, você aprendeu que o período composto é aquele
formado por duas ou mais orações. Agora, é hora de saber como as
orações que formam os períodos compostos se relacionam entre si. Na
verdade, existem dois processos sintáticos básicos de união de orações em
um período composto: coordenação e subordinação. Assim, respondendo à
pergunta do título: o período pode ser composto de orações coordenadas e/ou
subordinadas. Neste capítulo, você vai conhecer esses dois processos e vai
aprender também a diferenciar um do outro. Além disso, vai ser apresentado
aos diferentes tipos de orações coordenadas. Mãos à obra!
Dividindo o Período Composto em Orações
Antes de conhecer as orações que formam o período composto, você precisa
identificar cada uma dessas orações, isto é, você precisa saber onde acaba
uma e começa a outra. Fazer isso não é complicado, mas vale a pena você dar
uma olhadinha nas etapas abaixo, que vão tornar essa tarefa ainda mais fácil:
em primeiro lugar, sublinhe os verbos e as locuções verbais presentes
no período.
Em seguida, localize os conectivos. Os conectivos são aquelas
palavrinhas que estabelecem conexão, ou seja, ligação entre as orações.
Podem ser conjunções, preposições, pronomes relativos. Na falta de
conectivos fique de olho nas vírgulas e nos pontos e vírgulas e nas
formas nominais dos verbos (gerúndio, infinitivo e particípio).
agora, faça a divisão, lembrando que cada oração apresenta um verbo
ou locução verbal. Observe também que a divisão é feita antes dos
conectivos ou nos sinais de pontuação.
Vamos ver agora na prática como fica a divisão do período abaixo em
orações:
Quando amanheceu, percebemos que tinha chovido muito à noite,
logo desmarcamos o passeio.
No período acima, foram destacadas as seguintes formas verbais:
amanheceu, percebemos, tinha chovido e desmarcamos. Isso mostra que
há quatro orações no período. A seguir, partindo do princípio de que a divisão
das orações se faz antes dos conectivos ou nos sinais de pontuação, fica claro
que o período se divide da seguinte forma:
[Quando amanheceu],[percebemos] [que tinha chovido muito à
noite],[logo desmarcamos o passeio].
Essa divisão é muito útil para você reconhecer o tipo de ligação (coordenação
ou subordinação) que ocorre entre as orações.
Provavelmente, você já ouviu falar em orações coordenadas e subordinadas.
Mas, antes de tratar dessas orações, é muito importante saber exatamente o
que é coordenação e subordinação. Na verdade, esses são os dois processos
básicos para relacionar as orações em um período composto, ou seja, quando
unimos duas orações em um período composto, podemos optar pela
coordenação ou pela subordinação, que são exatamente os dois processos
sintáticos de união de orações em um período composto.
Para você ter uma ideia mais clara desses processos, imagine duas pessoas
caminhando juntas: elas podem caminhar abraçadas, de mãos dadas ou
simplesmente lado a lado, sem que uma entre em contato com a outra. Se
estão de mãos dadas ou abraçadas, a dependência entre elas é maior, ou seja,
o que acontece com uma afeta a outra; se estiverem apenas lado a lado, a
liberdade é maior. Com a coordenação e a subordinação, é mais ou menos
isso que acontece, é uma questão de haver ou não dependência entre as
orações.
Na coordenação, por exemplo, as orações são independentes do ponto de
vista sintático, ou seja, a estrutura de uma oração não interfere na estrutura da
outra. Se, por acaso, afastarmos uma oração coordenada da outra à qual ela se
liga, nenhuma delas ficará com a estrutura prejudicada. Note como isso
acontece:
José entregou o livro à Maria e ela devolveu-o à biblioteca em
seguida.
O período acima é um período composto, já que é formado por duas orações:
a oração do verbo entregar (José entregou o livro à Maria) e a oração do
verbo devolver (e ela devolveu-o à biblioteca em seguida). A primeira
oração tem a estrutura formada pelos seguintes elementos ou termos:
Já a segunda oração apresenta a seguinte estrutura:
Repare que a estrutura de uma oração não interfere na estrutura da outra, elas
são independentes. Se isolarmos uma da outra não há prejuízo para a
estrutura de uma ou outra, por isso dizemos que esse período é composto por
coordenação e essas orações são coordenadas.
Você pode até dizer que o sentido da segunda oração fica comprometido sem
a primeira oração, já que não podemos saber a que termo o pronome o
(devolveu-o) se refere. Realmente, o sentido pode ficar comprometido, pois
não saberemos que o pronome o está se referindo ao termo livro, mas a
estrutura não é afetada e é isso que importa quando se fala de coordenação e
subordinação.
Já com a subordinação a história é outra. Nela, as orações são dependentes
sintaticamente. E o que isso significa? Bem, isso indica que a oração
subordinada é parte da estrutura da outra, chamada de principal. Por isso, se
isolarmos uma da outra, elas ficam com a estrutura prejudicada, para não
dizer incompleta, truncada mesmo. Dê uma olhada no exemplo a seguir:
Ele disse que choverá mais tarde.
Você deve ter percebido que esse também é um período composto por duas
orações: há a oração do verbo dizer (Ele disse) e a oração do verbo chover
(que choverá mais tarde), mas, neste caso, o período é composto por
subordinação, pois as orações são dependentes sintaticamente.
Se você observar com atenção, vai notar que a primeira oração (Ele disse)
apresenta um verbo transitivo direto (dizer), isto é, um verbo que pede
complemento sem o auxílio da preposição, o objeto direto (quem diz, diz
alguma coisa). Mas note que esse complemento verbal não está dentro da
primeira oração. Isso fica bem claro quando se faz a pergunta para identificar
o objeto direto (Ele disse o quê?). A resposta é que choverá mais tarde, ou
seja, o objeto direto do verbo dizer é uma oração inteira. A oração que
choverá mais tarde é, assim, uma parte integrante da oração anterior (Ele
disse).
Esse exemplo mostra bem o que é a dependência sintática, ou seja, uma
oração inteira é um elemento da estrutura sintática de outra, ou, em outras
palavras, é um termo sintático da outra. Repare que, se nós separarmos uma
oração da outra, elas ficarão com sua estrutura prejudicada: a primeira, nesse
caso, ficará sem o objeto direto e a segunda não apresentará o verbo
transitivo direto, que exigiu o objeto direto. Assim, na subordinação, uma
oração desempenha uma função sintática em relação à outra, ou seja, a
oração subordinada pode ser sujeito, objeto, predicativo, adjunto adnominal,
adjunto adverbial, entre outras funções, de outra oração.
No período composto por coordenação, as orações são chamadas de orações
coordenadas. Elas têm o mesmo valor. Já no período composto por
subordinação, uma oração é subordinada e a outra é chamada de principal,
ou seja, os valores são diferentes. A subordinada é aquela que desempenha
uma função sintática na outra, chamada de principal; já a principal, por sua
vez é aquela que exige a subordinada.
Assim, no período acima Ele disse que choverá mais tarde, a oração
subordinada é que choverá mais tarde, pois essa oração desempenha a
função sintática de objeto direto em relação à anterior. A oração Ele disse
recebe o nome de oração principal, pois ela exigiu a outra, é ela que, nesse
exemplo, contém o verbo transitivo direto que pediu o complemento.
A coordenação entre duas orações pode ser feita de duas maneiras. Na
primeira delas, as orações estão simplesmente colocadas lado a lado, sem
qualquer elemento de ligação, ou seja, sem a presença de conjunção. As
orações estão simplesmente justapostas. É o que se vê no período que segue?
Maria trabalha, João estuda.
Repare que, entre a primeira oração Maria trabalha e a segunda João
estuda, não há nenhuma conjunção, apenas um sinal de pontuação. Neste
caso, as orações são chamadas de coordenadas assindéticas.
Mas as orações coordenadas também podem estar ligadas por uma conjunção.
É o que acontece no período abaixo:
Maria trabalha, mas não estuda.
Note que as orações estão ligadas pela conjunção mas. Neste caso, a primeira
oração Maria trabalha é chamada de oração coordenada assindética e a
segunda oração mas não estuda, que carrega a conjunção, é chamada de
coordenada sindética.
As orações coordenadas sindéticas, exatamente pela presença das conjunções,
expressam diferentes sentidos em relação à oração coordenada a que estão
ligadas, por esse motivo, apresentam diferentes classificações. Mas não se
desespere, a classificação de cada uma delas está intimamente ligada ao
sentido que expressam, por isso não vai ser difícil memorizá-las.
Você pode estar achando estranhos os termos sindética e
assindética para classificar as orações coordenadas que
apresentam ou não conjunção. Na verdade, esses termos vêm da
palavra síndeto, que significa conjunção. Assim, sindética é
a oração que apresenta conjunção e assindética é aquela que não
tem conjunção.
Orações coordenadas sindéticas
A partir de agora, você vai conhecer as orações coordenadas sindéticas e vai
logo perceber que elas são classificadas de acordo com o valor semântico, ou
seja, com o sentido das conjunções que as introduzem. São cinco tipos de
orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas,
conclusivas e explicativas. Já as conjunções que encabeçam cada uma dessas
orações recebem o nome de conjunções coordenativas aditivas, conjunções
coordenativas adversativas, conjunções coordenativas alternativas,
conjunções coordenativas conclusivas, conjunções coordenativas
explicativas.
Classificando as orações coordenadas sindéticas
Agora que você já conhece as conjunções coordenativas, vai ser fácil
reconhecer as orações coordenadas sindéticas. Venha conferir!
Aditivas: acrescentar é com elas
A palavra aditivo é da mesma família de adição, que significa soma.
As orações coordenadas aditivas acrescentam um fato ou uma ideia à oração
anterior. A mais famosa das conjunções que iniciam as orações aditivas é o e,
contudo, exatamente por isso, essa conjunção perdeu muito de sua força de
sentido. Por esse motivo, essa conjunção é usada para expressar outros
sentidos e recebe outras classificações. É o que se vê na frase seguinte:
Come muito e não engorda.
Observe que a ideia presente entre as orações é de oposição.
Além da conjunção e, e o par não só... mas também apresenta ideia de
adição. Veja o emprego dessas duas conjunções:
Ele canta e dança.
Ele não só canta, mas também dança.
Você deve ter percebido que, com o par não só... mas também, há maior
ênfase na ideia de adição, principalmente para a segunda oração. 
É por isso que é chamado de série aditiva enfática.
Além dessas conjunções aditivas, há também a conjunção nem, que equivale
a e não, como se vê no exemplo abaixo:
Não comeu nem bebeu nada durante a festa.
Adversativas: elas gostam de contrariar
É isso mesmo que as orações adversativas fazem: indicam oposição,
contraste, ou seja, essas orações apresentam uma ideia oposta ao que é dito
na oração coordenada anterior.
A palavra adversativo é da mesma família de adversário, de adversidade.
A conjunção coordenativa típica é o mas. Além dela, as conjunções contudo,
entretanto, porém, todavia e as locuções no entanto ou não obstante
também são adversativas. Essa última acaba sendo usada em situações mais
formais de comunicação, principalmente na linguagem do direito.
A seguir, estão alguns exemplos de conjunções coordenativas:
Come muito, porém não engorda.
Saiu bem cedo, contudo chegou atrasado.
Note que as conjunções coordenativas adversativas são usadas para indicar
uma quebra da relação lógica. É o que se vê nos exemplos acima:
normalmente, quem come muito engorda ou quem sai cedo não se atrasa.
Como a expectativa foi quebrada, foram usadas as conjunções adversativas.
Alternativas: as campeãs do revezamento
A palavra alternativo vem do verbo alternar, que significa substituir
regularmente, revezar. Assim as orações alternativas expressam fatos ou
ideias que se excluem mutuamente. Por exemplo, se eu digo “Ora chove, ora
faz sol”, isso significa que as ações de chover e fazer sol não acontecem ao
mesmo tempo, elas vão se substituindo, ou seja, uma ação exclui a outra.
A conjunção alternativa típica é ou. Além dela, os pares ora... ora, que você
viu no exemplo, já... já, quer... quer, seja... seja também indicam
alternância. Veja mais um exemplo de oração coordenada alternativa:
Fale agora, ou cale-se para sempre.

Das alternativas, apenas a conjunção ou pode ser usada sozinha ou nas duas
orações. Quando ela não vem repetida, a primeira oração é assindética.
As demais são usadas aos pares, fazendo com que as duas orações sejam sindéticas.

Conclusivas: enfim, a conclusão
O nome já diz tudo, não é? As palavras concluir, conclusão e conclusivo
pertencem à mesma família, assim, fica claro que as orações coordenadas
conclusivas expressam a ideia de conclusão, de resultado em relação aos
fatos ou aos conceitos apresentados na oração anterior. Logo, portanto, então,
pois são algumas das conjunções conclusivas que costumamos empregar bastante,
mas, além delas, também as locuções por isso, por conseguinte, de modo
que, em vista disso também têm o mesmo valor conclusivo. Observe o
período:
Estudou muito, logo será aprovado.
O resultado de ter estudado muito é ser aprovado.
Além de conclusiva, a conjunção pois pode ser também
explicativa e até subordinativa causal como você vai ver mais
adiante quando tratarmos das orações subordinadas. Você deve
estar se perguntando como vai reconhecer o valor do pois, já que
ele pode ter tantas classificações. Bem, fique atento que o pois só
será uma conjunção coordenativa conclusiva quando vier depois
do verbo. É o que acontece no exemplo abaixo: a conjunção
conclusiva pois está depois do verbo merecer (merece). Repare
que, nesses casos, o pois vem entre vírgulas:
Pedro é um ótimo profissional; merece, pois, uma promoção.
Explicativas: elas explicam tim-tim por tim-tim
As explicativas são as orações que apresentam o motivo, a justificativa
daquilo que foi dito na oração anterior. Normalmente, depois de darmos uma
ordem apresentamos uma justificativa. É o que se vê no exemplo:
Fale baixo, que todos já estão dormindo.
A ordem de falar baixo é seguida de uma justificativa: todos estarem
dormindo.
Mas não só as ordens vêm seguidas de explicação. Às vezes, depois de uma
suposição, é comum apresentarmos uma justificativa para aquilo que
supomos ter acontecido. É que acontece no exemplo seguinte:
Maria chorou, pois seus olhos estão vermelhos.
Note que os olhos vermelhos de Maria é que justificam, explicam a suposição
de que ela chorou.
As conjunções coordenativas explicativas mais comuns são: porque, que e
pois.
O pois explicativo vem antes do verbo da oração da qual ele faz
parte. Veja o exemplo:
Vamos embora, pois já é tarde.
Tome cuidado para não confundir explicação com causa. A
explicação é sempre posterior à ideia apresentada na oração
assindética, ou seja, depois da ordem ou da suposição vem a
explicação. Já a causa é sempre anterior ao fato apresentado na
oração principal. Veja o exemplo:
Choveu de madrugada, pois as ruas estão molhadas.
Note que, primeiro, choveu e, depois, é que as ruas ficaram molhadas. As
ruas estarem molhadas é a explicação para a afirmação Choveu de
madrugada. Logo a oração pois as ruas estão molhadas é uma oração
coordenada explicativa. Aliás, se isso fosse a causa da chuva, estaria
resolvido o problema da seca do Nordeste.
Cheguei atrasado, pois o carro enguiçou.
Já nesse exemplo, o fato de o carro enguiçar aconteceu antes da ação de
chegar atrasado. Assim, a oração pois o carro enguiçou é uma oração
subordinada adverbial causal.
As Orações Coordenadas e a Pontuação
Agora que você já conhece as orações coordenadas, vai saber como fica a
pontuação em um período composto por coordenação.
O princípio básico da pontuação de períodos compostos por coordenação é o
seguinte:
as orações coordenadas assindéticas e sindéticas são separadas umas
das outras por vírgula, com exceção das sindéticas iniciadas pela
conjunção e.
Há, no entanto, casos de pontuação das coordenadas que merecem uma
atenção especial. Veja quais são eles:
Orações iniciadas pela conjunção e
Normalmente não se usa vírgula antes da conjunção e, mas há situações em
que a vírgula pode ser empregada. Veja quais são elas:
quando os sujeitos das orações unidas por e forem diferentes.
Ele saiu discretamente, e sua família foi logo em seguida.
Note que os sujeitos das orações unidas pela conjunção e são diferentes: o
sujeito da primeira oração é Ele e o da segunda é sua família, o que justifica
o emprego da vírgula antes do e.
quando a conjunção e é repetida.
Ele ia, e voltava, e ia de novo, e deixava todos.
Orações coordenadas separadas por ponto e vírgula
Você viu que a vírgula é o sinal de pontuação mais usado para separar as
orações coordenadas, mas o ponto e vírgula também pode ser empregado.
Veja em que situações isso acontece:
quando houver entre orações coordenadas assindéticas um nítido valor
conclusivo ou adversativo.
Trabalhou bastante; merece um bom descanso.
Repare que não há, entre as orações do período anterior, conjunção, mas é
evidente o valor conclusivo da segunda oração, justamente por isso o ponto e
vírgula pode ser empregado.
quando a conjunção adversativa ou conclusivas estiver deslocada.
Muitos se inscreveram na prova; poucos, contudo, conseguiram
terminá-la.
Note que, no exemplo anterior, a conjunção adversativa contudo está
deslocada, por isso, deve ser isolada por vírgulas. Como as vírgulas já foram
usadas para marcar esse deslocamento, há necessidade de indicar a separação
das orações por outro sinal de pontuação, por isso emprega-se o ponto e
vírgula.
Agora que você já sabe diferenciar coordenação de subordinação e já conhece
os tipos de orações coordenadas, é hora das orações subordinadas.
Como você já viu, as orações subordinadas desempenham uma função
sintática em outra oração, a chamada oração principal, ou seja, a oração
subordinada é um elemento, um termo que completa a estrutura da oração
principal. Na verdade, a oração subordinada se encaixa na principal. Sendo
assim, uma oração subordinada pode desempenhar diferentes funções
sintáticas em relação à principal. Podem ser, por exemplo, sujeito, objeto
direto, objeto indireto, predicativo, adjunto adnominal, adjunto adverbial
etc. E dependendo da função sintática das subordinadas, elas podem ser
classificadas em orações subordinadas substantivas, orações subordinadas
adjetivas e orações subordinadas adverbiais.
E por que as orações subordinadas se dividem nesses três grupos:
substantivas, adjetivas e adverbiais? Na verdade, isso está intimamente
ligado à função que a oração subordinada tem em relação à principal.
Observe os exemplos abaixo e tudo vai ficar fácil de compreender:
A polícia reconheceu a gravidade do caso.
O período acima é um período simples, pois é formado por uma única oração,
que, por isso, recebe o nome de oração absoluta. Nessa oração, o sujeito é a
polícia e o termo a gravidade do caso funciona como objeto direto do verbo
reconhecer.
Mas esse período simples pode ser transformado em um período composto da
seguinte maneira:
A polícia reconheceu que o caso era grave.
Observe que, agora, há duas orações no período: A polícia reconheceu e que
o caso era grave.
Essa transformação de período simples em composto foi possível, porque o
objeto direto a gravidade do caso deixou de ser um simples termo e passou a
ser uma oração subordinada.
Mas que tipo de subordinada essa oração seria? Substantiva? Adjetiva?
Adverbial? Não é difícil chegar a essa resposta se observarmos o objeto
direto a gravidade do caso. O núcleo desse objeto direto é o substantivo
gravidade. Aliás, todo objeto direto tem como núcleo um substantivo, um
pronome substantivo ou uma palavra substantivada. (Lembra disso? Se a sua
memória anda curta, dê uma olhada no Capítulo 10). Assim, a oração que o
caso era grave assumiu uma função sintática que é própria dos substantivos,
objeto direto. Por esse motivo, a oração que o caso era grave é uma oração
subordinada substantiva, pois desempenha uma função sintática própria dos
substantivos.
Talvez você esteja se perguntando se apenas as orações que funcionam como
objeto direto são substantivas. Não, nada disso. Serão substantivas todas as
orações que desempenharem funções que tenham como núcleo um
substantivo. Assim, serão substantivas as orações subordinadas que tiverem
as seguintes funções: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
nominal, predicativo e aposto.
E as adjetivas? Qual a função sintática desempenhada por essas orações?
Como você viu no Capítulo 5, o papel principal dos adjetivos é caracterizar
os substantivos, ou seja, serão adjetivas todas as orações subordinadas que
funcionarem como adjunto adnominal. Veja agora como identificar as
orações subordinadas adjetivas:
Durante anos, morei no prédio da esquina.
O período anterior, como você pode notar, é simples. Dentre os elementos
que formam a oração, há o adjunto adnominal da esquina, que serve para
caracterizar o substantivo prédio. Imagine agora que esse adjunto adnominal
se transforme em oração. O período ficaria mais ou menos assim:
Durante anos, morei no prédio que ficava naquela esquina.
Repare que a oração que ficava naquela esquina está fazendo exatamente o
que o adjunto adnominal da esquina faz no período simples, isto é, essa
oração também caracteriza o substantivo prédio. Portanto, se a oração que
ficava na esquina se comporta como um adjetivo, funcionando como adjunto
adnominal, ela é uma oração subordinada adjetiva. Faz sentido, não é?
Resta agora falar das orações adverbiais. As subordinadas adverbiais recebem
esse nome porque se comportam como os advérbios se comportam. Isso quer
dizer que tais orações funcionam sempre como adjuntos adverbiais,
expressando circunstâncias bem diversas (causa, condição, tempo, entre
outras).
Para compreender melhor como funcionam as orações adverbiais, compare os
dois períodos abaixo:
Saí de casa bem cedo.
Saí de casa quando amanheceu.
Como você pode notar, o primeiro período é simples. Nele, há dois adjuntos
adverbiais: um deles indica circunstância de lugar (de casa) e outro de tempo
(bem cedo). Já o segundo é composto por duas orações: Saí de casa e
quando amanheceu. Mas observe que, no período composto, também há
uma circunstância de tempo (quando amanheceu). Note que tanto a
expressão bem cedo do primeiro período quanto a oração quando
amanheceu indicam o momento em que a ação de sair aconteceu. Logo, se a
oração quando amanheceu equivale a um adjunto adverbial de tempo, ela é
uma oração subordinada adverbial.
Resumindo:
a oração subordinada é substantiva quando desempenha funções
sintáticas própria dos substantivos, ou seja, aquelas funções que têm
como núcleo um substantivo.
a oração subordinada é adjetiva quando funciona como adjunto
adnominal de um termo de base substantiva da oração principal.
a oração subordinada é adverbial quando exerce a função de advérbio
da oração principal, indicando uma circunstância.
Coordenação e subordinação no mesmo período?
Isso pode acontecer sim. A coordenação e a subordinação podem aparecer no
mesmo período. Nesse caso, o período é misto. É o que acontece no período
abaixo:
Notei que começava a chover e peguei um táxi.
No período, há três orações: Notei, que começava a chover e peguei um
táxi.
A oração notei tem como objeto direto a oração que começava a chover
(Notei o quê? Que começava a chover.). Logo a oração que começava a
chover é uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Isso significa
que entre essa oração e a sua principal (notei) existe uma relação de
subordinação.
Já a oração e peguei um táxi está coordenada à oração notei. Observe que a
oração e peguei um táxi apenas se acrescenta à oração notei, ou seja, uma
não desempenha nenhuma função sintática na outra. A relação entre elas é de
coordenação. Fica claro assim que o período Notei que começava a chover
e peguei um táxi é misto.
Reduzidas ou desenvolvidas? A forma das orações subordinadas
Além de serem classificadas em substantivas, adjetivas ou adverbiais,
dependendo da função que desempenhem em relação à oração principal, as
orações subordinadas podem aparecer sob duas formas: a forma desenvolvida
e a reduzida.
E o que caracteriza exatamente cada uma dessas formas? Bem, as orações
subordinadas desenvolvidas são reconhecidas pelas seguintes características:
apresentam o verbo conjugado. (Se você quer dar uma relembrada nos
modos do verbo, volte ao Capítulo 3 para refrescar sua memória.);
apresentam conjunção ou pronome relativo para se ligarem à oração
principal.
Já as orações reduzidas apresentam as seguintes características:
apresentam verbo em uma das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou
particípio. (Para rever as formas nominais, volte ao Capítulo 3.);
não apresentam conjunção ou pronome para se ligarem à oração
principal; podem apresentar preposição ou locução prepositiva.
Compare os períodos abaixo e veja como é fácil reconhecer as orações
desenvolvidas e reduzidas:
É preciso que haja empenho de todos.
É preciso haver empenho de todos.
No primeiro período, a oração subordinada que haja empenho de todos é
uma oração desenvolvida, pois apresenta a conjunção que e o verbo haver
está conjugado no presente do subjuntivo (haja).
Já, no segundo período, a mesma oração subordinada aparece sob a forma
reduzida: haver empenho de todos. Observe que, nesse período, a oração
subordinada não apresenta conjunção e o verbo da oração está no infinitivo.
Agora que você já sabe que existem três tipos de orações subordinadas
(substantivas, adjetivas e adverbiais), vai conhecer cada uma delas mais a
fundo nos próximos capítulos.

No Capítulo 12, você pôde perceber que as orações subordinadas
substantivas desempenham funções que, no período simples, são
desempenhadas por substantivos. Assim, as orações subordinadas
podem ser sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal,
predicativo ou aposto em relação à oração principal. Trocando em miúdos, o
que acontece é que cada uma dessas funções, em vez de ser desempenhada
por um substantivo, é desempenhada por uma oração inteira. Por esse motivo,
essas orações recebem o nome de substantivas, pois elas estão atuando como
os substantivos costumam atuar no período simples.
Tipos de Orações Substantivas
Você, agora, vai ser apresentado a cada uma das orações substantivas e vai
ver que o nome de cada uma delas representa a função sintática que elas
desempenham no período. Ao todo, são seis.
Subjetivas
As orações subordinadas substantivas subjetivas são aquelas que
desempenham a função de sujeito da oração principal, isto é, são sujeitos em
forma de oração. Identificar essas orações é tão simples quanto identificar os
sujeitos no período simples. Compare os períodos abaixo:
É importante a presença de todos.
É importante que todos estejam presentes.
O primeiro período é simples e o sujeito da oração é a presença de todos.
Lembra como é fácil identificar o sujeito? Basta fazer a pergunta ao verbo: O
que é importante? A resposta a essa pergunta é a presença de todos, logo
esse termo é o sujeito da oração.
Já no segundo período, se você fizer a mesma pergunta para identificar o
sujeito, terá como resposta a oração que todos estejam presentes, ou seja,
essa oração funciona como sujeito, por esse motivo é classificada como
oração subordinada substantiva subjetiva.
Normalmente, quando ocorrem orações subordinadas subjetivas, as orações
principais apresentam as seguintes estruturas:
verbo de ligação + predicativo (é bom..., é claro..., é evidente..., é
melhor..., parece certo que).
É melhor que todos cheguem cedo.
verbos unipessoais como acontecer, constar, convir, importar, parecer
Parece que vai chover.
verbo na voz passiva analítica ou sintética (foi comprovado..., foi
dito...; sabe-se...; considera-se...).
Foi dito que o endereço iria mudar.

Dica: Verbos unipessoais são aqueles que se conjugam apenas nas
terceiras pessoas.

Como você já viu no Capítulo 9, o verbo concorda com o núcleo
do sujeito. Mas com as orações subordinadas substantivas
subjetivas, a situação é outra: o verbo da oração principal fica
sempre na terceira pessoa do singular.
Objetivas diretas
O nome já diz tudo: as orações subordinadas substantivas objetivas diretas
são aquelas que funcionam como objeto direto do verbo da oração principal.
É o que se vê no exemplo abaixo:
Ele disse que estaria aqui às seis.
Note que o verbo dizer é transitivo direto. Isso significa que esse verbo
precisa de um complemento sem preposição. No Capítulo 10, você aprendeu
uma dica para identificar o objeto direto, lembra? Basta fazer a pergunta ao
verbo: Ele disse o quê? Nesse exemplo, a resposta é que estaria aqui às seis,
ou seja, temos aí um objeto direto em forma de oração. Logo, essa oração é
subordinada substantiva objetiva direta. Simples, não é?
Objetivas indiretas
Você, certamente, já percebeu que as orações objetivas indiretas são aquelas
que exercem o papel de objeto indireto da oração principal. Isso significa
que, na oração principal, há um verbo transitivo indireto, que apresenta seu
complemento, o objeto indireto, em forma de oração. É a chamada oração
subordinada substantiva objetiva indireta. Dê uma olhada no exemplo:
Lembre-se de que temos um compromisso hoje.
O verbo lembrar-se exige um complemento com preposição, por isso é
chamado de transitivo indireto. E é justamente a oração de que temos um
compromisso hoje que funciona como objeto indireto desse verbo. Repare
na preposição de que inicia a oração. Temos aí um objeto indireto oracional,
ou seja, uma oração subordinada substantiva objetiva indireta.
Completivas nominais
Lembra dos complementos nominais que você conheceu no Capítulo 10? São
aqueles termos que completam o sentido dos nomes que não têm significação
completa. Esses complementos, assim como os complementos verbais (objeto
direto e objeto indireto) também podem vir em forma de oração. Observe o
exemplo:
Tenho certeza de que o resultado vai ser excelente.
Certeza de quê? De que o resultado vai ser excelente. É essa oração que
completa o sentido do substantivo certeza, por isso ela é chamada de oração
subordinada substantiva completiva nominal.
Predicativas
No Capítulo 10, você também foi apresentado ao predicativo, que é aquela
função sintática que se liga ao sujeito ou ao objeto para caracterizá-los. Pois
bem, os predicativos também podem vir em forma de oração. Os predicativos
oracionais, contudo, sempre se referem ao sujeito. Assim, as orações que
desempenham essa função serão classificadas simplesmente como
subordinadas substantivas predicativas. Veja o exemplo:
Meu desejo é que todos fiquem felizes.
Repare que, na primeira oração, há o sujeito Meu desejo e o verbo de ligação
é. O que falta a essa estrutura é justamente o predicativo, que vem em forma
de oração: que todos fiquem felizes. Essa oração recebe o nome de oração
subordinada substantiva predicativa.
Apositivas
A essa altura, você já deve ter percebido todas aquelas funções sintáticas que
você aprendeu a identificar no período simples podem aparecer em forma de
oração, e com o aposto não é diferente.
Só quero uma coisa: que o trabalho fique bem feito.
O aposto, como você já viu, serve para explicar. E é exatamente esse o papel
da oração que o trabalho fique bem feito faz. Essa oração explica o
substantivo coisa, por isso é classificada como oração subordinada
substantiva apositiva.
E as Orações Principais? Para que Servem?
Bem, você acabou de conhecer as orações subordinadas substantivas e talvez
esteja se perguntando para que servem as orações principais, já que as
orações subordinadas substantivas têm tanta importância para a estrutura do
período. Na verdade, as orações principais são sempre o apoio das orações
subordinadas em termos sintáticos. Já quanto ao sentido, as orações
principais das subordinadas substantivas costumam indicar o modo como o
enunciador (aquele que fala ou escreve) se posiciona em relação ao que é dito
na oração subordinada. É o que se vê nos períodos abaixo:
É provável que chova hoje.
Convém que você chegue mais cedo.
Repare que as orações principais dos períodos acima indicam a atitude do
enunciador em relação à informação da oração principal. No primeiro
exemplo, não há certeza de que vai chover. Isso fica claro na oração principal
é provável. Já no segundo período, a oração principal convém indica uma
exigência que o enunciador faz em relação ao momento adequado de chegar.
Orações Substantivas Reduzidas
Todas as orações substantivas que você acabou de conhecer estão na forma
desenvolvida, mas elas podem aparecer também sob a forma reduzida, que se
caracteriza pelo verbo em uma das formas nominais e pela ausência de
conjunção. Mas, no caso das substantivas, as orações reduzidas apresentam
sempre o verbo na forma infinitiva. Observe os exemplos:
É fundamental comparecer às reuniões.
Havia uma única solução: fazer a mudança.
As orações comparecer às reuniões e fazer a mudança são orações
substantivas reduzidas de infinitivo. A primeira é uma oração subordinada
substantiva subjetiva e a segunda uma oração subordinada substantiva
apositiva. Repare que os verbos estão no infinitivo e não há conjunção entre
elas e a oração principal a que elas se ligam.
As Orações Substantivas e as Conjunções
Na forma desenvolvida, as orações subordinadas substantivas estão ligadas às
orações principais pelas conjunções que ou se. Essas conjunções recebem o
nome de conjunções subordinativas integrantes, pois é exatamente isso que
elas fazem: elas integram, elas juntam as orações subordinadas às principais.
Dê uma olhada nos exemplos abaixo:
Tenho certeza de que tudo correrá bem.
Não sei se ele virá hoje.
Repare que as conjunções subordinativas integrantes que e se presentes nos
exemplos acima fazem a ligação entre as orações principais e as
subordinadas. No primeiro exemplo, a oração subordinada de que tudo
correrá bem é completiva nominal e, no segundo, a oração subordinada se
ele virá hoje é objetiva direta.
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas podem
ser também iniciadas por outras palavras como pronomes
interrogativos (que, quem, qual e quanto), advérbios
interrogativos (como, onde, por que e quando) ou ainda
pronomes indefinidos (que, quem). Observe os exemplos:
Perguntei por que ele desistiu.
Não sei quando ele volta.
Desconheço que direção ele tomou.
As orações por que ele desistiu, quando ele volta, que direção ele tomou
são orações subordinadas substantivas objetivas diretas, iniciadas por
advérbios interrogativos (por que e quando) e pronome indefinido (que),
por isso são chamadas de orações subordinadas justapostas.

