Março Amarelo: médico alerta para os impactos da endometriose



O Março Amarelo é dedicado à conscientização sobre a endometriose, doença que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico precoce.

Durante participação em sua coluna Consultório JM, no Jornal da Manhã da Rádio Caturité 104.1 FM, o médico Antônio Henriques chamou atenção para a naturalização da dor menstrual, realidade que ainda atinge muitas mulheres.

Segundo o especialista, sentir dor intensa durante o ciclo menstrual não deve ser encarado como algo normal.

“Infelizmente, muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor é normal, o que contribui para atrasar a busca por avaliação médica”, afirmou.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, o que corresponde a aproximadamente 190 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 7 milhões de mulheres convivam com a doença.

Embora frequentemente associada apenas à infertilidade, o médico explica que a condição vai muito além disso e pode comprometer significativamente a qualidade de vida.

“Mulheres acometidas frequentemente relatam o impacto nas relações afetivas, no desempenho profissional, no sono, no humor e na vida sexual. Em alguns casos, a doença também pode atingir outros órgãos como o intestino e a bexiga, provocando sintomas que acabam sendo confundidos com problemas gastrointestinais ou urinários”, destacou.

COMO A DOENÇA SE DESENVOLVE?

O especialista explica que a endometriose ocorre quando tecidos semelhantes ao endométrio, revestimento interno do útero, passam a se desenvolver fora da cavidade uterina. Esses focos reagem aos estímulos hormonais do ciclo menstrual e provocam um processo inflamatório crônico na cavidade abdominal.

Os primeiros sinais podem surgir ainda na adolescência, logo após o início da menstruação. Cólicas menstruais muito intensas, que não melhoram com o uso de analgésicos comuns, devem sempre ser investigadas.

Apesar disso, a doença ainda é considerada subdiagnosticada em diversos países.

“Estudos indicam que um intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico definitivo pode levar entre 7 e 9 anos”, explicou.

FATORES E DIAGNÓSTICO

De acordo com o médico, a causa exata da doença ainda não é completamente conhecida, mas diversos fatores podem estar relacionados ao seu desenvolvimento.

“Aspectos genéticos imunológicos e ambientais, mulheres com histórico familiar de endometriose devem estar especialmente atentas aos sintomas”, pontuou.

Em relação ao diagnóstico, ele explica que a investigação costuma começar com exames de imagem.

“A investigação costuma começar com a ultrassonografia pélvica ou transvaginal, em outros casos podem ser solicitados exames mais específicos como a ressonância magnética da pelve ou uma outra ultrassonografia especializada para a endometriose que permite uma avaliação mais detalhada dos possíveis focos de doença”, disse.

TRATAMENTO E SINTOMAS

Embora ainda não exista cura definitiva, a endometriose pode e deve ser tratada, com abordagens que variam conforme a intensidade dos sintomas e o quadro clínico da paciente.

“O tratamento varia de acordo com a intensidade dos sintomas, o desejo reprodutivo da paciente e a extensão da doença, em alguns casos utiliza-se tratamento medicamentoso para controlar a atividade hormonal, em outros pode ser indicada cirurgia para a remoção dos focos da endometriose”, explicou.

Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais durante o período menstrual, sintomas urinários, irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar.

GESTAÇÃO NÃO É CURA

O médico também destacou uma observação recorrente no acompanhamento clínico das pacientes.

“Muitas pacientes relatam melhora de sintomas durante a gestação, isso porque durante a gravidez, a mulher permanece longos períodos sem menstruar, o que reduz o estímulo hormonal sobre os focos da doença. Entretanto é importante destacar que a gestação não cura a endometriose”, ressaltou.

Antônio Henriques reforçou que os sintomas persistentes devem sempre ser investigados.

“A cólica incapacitante, dor persistente ou sintomas associados ao ciclo menstrual merecem sempre investigação quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as possibilidades de controle da doença e preservação da qualidade de vida”, concluiu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

lista de ajustes e configurações - TV Philco

São João na Paraíba 2025: conheça a programação completa das festas

Confira agenda de shows de Xand Avião para o São João 2025, na Paraíba