Lúpus: médico alerta para sintomas, diagnóstico e avanços no tratamento da doença


Durante sua coluna “Consultório JM”, do Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, o médico Dr. Antônio Henriques destacou informações sobre o lúpus, doença inflamatória autoimune desencadeada por um desequilíbrio no sistema imunológico, justamente o responsável por proteger o organismo contra vírus, bactérias e outros agentes externos.

Segundo o especialista, o lúpus pode se manifestar de duas formas: cutânea, quando atinge apenas a pele, ou sistêmica, chamada de lúpus eritematoso sistêmico (LES), quando compromete diferentes tecidos e órgãos do corpo.

O médico ressaltou que estudos recentes apontam a influência de fatores genéticos e ambientais no surgimento das crises da doença.

    “Entre as causas externas destacam-se a exposição ao sol e o uso de certos medicamentos, alguns vírus e bactérias e hormônios estrogênios, o que pode justificar o fato da doença acometer muito mais mulheres do que os homens”, explicou.

De acordo com Dr. Antônio Henriques, os sintomas variam conforme o órgão afetado, mas alguns sinais são recorrentes entre os pacientes.

“Os mais frequentes são febre, manchas na pele, vermelhidão no nariz e nas faces, formando uma espécie de asa de borboleta, fotossensibilidade, feridinhas recorrentes na boca e no nariz, dores articulares, fadiga, falta de ar, taquicardia, tosse seca, dor de cabeça, convulsões, anemia, problemas hematológicos, renais, cardíacos e pulmonares”, destacou.

O especialista também alertou para os cuidados necessários durante a gestação em pacientes diagnosticadas com lúpus eritematoso sistêmico.

“As pacientes necessitam programar gestações para momentos em que haja bom controle da doença, em que estejam utilizando apenas medicações seguras para o feto. Um bom planejamento do melhor momento para engravidar é fundamental para uma gestação segura e de sucesso”, afirmou.

Sobre o diagnóstico, o médico explicou que ele é baseado em critérios estabelecidos pelo American College of Rheumatology.

    “A manifestação simultânea de pelo menos quatro deles vai caracterizar a doença: pequenas feridas recorrentes na boca e no nariz, manchas na pele, especialmente quando exposta ao sol, lesão avermelhada e descamativa com formato de asa de borboleta que surge nas laterais do nariz e se prolonga horizontalmente pelas faces”, explicou.

Ele acrescentou que outros fatores também são considerados, como fotossensibilidade, artrite, dores articulares simétricas, lesões renais e cerebrais, convulsões, ansiedade, psicose, depressão, alterações hematológicas e imunológicas.

Dr. Antônio Henriques pontuou que o tratamento deve ser individualizado, levando em consideração o quadro clínico de cada paciente.

“Os antimaláricos são bem importantes no tratamento, pois evitam que a doença entre em atividade. Os corticoides devem ser utilizados em períodos de maior atividade da doença e a dose varia de acordo com a gravidade. Além disso, quando necessário, o tratamento pode ser feito com imunossupressores, que são medicações que inibem a resposta imunológica”, detalhou.

O médico ressaltou ainda que os avanços recentes no combate à doença, destacando a plasmaférese como uma importante aliada em casos mais graves.

“Os estudos têm avançado e uma conquista importante é a plasmaférese, utilizada para eliminar os complexos imunes circulantes e regredir lesões renais e cerebrais”, concluiu.

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