Não sei que lugar é esse - o QUE não é conjunção integrante. Se
retirarmos o 'não sei', teremos uma pergunta: que lugar é esse?
Nesse caso, o QUE é pronome interrogativo.

Existe um sétimo tipo de oração subordinada substantiva: a que exerce função
de agente da passiva: A atriz foi elogiada por quem a admirava.

Existe uma dica bem prática para você reconhecer e classificar as
orações substantivas: basta substituí-las pelos pronomes isso, esse ou
essa. Se a substituição for possível sem qualquer prejuízo à estrutura do
período, a oração será substantiva. Depois, para descobrir a
classificação da oração, basta reconhecer a função sintática dos
pronomes isso, esse e essa. A oração subordinada substantiva terá a mesma
classificação. Veja como é fácil:
Recomendou que todos chegassem cedo → Recomendou isso.
função sintática do pronome isso → objeto direto.
classificação da oração que todos chegassem cedo → oração
subordinada substantiva objetiva direta.
As Orações Subordinadas Substantivas e a
Pontuação
A pontuação dos períodos compostos em que aparecem orações subordinadas
substantivas é bem simples, pois segue os mesmos princípios da pontuação
no período simples.
Isso significa que não se separam por vírgula ou qualquer outro sinal de
pontuação as orações subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas,
completivas nominais e predicativas da oração principal a que se ligam —
afinal de contas, sujeitos, complementos verbais e nominais e o predicativo
nos predicados nominais não se separam dos termos a que se ligam por
qualquer sinal de pontuação. Compare os exemplos:
É necessário o preenchimento de todos os formulários.
É necessário que todos os formulários sejam preenchidos.
Observe que, no primeiro exemplo, há apenas uma oração, constituindo assim
um período simples. O sujeito da oração é o termo o preenchimento de
todos os formulários, que não se separa do predicado por vírgula. Já no
segundo exemplo, há um período composto por duas orações: a oração
principal É necessário e a oração subordinada substantiva subjetiva que
todos os formulários sejam preenchidos, que, exatamente por desempenhar
a função de sujeito, não se separa da principal por vírgula. Também não
ocorre vírgula entre as orações subordinadas substantivas objetivas diretas,
objetivas indiretas, completivas nominais e predicativas e a oração principal.
A única oração subordinada substantiva que deve ser separada da oração
principal por vírgula ou dois-pontos é a subordinada substantiva apositiva,
exatamente como ocorre com o aposto. É o que fica claro nos exemplos a
seguir:
Só tinha um desejo: o perdão da família.
Só tinha um desejo, que a família o perdoasse.
Note que, nos dois exemplos, há apostos: no primeiro período, o aposto é o
termo o perdão da família; no segundo, é a oração que a família o
perdoasse, e, nos dois casos, há sinal de pontuação para separar o aposto.

Neste capítulo, você vai ver mais um tipo de oração subordinada: a
adjetiva. Você já deve ter percebido que os nomes que as orações
subordinadas recebem está intimamente ligado ao modo como elas se
comportam no período. Por exemplo, as orações substantivas, que você
acabou de conhecer, assumem as mesmas funções que os substantivos podem
desempenhar nas orações. Assim, fica fácil notar que as orações adjetivas têm
esse nome porque equivalem aos adjetivos. Você vai conhecer melhor essas
orações a partir de agora.
Elas Valem por um Adjetivo
Bem, o adjetivo você já conhece de longa data, não é? Logo no Capítulo 1, os
adjetivos foram apresentados como o tempero dos substantivos, isto é, essa
classe de palavras serve para indicar qualidades, atributos, características do
substantivo. Isso significa que o adjetivo exige a presença de um substantivo
ou um pronome substantivo ao qual ele vai se ligar.
Com as orações adjetivas não é diferente, elas se comportam exatamente
como os adjetivos, isto é, qualificam um substantivo. A utilidade delas é
exatamente essa: caracterizar um substantivo da oração principal. Compare os
períodos abaixo e comprove que as orações adjetivas valem por um adjetivo:
As empresas procuram funcionários criativos.
As empresas procuram funcionários que sejam criativos.
Não é difícil perceber que tanto o adjetivo criativos quanto a oração que
sejam criativos servem para caracterizar o substantivo funcionários. No
primeiro período, o adjetivo criativos funciona como adjunto adnominal do
substantivo funcionários. E, no segundo, a oração que sejam criativos tem o
mesmo valor que o adjetivo criativos, por isso essa oração é classificada
como oração subordinada adjetiva.
Como reconhecer as orações adjetivas
Não é difícil reconhecer as orações subordinadas adjetivas. Em primeiro
lugar, observe se a oração está ligada a um substantivo ou pronome
substantivo da oração principal. Depois, preste atenção à forma como a
oração se liga a esse substantivo. É que as orações adjetivas normalmente
vêm iniciadas pelos pronomes relativos, que fazem a ligação entre as orações
adjetivas e os nomes a que elas se referem. Lembra dos pronomes relativos?
No Capítulo 6, você teve oportunidade de conhecê-los. Se anda com a
memória fraca, volte algumas páginas e veja como é fácil identificá-los.
Agora, observe o período abaixo:
Voltou à cidade onde tinha passado a infância.
Note que a oração onde tinha passado a infância está caracterizando o
substantivo cidade (Ele não voltou a qualquer cidade e sim à cidade onde
tinha passado a infância). Observe também que a oração adjetiva onde tinha
passado a infância está ligada ao substantivo cidade pelo pronome relativo
onde.
Pronomes Relativos: Mil e Uma Utilidades
Bem, mil e uma utilidades é exagero, mas pelo menos duas utilidades os
pronomes relativos têm. Uma delas é conectar a oração adjetiva ao
substantivo que ela está caracterizando. A outra utilidade é substituir esse
substantivo na oração adjetiva. Veja o que acontece se desdobramos o
período composto abaixo em dois períodos simples:
Assisti aos filmes que concorreram ao Oscar. (período composto)
Assisti aos filmes.
Os filmes concorreram ao Oscar.
Agora, fica fácil perceber que, no período composto, a palavra filmes não se
repete, pois, no lugar dela, está o pronome relativo que. É justamente por
esse motivo, que os pronomes relativos, ao contrário das conjunções,
apresentam função sintática, pois eles substituem a palavra que os antecede.
Como reconhecer a função sintática dos pronomes
relativos
Exatamente pelo fato de substituírem as palavras que os antecedem, os
pronomes relativos apresentam função sintática. E é bem fácil reconhecer a
função dos relativos:
o primeiro passo é substituir o pronome relativo pelo termo que o
antecede.
em seguida, basta identificar a função desse termo na oração em que
ficava o relativo.
Observe o exemplo:
Jantamos no restaurante que você recomendou.
O antecedente do relativo que, no período acima, é o substantivo
restaurante. Fazendo a substituição temos o seguinte:
Jantamos no restaurante.
Você recomendou o restaurante.
A função sintática do termo o restaurante na oração Você recomendou o
restaurante é objeto direto, pois está completando o verbo recomendar, que
é transitivo direto. Logo, a função sintática do relativo que é a mesma: objeto
direto.
Mas não é só a função de objeto direto que o pronome relativo pode assumir.
Além dessa função sintática, os pronomes relativos podem desempenhar
várias outras. Os exemplos abaixo comprovam isso ao mostrar mais algumas
funções dos relativos. Dê uma olhada:
Acolhemos o cachorrinho que foi abandonado. (que = sujeito)
Dom Casmurro é um dos romances de que mais gosto. (de que =
objeto indireto)
A casa onde nasci traz boas lembranças. (onde = adjunto adverbial)
Este é o autor a quem sempre faço referência. (a quem =
complemento nominal)
Os funcionários pelos quais fomos orientados são muito gentis. (pelos
quais = agente da passiva)
Os alunos cujos pais enviaram a autorização poderão viajar. (cujos =
adjunto adnominal)
O pronome relativo onde sempre desempenha a função sintática
de adjunto adverbial de lugar.
O pronome relativo quem vem sempre preposicionado, até quando estiver
desempenhando a função de objeto direto. É o que se vê no período que se
segue:
Carlos, a quem todos admiravam, foi promovido.
Note que o pronome quem é o complemento do verbo admirar, que é
transitivo direto, mas vem precedido da preposição a. Nesse caso, a quem é
objeto direto preposicionado.
Restritivas ou Explicativas: A Classificação das
Orações Adjetivas
Você viu no Capítulo 13 que as orações subordinadas substantivas são
classificadas em subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas
nominais, predicativas e apositivas, dependendo da função que elas
desempenham na oração principal.
Agora, você vai conhecer os tipos de orações adjetivas. Mas, ao contrário do
que acontece com as orações substantivas, a classificação das adjetivas está
intimamente ligada ao sentido que essas orações têm em relação ao termo que
elas caracterizam. Confuso? Nem tanto. Preste atenção nos exemplos abaixo:
Os homens, que são mortais, temem a morte.
Os homens que falam a verdade agradam as mulheres.
No primeiro exemplo, a oração que são mortais indica uma característica
que se refere à totalidade dos homens. Resumindo: todos os homens são
mortais e temem a morte. Há, nesse exemplo, o primeiro tipo de oração
adjetiva: a explicativa. Como o nome já diz, essa oração apresenta uma
informação genérica do substantivo homens, uma explicação que se refere a
todos eles. Repare que essa oração pode ser retirada do período sem alterar o
sentido da oração que permanece no período: Os homens (todos) temem a
morte.
Já no segundo exemplo, a oração que falam a verdade não se refere a todos
os homens. Na verdade, essa oração limita o sentido do substantivo homens.
Não são todos os homens que agradam as mulheres, mas apenas aqueles que
falam a verdade. Isso significa que somente alguns homens agradam as
mulheres, não todos. Na verdade, a oração que falam a verdade ajuda a
identificar, caracterizar o tipo de homem que costuma agradar as mulheres.
Orações como essa não podem ser retiradas do período, pois isso alteraria a
significação da oração que fica, ou seja, da oração principal. Esse tipo de
oração adjetiva é chamado de restritiva, pois limita, restringe o significado do
termo que a oração adjetiva está caracterizando.
As Orações Subordinadas Adjetivas e a Pontuação
Você acabou de ver que as orações adjetivas podem ser classificadas em
explicativas e restritivas. Além das diferenças de sentido entre elas, vale
lembrar que elas se diferenciam também pela pontuação. As orações adjetivas
explicativas vem sempre separadas por vírgulas da oração principal. É o que
se vê no exemplo lá de cima: Os homens, que são mortais, temem a morte.
A oração adjetiva que são mortais aparece entre vírgulas.
Você provavelmente adorou saber isso, pois, se toda oração adjetiva
explicativa é separada por vírgulas, não há nenhuma dificuldade em
classificá-las. Bem, sob esse ponto de vista, você tem razão. Mas lembre-se
de que você não está aprendendo a gramática da língua portuguesa apenas
para classificar orações, não é? Você certamente quer se comunicar melhor
por escrito, por isso precisa reconhecer se a oração é explicativa ou restritiva
para pontuar adequadamente seu texto.
E essas vírgulas podem fazer a maior diferença no significado do período.
Veja como a presença desses sinais pode mudar totalmente o sentido do que
estamos declarando:
Os alunos que foram aprovados ganharão uma viagem.
Os alunos, que foram aprovados, ganharão uma viagem.
Você, com certeza, notou que há semelhanças entre os períodos acima, mas
também existe uma enorme diferença de sentido entre eles. No primeiro, há
uma oração subordinada adjetiva ligada diretamente ao termo alunos. Repare
que não há vírgulas entre a palavra alunos e a oração que foram aprovados.
Assim, percebemos que essa oração adjetiva limita o sentido da palavra
alunos, restringindo o sentido desse substantivo. Na verdade, só ganharão
uma viagem os alunos que foram aprovados, não todos.
Já no segundo período, há vírgulas que separam a oração adjetiva que foram
aprovados do substantivo alunos. Essas vírgulas indicam que a informação
contida na oração adjetiva é uma informação que se refere a todos os alunos.
Ou seja, nesse período todos os alunos foram aprovados e todos ganharão a
viagem. O sentido da palavra alunos, no segundo período, não é mais
delimitado. A oração adjetiva, nesse caso, é uma simples explicação do termo
alunos.
Os alunos, com certeza, vão preferir o segundo período, não é? É um sinal de
que todos foram aprovados e ainda ganharão uma viagem.
Para diferenciar as orações adjetivas explicativas das restritivas
tente colocar a palavra somente antes da oração adjetiva. Se der certo,
a oração será restritiva. Observe:
O ouro, que tem cor amarela, é muito valorizado.
Nesse caso, não faz sentido dizer: Somente o ouro que tem cor amarela é
valorizado, pois todo ouro tem cor amarela. Assim, a oração que tem cor
amarela é explicativa.
Os brasileiros que são iletrados têm poucas chances de emprego.
Nesse exemplo, o que se quer dizer é que Somente os brasileiros que são
iletrados têm poucas chances de emprego, pois nem todos os brasileiros
são iletrados. Nesse caso, a oração que são iletrados é restritiva.
As Orações Principais das Adjetivas
As orações principais das adjetivas são a base do período composto, são elas
que apresentam o nome ou pronome que vai ser caracterizado pela oração
adjetiva. Quanto ao sentido, elas costumam apresentar a informação mais
importante do período.
Orações Adjetivas Reduzidas
As orações adjetivas também podem aparecer na forma reduzida, ou seja,
sem o pronome relativo e com o verbo em uma das formas nominais.
Enquanto as orações substantivas só podem ser reduzidas de infinito, as
adjetivas podem ser reduzidas de gerúndio, infinitivo e particípio. Dê uma
olhada nos exemplos:
gerúndio: Vi as crianças brincando na calçada. (= Vi as crianças que
brincavam na calçada.)
infinitivo: O orador da turma foi o primeiro a se apresentar. (= O
orador da turma foi o primeiro que se apresentou.)
particípio: Essas são as sugestões dadas pelo diretor. (= Essas são as
sugestões que foram dadas pelo diretor.)
Neste capítulo, você vai se despedir das orações subordinadas. É que
você vai conhecer o último tipo de orações subordinadas: as
adverbiais. Essas orações podem ser bem úteis quando precisamos
indicar as circunstâncias exatas em que determinada ação aconteceu. Tempo,
finalidade, causa, essas são apenas algumas das circunstâncias que as orações
adverbiais podem indicar. A partir de agora, você vai saber mais detalhes
sobre esse tipo de oração subordinada.
RReconhecendo as Orações Adverbiais
As orações adverbiais são, na verdade, adjuntos adverbiais em forma de
oração. O adjunto adverbial, conforme você viu no Capítulo 11, liga-se a um
verbo, a um adjetivo ou a outro advérbio para indicar uma determinada
circunstância. Com as orações subordinadas adverbiais, não é diferente. Elas
se ligam ao verbo da oração principal para indicar as mais variadas
circunstâncias. Fica fácil perceber pelos exemplos abaixo que adjunto
adverbial e oração adverbial se comportam da mesma maneira:
Pela manhã, ela já se sentia muito bem.
Logo que amanheceu, ela já sentia muito bem.
No primeiro exemplo, pela manhã é um adjunto adverbial que se liga ao
verbo sentia. Esse adjunto adverbial traz a ideia de tempo para a oração. Essa
mesma ideia de tempo é transmitida pela oração Logo que amanheceu, no
segundo exemplo. Por esse motivo, a oração Logo que amanheceu é
classificada como subordinada adverbial temporal.
Viu como é fácil identificar as orações subordinadas adverbiais? Essas
orações estão sempre ligadas ao verbo da oração principal e indicam uma
circunstância.
Circunstâncias para Todos os Gostos
As orações subordinadas adverbiais podem indicar as mais variadas
circunstâncias. Você vai conhecer agora cada uma das circunstâncias que
podem ser representadas por orações. São nove essas circunstâncias, mas não
se desespere, pois você conhece e usa no dia a dia a maioria delas.
Causa
As orações subordinadas adverbiais que indicam causa recebem o nome de
orações subordinadas adverbiais causais. E você já deve ter percebido pelo
nome que as subordinadas adverbiais causais indicam o motivo, a razão da
ação representada na oração principal. A conjunção causal típica é porque.
Mas várias outras conjunções ou locuções conjuntivas (= duas ou mais
palavras que funcionam como uma conjunção) podem expressar esse valor de
causa, como por exemplo: como, já que, pois, uma vez que, visto que,
na medida em que, porquanto etc.
Desistimos do passeio, porque chovia muito.
Note que foi o fato de começar a chover que fez com que nós desistíssemos
do passeio. Assim, a oração porque chovia muito é classificada como
oração subordinada adverbial causal.
A conjunção como pode indicar diferentes circunstâncias, mas,
nas indicações de causa, a oração subordinada adverbial causal
vem sempre antes da oração principal. Veja o que acontece com
o período acima se usarmos a conjunção como para indicar
causa:
Como chovia muito, desistimos do passeio.
Consequência
As orações adverbiais que indicam consequência recebem o nome de
consecutivas. E essas orações indicam o efeito, o resultado da ação expressa
na oração principal. Para indicar consequência, você pode usar as seguintes
conjunções ou locuções conjuntivas: que, de forma que, de modo que,
de sorte que, de maneira que e também os pares tão... que, tanto... que,
tamanho... que e tal... que. Observe o exemplo abaixo:
Falou tanto, que ficou rouco.
No período, a consequência de falar tanto é ficar rouco. Assim, a oração que
ficou rouco é classificada como oração subordinada adverbial consecutiva.
Você deve ter percebido que há uma relação entre o período
composto com oração causal e o período composto com oração
consecutiva. Afinal, onde há causa, há também consequência.
Assim, é possível transformar um no outro e vice-versa. Veja
como isso acontece:
Nevou de madrugada, porque o frio era muito intenso. (oração
subordinada adverbial causal)
O frio era tão intenso, que nevou de madrugada. (oração subordinada
adverbial consecutiva)
Isso significa que é você que decide entre uma forma ou outra na hora de
falar ou escrever. De modo geral, aparece na oração principal o fato que
queremos destacar, enfatizar.
Condição
Condição é aquilo que é necessário para que um fato se realize. As orações
Adverbiais que indicam condição são chamadas de condicionais. É bem
provável que a conjunção condicional que você mais use seja o se, pois essa é
a conjunção condicional mais famosa. Mas outras conjunções ou locuções
conjuntivas também podem indicar essa ideia: caso, contanto que, desde
que, a não ser que, a menos que, salvo se, exceto se, sem que, uma vez que etc.
Se você olhar atentamente, perceberá os mínimos detalhes da
pintura.
Note que só é possível perceber os mínimos detalhes da pintura com uma
condição: olhar atentamente. Assim, a oração Se você olhar atentamente é
uma oração subordinada adverbial condicional.
Concessão
Fazer uma concessão significa fazer algo diferente do que é esperado, do que
é normal. Você, com certeza, já deve ter feito algumas concessões ao longo
da sua vida. A ideia de concessão está diretamente ligada à ideia de contraste.
Na verdade, essa ideia é bem parecida com a ideia que as orações
coordenadas adversativas expressam. Observe como isso fica claro no
período abaixo:
Embora estivéssemos exaustos, decidimos continuar a caminhada.
O normal seria que, por estarmos cansados, parássemos para descansar, mas
não foi isso que aconteceu. Ocorreu assim uma quebra da expectativa, foi
feita uma concessão. Por esse motivo, a oração Embora estivéssemos
exaustos é classificada como oração subordinada adverbial concessiva. A
conjunção concessiva típica é o embora, mas outras conjunções e locuções
expressam essa ideia: conquanto, ainda que, apesar de que, mesmo que,
posto que, nem que, por mais que etc.

Na adversativa, o fato anula o que foi dito antes.
Na concessiva, o fato não impede que o outro aconteça.

Comparação
A comparação é bem fácil de perceber. Na verdade, as orações que
expressam comparação indicam semelhança entre seres ou fatos. A oração
adverbial que expressa essa ideia recebe o nome de subordinada adverbial
comparativa. A conjunção comparativa mais comum é como. Também é
comum aparecerem as seguintes estruturas: tão... como/quanto, tanto...
quanto/como, mais do que, menos do que. Observe o exemplo:
Ele agiu como um verdadeiro anfitrião agiria naquela situação.
A oração como um verdadeiro anfitrião agiria naquela situação é uma
oração subordinada adverbial comparativa.
É bem comum o verbo da oração comparativa ficar
subentendido. É o que acontece no período Ele dorme como um
anjo (dorme). Mesmo assim, o período continua a ser classificado como
um período composto.
Conformidade
As orações adverbiais que expressam conformidade são chamadas de
conformativas. Essas orações apresentam um fato que está de acordo com
aquilo que se declara na oração principal. A conjunção conformativa mais
comum é conforme. Além disso, há outras que indicam essa ideia:
segundo, consoante e como.
Os alunos fizeram tudo como combinamos.
A oração como combinamos indica que os alunos agiram de acordo com o
combinado. É uma oração subordinada adverbial conformativa.
Finalidade
O nome, mais uma vez, já diz tudo. A circunstância de finalidade indica a
intenção, o objetivo daquilo que se declara na oração principal. As orações
que expressam essa ideia são chamadas de adverbiais finais. A conjunção
final mais famosa é para que. Além disso, usa-se a conjunção a fim de que e,
eventualmente, que e porque (= para que).
Muitas pessoas trabalharam para que a cidade não ficasse muito
tempo sem luz.
A oração para que a cidade não ficasse muito tempo sem luz indica o
objetivo de muitas pessoas terem trabalhado muito. É uma oração
subordinada adverbial final.
Proporção
Você, com certeza, já construiu períodos com a ideia de proporção. Na verdade,
as orações proporcionais são aquelas que indicam fatos que aumentam ou diminuem
em relação ao que é dito na oração principal. A conjunção proporcional mais
famosa é à medida que. Além disso, usam-se as conjunções à proporção que,
ao passo que, quanto mais e quanto menos. Veja um exemplo:
À medida que estudava, minhas ideias iam se tornando mais claras.
Tempo
Você, certamente, está bem familiarizado com a ideia de tempo. As orações
adverbiais que expressam essa ideia são chamadas de temporais e podem
indicar fatos que acontecem simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo;
antes ou depois do fato expresso na oração principal. Quando é uma das
conjunções mais usadas para indicar tempo, mas outras conjunções e
locuções conjuntivas ocorrem também com muita frequência. É o caso de
enquanto, mal, antes que, assim que, depois que, desde que, sempre que,
até que e toda vez que.
Mal você saiu, a luz acabou.
A oração Mal você saiu indica um tempo imediatamente posterior à ação de
acabar, presente na oração principal. Essa oração é classificada como oração
subordinada adverbial temporal.
Tome cuidado para não confundir causa e explicação. Às vezes,
ficamos em dúvida na hora de diferenciar uma oração
subordinada adverbial causal e uma oração coordenada explicativa.
Para não ter problemas, lembre-se sempre do seguinte: a causa é sempre
anterior ao fato apresentado na oração principal. Já a explicação vem
sempre depois, ou seja, depois da ordem ou da suposição vem a explicação.
Veja os exemplos:
Não veio porque estava doente.
Nesse exemplo, a doença provocou a não vinda dele. Assim, a
oração porque estava doente é uma oração subordinada adverbial causal.
Situação bem diferente acontece o período abaixo:
Choveu de madrugada, pois as ruas estão molhadas.
Observe que, primeiro, Choveu e, depois, as ruas ficaram molhadas. As
ruas estarem molhadas é a explicação para a afirmação Choveu de
madrugada. Logo a oração pois as ruas estão molhadas é uma oração
coordenada sindética explicativa. Aliás, não faz nenhum sentido achar que as
ruas molhadas são a causa da chuva.
As conjunções que aparecem nas orações subordinadas
adverbiais recebem o mesmo nome da oração. Por exemplo, no período,
Quando cheguei, todos já estavam na sala, a oração
Quando cheguei é classificada como subordinada adverbial
temporal. Já a conjunção Quando recebe o nome de conjunção
subordinativa temporal.
NÃO ADIANTA NADA DECORAR...
Você acabou de conhecer os nove tipos de orações adverbiais
(causal, consecutiva, condicional, concessiva, comparativa,
conformativa, final, proporcional e temporal) e deve ter percebido
que muitas conjunções podem assumir diferentes sentidos
dependendo do período em que estejam.
É o caso do como, que pode expressar ideia de causa, comparação,
conformidade. Por isso, não adianta nada sair por aí decorando
aquelas listas infindáveis de conjunções. O melhor mesmo é tentar
entender qual a relação de sentido entre a oração adverbial e a
principal. Às vezes, pode ser útil substituir a conjunção do período
por outra que tenha o mesmo valor para você se certificar de que sua
interpretação está certa. Observe o caso da locução desde que nos
períodos abaixo:
Desde que você chegou, as coisas melhoraram → nesse período a
locução Desde que expressa ideia de tempo. Repare que a
substituição por outra conjunção temporal é possível, sem alterar o
sentido do período: Quando você chegou, as coisas melhoraram.
Desde que você termine o trabalho, poderá sair → já nesse
período, Desde que indica condição, pois equivale à conjunção
condicional se: Se você terminar o trabalho, poderá sair.
Então lembre-se, nada de decoreba! O melhor é entender o sentido
que se estabelece entre a oração subordinada adverbial e a principal.

Outros exemplos:
Como seu primo desapareceu, ele ficou triste. - causa
Ele dorme como um urso. - comparação
Como combinado, faremos a festa. - conformidade

Uma vez que tenha dinheiro, irei ao cinema. - condição
Uma vez que não trabalhei, não recebi. - causa

As Orações Principais das Adverbiais
Você deve ter percebido que as orações principais das adverbiais são também
a base do período composto em termos sintáticos. Quanto ao sentido, elas
também costumam apresentar a informação mais importante do período.
Você pode estar se perguntando por que deve saber isso. Na verdade, isso é
importante para estruturar os períodos quando se escreve um texto. Observe o
período abaixo. Ele pode ser estruturado de duas maneiras:
Embora seja um importante veículo de informação, a televisão não
fornece uma reprodução fiel da realidade.
Embora não forneça uma reprodução fiel da realidade, a televisão é
um importante veículo de informação.
No primeiro exemplo, a ideia que prevalece é a que está na oração principal a
televisão não fornece uma reprodução fiel da realidade. Nesse caso, a
ideia que sobressai no período é uma ideia negativa sobre a televisão.
Já no segundo período, apesar de essa ideia negativa também estar presente, a
ideia que predomina sobre a televisão é positiva, pois a oração principal é a
televisão é um importante veículo de informação.
Orações Adverbiais Reduzidas
Bem, chegamos ao fim das orações subordinadas adverbiais. Vale lembrar
que todas as orações adverbiais que você viu nos exemplos acima estavam na
forma desenvolvida, ou seja, apresentavam conjunção e verbo no indicativo
ou no subjuntivo. Mas as orações adverbiais também podem aparecer na
forma reduzida. As adverbiais podem ser reduzidas de gerúndio, infinitivo ou
particípio. Dê uma olhada nos exemplos:
gerúndio: Chegando o verão, viajaremos. (= Quando o verão chegar,
viajaremos.)
infinitivo: Por estar cansada, saiu mais cedo da festa. (= Porque
estava cansada, saiu mais cedo da festa.)
particípio: Mesmo derrotado, o lutador recebeu os aplausos da
plateia. (= Embora tenha sido derrotado, recebeu os aplausos da
plateia.)

Obs.: Algumas adverbiais reduzidas aceitam mais de uma interpretação:
Terminada a festa, todos se retiraram. (temporal / causal)

Uma oração coordenada aditiva pode ser reduzida de gerúndio:
Marta chamou o garçom, pedindo a conta. (= e pediu a conta)

As adverbiais consecutivas e finais só podem ser reduzidas de infinitivo.
As proporcionais, conformativas e comparativas são sempre desenvolvidas.

Existem mais dois tipos de orações subordinadas adverbiais: as locativas e as
modais. As locativas são aquelas que indicam o local onde se desenrola a
ação expressa na oração principal. Essas orações se apresentam sempre como
orações desenvolvidas sem conjunção, introduzidas pelo advérbio de lugar onde.
A oração grifada abaixo é um exemplo:
Onde há fumaça, há fogo.
Já as modais equivalem, segundo os autores, a adjuntos adverbiais de modo.
Exprimem a maneira como ocorre o fato expresso na oração principal.
Costumam estar ligadas à oração principal pelos conectivos como, bem
como, sem que etc, ou ainda apresentar a forma reduzida, como se vê no
período abaixo:
Saiu sem fazer barulho.
As Orações Subordinadas Adverbiais e a Pontuação
Para pontuar períodos compostos em que há orações subordinadas adverbiais,
basta lembrar do comportamento dos adjuntos adverbiais em relação à
pontuação. Assim, se a oração subordinada adverbial vier antes ou no meio
da oração principal, a vírgula deve ser empregada. Os exemplos abaixo
confirmam isso:
Logo que melhorou, o menino voltou a correr.
O menino, logo que melhorou, voltou a correr.
No primeiro período, a oração subordinada adverbial temporal Logo que
melhorou está antes da oração principal; já no segundo, está intercalada à
principal, ou seja, no meio da principal. Nas duas situações, emprega-se a
vírgula.
Mas e se a oração subordinada estiver depois da oração principal? Nesse
caso, separar a oração subordinada adverbial da principal por vírgula é
opcional. Assim, há duas possibilidades de pontuação:
O menino voltou a correr logo que melhorou.
O menino voltou a correr, logo que melhorou.

As orações comparativas e consecutivas vêm sempre depois da principal,
ou seja, sem vírgula.

Dependendo da sua idade, você pode estar achando bem estranho o
título deste capítulo. É que ele faz referência a um trecho da música
Inútil, lançada em 1983 pela banda Ultraje a Rigor. A música, que tem
como frase de abertura “A gente não sabemos escolher presidente”, tem um
tom político e trata da questão do voto de forma bem crítica. E um dos
elementos responsáveis por essa crítica é justamente a concordância entre a
forma verbal somos e o sujeito a gente. Independentemente dos aspectos
políticos que envolvem a música, o motivo de ela ser mencionada no título
deste capítulo é a concordância, ou melhor, a falta dela (“A gente somos...”,
“A gente não sabemos...”), segundo os padrões da norma-padrão.
Este capítulo vai tratar exatamente disso: concordância. A concordância faz
parte dos estudos sobre sintaxe, mas, ao mesmo tempo, envolve aspectos da
estrutura das palavras, como as flexões de gênero, número e pessoa. A
concordância divide-se em verbal e nominal. Mas, antes de conhecer esses
dois tipos, é importante saber o que, de fato, é concordar.
Antes de mais nada, é importante saber exatamente o que é concordar.
Concordar é combinar determinadas marcas entre duas palavras para que elas
se ajustem harmonicamente na frase. E que marcas são essas? Bem, essas
marcas são o gênero, o número e a pessoa. Concordar em gênero significa
combinar palavras levando em conta o feminino e o masculino. É o que se vê
nas expressões casa espaçosa (gênero feminino) e apartamento espaçoso
(gênero masculino). Já a concordância de número leva em conta o singular e
o plural, como se pode ver nas expressões menino travesso (singular) e
meninos travessos (plural). A variação de pessoa, por sua vez, é própria dos
verbos. Observe que os verbos concordam em número e pessoa com o sujeito
da oração. Isso fica claro nos exemplos Eu adoro chocolate / Eles adoram
chocolate. Repare que, na primeira oração, o verbo está na 1ª pessoa do
singular para concordar com o sujeito eu. No segundo exemplo, o verbo já
aparece na 3ª pessoa do plural, pois o sujeito é o pronome eles.
Há dois tipos de concordância: a verbal e a nominal. A concordância verbal,
como o nome já diz, envolve o verbo. No Capítulo 9, você conheceu o
sujeito, que é o termo do qual se diz alguma coisa, e o predicado, que é a
declaração que se faz do sujeito. Há, assim, entre o sujeito e o predicado uma
relação íntima. Por esse motivo, o verbo concorda em número e pessoa com o
sujeito.
Já a concordância nominal envolve os substantivos e as palavras que se ligam
aos substantivos, ou seja, as classes dependentes dos substantivos, que você
conheceu no Capítulo 2. Isso significa que as classes dependentes dos
substantivos (artigos, adjetivos, numerais e pronomes adjetivos) alteram suas
terminações para se ajustar em gênero e número aos substantivos a que se
referem. Observe, na frase que segue, a concordância entre o substantivo
alunos e seus dependentes:
Os meus dois melhores alunos receberam prêmios.
O artigo Os, o pronome meus, o numeral dois e o adjetivo melhores
acompanham o gênero (masculino) e o número (plural) do substantivo
alunos.
“Concordo em gênero, número e grau”, diz o dito popular
Você, com certeza, já ouviu a expressão acima: “concordar em gênero,
número e grau”. Ela costuma ser usada quando queremos mostrar com muita
ênfase que estamos de acordo com alguma coisa. Mas essa expressão
apresenta um probleminha no que diz respeito à gramática da língua
portuguesa e você vai logo saber qual é.
Você acabou de conhecer os tipos de concordância: a nominal e a verbal. E
viu que os nomes e seus dependentes variam em gênero e número e que o
verbo, por sua vez, varia em número e pessoa para concordar com o sujeito. E
o grau, onde entra nessa história?
O grau é aquela marca que indica aumento ou diminuição de tamanho dos
substantivos ou intensidade maior ou menor dos adjetivos ou advérbios. Mas
o grau não é uma flexão dos nomes e sim um processo de derivação, que
forma palavras novas. Repare que a flexão de número no substantivo casa
transforma a palavra em casas, sem alterar o sentido da palavra. Já a palavra
casinha, que apresenta o sufixo -inha, indicativo do grau diminutivo, altera o
sentido da palavra casa: casinha é uma casa pequena.
Além disso, percebemos que a concordância em gênero e número é, de certo
modo, tendo em vista o padrão culto da língua, um traço obrigatório. Por
exemplo, a marca de gênero e número do substantivo é imposta aos artigos,
adjetivos, numerais e pronomes. Repare que não dizemos “o alunos
dedicadas” e sim os alunos dedicados.
O que ocorre com a marca de grau, no entanto, é diferente: ela pode aparecer
só no substantivo, só no adjetivo ou nos dois. É o que se vê na expressão
casinha branca: o substantivo está no grau diminutivo (casinha), mas o
adjetivo está no grau normal (branca). Mas também poderíamos dizer casa
branquinha ou ainda casinha branquinha.
Por ser um mecanismo facultativo, a variação de grau não se trata de
concordância. Justamente por isso a expressão “concordar em gênero,
número e grau” é errada. Grau não precisa concordar. Pode até discordar.
Você acabou de ver que a concordância verbal trata da concordância do verbo
com o sujeito. A regra geral de concordância verbal diz que o verbo concorda
em número e pessoa com o núcleo do sujeito. Assim, temos as seguintes
situações:
um núcleo do sujeito no singular = verbo no singular
um núcleo do sujeito no plural = verbo no plural
dois núcleos do sujeito no singular = verbo no plural
dois núcleos do sujeito no plural = verbo no plural
Fugindo à regra...
Estava muito bom para ser verdade... Com certeza, é isso que você está
pensando depois de ver o título Fugindo à regra. Realmente, a regra geral de
concordância verbal é bem simples, mas há alguns casos especiais em que é
comum ficarmos em dúvida se devemos colocar o verbo no singular ou no
plural, ou seja, casos que fogem à regra geral. Isso pode acontecer, por
exemplo, com determinadas expressões, que, apesar de transmitirem uma
ideia de plural, têm a forma de singular ou vice-versa. O que fazer nessas e
em outras situações parecidas? Singular ou plural? Para resolver suas
possíveis dúvidas em relação à concordância verbal, conheça esses casos.
Vou começar pelos casos de sujeito simples que merecem uma atenção.
especial.
Sujeito formado por expressões partitivas
Expressões partitivas são aquelas que, como o nome já diz, indicam a parte
de um todo. Eis alguns exemplos: a maioria de, a metade de, grande
número de, grande parte de, boa parte de, a maior parte de.
Quando o sujeito é formado por essas expressões seguidas de um substantivo
ou pronome substantivo no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
plural. Isso acontece porque o verbo pode concordar tanto com o núcleo da
expressão (maioria, metade, número, parte) ou também com o substantivo
que está no plural. Observe o exemplo:
A maioria dos professores aderiu / aderiram à greve.
Sujeito formado por expressões numéricas aproximativas
Com expressões que indicam quantidade aproximada como cerca de, mais
de, menos de, o verbo concorda com o numeral que segue a expressão. Dê
uma olhada nos exemplos:
Quando a expressão mais de um estiver ligada a verbos que
indicam reciprocidade (ideia de troca) ou quando ela se repetir,
o verbo deve ficar no plural. É o que se vê na frase a seguir:
Mais de um jogador se cumprimentaram durante a partida.
Repare que o verbo cumprimentar carrega ideia de reciprocidade (um
jogador cumprimentou o outro).
Mais de um aluno, mais de um professor se comoveram durante o evento.
Repare que o verbo comover-se está no plural porque a expressão
mais de um aparece repetida.
Sujeito formado por um substantivo coletivo
Você já viu que os substantivos coletivos são aqueles que, embora tenham a
forma no singular, indicam conjunto de seres da mesma espécie. Sempre que
o núcleo do sujeito for um coletivo o verbo ficará no singular. É o que se vê
no exemplo abaixo:
A multidão aplaudiu o cantor.
Sujeito formado por nomes que só se usam no plural
Com nomes que só se usam no plural, tanto próprios quanto comuns, o
segredo é ficar de olho no artigo, pois é ele que manda. Sem artigo, o verbo
fica no singular. Já com artigo no plural, o verbo também fica no plural.
Para títulos de obras literárias, o verbo pode ficar no plural ou no singular
concordando com a palavra obra subentendida. Os exemplos abaixo mostram isso:
Alagoas encanta os turistas. / As Alagoas encantam os turistas.
Os Sertões conta / contam a guerra de Canudos.
Sujeito formado por pronome interrogativo ou indefinido no plural
Você se lembra dos pronomes interrogativos e indefinidos apresentados no
Capítulo 6? É deles mesmo que estamos tratando. Quando o sujeito for
formado por pronomes interrogativos no plural (quais e quantos) ou
pronomes indefinidos (alguns, muitos, poucos, vários) + a expressão de
nós, o verbo pode ficar na 3ª pessoa do plural ou pode concordar com o
pronome nós. Dê uma olhada:
Quantos de nós viajarão / viajaremos?
Escolher entre a forma em 3ª ou 1ª pessoa indica se você está se
incluindo ou não no discurso. Por exemplo, se você diz “Alguns
de nós deixamos de cumprir as tarefas”, parece que você está
assumindo a responsabilidade de não ter feito as tarefas. Já na
frase Alguns de nós deixaram de fazer as tarefas, a ideia é que
foram os outros — e não você — que deixaram de cumprir as
tarefas. Assim, a escolha entre uma ou outra forma de
concordância vai depender das suas intenções de se comprometer
ou não com o que é dito.
Aqui no Brasil, o pronome vós quase não é usado, mas a
concordância com ele acontece da mesma forma que é feita
com o pronome nós nessa situação. Veja o exemplo:
Quais de vós viajarão / viajareis?
Sujeito formado pelos pronomes relativos que e quem
Com o pronome relativo que, o verbo concorda com a palavra que vem antes
do relativo. Observe o exemplo:
Fui eu que fiz o bolo. / Fomos nós que compramos os ingressos.
Sujeito formado pelo relativo quem
Quando o sujeito é o pronome relativo quem, há duas possibilidades de
concordância:
ou o verbo fica na 3ª pessoa do singular, concordando com o quem:
Foram eles quem organizou a festa.
ou pode concordar também com o pronome pessoal que antecede o
quem, imitando a regra do pronome que:
Foram eles quem organizaram a festa.
Sujeito formado por pronome de tratamento
Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o verbo fica sempre na
terceira pessoa do singular ou do plural. Os exemplos abaixo comprovam
isso:
Vossa Excelência iniciará o discurso.
Vossas Excelências iniciarão o discurso.
Sujeito formado pela expressão um dos que
Com a expressão um dos que, o verbo costuma ficar no plural, mas
eventualmente aparece com verbo no singular. Isso significa que
você pode usar tanto uma forma quanto a outra. Observe:
José foi um dos que recebeu / receberam o prêmio.
A escolha entre as formas anteriores altera a ênfase que se dá aos
termos. Repare que, com o verbo no singular, o destaque está no
termo José e não em todos que receberam o prêmio.
Sujeito formado por porcentagens ou frações
Com o sujeito formado por números percentuais ou fracionários, sempre
surge aquela dúvida, não é? Bem, nessas situações, o verbo, em geral,
concorda com o numeral, mas também é possível a concordância com a
expressão que acompanha o numeral. É o que você pode ver nos exemplos
abaixo:
10% da população anulou / anularam o voto.
Dois quartos dos militares foi / foram à guerra.
Fugindo à regra... do sujeito composto
Bem, você acabou de conhecer os casos de sujeito simples que fogem à regra
geral de concordância verbal. Agora é a vez dos casos especiais de
concordância do sujeito composto. Mas não se desespere, pois muitos desses
casos especiais admitem o verbo no singular e no plural. Isso significa que
você vai estar sempre certo. Conheça estes casos:
Sujeito composto depois do verbo
Quando o sujeito composto está depois do verbo (sujeito posposto), há duas
opções de concordância: ou você concorda com os dois núcleos ou concorda
com o núcleo mais próximo. Essa última concordância é chamada de
atrativa. Os exemplos a seguir mostram essas duas possibilidades:
Embarcaram / embarcou pela manhã o governador e o vice.
Na primeira oração, o verbo concorda com os dois núcleos do sujeito:
governador e vice, por isso o verbo está no plural. Já no segundo exemplo, a
concordância foi feita com o núcleo mais próximo: governador.
Sujeito formado por núcleos sinônimos ou por palavras em
gradação
Se os núcleos do sujeito composto forem palavras sinônimas ou quase
sinônimas, ou ainda por palavras dispostas em gradação, a escolha é
sua: o verbo pode ficar no plural ou no singular. Dê uma olhada nos
exemplos:
Tranquilidade e serenidade caracterizam / caracteriza a personalidade
dela.
Uma brisa, um vento, um furacão não desanimavam / desanimava os
atletas.
Sujeito formado pelas expressões um e outro / nem um nem outro
Mais uma vez a escolha é sua. Com as expressões um e outro e nem um
nem outro, o verbo pode ficar no plural ou no singular.
Um e outro adoravam / adorava viajar.
Nem uma nem outra aproveitaram / aproveitou a oportunidade.
Sujeito formado por infinitivos
Quando os núcleos são formados por verbos no infinitivo, o verbo fica no
singular. Se os infinitivos forem antônimos ou estiverem determinados por artigo,
o verbo vai para o plural.
Andar e correr faz bem à saúde.
Nascer e morrer são nossas certezas.
O amar e o sofrer nos tornou sensível.
Sujeito formado por núcleos unidos por com
Quando os núcleos do sujeito estiverem unidos pela preposição com, o verbo
pode ficar no plural, concordando com os dois núcleos, ou no singular,
concordando com o primeiro núcleo.
O professor com o aluno montou / montaram a exposição.
Sujeito formado por núcleos unidos por ou ou nem
Se os núcleos do sujeito composto estiverem ligados pelas conjunções ou ou
nem, o verbo pode ficar no singular ou no plural. Mas fique atento ao
sentido. Se houver ideia de exclusão, ou seja, se a ação for atribuída a apenas
um dos núcleos, o verbo deve ficar no singular. Por outro lado, se a ação
expressa pelo verbo puder ser atribuída aos dois núcleos, o verbo ficará no
plural.
José ou Pedro assumirá a presidência da empresa.
Repare que há ideia de exclusão: só um deles assumirá a presidência, logo o
verbo deve ficar no singular. Já no exemplo abaixo não é isso que acontece:
Nem o síndico nem o porteiro entenderam a reação do morador.
Nesse caso, não há ideia de exclusão. A ação de entender (ou não) se aplica
aos dois núcleos: o síndico não entendeu e o porteiro também não.
Sujeito formado por pessoas diferentes
Você deve estar se perguntando que pessoas são essas. São as três pessoas do
discurso: a 1ª, que indica a pessoa que fala; a 2ª, que indica a pessoa com
quem se fala e a 3ª, que representa a pessoa ou coisa de que se fala. Bem, se o
sujeito é formado por pessoas diferentes, o verbo vai ser conjugado na pessoa
de número mais baixo e sempre no plural, já que há mais de um núcleo. É o
que se vê no exemplo abaixo:
Nós e eles viajaremos na mesma data.
Repare que o sujeito é formado pela 1ª pessoa (Nós) e pela 3ª (eles). Por esse
motivo, o verbo fica na 1ª do plural (viajaremos), que é a de número mais
baixo.
Quando o sujeito é formado pelo pronome tu e um pronome de
3ª pessoa, o verbo pode ir tanto para a 2ª pessoa do plural quanto
para a terceira. Veja o exemplo:
Tu e ele chegastes atrasados.
Tu e ele chegaram atrasados.
A opção pela 3ª pessoa, como se vê no segundo exemplo, é bem mais comum
no português do Brasil, já que usamos pouco a 2ª pessoa do plural.
Sujeito composto resumido por pronome
Os sujeitos compostos podem ser resumidos por pronomes indefinidos como
tudo, nada, ninguém etc. Nesses casos, o verbo concorda com o pronome,
ficando no singular. É o que se vê no exemplo abaixo em que o sujeito
composto joias, dinheiro, imóveis vem resumido pelo pronome tudo, que
leva o verbo para o singular:
Joias, dinheiro, imóveis, tudo lhe interessava.

A expressão haja vista é invariável. Haja visto é tempo composto do verbo ver:
Espero que vocês hajam visto a série.
Haja vista os fatos explicados por essa teoria.

Um caso especial é com o uso da palavra viva. A maioria dos gramáticos
considera como interjeição. Somente Bechara, Cegalla e Celso Cunha
consideram como verbo.
Viva os heróis! / Vivam os heróis!

Alguns verbos têm um comportamento especial no que diz respeito à
concordância, por isso é bom ficar atento a eles. Conheça agora esses verbos.
Haver
O verbo haver tem um uso especial quando é sinônimo do verbo existir e
também quando indica tempo decorrido, ou seja, tempo que já passou. Nessas
situações, nem pense duas vezes: ele será conjugado sempre na 3ª pessoa do
singular. É o que você pode ver nos exemplos a seguir:
Havia várias pessoas interessadas no assunto.
Há dois anos dedico-me a este projeto.

Se o verbo haver é impessoal, o verbo existir é pessoal e concorda com o
sujeito.

Fazer
O verbo fazer também terá o mesmo comportamento do verbo haver, ou
seja, ficará na 3ª pessoa do singular quando indicar tempo (tanto o tempo
cronológico quanto a condição do clima). Observe os exemplos:
Faz vinte anos que trabalho aqui (tempo cronológico).
Faz dias frios nesta época do ano (condição de clima).
Você já deve ter ouvido falar em verbos impessoais, não é? Pois
é assim que são chamados os verbos haver e fazer nas situações
apresentadas acima. Eles recebem esse nome, pois não variam
em pessoa, ficam sempre na 3ª do singular. Daí a classificação
impessoal. Vale a pena lembrar que as orações com esses verbos
não apresentam sujeito.
Aliás, a impessoalidade dos verbos haver e fazer é “contagiosa”. Isso
significa que, numa locução verbal formada por verbo auxiliar + verbo
principal haver ou fazer, o verbo auxiliar fica sempre na 3ª pessoa do
singular. É o que se vê nos exemplos abaixo:
Devia haver uns vinte alunos em sala.
Vai fazer quatro meses que não a vejo.
Repare que os verbos haver e fazer nas locuções acima são impessoais
(haver = existir; fazer = indicação de tempo) e, por serem os verbos
principais da locução, eles transmitem essa impessoalidade para os verbos
auxiliares, que, por isso, ficam na 3ª pessoa do singular. Isso também
acontece com outros verbos impessoais.
Dar, bater e soar
Você provavelmente já usou um desses verbos nas indicações de horas.
Nesses casos, eles concordam com o número das horas, que normalmente é o
sujeito.
Deram três horas no relógio.
Se o sujeito não for o número de horas, a regra acima não vale. E
o verbo deve concordar com seu sujeito.
O relógio deu três horas.
O verbo parecer seguido de infinitivo permite que você faça dois tipos de
concordância. Em uma delas, apenas o verbo parecer é flexionado. Essa é a
mais usada. Na outra, flexiona-se apenas o infinitivo. Veja os exemplos
abaixo:
As crianças parecem estar felizes.
As crianças parece estarem felizes.
Ser
Prepare-se para o verbo ser: a concordância com ele é cheia de detalhes. Em
várias situações, esse verbo não concorda com o sujeito e sim com o
predicativo. (Esqueceu do predicativo? Volte ao Capítulo 10 para refrescar
sua memória.) A boa notícia é que, em algumas situações, é você quem
escolhe se o verbo vai concordar com o sujeito ou com o predicativo. Tudo
vai depender do termo que você quiser destacar. Fique atento agora às
diferentes situações de uso do verbo ser:
Concordando com o predicativo
Muitas vezes, o verbo ser concorda com o predicativo, contrariando, assim, a
conhecida regra de que o verbo concorda com o sujeito. Veja em que
situações isso ocorre:
Quando o predicativo é um pronome pessoal reto:
Lembra dos pronomes pessoais retos? Eu, tu, ele, nós, vós, eles. Pois
bem, se o predicativo for um desses pronomes, o verbo concorda
obrigatoriamente com ele.
A professora sou eu.
Fique atento à seguinte situação: se o sujeito e o predicativo
forem pronomes pessoais retos, a concordância se faz com o
sujeito, pois é ele que tem prioridade. Veja só:
Eu não sou ele.
Quando o predicativo é um nome próprio:
Se o predicativo é um substantivo próprio, o verbo ser tende a
concordar com ele.
Tadeu era as esperanças da família.
Quando o predicativo indica hora, data, período de tempo ou distância
Nas indicações de hora, data, período de tempo ou distância, é o
predicativo que manda, ou seja, o verbo concorda com ele. Os
exemplos abaixo comprovam isso:
São duas horas.
Hoje são 28 de outubro.
São nove quilômetros até minha casa.
Quando o predicativo for o pronome demonstrativo o
Demonstrativo o? É isso mesmo. Em algumas situações, o vocábulo o
pode ser um pronome demonstrativo. Se você não se lembra disso,
volte ao Capítulo 6, na seção Demonstrativos menos famosos, e
refresque sua memória.
Bem, quando o predicativo for representado pelo pronome
demonstrativo o, o verbo vai concordar com ele, ficando no singular.
Dê uma olhada no exemplo.
Gentileza e simpatia era o que a definia.
Repare que o sujeito da oração é composto (gentileza e simpatia), mas
o verbo está no singular para concordar com o predicativo,
representado pelo demonstrativo o.
Quando o sujeito é o pronome tudo, isso, isto ou aquilo
Com certeza, você já ouviu a frase Nem tudo são flores. Pois bem, ela
ilustra de forma clara esta regra. Se o sujeito for um dos pronomes
listados acima (tudo, isso, isto, aquilo), a concordância normalmente é
feita com o predicativo. Mas isso não significa que, nesses casos, você
não possa concordar com o sujeito também. Veja um outro exemplo:
Quando o sujeito é o pronome interrogativo quem ou que:
Isso é / são sonhos de criança.
Nas perguntas com os pronomes interrogativos quem ou que, nem
pense duas vezes, pois a concordância do verbo com o predicativo é
obrigatória. Observe os exemplos.
Quem são vocês?
Que são gametas?
Quando o sujeito é um nome de coisa e o predicativo um substantivo
plural:
Fique de olho nesta regra: se o sujeito é um nome de coisa e o
predicativo está no plural, o verbo vai concordar com o predicativo. É
o que se vê no exemplo abaixo em que o núcleo do sujeito é o
substantivo comum casa e o predicativo papelões está no plural. Note
que o verbo está no plural para concordar com o predicativo.
A casa do cãozinho eram papelões.
Quando o sujeito é uma expressão coletiva ou partitiva:
O verbo também vai concordar com o predicativo quando o sujeito for
uma expressão coletiva ou partitiva (que indica parte) e o predicativo
estiver no plural. Veja os exemplos:
A maioria eram estudantes.
Grande parte são crianças.
O verbo ser nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, é
demais, é bastante etc., que indicam quantidade, medida, peso,
preço, distância, tempo, fica invariável. Isso significa que
o verbo ser, nesses casos, fica na 3ª pessoa do singular.
Dois quilos é suficiente.
Dez mil reais é pouco para a obra.

A expressão era uma vez, usada para contar histórias, é invariável,
mesmo que seguida de um substantivo plural.

Bem, quando se fala em concordância verbal, vale a pena relembrar dois
assuntos: o sujeito indeterminado com a palavra se e a voz passiva sintética,
que você conheceu nos Capítulos 9 e 10, respectivamente. Essas construções
são bem parecidas, mas o comportamento delas em relação à concordância é
bem diferente.
Em orações de sujeito indeterminado com a palavra se, o verbo fica
obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. É bom lembrar que o se funciona
como índice de indeterminação do sujeito apenas se estiver ligado a um
verbo que não é transitivo direto (intransitivo, transitivo indireto e verbo de
ligação).
Vive-se bem no campo. (viver = verbo intransitivo)
Precisa-se de funcionários com bons conhecimentos de português.
(precisar = verbo transitivo indireto)
Nunca se está totalmente satisfeito. (estar = verbo de ligação)
Nos exemplos acima, o se é índice de indeterminação do sujeito. E,
exatamente por não haver um termo com o qual possa concordar, o verbo fica
na 3ª pessoa do singular.
Já nas orações em que o se é pronome apassivador, o verbo concorda com o
sujeito paciente, podendo ficar no singular ou no plural. Vale lembrar que,
nessas construções, há sempre um verbo transitivo direto ou transitivo direto
e indireto, que são necessários para a voz passiva. Observe o exemplo:
Consertam-se relógios.
Na oração acima, o verbo consertar está no plural para concordar com o
sujeito relógios. É isso mesmo, relógios é o sujeito, pois a oração está na voz
passiva sintética. Lembra que o objeto direto da voz ativa passa a ser sujeito
da passiva? Assim, se o sujeito está no plural, o verbo fica também no plural.
No Capítulo 3, você conheceu as formas nominais dos verbos, entre elas o
infinitivo. Em português, o infinitivo pode ser impessoal, que é aquele que
não se flexiona de acordo com as pessoas do discurso; e pessoal, que, como o
nome já diz, indica as três pessoas do discurso.
E é justamente em relação ao infinitivo pessoal que as dúvidas começam: em
que situações devemos flexionar o infinitivo? Há muita discordância em
torno do assunto, mas há algumas recomendações que podem tornar esse
assunto menos complicado

Flexão obrigatória:
Quando o sujeito do infinitivo for diferente da oração anterior.
Ex.: Reconheço (eu) serem eles os melhores.
Quando o sujeito do infinitivo for indeterminado.
Ex.: Ele agiu assim para o elogiarem.

Flexão facultativa:
Quando os verbos mandar, fazer, sentir, deixar, ouvir, ver estiverem
seguidos de um substantivo, o infinitivo pode flexionar-se ou não.
Ex.: Ele deixou as meninas brincarem.

Flexão proibida:
Quando os verbos mandar, fazer, sentir, deixar, ouvir, ver estiverem
seguidos de pronome oblíquo (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos) +
infinitivo, não haverá flexão do infinitivo.
Ex.: Mandei-as brincar.
Quando o infinitivo for o verbo principal de uma locução verbal.
Ex.: Todos devem comparecer pela manhã.
Quando o infinitivo, precedido de preposição, funciona como
complemento de substantivo, adjetivo ou verbo.
Ex.: Fomos convidados a ficar.
Quando o infinitivo, precedido da preposição de, complementa um adjetivo
com valor passivo.
Ex.: Foram momentos difíceis de esquecer. (= de serem esquecidos)
Quando o infinitivo tem valor de imperativo.
Ex.: Direita, volver! / Soldados, marchar!

Você pode já ter ouvido a frase “Um chopes e dois pastel” que dá nome
a este capítulo. Bastante conhecida, a frase é usada para fazer
brincadeira com a suposta falta de concordância no falar dos
paulistanos. A brincadeira fica evidente pela presença da marca de plural
onde ela não é necessária (é só um chope) e na ausência dessa mesma marca
na palavra em que ela seria necessária (afinal, são dois pastéis).
Mas, brincadeiras à parte, a verdade é que a ausência da concordância
caracteriza a fala de muitos brasileiros de todas as regiões do país,
contrariando o que estabelece o padrão considerado culto.
Vários são os motivos que levam à ausência de concordância pelo falante.
Um deles é o fato de que as marcas de plural são, muitas vezes, redundantes,
isto é, elas se repetem e é exatamente por isso que elas são eliminadas por
alguns falantes. Por exemplo, na frase Esses livros são bons, o plural está
marcado no pronome esseS, no substantivo livroS, na forma verbal são e no
adjetivo bonS.
A essa altura, você deve estar pensando que, já que as marcas de
concordância se repetem, o melhor é simplificá-las. Bem, talvez isso até
aconteça um dia. Não seria a primeira vez, na história de uma língua, que a
linguagem oral alteraria a norma considerada culta. Mas esse tipo de
fenômeno só acontece bem lentamente. Assim, enquanto isso, fique atento às
regras de concordância nominal que serão apresentadas neste capítulo, pois o
domínio da variedade padrão da língua pode lhe abrir muitas portas.

No Capítulo 16, você aprendeu o que significa concordar e viu que existem
dois tipos de concordância: a verbal e a nominal. Também conheceu as regras
de concordância verbal. Agora é vez da concordância nominal.
Antes de mais nada, vale relembrar por que este tipo de concordância é
chamada de nominal. Nominal porque diz respeito aos nomes, isto é, aos
substantivos e às palavras dependentes dos substantivos: artigos, adjetivos,
numerais e pronomes.
A regra geral diz que artigo, adjetivo, numeral e pronome adjetivo (aquele
que acompanha o substantivo) acompanham o substantivo em gênero
(feminino / masculino) e número (singular / plural). O exemplo abaixo
comprova isso.
Comprei as minhas duas blusas estampadas na loja.
Repare que o artigo as, o pronome minhas, o numeral duas e o adjetivo
estampadas acompanham o substantivo blusas em gênero e número.
meninas brincarem.
Também em relação à concordância nominal, há situações que fogem à regra
geral. Você vai conhecê-las a partir de agora. Para facilitar a sua vida, cada
classe de palavras dependente do substantivo será tratada separadamente.
Assim, em primeiro lugar vamos ver a concordância com os adjetivos, que
exigem de você uma atenção maior. Em seguida, será a vez dos pronomes e,
por fim, dos numerais. Os artigos não serão tratados isoladamente, já que a
relação entre eles e os substantivos é mais simples.
Concordando com o adjetivo
O adjetivo concorda com o substantivo em gênero e número. Disso você já
sabe, mas, muitas vezes, a posição que ele ocupa em relação ao substantivo
ou a função sintática que ele desempenha na oração influenciam a
concordância.
Lembre-se de que os adjetivos podem desempenhar a função de predicativo
ou de adjunto adnominal. Se você quer relembrar essas funções antes de
seguir a leitura, volte aos Capítulos 10 e 11.
Conheça agora os diferentes casos de concordância nominal com os
adjetivos:
Dois ou mais substantivos e um adjetivo
Em algumas situações, o mesmo adjetivo pode estar ligado a mais de um
substantivo. Nesses casos, preste atenção à posição do adjetivo em relação ao
substantivo, pois ela faz toda diferença na hora de concordar.
Adjetivo anteposto aos substantivos
Se o adjetivo estiver antes dos substantivos, deverá concordar com o
substantivo mais próximo. É o que se vê no exemplo abaixo, em que o
adjetivo belas está anteposto aos substantivos paisagens e museus.
Belas paisagens e museus encantavam os visitantes.
Se o adjetivo se referir a substantivos próprios, vai
obrigatoriamente para o plural.
Os simpáticos Antônio e Lucas são amigos.
Se o adjetivo anteposto aos substantivos tiver a função de
predicativo, ele pode ir para o plural ou concordar com o
substantivo mais próximo.
Estava quebrada / estavam quebradas a cadeira e a mesa.
Adjetivo posposto aos substantivos
Se o adjetivo estiver depois dos substantivos, há duas possibilidades de
concordância: com o substantivo mais próximo ou com os dois substantivos.
É o que se vê nos exemplos abaixo:
Ele comprou sapatos e meias novas.
Observe que, no primeiro exemplo, o adjetivo novas concorda com o
substantivo meias, que está mais próximo. Já no segundo, o adjetivo
concorda com os dois substantivos, sapatos e meias.
Vale a pena lembrar que, em alguns casos, quando o adjetivo concorda
apenas com o substantivo mais próximo, não fica claro se o adjetivo
caracteriza somente o substantivo mais próximo ou os dois. É o que se
percebe no exemplo abaixo:
Ela tinha vestidos e joias caras.
Note que o adjetivo caras concorda com o substantivo joias. Desse modo,
a concordância é correta, mas a mensagem é ambígua: não fica claro
para quem lê se apenas as joias eram caras ou se os vestidos também eram.
Se você não quer deixar dúvidas, prefira a concordância com os dois substantivos:
Ela tinha vestidos e joias caros.
Pode parecer machismo, mas, quando o gênero dos substantivos
é diferente, prevalece o masculino plural. É o que sê no exemplo
acima: vestidos é masculino, joias é feminino. Assim,
prevaleceu a forma masculina do adjetivo: caros.
Se o adjetivo posposto ao substantivo for predicativo, o plural é
obrigatório. É o que se vê no exemplo abaixo:
A joia e o vestido eram caros.
Contudo, há casos em que a concordância atrativa é obrigatória:
Ele comprou um carro e um apartamento térreo.
Dois ou mais adjetivos e um substantivo
Quando houver dois ou mais adjetivos e um único substantivo, há duas
possibilidades de concordância. Na primeira delas, o substantivo fica no
singular e o artigo é usado antes do substantivo e do segundo adjetivo. É o
que se vê no exemplo abaixo:
Ela fala fluentemente a língua francesa e a alemã.
Outra possibilidade é colocar o substantivo no plural. Nesse caso, o artigo só
aparece antes do substantivo.
Ela fala fluentemente as línguas francesa e alemã.
Substantivo com valor de adjetivo
Às vezes, usamos substantivos com valor de adjetivo. Nesses casos, eles não
variam. É o que acontece com os substantivos monstro e vinho nos
exemplos abaixo. Eles estão caracterizando os substantivos manifestação no
feminino singular e blusas no feminino plural, mas ficam invariáveis.
Houve uma manifestação monstro contra a corrupção.
Ganhei duas blusas vinho.
Concordando com o pronome
Os pronomes concordam em gênero e número com os substantivos a que se
referem. Os exemplos abaixo deixam isso claro:
Certas pessoas têm o dom da palavra.
Procurou a irmã, mas não a encontrou.
Repare que o pronome Certas está no feminino plural para concordar com o
substantivo pessoas. Já o pronome a assume a forma de feminino singular
porque está retomando o substantivo irmã.
Se o pronome se referir a dois ou mais substantivos de gêneros
diferentes como acontece no exemplo a seguir, predomina o
masculino plural (os).
Ontem encontrei Pedro e Fátima, já não os via há meses.
São poucas as situações de concordância de pronome que podem gerar
dúvida. Fique atento apenas às seguintes construções com pronomes:
Expressões pronominais um e outro, nem um nem outro, um ou
outro
Essas expressões mantêm o substantivo no singular, mas o adjetivo vai para o
plural.
Um e outro objeto encontrados estavam em perfeito estado.
Observe que o substantivo objeto fica no singular, mas o adjetivo
encontrados vai para o plural.
Pronomes de tratamento
Os pronomes de tratamento são palavras femininas, mas a concordância
se faz com o sexo da pessoa.
Vossa Excelência está impressionado. - prefeito, governador, ministro, etc.
Vossa Excelência está impressionada. - prefeita, governadora, ministra, etc.
Concordando com o numeral
Os numerais, como você já sabe, concordam com o substantivo a que estão
ligados. É o que se percebe no exemplo abaixo em que o numeral um assume
a forma masculina para concordar com o substantivo aluno.
Só um aluno se atrasou.
Mas fique atento a outros casos de concordância do numeral apresentados
abaixo.
Milhar. milhão, bilhão e trilhão
Os numerais milhar, milhão, bilhão e trilhão são palavras masculinas.
Por isso mesmo, nunca são flexionadas no feminino. Veja o exemplo:
Os milhares de pessoas protestavam contra a corrupção. (e não “as
milhares”)
Numerais precedidos de artigo
Se os numerais estiverem precedidos de artigo, o substantivo ao qual os
numerais se ligam pode ficar no singular ou ir para o plural, a escolha é sua.
Veja os exemplos:
O primeiro e o segundo aluno / alunos da turma foram premiados.
Se apenas o primeiro numeral estiver precedido de artigo, o
substantivo vai para o plural.
A segunda e terceira séries farão prova hoje.
Concordância com o particípio
Os particípios concordam em gênero e número com o substantivo na voz passiva e
nas orações reduzidas
Foram autorizadas as visitas diurnas na praia nesta região.
Comprados os livros, todos se sentiram felizes.
Foram corrigidos o salário e a inflação.
Quando o particípio forma um tempo composto na voz ativa, permanece invariável.
Ela tinha vendido a casa.
Eles tinham vendido a casa.

Se o verbo tiver duplo particípio, usa-se apenas a forma irregular:
Eleito o governador, todos festejaram. (e não 'elegido o governador')
Impresso o convite, todos saíram empolgados. (e não 'imprimido o convite')

Palavras e expressões que merecem atenção
O mesmo é uma dessas palavras que merecem atenção, pois só varia se for
sinônimo de próprio, ou seja, quando for pronome. Quando mesmo
significar realmente, será advérbio, portanto ficará invariável. Os exemplos
abaixo comprovam isso:
A aluna mesma (= própria) fez o exercício.
Ela se mudou mesmo. (= realmente)
Mas não é só a palavra mesmo que merece atenção. Outras palavras e
expressões apresentam alguns detalhes de concordância que exigem de você
um cuidado especial. Fique de olho nelas a partir de agora.
Próprio, anexo, incluso, quite e obrigado
Você certamente usa muitas dessas palavras no seu dia a dia, mas nunca é
demais lembrar: elas concordam em gênero e número com o substantivo ou
pronome a que estão ligadas. Veja os exemplos:
Ela própria assumiu o risco.
Seguem anexos os documentos.
A foto está inclusa no pagamento.
João e o amigo estão quites.
Muito obrigada, disse ela.

A expressão em anexo é invariável: Os documentos seguem em anexo.

Muito, pouco, bastante
Fique de olho nas palavras acima. Elas podem deixar você confuso na hora
da concordância. Se estiverem funcionando como advérbios na frase, são
invariáveis. E como você vai saber se elas são advérbios? Simples, basta ver
a que palavras elas se referem. Se estiverem ligadas a verbos, adjetivos ou
outros advérbios, serão advérbios. Os exemplos abaixo ilustram isso:
Ela canta muito bem.
Ele come pouco pela manhã.
Os atletas treinaram bastante para bater o recorde.
Mas preste atenção: nem sempre os vocábulos muito, pouco e bastante são
advérbios. Podem ser pronomes indefinidos e, nesse caso, vão concordar com
os substantivos a que estão ligados. É o que se pode ver nos exemplos abaixo:
Fizeram muito barulho durante o jogo.
Foram poucos os convidados que confirmaram presença.
Enviaram bastantes mensagens de apoio.
A palavra bastante funciona exatamente como a palavra muito.
Portanto, se você estiver na dúvida em flexioná-la ou não, veja a
que termo ela se liga. Ligada a verbo, adjetivo ou advérbio, será
advérbio e permanecerá invariável; ligada a substantivo, será
pronome, apresentando possibilidade de flexão.

Bastante também pode ser um adjetivo, sinônimo de suficiente:
Temos motivos bastantes para o divórcio.

Meio
A palavra meio é outra que merece atenção. Ela pode atuar como numeral e,
nesse caso, pode se flexionar em gênero e número ou pode funcionar como
advérbio, permanecendo invariável. Ela também pode ser um substantivo,
neste caso varia em número. Os exemplos a seguir mostram isso:
Ela bebeu meia taça de vinho.
Isabel está meio cansada.
Os fins justificam os meios.
Note que, no primeiro exemplo, meia refere-se ao substantivo taça, indicando
metade. É um numeral e, exatamente por isso, concorda com o substantivo
taça. Já no segundo exemplo, meio está ligado ao adjetivo cansada,
indicando intensidade. É um advérbio, que como você já viu, é uma classe
invariável. No terceiro tempo, meios é substantivo, sinônimo de caminhos.
Você pode até achar estranho, mas, quando for numeral, meio
admite também a variação de número. Devemos dizer:
Comprei duas meias-entradas (e não “meia-entradas”).
Alerta e menos
Essas duas palavras nunca variam. Os exemplos abaixo confirmam isso:
Certos profissionais estão sempre alerta.
Gastei menos folhas de papel neste trabalho.
De acordo com a norma-padrão, não existe a forma menas.
Mesmo quando for pronome indefinido, o menos não deve
variar:
Menos pessoas usam táxi hoje em dia.
Note que o pronome indefinido menos não se flexiona, mesmo se referindo
ao substantivo feminino pessoas.
Alerta só vai para o plural quando for substantivo.
Só
Dependendo da frase, a palavra só pode ser um adjetivo ou um advérbio.
Como adjetivo, tem o sentido de sozinho e varia de acordo com o substantivo
a que se refere. Já como advérbio, equivale a somente e é invariável. Basta
então fazer a substituição. Observe os exemplos:
Só os funcionários tinham acesso àquela área. (= somente)
Crianças têm medo de ficar sós no escuro. (= sozinhas)
É bom, é necessário, é proibido, é permitido, é vedado
Observe com atenção as expressões formadas pelo verbo ser + adjetivo (é
bom, é necessário, é proibido, é permitido, é vedado), pois elas podem
permanecer invariáveis ou variar.
Se o sujeito não estiver precedido de artigo ou qualquer outro determinante,
a expressão fica invariável. É o que você pode ver nos
exemplos abaixo:
É proibido entrada de pessoas estranhas.
Era necessário disposição para aquele trabalho.
Repare que os núcleos do sujeito das duas orações (entrada e disposição)
não estão precedidos de artigo ou de qualquer outra palavra, por isso as
expressões é proibido e é necessário ficam invariáveis.
Mas, se os núcleos estiverem precedidos de artigo ou qualquer modificador,
as expressões concordam com o núcleo do sujeito. É isso que acontece nas
frases acima quando acrescentamos o artigo a e o pronome muita antes dos
núcleos do sujeito:
É proibida a entrada de pessoas estranhas.
Era necessária muita disposição para aquele trabalho.

Também são invariáveis: pseudo, salvo, tirante, exceto, de forma que,
de modo que, de sorte que, de maneira que, a olhos vistos.

Os adjetivos adverbializados também são invariáveis:
Precisamos falar sério com nosso irmão. (= seriamente)
Passei fácil no concurso. (= facilmente)
Saí rápido para o trabalho. (= rapidamente)

Você já deve ter ouvido a frase “Vale o que está escrito”, mas, em se tratando
de concordância, nem sempre isso acontece. Normalmente, fazemos a
concordância do verbo e dos nomes com os termos que estão expressos na
oração, ou seja, com aquilo que está escrito. Mas, às vezes, somos levados a
concordar não com o termo que está presente na oração e sim com a ideia que
ele passa. Essa concordância é chamada de silepse ou concordância
ideológica, mas não se assuste com o nome, pois esse tipo de concordância é
fácil de entender. Veja, no exemplo abaixo, como isso acontece:
A multidão ocupou as ruas por dois dias, gritavam palavras de ordem
e agitavam cartazes.
Repare que o núcleo do sujeito da primeira oração é a palavra multidão, que
tem a forma de singular, por isso a forma verbal ocupou também está no
singular. Mas a palavra multidão apresenta uma ideia de plural, o que levou
as formas verbais gritavam e agitavam, que estavam mais distantes do
sujeito, para o plural. Assim, nas duas últimas orações prevaleceu a ideia de
plural da palavra multidão (muitas pessoas) e não a forma singular da
palavra. Esse caso de silepse que envolve singular e plural é chamado de
silepse de número.
Existe também a silepse de gênero e a de pessoa. A de gênero ocorre quando
se troca o masculino pelo feminino ou vice-versa. É o que se vê no exemplo
abaixo:
Sua Senhoria ficou nervoso com o resultado.
No exemplo acima, o sujeito é representado por uma forma de tratamento
feminina (Sua Senhoria), mas o predicativo do sujeito (nervoso) está no
masculino. Fica evidente, assim, que a concordância não foi feita entre os
termos presentes na oração, mas sim com a ideia de que Sua Senhoria é um
homem.

Outro exemplo:
A bonita Porto Alegre está crescendo.
No exemplo, o adjetivo não está concordando com o termo Porto Alegre, que
gramaticalmente é masculino, mas com a palavra cidade, que está subentendida.

Já a silepse de pessoa diz respeito à mudança de pessoa. Esse tipo de silepse
é bem comum quando quem fala ou escreve se inclui num sujeito de 3ª
pessoa. É o que você vê no exemplo abaixo:
Todos acreditamos que o projeto dará certo.
O sujeito da oração acima é um pronome indefinido de 3ª pessoa do plural
(todos), mas o verbo está na 1ª pessoa do plural, indicando que o falante
também acredita que o projeto dará certo.
No Brasil, é muito comum usarmos no dia a dia o verbo assistir com o
sentido de ver sem a preposição a e o verbo chegar acompanhado da
preposição em e não da preposição a. Mas esses usos contrariam o
padrão culto da língua. E é exatamente disso que este capítulo vai tratar: de
regência, ou seja, da forma como verbos e nomes relacionam-se com seus
complementos.
E para que aprender regência? Bem, já deu para perceber que, em se tratando
de regência, há uma grande diferença entre o uso coloquial e o uso
considerado culto. Esse é um dos motivos de se estudar o assunto. Além dele,
o conhecimento da regência amplia a nossa capacidade expressiva, pois
permite conhecer as diversas significações que um verbo, por exemplo, pode
assumir com a simples mudança ou retirada de uma preposição, ajudando
você, assim, a construir frases claras.
Vale lembrar que esse assunto está intimamente ligado à classificação dos
verbos em intransitivos e transitivos. Por isso, antes de seguir a leitura, você
pode dar uma refrescada na memória, voltando ao Capítulo 9.
Para entender melhor este assunto, você precisa saber exatamente o que é
regência. A palavra regência vem do verbo reger que significa dirigir,
comandar, liderar. O regente de uma orquestra, por exemplo, é aquele que
conduz, que orienta um grupo de músicos.
E o conceito de regência para a gramática não é diferente. Existem termos em
uma oração que regem e outros que são regidos. Você viu, no Capítulo 9, que
há verbos e nomes que não têm sentido completo e, por isso, pedem um
complemento. A regência estuda justamente essa relação entre os verbos e
nomes e seus respectivos complementos. Assim, verbos e nomes são os
termos regentes (pois exigem a presença de outros) e os complementos são os
termos regidos. Recebe o nome de regência verbal aquela que trata da
relação entre verbo e seus complementos; a regência nominal, por sua vez,
analisa as relações dos nomes com os seus complementos. Observe os
exemplos abaixo:
Necessitava de ajuda naquele momento.
Tinha necessidade de ajuda naquele momento.
No primeiro exemplo, temos o verbo necessitar, que pede um complemento
acompanhado obrigatoriamente da preposição de. Isso significa que há, entre
o verbo necessitar e o complemento de ajuda, uma relação de dependência.
Assim, necessitar é o termo regente e de ajuda o termo regido.
Você também pode perceber essa mesma relação de dependência entre o
substantivo necessidade e o complemento de ajuda. Nesse caso, a regência é
nominal, pois o regente é o substantivo necessidade e o regido, o termo de
ajuda.
Provavelmente, você está se perguntando como saber a regência de um verbo
ou um nome. Bem, o conhecimento da regência de cada verbo é uma questão
de uso. Isso significa que acabamos conhecendo a regência dos verbos e dos
nomes que usamos com mais frequência. Gostar de, referir-se a, devoção a,
compatível com são exemplos de regência bem conhecidos. Para conhecer a
regência de verbos e nomes que estão fora do seu uso cotidiano, você pode
recorrer a um bom dicionário de regência. Mas uma boa dica também é seguir
a leitura e conhecer como determinados verbos e nomes se relacionam com
seus complementos.
Quando o Verbo É o Regente: Casos de Regência Verbal
Como você já deve ter percebido, quando falamos em regência verbal,
estamos tratando da relação entre o verbo e seu(s) complemento(s), ou seja,
estamos identificando se o verbo tem ou não complemento e, se tiver, de que
forma ele se relaciona com esse complemento, com ou sem preposição.
Mas há casos de regência verbal que merecem um cuidado especial, pois o
uso popular difere do uso culto. E há ainda aqueles verbos que alteram o
significado conforme alteram a regência. Para tentar organizar seus
conhecimentos sobre regência, lá vai uma lista de vários verbos que
costumam gerar dúvida. Fique de olho neles!
Brigando com a norma-padrão
No início deste capítulo, foram apresentados alguns verbos que apresentam
certa dificuldade em relação à regência, pois, muitas vezes, seu emprego na
linguagem coloquial é diferente daquele previsto pela norma-padrão. Abaixo,
há uma relação desses verbos. Fique de olho neles!
Assistir
É bem provável que você empregue o verbo assistir com o sentido de ver
sem preposição, mas não é isso que o padrão culto recomenda. Nesse sentido,
o verbo deve vir acompanhado da preposição a.
Assistimos a este filme duas vezes. (E não “Assistimos esse filme”.)
O verbo assistir também pode ser empregado com outros
sentidos. No sentido de ajudar, prestar assistência não pede
preposição, ou seja, é transitivo direto. No sentido de pertencer é
transitivo indireto com a preposição a. E há ainda um outro sentido
do verbo assistir, é o sentido de morar.
Nesse sentido, o verbo é intransitivo e a preposição que você
deve usar é em. Os exemplos abaixo mostram isso:
O médico assistiu (= prestou assistência) o doente.
Este direito não assiste (= pertence) aos alunos.
Eles assistem (= moram) em Copacabana.

No sentido de ver, não aceita os pronomes lhe e lhes.
No sentido de pertencer, aceita os pronomes lhe e lhes.

Chegar
Na linguagem coloquial, o verbo chegar costuma ser empregado com a
preposição em, mas, de acordo com a norma-padrão, a preposição adequada é
a. É o que se vê no exemplo abaixo:
Chegamos a São Paulo bem cedo. (E não “em São Paulo”.)

Só se usa a preposição em na indicação de tempo: Cheguei em cima da hora.

Custar
No sentido de ser custoso, ser difícil, o verbo custar vem acompanhado da
preposição a. Além disso, deve ser usado somente na 3ª pessoa do singular,
tendo como sujeito uma oração subordinada reduzida. Veja o exemplo:
Custou ao aluno entender o assunto.
Na linguagem coloquial, é comum usarmos esse verbo com o sentido de
demorar ou ter dificuldade, tendo como sujeito uma pessoa, é o que se
observa na frase: Eu custei a chegar ao trabalho. Mas é bom lembrar que
esse uso não é recomendado pelo padrão culto. Só produtos e serviços custam.
Há um outro sentido do verbo custar, o de ter valor. Neste caso, é
intransitivo e acompanhado de adjunto adverbial de preço. Veja o exemplo:
A casa custou duzentos mil reais.
Implicar
Você provavelmente já empregou o verbo implicar com o sentido de
acarretar, ter como consequência. Nesses casos, o verbo implicar não pede
preposição, ou seja, é um verbo transitivo direto. Mas, no uso coloquial, é
bem comum aparecer acompanhado pela preposição em. Evite, nesse sentido,
a preposição, pois contraria a norma-padrão. Veja o exemplo:
O excesso de velocidade implica multas altas. (E não “implica em”.)
O sinônimo resultar exige a preposição em:
Faltas sem justificativa resultam em demissão.
Mas, se o sentido do verbo implicar for ter implicância, é empregada a
preposição com.
Implicava sempre com a irmã.
Se o sentido de implicar for envolver-se, somente nesse sentido deve ser
usada a preposição em.
Ela se implicou em tráfico de influência.
Ir
O verbo ir tem a mesma regência do verbo chegar, ou seja, deve ser usado
com a preposição a.
Vou ao clube todos os dias. (E não “no clube”.)
Namorar
Será que você anda namorando como deve? É muito comum empregarmos o
verbo namorar acompanhado da preposição com, mas esse verbo exige
complemento sem preposição. Os verbos casar e noivar exigem a preposição
com.
João namora Ana. (E não “com Ana”.)
Obedecer
Seja obediente: o verbo obedecer pede a preposição a, ou seja, é um verbo
transitivo indireto e não direto, como costuma ser usado na linguagem
coloquial. Veja o exemplo:
Obedecemos ao regulamento do edifício.
O antônimo desobedecer segue a mesma regência.
Seus sinônimos respeitar e desrespeitar são VTD.
É bom lembrar que os verbos obedecer e desobedecer são os
únicos transitivos indiretos que aceitam voz passiva, porque
antigamente eles eram transitivos diretos.
As leis de trânsito não são obedecidas em muitas cidades do país.
Pedir
O verbo pedir é outro exemplo da distância entre o que você fala no dia a dia
e aquilo que o padrão culto determina. Esse verbo só deve ser acompanhado
da preposição para se as palavras permissão ou autorização estiverem subentendidas.
Mas se o que você quer é pedir que alguém faça alguma coisa para você, diga
Peço que... Os exemplos abaixo deixam isso claro:
O aluno pediu para sair mais cedo. (= autorização)
Acabei de pedir para ir ao banheiro. (= permissão)
O juiz pediu que trouxessem a testemunha.
O sentido do verbo pedir pode mudar totalmente dependendo da
preposição usada (a ou para). Assim, pedir alguma coisa a
alguém é pedir que alguém atenda ao que foi pedido. Já pedir
alguma coisa para alguém é pedir alguma coisa em favor de
alguém. Veja como isso fica claro nos exemplos abaixo:
A população pediu ajuda aos policiais. (= pediu que os policiais
ajudassem.)
A Igreja pediu ajuda para os pobres. (= pediu em favor dos pobres.)
Preferir
O emprego do verbo preferir na linguagem coloquial também costuma
contrariar o padrão culto. Esse verbo exige dois complementos: um sem
preposição, outro com a preposição a e não com a preposição de, como é
usado informalmente.
Prefiro ônibus a metrô. (E não “do que metrô”.)
É bem comum ouvirmos por aí as pessoas dizendo que
“preferem mil vezes uma coisa do que outra”. Esse tipo de
construção é um pleonasmo, pois o verbo preferir já
traz implícita a ideia de gostar mais de.

Se você substituir o verbo preferir pelo verbo gostar, pode dizer
'Gosto mais disso do que daquilo'.
Mudando o sentido de acordo com a regência
Você acabou de ver situações de desencontro entre o uso popular e o uso
culto em relação à regência de alguns verbos. Agora vai ser apresentado a
verbos que alteram seu significado conforme alteram a regência. Venha
conhecê-los!
Aspirar
Você certamente já empregou o verbo aspirar no sentido de inalar, respirar
e também no sentido de desejar, pretender. Resta saber se você escolheu a
regência adequada para cada caso. Lembre-se que, no sentido de respirar, o
verbo aspirar não pede preposição, ou seja, é transitivo direto. Já no sentido
de desejar, é transitivo indireto e exige a preposição a. É o que se vê nos
exemplos:
Aspirava (= respirava) o ar puro das montanhas durante as férias.
O funcionário aspirava a (= desejava) uma promoção na empresa.
Chamar
Vou aproveitar e chamar você à atenção: o verbo chamar pode apresentar
vários sentidos. E o primeiro deles acaba de ser apresentado: repreender.
Nesse sentido, chamar é transitivo direto e indireto. Esse verbo também pode
ser empregado no sentido de convocar ou mandar vir e, nesse caso, é
transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Um outro uso desse verbo é
no sentido de invocar, neste caso exige a preposição por.
O professor chamou (= repreendeu) o aluno à atenção.
Chame (= convoque) as crianças para o lanche.
Ele chamava (= invocava) por Deus.
O verbo chamar também pode ser usado no sentido de
qualificar, apelidar alguém, podendo ser tanto transitivo direto,
quanto indireto. É você quem decide, pois todas as opções
abaixo são consideradas corretas. Nesse sentido, haverá sempre
um predicativo do objeto na oração, que, nos exemplos a seguir é
a palavra bobo.
Chamei o menino de bobo.
Chamei ao menino de bobo.
Chamei o menino bobo.
Chamei ao menino bobo.
Proceder
Mais um verbo para a sua coleção: proceder apresenta três sentidos
diferentes em função da transitividade. No sentido de ter fundamento e de
comportar-se não exige complemento, ou seja, é intransitivo. Outro sentido
possível é originar- se, vir de algum lugar. Nesse caso, é transitivo indireto
e pede a preposição de. Já no sentido de dar início, realizar, a preposição
exigida é a. É o que você pode comprovar nos exemplos abaixo:
Aqueles boatos não procedem. (= têm fundamento)
O último voo procede de Paris. (= vem)
O médico procedeu a um exame detalhado. (= realizou)
Ela procedeu calmamente. (= se comportou)
Querer
Quer conhecer a regência deste verbo? Então, vamos lá: querer no sentido de
desejar é transitivo direto, isto é, pede complemento sem preposição. Já no
sentido de estimar, ter afeto, exige a preposição a. Veja os exemplos:
Quero uma casa confortável. (= desejo)
Quero bem a todos da família. (= estimo)
Visar
O verbo visar também varia de sentido de acordo com a regência: visar nos
sentidos de mirar, apontar, pôr visto ou rubricar é transitivo direto, ou seja,
não exige preposição. Já no sentido de ter em vista, é acompanhado pela
preposição a. Observe os exemplos.
O atirador visou o alvo com precisão. (= mirou)
Visamos a um futuro tranquilo. (= temos em vista)
Precisar
Você precisa conhecer a regềncia desse verbo: no sentido de necessitar
exige a preposição a; no sentido de determinar com precisão, é transitivo
direto. Veja os exemplos:
A testemunha precisou o local do acidente. (= determinou)
Precisamos de cuidados diários. (= necessitamos)
Reparar
Esse verbo é sinistro: no sentido de observar, é acompanhado pela preposição
em; no sentido de consertar ou indenizar, não exige preposição. Veja os exemplos:
O técnico reparou a TV. (= consertou)
A empresa reparou os danos. (= indenizou)
Repare nessa situação. (= observe)

Os verbos aspirar e visar, nos sentidos de ter em vista, mesmo com a preposição a,
não aceitam o pronome lhe.
Por isso, se dissermos 'O Brasil aspira ao hexa', não podemos dizer 'O Brasil
aspira-lhe', mas sim 'O Brasil aspira a ele'.
Se dissermos 'João visa ao cargo de servidor público', não podemos dizer 'João
visa-lhe', mas sim 'João visa a ele'.

Há verbos que regem a mesma preposição do prefixo: depender de, aderir a,
incluir em, concordar com, conviver com, embarcar em, instalar em, inserir em,
compartilhar com, compactuar com, incorrer em, peregrinar por, interpor entre.

Mudando a regência sem alterar o sentido
Agora a situação é diferente: os verbos abaixo podem apresentar mais de uma
regência, mas o sentido de cada um deles não altera. Conheça que verbos são
esses.
Agradecer, pagar e perdoar
Você deve estar se perguntando o que esses verbos têm em comum. Na
verdade, os três apresentam objeto direto que representa coisa e objeto
indireto que representa pessoa. Os exemplos abaixo confirmam isso:
Agradeci a meus pais o presente.
Paguei o valor solicitado ao síndico.
O padre perdoou o pecado ao jovem.
Note que, em todos os exemplos, os objetos indiretos estão representados por
pessoa: a meus pais, ao síndico, ao jovem e os objetos diretos por coisa: o
presente, o valor solicitado, o pecado.
Informar
Esse verbo é, sem dúvida, muito versátil. Ele tanto pode apresentar objeto
direto representado por coisa e objeto indireto representado por pessoa
quanto o contrário. A escolha é sua. Os exemplos abaixo deixam isso claro:
Informei as datas de prova aos alunos — repare que, nesse exemplo, o
objeto direto é representado por coisa (as datas de prova) e o objeto
indireto por pessoa (aos alunos).
Informei os alunos das (ou sobre as) datas de prova — já nesse
exemplo o objeto direto indica a pessoa (os alunos) e o objeto indireto a
coisa (das datas de prova).
Mesma regência vale para os verbos avisar, notificar, certificar, cientificar e
prevenir.
Lembrar e esquecer
Desses verbos você não pode se esquecer: eles podem ser usados como
transitivos diretos, isto é, sem preposição, ou como transitivos indiretos
acompanhados da preposição de. Mas fique de olho em um detalhe muito
importante: quando forem transitivos indiretos, esses verbos são pronominais,
ou seja, são acompanhados de pronomes átonos. É o que você vê nos
exemplos abaixo:
Lembrei o dia do seu aniversário.
Lembrei-me do dia do seu aniversário.
Ela nunca esquecia os amigos de infância.
Ela nunca se esquecia dos amigos de infância.
O verbo lembrar, no sentido de fazer recordar, advertir, é usado
com objeto indireto de pessoa e objeto direto, que indica a coisa
a ser lembrada.
Lembrei a todos o dia da comemoração. (a todos = objeto indireto de
pessoa; o dia da comemoração = objeto direto de coisa.
Abdicar, desdenhar e gozar
Não desdenhe desta informação: os verbos abdicar, desdenhar e gozar
podem ser usados como transitivos diretos ou indiretos, com a preposição de.
Abdicou suas funções. / Abdicou de suas funções.
Desdenhava as críticas recebidas. / Desdenhava das críticas
recebidas.
Sempre gozou privilégios na empresa. / Sempre gozou de privilégios
na empresa.
Acreditar e necessitar
Talvez você não acredite, mas é verdade: esses dois verbos, que normalmente
são usados com as preposições em e de, respectivamente, podem ser
empregados sem preposição, ou seja, como verbos transitivos diretos.
Não acreditavam em uma derrota. / Não acreditavam uma derrota.
Necessitamos de toda ajuda possível. / Necessitamos toda ajuda
possível.
Atender, anteceder, preceder, presidir e renunciar
Não renuncie ao seu direito de escolha: os verbos atender, anteceder,
preceder, presidir e renunciar admitem duas construções — uma transitiva
direta, outra indireta com a preposição a, sem qualquer alteração de sentido.
Observe os exemplos:
Atendeu o meu pedido. / Atendeu ao meu pedido.
Seu telefonema antecedeu meu pedido de desculpas. / Seu telefonema
antecedeu ao meu pedido de desculpas.
A palestra precedeu o coquetel. / A palestra precedeu ao coquetel.
Os próprios alunos presidiram o encontro. / Os próprios alunos
presidiram ao encontro.
Renunciou os benefícios do cargo. / Renunciou aos benefícios do
cargo.
Almejar e ansiar
Esses dois verbos têm muita coisa em comum. Além do sentido de desejar,
eles podem ser usados sem preposição ou com a preposição por (pelo, pela,
pelos, pelas). Veja os exemplos:
Almejo dias melhores. / Ansiava dias melhores.
Ansiava novas experiências. / Ansiava por novas experiências.
Atentar
Atente para este fato: o verbo atentar admite três regências diferentes. Isso
dá a você muita liberdade ao empregar este verbo. Ele pode ser usado sem
preposição ou com as preposições em ou para.
Atentava os mínimos detalhes.
Atentava nos mínimos detalhes.
Atentava para os mínimos detalhes.
Cogitar
O verbo cogitar também admite três regências diferentes. Ele pode ser usado
sem preposição ou com as preposições de ou em. A escolha é toda sua.
Cogitei um novo plano.
Cogitei de um novo plano.
Cogitei em um novo plano.
Você Está Proibido de “Entrar e Sair de” Qualquer
Lugar
Você, com toda certeza, não está entendendo o título acima. Na verdade, ele
reproduz um tipo de construção muito comum na linguagem coloquial, mas
condenado pelo padrão culto. Nessas construções, verbos de regências
diferentes recebem um único complemento.
Assim, para estar de acordo com a norma-padrão, sempre que você formar
um período com verbos de regências diferentes, repita o complemento ou
substitua-o por outra palavra. Desse modo, um período com os verbos
entrar, que exige a preposição em, e sair, que pede a preposição de, fica
estruturado da seguinte forma: Entre na loja e saia de lá em seguida e não
“Entre e saia da loja em seguida”.
Somente verbos de mesma regência podem ter um só complemento:
Li e comprei o livro. (ler e comprar são transitivos diretos)
Pronomes Relativos e Preposições: Uma Dupla do
Barulho
Em algumas situações, o pronome relativo vem precedido de preposição. Isso
depende diretamente da regência do verbo ao qual o pronome relativo se liga.
Mas a grande verdade é que, na linguagem coloquial, essas preposições que
antecedem o pronome relativo costumam ser esquecidas.
É bem comum, por exemplo, ouvirmos por aí frases do tipo “O futebol é o
esporte que o brasileiro mais gosta”. Com certeza, quem não deve estar
gostando nada disso é seu professor de português, que ensinou a você que o
verbo gostar pede a preposição de. Assim, a frase adequada, de acordo com a
norma-padrão, é: O futebol é o esporte do qual o brasileiro mais gosta.
Note que o pronome relativo que substitui o termo esporte,
funcionando como complemento do verbo gostar. Como o verbo gostar é
transitivo indireto, a preposição exigida por ele (de) se desloca para a frente
do complemento (que).
É bem provável que você esteja se perguntado como saber se há ou não
preposição antes do pronome, ou qual é essa preposição. Na verdade, é
simples, é o verbo que está logo depois do pronome relativo que vai dizer se
a preposição é necessária ou não. Por isso, pergunte a ele.
Veja só a frase, que está inadequada do ponto de vista da norma-padrão: “A
aluna a qual falei chama-se Maria”.
No exemplo, a forma verbal que aparece depois do pronome relativo (a qual)
é falei. Bem, o verbo falar pede preposição: falamos de alguém ou com
alguém e não “falamos alguém”. A preposição com ou de é necessária nesse
caso. Logo, basta colocar a preposição na frente do pronome relativo. Assim,
diga:
A aluna com a qual falei chama-se Maria (se você estiver falando com
a Maria)
ou
A aluna da qual falei chama-se Maria (se você estiver falando sobre a
Maria).
Sempre que o pronome relativo for antecedido de preposição
com mais de uma sílaba, use o relativo o qual (e suas flexões),
como no exemplo a seguir:
Está esgotado o livro sobre o qual falamos ontem.
Note que a preposição sobre apresenta mais de uma sílaba, por isso o ideal é
que se use o pronome relativo o qual e não que.

O pronome que só aceita preposições monossilábicas (exceto sem e sob).
O pronome o qual aceita qualquer preposição. Todavia, será usado de forma
obrigatória com preposições de mais de uma sílaba ou locuções prepositivas.

Que pronome escolher para substituir o complemento de um verbo? Esse
assunto está intimamente relacionado à regência verbal. Você já sabe que
tanto o objeto direto quanto o objeto indireto podem ser substituídos pelos
pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos,
vos). Lembra deles? Se você quiser dar uma relembrada nesse assunto, basta
voltar ao Capítulo 6.
Essa substituição em geral acontece quando estamos escrevendo um texto e
não queremos repetir determinada palavra. É o que você pode ver na frase
Encomendei os livros, mas ainda não os recebi. Para não repetir a palavra
livros, foi usado o pronome oblíquo os.
Mas é bom prestar atenção a um detalhe ao fazer essa substituição: alguns
pronomes oblíquos só podem substituir determinados tipos de complemento
verbal. Por exemplo, os pronomes oblíquos o, a, os, as substituem o objeto
direto. Já os pronomes lhe, lhes ficam no lugar do objeto indireto. E os
pronomes me, te, se, nos e vos podem substituir tanto o objeto direto quanto o
indireto.
Nas frases a seguir, isso fica bem claro:
Eu vi João ontem / Eu o vi ontem — o pronome oblíquo o foi usado
para substituir o termo João, que funciona como objeto direto, pois o
verbo ver é transitivo direto.
Entregou o livro ao aluno / Entregou-lhe o livro — nesse caso, o
pronome oblíquo lhe foi empregado para substituir o objeto indireto ao
aluno, pois o verbo entregar é transitivo direto e indireto.
Ele nos viu ontem / Entregou-nos o livro — repare agora como o
pronome oblíquo nos (e também os pronomes me, te e vos) podem
funcionar tanto como objeto direto quanto objeto indireto. No primeiro
caso, o pronome nos é objeto direto; no segundo, é objeto indireto.
Já falamos um pouco sobre a regência nominal no início deste capítulo, mas
não custa relembrar: a regência nominal trata das relações de dependência
entre os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) e seus complementos. É
isso mesmo, os nomes, da mesma forma que os verbos, também pedem
complementos para ampliar seu sentido. Assim, o nome é chamado de termo
regente e o complemento, termo regido.
Uma boa dica para identificar a regência de alguns nomes é compará-los com
os verbos dos quais eles derivam. Por exemplo, se você quer saber a regência
dos nomes referência (substantivo), referente (adjetivo) ou referentemente
(advérbio), busque a regência do verbo referir, pois, de modo geral, a
regência é a mesma. Assim, como referir-se pede a preposição a, referência,
referente e referentemente também funcionarão do mesmo modo.
Uma boa notícia sobre a regência nominal é que há pouca divergência entre o
uso coloquial e aquilo que a norma-padrão estabelece, ao contrário do que
ocorre com a regência verbal.
Exemplo clássico é o do adjetivo apaixonado. Muitos falam 'estou apaixonado
nessa camisa'. Essa palavra rege a preposição por, e não em. O correto é
'Estou apaixonado por essa camisa'.
Outro exemplo é o dos substantivos deputado e senador. Muitos falam
'Lucas é deputado do Maranhão' ou 'Paulo é senador do Ceará'. Essas palavras
regem a preposição por, e não de. O correto é 'Lucas é deputado pelo Maranhão' e
'Paulo é senador pelo Ceará'.

Alguns nomes admitem mais de uma preposição. A escolha de
uma ou outra preposição pode ou não alterar. Os exemplos
abaixo mostram isso:
A falta às aulas prejudicou o aluno.
Maria estava em falta com os amigos.
Tinha aversão a baratas. / Tinha aversão por baratas.
Repare que o substantivo falta varia de sentido dependendo da preposição.
Se estiver acompanhado da preposição a, significa ausência (= a ausência às
aulas). Mas, seguido da preposição com, equivale à expressão em dívida
(Maria estava em dívida). Já o substantivo aversão não tem seu sentido
alterado com a troca de preposições: tanto aversão a baratas quanto aversão
por baratas indicam repulsa.
É comum vermos em alguns estabelecimentos comerciais a frase
“Entregas a domicílio”. Nesse caso, contudo, a entrega é feita em
algum lugar e não a algum lugar, por isso a construção adequada
é Entregas em domicílio.

Os advérbios terminados em mente seguem a mesma regência do adjetivo:
contrário / contrariamente a, diferente de / diferentemente de,
relativo / relativamente a, favorável / favoravelmente a,
paralelo / paralelamente a, compatível / compativelmente com

Há nomes que regem a mesma preposição dos seus prefixos:
demissão / demitido de, dependente / dependência de, inclusão / incluído em,
convívio / convivência com, imerso / imersão em, instalado / instalação em,
interesse / interessado em, intercalado / intercalação entre, supremacia sobre

Nos Capítulos 9, 10 e 11, você conheceu os termos que formam uma
oração. Agora é hora de ver como eles se organizam na oração. O
modo de dispor os termos em uma oração varia de língua para língua.
Cada uma possui seus mecanismos. No inglês, por exemplo, o adjetivo
precede o substantivo a que se refere. Já em português, há mais liberdade de
colocação do adjetivo em relação ao substantivo: o mais comum é o adjetivo
ocorrer depois do substantivo, mas nada impede que o coloquemos antes.
Conheça agora qual a ordem mais comum dos termos da oração em
português.
Antes de mais nada, é importante saber exatamente o que é sintaxe de
colocação. É isso mesmo que você está pensando: a questão da colocação dos
termos da oração faz parte dos estudos de sintaxe. Aliás, verificar a posição
do termo na frase é fundamental para estabelecer as relações de concordância
e de regência, que você acabou de conhecer nos Capítulos 16, 17 e 18.
Na verdade, a sintaxe de colocação trata da ordem dos termos na oração. Em
português, a colocação dos termos na frase é, na maioria das vezes, livre. É
claro que há alguns limites, pois, em alguns casos, a mudança da ordem pode
alterar totalmente o significado da oração. As frases a seguir confirmam isso:
Do terraço, o público assistiu ao espetáculo.
O público assistiu ao espetáculo do terraço.
Note que a simples mudança de posição do termo do terraço altera
completamente o sentido original da oração. Na primeira, o público estava no
terraço e de lá assistiu ao espetáculo; na segunda, o espetáculo era encenado
no terraço. Isso significa que, em se tratando de colocação de palavras, a
ordem dos fatores pode sim alterar o produto.
Por isso, fique atento: há alguns princípios que controlam a colocação de
palavras, como a clareza do significado, a ênfase que se quer dar a
determinado termo e a eufonia, ou seja, o bom som da frase.
Na língua portuguesa, existe uma ordem mais comum de os termos
aparecerem na oração. É a chamada ordem direta. Nessa ordem, os termos
regentes precedem os termos regidos. Assim, a ordem direta, também
chamada de natural ou canônica, é a seguinte: sujeito → verbo →
complemento do verbo → adjuntos adverbiais.
Os alunos fizeram a prova ontem.
Na ordem inversa, a sequência lógica dos termos é alterada, e o verbo vem
antes do sujeito, os complementos ou adjuntos antes do verbo. Veja como fica a
oração acima na ordem inversa.
Ontem, os alunos fizeram a prova.
Em algumas construções da língua portuguesa, o mais comum é
os termos aparecerem na ordem inversa. É o que acontece na voz
passiva sintética, aquela que utiliza a palavra se. Nessas
construções, o sujeito vem normalmente depois do verbo. É o
que se vê no exemplo abaixo, em que o sujeito paciente
apartamentos está posposto ao verbo.
Vendem-se apartamentos naquele condomínio.
Faça o que Eu Digo, Não Faça o que Eu Faço: A
Colocação de Pronomes Átonos
Você viu, no Capítulo 6, que os pronomes pessoais oblíquos podem ser
átonos ou tônicos. E o que isso significa exatamente? Na verdade, isso tem a
ver com a forma como esses pronomes são pronunciados. Os tônicos
apresentam acento tônico. Já os átonos (me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos,
vos) são pronunciados de maneira fraca e, por isso, sua pronúncia acaba se
apoiando na sílaba tônica de outra palavra, o verbo. Você até já deve ter
sentido na pele a dificuldade de escolher o lugar ideal para colocar um desses
pronomes átonos na frase no momento de escrever um texto. Me diga ou
diga-me? Essa dúvida é bem comum e atormenta muita gente.
O grande problema desse assunto é que esses pronomes só são átonos no
português de Portugal. No Brasil, eles estão longe de ser átonos, podemos até
dizer que são quase tônicos. Por exemplo, no Brasil, quando pronunciamos o
pronome átono te, falamos “ti”, não é? Ou seja, o pronome átono te é
pronunciado da mesma maneira que o tônico ti. E, exatamente por isso,
ficamos com mais liberdade de colocar esses pronomes na frase.
Assim, as regras de colocação pronominal do português falado em Portugal
não refletem a maneira como empregamos os pronomes átonos aqui e ficam
muito artificiais. Por isso, muitos gramáticos defendem mais liberdade na
colocação dos pronomes átonos no Brasil. Mas mesmo assim, em muitas
situações, ainda se considera como norma-padrão a colocação pronominal de
Portugal. Resultado: o que as gramáticas “dizem” não corresponde ao que se
“faz” efetivamente em termos de colocação pronominal. Mas, ainda que o
uso contrarie muitas vezes as regras de colocação pronominal presentes nas
gramáticas, é bom que você conheça algumas dessas regras para aqueles
momentos de maior formalidade.
Onde pode ficar o pronome átono?
Antes de mais nada, você precisa saber que os pronomes oblíquos podem
ficar em três posições em relação ao verbo:
antes do verbo = próclise — Não me diga!
depois do verbo = ênclise — Encontrei-o no cinema.
no meio do verbo = mesóclise — Dir-lhe-ei toda a verdade.
Agora que você já sabe em que posições os pronomes átonos podem aparecer
na frase, vamos ver o que faz com que os pronomes átonos fiquem antes,
depois ou no meio do verbo.
Mas você deve estar se perguntando qual a razão de saber quando se coloca o
pronome átono no meio do verbo se nunca falamos dessa maneira, nunca
dizemos frases do tipo “Entregar-lhe-ei o documento amanhã”.
Realmente, na prática, quase não usamos a mesóclise. Às vezes, até criamos
uns artifícios, uns truques para fugir dela quando escrevemos. Mas, se essa é
uma possibilidade de construção da língua portuguesa e se o assunto ainda é
cobrado em concursos públicos, vale a pena entender o mecanismo da
mesóclise.
Colocando o pronome antes do verbo: a próclise
Existem umas palavrinhas que são verdadeiros ímãs para os pronomes
átonos. Sempre que aparecem, os pronomes vão para perto delas. São até
chamadas de palavras atrativas. Quando essas palavras estão na frase, o
pronome átono vai para a frente do verbo para ficar mais perto delas. Assim,
ocorrerá a próclise (colocação do pronome antes do verbo) sempre que
algumas das palavras abaixo aparecer antes do verbo:
palavras negativas (não, jamais, ninguém, nada, jamais, nem): Ninguém
me telefonou.
advérbios que não vêm separados por vírgulas (amanhã, aqui, hoje,
ontem, talvez, sempre, muito etc.): Ontem me encontrei com amigos
de infância.
Mas repare que, se houver vírgula depois do advérbio, o pronome fica
depois do verbo: Ontem, encontrei-me com amigos de infância.
pronomes relativos (que, o qual, quem, cujo, quanto etc.): A aluna
que lhe pediu o livro chama-se Maria.
pronomes indefinidos (algo, alguém, muitos, poucos, todos, tudo
etc.): Tudo se resolveu da melhor maneira possível.
pronomes demonstrativos (este, esse, aquele, esta, essa, aquela,
isto, isso, aquilo): Esse me causou espanto.
pronomes e advérbios interrogativos (que, quem, qual,
quanto, como, onde, por que, quando): Como se escreve seu nome?
palavras exclamativas (como, quanto, quem, etc.): Como nos alegrou
a sua chegada!
conjunções subordinativas (como, conforme, desde que, embora, já
que, que, se, porque, para que, quando, etc.): Se a encontrar, darei
o recado.
frases inteiras que indiquem desejo: Deus nos ilumine!
Colocando o pronome depois do verbo: a ênclise
O português falado no Brasil apresenta maior tendência para a próclise, isto é,
para a colocação do pronome antes do verbo, por isso são poucas as situações
em que ocorre a ênclise, como você vai perceber agora. A ênclise vai ser
usada nos seguintes casos:
quando o verbo inicia a frase: Tratava-me com muito carinho.
nas frases imperativas (frases que indicam ordem): Ajude-o a sair!
com verbos no gerúndio (a forma nominal do verbo terminada em
ndo): Entregou o trabalho, retirando-se em silêncio logo depois.
Se o gerúndio estiver precedido da preposição em ou de advérbio, o pronome
virá antes do gerúndio. Veja o exemplo:
Em se tratando de futebol, ele é especialista.
Saiu de casa, não nos revelando as razões.

É facultativa a colocação se o infinitivo vier precedido de preposição ou
palavra negativa:
Estou aqui para te servir (ou servir-te).
Meu desejo era não incomodá-lo (ou não o incomodar).

A ênclise é de rigor se a preposição for a e o pronome for o/a.
Comecei a entendê-la naquele dia. (fica estranho colocar dois A juntos, a preposição e o pronome)

Há dois casos em que a próclise é facultativa:
a) com sujeito expresso (substantivo, numeral, pronome pessoal reto, possessivo ou de tratamento)
b) com conjunções coordenativas

Há casos em que a eufonia ordena que se use a próclise:
Nunca te abandonei. - se usarmos a ênclise (abandonei-te),
pode parecer nome de doença.

Colocando o pronome no meio do verbo: a mesóclise
Enfim, chegamos à mesóclise, que, como já foi dito, é pouco usada no
português do Brasil. Ela é usada em duas situações: ou com verbo no futuro
do presente (entregarei) ou do futuro do pretérito (entregaria).
A mesóclise não é nada mais, nada menos do que uma “operação cirúrgica”.
Abrimos o verbo e colocamos o pronome dentro. É importante notar que a
divisão do verbo se faz sempre no infinitivo.
Repare na frase a seguir:
Entregar-lhe-ei o presente.
Como o verbo está no futuro do presente (entregarei), a mesóclise é
recomendada. Assim, a forma entregarei é interrompida logo depois do
infinitivo (entregar); em seguida, coloca-se o pronome átono (lhe) e, por
fim, acrescenta-se o que ficou sobrando da forma entregarei depois que foi
retirado o infinito (entregarei - entregar = ei): Entregar + lhe + ei.
Agora vejamos a outra mesóclise com o futuro do pretérito:
Entregar-lhe-ia o presente, se tivesse tempo.
Como o verbo está no futuro do pretérito (entregaria), a mesóclise é
recomendada. Assim, a forma entregaria é interrompida logo depois do
infinitivo (entregar); em seguida, coloca-se o pronome átono (lhe) e, por
fim, acrescenta-se o que ficou sobrando da forma entregarei depois que foi
retirado o infinito (entregaria - entregar = ia): Entregar + lhe + ei.
É bom lembrar que a norma-padrão não recomenda a ênclise com verbos no
futuro do presente ou do pretérito. Assim, não escreva “Entregarei-lhe o
presente” nem “Entregaria-lhe o presente, se tivesse tempo”.
Se houver uma palavra atrativa antes do verbo, a próclise
(pronome antes do verbo) terá preferência:
Amanhã lhe entregarei o presente.
Não o entregarei a tempo.
Note que os advérbios amanhã e não atraem os pronomes lhe e o,
que ficam antes do verbo, desfazendo a mesóclise.

Essa colocação deve ser evitada em reportagens, notícias,
artigos científicos e redações.

Lembra das locuções verbais (dois verbos com valor de apenas um) que você
conheceu no Capítulo 3? Bem, a colocação dos pronomes átonos nessas
locuções obedece a regras especiais, que você vai conhecer a partir de agora:
verbo auxiliar + infinitivo: nesse tipo de locução, é fácil colocar o
pronome átono. Ele pode vir antes ou depois do verbo principal, ou
também antes do auxiliar, ou seja, a liberdade é total. Veja as
frases que se seguem. Todas elas são possíveis:
Com certeza, o guarda pode nos ajudar. (mais comum)
Com certeza, o guarda nos pode ajudar.
Com certeza, o guarda pode ajudar-nos.
verbo auxiliar + gerúndio: a liberdade também é total. Há três construções
possíveis:
Ela estava me ajudando. (mais comum)
Ela me estava ajudando.
Ela estava ajudando-me.
verbo auxiliar + particípio: com esse tipo de locução, a liberdade de
colocação do pronome átono é menor. Nesse caso, as duas formas 
a seguir são possíveis:
Os alunos se tinham levantado.
Os alunos tinham se levantado. (mais comum)

Os acentos têm uma grande importância, pois nos ajudam a pronunciar
corretamente as palavras e, em alguns casos, ajudam até a reconhecer
a sua significação. Dê uma olhada nas palavras sábia, sabia e sabiá.
Justamente a sílaba tônica, acentuada graficamente ou não, faz com que você
perceba que a primeira palavra é um adjetivo que caracteriza a pessoa que
tem sabedoria; a segunda é uma forma do verbo saber e a terceira, é o nome
de um pássaro.
Acentuar graficamente uma palavra é colocar sobre a sílaba tônica dessa
palavra o acento agudo (´) ou o circunflexo (^), mas há regras para o uso
desses acentos. Antes de conhecer as regras de acentuação gráfica, você
precisa estar por dentro de alguns conceitos para acentuar corretamente as
palavras.
Sílaba tônica — é a sílaba pronunciada com mais intensidade, isto é,
com mais força que as outras.
Você já deve ter notado que nem todas as sílabas de uma palavra são
pronunciadas com a mesma força. Nas palavras sorte, alegria, ótimo, por
exemplo, as sílabas sor-, -gri- e ó- se destacam em relação às outras, porque
são pronunciadas com mais esforço. Por esse motivo, são chamadas sílabas
tônicas. Já as sílabas que são pronunciadas com menor intensidade são
chamadas átonas.
As sílabas tônicas podem ter ou não acento gráfico. Na palavra ótimo, por
exemplo, a sílaba tônica ó recebeu o acento agudo (´). Já a sílabas tônicas das
palavras sorte e alegria não são acentuadas. Em português, os acentos
gráficos que indicam sílaba tônica são o acento agudo (´) e o acento
circunflexo (^), que indica que a vogal, além de ser tônica, tem o som
fechado.

Para ser oxítona ou paroxítona, uma palavra precisa ter no mínimo
duas sílabas.
Para ser proparoxítona, uma palavra precisa ter no mínimo três sílabas.
Só existe acentuação antes da antepenúltima sílaba no espanhol.

Em português, dependendo da posição da sílaba tônica, as palavras com mais
de duas sílabas são classificadas como:
oxítonas — quando a sílaba tônica é a última.
Exemplo: sa-bi-á.
paroxítonas — quando a sílaba tônica é a penúltima.
Exemplo: sa-bi-a.
proparoxítonas — quando a sílaba tônica é a antepenúltima.
Exemplo: sá-bi-a.
Outros conceitos que você deve conhecer para
acentuar corretamente as palavras
Monossílabo tônico — o monossílabo tônico é a palavra de apenas
uma sílaba, que é pronunciada de maneira forte. Os monossílabos
tônicos podem ou não ter acento gráfico. Por exemplo, na frase Ele sai
a pé diariamente, as palavras sai e pé são monossílabos tônicos.
Ditongo — o ditongo é o encontro de duas vogais numa mesma sílaba.
Na palavra muito, há, na sílaba mui-, o encontro da vogal u com a semivogal i.
É o que chamamos de ditongo decrescente, quando a segunda vogal é a mais forte.
Já na palavra igual, o ditongo é chamado de crescente, porque a primeira vogal
é a mais forte.
Hiato — o hiato é o encontro de duas vogais seguidas que pertencem a
sílabas diferentes. Na palavra saúde, por exemplo, o a e o u formam
um hiato, pois fazem parte de sílabas diferentes. Você pode perceber
isso ao dividir as sílabas da palavra: sa-ú-de. As vogais a e u formam,
assim, um hiato.
Para acentuar corretamente as palavras, você precisa conhecer algumas
regras. Vamos a elas:
Regra 1
A regra 1 é bem simples: todas as palavras proparoxítonas são acentuadas,
ou seja, basta que a antepenúltima sílaba da palavra seja tônica que ela será
acentuada. Observe os exemplos: má-gi-ca, ár-vo-re, rá-pi-do, pês-se-go.
Regra 2
A regra 2 diz respeito à acentuação das palavras paroxítonas. Ao contrário
do que acontece com as proparoxítonas, nem todas as paroxítonas serão
acentuadas. É a terminação que vai dizer se uma paroxítona é acentuada ou
não.
São acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em:
ã, ãs: imã, órfãs
ão, ãos: sótão, órgãos
i, is: júri, tênis
on(s): elétron
um, uns: álbum, fóruns
us: Vênus, vírus
u: jiu-jítsu
l: difícil
n: pólen
ps: bíceps
r: repórter
x: tórax
t: superávit
ditongo seguido ou não de s: fúria
Para facilitar a acentuação das paroxítonas, lembre-se que não recebem
acento aquelas que terminam em a(s), e(s), o(s), em, ens, am. Todas as
outras serão acentuadas.

Aqui e acolá, há quem diga que os encontros -ia, -ie, -io, -ua, -ue, -uo, finais,
átonos, seguidos ou não de S, classificam-se ora como ditongos ora como hiatos.
O principal exemplo dado a tais casos é o da palavra início, que poderia ser pronunciada
como i-ní-cio ou i-ní-ci-o. É o que muitos gramáticos chamam de proparoxítonas relativas.
Eu não concordo com tal ponto de vista. Convém explicar qual procedimento é adotado
nessa situação.
Existem dois fenômenos que ocorrem na Língua Portuguesa, por coloquialidade ou por
necessidade métrica em poemas, a saber: diérese e sinérese. Seguem suas definições.
Diérese: passagem de ditongo a hiato: vai-da-de por va-i-da-de.
Sinérese: passagem de um hiato, no interior da palavra, a ditongo: pi-e-do-so por pie-do-so.
Ou seja, esses procedimentos são próprios do registro coloquial e literário.
Desse modo, continue dizendo que a palavra “início” tem acento por ser uma paroxítona
terminada em ditongo, no português falado no Brasil. A segunda separação é usada apenas no português de Portugal.
Regra 3
Quanto às oxítonas, a terminação também vai determinar se elas são ou não
acentuadas. São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em:
a(s): maracujá, sofá
e(s): você, café
o(s): avó
em: ninguém, intervém
ens: parabéns
Regra 4
A regra 4 trata da acentuação dos monossílabos tônicos: são acentuados os
monossílabos tônicos terminados em:
a(s): já, gás
e(s): pé, mês, fé, três
o(s): nó, vós

Como diferenciar dá e dar?
Substitua pelo verbo oferecer.
oferece - dá
oferecer - dar

Como diferenciar lê e ler?
Substitua pelo verbo entender.
entende - lê
entender - ler

Como diferenciar vê e ver?
Substitua pelo verbo observar.
observa - vê
observar - ver

Como diferenciar crê e crer?
Substitua pelo verbo acreditar,
acredita - crê
acreditar - crer

Regra 5
Esta regra trata da acentuação dos ditongos ei, eu e oi. São acentuados os
ditongos ei, eu e oi quando forem pronunciados de forma aberta e tônica nos
monossílabos e nas palavras oxítonas.
ei(s): papéis, hotéis
eu(s): céu, troféu, Ilhéus
oi(s): herói, dói
Com a última reforma ortográfica, os ditongos abertos ei, eu e oi deixaram
de ser acentuados nas palavras paroxítonas. Assim, a palavra herói é
acentuada porque é oxítona, mas a palavra heroico não recebe mais acento
por ser paroxítona.
Regra 6
A regra dos hiatos diz que será acentuada a segunda vogal tônica i ou u dos
hiatos quando estiver sozinha na sílaba ou seguida de s.
heroína — he-ro-í-na
egoísmo — e-go-ís-mo
saúde — sa-ú-de
balaústre — ba-la-ús-tre
O i e o u dos hiatos não serão acentuados:
quando estiverem seguidos de letra diferente de s.
Por exemplo, a palavra juiz, diferentemente de juízes, não é acentuada, pois a
segunda vogal do hiato (i) está acompanhada de z (ju-iz). Já na palavra
juízes, a segunda vogal do hiato (i) está sozinha na sílaba (ju-í-zes). Assim
também em Luís e Luiz.
quando a sílaba seguinte começar por nh.
Por exemplo, nas palavras rainha, bainha, campainha, ladainha o i é a segunda
vogal do hiato, é tônico, mas a sílaba seguinte começa por nh.
Assim, o i não será acentuado. quando o i ou u estiverem repetidos.
Na palavra xiita, como as vogais do hiato são repetidas, não se acentua
a segunda vogal.
Em friíssimo e seriíssimo, mesmo com a vogal repetida, o acento se
mantém porque essas palavras são proparoxítonas.
Casos Especiais: O Acento Diferencial
O acento diferencial é aquele que não pode ser explicado por nenhuma regra
de acentuação. Como o nome já diz, o acento diferencial é usado para
diferenciar uma palavra de outra que se escreve da mesma maneira. Por
exemplo:
Pôde X Pode
Acentuamos a forma pôde (3a pessoa do singular do pretérito perfeito do
verbo poder para diferenciar da forma pode (3a pessoa do singular do
presente do indicativo do mesmo verbo).
Ontem ele pôde ir ao cinema, hoje, por causa do trabalho, não pode
mais.
Pôr X Por
Quando for verbo, o pôr será acentuado. Se for preposição, não será
acentuado.
A prefeitura prometeu pôr novas linhas de ônibus em circulação.
Passei por alegres momentos naquelas férias.
Têm X Tem / Vêm X Vem
Para diferenciar a 3ª pessoa do plural da 3ª pessoa do singular do presente do
indicativo dos verbos ter e vir, acentuamos a forma da 3ª pessoa do plural.
Os brasileiros têm orgulho de seu país.
O Brasil tem dimensões continentais.
A forma “teem” não existe. Esse é um erro comum encontrado
em redações escolares. Provavelmente, isso acontece por
associação com os verbos crer, dar, ler e ver, que dobram o e
em algumas formas (creem, deem, leem, veem)
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, pelos
membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) provocou
algumas alterações na acentuação de algumas palavras e andou deixando
muita gente com dúvida. Vamos ver o que mudou?
O trema, aqueles dois pontinhos usados em cima do u, foi eliminado no u dos
grupos gue, gui, que, qui. O sinal era usado quando o u nesses grupos era
pronunciado e átono. Agora, palavras como linguiça, cinquenta entre outras
não têm mais o trema, mas continuam sendo pronunciadas da mesma
maneira.
Os hiatos oo e ee não são mais acentuados. Voo, enjoo, leem entre outras
palavras com esses hiatos, não são mais acentuadas. A palavra herôon
(espécie de santuário) continua com acento porque é paroxítona terminada em N.
Os ditongos abertos ei e oi não são mais acentuados nas palavras paroxítonas.
Assim, a palavra herói recebe acento, mas a palavra heroico não é mais
acentuada. Você agora tem que se acostumar com essa ideia, sem acento, é
claro!

Os ditongos fechados não são acentuados, exceto se a palavra for proparoxítona.
É o caso das palavras dêitico (elemento de referência) e hermenêutica
(teoria da interpretação).

Nada mais de acento também naquelas palavras que têm a mesma grafia, mas
significações diferentes, os chamados homógrafos. A forma para do verbo
parar não é mais acentuada, ficando igual à preposição para. Por exemplo,
na frase Ele não para nem um minuto para descansar. O primeiro para,
que é um verbo passou a ser escrito da mesma forma que o segundo, que é
uma preposição.
O mesmo aconteceu com as formas pela (verbo pelar = tirar a pele), pelo
(substantivo), pera (a fruta) e polo (extremidade), que deixaram de ser
acentuadas.

Existe um acento opcional: fôrma e forma.

Quanto ao verbo dar, a reforma ortográfica tornou opcional o uso do acento
circunflexo na 1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo (dêmos) para
diferenciar da mesma pessoa do pretérito perfeito (demos).

Em Portugal, há mais um acento diferencial: na 1ª pessoa do plural do
pretérito perfeito dos verbos da 1ª conjugação para diferenciar da 
mesma pessoa do presente do indicativo (amámos / amamos).

Ortoépia

A ortoépia se refere à correta articulação dos grupos vocálicos e dos fonemas consonantais, determinando as normas que guiam a pronúncia correta das palavras. Os erros de ortoépia são chamados de cacoépia.

Exemplos de erros de ortoépia:

    beneficente (erradamente pronunciado beneficiente)
    bicarbonato (erradamente pronunciado bicabornato)
    calvície (erradamente pronunciado calvice)
    cérebro (erradamente pronunciado célebro)
    cadarço (erradamente pronunciado cardaço)
    cabeleireiro (erradamente pronunciado cabelereiro)
    companhia (erradamente pronunciado compania)
    coincidência (erradamente pronunciado conhecidência)
    eletricista (erradamente pronunciado eletrecista)
    entretido (erradamente pronunciado entertido)
    engajado (erradamente pronunciado enganjado)
    freada (erradamente pronunciado freiada)
    frustrado (erradamente pronunciado frustado)
    iogurte (erradamente pronunciado iorgute)
    lagartixa (erradamente pronunciado largatixa)
    isento (erradamente prounciado insento)
    itinerante (erradamente pronunciado intinerante)
    losango (erradamente pronunciado losângulo)
    mendigo (erradamente pronunciado mendingo)
    mortadela (erradamente pronunciado mortandela)
    meteorologia (erradamente pronunciado metereologia)
    milionário (erradamente pronunciado milhonário)
    madrasta (erradamente pronunciado madastra)
    propriedade (erradamente pronunciado propiedade)
    próprio (erradamente pronunciado própio)
    padrasto (erradamente pronunciado padastro)
    privilégio (erradamente pronunciado previlégio)
    problema (erradamente pronunciado pobrema)
    perturbar (erradamente pronunciado pertubar)
    reivindicar (erradamente pronunciado reinvindicar)
    retrógrado (erradamente pronunciado retrógado)
    trilogia (erradamente pronunciado triologia)
    sobrancelha (erradamente pronunciado sombrancelha)
    torácico (erradamente pronunciado toráxico)
    umbigo (erradamente pronunciado imbigo)

Prosódia

A prosódia se refere à correta acentuação dos vocábulos, nomeadamente quanto à posição da silaba tônica. É o estudo das propriedades acústicas associadas à fala que não são reconhecíveis no registro ortográfico.

Exemplos de erros de prosódia:

    avaro (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    filantropo (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    ínterim (palavra proparoxítona erradamente pronunciada como oxítona)
    libido (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    nobel (palavra oxítona erradamente pronunciada como paroxítona)
    pudico (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    recorde (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    rubrica (palavra paroxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    ruim (palavra oxítona erradamente pronunciada como paroxítona)
    ímprobo (palavra proparoxítona erradamente pronunciada como paroxítona)
    cateter (palavra oxítona erradamente pronunciada como proparoxítona)
    
Obs.: Interim sem acento é como os mineiros pronunciam inteirinho.

Casos especiais

- Algumas palavras apresentam dupla prosódia, ou seja, dupla pronúncia e grafia, mantendo o mesmo significado.

Exemplos de dupla prosódia:

    acrobata e acróbata
    azálea e azaléia
    boêmia ou boemia
    eletrodo ou elétrodo
    hieróglifo e hieroglifo
    homilia ou homília
    logotipo e logótipo
    Oceania e Oceânia
    ortoépia e ortoepia
    projétil e projetil
    réptil e reptil
    transistor ou transístor
    xerox e xérox

Muitas pessoas consideram a crase um bicho de sete cabeças, mas, na
verdade, o fenômeno não é nada complicado. A crase é
simplesmente o encontro de dois a. E justamente para não
repetirmos os dois, escrevemos um só e usamos o acento grave (`) para
mostrar que houve essa junção. Depois de ler este capítulo, você vai perceber
que o caso não é tão grave assim.

Antes de aprender a crasear, você precisa entender o que é a crase.
A crase é a junção de dois a em um só. Essa fusão pode ocorrer entre:
a preposição a e o artigo definido a; Nesses casos, grande parte dos
problemas para crasear já estão resolvidos, pois o artigo a só aparece
antes de palavras femininas, logo o a não será craseado diante de
palavras masculinas;
a preposição a e o a inicial do pronome demonstrativo aquele(s),
aquela(s), aquilo;
a preposição a e o pronome demonstrativo a;
a preposição a e o a inicial do pronome relativo a qual.

Em algumas frases, um a fica ao lado de outro. Assim, para evitar a repetição,
representa-se esse a uma só vez com o acento grave (`), para indicar que há
ali a junção de duas palavras diferentes, mas com a mesma forma.
Observe: “Entreguei o livro a a aluna chamada Maria”. (Escrever dessa
forma ou pronunciar esses dois a ficaria muito estranho, não é?)
No exemplo anterior, o primeiro a é uma preposição pedida pelo verbo
entregar (entregar alguma coisa a alguém) e o segundo é o artigo ligado ao
substantivo aluna. Para evitar essa repetição, escrevemos o a uma única vez
com o acento grave.
Entreguei o livro à aluna = esse é o fenômeno da crase.
Às vezes, ao escrever um texto, surge uma dúvida sobre crase e você não tem
muito tempo para pensar sobre a questão. É para solucionar rapidamente
essas dúvidas que servem as listinhas a seguir:
Casos em que ocorre crase
Antes de palavra feminina, determinada pelo artigo definido a ou as e
dependentes de termos que exijam a preposição a.
Vou à escola.
Antes dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, a(s),
precedidos de preposição.
Fui àquela loja.
Esta blusa é igual à (aquela) que comprei.
Nas indicações de horas.
Acordo às seis horas diariamente.
No a que inicia as locuções (adverbiais, prepositivas, conjuntivas) com
palavra feminina.
Sai cedo e só volta à noite.
Você aprenderá à medida que for estudando.
Estava à espera de uma boa notícia.
Casos em que não ocorre crase
Antes de palavra masculina. Lembre-se: o artigo a transforma-se em o
diante de palavras masculinas, logo esse a que aparece diante de
substantivos masculinos é uma simples preposição.
A exceção ocorre quando a palavra moda está subentendida.
Pagou as compras a prazo.
Ele escreve à José de Alencar.
Antes do artigo indefinido uma. Lembre-se: não usamos dois artigos
diante de um mesmo substantivo. Assim, se o uma já é um artigo, o a
que o precede é simplesmente uma preposição.
Já assistiu a uma tourada?
Antes de verbo. Lembre-se: os artigos não se ligam a verbos. Esse a
que antecede os verbos é, pois, uma preposição. Se aparecer um a
antes de um verbo que está conjugado, não será preposição,
mas sim pronome oblíquo.
A partir de hoje, trabalharemos juntos.
Antes de pronomes que não admitem artigo. Lembre-se: os pronomes
pessoais, demonstrativos, indefinidos, relativos ou interrogativos não
admitem artigo. A única exceção ocorre com aquele, aquela, aqueles,
aquelas e a qual, as quais, que, por começarem por a, podem se
fundir com a preposição. Outra exceção são os pronomes senhora,
senhorita, dona, madame, mesma, própria e outra.
Entregou o livro a elas.
Entregou o livro a algum funcionário.
Ela é uma pessoa a quem respeito muito.
Antes de nome de lugar que é usado sem artigo.
Voltarei a Londres ainda este ano.
Em expressões com palavras repetidas.
Ficaram frente a frente naquela festa.
Antes de numeral (exceto nas indicações de horas).
A escola fica a duas quadras daqui.
Para verificar se o a deve ser craseado, substitua a palavra
feminina por outra masculina que tenha sentido próximo, se o
resultado da troca for ao, o a receberá o acento grave indicativo
da crase. Veja como é fácil!
Compareci à reunião ontem. (Compareci ao encontro ontem.)
Visitamos a cidade. (Visitamos o museu.)
Para verificar se craseamos ou não um a diante de nome de
lugar, vale substituir o verbo ir pelo verbo estar. Se, após a
substituição, a nova preposição usada aparecer combinada com artigo,
o a será craseado. Caso a preposição apareça sozinha, não ocorrerá crase.
Irei à Tijuca. (Estou na (preposição de + artigo a) Tijuca.)
Irei a Copacabana. (Estou em (apenas preposição) Copacabana.)
Casos especiais
Antes das palavras casa, distância e terra o a será craseado se essas palavras
estiverem determinadas, isto é, acompanhadas de adjetivos, pronomes ou
locuções adjetivas. Nos exemplos abaixo, a palavra casa está acompanhada
do adjetivo paterna, a palavra distância foi especificada pela expressão de
três quilômetros e o vocábulo terra foi caracterizado pela expressão de seus
antepassados.
Ele voltou à casa paterna.
Estava à distância de três quilômetros da cidade.
Voltou à terra de seus antepassados.

A crase é opcional com nomes próprios femininos, pronomes
possessivos femininos e depois da preposição até.
Vou até a / à faculdade.
Contei a verdade a / à Débora.
Fiz elogios a / à sua namorada.

Em referência a pessoas célebres, não há crase, a menos que
determinada com um adjunto adnominal. Se houver elipse do
substantivo, a crase é obrigatória antes do possessivo.
Referiu-se a Rachel de Queiroz.
Referiu-se à simpática Rachel de Queiroz.
Entregue o presente à sua tia, e não à minha.

Antes dos topônimos:
Vou viajar à Paraíba. - Estou na Paraíba.
Vou viajar a Lisboa. - Estou em Lisboa.

Obs.: Se o topônimo vier especificado, ocorrerá crase:
Vamos à São Paulo dos bandeirantes. - Estamos na São Paulo dos bandeirantes.

A ausência do acento grave indicativo da crase pode mudar
completamente o sentido da frase. Observe o exemplo abaixo:
Ela cheira a rosa. / Ela cheira à rosa.
Na primeira frase, o sentido é de que ela aspira o perfume da rosa. Já na
segunda, o sentido é de que ela exala, ela tem o cheiro de uma rosa.

Você já deve ter sentido na pele a dificuldade de escrever algumas
palavras. X ou CH? S ou Z? No caso de taxa e tacha, por exemplo,
as duas formas estão corretas e cada uma tem seu significado. A
primeira significa imposto e a segunda, prego pequeno. Assim, trocar uma
letra por outra na hora de grafar uma palavra pode causar muita confusão,
mas existem algumas regras que podem ajudar você a escrever corretamente
Como você já deve ter percebido no seu dia a dia, grafar corretamente as
palavras do português não é tarefa muito fácil. Uma das dificuldades, por
exemplo, é o fato de um mesmo fonema (unidade de som capaz de
estabelecer diferenças de significado) poder ser representado por mais de uma
letra, e uma mesma letra pode representar mais de um fonema. É o que se vê
no exemplo a seguir: o fonema /z/ pode ser representado pela própria letra Z,
no caso de zebra, ou também pela letra S, quando ela estiver entre duas
vogais como ocorre na palavra casa. E a mesma letra s também representar o
fonema /s/ como ocorre na palavra sola.
Para solucionar dúvidas na hora de escolher a consoante adequada, você pode
recorrer às regrinhas abaixo:
Usa-se a letra S
nos verbos pôr e querer.
Todas as formas desses verbos são sempre escritas com a letra S,
mesmo que o som seja com Z.
Se ele puSer o livro sobre a mesa, irá encontrá-lo com facilidade.
Eu puS o livro sobre a mesa.
Eu sempre quiS conhecer o Brasil.
Nós sempre quiSemos conhecer o Brasil.
depois de ditongo.
Exemplos: coiSa, pauSa, náuSea.
A letra S entre duas vogais tem som de Z. Assim, depois de
ditongos, usaremos a letra S se quisermos que ela tenha o som de
Z.
nos sufixos ES, ESA, ISA que indicam profissão, títulos de posição
social, origem e nacionalidade.
Exemplos: camponÊS, marquESA, inglESA.
nos substantivos derivados de verbos terminados em ENDER, PELIR,
VERTER e CORRER, usa-se S.
Exemplos: ascENDER / ascenSão, exPELIR / expulSão,
reVERTER / reverSão, conCORRER / concurSo.
nos adjetivos terminados pelo sufixo OSO.
Exemplos: cheirOSO / dengOSO / pastOSO.
nos adjetivos terminados pelo sufixo ENSE.
Exemplos: paraENSE / canadENSE / palmeirENSE.
nas palavras terminadas em ESE e OSE, com exceção de fezes e treze.
Exemplos: glicOSE / metamorfOSE / virOSE / overdOSE / diocESE
nas palavras derivadas de outras que são escritas com S. Por exemplo,
analisar deriva da palavra análise, que se escreve com S, logo
analisar também será escrita com S.
Exemplos: análiSe / analiSar, atraSar / atraSado, repriSe / repriSar.
O verbo catequizar, apesar de se originar da palavra catequese,
que se escreve com S, é grafado com Z.
Assim também síntese e sintetizar, batismo e batizar, hipnose e
hipnotizar, ênfase e enfatizar.
Usa-se SS
nos substantivos derivados de verbos que terminem em CEDER,
GREDIR, PRIMIR e TIR.
Exemplos: conCEDER / conceSSão, aGREDIR / agreSSão,
imPRIMIR / impreSSão, discuTIR / discuSSão, transmiTIR /
transmiSSão.
Usa-se Z
nos substantivos terminados em: EZ, EZA formados a partir de
adjetivos.
Exemplos: limpo / limpEZA, claro / clarEZA, sensato / sensatEZ.
nas palavras derivadas de outras escritas com Z.
Exemplos: cruZ / cruZamento, desliZe / desliZar.
nas palavras derivadas com as seguintes terminações: ZADA, ZAL,
ZARRÂO, ZEIRO, ZINHO, ZITO, ZONA, ZORRA, ZUDO.
Exemplos: guri / guriZADA, café / cafeZAL, homem /
homenZARRÃO, cinza / cinZEIRO, pão / pãoZINHO, cão /
cãoZITO, mãe / mãeZONA, mão / mãoZORRA, pé / peZUDO.
nos verbos terminados em UZIR.
Exemplos: prodUZIR / ele produZ, tradUZIR / ele traduZiu,
sedUZIR / eu seduZi.
na terminação IZAR que forma verbos.
Exemplos: atual / atualIZAR, hospital / hospitaIZAR, humano /
humanIZAR.
É importante lembrar que existem verbos com a terminação
ISAR, escrita com S. Isso ocorre, pois essa letra faz parte da
palavra que deu origem ao verbo. Por exemplo, os verbos
revisar, improvisar, pesquisar entre outros são
escritos com S, já que derivam das palavras revisão, improviso e
pesquisa, escritas também com S.
Usa-se Ç
em todos os substantivos derivados dos verbos TER, TORCER e seus
derivados.
Exemplos: obTER / obtenÇão, TORCER / torÇão, disTORCER /
distorÇão.
após ditongos.
Exemplos: feiÇão / louÇa.
nas terminações AÇÃO e ÇÃO, que formam substantivos a partir de
verbos.
Exemplos: exportar / exportAÇÃO, construir / construÇÃO.
nas terminações AÇA (O), IÇA (O), UÇA (O).
Exemplos: barcAÇA / canIÇO / dentUÇA.
Não se usa o Ç antes das vogais E e I. Assim, algumas palavras
derivadas podem sofrer alteração na grafia. Por exemplo, a
palavra braço se escreve com Ç, mas bracelete se grafa com C.
A mudança de Ç para C ocorre para que o Ç não fique antes da
vogal E.
Usa-se X
depois de ditongo.
Exemplos: ameiXa, faiXa.
As palavras caucho e recauchutar fogem a essa regra.
depois da sílaba inicial EN.
Exemplos: enXada, enXaqueca, enXurrada.
Como toda regra tem suas exceções, as palavras encher, encharcar, enchumaçar
e suas derivadas (enchente, enchimento, preencher) são escritas com CH.
depois da sílaba inicial ME.
Exemplos: meXer, MéXico, meXerica.
A exceção é a palavra mecha (de cabelo). Porém, nesse caso,
o e da sílaba tônica me é pronunciado de forma aberta, ao
contrário do que acontece nas palavras mexer, mexerica entre
outras.

Para decorar, use o macete mediten.

Usa-se J
nas palavras derivadas de outras que são escritas com J.
Exemplo: Jeito / aJeitar, loJa / loJista.
nas formas dos verbos que terminam em JAR.
Exemplo: arranJAR / arranJei
na terminação AJE.
Exemplos: lAJE, trAJE.
Usa-se G
nas palavras derivadas de outras que já apresentam o G.
Exemplo: Gesso / enGessar, farinGe / farinGite.
nas palavras terminadas em ÁGIO, ÉGIO, ÍGIO, ÓGIO, ÚGIO.
Exemplo: contÁGIO, colÉGIO, vestÍGIO, relÓGIO, refÚGIO.
nos substantivos terminados em AGEM, IGEM e UGEM.
Exemplo: corAGEM, fulIGEM, ferrUGEM.
Os substantivos lambujem (gorjeta), lajem (variação de laje) e
pajem (menino que faz parte de um cortejo de casamento) são
escritos com J.
Nos verbos terminados em GER (reger) e GIR (agir), ocorre
variação na grafia. Antes das vogais E e I, mantém-se a letra G,
já antes das vogais A e O usa-se o J. Isso ocorre porque antes
das vogais A, O e U o som da letra G se altera. Por isso,
escrevemos agimos com G, mas ajo com J.
As Vogais Também Podem Dar Trabalho
O emprego das vogais costuma dar menos trabalho que o das consoantes, até
porque elas são em número muito menor, mas mesmo assim pode bater
aquela dúvida na hora de escrever certas palavras, principalmente aquelas em
que aparecem as vogais E e I.
Há, para esses casos, algumas regras também.
Usa-se E
nas formas conjugadas dos verbos terminados em OAR e UAR.
Exemplo: abençoE (abençOAR), atenuE (atenUAR).
no prefixo ANTE, que significa anterioridade.
Exemplos: ANTEssala, ANTEpor.
Usa-se I
nas formas conjugadas dos verbos que terminam em AIR, OER, UIR.
Exemplos: cAIR / caI, dOER / dóI, contribUIR / contribuI.
no prefixo ANTI, que significa ação contrária.
Exemplo: ANTI-inflamatório, ANTIdepressivo.

Na língua portuguesa, existem palavras com mais de uma grafia correta.
Chamam-se formas variantes.
Veja alguns exemplos:
catorze e quatorze (numeral)
quociente e cociente (resultado da divisão)
seção e secção (departamento)
cota e quota (porção determinada)
cotidiano e quotidiano (rotina)
tataraneto e tetraneto (filho de trineto ou trineta)
tataravô e tetravô (pai de trisavô ou trisavó)

Nota: A palavra cinquenta não possui forma variante (cincoenta).
A palavra relampejar possui duas formas variantes: relampear e
relampaguear. O mesmo acontece com redemoinho, remoinho e rodamoinho.
Infarto possui três formas variantes: enfarto, enfarte e infarte.
Os médicos preferem infarto.

Também existem palavras parecidas na grafia e na pronúncia,
mas com significados diferentes. Chamam-se parônimas.
Exemplos: absolver (absolvição) e absorver (absorção),
apóstrofo (sinal gráfico) e apóstrofe (figura de linguagem),
área (superfície) e ária (peça musical),
cavaleiro (que cavalga) e cavalheiro (homem educado),
comprimento (extensão) e cumprimento (saudação ou ato de cumprir),
delatar (denunciar), deletar (apagar) e dilatar (aumentar),
deferir (autorizar) e diferir (diferenciar ou adiar),
descrição (de descrever) e discrição (qualidade de discreto),
descriminar (inocentar) e discriminar (especificar ou tratar de forma desigual),
despercebido (não notado) e desapercebido (desprevenido, desprovido),
dispensa (onde se guardam mantimentos) e dispensa (ato de dispensar),
eminente (ilustre) e iminente (prestes a acontecer),
imergir (mergulhar) e emergir (vir à tona),
flagrante (evidente) e fragrante (perfumado),
fluir (correr) e fruir (desfrutar),
inflação (desvalorização do dinheiro) e infração (violação),
infringir (desrespeitar) e infligir (aplicar pena),
incidente (episódio) e acidente (desastre),
mandado (ordem judicial) e mandato (tempo de um cargo político),
pião (brinquedo) e peão (trabalhador rural ou peça de xadrez),
prescrever (receitar ou perder a validade) e proscrever (proibir),
retificar (corrigir) e ratificar (confirmar),
reincidir (repetir) e rescindir (anular),
ringue (espaço para lutas de boxe) e rinque (pista de patinação),
soar (emitir som) e suar (transpirar),
sortir (variar) e surtir (produzir efeito),
tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal),
vultoso (volumoso) e vultuoso (atacado de congestão na face),
vestiário (local onde se troca de roupa) e vestuário (traje),
usuário (que usa) e usurário (avarento, agiota).

Na língua, existem palavras com a mesma pronúncia e/ou grafia, mas
significados diferentes.
tipo 1 - homógrafas: mesma grafia e pronúncias diferentes
Exemplo: governo (substantivo) e governo (do verbo governar)
tipo 2 - perfeitas: mesma grafia e pronúncia
Exemplo: são (verbo ser) e são (forma reduzida de santo)
tipo 3 - homófonas: mesma pronúncia e grafia diferente
Exemplos: acender (pôr fogo) e ascender (subir),
acento (sinal gráfico) e assento (lugar onde se senta),
caçar (capturar) e cassar (anular),
cela (quarto) e sela (arreio),
censo (recenseamento) e senso (juízo),
censor (que censura) e sensor (dispositivo que detecta mudanças),
cético (incrédulo) e séptico (que causa infecção),
cerrar (fechar) e serrar (cortar),
chá (bebida) e xá (antigo soberano do Irã),
cheque (documento bancário) e xeque (lance do xadrez),
círio (vela ou procissão) e sírio (da Síria),
concerto (evento musical) e conserto (reparo),
conselho (aviso ou grupo de pessoas) e concelho (município),
cozer (cozinhar) e coser (costurar),
esotérico (misterioso) e exotérico (conhecido do público),
espectador (que assiste) e expectador (que espera),
esperto (inteligente) e experto (especialista),
esterno (osso do peito), externo (exterior) e hesterno (relativo ao dia de ontem),
estrato (camada) e extrato (que se extraiu),
extremo (intenso ou distante) e estreme (puro, sem mistura),
expirar (terminar) e espirar (exalar o ar),
empossar (dar posse) e empoçar (formar poça),
incerto (duvidoso) e inserto (inserido),
incipiente (inexperiente) e insipiente (ignorante),
intenção (plano) e intensão (intensidade),
intercessão (de interceder) e interseção (cruzamento),
passo (etapa, caminho) e paço (palácio)
ruço (grisalho ou difícil) e russo (da Rússia),
remissão (libertação) e remição (quitação),
sexta (redução de sexta-feira ou feminino de cesto) e cesta (utensílio ou onde se lança a bola no basquete),
sedento (que tem sede) e cedente (que cede),
tachar (atribuir defeito) e taxar (fixar taxa).

Um que causa dúvidas é a santíssima trindade seção, sessão e cessão.
1 - Sessão: reunião ou intervalo de tempo. Exemplos: sessão espírita / sessão da tarde
2 - Cessão: ato de ceder. Exemplos: cessão de bens / cessão de herança
3 - Seção: departamento. Exemplos: seção de trocas / seção de eletrodomésticos / seção de economia

Seção tem também a forma variante secção. Dela se originou a palavra secante, usada na geometria.

Se um espetáculo foi cancelado, escreve-se que a sessão foi suspensa.
Mas se o espaço dedicado aos esportes não é mais publicado num jornal, escreve-se que a seção foi suspensa.

O hífen ou traço de união, como também é chamado, tem provocado
mais discórdia do que união como sugere um dos nomes do sinal,
principalmente depois das alterações propostas pelo Acordo
Ortográfico de 2009, que alterou alguns empregos do hífen já fixados por
nossa memória visual.
Não é de hoje, porém, que o emprego do hífen vem provocando dificuldades
para nós, usuários da língua portuguesa. O melhor a fazer, por isso, é
organizar essa questão da forma mais clara e didática possível. Vamos tentar?
O Uso Geral do Hífen
Alguns empregos do hífen não geram qualquer dúvida. São os usos mais
objetivos que ocorrem nas seguintes situações:
separação de sílabas
Exemplo: sa-ú-de
separação de sílabas na passagem de uma linha para outra
(translineação)
Exemplo: anoite- / cer
ligação do pronome oblíquo átono com o verbo
Exemplo: terminá-lo, dir-te-ei
formas repetidas das onomatopeias (palavras que imitam sons)
Exemplo: reco-reco
palavras formadas pelos sufixos açu, guaçu, e mirim com valor
adjetivo quando o primeiro elemento termina em sílaba tônica
acentuada ou não
Exemplos: capim-açu, sabiá-guaçu, Ceará-mirim
Outros Casos de Emprego do Hífen
Além dos casos acima, o hífen ocorre também em palavras formadas por
prefixos ou falsos prefixos e em palavras compostas por duas outras.
Emprego do hífen com prefixos e falsos prefixos
Alguns prefixos e sufixos são sempre seguidos de hífen. Outros, porém,
podem ou não ser seguidos do traço de união; de modo geral, tudo vai
depender da letra com que se inicia a palavra seguinte.

Recém, vice, ex (no sentido de estado anterior), pós, pré e pró
(quando tônicos) - sempre com hífen
Circum e pan - com hífen se o segundo elemento começar por
H, vogal, M ou N.
Ante, anti, auto, arqui, contra, extra, infra, intra, mega,
micro, mini, neo, proto, pseudo, semi, supra, sobre, ultra e
tele - com hífen se o segundo elemento começar por H ou vogal
igual
Sub - quando o segundo elemento começar por H, B ou R
Super, inter e hiper - quando o segundo elemento começar por
H ou R

Ex (no sentido de movimento para fora) não exige hífen.

Quando o prefixo é seguido de um nome próprio, mantém-se o hífen:
anti-Lula, pró-Bolsonaro

Emprego do hífen em palavras compostas
Na língua portuguesa, existem palavras que são formadas a partir de duas
outras. São as chamadas palavras compostas. É o caso da palavra amor-
perfeito que dá nome a uma flor. O hífen, no entanto, nem sempre ocorre
nesses compostos. As palavras girassol e passatempo são exemplos disso.

compostos que nomeiam animais ou plantas - sempre com hífen
iniciados pela palavra bem - sempre com hífen
iniciados pela palavra mal - com hífen quando o segundo elemento começar por
H, vogal ou L
compostos derivados de topônimos - sempre com hífen

Os topônimos formados por grã, grão, forma verbal ou ligados por artigo
mantêm o hífen: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Abre-Campo, 
Passa-Quatro, Baía de Todos-os-Santos e Trás-os-Montes. Os demais se escrevem
sem hífen. Todavia, Guiné-Bissau é uma exceção consagrada pelo uso.

Não se usa o hífen:
quando as palavras não e quase funcionam como prefixos
se os prefixos pre, pro e pos forem átonos
nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal
e o segundo elemento começa por vogal diferente
nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal
e o segundo elemento começa por R ou S. Nesses casos,
essas consoantes se dobram
com os prefixos CO e RE

Com o Acordo Ortográfico de 2009, não se emprega mais o hífen nas
palavras paraquedas (e seus derivados como paraquedistas) e
mandachuva, mas outros compostos com a forma verbal para
continuam com hífen. É o caso de para-brisas, para-choque, para-
lama. Também os outros compostos com a palavra manda continuam
com hífen como manda-tudo.
Nas locuções de qualquer tipo não se emprega o hífen, mas há
exceções. É o caso de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa,
mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará e à queima-roupa.

Você certamente já passou por isto: aquela dúvida na hora de grafar a palavra
porque. Junto ou separado, com ou sem acento? Não se preocupe, a dúvida é
comum, mas bem fácil de solucionar.
Vamos começar pela forma por que (separado e sem acento):
usa-se por que nas perguntas:
Por que você fez isso?
Por que separado é usado sempre que estejam claras ou subentendidas as
palavras motivo ou razão. É o que se vê na frase:
Não sei por que (= por que motivo/razão) ele agiu assim.
Por que separado ocorre também quando equivale a pelo qual e suas
variações (pela qual, pelos quais, pelas quais). É o que se vê na frase
a seguir:
A rua por que (pela qual) passamos estava esburacada.
Já a forma por quê (separado e com acento) é empregado nas seguintes
situações:
no final das frases, imediatamente antes de um ponto (final, de
interrogação, de exclamação). Isso acontece, pois, devido à posição, o
monossílabo que passa a ser tônico, devendo ser acentuado. Veja os
exemplos:
Chegou atrasado por quê?
Estava cansada sem saber por quê.
Escrito em uma palavra só e sem acento, use porque (junto e sem acento):
nas respostas, sempre que for sinônimo de pois, já que. É o que se vê
na frase a seguir:
Saiu cedo, porque começou a chover.
E o porquê, junto e com acento, quando usar?
Essa forma representa um substantivo e significa causa, razão, motivo.
Normalmente, vem acompanhado de um artigo ou outro determinante.
É o que se vê no exemplo:
Não sei o porquê (= o motivo/a razão) de sua atitude.
Mal ou mau? Na linguagem oral, a pronúncia se confunde. O problema
aparece mesmo ao empregarmos essas palavras no texto escrito, mas é fácil,
fácil diferenciar as duas formas.
Mal pode ser advérbio, substantivo e até conjunção. Como advérbio, Mal é o
oposto de bem. Aliás, essa é uma boa dica para verificar a grafia da palavra:
se puder ser substituído por bem, escreve-se mal e não mau. Veja o
exemplo:
Comportou-se mal na festa. (≠ Comportou-se bem na festa.)
O mal substantivo representa aquilo que é prejudicial ou nocivo.
Normalmente, vem precedido de artigo e pode variar em número. Veja:
O mal da civilização é o individualismo.
Como conjunção, o mal indica tempo, equivale a outras conjunções de valor
temporal como quando, logo que, assim que. É o que se vê na frase:
Mal entrei em casa, o telefone começou a tocar (= Logo que entrei em
casa, o telefone começou a tocar.)
E o mau? Onde fica nessa história? Na verdade, mau é sempre adjetivo,
significa ruim, imperfeito. Opõe-se a bom. Veja a frase:
Aquele aluno era conhecido pelo mau comportamento. (≠ Aquele
aluno era conhecido pelo bom comportamento.)

É bastante comum as pessoas confundirem locuções formadas pela mesma
palavra e preposições diferentes, como acontece com as expressões a
princípio, em princípio e por princípio. Por isso, fique atento ao
significado de cada uma delas.
A princípio equivale a inicialmente, no começo.
Em princípio significa em tese, teoricamente.
Por princípio corresponde a por convicção.
Os exemplos abaixo mostram isso:
A princípio, iria viajar, mas depois desistiu.
Em princípio, esta solução é a melhor.
Por princípio, não acuso ninguém sem provas.

Mais pode ser advérbio ou pronome e é oposto de menos. Também pode ser usada como
conjunção aditiva. Mas é conjunção adversativa e equivale a porém, contudo,
todavia, entretanto, no entanto.
Mais torcedores chegavam a cada minuto ao estádio.
Eles chegaram bem cedo, mas não conseguiram ingressos.
Quatro mais dois são seis.

Ao encontro ou de encontro: essas duas expressões costumam ser
confundidas e isso acaba gerando grandes problemas de comunicação. É
importante lembrar que ao encontro de significa em favor, em busca de,
na direção de, já a expressão de encontro a quer dizer contra, no sentido
contrário. Veja os exemplos:
Suas ideias vêm sempre ao encontro das minhas, por isso nos damos
bem. (= a favor)
Nós nunca concordávamos: minhas opiniões iam sempre de encontro
às dele. (= contra)

Você já usou a palavra afim? Ela é um adjetivo que significa igual,
semelhante e está relacionada com a ideia de semelhança, afinidade ou
parentesco. É o que se vê na frase a seguir:
Nós temos ideias afins.
Repare que, por ser um adjetivo, afins concorda com o substantivo a que se
refere (ideias).
Ela também pode ser usada como substantivo:
Convidarei parentes e afins para o evento.
Já a fim surge na locução a fim de, que significa para. A ideia, nesse caso, é
de finalidade (= para), como se percebe na frase:
Estudou a fim de ser aprovada.

Mais uma dupla do barulho. Senão ou se não? Junto ou separado? É simples.
Senão é sinônimo de caso contrário, a não ser.
Já se não equivale à conjunção condicional se + o advérbio não (= caso não).
Chegue cedo, senão você não conseguirá entrar. (= Caso contrário,
você não conseguirá entrar.)
Se não chover, as plantações ficarão prejudicadas. (= Caso não
chova.)

Muita gente também acaba confundindo as locuções na medida em que e à
medida que. Se isso acontece com você, lembre que a locução na medida
em que exprime relação de causa, ou seja, equivale a porque, já que, uma
vez que. Veja o exemplo abaixo em que a ideia de causa está bem evidente:
Os produtos iam sendo entregues na medida em que os pagamentos
eram efetuados.
Já a locução à medida que equivale à locução à proporção que. Observe o
exemplo abaixo:
À medida que amanhecia, o movimento nas ruas aumentava.
Existe a expressão “a medida que” sem crase, quando o que é pronome
relativo:
A medida que ele tomou foi drástica.
Não existem “na medida que” e “à medida em que”.

Quando usar acerca de ou há cerca de? Acerca de significa sobre, a
respeito de. E há cerca de indica um período de tempo já passado. Os
exemplos deixam claros esses sentidos.
O deputado fará um pronunciamento acerca das recentes denúncias. (=
sobre as recentes denúncias.)
Há cerca de dez dias, começaram as obras de expansão do metrô.

No uso coloquial do português, essas duas expressões são confundidas. Mas o
uso culto estabelece a seguinte diferença:
a locução ao invés de só deve ser empregada quando indicar oposição,
com o sentido de ao contrário de.
já a expressão em vez de é usada quando o sentido é de troca,
substituição. Os exemplos abaixo deixam clara essa diferença:
O elevador subiu ao invés de descer.
Em vez de ir ao cinema, foi ao teatro.

Você certamente já sabe que a palavra ideia não é mais acentuada. Mas
outras coisas também mudaram na língua portuguesa a partir do
Acordo Ortográfico de 1990. E, neste capítulo, você vai saber que
mudanças foram essas. Mas, antes, vale a pena falarmos um pouco sobre o
Acordo Ortográfico.
Você sabia que a ortografia da língua portuguesa é determinada por normas
legais? Inclusive, vários acordos oficiais já foram assinados entre os países de
língua portuguesa. No início do século XX, por exemplo, Portugal
estabeleceu, pela primeira vez, um modelo ortográfico para as publicações
oficiais e para o ensino, mas as normas desse primeiro acordo não foram
adotadas pelo Brasil. Desde então, a ortografia da língua portuguesa foi alvo
de um longo processo de discussão e negociação, para tentar estabelecer
normas comuns que orientassem a ortografia oficial de todos os países de
língua portuguesa e, assim, unificar a ortografia desses países.

Por falar nesses países, você sabe que outros países, além de Portugal e do
Brasil, têm o português como língua oficial? Se não está lembrado, aqui
estão eles: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e
Príncipe e, mais recentemente, Timor Leste.
O mais recente desses acordos ortográficos é de 1990, quando representantes
de todos os países que têm o português como língua oficial reuniram-se em
Lisboa e assinaram um tratado internacional para unificar a escrita do idioma.
São as mudanças propostas por esse acordo que você vai conhecer a partir de
agora.
Se, após a leitura, você ainda tiver outras dúvidas sobre o assunto, a
Academia Brasileira de Letras dispõe de um link que ajuda a esclarecê-las.
Basta acessar www.academia.org.br e procurar o serviço ABL responde.
Conheça agora o antes e o depois do Acordo de 1990 em relação ao
Português do Brasil.

Como era
O alfabeto era formado por 23 letras, mais as letras K, W, Y, chamadas de
especiais.
Como ficou
A família aumentou: o nosso alfabeto passou a ser constituído por 26 letras.
Isso significa que as letras K, W, Y foram incorporadas, já que são usadas em
siglas, símbolos, nomes próprios estrangeiros, como kg, watt, Byron etc.
Trata-se apenas de uma oficialização.

Como era
O trema, aqueles dois pontinhos usados sobre a vogal U, era empregado para
indicar que essa vogal era pronunciada. Era usado sobre o U sempre que a
vogal estivesse depois de G ou Q e antes das vogais E e I. Assim, palavras
como “cinqüenta”, “bilíngüe”, “freqüente”, “tranqüilo”, “lingüiça”,
“conseqüência”, “agüentar” e “seqüela”  tinham trema.
Como ficou
Os dois pontinhos se aposentaram e não voltam mais à ativa! Na verdade,
praticamente não eram mais usados. Por acaso, ao fazer sua lista de compras
para o churrasco do fim de semana, você usava o trema na palavra linguiça?
Certamente, não.
Assim, com a nova ortografia, cinquenta, bilíngue, frequente, tranquilo,
consequência, aguentar, sequela, entre outras palavras, são escritas sem o
trema. Mas é importante lembrar que, mesmo sem o trema, o U é pronunciado.
Só há um caso em que o trema é conservado: em palavras de nomes próprios
estrangeiros e derivados, como: Hübner, Müller, mülleriano etc.

Como era
Os ditongos -ei e -oi eram sempre acentuados quando fossem tônicos e
pronunciados de forma aberta. Assim, as palavras “idéia”, “heróico”, entre
outras, eram acentuadas.
Como ficou
Com a nova ortografia, não são mais acentuados os ditongos -ei e -oi nas
palavras paroxítonas. Lembra delas? As paroxítonas são aquelas que têm a
penúltima sílaba tônica. Desse modo, palavras como assembleia, boia,
colmeia, Coreia, geleia, estreia, heroico, ideia, paranoia, tireoide,
espermatozoide, onomatopeia, entre outras, deixam de ser acentuadas.
Vale lembrar que a pronúncia dessas palavras não mudou. Plateia perdeu o
acento, mas não o assento.
Mas os ditongos abertos -ei e -oi continuam a ser acentuados nos
monossílabos e nas palavras oxítonas. Assim, herói tem acento, pois é
palavra oxítona. Observe outros exemplos em que o acento se manteve:
anéis, céu, chapéu, faróis, papéis, rói, mói, pastéis, papéis, Ilhéus,
troféu etc.

Destróier (navio de guerra) e Méier (bairro carioca) mantêm o acento
porque são paroxítonas terminadas em R.

Como era
Lembra do acento circunflexo (^), o famoso chapeuzinho do vovô? Pois é,
esse acento aparecia sempre no primeiro e do hiato -ee dos verbos crer, dar,
ler e ver na terceira pessoa do plural. Assim, as formas “crêem”, “dêem”,
“lêem”, e “vêem” recebiam acento.
Como ficou
Se você não é fã de acentos, pode comemorar, pois o Acordo Ortográfico de
1990 eliminou o acento dos hiatos -ee dos verbos crer, dar, ler e ver. Agora,
as formas creem, deem, leem, e veem são escritas assim: sem acento.

Como era
Lembra do acento circunflexo (^), o famoso chapeuzinho do vovô? Pois é,
esse acento aparecia sempre no primeiro e do hiato -ee dos verbos crer, dar,
ler e ver na terceira pessoa do plural. Assim, as formas “crêem”, “dêem”,
“lêem”, e “vêem” recebiam acento.
Como ficou
Se você não é fã de acentos, pode comemorar, pois o Acordo Ortográfico de
1990 eliminou o acento dos hiatos -ee dos verbos crer, dar, ler e ver. Agora,
as formas creem, deem, leem, e veem são escritas assim: sem acento.
O nome desse acento já indica para que ele serve: diferenciar palavras que
têm a mesma grafia, indicando a pronúncia aberta ou fechada da sílaba
tônica.
Como era
Antes do último Acordo Ortográfico, recebiam acento diferencial as seguintes
palavras:
“pára” (verbo parar) para diferenciar de para preposição;
“péla” (verbo pelar ou bola de borracha) para diferenciar de pela
(preposição por + artigo);
“pélo” (verbo pelar) para diferenciar de pêlo (cabelo ou penugem) e de
pelo (preposição por + artigo);
“pêra” (fruto da pereira) para diferenciar de pera (preposição antiga);
“pólo” (extremidade de um eixo ou tipo de jogo) para diferenciar de
pôlo (espécie de ave);
Como ficou
Com a entrada em vigor do acordo, apenas quatro palavras mantiveram o
acento diferencial. Veja quais são elas:
pôr (verbo) mantém o circunflexo para não ser confundido com a
preposição por;
pôde (o verbo conjugado no pretérito perfeito) também mantém o
circunflexo para não haver confusão com pode (o mesmo verbo
conjugado no presente);
porquê (substantivo) para não confundir com porque (conjunção);
quê (substantivo ou interjeição) para não confundir com que
(pronome, preposição, conjunção ou advérbio).

Há ainda mais dois, que são facultativos: 
fôrma (para diferenciar de forma) 
dêmos (presente do subjuntivo) para diferenciar de demos (pretérito perfeito).
Em Portugal - falámos (pretérito perfeito) / falamos (presente do indicativo).

Como era
Recebiam acento o I e o U tônicos das palavras paroxítonas (aquelas que têm
a penúltima sílaba tônica), sempre que essas vogais estivessem precedidas de
ditongo decrescente. Assim, as palavras “feiúra”, “baiúca”, “Bocaiúva” e
“cauíla” eram acentuadas.
Como ficou
Nada de acentos nesses casos: feiura, baiuca, Bocaiuva e cauila.
Em tuiuiú e Piauí, o acento permaneceu porque essas palavras são oxítonas.
Nas palavras Guaíba e Guaíra, o acento permanece, porque elas vem precedidas
de um ditongo crescente.

Das locuções você já ouviu falar ao longo deste livro. Só para relembrar:
locução é um conjunto de duas ou mais palavras que funcionam como uma só
unidade. Existem locuções adjetivas, adverbiais, conjuntivas, prepositivas,
pronominais. Pois bem, o Acordo Ortográfico fez algumas alterações em
relação ao emprego do hífen nas locuções.
Como era
Antes do Acordo Ortográfico, muitos nomes compostos ligados por
preposição apresentavam hífen. Por exemplo, as expressões “boca-de-urna”,
“cão-de-guarda”, “dona-de-casa”, “fim-de-semana”, “lua-de-mel”, “mão-de-
obra”, “tomara-que-caia”, “pai-de-santo”, “quartas-de-final”,
“ponto-e-vírgula”, “sala-de-espera”, “pé-de-moleque”, entre outras,
eram escritas com hífen.
Outras expressões, por sua vez, podiam ou não apresentar hífen, tudo
dependia de como eram usadas. É o que acontecia com a expressão à toa. Se
fosse sinônima de ao acaso, sem fazer nada, funcionando como locução
adverbial de lugar, era usada sem hífen (Ela estava sempre à toa). Mas, se
significasse inútil, desprezível, insignificante, funcionando como locução
adjetiva, lá estava o hífen. (Era um probleminha “à-toa”.)
O mesmo acontecia com dia a dia e “dia-a-dia”. Antes do Acordo
Ortográfico, eram diferenciadas pelo uso do hífen para destacar funções
diferentes: quando tinha valor de substantivo, ou seja, no sentido de
cotidiano, usava-se hífen (O “dia-a-dia” dos professores é cansativo);
quando tinha valor de advérbio, ou seja, no sentido de diariamente usava-se
sem hífen (Dia a dia, todos os problemas eram resolvidos).

Como ficou
Depois do Acordo Ortográfico, os antigos nomes compostos ligados por
preposição perderam seus hifens. Passaram a ser entendidos como locuções.
Assim, nada de hífen em boca de urna, cão de guarda, dona de casa, fim
de semana, lua de mel, mão de obra, tomara que caia, pai de santo,
quartas de final, sala de espera, pé de moleque, ponto e vírgula, entre outras,
passaram a ser  escritas sem hífen. O mesmo aconteceu com as locuções
à toa e dia a dia. Não importa o valor na frase, são sempre escritas sem hífen.
Há, no entanto, algumas locuções, já consagradas pelo uso, que mantiveram o
hífen: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-
de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.

ntes de mais nada, é bom saber exatamente o que é consoante muda, pois
muita gente confunde a consoante muda com aquela consoante sem vogal na
sílaba, mas que é pronunciada. A consoante muda recebe esse nome
justamente pelo fato de ela não ser pronunciada.
No português do Brasil, praticamente não temos consoantes mudas. Já em
Portugal, o número dessas consoantes mudas é grande,
Em relação às consoantes mudas, o Acordo Ortográfico promoveu algumas
mudanças, mas, do ponto de vista prático, nós, brasileiros, não temos com o
que nos preocupar: basta que nós continuemos a escrever as palavras como
temos feito até hoje!
Como era
Até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, nos países de língua
portuguesa, com exceção do Brasil, eram grafadas consoantes que não eram
pronunciadas, na maior parte dos casos, C e P nas sequências cç, ct, pç e pt,
como nas palavras “acção”, “actor”, “adopção”, “óptimo”. Em muitos casos,
era possível prever a partir da fala o uso dessas consoantes, nas ocasiões em
que marcavam a abertura da vogal precedente. Assim, em Portugal,
escrevia-se “facto” (e não fato), “acto” (e não ato).
Como ficou
O novo Acordo eliminou as consoantes que são, invariavelmente, mudas, ou
seja, aquelas que não são pronunciadas na variedade culta da língua. É o caso
de acção/ação, afectivo/afetivo, aflicto/aflito, direcção/direção,
baptizar/batizar etc. Note que essa mudança não afeta a nós brasileiros, pois
já não registrávamos a consoante muda.
Por outro lado, o Acordo tornou facultativa a grafia das consoantes que
variam entre pronúncia e omissão. É o caso de aspecto/aspeto; cacto/cato;
caracteres/carateres; dicção/dição, facto/fato, concepção/conceção,
corrupto/corruto, recepção/receção, sector/setor, infecção/infeção,
interseção/intersecção.
Repare que, no português do Brasil, só grafamos a consoante quando ela é pronunciada.
Já as consoantes que são sempre pronunciadas foram mantidas pelo Acordo.
Nesse caso, pelo fato de serem pronunciadas, não são chamadas de mudas. É
o que acontece nas palavras compacto, convicto, ficção, fricção, pacto,
adepto, erupção, eucalipto, núpcias, rapto, intelectual, opcional, egípcio,
perfeccionista, sucção, convicção, opção, néctar, bactéria, erupção, corrupção,
interrupção, apto, octógono, lácteo.

No dia a dia, costumamos utilizar construções que fogem à norma-
padrão da língua portuguesa. Algumas delas são apresentadas a seguir
para que você possa evitá-las, principalmente em situações mais
formais.

Onde Está “o Meu” Óculos?
Você, com certeza, já fez ou ouviu a pergunta acima. Apesar de comum, ela
apresenta um desvio em relação à norma-padrão.
Por quê? A explicação é fácil: a palavra óculos só admite a forma no plural,
por isso as palavras que acompanham esse substantivo (artigos, adjetivos,
numerais, etc.) devem sempre concordar com ele. Assim, de acordo com a
norma-padrão, a pergunta deve ser: Onde estão os meus óculos?
Outras palavras na nossa língua também só admitem o plural e, por isso, as
palavras que se ligam a elas estarão também no plural. Aqui vai uma listinha
dessas palavras: afazeres, arredores, cãs (cabelos brancos), confins (lugar
distante), cócegas, férias (féria, no singular, tem outro sentido: salário),
núpcias, olheiras, parabéns, pêsames, suspensórios, víveres (alimentos),
finanças, reticências.

“Há” Nove Meses “Atrás”
Vamos economizar: se tanto o verbo haver quanto a palavra atrás indicam
passado, use apenas um deles, nunca os dois juntos. Diga: Eu o vi há nove
meses ou Eu o vi nove meses atrás.

Se Você “Ver” Algum Problema Nesta Frase, Pule
para o Próximo Item - Pobrema séro.
É isso mesmo. Se você conseguiu identificar “o erro” na frase acima, está
liberado, já pode avançar para o próximo item. Mas, se para você a frase está
perfeita, trate de prestar atenção à explicação: no imperfeito e no futuro do
subjuntivo, o verbo ver muda o e para i. Veja: se eu visse, se tu visses, se ele
visse, se nós víssemos, se eles vissem / quando eu vir, quando tu vires,
quando ele vir, quando nós virmos, quando vós virdes, quando eles virem.
Assim, a frase deveria ter sido escrito da seguinte forma:
Se você vir algum problema nesta frase, pule para o próximo item.
Mas você deve estar se perguntando, como fica o verbo vir nesses tempos do
subjuntivo. Simples, basta acrescentar um e: se eu viesse, se tu viesses, se ele
viesse, se nós viéssemos, se vós viésseis, se eles viessem / quando eu vier,
quando tu vieres, quando ele vier, quando nós viermos, quando vós vierdes,
quando eles vierem.

Só os Alarmes Soam
Os verbos soar e suar costumam causar confusão, principalmente na
linguagem popular. Soar significa produzir som e se conjuga com o: soa,
soas, soa, soamos, soais, soam.
Já o verbo suar quer dizer transpirar e, nele, o u se mantém em todas as
formas: suo, suas, sua, suamos, suais, suam. Por isso, lembre-se de que, no
verão, você sua muito e nunca “soa”, como é comum ouvirmos por aí,
a não ser que você transpire sons.

“Vem pra Caixa Você Também”
Você já ouviu a frase acima? Ela faz parte de uma campanha publicitária da
Caixa Econômica Federal, criada em 1984. Mas, de acordo com a norma-
padrão, ela apresenta um erro, aliás muito comum na linguagem coloquial.
Você sabe que erro é esse? Na verdade, segundo a norma-padrão, não
devemos misturar formas da 2a e da 3a pessoa gramatical quando nos
dirigimos a alguém. E é exatamente isso que acontece na frase acima: a forma
vem está na 2a pessoa do singular do imperativo (que é formado do presente
do indicativo (vens) sem o s final = vem); já o pronome de tratamento você,
apesar de indicar a pessoa com quem falamos, faz a concordância na 3a
pessoa do singular.
Segundo a norma-padrão, as duas opções consideradas corretas são: Venha
pra Caixa você também ou Vem pra caixa tu também.
A mistura de tratamento nesse caso foi, sem dúvida, intencional, pois o
objetivo da propaganda era ficar o mais próximo possível da língua falada e
as duas opções consideradas dentro da norma-padrão (Venha pra Caixa
você também ou Vem pra Caixa tu também) ficam bem distantes disso. Na
primeira delas, a rima entre Vem e também deixa de existir e, na segunda,
perde-se um pouco o traço da coloquialidade, já que o pronome tu não é tão
usado quanto o você em todas as regiões do Brasil.
Apesar da grande tendência atual de mesclar a 2a e a 3a pessoas, se o seu
objetivo é seguir os padrões da língua escrita culta, nunca misture formas da
2a e da 3a pessoa gramatical quando estiver se dirigindo ao interlocutor.

Outros exemplos:
Saia da Sibéria e vem pra Net já - o correto seria 'Saia e venha' ou 'Sai e vem'
Sai que é sua, Taffarel - o correto seria 'Saia que é sua' ou 'Sai que é tua'
Você quer um desconto? Faz um 21 - o correto seria 'Você quer? Faça' ou 'Tu queres? Faz'

A Matéria “que” Eu Mais Gosto É Matemática
Quem diz isso pode até acertar na matemática, mas conhecer mais a gramática
da língua portuguesa. O motivo é que a frase apresenta um desvio bem frequente
em relação ao padrão considerado culto: a omissão da preposição diante do
pronome relativo em algumas situações.
O pronome relativo, para quem não lembra, é aquele pronome que substitui
um termo da oração anterior e estabelece relação entre esse termo e a oração
seguinte. E, em algumas situações, dependendo do verbo da oração em que
está o relativo, a presença da preposição antes dele é necessária.
Na oração “A matéria ‘que’ eu mais gosto é português”, faltou a preposição.
O verbo gostar exige a preposição de (gostar de alguma coisa ou de alguém),
assim essa preposição deve aparecer antes do pronome relativo, que está
substituindo o complemento do verbo gostar. Por isso, a frase de acordo com
a norma-padrão é:
A matéria da qual eu mais gosto é matemática.

“Haviam” Muitos Problemas
Com certeza, problema é o que não falta, a começar pela frase acima. O
verbo haver, no sentido de existir, é impessoal, ou seja, não varia nunca.
Assim, segundo a norma-padrão, deve-se dizer Havia muitos problemas. E,
se o verbo haver com sentido de existir, estiver numa locução verbal
acompanhado de um verbo auxiliar, essa impessoalidade é transmitida para o
verbo auxiliar. Assim, deve-se dizer Deve haver muitos problemas e não
“Devem haver muitos problemas”.
O mesmo acontece com o verbo fazer, quando indica tempo decorrido. Isso
significa que, em construções como Faz dez anos que não o vejo, o verbo
fazer fica na terceira pessoa do singular, a não ser que você consiga
construir o tempo.

O verbo existir é pessoal e tem sujeito: “Devem existir muitos
problemas” / “Existiam muitos problemas”.

Este Problema É para “Mim” Resolver?
Mim não resolve nada. O pronome mim é um pronome pessoal oblíquo e os
pronomes oblíquos não devem funcionar como sujeito. Assim, a pergunta
deve ser:
Este é um problema para mim resolver.

Está Tudo Certo Entre “Eu” e Você?
Não, de acordo com a norma-padrão, isso está errado. O eu da frase
acima não exerce a função sintática de sujeito, por isso devemos usar o
pronome oblíquo (mim) e não o pronome reto (eu). Por isso, diga:
Está tudo certo entre mim e você?
Está tudo certo entre nós?

Ela Estava “Meia” Tensa
Nada disso. Segundo a norma-padrão, a frase deve ser: Ela estava meio
tensa. Meio, quando é advérbio, não varia nunca. Assim, sempre que o
meio estiver ligado a um adjetivo, significando mais ou menos, não vai
variar.
O meio só varia se for numeral, indicando metade, como acontece nas frases
Bebi meia taça de vinho e Ela sairá ao meio-dia e meia (hora). Repare
que, quando for numeral, meio/meia sempre se liga a um substantivo.

Figuras de linguagem:

1 - Figuras de pensamento
Em que se busca explorar o significado dos termos empregados nas sentenças.
Comparação: trata-se da comparação direta entre elementos em uma sentença com o uso de um conectivo.
Soube que Joaquim fala como um papagaio.
Minha prima trabalha igual gente grande.
Metáfora: trata-se de um tipo de comparação subentendida, sem utilizar conjunções comparativas.
A corrupção é um câncer.
Meu aluno é fera.
As lágrimas que verteu foram mágoas passadas.
Em todos esses exemplos, notamos que há um tipo de comparação que se faz de maneira subentendida, sem empregar um elemento comparativo direto – como uma conjunção comparativa.
Metonímia ou sinédoque: trata-se de um tipo de substituição com efeito expressivo. Alguns exemplos de metonímia são:
de parte pelo todo:
Todos os olhos da sala me olhavam. (Os olhos representam as pessoas.)
recipiente pelo conteúdo:
Bebeu duas garrafas de conhaque. (A garrafa contém o conhaque.)
autor pela obra:
Eu nunca havia lido Tomás Antônio Gonzaga. (Lê-se a obra, não o autor.)
efeito pela causa:
Jacira inalou a morte naquela sala. (A provável “fumaça” que Jacira inalara foi a causa da morte.)
matéria pelo objeto:
Onde estão as minhas pratas? (Fala-se sobre os talheres.)
marca pelo produto:
Eu tive de comprar uma Gilette. (O produto é a lâmina de barbear. Gilette é a marca.)
o símbolo pela coisa:
Naquele ano, caiu a Coroa Espanhola. (A representação da monarquia é a coroa.)
Prosopopeia ou personificação: trata-se da figura em que se atribuem características humanas a seres não humanos. É a figura predominante nas fábulas.
O vento vem beijar-me a face. (O vento não beija. Isso é uma capacidade humana.)
E a noite grita em minha mente. (A noite não pode gritar.)
Naquele dia, os crisântemos sorriram para ela. (As flores não sorriem. Isso é uma característica animada.)
Antítese: consiste na tentativa de aproximar palavras com sentidos contrários, a fim de criar um sentido específico.
“Eu falo de amor à vida
Você de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte”
(A seta e o alvo - Paulinho Moska)
Sinestesia: trata-se de uma mistura de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
Cheiro doce, palavras duras, olhar frio, voz clara, aroma escuro.
Catacrese: trata-se de uma metáfora desgastada que, pelo uso corrente, se consagrou como expressão comum à língua. dente de alho, pé da mesa, boca do estômago, braço do sofá, nariz do avião.
Hipérbole: figura que consiste em expressar uma ideia de forma exagerada.
morrer de fome, chorar um rio de lágrimas, trabalhar até desmaiar etc.
Ironia: figura em que se diz o contrário daquilo que se pensa.
Que bom que o elevador quebrou! Agora temos que subir 5 andares de escada.
Esse aplicativo é incrível! Não entendo nada.
Paradoxo: trata-se da figura que apresenta uma construção que contraria a lógica pela tentativa de fundir ideias contraditórias.
Esse cara já nasceu morto. (Se nasceu morto, não nasceu. Isso não faz sentido)
Dinheiro não é tudo, mas é cem por cento. (Se é cem por cento, logo é tudo! A frase é incoerente.)
Sei que Maria dorme acordada para sonhar com o futuro. (Dormir é algo que não se faz quando acordado.)
Perífrase ou antonomásia: trata-se da figura que busca substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade.
Sou fã do homem do baú. (Silvio Santos)
Nasci na cidade onde o Sol nasce primeiro. (João Pessoa)
Gradação ou clímax: trata-se de uma sequência de palavras em ordem crescente ou decrescente que é empregada para atingir um sentido expressivo.
O bebê, a criança, o jovem, o adulto, o idoso representam todas as fases da vida que ele perdeu.
Apóstrofe: trata-se de um vocativo empregado na construção com a finalidade de interpelar enfaticamente o destinatário da emissão.
O que será de você, meu irmão, no meio dessa imunda guerra?
Eufemismo: trata-se da figura de linguagem em que se explora a tentativa de atenuar uma expressão que poderia parecer rude ou desagradável.
Amadeu é deficiente auditivo. (Para atenuar a mensagem de que ele é surdo.)
Ele assistiu a um filme para adulto. (Para atenuar a mensagem de que foi um filme pornô.)

2 - Figuras de som
Aliteração: trata-se da repetição proposital de um fonema consonantal em uma sentença, com a intenção de evocar um sentido expressivo.
O rato roeu a roupa do rei de Roma. (Repetição do “r”.)
Assonância: trata-se da repetição proposital de um fonema vocálico em uma sentença, com a intenção de evocar um sentido expressivo.
Ave alada, altiva, antiga e amorosa. (Repetição do “a”.)
Paronomásia: trata-se da figura em que há a exploração da semelhança sonora de elementos parônimos (com sentidos completamente diferentes, mas com sonoridade aproximada). É o que conhecemos como trocadilho.
O eminente estava iminente naquele lugar.
Onomatopeia: busca imitar os sons da natureza por meio do emprego de vocábulos. É predominante nas histórias em quadrinhos.
Todo aquele vrum dos carros era enlouquecedor.

3 - Figuras de sintaxe
Pleonasmo: é uma repetição de ideias que pode ser classificada de duas formas:
Pleonasmo estilístico:
Lutaram a luta dos lutadores.
Esse tipo de construção pode vir em um texto como aquilo que se pode chamar de licença poética, ou seja, uma construção proposital a fim de atingir um objetivo específico.
Pleonasmo vicioso (deve ser evitado):
subir para cima, descer para baixo, hemorragia de sangue, certeza absoluta, fato real, multidão de pessoas, surpresa inesperada
Anáfora: trata-se da repetição de uma estrutura sintática na composição do texto. É uma figura muito comum em poemas.
Você pensa em coisas boas?
Você pensa em coisas ruins?
Você pensa em dias plenos?
Você pensa em seus dias sem mim?
Anacoluto: é uma figura que se caracteriza por uma quebra na estrutura sintática da frase. Muito presente na linguagem falada.
Madalena, eu não tenho certeza, mas ela não vem hoje.
Elipse: trata-se da omissão de um elemento da frase, facilmente subentendido pelo contexto.
Sei que posso vencer os desafios. (A elipse do sujeito foi realizada. Note que não se vê o pronome eu na construção da frase.)
– Eu quero comprar o carro.
– Então, compre! (Houve a elipse do objeto direto o carro.)
Zeugma: trata-se da omissão do verbo que já fora mencionado anteriormente na frase.
Sairei mais cedo hoje; minha irmã, mais tarde. (Houve a omissão do verbo sair, para evitar uma repetição desnecessária.)
Pedro trabalha pela manhã; Mauro, à tarde. (Houve a omissão do verbo trabalhar.)
Assíndeto: trata-se da construção em que se omitem os conectivos na frase.
Trabalhei, ganhei, perdi, reconstruí, tornei a perder, tornei a trabalhar, tornei a vencer. (Todas as orações são empregadas sem que haja nenhum conectivo entre elas.)
Polissíndeto: a inversão do assíndeto, trata-se do emprego repetido de um conectivo com a finalidade de atingir um sentido expressivo.
Fala, e grita, e reclama, e anota, e promete, mas nada faz. (Veja a repetição da conjunção e com a finalidade de indicar uma ação rotineira.)
Anástrofe: trata-se de uma inversão na ordem natural das palavras.
Essa aqui é uma bela cidade. (A ordem usual é cidade bela.)
Filho meu não vem a este lugar. (A ordem usual é meu filho.)
Hipérbato: trata-se de uma inversão na ordem natural da frase como um todo, não apenas da palavra.
Dos meus problemas, cuido eu. (Antecipou-se o objeto indireto na oração.)
No salão do desespero, entrou – com azeda astúcia – meu triste coração. (Ocorreu a inversão da ordem natural da sentença.)
Sínquise: inversão sintática tão radical e violenta que dificulta a compreensão da mensagem.
O pobre, da gente, a vida – incessante – combate. (Na ordem direta seria O pobre combate a vida da gente incessante.)
Hipálage: trata-se de uma qualificação de uma palavra em vez de outra.
O voo branco das garças. (As garças são brancas, não o voo.)
O homem fumava um cigarro pensativo. (O homem é pensativo, não o cigarro.)
Silepse: trata-se do recurso de concordância que se faz com a ideia transmitida pela palavra, não com a palavra
em si. Veja os casos:
Silepse de gênero: Vossa Excelência, senhor ministro, está seguro de si hoje.
Silepse de pessoa: Todos somos brasileiros.
Silepse de número: O grupo saiu pela floresta e se perderam em poucos instantes.

Redação oficial:
Por definição, é possível dizer que redação oficial é “a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações” (Brasil, 2002). Essa definição ajuda a entender que há uma sistematização para os procedimentos de serviço na Administração Pública.
ASPECTOS DA CORRESPONDÊNCIA OFICIAL
O propósito primeiro de qualquer comunicação consiste em transmitir uma informação. A depender da relação entre as partes comunicadoras, surgem as distinções entre tipos de comunicação. A comunicação oficial difere das demais pelos critérios fundamentais de formalidade e de rigor na produção dos textos.
Há previsão da natureza comunicativa do expediente oficial no artigo 37 da CF, o qual ensina que “a administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Isso se estende para a comunicação, que deve ter como princípios a impessoalidade e a publicidade de seus atos normativos.
Vale mencionar que, apesar de o texto oficial possuir padrões específicos para sua formatação, a burocracia comunicativa deve ser evitada.
Os elementos da comunicação estão divididos da seguinte maneira:
Ou seja:
alguém que comunique (emissor);
algo a ser comunicado (mensagem);
alguém que receba essa comunicação (receptor).
No caso da redação oficial, o comunicador é o serviço público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Serviço, Seção); aquilo que é comunicado é sempre algum assunto relativo às atribuições do órgão que expede a comunicação; o receptor ou destinatário dessa comunicação pode ser o público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
Por meio disso, fica evidente também que as comunicações oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o serviço público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio serviço público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público).
Usamos o Manual da Presidência da República como referência.
Vejamos, a partir de agora, quais são os princípios da redação oficial.
Impessoalidade
A fim de compreender o que é IMPESSOALIDADE na comunicação oficial, é preciso associar esse conceito ao conceito de impessoalidade que se identifica como um dos princípios da Administração Pública.
Para que o tratamento nas comunicações oficiais seja considerado, de fato, como impessoal, necessita-se, entre outras características:
da ausência de impressões individuais de quem comunica: o que quer dizer que é vetado ao emissor da comunicação introduzir opiniões de qualquer natureza a respeito daquilo que está comunicando;
da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma homogênea e impessoal. O que significa que deve ser evitado qualquer tipo de intimidade na comunicação; do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comunicações oficiais se restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, desse modo, é impossível fazer uso da comunicação oficial para
finalidade particular.
Uso do padrão culto da linguagem
O uso do padrão culto da linguagem está relacionado essencialmente com a correção gramatical do texto. Essencialmente, mas não apenas. Existem outras características que devem ser levadas em consideração neste tópico:
Evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos, tais como gírias, regionalismos, internetês e jargões técnicos.
Evitar coloquialismos.
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em situações que a exijam, por isso, deve-se evitar o seu uso indiscriminado.
Lembrar que não existe “padrão oficial de linguagem”.
Usar o estrangeirismo de forma consciente.
Usar neologismos com critério.
Observar as regras da gramática formal.
Empregar um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma.
Evitar preciosismos, mesóclises, ponto de exclamação e reticências.
Ao terminar, não assinar nem coloque a palavra FIM, porque não é o último capítulo da novela.
Evitar palavras como coisa e algo, por serem vagas. Prefira problemas, desafios, realidades, questões, dificuldades, desigualdades etc.
Clareza
Consiste, basicamente, no modo com a mensagem é transmitida. Não se concebe um texto oficial obscuro ou de difícil entendimento. Para que haja clareza na mensagem, a observação dos itens relativos ao uso do padrão culto da linguagem é imprescindível, bem como a formalidade e a padronização documental, que serão vistas posteriormente.
Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por seu destinatário.
Concisão
Consiste em exprimir o máximo de ideias com o mínimo de palavras, para, desse modo, agilizar a comunicação oficial.
Devem ser evitadas redundâncias, explicações desnecessárias e partes que não façam parte da matéria da comunicação.
Formalidade e uniformidade
São dois aspectos muito próximos, uma vez que, ao falar de Administração Pública e redação de documentos que lhe são relativos, é preciso entender a necessidade de haver uma padronização na comunicação oficial.
Pensando nisso, o Manual de Redação da Presidência da República estabelece uma formatação para cada tipo de correspondência ou documento. Isso quer dizer que há um rito específico para cada tipo de documento, sendo que tal rito envolve desde o formato do documento até os itens dele constantes.
OS VOCATIVOS E PRONOMES DE TRATAMENTO MAIS UTILIZADOS
Com o objetivo de respeitar o princípio da formalidade na redação oficial, o emprego dos pronomes de tratamento deve observado. Estabelecido por secular tradição, o emprego dos pronomes de tratamento está relacionado ao cargo que o indivíduo ocupa. Além disso, é preciso entender que há um vocativo que deve ser empregado com os pronomes de tratamento em alguns expedientes:
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
do Poder Executivo:
Presidente da República.
Vice-Presidente da República.
Ministros de Estado*.
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal.
Oficiais-Generais das Forças Armadas.
Embaixadores.
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais.
Prefeitos Municipais.
* Nos termos do Decreto nº 4.118, de 7 de fevereiro de 2002, artigo 28, parágrafo único, são Ministros de Estado, além dos titulares dos Ministérios: o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Advogado-Geral da União e o Chefe da Corregedoria-Geral da União.
do Poder Legislativo:
Deputados Federais e Senadores.
Ministros do Tribunal de Contas da União.
Deputados Estaduais e Distritais.
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais.
do Poder Judiciário:
Ministros dos Tribunais Superiores.
Membros de Tribunais.
Juízes.
Auditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo
respectivo e vírgula:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal,
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo respectivo e vírgula:
Senhor Senador,
Senhor Juiz,
Senhor Ministro,
Senhor Governador,
Senhor Prefeito,
Senhor Deputado,
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência terá a seguinte
forma:
Exemplo 1:
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Ministro de Estado da Justiça
70064-900 – Brasília. DF
Exemplo 2:
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70165-900 – Brasília. DF
Exemplo 3:
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10a Vara Cível
Rua ABC, no 123
01010-000 – São Paulo. SP
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado é:
Senhor Fulano de Tal.
No envelope, deve constar do endereçamento:
Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua dos Grãos, no 69
12345-000 – Cascavel. PR
Foi abolida a forma Ilustríssimo para autoridades tratadas por Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.
Também foi abolida a forma Digníssimo, porque dignidade é um pressuposto para quem ocupa cargo público, sendo redundante sua repetição.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição, em comunicações dirigidas a reitores de universidades e instituições de ensino superior. Corresponde-lhe o vocativo “Magnífico Reitor”.
Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesiástica, são:
Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é “Santíssimo Padre”.
Vossa Eminência, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal.
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comunicações dirigidas a arcebispos e bispos.
Vossa Reverendíssima é usado para monsenhores, cônegos, superiores religiosos, sacerdotes, pastores e demais religiosos.

Concordância dos termos relacionados aos pronomes de tratamento
Lembre-se, sempre, de que a concordância verbal na correspondência oficial, independentemente do vocativo adotado, é realizada como se o pronome fosse a palavra você. Além disso, a concordância nominal deve ser feita com o gênero da pessoa, não da palavra.
Exemplos:
Vossa Senhoria está convidado para o evento (Diretor de Repartição).
Vossa Excelência está convocada para a reunião (Diretora de Comissão).
Os fechos adequados para cada correspondência
O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. São divididos, para sintetizar, em apenas dois fechos simples:
Para autoridades superiores:
Respeitosamente,
Para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:
Atenciosamente,

Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, explicados no Manual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.
Identificação do signatário.
Com exceção das comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. O modelo de identificação é o seguinte:
(espaço para assinatura)
Nome
Chefe do Departamento do Exemplo da Assinatura
(espaço para assinatura)
Nome
Ministro de Estado da Justiça
Caso não haja espaço na página, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Por isso, é necessário transferir ao menos a última frase anterior ao fecho para a última página.

NORMAS GERAIS PARA ELABORAÇÃO PARA DOCUMENTOS OFICIAIS
As normas que se seguem foram retiradas do Manual de Redação da Presidência da República:
Utilize as espécies documentais, de acordo com as finalidades expostas nas estruturas dos modelos que serão expostos.
Utilize os pronomes de tratamento, os vocativos, os destinatários e os endereçamentos corretamente.
Utilize a fonte do tipo Times New Roman de corpo:
12 no texto em geral;
11 nas citações;
10 nas notas de rodapé.
Para símbolos que não existem na fonte Times New Roman pode-se utilizar as fontes Symbol ou Wingdings.
É obrigatório constar, a partir da segunda página, o número da página.
Os ofícios, memorandos e seus anexos poderão ser impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens
esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”).
No caso de Comunicação Interna – como exemplo do memorando –, o destinatário deverá ser identificado pelo cargo, não necessitando do nome de seu ocupante. Exceto para casos em que existir um mesmo cargo para vários ocupantes, sendo necessário, então, um vocativo composto pelo cargo e pelo nome do destinatário em questão.
Exemplo:
Ao Senhor Assessor
Juca Duarte
Quando um documento estiver respondendo à solicitação de outro documento, deve-se fazer referência à espécie, ao número e à data ao qual se refere.
O tema que motiva a comunicação deve ser introduzido no primeiro parágrafo, seguido do detalhamento e da conclusão. Se houver mais de uma ideia contida no texto, deve-se tratar dos diferentes assuntos em parágrafos distintos.
A referência ao ano do documento deve ser feita após a espécie e o número do expediente, seguido de sigla do órgão que o expede.
Exemplo:
Ofício nº 33/2009-DAI/TCE

No que diz respeito à redação oficial, as questões de concurso costumam focar no conteúdo relativo ao Padrão Ofício. Portanto, é muito importante entender como ele se estrutura e o que as bancas podem cobrar a seu respeito. Nesse momento, é necessário seguir precisamente o que o Manual de Redação da Presidência da República ensina.
Estrutura de correspondência no Padrão Ofício:
Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede.
Exemplos:
Mem. 123/2014-MME
Aviso 123/2013- MPOG
Of. 123/2012-MF
Local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita.
Exemplo:
Brasília, 19 de outubro de 2014.
Assunto: resumo do teor do documento.
Exemplos:
Assunto: Solicitação de fundos.
Destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem se dirige a comunicação. No caso do ofício, deve-se incluir também o endereço.
Texto: nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:
Introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação.
Lembre-se de que o texto deve primar por concisão, clareza e objetividade, portanto, não é aceitável que se incluam itens redundantes ou retóricos nesse texto.
Desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição.
Conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada sobre o assunto.
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.
Quando se tratar de um encaminhamento de documentos a estrutura é a seguinte:
Introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário e assunto de que trata), e a
razão pela qual está sendo encaminhado, segundo a seguinte fórmula:
“Em resposta ao Aviso nº 50, de 2 de fevereiro de 2014, encaminho, anexa, cópia do Ofício nº 77, de 3 de março de 2013, do Departamento Geral de Infraestrutura, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal.”
ou
“Encaminho, para análise e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama no 13, de 1o de fevereiro de 2005, do Presidente da Confederação Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”
Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento.
Fecho: respeitosamente ou atenciosamente (dependendo do destinatário);
Assinatura do autor da comunicação.
Identificação do signatário.

Os documentos a seguir devem ser estudados, memorizados e vividos, para não perder questão alguma nas provas.
Vejamos a orientação do MRPR sobre AVISO e OFÍCIO:
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o destinatário, seguido de vírgula.
Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República
Senhora Ministra
Senhor Chefe de Gabinete
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do remetente:
nome do órgão ou setor;
endereço postal;
telefone e endereço de correio eletrônico.

1 - Palavras estrangeiras devem ser escritas em itálico.
2 - O texto deve ser impresso na cor preta em papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações.

Os avisos são atos que competem aos Ministros de Estado que dizem respeito a assuntos relativos aos seus ministérios. Os avisos são expedidos exclusivamente por Ministros de Estado, Secretário-Geral da Presidência da República, Consultor-Geral da República, Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República e pelos Secretários da Presidência da República, para autoridades de mesma hierarquia. Note-se o ensinamento sobre avisos do MRPR:
o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia.

O ofício é o tipo mais comum de comunicação oficial. Uma vez que se trata de um documento da correspondência oficial, só pode ser expedido por órgão público, em objeto de serviço. O destinatário do ofício, além de outro órgão público, também pode ser um particular. O conteúdo do ofício costuma ser matéria administrativa. Lembre-se de que o ofício é documento eminentemente externo.

Particular pode ser uma pessoa física ou uma empresa.

O memorando é uma modalidade de comunicação eminentemente interna, que ocorre entre unidades administrativas de um mesmo órgão, as quais podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em níveis diferentes. O uso corrente do memorando deve-se a sua simplicidade e a sua rapidez. Os despachos são feitos no próprio documento.
Quanto à forma, o memorando segue o modelo do Padrão Ofício, todavia com uma distinção: o destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa.

Por tratar-se de forma de comunicação cara e ultrapassada, deve restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações que seja impossível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência justifique seu uso. É cobrado por caractere.
Forma e estrutura
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura dos formulários disponíveis nas agências dos Correios e em seu site.

Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao Vice-Presidente para: informá-lo de determinado assunto, propor alguma medida ou submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado.
Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
Forma e estrutura
Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do padrão ofício. O anexo que acompanha a exposição de motivos que proponha alguma medida ou apresente projeto de ato normativo segue o modelo descrito adiante.
A exposição de motivos, de acordo com sua finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que proponha alguma medida ou submeta projeto de ato normativo.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do Presidente da República, sua estrutura segue o modelo antes referido para o Padrão Ofício.
Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presidente da República a sugestão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe apresente projeto de ato normativo – embora sigam também a estrutura do padrão ofício –, além de outros comentários julgados pertinentes por seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar:
na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida ou do ato normativo proposto;
no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar o problema, e eventuais alternativas existentes para equacioná-lo;
na conclusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual ato normativo deve ser editado para solucionar o problema.

A mensagem é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar veto; declarar guerra; encaminhar concessão e renovação de emissoras de rádio e TV; decretar estado de sítio ou estado de defesa; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interesse dos poderes públicos e da Nação.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias caberá a redação final.
As mensagens contêm:
a indicação do tipo de expediente e de seu número, horizontalmente, no início da margem esquerda:
Mensagem no vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do destinatário, horizontalmente, no início da margem esquerda;
Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com a margem direita.
A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz identificação de seu signatário.

O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma forma de comunicação que é usada para transmissão de mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, quando não há condições de envio do documento por meio eletrônico. Quando necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de praxe. Não é caro porque usa a linha telefônica.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia xerox do fax.
Forma e estrutura
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que lhes são inerentes.
É conveniente o envio, juntamente com o documento principal, de uma folha de rosto - formulário com os dados de identificação da mensagem a ser enviada.

O correio eletrônico (“e-mail”), por ser barato e rápido, transformou-se na principal forma de comunicação para transmissão de documentos.
Forma e estrutura
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.
O campo assunto do formulário de correio eletrônico mensagem deve ser preenchido de modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário quanto do remetente.
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo.
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento.
Valor documental
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio eletrônico seja aceita como documento, é necessário existir certificação digital.

Um linguista chamado Roman Jakobson desenvolveu uma teoria que tenta explicar um ato comunicativo. A extensão dessa teoria se relaciona com o assunto sobre funções da linguagem. Os elementos são:
O emissor é quem produz a mensagem.
A mensagem é o conteúdo transmitido pelo emissor.
O receptor é quem recebe a mensagem.
O canal é aquilo que transmite a mensagem. Pode ser o rádio, o telefone, a televisão, a internet, o cinema.
O referente é o assunto a que a mensagem se refere.
O código é o instrumento usado para transmitir a mensagem. Pode ser uma imagem, um desenho, um gesto, a expressão facial, um som, uma cor, a linguagem matemática, a linguagem de computador.
Podemos centralizar a linguagem em cada elemento desse ato, a fim de chegar a um resultado diferente e específico.
Função referencial ou informativa: centrada no referente. Ex.: livro didático, artigo científico, correspondência oficial, jornal, revista, telejornal, redação.
Função poética ou estética: centrada na mensagem. Ex.: poema, conto, piada, trocadilho.
Função emotiva ou expressiva: centrada no emissor. Ex.: depoimento, entrevista, memória, biografia, cordel, novela, letra de música.
Função conativa, apelativa ou diretiva: centrada no receptor. Ex.: propaganda, horóscopo, campanha eleitoral, manual, bula, receita.
Função fática: centrada no canal. Ex.: saudação, despedida, cumprimento, conversa telefônica, vinheta.
Função metalinguística: centrada no código. Ex.: gramática, dicionário, programa de TV que fala sobre TV.

Características das funções:
Referencial - uso da 3ª pessoa, linguagem objetiva, referência a fatos e pessoas
Poética - linguagem conotativa, uso de recursos criativos da língua e figuras de linguagem
Emotiva - uso da 1ª pessoa, interjeições, adjetivos valorativos, reticências e ponto de exclamação
Conativa - uso da 2ª pessoa, imperativo e vocativo
Fática - abertura, manutenção e encerramento do canal de comunicação
Metalinguística - a linguagem explicando ela mesma

Emprego dos sinais de pontuação:

1 - Uso do ponto final:
a) Para indicar o fim do período:
O jogo foi ótimo.
b) Em abreviaturas. Neste caso, chama-se ponto abreviativo:
a. C., Ltda.

2 - Uso do ponto e vírgula:
a) Para separar itens que aparecem enumerados:
No supermercado, precisamos comprar:
arroz;
feijão;
carnes;
materiais de limpeza;
verduras.
b) Para separar um período que já se encontra dividido por vírgulas:
Não trabalhava muito; queria enriquecer, no entanto.
c) Para separar partes do texto que se equilibram em importância:
O mar está poluído; a água está muito suja.
d) Para separar itens de decretos ou leis:
Art. 2 São deveres dos servidores públicos civis:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições legais e regulamentares inerentes ao cargo ou função;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas pelo sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para a defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal;
VI - zelar pela economia do material e pela conservação do patrimônio público;
VII - guardar sigilo sobre assuntos da repartição, desde que envolvam questões relativas à segurança pública e da sociedade;
VIII - manter conduta compatível com a moralidade pública;
IX - ser assíduo e pontual ao serviço;
X - tratar com urbanidade os demais servidores públicos e o público em geral;
XI - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
3 - Uso dos dois-pontos:
a) Para introduzir uma citação:
Ela pediu: “Quero o relatório na minha mesa até amanhã.”
b) Para introduzir uma enumeração:
Precisávamos de muitos itens: fraldas, mamadeiras, papinhas; tudo o que um neném pode usar em demasia.
c) Para introduzir uma explicação:
O que me irritava era isto: ela nunca se lembrava de encher a garrafa antes de colocar de volta na geladeira.
d) No vocativo de cartas e comunicações:
Prezada Doutora Assis: A reunião de amanhã precisará ser cancelada.

4 - Uso das aspas:
a) Para indicar uma citação:
Então ele disse: “Pare imediatamente com isso!”.
b) Para destacar estrangeirismos, neologismos e gírias:
Quando puder, encaminhe o “feedback”.
Nossa, ela “vacilou” muito!
Eu vou “sextar”.
c) Para indicar ironia:
Que jogada “maravilhosa”! A bola passou longe do gol.
d) Para destacar títulos de obras:
Estou lendo “Os Lusíadas”.

5 - Uso das reticências:
a) Para indicar hesitação:
Não é que eu esteja dizendo que você... Bem... Como eu posso me expressar...?
b) Para representar suspiros:
Ah...! Nada como a vida no campo...
c) Para indicar chamamento:
Moça... Você pode me ajudar?
d) Para representar ações que se prolongam:
As pesquisas continuavam, enquanto a doença se espalhava...
e) Para indicar uma enumeração infinita:
Eles sabem várias línguas: italiano, espanhol, francês, inglês...

6 - Uso dos parênteses:
a) Para introduzir informações acessórias:
O predicado verbo-nominal tem dois núcleos: o nominal (predicativo do sujeito ou do objeto) e o verbal (verbo de ação).
b) Para indicar possibilidades de leitura:
Qualquer aluno(a) poderá se candidatar ao grêmio estudantil.
c) Para introduzir o significado de siglas:
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes.
d) Para delimitar o ano de nascimento e morte:
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mais importantes poetas contemporâneos do Brasil.
e) Para introduzir referências:
"O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros." (Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social e outros escritos. São Paulo, Cultrix, 1968.)
f) Para introduzir rubricas nos roteiros de teatro:
Personagem 1 (com voz trêmula) — Quem está aí?
Personagem 2 (rindo) — Não posso dizer. É surpresa!

7 - Uso do travessão:
a) Para indicar a troca de interlocutor:
João perguntou:
— Que tal irmos por este caminho?
b) Para substituir a vírgula:
No dia 15 de novembro — feriado nacional — foi proclamada a República.
c) Para substituir os dois-pontos:
Estudamos várias matérias — Química, Física, História, Geografia, Biologia, Literatura.

8 - Uso do ponto de exclamação:
a) Usado em frases exclamativas e imperativas:
Feliz aniversário, João!
Ganhamos na loteria!
Vá imediatamente!
b) Nos vocativos, substituindo a vírgula:
Não diga isso, Felipe!

9 - Uso do ponto de interrogação:
Usado em frases interrogativas diretas.
Qual é o seu telefone?

Obs.: Não se usa ponto de interrogação em frases interrogativas indiretas.
Quero saber onde ela mora.

10 - Uso da vírgula:
a) Para separar termos que possuem mesma função sintática no período. Essa regra também pode ser identificada como
vírgula para separar termos de uma enumeração ou como vírgula para separar termos coordenados:
João, Lucas, Francisco e Antônio farão a prova. (Os termos separados são núcleos do sujeito, logo possuem a mesma função.)
Li Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, José de Alencar e Jorge Amado. (Os termos separados são núcleos do objeto direto.)
b) Para isolar o vocativo:
Força, guerreiro!
Eu preciso falar com você, Natália.
c) Para isolar o aposto explicativo:
José de Alencar, o autor de “Lucíola”, foi um romancista brasileiro.
d) Para separar o predicativo do sujeito anteposto:
Nervoso, Amadeu saiu da festa.
e) Para separar conjunções coordenativas adversativas e conclusivas deslocadas:
Josefina está doente; não poderá, portanto, ir à festa.
Antônio estudou bastante; não passou, todavia, no concurso.
f) Para separar os objetos pleonásticos:
A casa, eu a comprei sem hesitar.
g) Para separar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado:
Na semana passada, eu encontrei meu amigo.
José, durante o intervalo, falou com o professor.
h) Para isolar orações adjetivas explicativas:
O Brasil, que busca a igualdade social, ainda sofre com a desigualdade.
i) Para separar algumas orações coordenadas:
Quero ir ao show, porém não tenho dinheiro. (adversativa)
Correu muito, logo ficou cansado. (conclusiva)
Entre logo, que vai chover. (explicativa)
j) Para separar palavras expressões explicativas ou retificadoras:
Cheguei às 19h, aliás, às 20h.
O zoológico tem animais ferozes, por exemplo, o tigre e o leão.
k) Para separar o nome do local nas datas:
Santos, 13 de outubro de 2004.
l) Para marcar a elipse do verbo:
Paulo gosta de quadrinhos; Maria, de filmes.
m) Para separar orações intercaladas.
Estamos ansiosos, disseram os alunos ao professor, por sua volta.
n) Para separar orações adverbiais antepostas ou intercaladas.
Se ela vier, faremos a festa.
Ele, embora estivesse doente, foi trabalhar.

Obs.: Se o adjunto adverbial for apenas um advérbio, você pode usar vírgula ou não.
Amanhã, irei rever meus amigos.
Amanhã irei rever meus amigos.

Nas orações adverbiais consecutivas e comparativas, não se usa vírgula.
Estava tão feliz que chorei de emoção.
Falava inglês tão bem quanto a professora.

Existe ou não vírgula antes do e? Sim, mas apenas em três casos:
1 - orações com sujeitos diferentes
O garoto fez a tarefa, a menina foi brincar.
2 - com valor adversativo
Estudei muito, e não aprendi.
3 - quando a conjunção é repetida
Ela cantava, e dançava, e sorria, e pulava.

A vírgula é facultativa para separar o sujeito oracional do predicado.
Quem estuda, vence.
Quem estuda vence.
É obrigatória em dois casos:
a) quando a forma verbal se confunde com um substantivo, para evitar ambiguidade:
Quem quiser, peça.
Quem ama, cobra.
Quem teme, ameaça.
Quem deseja, casa.
b) quando o verbo for o mesmo nas duas orações.
Quem vai, vai; quem fica, fica
Quem pode, pode.

Este princípio deve ser levado em consideração durante a resolução das questões sobre o emprego – correto ou incorreto – da vírgula.
Não se emprega vírgula entre:
Sujeito e verbo.
Verbo e objeto (na ordem direta da sentença).
Núcleos nominais e complementos nominais (na ordem direta da sentença).
Núcleos nominais e adjuntos adnominais (na ordem direta da sentença).
Verbos de ligação e predicativos (na ordem direta da sentença).
Locução verbal de voz passiva e agente da passiva (na ordem direta da sentença).
Oração principal e oração subordinada substantiva (exceto a apositiva).
Oração adjetiva restritiva e a oração principal.

Funções da palavra SE:
1- Conjunção:

a) Conjunção subordinativa integrante: a conjunção introduz orações subordinadas substantivas.
Ex: Quero saber se ela virá à festa.

b) Conjunção subordinativa condicional: introduz orações subordinadas adverbiais condicionais.
Ex: Deixe um recado se você não me encontrar.

2- Pronome:

a) Pronome reflexivo: funciona como objeto direto, objeto indireto e sujeito do infinitivo.
Ex: A criança machucou-se. (objeto direto)

b) Pronome apassivador: quando se liga a verbos transitivos diretos com a intenção de apassivá-los.
Ex: Contaram-se histórias estranhas.

c) Índice de indeterminação do sujeito: quando se liga a verbos transitivos indiretos, de ligação e intransitivos com o papel de indeterminar o sujeito.
Ex: Precisa-se de funcionários experientes.

d) Partícula expletiva: ligada a verbos intransitivos para enfatizar a ação. Pode ser retirada da frase sem nenhum prejuízo ao sentido.
Ex: Maria foi-se embora sem dizer nada.

e) Parte integrante do verbo: ligada a verbos pronominais. Também chamado de pronome fossilizado.
Ex: Ela se apaixonou por Pedro.

As funções da palavra QUE:

A) Advérbio
Quando estiver intensificando adjetivos e advérbios, o vocábulo QUE exercerá a classe gramatical de advérbio. Do ponto de vista da sintaxe, tal partícula atua como adjunto adverbial de intensidade. Equivale a “muito”.
Exemplo:
Que belo está o dia! (O dia está muito belo)

B) Pronome indefinido
Neste caso, é precedido de substantivos, isto é, sempre acompanha substantivos equivalendo a quanto(s), quanta(s). Do ponto de vista da sintaxe, tal partícula atua como adjunto adnominal. É comum aparecer em frase exclamativa.
Exemplos:
Que lugar maravilhoso!
Que raiva!

C) Pronome interrogativo
Nada mais é do que o indefinido QUE em interrogações diretas e indiretas. Quando acompanha um substantivo, apresenta função adjetiva, ou seja, é um pronome adjetivo com função sintática de adjunto adnominal; entretanto, quando substitui um substantivo, exerce as funções próprias do substantivo.
Exemplos:
O que você quer?
O que aconteceu?

D) Pronome relativo
Refere-se a um termo antecedente que é um substantivo ou um pronome, conectando orações. Pode ser substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, dependendo do gênero do antecedente. Exerce função sintática: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo, agente da passiva e adjunto adverbial.
Exemplo:
“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.” (Carlos Drummond de Andrade)

E) Substantivo
Equivale a “alguma coisa” ou “qualquer coisa”. Pode exercer qualquer função sintática de valor substantivo. Neste caso, é sempre acentuado e precedido de artigo ou outro determinante.
Exemplo:
Um tentador quê de mistério tornava o seu rosto cativante.

F) Interjeição
Exprime sentimento ou emoção. Vem sempre acentuada e seguida de ponto de exclamação.
Exemplo:
Quê! Isso é impossível!

G) Preposição acidental
Equivale às preposições essenciais de ou para e ao verbo precisar, geralmente unindo os verbos auxiliares TER e HAVER a verbos principais em locuções verbais (indicando uma exigência, obrigação).
Exemplos:
Tenho que estudar. (= preciso)
Não há mais nada que fazer. (= para)

H) Partícula expletiva
Serve apenas para dar ênfase. Tem apenas função estilística, ou seja, não prejudica a estrutura sintática nem o valor semântico da oração.
Exemplos:
Quase que o aluno desmaia!
Aqui é que me lembro de você.

I) Conjunção coordenativa aditiva
Em geral, aparece entre dois verbos e, na maioria das vezes, esses verbos são idênticos.
Exemplos:
Raspa que raspa, mas a tinta não sai.
Estuda que estuda, e nunca aprende a lição.

J) Conjunção coordenativa adversativa
Indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente a “mas”.
Exemplos:
Outro, que não o presidente, irá prestar depoimento.
Procure outra pessoa para fazer o serviço, que não ela, pois já vimos sua falta de prática.

K) Conjunção coordenativa explicativa
Introduz oração coordenada sindética explicativa.
Exemplos:
Estude isso, que vai cair na sua prova.

L) Conjunção subordinativa integrante
Introduz as chamadas orações subordinadas substantivas, equivalendo, em geral, a “isso/esse”.
Exemplos:
É necessário que você compareça. (= isso)
Meu medo é que ele não venha hoje. (= esse)

M) Conjunção subordinativa consecutiva
Introduz orações subordinadas adverbiais consecutivas, vindo normalmente após uma palavra que começa com T ou as palavras modo, maneira, forma e sorte.
Exemplo:
Falei tanto que fiquei rouco.

N) Conjunção subordinativa comparativa
Introduz orações subordinadas adverbiais comparativas. Vem sempre precedido de mais, menos, melhor, pior, maior e menor.
Exemplo:
Eu sou mais forte (do) que o meu sono.

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